História Fifty Shades of Green - Capítulo 6


Escrita por: ~

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Categorias 50 Tons de Cinza, Austin Mahone, Fifth Harmony, Shawn Mendes
Personagens Ally Brooke, Austin Mahone, Camila Cabello, Dinah Jane Hansen, Lauren Jauregui, Normani Hamilton, Personagens Originais, Shawn Mendes
Tags Ally Brooke, Austin Mahone, Camila Cabello, Camreng!p, Dinah Jane, Lauren Jauregui, Normani Kordei, Normanigp, Shawn Mendes
Exibições 59
Palavras 3.172
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Festa, Hentai, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Yuri
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Intersexualidade (G!P), Linguagem Imprópria, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Transsexualidade
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Notas finais.

Capítulo 6 - To know each other better.


Meu coração quase sai pela boca. Um encontro? Lawrence Jauregui está me convidando para sair . Ele está perguntando se você quer um café. Vai ver ele acha que você ainda não acordou, choraminga o meu inconsciente, novamente com desdém. Engulo em seco, tentando controlar o nervosismo.

- Tenho que levar todo mundo para casa - murmuro num tom de desculpas, torcendo as mãos e os dedos na frente do corpo.

- Taylor - chama ele, fazendo com que eu dê um pulo.

Taylor, que estava se retirando, dá meia-volta no corredor e caminha em nossa direção.

- Eles moram na universidade? - pergunta Jauregui, a voz suave e inquisitiva.

Concordo com a cabeça, desnorteada demais para falar.

- Taylor pode levá-los. Ele é meu motorista. Estamos com um 4x4 grande, então vai dar para levar o equipamento também.

- Sr. Jauregui? - pergunta Taylor quando nos alcança, a expressão neutra.

- Por favor, pode levar o fotógrafo, o assistente dele e a Srta. Jane em casa ?

- Claro, senhor - responde Taylor.

- Pronto. Agora você pode vir tomar um café comigo? - Jauregui sorri como se fosse um assunto liquidado.

Franzo a testa.

- Hum, Sr. Jauregui, hã, isso realmente... olhe, Taylor não precisa levá-los em casa. - Olho rapidamente para Taylor, que continua estoicamente impassível. - Eu troco de carro com a Dinah, se me der um minutinho.

Jauregui abre um glorioso sorriso, desarmado e espontâneo, mostrando todos os dentes. Ai, meu Deus... Ele abre a porta da suíte para que eu entre. Contorno-o depressa para entrar de novo no quarto, e encontro Dinah envolvida numa discussão com Shawn.

- Mila, acho que ele realmente gosta de você - diz ela sem qualquer preâmbulo. José me fuzila com um olhar de desaprovação. - Mas eu não confio nele - acrescenta ela.

Levanto a mão na esperança de que ela pare de falar. Por um milagre, ela para.

- Dinah, se você levar o Wanda, posso pegar o seu carro?

- Por quê?

- Lawrence Jauregui me convidou para tomar um café com ele.

O queixo dela cai. Dinah sem palavras! Saboreio o momento. Ela me agarra pelo braço e me arrasta para o quarto contíguo à sala da suíte.

- Mila, tem algo estranho nele. - A voz de Dinah tem um tom de advertência. - Ele é deslumbrante, concordo, mas acho que é perigoso. Especialmente para alguém como você.

- Como assim, alguém como eu? - pergunto, ofendida.

- Uma pessoa inocente como você, Mila. Você sabe o que eu quero dizer - diz ela, um pouco irritada.

Enrubesço.

- Dinah, é só um café. Minhas provas começam esta semana e preciso estudar, portanto não vou demorar.

Ela contrai os lábios, como se considerasse meu pedido. Finalmente, pega as chaves do carro no bolso e as entrega a mim. Entrego-lhe as minhas.

- Até mais tarde. Não demore, senão mando uma equipe de busca e resgate.

- Obrigada. - Abraço-a.

Saio da suíte e encontro Lawrence esperando, encostado na parede, parecendo um modelo posando para uma revista de moda sofisticada.

- Tudo bem, vamos tomar café - murmuro, vermelha como um camarão.

Ele sorri.

- Vá na frente, Srta. Cabello.

