História Fifty Shades of Green - Capítulo 12


Escrita por: ~

Postado
Categorias 50 Tons de Cinza, Austin Mahone, Fifth Harmony, Shawn Mendes
Personagens Ally Brooke, Austin Mahone, Camila Cabello, Dinah Jane Hansen, Lauren Jauregui, Normani Hamilton, Personagens Originais, Shawn Mendes
Tags Ally Brooke, Austin Mahone, Camila Cabello, Camreng!p, Dinah Jane, Lauren Jauregui, Normani Kordei, Normanigp, Shawn Mendes
Exibições 20
Palavras 3.428
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Festa, Hentai, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Yuri
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Intersexualidade (G!P), Linguagem Imprópria, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Transsexualidade
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Notas finas.

Capítulo 12 - Room Games


Fanfic / Fanfiction Fifty Shades of Green - Capítulo 12 - Room Games

- Pronta ? - pergunta.

Faço que sim com a cabeça e quero dizer para qualquer coisa. Mas não consigo articular as palavras, pois estou muito nervosa, muito agitada.

- Taylor. - Ele acena rápido com a cabeça para o motorista, e entramos no prédio, direto para o hall dos elevadores.

Elevador! A lembrança do nosso beijo daquela manhã torna a me assombrar. Não pensei em mais nada o dia inteiro, sonhando acordada no caixa da loja. Por duas vezes o Sr. Mahone precisou gritar meu nome para me trazer de volta à Terra. Dizer que ando distraída seria o mínimo. Lawrence me olha, um sorrisinho nos lábios. Rá! Ele também está pensando nisso.

- São só três andares - diz secamente, os olhos alegres dançando. Ele tem poderes telepáticos, com certeza. É assustador.

Tento manter a expressão impassível ao entrarmos no elevador. As portas se fecham, e lá está aquela estranha atração elétrica estalando entre nós, escravizando-me. Fecho os olhos, tentando em vão não me importar com isso. Ele aperta minha mão e, cinco segundos depois, as portas se abrem para o telhado do prédio. E lá está, um helicóptero branco com o nome JAUREGUI ENTERPRISES HOLDINGS, INC. escrito em azul com o logo da companhia ao lado. Sem dúvida esse não é um uso adequado dos bens da companhia.

Ele me conduz a um pequeno escritório onde há um senhor sentado à mesa.

- Aqui está seu plano de voo, Sr. Jauregui. Todas as verificações externas foram feitas. A aeronave está a postos. O senhor está autorizado a decolar.

- Obrigado, Joe. - Lawrence sorri calorosamente para ele.

Ah, alguém que merece tratamento cortês por parte de Lawrence. Talvez não seja um empregado. Encaro o velho homem com respeito.

- Vamos - diz Lawrence, e nos encaminhamos para o helicóptero.

De perto, é muito maior do que pensava. Eu esperava uma versão esportiva para dois, mas tem pelo menos sete lugares. Lawrence abre a porta e me encaminha para um dos assentos da frente.

- Sente-se. Não toque em nada - ordena ao embarcar depois de mim.

Ele bate a porta com força. Ainda bem que a área está toda iluminada, do contrário eu teria dificuldade de enxergar o interior da pequena cabine do piloto . Sento no lugar que me foi designado, e ele se agacha a meu lado para prender meu cinto de segurança. É um cinto de quatro pontos com todas as correias ligadas a um ponto central. Ele ajusta as duas correias superiores, e eu mal consigo me mexer. Está muito perto e muito concentrado no que faz. Se pudesse me inclinar para a frente, eu encostaria o nariz em seu cabelo. Ele tem um cheiro limpo, fresco, divino, mas estou amarrada com segurança na minha poltrona e efetivamente imóvel. Ele ergue os olhos e sorri. Como sempre, parece estar curtindo uma piada particular, os olhos brilhando. Está terrivelmente perto. Prendo o fôlego enquanto ele puxa uma das correias superiores.

- Você está segura, sem escapatória - murmura ele. - Respire, Camila - acrescenta docemente.

Esticando o braço, acaricia meu rosto, correndo os dedos até meu queixo, que segura entre o polegar e o indicador. Inclina-se para a frente e me dá um beijo rápido e casto, deixando-me tonta e trêmula com o toque inesperado e empolgante de seus lábios.

- Gosto dessa correia - sussurra ele.

O quê?

