História Fifty Shades of Grey(50 tons de cinza) - Capítulo 2


Escrita por: ~

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Categorias 50 Tons de Cinza, Flavia Pavanelli, Magcon, Sam "Wilk" Wilkinson
Personagens Flavia Pavanelli, Sammy Wilkinson
Tags 50 Tons De Cinza, Flavia Pavanelli, Sammy Wilk
Exibições 137
Palavras 5.272
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Fantasia, Ficção, Romance e Novela
Avisos: Insinuação de sexo, Intersexualidade (G!P), Linguagem Imprópria, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 2 - O que ele está fazendo aqui?


Fanfic / Fanfiction Fifty Shades of Grey(50 tons de cinza) - Capítulo 2 - O que ele está fazendo aqui?


Meu coração está disparado. O elevador chega ao andar térreo, e eu
desço assim que as portas se abrem, tropeçando mais uma vez, mas
felizmente não caindo de bruços no chão de arenito imaculado. Eu corro
para as largas portas de vidro, e por fim estou livre no tonificante, limpo, ar
úmido de Seattle. Levantando meu rosto, eu dou boas-vindas à fresca chuva
refrescante. Eu fecho meus olhos e tomo uma profunda e purificante
respiração, tentando recuperar o que resta de meu equilíbrio.
Nenhum homem jamais me afetou desse modo como Christian Wilk o
fez, e eu não posso entender o porquê.
É sua aparência? Sua civilidade? Sua Riqueza? Seu Poder? Eu não
entendo minha reação irracional.
Eu dou um suspiro enorme de alívio. O que em nome dos céus foi tudo
aquilo? Eu me inclino contra uma das colunas de aço do edifício, e
valentemente tento me acalmar e juntar meus pensamentos. Eu agito minha
cabeça. Puta merda, o que foi aquilo? Meu coração estabiliza, voltando ao seu
ritmo regular, e eu posso respirar normalmente de novo. Eu me dirijo ao
meu carro.
Quando eu deixo os limites da cidade para trás, eu começo a me sentir
tola e envergonhada, quando eu reproduzo a entrevista em minha mente.
Certamente, eu estou reagindo a algo que está em minha imaginação. Certo,
então ele é muito atraente, confiante, autoritário, à vontade consigo mesmo,
mas por outro lado, ele é arrogante, e por todos os seus modos impecáveis,
ele é ditador e frio. Bem, pelo menos a primeira vista.
Um arrepio involuntário percorre minha espinha. Ele pode ser
arrogante, entretanto ele tem o direito de ser, ele conseguiu tanto em uma 
idade tão jovem. Ele não suporta os imbecis, mas por que ele deveria?
Novamente, eu estou irritada por Kate não me dar uma breve biografia dele.
Enquanto cruzo ao longo da I-5, minha mente continua a vagar. Eu
estou perplexa por existir gente tão empenhada em triunfar. Algumas de
suas respostas eram tão enigmáticas, como se ele tivesse uma agenda
oculta. As perguntas de Kate... ufa! A adoção e a pergunta se ele é gay! Eu
estremeço. Eu não posso acreditar que eu disse aquilo. Que o chão, me
engula agora! Toda vez que eu pensar sobre esta pergunta no futuro, eu vou
ficar corada de vergonha. Maldita Katherine KavFlagh!
Eu verifico o velocímetro. Eu estou dirigindo mais cautelosamente do
que eu estaria em qualquer outra ocasião. E eu sei que é a lembrança de
dois olhos cinza penetrantes olhando para mim, e uma voz dura dizendo-me
para dirigir cuidadosamente. Agitando minha cabeça, eu percebo que Wilk
está mais para um homem com o dobro de sua idade.
Esqueça isto, Fla, eu ralho comigo mesmo. Eu chego à conclusão que
isto foi uma experiência muito interessante, mas eu não deveria insistir
nisto. Deixe isto para trás. Eu nunca vou vê-lo novamente. Eu fico
imediatamente alegre pelo pensamento. Eu ligo o play do MP3 e giro o
volume bem alto, me encosto, e ouço o estrondoso rock alternativo quando
eu pressiono o acelerador.
Quando eu atinjo a I-58, eu percebo que eu posso dirigir tão rápido
quanto eu quero.