Ele se endireita, estendendo a mão para que eu vá na frente. Vou andando pelo corredor, as pernas bambas, um frio na barriga, e o coração disparado quase saindo pela boca. Vou tomar café com Lawrence Jauregui... e odeio café.

Andamos juntos pelo largo corredor do hotel até os elevadores. O que devo dizer a ele? Meu cérebro está subitamente paralisado de tanta apreensão. Sobre o que vamos conversar? O que diabo tenho em comum com ele? Sua voz suave e quente me desperta do meu devaneio.

- Há quanto tempo conhece Dinah Jane?

Ah, uma pergunta fácil para começar.

- Desde o primeiro ano. Ela é uma boa amiga.

- Hum - responde ele, evasivo.

No que está pensando?

No hall dos elevadores, ele aperta o botão, e a campainha toca quase imediatamente. As portas se abrem, revelando um jovem casal num abraço apaixonado. Surpresos e envergonhados, eles se separam de imediato, olhando com uma expressão culpada para todos os lados, menos para nós. Jauregui e eu entramos no elevador.

Preciso me esforçar para conter o riso, então fixo os olhos no chão, sentindo minhas bochechas ficarem rosadas. Quando olho disfarçadamente para Jauregui, ele tem o vestígio de um sorriso nos lábios, mas quase não dá para ver. O jovem casal não diz nada, e vamos até o térreo num silêncio constrangedor. Nem ao menos tem aquela música ambiente suave para nos distrair.

As portas se abrem e, para minha surpresa, Jauregui pega minha mão apertando-a com seus longos dedos frios. Sinto a corrente me percorrer, e minha pulsação, que já estava rápida, dispara. Enquanto ele me conduz para fora do elevador, dá para ouvir as risadinhas contidas do casal irrompendo atrás de nós. Jauregui sorri.

- O que será que os elevadores têm? - murmura ele.

Atravessamos o vasto saguão movimentado do hotel em direção à entrada, mas Jauregui evita a porta giratória, e me pergunto se é por que ele teria que soltar minha mão.

Lá fora, é um domingo ameno de maio. O sol brilha e há pouco tráfego. Jauregui vira à esquerda e caminha até a esquina, onde esperamos o sinal abrir. Ele continua segurando minha mão. Estou na rua e Lawrence Jauregui está segurando minha mão. Ninguém jamais segurou minha mão. Estou tonta e toda formigando. Tento conter o ridículo sorriso que ameaça cortar meu rosto em dois. Tente ficar calma, Camila, implora meu inconsciente. O homenzinho verde aparece, e lá vamos nós de novo.

Andamos quatro quarteirões antes de chegar à Portland Coffee House, onde Jauregui solta minha mão para abrir a porta e eu poder entrar.

- Por que não escolhe uma mesa enquanto pego as bebidas? O que você vai querer? - pergunta ele, mais cortês que nunca.

- Vou querer... hã... um chá preto, com o saquinho à parte.

Ele ergue as sobrancelhas.

- Nada de café?

- Não gosto de café. Ele sorri.

- Tudo bem, chá com o saquinho à parte. Doce?

Por um momento, fico aturdida, achando que é uma palavra carinhosa, mas felizmente meu inconsciente se manifesta com os lábios contraídos. Não, burra, você quer seu chá adoçado ?

- Não, obrigada.

Fico olhando para meus dedos entrelaçados.

- Alguma coisa para comer?

- Não, obrigada. - Balanço a cabeça, e ele se encaminha para o balcão.

Discretamente, olho para ele enquanto está na fila aguardando ser atendido. Eu poderia passar o dia inteiro olhando para ele... é alto, tem ombros largos, é esguio, e o jeito que aquelas calças caem nos seus quadris... Ai, meu Deus . Uma ou duas vezes, ele passa aqueles longos dedos graciosos pelo cabelo agora seco, mas ainda revolto. Hum... eu gostaria de fazer isso. A ideia me vem à cabeça espontaneamente, e fico com o rosto em chamas. Mordo o lábio e torno a olhar para minhas mãos, não gostando do rumo que meus pensamentos rebeldes estão tomando.

- Um centavo pelos seus pensamentos? - Jauregui volta e me pega de surpresa.