Ele se senta ao meu lado e se prende em seu assento com o cinto, depois dá início a um prolongado procedimento de checagem de aparelhos, acionamento de botões e comutadores do alucinante leque de mostradores, luzes e interruptores à minha frente. Luzinhas piscam de vários lugares, e o painel de instrumentos se acende.

- Ponha os fones de ouvido - diz ele, apontando para um conjunto de fones. Coloco-os, e as lâminas do rotor dão a partida. É ensurdecedor. Ele coloca seu fone e continua acionando vários comandos.

- Só estou fazendo todas as verificações pré-decolagem.

A voz incorpórea de Lawrence chega aos meus ouvidos através dos fones. Olho para ele e sorrio.

- Você sabe o que está fazendo? - pergunto.

Ele se vira e sorri para mim.

- Tenho brevê de piloto há quatro anos, Camila. Você está segura comigo. - Ele abre um sorriso feroz. - Bem, enquanto estivermos voando - acrescenta, e lança uma piscadinha para mim.

Lawrence dando uma piscadinha!

- Está pronta?

Indico que sim com a cabeça, os olhos arregalados.

- Tudo bem, torre. PDX, aqui é Charlie Tango Golf-Golf Echo Hotel, autorização para decolar. Favor confirmar, câmbio.

- Charlie Tango, autorizado. PDX falando, prossiga para quatro mil, dirigindo-se à zero um zero, câmbio.

- Ok, torre. Charlie Tango preparado, câmbio e desligo. Lá vamos nós - acrescenta ele para mim, e o helicóptero sobe lenta e suavemente no ar.

Portland some diante de nós à medida que rumamos para o espaço aéreo dos Estados Unidos, embora meu estômago continue firme em Oregon. Caramba! Todas as luzes fortes diminuem até estarem piscando com pouca intensidade abaixo de nós. É como olhar para fora de dentro de um aquário. Quando estamos mais alto, não há realmente nada para ver. É um breu, sem nem um raio de luar para iluminar nossa viagem. Como ele pode ver aonde estamos indo?

- Estranho, não? - A voz de Lawrence está nos meus ouvidos.

- Como sabe que estamos indo na direção certa?

- Aqui. - Ele aponta para um dos indicadores que mostra uma bússola eletrônica. - Este é um EC135 Eurocopter. Um dos mais seguros de sua classe. É equipado para voo noturno. - Olha para mim e sorri.

- Tem um heliporto no alto do prédio onde moro. É para onde estamos indo.

Claro que tem um heliporto onde ele mora. Isso é realmente muita areia para meu caminhãozinho. O rosto dele está suavemente iluminado pelas luzes do painel de instrumentos. Ele está muito concentrado, e a toda hora olha os vários aparelhos à sua frente. Bebo discretamente com os olhos suas feições. Tem um perfil lindo. Nariz reto, queixo quadrado - eu

gostaria de passar a língua na mandíbula dele. Ele não se barbeou, e essa barba por fazer torna a perspectiva duplamente tentadora. Hum... eu queria sentir quão áspera é na minha língua, nos meus dedos, no meu rosto.

- Quando voamos à noite, o voo é cego. Temos que confiar nos instrumentos - diz ele, interrompendo meu devaneio erótico.

- Quanto tempo vai levar o voo? - consigo perguntar, sem fôlego. Não estava pensando absolutamente em sexo, não, de jeito nenhum.

- Menos de uma hora. Estamos a favor do vento.

Hum, menos de uma hora para Seattle ... não é uma velocidade ruim. Não é de espantar que estejamos voando.

Tenho menos de uma hora antes da grande revelação. Todos os músculos da minha barriga se contraem, sinto aquele friozinho no estômago. Puta merda, qual é a surpresa que ele tem para mim?

- Você está bem, Camila ?

- Estou.

Minha resposta é curta, cortada, espremida no meu nervosismo.

Acho que ele sorri, mas é difícil dizer no escuro. Lawrence aciona

mais um botão.

- PDX, aqui é Charlie Tango agora a quatro mil, câmbio.

Ele troca informações com o controle de tráfego aéreo. Tudo soa muito profissional para mim. Acho que estamos passando do espaço aéreo de Portland para o do Aeroporto Internacional de Seattle.

- Compreendido, Sea-Tac, a postos, câmbio e desligo. Olhe ali. - Ele aponta para um ponto de luz ao longe. - É Seattle.

- Você sempre impressiona as mulheres desse jeito? Venha voar no meu helicóptero? - pergunto genuinamente interessada.

- Nunca trouxe nenhuma garota aqui em cima, Camila. É outra primeira vez para mim - diz ele baixinho, com voz séria.