Nós vivemos em uma pequena comunidade de apartamentos dúplex
em Vancouver, Washington, perto do campus de Vancouver da WSU. Eu
tenho sorte dos pais de Kate terem comprado um lugar para ela, e eu pago
amendoins pelo aluguel. Isto já faz uns quatro anos. Quando eu desligo o
carro, eu sei que a Kate vai querer que eu conte tim-tim por tim-tim da
entrevista, ela é tenaz. Bem, pelo menos ela tem o mini gravador. Espero que
eu não tenha que elaborar muito além do que foi dito durante a entrevista.
— Fla! Você voltou. — Kate está sentada em nossa sala de estar,
cercada por livros. Ela está claramente estudando para as provas finais,
entretanto ela ainda está de pijamas de flanela rosa, decorado com
coelhinhos fofinhos, aqueles que ela reserva quando acaba com um namoro,
quando está doente, e quando está deprimida em geral. Ela pula em cima de
mim e me abraça apertado.
— Eu estava começando a me preocupar. Eu esperava que você
voltasse mais cedo.
— Oh, eu acho que compensei o tempo considerando que a entrevista
funcionou. — Eu aceno com o mini gravador para ela.
— Fla, muito obrigada por fazer isto. Eu fico te devendo, eu sei. Como
foi? Como ele era? — Oh não, lá vamos nós, com a Inquisição de Katherine
KavFlagh.
Eu luto para responder suas perguntas. O que eu posso dizer?
— Eu estou contente que terminei, e que eu não tenha que vê-lo
novamente. Ele era bastante intimidante, sabe. — Eu encolho os ombros. —
Ele é muito focado, intenso até, e jovem. Realmente jovem.
Kate olha com ingenuidade para mim. Eu franzo a testa para ela.
— Você, não se faça de inocente. Por que você não me deu uma
biografia? Ele me fez sentir como uma idiota por me restringir as perguntas
básicas. — Kate aperta uma mão em sua boca.
— Jesus, Fla, eu sinto muito, eu não pensei.
Eu bufo.
— Na maior parte ele foi cortês, formal, ligeiramente sufocante, como
se tivesse envelhecido antes do tempo. Ele não conversa como um homem de
vinte e poucos anos. Que idade ele tem afinal?
— Vinte e sete. Jesus, Fla, eu sinto muito. Eu devia ter informado
você, mas eu estava em pânico. Deixe-me pegar o mini gravador, e eu vou
começar a transcrever a entrevista.
— Você parece melhor. Você comeu sua sopa? — Eu pergunto, ansiosa
para mudar o assunto.
— Sim, e estava deliciosa como sempre. Eu estou me sentindo muito
melhor. — Ela sorri para mim em gratidão. Eu verifico meu relógio.
— Eu tenho que correr. Eu posso ainda fazer meu turno na Clayton.
— Fla, você está exausta.
— Eu estarei bem. Eu vejo você mais tarde.
Eu trabalho na Clayton desde que eu comecei na universidade. É a
maior loja de ferragens de Portland, e durante os quatro anos em que eu
trabalho aqui, eu conheci um pouco sobre quase tudo que vendemos,
embora ironicamente, eu sou um desastre em trabalhos manuais. Eu deixo
tudo isso para meu pai.
Eu sou muito mais o tipo de garota que se enrosca com um livro em uma
confortável cadeira junto à lareira. Eu estou contente que eu possa fazer
meu turno, pois isto me dá algo para me concentrar que não seja Christian
Wilk. Nós estamos ocupados, é o inicio da temporada de verão, e as pessoas
estão redecorando suas casas. A Sra. Clayton está contente por me ver.
— Fla! Eu pensei que você não fosse vir hoje.
— Meu compromisso não demorou tanto tempo como eu pensei. Eu
terminei em algumas horas.
— Eu estou contente por ver você.
Ela me manda para o deposito para começar a reabastecer as
prateleiras, e eu logo fico absorvida na tarefa. 
Quando eu chego em casa mais tarde, Katherine está com os fones de
ouvido, trabalhando em seu laptop.
Seu nariz está ainda rosa, mas ela está super envolvida no seu
trabalho, concentrada e digitando furiosamente. Eu estou exausta,
completamente drenada pela longa viagem, a entrevista cansativa, e por
permanecer de pé na Clayton. Eu afundo no sofá, pensando sobre a redação
que eu tenho que terminar e todos os estudos que eu não fiz hoje, porque eu
estava com… ele.
— Você tem um bom material aqui, Fla. Você fez um bom trabalho.
Eu não posso acreditar que você não aproveitou a oferta dele para mostrar a
você o lugar. Ele obviamente queria passar mais tempo com você.
Ela me lança um olhar fugaz e brincalhão.
Eu ruborizo, e minha frequência cardíaca inexplicavelmente acelera.