Enrubesço. Eu estava pensando em passar os dedos pelo seu cabelo e me perguntando se seriam macios. Balanço a cabeça. Ele está trazendo uma bandeja, que deixa sobre a mesinha redonda de fórmica. Jauregui me entrega uma xícara com um pires, um pequeno bule de chá e um pratinho com um saquinho solitário com o rótulo TWININGS ENGLISH BREAKFAST - o meu preferido. Para ele, há uma xícara de café com o lindo desenho de uma folha na espuma do leite. Como eles fazem isso? , eu me pergunto. Jauregui também comprou um muffin de blueberry para ele. Deixando a bandeja de lado, ele se senta à minha frente e cruza as pernas compridas. Parece tão confortável, tão à vontade em seu corpo, que o invejo. Aqui estou eu, toda atrapalhada e descoordenada, quase incapaz de dar um passo sem cair de cara no chão.

- Em que está pensando? - pergunta ele.

- Este é o meu chá preferido.

Falo baixo, quase ofegante. Simplesmente não posso acreditar que estou sentada com Lawrence Jauregui num café em Portland. Ele franze a testa. Sabe que estou escondendo alguma coisa. Ponho o saquinho de chá no bule e quase imediatamente o retiro com a colher. Enquanto coloco o saquinho usado no prato, ele inclina a cabeça e me olha intrigado.

- Gosto do meu chá puro e fraco - murmuro à guisa de explicação.

- Entendo. Ele é seu namorado?

Que... O quê?

- Quem?

- O fotógrafo. Shawn Mendes. Dou uma risada, nervosa porém curiosa. O que lhe deu essa impressão?

- Não. Shawn é um grande amigo meu, só isso. Por que achou que ele fosse meu namorado?

- Pelo jeito como você sorriu para ele e ele sorriu para você.

Seu olhar prende o meu. É enervante. Quero desviar os olhos mas estou presa, enfeitiçada.

- Ele é mais como uma pessoa de família - murmuro.

Jauregui assente com a cabeça, aparentemente satisfeito com minha resposta, e olha para seu muffin. Seus dedos esguios puxam com destreza o papel, e observo, fascinada.

- Quer um pedaço? - pergunta, e aquele sorriso divertido e misterioso está de volta.

- Não, obrigada.

Franzo a testa e torno a olhar para minhas mãos.

- E o rapaz que conheci ontem na loja? Ele não é seu namorado?

- Não. Austin é apenas um amigo. Eu lhe disse ontem. - Ah, isso está ficando ridículo. - Por quê?

- Você parece nervosa perto dos homens.

Caramba, isso é pessoal. Só fico nervosa perto de você, Jauregui.

- Você me intimida.

Fico vermelha, mas mentalmente me dou um tapinha nas costas pela sinceridade, e torno a baixar os olhos. Ouço a respiração forte dele.

- Você deve mesmo me achar intimidante. - Ele assente. - É muito honesta. Por favor, não olhe para baixo. Gosto de ver o seu rosto.

Ah. Olho para ele, e ele abre um sorriso encorajador, mas irônico.

- Isso me dá alguma pista do que você poderia estar pensando - suspira ele. - Você é um mistério, Srta. Cabello.

Misteriosa? Eu?

- Não tenho nada de misteriosa. - Acho você muito contida - murmura ele.

Sou? Nossa . Como consegui isso? É desconcertante. Eu, contida? De jeito nenhum .

- A não ser quando enrubesce, claro, o que acontece com frequência. Eu só gostaria de saber por qual motivo estaria enrubescendo.

Ele põe um pedacinho de muffin na boca e começa a mastigá-lo bem devagar, sem tirar os olhos de mim. E, pegando a deixa, enrubesço.

Droga!

- Você sempre faz esse tipo de observação pessoal?

- Não tinha me dado conta de que era tão pessoal. Eu a ofendi? - Ele parece surpreso.

- Não - respondo sinceramente.

- Ótimo.

- Mas você é muito arrogante.

Ele ergue as sobrancelhas e, se eu não estou enganada, cora ligeiramente também.

- Estou acostumado a fazer o que quero, Camila - murmura ele. - A respeito de tudo.

- Não duvido. Por que não me pediu para chamá-lo pelo primeiro nome?