Ah, essa é uma resposta inesperada. Outra novidade? Ah, o lance de dormir, talvez.

- Está impressionada?

- Estou apavorada, Lawrence.

Ele ri.

- Apavorada? - E, por um instante, ele parece de novo ter a idade que tem.

Balanço a cabeça, assentindo.

- Você é tão... competente!

- Ora, obrigado, Srta. Cabello - diz com educação.

Acho que ele está satisfeito, mas não tenho certeza.

Viajamos calados na noite escura por algum tempo. O ponto de luz que é Seattle aumenta lentamente.

- Torre Sea-Tac para Charlie Tango. Plano de voo para Escala pronto. Favor prosseguir. Aguarde contato, câmbio.

- Aqui é Charlie Tango, compreendido, Sea-Tac. Aguardando, câmbio e desligo.

- Está na cara que você gosta disso - murmuro.

- O quê?

Ele me olha. Parece em dúvida à meia luz dos instrumentos.

- Voar - respondo.

- Isso exige controle e concentração... como eu poderia não gostar? Mas o que eu prefiro é planar.

- Planar?

- É, voar em planador. Planadores e helicópteros, piloto as duas coisas.

- Ah.

Hobbies caros. Lembro-me disso da entrevista. Gosto de ler e ir de vez em quando ao cinema. Isso aqui é muita areia para meu caminhão.

- Charlie Tango, pode seguir, por favor, câmbio.

A voz incorpórea do controle de tráfego aéreo interrompe meus pensamentos. Lawrence responde, no tom confiante de quem controla a situação.

Seattle se aproxima. Estamos nos arredores da cidade agora. Uau! É absolutamente incrível. Seattle à noite, do céu.

- É bonito, não é? - murmura Lawrence.

Balanço a cabeça com entusiasmo. Parece do outro mundo, irreal, e eu me sinto num gigantesco set de filmagem. Do filme preferido de Shawn, talvez, Blade Runner. A lembrança de Shawn tentando me beijar me persegue. Começo a me sentir um pouco cruel por não ter retornado suas ligações. Ele pode esperar até amanhã... com certeza .

- Vamos chegar em poucos minutos - avisa Lawrence, e, de repente, minha cabeça lateja e meu pulso se acelera e tenho uma descarga de adrenalina. Ele volta a se comunicar com o controle aéreo, mas eu já não estou ouvindo. Sinto que vou desmaiar. Meu destino está nas mãos dele.

Estamos agora voando entre os prédios, e dá para ver um arranha-céu com um heliporto em cima. No alto do prédio, lê-se a palavra “Escala” pintada de branco. Vai ficando cada vez mais perto, cada vez maior... como minha ansiedade. Nossa, tomara que eu não o decepcione. Ele vai me achar aquém das expectativas, de alguma maneira. Eu devia ter ouvido Dinah e pegado emprestado um dos vestidos dela, mas gosto da minha calça jeans preta, e estou com uma blusa verde hortelã e a jaqueta preta de Dinah. Estou suficientemente elegante. Agarro a beira da poltrona com cada vez mais força. Posso fazer isso. Posso fazer isso. Repito esse mantra enquanto o arranha-céu surge lá embaixo.

O helicóptero reduz a velocidade e flutua. Lawrence pousa no heliporto no alto do prédio. Sinto o coração na boca. Não consigo decidir se é de nervosismo e ansiedade, de alívio por termos chegado vivos, ou de medo de falhar de alguma forma. Ele desliga o motor e as pás do rotor vão parando até eu só ouvir o som da minha respiração errática. Lawrence tira seus fones, estica o braço e tira os meus também.

- Chegamos - diz baixinho.

Seu olhar é intenso, meio na sombra e meio na claridade da iluminação para pouso. O cavaleiro das trevas e o herói, essa é uma metáfora adequada para Lawrence. Ele parece cansado. Tem a mandíbula cerrada e os olhos apertados. Solta o cinto e se aproxima para soltar o meu. Seu rosto está bem próximo.

- Você não precisa fazer nada que não queira. Sabe disso, não é? - O tom dele é muito sincero, desesperado até, o olhar, apaixonado. Ele me pega de surpresa.

- Eu nunca faria nada que não quisesse, Lawrence.

E, ao dizer isso, não sinto convicção porque, a essa altura, eu talvez faça qualquer coisa por esse homem sentado a meu lado. Mas isso resolve. Ele sossega.