Estou certa que não foi isso. Ele só queria me mostrar o local, para que eu
pudesse ver que ele é o senhor de tudo aquilo. Eu percebo que eu estou
mordendo meu lábio, e eu espero que Kate não note. Mas ela parece
absorvida em sua transcrição.
— Eu entendo o que você quer dizer sobre formal. Você tomou algumas
anotações? — Ela pergunta.
— Hum… não, eu não tomei.
— Tudo bem. Eu ainda posso fazer um artigo bom com isto. Pena que
não temos algumas fotos originais. Bonito aquele filho da puta, não é?
Eu ruborizo.
— Eu acho que sim. — Eu tento duramente soar desinteressada, e eu
acho que consegui.
— Oh vamos, Fla, até você não pode ser imune a sua aparência. —
Ela arqueia uma sobrancelha perfeita para mim.
Merda! Sinto que minhas bochechas ardem. Assim eu a distraio
lisonjeando-a, sempre é um bom truque.
— Você provavelmente teria conseguido muito mais dele.
— Eu duvido, Fla. Ora... ele praticamente te ofereceu um emprego.
Mesmo depois daquela pergunta que impus para você fazer, você foi muito
bem. — Ela olha para mim especulativamente. Eu faço uma retirada
apressada para a cozinha.
— Então o que você realmente pensou sobre ele? — Maldição, ela é
curiosa. Por que ela não pode simplesmente deixar isto passar? Pense sobre
algo, rápido.
— Ele é muito mandão, controlador, arrogante, realmente assustador,
mas muito carismático. Eu posso entender o fascínio, — eu digo
sinceramente, com a esperança que ela encerre este assunto uma vez por
todas.
— Você, fascinada por um homem? Está é a primeira vez, — ela bufa. 
Eu começo a juntar os ingredientes de um sanduíche, assim ela não
pode ver meu rosto.
— Por que você quis saber se ele era gay? Alias, está foi uma pergunta
muito embaraçosa. Eu fiquei mortificada, e ele ficou puto ao ser questionado
também. — Eu franzo a testa com a memória.
— Sempre que ele está nas páginas da sociedade, ele nunca está
acompanhado.
— Foi vergonhoso. A coisa inteira foi constrangedora. Eu estou
contente que nunca mais tenha que por os olhos nele novamente.
— Oh, Fla, não pode ter sido tão ruim. Eu penso que ele parece estar
bastante interessado em você.
Interessado em mim? Agora Kate está sendo ridícula.
— Você gostaria de um sanduíche?
— Por favor.
Não conversamos mais sobre Christian Wilk aquela noite, para meu
alívio. Uma vez que nós comemos, eu posso me sentar à mesa de jantar com
Kate e, enquanto ela trabalha em seu artigo, eu trabalho em minha redação
sobre Tess de D 'Urbervilles.10 Maldição, esta mulher estava no lugar errado,
no tempo errado, no século errado. Quando eu termino, é meia-noite, e Kate
já tinha ido há muito tempo para a cama. Eu faço meu caminho para meu
quarto, exausta, mas contente que eu fiz tanto para uma segunda-feira.
Eu me enrolo em minha cama de ferro branco, embrulhando uma
colcha de minha mãe ao meu redor, fecho meus olhos e durmo
imediatamente. Naquela noite eu sonho com lugares escuros, sombrios pisos
brancos frios, e olhos cinza.
Pelo resto da semFla, eu me dedico em meus estudos e no meu
trabalho na Clayton. Kate está ocupada também, compilando sua última
edição de sua revista estudantil, antes dela ter que cedê-la para o novo
editor, ao mesmo tempo estudando para seus exames finais.
Na quarta-feira, ela está muito melhor, e eu não tenho mais que suportar a
visão de seus pijamas com rosa e coelhinhos. Eu telefono para minha mãe
na Geórgia para saber como ela está, mas também para que ela possa me
desejar sorte em meus exames finais. Ela começa a me contar sobre sua
mais nova aventura: está aprendendo a fazer vela. Minha mãe adora
aprender coisas novas. Basicamente, ela se entedia e busca coisas novas
para preencher seu tempo, mas é impossível ela manter a atenção durante
muito tempo em alguma coisa. A semFla que vem será uma nova aventura.
Ela me preocupa. Eu espero que ela não hipoteque a casa para
financiar esta nova aventura. E eu espero que Bob, seu relativamente novo
marido, muito mais velho, esteja de olho nela agora que eu não estou mais
lá. Seu terceiro marido parecer ser um cara centrado.