Fico admirada com minha ousadia. Por que esta conversa ficou tão séria? Isso não está sendo do jeito que eu achava que seria. Não posso acreditar que estou me sentindo tão hostil em relação a ele. É como se ele estivesse tentando me assustar.

- As únicas pessoas que me chamam pelo primeiro nome são meus familiares e alguns amigos íntimos. Prefiro assim.

Ah. Ele ainda não disse "Pode me chamar de Lawrence". Ele é maníaco por controle, não há outra explicação, e uma parte de mim está pensando que talvez tivesse sido melhor se Dinah o tivesse entrevistado. Dois maníacos por controle juntos. E, claro, ela tem cabelo louro - como todas as mulheres no escritório dele. E é linda , meu inconsciente me lembra. Não gosto da ideia de Lawrence e Dinah. Dou um gole no meu chá, e Jauregui come outro pedacinho do muffin .

- Você é filha única? - pergunta ele.

Opa... ele continua mudando de rumo.

- Sou.

- Fale de seus pais.

Por que ele quer saber? Isso é muito chato.

- Minha mãe mora na Geórgia com o novo marido, Bob. Meu padrasto mora em Montesano.

- E seu pai?

- Meu pai morreu quando eu era bebê.

- Sinto muito - murmura ele, e uma aflição transparece fugazmente em seu olhar.

- Não me lembro dele.

- E sua mãe se casou novamente?

Solto o ar com força.

- Pode-se dizer que sim.

Ele franze a testa para mim.

- Você não está me contando muita coisa, não é? -- diz ele secamente, esfregando o queixo, como se estivesse se concentrando em seus pensamentos.

- Nem você.

- Você já me entrevistou uma vez, e me lembro de algumas perguntas bem íntimas. - Ele dá um sorrisinho.

Merda. Ele está se lembrando da pergunta sobre ser gay. Mais uma vez, estou mortificada. Daqui para a frente, sei que vou precisar de terapia intensiva para não me sentir tão envergonhada toda vez que me lembrar desse momento. Começo a tagarelar sobre minha mãe - qualquer coisa para bloquear aquele momento.

- Minha mãe é maravilhosa. É uma romântica incurável. Já está no quarto marido.

Lawrence levanta as sobrancelhas, numa expressão de surpresa.

- Sinto falta dela - continuo.

- Ela agora tem o Bob. Só torço para ele conseguir tomar conta dela e ajudá-la a se reerguer quando seus projetos disparatados não saírem como o planejado.

Sorrio carinhosamente. Não vejo minha mãe há muito tempo. Lawrence está me observando com atenção, dando goles esporádicos no café. Eu realmente não devia olhar para a sua boca. Isso me desestabiliza.

- Você se dá bem com seu padrasto?

- Claro. Fui criada por ele. Ele é o único pai que conheço.

- E como ele é?

- Alejandro? Ele é... fechado.

- Só isso? - pergunta Jauregui, admirado.

Dou de ombros. O que esse cara espera? A história da minha vida?

- Fechado como a enteada - provoca Jauregui.

Esforço-me para não revirar os olhos.

- Ele gosta de futebol, especialmente do futebol europeu, de boliche, de pescar e de fabricar móveis. Ele é marceneiro. Ex-militar. - Suspiro.

- Você morou com ele? - Morei. Minha mãe conheceu o Marido Número Três quando eu tinha quinze anos. Fiquei com o Alejandro.

Ele franze a testa como se não entendesse.

- Você não quis morar com sua mãe? - pergunta ele.

Isso realmente não é da conta dele.

- O Marido Número Três morava no Texas. Minha casa era em Montesano. E... você sabe, minha mãe estava recém-casada.

Paro. Minha mãe nunca fala do Marido Número Três. Aonde Jauregui quer chegar com essa conversa? Isso não é da conta dele. Agora é a minha vez.

- E os seus pais? - pergunto. Ele dá de ombros.

- Meu pai é advogado, minha mãe é pediatra. Eles moram em Seattle.

Ah... ele teve uma educação de alto nível. E eu me pego imaginando um casal bem-sucedido que adota três crianças, e uma delas se transforma num homem que parte para o mundo dos negócios e o conquista sozinho. O que o levou para esse caminho? Os pais dele devem estar orgulhosos.

