História Fifty Shades of Grey(50 tons de cinza) - Capítulo 3


Escrita por: ~

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Categorias 50 Tons de Cinza, Flavia Pavanelli, Magcon, Sam "Wilk" Wilkinson
Personagens Flavia Pavanelli, Sammy Wilkinson
Tags 50 Tons De Cinza, Flavia Pavanelli, Sammy Wilk
Exibições 178
Palavras 5.641
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Fantasia, Ficção, Romance e Novela
Avisos: Insinuação de sexo, Intersexualidade (G!P), Linguagem Imprópria, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 3 - Preciso Sentir


Fanfic / Fanfiction Fifty Shades of Grey(50 tons de cinza) - Capítulo 3 - Preciso Sentir


Kate está em êxtase.
— Mas o que ele estava fazendo na Clayton? — Sua curiosidade escoa
pelo telefone. Eu estou nas profundezas da sala de estoque, tentando manter
minha voz casual.
— Ele passou por aqui.
— Eu acho que isto é uma coincidência enorme, Fla. Você não acha
que ele estava ai para ver você?
Ela especula. Meu coração bater forte com a possibilidade, mas a
alegria dura pouco. A triste e decepcionante realidade é maçante, ele esteve
aqui a negócios.
— Ele veio visitar a divisão de agricultura da universidade. Ele está
financiando algumas pesquisas, — eu murmuro. 
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— Oh sim. Ele deu ao departamento uma doação de $2.5 milhões de
Grant.13
Uou.
— Como você sabe disto?
— Fla, eu sou uma jornalista, e eu escrevi um perfil sobre o cara. É
meu trabalho saber disto.
— Ok, Carla Bernstein,14 fique fria. Então você quer as fotos?
— Claro que eu quero. A questão é, quem vai fazê-las e onde.
— Nós podemos perguntar-lhe onde. Ele disse que vai ficar na área.
— Você pode contatá-lo?
— Eu tenho seu número de telefone celular.
Kate ofega.
— O mais rico, mais esquivo, mais enigmático solteiro do Estado de
Washington, apenas lhe deu seu número de telefone celular.
— Ah… sim.
— Fla! Ele gosta de você. Não há dúvida sobre isto. — Seu tom é
enfático.
— Kate, ele está apenas tentando ser agradável. — Mas mesmo
quando eu digo as palavras, eu sei que elas não são verdade.
 — Sammy Wilk não é agradável. Ele é educado, talvez. E uma
pequena voz sussurra silenciosa, talvez Kate esteja certa. Fico arrepiada
com a ideia de que talvez, apenas talvez, ele possa gostar de mim. Afinal, ele
disse que estava contente por Kate não ter feito à entrevista. Eu abraço a
mim mesma com uma silenciosa alegria, balançando-me de um lado para
outro, acolhendo a possibilidade de que ele possa gostar de mim por um
breve momento. Kate me traz de volta para o agora.
— Eu não sei como vamos conseguir fazer as fotos. Levi, o nosso
fotógrafo regular, não pode. Ele foi para casa em Idaho Falls pelo fim de
semana. Ele vai ficar puto por perder uma oportunidade para fotografar um
dos principais empresários da América.
— Humm… Que tal José?
— Grande ideia! Você pergunta a ele, ele faz qualquer coisa por você.
Então chame Wilk e descubra onde ele nos encontrará. — Kate é
irritantemente arrogante sobre José.
— Eu acho que você deveria chamá-lo.
— Quem, José?— Kate ridiculariza.
— Não, Wilk.
—Fla, você é a única que tem um relacionamento.
13 Referencia a nota de cinquenta dólares que tem a foto do presidente dos USA Ulisses Grant
14 Fazendo uma brincadeira com o nome de Carl Bernstein que em parceria com Bob Woodward,
trabalhando como repórter para o Washington Post, desvendou a história do caso Watergate
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— Relacionamento — Eu bufo para ela, minha voz subindo várias
oitavas. — Eu mal conheço o cara.
 — Pelo menos você o conheceu, — ela diz amargamente. — E ele parece
querer conhecer você melhor. Fla, apenas ligue para ele, — ela estala e
desliga. Ela é tão mandona às vezes. Eu faço uma careta para meu celular,
mostrando minha língua para ele.
Eu estou deixando uma mensagem para José, quando Paul entra na
sala de estoque procurando por lixas.