— Como estão às coisas com você, Fla?
Por um momento, eu hesito, e eu tenho toda a atenção de minha mãe.
— Eu estou bem.
— Fla? Você encontrou alguém? — Uau… como ela faz isto? A
excitação em sua voz é palpável.
— Não, mãe, não é nada. Você será a primeira a saber se eu o achar.
— Fla, você realmente precisa sair mais, doçura. Você me preocupa.
— A mãe, eu estou bem. Como está Bob? — Como sempre, a distração
é a melhor política.
Mais tarde naquela noite, eu chamo Ray, meu padrasto, Marido
Número Dois de mamãe, o homem que eu considero sendo meu pai, e o
homem cujo nome eu carrego. É uma conversa breve. De fato, não é tanto
uma conversa, é mais uma série unilateral de grunhidos em resposta para a
minha gentil persuasão. Ray não é muito de falar. Mas ele é muito ativo,
quando ele não esta assistindo futebol na televisão, vai aos jogos de boliche,
prática pesca com mosca,11 ou fazendo mobília. Ray é um carpinteiro
qualificado, e a razão de eu saber a diferença entre um falcão e um serrote.
Tudo parece bem com ele.
Sexta feira à noite, Kate e eu estamos debatendo o que fazer com
nossa noite, nós queremos dar um tempo em nossos estudos, em nosso
trabalho, dos jornais estudantis, quando a campainha toca.
Parado em nossa soleira está meu bom amigo José, segurando uma
garrafa de champanhe.
— José! Bom te ver! — Eu dou-lhe um abraço rápido. — Entre.
José é a primeira pessoa que eu encontrei quando cheguei na
universidade, parecia tão perdido e solitário com eu.
Nós reconhecemos uma alma gêmea em cada um de nós naquele dia, e
nós temos sido amigos desde então.
Não só compartilhamos um senso de humor, mas nós descobrimos
que tanto Ray como o Sr. José estiveram na mesma unidade do exército
juntos. Como resultado, nossos pais se tornaram grandes amigos também.
José estuda engenharia e é o primeiro de sua família a ir para a
faculdade. Ele é malditamente brilhante, mas sua verdadeira paixão é a
fotografia. José tem um bom olho para uma boa foto.
— Eu tenho novidades. — Ele sorri, com seus olhos escuros brilhando.
— Não me diga que você conseguiu ser expulso por mais uma semFla,
— eu provoco, e ele faz uma careta brincalhona para mim.
— A galeria Portland Place vai exibir minhas fotografias no próximo
mês.
— Isto é incrível, parabéns! — Satisfeita por ele, eu o abraço
novamente. Kate sorri para ele também.
— É isto aí José! Eu devia pôr isto no jornal. Nada como mudanças
editoriais de último minuto em uma sexta-feira à noite. — Ela sorri.
— Vamos celebrar. Eu quero que você venha para a abertura. — José
olha atentamente para mim. Eu ruborizo.
— Você duas claro, — ele adiciona, olhando nervosamente para Kate.
José e eu somos bons amigos, mas eu sei que lá no fundo, ele gostaria
de ser mais que isto. Ele é atraente e engraçado, mas não é para mim. Ele é
mais como um irmão que eu nunca tive. Katherine frequentemente me
provoca dizendo que está faltando um namorado em minha vida, mas a
verdade é que eu não conheci ninguém que... bem, me atraísse, embora
uma parte de mim anseie pelos joelhos trêmulos, o coração saindo pela boca,
o friozinho na barriga e noites sem dormir.
Às vezes me pergunto se existe algo de errado comigo. Talvez eu gaste
muito tempo na companhia de meus heróis românticos literários, e
consequentemente minhas ideais e expectativas são extremamente altos.
Mas na verdade, ninguém nunca me fez sentir assim.
Até muito recentemente, a indesejável, vozinha em meu subconsciente
sussurra.
NÃO! Eu enterro o pensamento imediatamente. Sem essa, não depois
daquela entrevista dolorosa. Você é gay, Sr. Wilk? Eu estremeço com a
memória. Eu sei que eu sonhei com ele quase todas as noites desde então,
mas isto é apenas para eliminar a experiência terrível da minha mente,
certo?
Eu assisto José abrir a garrafa de champanhe. Ele é alto, em sua calça
jeans e camiseta, ele é todo ombros e músculos, pele bronzeada, cabelos
escuros e olhos escuros ardentes. Sim, Jose é bastante quente, mas eu acho
que ele está finalmente entendendo a mensagem: Nós somos apenas amigos.
