História Fidelidade e Propósito - Capítulo 4


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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Fantasia, Ficção, Magia, Romance e Novela, Shonen-Ai, Yaoi
Avisos: Heterossexualidade, Homossexualidade
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Capítulo novo, pessoal!

Boa leitura!

Capítulo 4 - Boas-vindas . Parte 2


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SALIN

— Olá, meu nome é... — arregalei os olhos. — Mas que droga...

— Bom dia, "Mas que Droga" — o garoto de gelados olhos azuis riu debochado. — Prazer, Eliazar Stiria.

...

Ele abriu mais a porta e, relutantemente, entrei. Voltei-me para encará-lo antes mesmo ele que terminasse de encostar a porta novamente. Virou-se para mim e deu um passo em minha direção, os braços abertos numa saudação típica de sua família, mas pouco apreciada pela minha. Percebeu seu erro, abaixando-os imediatamente e se contendo a assentir com a cabeça; esse sim um cumprimento bem aceito em toda Alda.

Aquele era praticamente uma cópia do pai, mas claro, bem mais novo que o patriarca. Com pouco mais que minha altura, tinha o porte de Natan e movimentava-se com a graça e a leveza que se esperava de um concorrente à realeza — Eu poderia apostar que ele fora treinado a vida inteira para agir daquela forma —. Não tinha barba ainda, ou talvez a raspasse; não saberia dizer. Os cabelos caíam-lhe como uma franja bagunçada, bem diferente do penteado de pai, mas da mesma cor escura que os de Latrisc.

Seus olhos também brilhavam num criogênico azul, mas neles havia ainda algo a mais. Eram eletrizantes, de certa forma.

— Então, posso mesmo chamá-lo de "Mas que droga"? — sorriu cortês, mostrando os dentes brancos.

Estreitei os olhos, mas respondi com a voz neutra:

— É Salazar tenebrae — passei a examinar o quarto. — Herdeiro da família da noite.

Havia espaço suficiente para três pessoas, mas apenas duas camas jaziam postas, uma à direita e outra à esquerda. Pareciam confortáveis e o tamanho era bom, algo que eu não esperava de um dormitório de colégio. Porém, rapidamente me lembrei de quem aparentemente era meu colega de quarto. Pelo jeito, ser filho do diretor dava direito a certas regalias.

No final do corredor, formado pelas tais camas, dois criados mudos de três gavetas se emparelhavam, encostados à parede. Acima deles um grande espelho de prata, polido o suficiente para que eu pudesse ver nosso reflexo nitidamente. Eu segurava as duas malas e parecia entediado, mas na verdade estava só com sono.

...

Por fim, a frente de cada uma das camas, duas escrivaninhas de madeira escura recostavam-se na parede com suas cadeiras de mesma cor. O quarto era simetricamente dividido, o que me fez arquear uma sobrancelha. Era estranha toda a arrumação, e não demoraria para eu desfazer aquele perfeccionismo doentio.

— Admirado?

— Na verdade, não — dei as costa para ele e caminhei até a cama que não tinha nada sobre os lençóis. Na outra havia um bolsa grande, até estufada de coisas. — Assustado, talvez. Esse quarto não tem nenhum pingo de personalidade ...Ao menos por enquanto.

Joguei uma de minhas malas em cima da cama, enquanto que a outra abri e despejei o conteúdo sobre o colchão. Livros, roupas e alguns objetos caíram e quicaram ao encontrar o estofado. Sorri, parcialmente satisfeito.

Um riso tranquilo alcançou meus ouvidos enquanto eu contemplava minha bagunça de estimação.

— Então é verdade o que dizem. Os Tenebrae são bem...

— Estranhos, amaldiçoados, cruéis e demoníacos? — completei sua frase, o encarando firmemente.