Ele me olha desconfiado por um momento e, de alguma forma, apesar da sua altura, consegue andar com elegância até a porta do helicóptero e abri-la. Salta, esperando que eu o acompanhe, e me ajuda a descer para a pista. Venta muito no alto do prédio, e fico nervosa por estar em pé a uma altura equivalente a pelo menos trinta andares num espaço aberto. Lawrence passa o braço em volta da minha cintura e me puxa para junto de si.

- Vem - grita acima do ruído do vento.

Ele me arrasta para o elevador, e, depois que digita um número num teclado, as portas se abrem. Está quente no interior todo espelhado do elevador. Vejo Lawrence ao infinito para qualquer ponto que eu olhe, e o maravilhoso é que ele também está me abraçando ao infinito. Lawrence digita outro código no teclado, as portas se fecham e o elevador desce.

Logo depois estamos num hall todo branco. No meio, há uma mesa redonda de madeira escura, e, sobre ela, um ramalhete incrivelmente imenso de flores brancas. Há quadros em todas as paredes. Ele abre uma porta dupla, e a cor branca permanece no corredor largo em cuja extremidade fica a entrada de uma sala palaciana. É a sala principal, com pé direito duplo.

“Enorme” não é a palavra certa para todo aquele tamanho. A parede do fundo é de vidro e dá para uma varanda que domina Seattle.

À direita, há um imponente sofá em U onde dez pessoas poderiam se sentar confortavelmente. Em frente ao sofá, a lareira mais moderna que se pode imaginar, em aço inoxidável ou talvez platina, acho, e nela arde um fogo suave. À nossa esquerda, ao lado da entrada, fica a cozinha. Toda branca, com as bancadas em madeira escura e um balcão para café da manhã com seis lugares.

Perto da cozinha, diante da parede de vidro, há uma mesa de

jantar rodeada de dezesseis cadeiras. E encaixado no canto, um reluzente piano de cauda preto. Ah, sim... ele também deve tocar piano. Há arte de todas as formas e tamanhos nas paredes. Na verdade, o apartamento mais parece uma galeria do que uma casa.

- Posso pegar sua jaqueta? - pergunta Lawrence.

Balanço a cabeça. Ainda estou com frio por causa do vento do heliporto.

- Quer beber alguma coisa? - pergunta ele.

Pisco. Depois da noite passada! Será que ele está tentando ser engraçado? Por um segundo, penso em pedir uma margarita, mas não tenho coragem.

- Vou beber uma taça de vinho branco. Você me acompanha?

- Sim, por favor - murmuro.

Estou parada nesta sala enorme, sentindo-me deslocada. Vou até a parede de vidro e me dou conta de que, na sua metade inferior, há portas sanfonadas que dão para a varanda. Seattle está acesa e animada ao fundo. Volto para a cozinha - levo alguns segundos, é longe da parede de vidro - e Lawrence está abrindo uma garrafa de vinho. Já tirou o paletó.

- Pouilly Fumé está bom para você?

- Não entendo nada de vinho, Lawrence. Tenho certeza de que é ótimo.

Minha voz é suave e hesitante. Meu coração está palpitando. Quero fugir. Essa casa é podre de chique. Exorbitantemente chique no padrão Bill Gates. O que estou fazendo aqui? Você sabe muito bem o que está fazendo aqui, me diz com desprezo meu inconsciente. Sim, eu quero ir para a cama com Lawrence Jauregui.

- Aqui.

Ele me entrega uma taça de vinho. Até as taças são chiques... pesadas, de cristal moderno. Dou um gole, e o vinho é leve, gelado e delicioso.

- Você está muito calada, e nem está corando. Na verdade, acho que nunca vi você tão branca, Camila - murmura ele. - Está com fome?

Balanço a cabeça. Não de comida.

- É uma casa muito grande essa aqui.

- Grande?

- Grande.

- É grande - concorda ele, e seus olhos brilham divertidos.

Bebo outro gole de vinho.

- Você toca? - pergunto, indicando o piano com o queixo.

- Toco.

- Bem?

- Sim.

- Claro que toca. Existe alguma coisa que você não saiba fazer bem?

- Sim... algumas coisas.

Ele dá um gole em seu vinho. Não tira os olhos de mim. Sinto-os me seguindo enquanto me viro para olhar a vasta sala. “Sala” é a palavra errada. Isso não é uma sala - é uma declaração de propósito.

- Quer sentar?