A rolha estala alto, e José olha para cima e sorri.
Sábado na loja é um pesadelo. Nós recebemos vários clientes que
querem enfeitar suas casas. O Sr e a Sra. Clayton, John e Patrick, os outros
empregados, estamos correndo apressados. Mas há uma trégua na hora do
almoço, e a Sra. Clayton me pede para verificar algumas ordens enquanto eu
estou sentada atrás do balcão do caixa discretamente comendo minha
rosquinha. Eu estou absorta na tarefa, verificando os números do catálogo
dos itens que temos e precisamos encomendar, os olhos passando
rapidamente no livro de ordem para a tela do computador enquanto eu
verifico se as entradas batem. Então, por alguma razão, eu olho para cima…
e encontro-me presa no cinzento olhar ousado de Christian Wilk, que está
de pé no balcão, encarando-me atentamente.
Meu coração para.
— Senhorita Pavanelli. Que surpresa agradável. — Seu olhar é firme e
intenso. 
Puta merda. Que diabos ele está fazendo aqui, ele está com os cabelos
despenteados, vestindo um suéter creme, jeans e botas? Acho que fiquei
boquiaberta, e eu não posso localizar meu cérebro ou minha voz.
— Sr. Wilk, — eu sussurro, porque isto é tudo que eu posso fazer. Há
uma sombra de um sorriso em seus lábios e seus olhos estão iluminados
com humor, como se ele estivesse desfrutando de alguma piada particular.
— Eu estava na área, — ele diz por via de explicação. — Eu preciso
abastecer algumas coisas. É um prazer ver você novamente, Senhorita
Pavanelli. — Sua voz é morna e rouca, como calda de caramelo derretido em
chocolate escuro… ou algo assim.
Eu agito minha cabeça para reunir meu juízo. Meu coração está
batendo freneticamente, e por alguma razão eu estou corando furiosamente
sob seu olhar minucioso. Eu estou totalmente deslocada pela visão dele de
pé diante de mim. Minhas lembranças dele não lhe fazem justiça. Ele não é
apenas bonito, ele é o epítome da beleza masculina, de tirar o fôlego, e ele
está aqui. Aqui nas lojas Clayton. Vá entender. Finalmente minhas funções
cognitivas é restabelecidas e reconectadas com o resto de meu corpo.
— Fla. Meu nome é Fla, — eu murmuro. — Em que posso ajudá-lo,
Sr. Wilk?
Ele sorri, e novamente é como se ele conhecesse algum grande
segredo. E tão desconcertante. Respirando fundo, eu coloco minha fachada
de profissional de quem trabalha nesta loja há anos. Eu posso fazer isto.
— Há alguns itens que eu preciso. Para começar, eu gostaria de
algumas braçadeiras, — ele murmura, seus olhos cinza frios, mas divertidos.
Braçadeiras?
— Nós temos de vários comprimentos. Eu devo mostrar a você? — Eu
murmuro, minha voz suave e oscilante.
Controle-se, Pavanelli. Um leve franzir estraga por sua vez a testa do
adorável Wilk.
— Por favor. Vá na frente, Senhorita Pavanelli, — ele diz. Eu tento parecer
indiferente quando eu saio detrás do balcão, mas realmente eu estou muito
concentrada em não tropeçar nos meus próprios pés, minhas pernas de
repente estão na consistência de gelatina. Eu estou tão contente por ter
decidido vestir meu melhor jeans esta manhã.
— Elas estão junto aos bens elétricos, no corredor oito. — Minha voz
está um pouco resplandecente. Eu olho para ele e lamento quase que
imediatamente. Maldição, ele é bonito. Eu ruborizo.
— Depois de você, — ele murmura, gesticulando com seus longos
dedos de sua mão bem cuidada. Com meu coração quase me estrangulando,
porque ele está quase passando pela minha garganta, está tentando escapar
de minha boca, começo a me encaminhar a seção de eletrônicos. Por que ele
está em Portland? 
Por que ele está aqui na Clayton? E uma minúscula parte do meu
cérebro que utilizo, provavelmente localizada na base de minha medula
oblonga onde habita meu subconsciente, diz: Ele está aqui para vê-la. Sem
chance! Eu dispenso isto imediatamente. Por que este belo, poderoso e
urbano homem, quer me ver? A ideia é absurda, e eu excluo isto de minha
cabeça.
— Você está em Portland a negócios? — Eu pergunto, e minha voz é
muito alta, como se eu tivesse preso meu dedo em uma porta ou algo assim.