— Iria dizer excêntricos, mas estranhos também serve — deu de ombros. Será que meu olhar ameaçador não funcionava com ele? — Ah, desculpe pela... Arrumação. Coisa do regimento daqui. Mas não se preocupe comigo. Ainda que eu também não goste de bagunça — olhou sugestivamente para minha cama, agora lotada de tralhas. — Eu não me importo, contanto que cada um fique em sua parte.

— De acordo — assenti, me jogando no único pedaço de lençol que não tinha nada e cabia meu corpo. — Há quanto tempo está aqui? Perdi algo muito importante? — Brincava de contar as ripas de madeira que faziam a forração do telhado.

Ele também se sentou, só que em seu lado do "território". Sabia disso porque o catre de sua cama rangeu com seu peso.

— Não — respondeu-me, distraidamente. — Explicaram regras e horários, nada que você não possa ler na cartilha que eles deram.

Sem perder tempo, tateei até pegar debaixo duma camiseta o livro que Latrisc me dera, o agitando no ar para que o Stiria-filho o visse. Veja bem, é fácil para eu achar minhas coisas dessa forma, aparentemente desorganizadas. Só eu me entendo em meu caos. 

— Essa mesmo. Conseguiu com quem, já que chegou atrasado três horas?

— Com seu "papai".

Sentei para sondar suas reações. Não confiava nele ainda, e por isso não me sentia bem o irritando enquanto olhava para o teto, sem que visse as intenções em seus olhos.

Eliazar estava deitado e recostava a cabeça nos braços, a feição tranquila.

— Imaginei — murmurou ele, levemente desinteressado. — Mas diga, porque nos odeia logo de cara?

O.K., temos um do tipo direto, então. Estreitei os olhos, e respondi de forma conciliadora:

— Não odeio vocês. Apenas ressabiado com concorrentes fortes — virou-se para me fitar. Eu gostava de ler os outros, mas detestava que fizessem o mesmo comigo. Bufei.

— Ele deve ter feito uma propaganda exagerada — riu. — Sou da paz.

— Fez mesmo —  sem tirar os olhos dele, remexia em minhas coisas. — Mas cá entre nós, essa coisa de paz não cola entre dois sucessores de famílias "santas".

Também se sentou, mostrando um sorriso de canto.

— Você é interessante. Por isso ele nos colocou juntos... — disse, pensativo.

— Quer que você me vigie. De perto — concluí, sem demonstrar a excitação que a descoberta me dava. — Mas ele sabe que é um jogo para dois, não?

— Deve confiar em mim e no que me ensinou — Não parecia mais o garoto relaxado de antes, e eu finalmente conseguira distinguir a eletricidade em seu olhar. Era sagacidade.

— De certo — dei de ombros. — E então, primeiras impressões positivas sobre seu adversário?

Joguei verde para colher maduro.

— Não... Acho que vai ser... Difícil — calou-se e sustentou meu olhar com a mesma intensidade que eu, e com isso eu soube que não conseguiria mais. Sua expressão suavizou, voltando ao afável. — Ah, mas não precisamos ficar nesse clima o tempo todo! — ele apontou para algo sobre minha cama. Um jogo de cartas reais. — Quer jogar?

...

Pisquei um par de vezes. A conversa importante esvaiu-se como fumaça, e eu não saberia como retomá-la sem criar algum atrito. Por isso, guardei uma nota mental, que mais tarde me lembraria de voltar àquela discussão. Até lá, não doeria jogar um pouco com um cara que provavelmente tentaria "quebrar minhas pernas" assim que tivesse a chance. Fitei o baralho, e ao menos naquele jogo sabia que ninguém ganharia de mim tão fácil, então o apanhei e saltei para sentar no corredor. Ele me imitou.

— Muito bem então, língua-presa — o desafiei. "língua-presa" era algo de nossa cultura que falávamos para provocar outro competidor. Significava perdedor — Doze cartas?

— O que quiser. Não irei perder em qualquer coisa que escolher.

Ri; um riso nasalado que sempre dava quando Natan se animava demais ao treinar comigo. Era o que eu fazia antes de derrubá-lo na areia.

Embaralhei.

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