- O que os seus irmãos fazem?

- Norman é construtor, e minha irmã caçula está em Paris, estudando culinária com um renomado chef francês.

A irritação cobre os olhos dele. Ele não quer falar de sua família nem dele mesmo.

- Ouvi dizer que Paris é linda - murmuro. Por que ele não quer falar da família? Será que é por ser adotado?

- É linda. Conhece? - pergunta ele, esquecendo a irritação.

- Eu nunca saí dos Estados Unidos.

Voltamos às banalidades. O que ele está escondendo?

- Gostaria de conhecer?

- Paris? - emito um chiado. A pergunta me desconcerta. Quem não quer conhecer Paris? - Claro - concordo. - Mas eu gostaria de conhecer mesmo a Inglaterra.

Ele inclina a cabeça, passando o dedo indicador no lábio inferior... ai, meu Deus...

- Por quê?

Dou várias piscadelas rápidas.

Concentre-se, Cabello.

- É a terra de Shakespeare, Austen, das irmãs Brontë, de Thomas Hardy. Eu gostaria de ver os lugares que inspiraram essas pessoas a escrever tantos livros maravilhosos.

Essa conversa toda sobre expoentes da literatura me lembra que eu devia estar estudando. Dou uma olhada no relógio.

- Preciso ir. Tenho que estudar.

- Para suas provas?

- É. Começam na terça-feira.

- Onde está o carro da Srta. Jane?

- No estacionamento do hotel.

- Acompanho você até lá.

- Obrigada pelo chá, Sr. Jauregui.

Ele dá aquele sorriso estranho de quem guarda um grande segredo.

- De nada, Camila. Foi um prazer. Venha - ordena ele, e estende a mão para mim.

Seguro sua mão, perplexa, e saio do café atrás dele.

Voltamos para o hotel, e posso dizer que num silêncio confortável. Ele pelo menos demonstra a calma e a serenidade de sempre. Quanto a mim, estou tentando desesperadamente avaliar como foi o nosso encontro. Sinto como se tivesse sido entrevistada para um emprego, mas não tenho certeza para qual função.

- Você sempre usa jeans? - pergunta ele do nada.

- Quase sempre.

Ele assente com a cabeça. Estamos de novo no cruzamento em frente ao hotel. Minha cabeça dá voltas. Que pergunta estranha... E estou ciente de que nosso tempo juntos é limitado. Acabou. Acabou, e eu o desperdicei totalmente, eu sei. Talvez ele tenha alguém.

- Você tem namorada? - pergunto sem pensar. Droga! Eu acabei de dizer isso em voz alta?

Seus lábios se contraem num breve sorriso, e ele me olha de cima.

- Não, Camila. Eu não quero saber de namorada - diz ele baixinho.

Ah... o que quer dizer com isso? Ele não é gay. Ah, talvez seja! Deve ter mentido para mim na entrevista. E, por um momento, acho que ele vai dar alguma explicação, alguma pista para essa declaração enigmática, mas ele não dá. Tenho que ir embora. Tenho que tentar reorganizar meus pensamentos. Tenho que me afastar dele. Sigo em frente e tropeço, me estatelando no meio da rua.

- Que merda, Camila! - exclama Jauregui.

Ele puxa tão forte minha mão que caio em cima dele bem na hora em que um ciclista passa a toda na contramão, e por um triz não me atropela.

Tudo acontece muito depressa - de repente estou caindo, e em seguida ele está me apertando com força junto ao peito. Inspiro seu cheiro limpo e agradável. Ele exala um perfume de roupa recém-lavada e algum gel de banho caro. É embriagador, e inspiro profundamente.

- Você está bem? - murmura ele.

Um de seus braços está em volta de mim, prendendo-me a ele, enquanto os dedos da outra mão percorrem meu rosto, sondando-me e me examinando com delicadeza. Seu polegar roça o meu lábio inferior e sua respiração falha. Ele está me olhando nos olhos, e fixo aquele seu olhar ansioso e ardente por um momento, ou talvez para sempre... mas minha atenção é atraída para sua linda boca. E pela primeira vez em vinte e um anos quero ser beijada.

Quero sentir sua boca na minha.




Notas Finais


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