Maldição! Tente ficar fria Fla!
— Eu estava visitando a divisão agrícola da universidade. Que está
localizada em Vancouver. Eu estou atualmente financiando algumas
pesquisa lá, sobre rotação de colheita e ciência do solo, — ele discute o
assunto com naturalidade. Vê?
Não está aqui para encontrar você afinal, meu subconsciente zomba de
mim, alto, orgulhoso, e rabugento. Eu ruborizo com meus tolos pensamentos
impertinentes.
— Tudo parte de seu plano de alimentar o mundo? — Eu provoco.
— Algo assim, — ele reconhece, e seus lábios satirizam em um meio
sorriso.
Ele olha para a seleção de braçadeiras que nós temos em estoque na
Clayton. O que ele vai fazer com isso? Eu não posso imaginá-lo fazendo um
trabalho manual usando isso. Seus dedos deslizam sobre os vários pacotes
da prateleira, e por alguma razão inexplicável, eu tenho que desviar o olhar.
Ele se curva e seleciona um pacote.
— Estes servirão, — ele diz com o seu sorriso de que está guardando
um segredo, e eu ruborizo.
— Gostaria de mais alguma coisa?
— Eu gostaria de algumas fitas adesivas.
Fita adesiva?
— Você está redecorando sua casa? — As palavras escapam antes que
eu possa detê-las. Certamente ele contrata operários ou tem pessoal para
ajudá-lo a decorar?
— Não, não redecorando, — ele diz depressa então sorri, e eu tenho a
sensação estranha que ele está rindo de mim.
Eu sou tão engraçada assim? Pareço engraçada?
— Por aqui, — eu murmuro envergonhada. — a fita adesiva está no
corredor de decoração.
Eu olho para trás à medida que ele me segue.
— Você trabalha aqui há muito tempo? — Sua voz é baixa, e ele está
olhando para mim, olhos cinza muito concentrados. Eu ruborizo ainda mais
intensamente. Por que diabos ele tem este efeito sobre mim?
Eu me sinto com quatorze anos de idade, desajeitada como sempre, e
fora do lugar. Olhos para frente Pavanelli!
— Quatro anos, — eu murmuro quando nós alcançamos nosso
objetivo. Para me distrair, eu passo e seleciono duas fitas adesivas largas.
— Eu vou levar essa, —  diz suavemente apontando para a fita
mais larga, que eu passo para ele.
Nossos dedos se tocam muito brevemente, e a corrente está lá
novamente, atravessando por mim como se eu tivesse tocado um fio exposto.
Eu ofego involuntariamente quando eu sinto isto, essa corrente percorre
todo meu corpo até em algum lugar escuro e inexplorado, no fundo de minha
barriga. Desesperadamente, eu consigo de volta o meu equilíbrio.
— Mais alguma coisa? — Minha voz é rouca e ofegante. Seus olhos se
arregalam ligeiramente.
— Algumas cordas, eu acho. — Sua voz reflete a minha, rouca.
— Por aqui. — E abaixo minha cabeça para esconder meu recorrente
rubor e dirijo-me para o corredor.
— Que tipo você está procurando? Nós temos corda de filamento
sintético e natural… barbantes... fio de corda… — eu me detenho em sua
expressão, seus olhos escurecendo. Puta merda.
— Eu vou levar cinco metros de corda de filamentos naturais, por
favor.
Rapidamente, com dedos trêmulos, eu meço cinco metros contra a
régua fixa, ciente que seu quente olhar cinza está em mim. Eu não ouso
olhar para ele. Jesus, eu podia me sentir mais tímida? Pegando minha faca
Stanley do bolso de trás de minha calça jeans, eu corto-a, então enrolo
cuidadosamente antes de amarrá-la em um nó corrediço. Por algum milagre,
eu consigo não arrancar um dedo com minha faca.
— Você era Escoteira? — Ele pergunta divertido, franzindo seus lábios
sensuais e esculpidos. Não olhe para sua boca!
— Só organizada, as atividades em grupo não são realmente minha
praia, Sr. Wilk.
Ele arqueia uma sobrancelha.
— E qual é sua praia, Flavia? — Ele pergunta, sua voz suave e seu
sorriso secreto estão de volta. Eu olho para ele incapaz de me expressar. O
chão parece placas tectônicas e movimento. Tente se tranquilizar, Fla, meu
torturado subconsciente implora de joelhos.
— Livros, — eu sussurro, mas por dentro, meu subconsciente está
gritando: Você! Você é minha praia!
Eu o esbofeteio imediatamente, mortificada com os delírios da minha
mente. 