Balanço a cabeça assentindo, e ele me dá a mão e me conduz para o grande sofá branco. Ao me sentar, fico impressionada com o fato de me sentir como Tess Durbeyfield olhando para a casa nova que pertence ao notório Alec d’Urberville. Esse pensamento me faz sorrir.

- Qual é a graça? - Ele se senta a meu lado, virado para mim. Apoia a cabeça na mão direita, o cotovelo apoiado no encosto do sofá.

- Por que me deu especificamente o Tess of the d’Urbervilles? - pergunto.

Lawrence me olha por um instante. Acho que minha pergunta o surpreendeu.

- Bem, você disse que gostava de Thomas Hardy.

- Só por isso?

Até eu noto o desapontamento em minha voz. Ele contrai os lábios.

- Pareceu adequado. Eu poderia manter você num ideal elevadíssimo como Angel Clare ou degradá-la completamente como Alec d’Urberville - murmura ele, e seus olhos possuem um brilho sinistro e perigoso.

- Se só houvesse duas opções, eu ficaria com a degradação - digo, olhando para ele.

Meu inconsciente me olha assombrado. Lawrence engasga.

- Lawrence, pare de morder o lábio, por favor. Isso distrai muito.

Você não sabe o que está dizendo.

- Por isso estou aqui.

Ele franze a testa.

- Sim. Você pode me dar licença um minuto?

Ele desaparece por uma porta larga do fundo da sala. Pouco depois, volta com um papel.

- Este é um termo de confidencialidade. - Ele dá de ombros e tem a elegância de parecer meio encabulado. - Minha advogada insiste nisso. - Ele me entrega o documento. Fico completamente desconcertada. - Se você escolher a segunda opção, a degradação, vai precisar assinar isto. - E se eu não quiser assinar nada?

- Aí são os ideais elevados de Angel Clare, bem, na maior parte do livro, pelo menos.

- O que esse acordo significa?

- Significa que você não pode revelar nada sobre nós. Para ninguém.

Olho para ele descrente. Puta merda. Isso é ruim, muito ruim, e agora estou muito curiosa para saber.

- Tudo bem. Eu assino.

Ele me entrega uma caneta.

- Você nem vai ler?

- Não.

Ele franze a testa.

- Camila, você deve sempre ler qualquer coisa que assinar - aconselha.

-  Lawrence, o que você não conseguiu entender é que de qualquer forma eu não contaria a ninguém. Nem a Dinah. Portanto, é irrelevante assinar ou não. Se isso é tão importante para você, ou para sua advogada... para quem você obviamente conta, tudo bem. Eu assino. Ele me olha, e assente solenemente com a cabeça.

- Touché , Srta. Cabello.

Assino ostensivamente na linha pontilhada de ambas as cópias e devolvo uma a ele. Dobro a outra, guardo-a na bolsa e dou um bom gole no vinho. Estou parecendo muito mais corajosa do que na verdade me sinto.

- Isso quer dizer que você vai fazer amor comigo hoje à noite, Lawrence?

Puta merda. Será que acabei de dizer isso? Ele fica boquiaberto, mas logo se recupera.

- Não, Camila, não quero dizer isso. Em primeiro lugar, eu não faço amor. Eu fodo... com força. Em segundo lugar, ainda tem muita papelada para assinar. E em terceiro, você ainda não sabe onde está se metendo. Ainda pode cair fora.

Venha, quero mostrar meu quarto de jogos.

Meu queixo cai. Foder com força. Puta merda, isso parece muito excitante. Mas por que estamos indo para um quarto de jogos? Estou perplexa.

- Quer jogar Xbox? - pergunto.

Ele ri alto.

- Não, Camila. Nada de Xbox, nada de Playstation. Venha.

Ele se levanta, estendendo a mão. Deixo-o me conduzir pelo corredor. À direita da porta dupla por onde entramos, há outra porta que leva a uma escada. Subimos ao segundo

andar e viramos novamente à direita. Tirando uma chave do bolso, ele abre outra porta e respira fundo.

- Você pode ir embora quando quiser. O helicóptero está à espera para levá-la na hora que quiser ir. Ou pode passar a noite aqui e voltar para casa amanhã de manhã. Para mim, o que você decidir está bom.

- Abra o raio da porta, Lawrence.

Ele abre a porta e recua para me deixar entrar. Olho para ele de novo. Quero muito saber o que há ali. Respiro fundo e entro.

E parece que viajei no tempo para o século XVI e sua Inquisição espanhola.

Puta merda.


Notas Finais


Até quinta-feira. :)


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