— Nós estamos meio ocupados lá fora, Fla, — ele diz sem
animosidade.
— Sim, hum, desculpe, — eu murmuro, voltando-me para sair.
— Então, como é que você conheceu Sammy Wilk? — A voz de Paul
tenta se mostrar indiferente, mas é pouco convincente.
— Eu tive que entrevistá-lo para nosso jornal estudantil. Kate não
estava bem. — Eu encolho os ombros, tentando soar casual, mas também
sou pouco convincente.
— Sammy Wilk na Clayton. Vá entender, — Paul bufa, pasmo. Ele
agita sua cabeça como se para limpá-la. — E então, quer sair para beber ou
algo assim hoje à noite?
Sempre que ele está em casa ele me convida para sair, e eu sempre
digo não. É um ritual. Eu nunca considerei uma boa ideia sair com o irmão
do chefe, e além disso, Paul é muito atraente como todo jovem americano da
casa ao lado, mas ele não é nenhum herói literário, nem esforçando muito
minha imaginação. Wilk é? Meu subconsciente pergunta-me, sua
sobrancelha levantada no sentido figurado.
Eu o esbofeteio.
— Você não tem um jantar de família ou algo assim com seu irmão?
— Isto é amanhã.
— Talvez alguma outra hora, Paul. Eu preciso estudar hoje à noite. Eu
tenho meus exames finais na semana que vem.
— Fla, um dia destes, você dirá sim, — ele sorri quando eu escapo
para a loja.
— Mas eu fotógrafo lugares, Fla, não pessoas, — José geme.
— José, por favor? — Eu imploro. Segurando meu celular, eu marcho
pela sala de estar de nosso apartamento, desviando a vista da janela para a
luz noturna desvanecendo.
— Dê-me o telefone. — Kate agarra o telefone de mim, lançando seu
sedoso cabelo, loiro avermelhado acima de seu ombro.
— Escute aqui, José Rodriguez, se você quiser que nosso jornal cubra
a abertura de seu show, você vai fazer estas fotos para nós amanhã,
capiche? — Kate pode ser terrivelmente dura.
— Ótimo. Fla vai ligar de volta informando o local e horário. Nós
vemos você amanhã. — Ela fecha meu celular com um estalo. 
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— Feito. Tudo que nós precisamos fazer agora é decidir onde e quando.
Ligue para ele. — Ela aponta o telefone para mim. Meu estômago revira.
— Ligue para Wilk, agora!
Eu faço uma careta para ela e alcanço no meu bolso de trás o cartão
de negócios dele. Eu tomo uma profunda e firme respiração, e com dedos
trêmulos, eu disco o número.
Ele responde no segundo toque. Sua voz é tranquila e fria.
— Wilk.
— Haa… Sr. Wilk? É Flavia Steele. — Eu não reconheço minha
própria voz, eu estou muito nervosa. Há uma breve pausa. Por dentro eu
estou tremendo.
— Senhorita Steele. Como é bom ouvi-la. — Sua voz muda. Ele fica
surpreso, eu acho, e ele soa tão… morno, sedutor até. Minha respiração
entala, e eu ruborizo. De repente estou consciente de que Katherine
Kavanagh está olhando fixamente para mim, boquiaberta, e eu vou para a
cozinha para evitar seu minucioso olhar indesejável.
— Haa, nós gostaríamos de fazer a sessão de fotos para o artigo. —
Respire, Fla, respire.
Meus pulmões absorvem uma respiração apressada. — Amanhã, se
estiver tudo bem. Onde seria conveniente para você, senhor?
Eu quase posso ouvir seu sorriso de esfinge pelo telefone.
— Eu vou estar no Heathman em Portland. Digamos nove e meia,
amanhã de manhã?
— Certo, nós veremos você lá. — Eu estou irradiante e sem fôlego, como uma
criança, não uma mulher adulta que pode votar e beber legalmente no
Estado de Washington.
— Eu espero ansiosamente por isto, Senhorita Steele. — Eu visualizo o
brilho perverso em seus olhos cinza. Como ele consegue fazer com que sete
pequenas palavras, garantam tantas promessas tentadoras? Eu desligo.
Kate está na cozinha, e ela está olhando fixamente para mim com um olhar
de completa e total consternação em seu rosto.
— Flavia Rose Steele. Você gosta dele! Eu nunca vi ou ouvi você
tão, tão… afetada por alguém antes. Você está realmente corada.