— Que tipo de livros? — Ele dobra sua cabeça para um lado. Por que
ele está tão interessado?
— Oh, você sabe. O habitual. Os clássicos. Literatura britânica,
principalmente.
Ele esfrega seu queixo com seu dedo indicador e o longo dedo polegar
enquanto ele contempla minha resposta.
Ou talvez ele esteja apenas muito entediado e tentando esconder isto.
— Você precisa de alguma outra coisa? — Eu tenho que sair deste
assunto, aqueles dedos naquele rosto são muito sedutores.
— Eu não sei. O que mais você recomenda?
O que eu recomendo? Eu sequer sei o que você está fazendo.
— Para um trabalho manual?
Ele movimenta a cabeça, olhos cinza vivos com humor perverso. Eu
ruborizo, e meus olhos se desviam por vontade própria para sua calça jeans
confortável.
— Macacões, — eu respondo, e eu sei que eu não estou mais
despistando o que sai de minha boca.
Ele levanta uma sobrancelha, divertido, mais uma vez.
— Você não quer estragar sua roupa, — eu gesticulo vagamente na
direção de sua calça jeans.
— Eu sempre posso lavá-las. — Ele sorri.
— Hum. — Eu sinto a cor em meu rosto subindo novamente. Eu devo
estar da cor do manifesto comunista. Pare de falar. Pare de falar AGORA.
— Eu vou levar alguns macacões. Deus me livre de arruinar qualquer
roupa, — ele diz secamente.
Eu tento e descarto a imagem indesejada dele sem jeans.
— Você precisa de mais alguma outra coisa? — Eu pergunto quando
eu entrego-lhe o macacão azul.
Ele ignora minha investigação.
— Como está indo o artigo?
Ele finalmente me faz uma pergunta normal, longe de toda a
insinuação e a conversa confusa de duplo sentido… uma pergunta que eu
posso responder. Eu agarro isto firmemente com as duas mãos, como se
fosse um bote salva-vidas, e eu sou honesta.
— Eu não estou escrevendo-o, Katherine está. A Srta Kavanagh.
Minha companheira de quarto, ela é a escritora. Ela está muito feliz com
isto. Ela é a editora da revista, e ficou devastada por não poder fazer a
entrevista pessoalmente. — Eu me sinto como se eu emergisse para o ar,
enfim um tópico normal de conversação. — Sua única preocupação é que ela
não tem nenhuma fotografia original sua.
Wilk levanta uma sobrancelha.
— Que tipo de fotografia ela quer? 
Ok. Eu não tinha previsto esta resposta. Eu sacudo a cabeça, porque
eu simplesmente não sei.
— Bem, eu estou por perto. Amanhã, talvez… — ele é vago.
— Você estaria disposto a participar de uma sessão de fotos? — Minha
voz é estridente novamente. Kate estaria no sétimo céu se eu puder tirá-las.
E você pode vê-lo novamente amanhã, sussurra sedutoramente para mim
aquele lugar escuro na base de meu cérebro. Eu descarto a ideia, tola e
ridícula…
— Kate ficará encantada se nós pudermos achar um fotógrafo. — Eu
estou tão contente, eu sorrio para ele amplamente. Seus lábios abrem como
se ele estivesse tomando um influxo forte de ar, e ele pisca. Por uma fração
de segundo, ele parece perdido de alguma maneira, e a Terra se desloca
ligeiramente sobre seu eixo, as placas tectônicas resvalam para uma nova
posição.
Meu Deus. O olhar perdido de Christian Wilk.
— Avise-me sobre amanhã. — Alcançando seu bolso de trás, ele retira
sua carteira. — Meu cartão. Tem meu número do celular nele. Você precisa
chamar antes das dez da manhã.
— Ok. — Eu sorrio para ele. Kate vai ficar emocionada.
— Fla!
Paul se materializou do outro lado no final do corredor. Ele é o irmão
mais novo do Sr. Clayton. Eu ouvi que ele estava em casa de Princeton, mas
eu não estava esperando vê-lo hoje.
— Ah, com licença por um momento, Sr. Wilk. — Wilk faz um cara
feia quando eu me afasto dele.
Paul sempre foi um amigo, e neste momento estranho que eu estou
tendo com o rico, poderoso, impressionante fora de comparação, atraente e
controlador, é ótimo conversar com alguém que seja normal. Paul me abraça
apertado pegando-me de surpresa.
— Fla, oi, é tão bom ver você! — Ele esguicha.