— Oh Kate, você sabe que eu ruborizo o tempo todo. É quase uma
profissão. Não seja tão ridícula, — eu saio dessa rapidamente. Ela pisca para
mim com surpresa, eu raramente fico com raiva, e se fico, rapidamente eu
deixo para lá. — Eu apenas o acho… intimidante, isto é todo.
— Heathman, nada mal, — Kate murmura. — Eu darei um telefonema
para o gerente e negociarei um espaço para as fotos.
— Eu vou fazer o jantar. Depois eu preciso estudar. — Eu não posso
esconder minha irritação com ela, quando eu abro um dos armários para
fazer o jantar. 
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Eu estou inquieta está noite, não paro de me mover e dar voltas e
voltas na cama. Sonhando com olhos cinza, macacões, pernas longas, dedos
longos, e um local muito escuro e inexplorado. Eu desperto duas vezes na
noite, meu coração batendo muito rápido. Oh, se não conseguir dormir,
amanha vou estar com uma cara estupenda, eu me repreendo. Eu esmurro
meu travesseiro e tento me ajeitar.
O Heathman está situado no coração do centro da cidade de Portland.
Seu impressionante edifício de pedras marrom foi concluído bem antes da
crise da década de 20. José, Travis e eu estamos viajando no meu Fusca, e
Kate está em seu CLK, uma vez que não cabemos todos em meu carro.
Travis é amigo e gopher15 de José, e eu estou aqui para ajudar com a
iluminação. Kate conseguiu adquirir o uso de um quarto livre de encargos,
pela manhã no Heathman, em troca de um crédito no artigo. Quando ela
explica na recepção, que estamos aqui para fotografar o CEO Sammy Wilk,
nós somos imediatamente conduzidos para uma suíte. Apenas uma suíte de
tamanho regular, no entanto, já que aparentemente o Sr. Wilk está
ocupando a maior do edifício. Um executivo de marketing muito interessado
nos mostra à suíte, ele é extremamente jovem e está muito nervoso por
alguma razão.
Eu suspeito que seja a beleza de Kate e seu ar autoritário que o
desarmou, porque ele faz o que ela quer. Os quartos são elegantes, discretos,
e opulentamente mobiliado.
São nove horas. Nós temos meia hora para nos instalar. Kate vai de
um lado para o outro.
— José, eu acho que nós vamos fotografar contra aquela parede, você
concorda? — Ela não espera por sua resposta. — Travis, limpe as cadeiras.
Fla, você pode pedir ao serviço de quarto para trazer algumas bebidas? E
deixe Wilk saber onde estamos.
Sim, Senhora. Ela é tão dominadora. Eu desvio meu olhar, mas faço o
que me é pedido.
Meia hora mais tarde, Sammy Wilk entra em nossa suíte.
Puta merda! Ele está vestindo uma camisa branca, aberta no
colarinho, e calças de flanela cinza que pendem de seus quadris. Seus
cabelos incontroláveis ainda estão úmidos do banho. Minha boca fica seca só
ao olhar para ele… ele é tão estupidamente quente. Wilk entra na suíte
acompanhado de um homem que aparenta ter seus trinta e poucos anos,
com um corte militar, com um acentuado terno escuro e gravata, que fica em
silencio no canto. Seus olhos cor de avelã nos observa impassível.
— Senhorita Steele, nos encontramos novamente. — Wilk estende a
mão, e eu a agito, piscando rapidamente.
15 Gopher é um protocolo de redes de computadores que foi desenhado para distribuir, procurar e ter
acesso a documentos na Internet. Uma maneira de dizer que a pessoa é um pau para toda obra, ou de grande
ajuda.
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Oh cara… ele realmente é bastante… uau. Quando eu toco em sua
mão, eu sinto aquela deliciosa corrente atravessando-me diretamente,
iluminando-me, fazendo-me ruborizar, e eu tenho certeza que minha
respiração irregular deve ser audível.
— Sr. Wilk, esta é Katherine Kavanagh, — eu murmuro, acenando
com uma mão em direção a Kate que avança, olhando-o diretamente nos
olhos.
— A tenaz senhorita Kavanagh. Como vai? — Ele lhe dá um pequeno
sorriso, olhando genuinamente divertido. — Eu acredito que você está se
sentindo melhor? Flavia disse que você estava indisposta na semana
passada.