— Oi Paul, como você está? Você está em casa para o aniversário de
seu irmão?
— Sim. Você está parecendo bem, Fla, realmente bem. — Ele sorri
enquanto ele me examina de certa distancia. Então ele me libera, mas
mantém um braço possessivo caído sobre meu ombro. Eu me embaralho de
um pé para outro, envergonhada. É bom ver Paul, mas ele sempre foi muito
familiar.
Quando eu olho para Sammy Wilk, ele está nós observando como
um falcão, seus olhos cinza encobertos e especulativos, sua boca uma dura
linha impassível. Ele mudou de forma estranha, do cliente atento para outra
pessoa, alguém frio e distante.
— Paul, eu estou com um cliente. Alguém que você deve conhecer, —
eu digo, tentando desarmar o antagonismo que eu vejo nos olhos de Wilk. 
Eu arrasto Paul acima para encontrá-lo, e eles se medem um ao outro. A
atmosfera de repente é ártica.
— Ah, Paul, este é Sammy Wilk. Sr. Wilk, este é Paul Clayton. Seu
irmão é o dono do lugar. — E por alguma razão irracional, eu sinto que eu
tenho que explicar um pouco mais.
— Eu conheço Paul desde que eu trabalho aqui, entretanto nós não
nos vemos com frequência. Ele chegou de Princeton onde ele está estudando
administração de empresas. — Eu estou balbuciando… Pare, agora!
— Sr. Clayton. — Christian sustenta seu aperto, seu olhar ilegível.
— Sr. Wilk, — Paul retorna seu aperto de mão. — Espere, não
Christian Wilk? Da Wilk Holdings Enterprise? — Paul vai de mal humorado
para impressionado em menos de um nano segundo. Wilk lhe dá um sorriso
cortês que não alcança seus olhos.
— Uau, há alguma coisa em que eu possa ajudá-lo?
— Flavia tem me ajudado, Sr. Clayton. Ela tem sido muito
atenciosa. — Sua expressão é impassível, mas suas palavras… é como se ele
estivesse dizendo outra coisa completamente diferente. É desconcertante.
— Legal, — Paul responde. — Vejo você mais tarde, Fla.
— Certo, Paul. — Eu assisto-o desaparecer em direção á sala de
estoque. — Mais alguma coisa, Sr. Wilk?
— Só estes itens. — Seu tom é cortante e frio. Porra… eu o ofendi?
Respirando fundo, eu viro e dirijo-me ao caixa. Qual é o seu problema?
Eu carrego a corda, macacões, fita adesiva e as braçadeiras até o
caixa.
— Isso deu quarenta e três dólares, por favor. — Eu olho para Wilk, e
desejei não ter feito isso. Ele está me observando de perto, seus olhos cinza
intensos e escurecidos. É enervante.
— Você gostaria de uma sacola? — Eu pergunto enquanto eu pego seu
cartão de crédito.
— Por favor, Flavia. — Sua língua acaricia meu nome, e meu
coração mais uma vez fica frenético.
E mal posso respirar. Apressadamente, eu coloco suas compras em
uma sacola de plástico.
— Você me liga se você quiser que eu faça a sessão de fotos? — Ele é
todos negócios mais uma vez. Eu aceno, sem palavras mais uma vez, e
devolvo seu cartão de crédito.
— Ótimo. Até amanhã talvez. — Ele vira-se para partir, depois faz uma
pausa. — Ah, e Flavia, eu estou feliz que a Senhorita KavFlagh não pôde
fazer a entrevista. — Ele sorri, então anda a passos largos com o propósito
renovado para fora da loja, atirando a sacola plástica acima de seu ombro,
deixando-me uma massa trêmula e furiosa de hormônios femininos. Eu
passo vários minutos olhando fixamente para a porta fechada pela qual ele
acabou de sair antes de retornar ao planeta Terra. 
Certo, eu gosto dele. Eu admito, isto para mim mesma. Eu não posso
esconder meu sentimento mais. Eu nunca me senti assim antes. Eu o acho
atraente, muito atraente. Mas ele é uma causa perdida, eu sei, e eu suspiro
com um pesar agridoce. Foi apenas uma coincidência, sua vinda aqui. Mas
ainda assim, eu posso admirá-lo de longe, certamente? Nenhum dano pode
resultar disto. E se eu encontrar um fotógrafo, eu posso seriamente
contemplá-lo amanhã. Eu mordo meu lábio em antecipação e eu me
encontro sorrindo como uma colegial. Eu preciso telefonar para Kate e
organizar uma sessão de fotos.
 



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