— Eu estou bem, obrigada, Sr. Wilk. — Ela agita sua mão com
firmeza, sem pestanejar.
Eu me lembro que Kate esteve nas melhores escolas particulares de
Washington. Sua família tem dinheiro, e ela cresceu confiante e segura de
seu lugar no mundo. Ela não engole nenhum desaforo. Eu a admiro.
— Obrigada por ter tempo para fazer isto. — Ela lhe dá um educado,
sorriso profissional.
— É um prazer, — ele responde, voltando seu olhar cinza para mim, e
eu ruborizo novamente. Maldição.
— Este é José Rodriguez, nosso fotógrafo, — eu digo, sorrindo para
José, que sorri com carinho de volta para mim. Seus olhos são frios quando
ele olha de mim para Wilk.
— Sr. Wilk,— ele movimenta a cabeça.
— Sr. Rodriguez, — A expressão de Wilk muda completamente quando
ele avalia José.
— Onde você me quer? — Wilk pergunta a ele. Seu tom soa vagamente
ameaçador. Mas Katherine não está disposta a deixar José executar um
show.
— Sr. Wilk, se você puder se sentar aqui, por favor? Tenha cuidado
com os cabos de iluminação. E depois, nós vamos fazer algumas de pé
também. — Ela o direciona para uma cadeira instalada contra a parede.
Travis liga as luzes, momentaneamente ofuscando Wilk, e murmura
uma desculpa.
Então, Travis e eu recuamos e assistimos como José passa a tirar
fotos. Ele tira várias fotos apoiadas, pedindo para Wilk virar-se de um jeito,
de outro, mover seu braço, então, abaixá-lo novamente. Movendo o tripé,
José tira muitas outras, enquanto Wilk se senta e posa, pacientemente e
naturalmente por mais ou menos vinte minutos. Meu desejo se realizou: Eu
posso ficar aqui de pé e admirar Wilk bem de perto. Duas vezes nossos olhos
se fitam, e eu tenho que afastar o meu para longe de seu olhar nublado.
— Já é o suficiente sentando. — Katherine comanda novamente. — De
pé, Sr. Wilk? — Ela pergunta. 
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Ele se levanta, e Travis corre para remover a cadeira. O dispositivo da
Nikon de José começa a clicar novamente.
— Eu acho que temos o suficiente, — José anuncia cinco minutos
mais tarde.
— Ótimo, — diz Kate. — Obrigada novamente, Sr. Wilk. — Ela o
cumprimento, assim como José.
— Eu espero ansiosamente ler o artigo, Senhorita Kavanagh, — Wilk
murmura, e se vira para mim, aguardando à porta. — Você me acompanha,
Senhorita Steele? — Ele pergunta.
— Claro, — eu digo, completamente arrebatada. Eu olho ansiosamente
para Kate, que encolhe os ombros para mim. Eu noto que José está
carrancudo atrás dela.
— Bom dia para vocês todos, — diz Wilk enquanto ele abre a porta,
abrindo caminho para me permitir sair primeiro.
Que inferno… o que é isto? O que ele quer? Eu paro no corredor do
hotel, remexendo-me nervosamente quando Wilk sai do quarto, seguido pelo
Senhor “Corte de Recruta” em seu terno acentuado.
— Eu ligo para você, Taylor, — ele murmura para o “Corte de Recruta”.
Taylor caminha pelo corredor abaixo, e Wilk vira seu olhar cinzento
queimando para mim. Merda… eu fiz algo errado?
— Gostaria de saber se você se juntaria a mim para o café da manhã.
Meu coração dispara em minha boca. Um encontro? Sammy Wilk
está me convidando para um encontro. Ele está perguntando se você quer um
café. Talvez ele pense que você não acordou ainda, meu subconsciente
resmunga para mim em um humor irônico novamente. Eu limpo minha
garganta tentando controlar meus nervos.
— Eu tenho que levar todo mundo para casa, — eu murmuro, me
desculpando, torcendo minhas mãos e os dedos na minha frente.
— TAYLOR, — ele chama, fazendo-me saltar. Taylor, que tinha
retrocedido pelo corredor abaixo, se vira e volta em direção a nós.
— Eles vão para a universidade? — Wilk pergunta, sua voz suave e
inquiridora. Eu movimento a cabeça, muito atordoada para falar.
— Taylor pode levá-los. Ele é meu motorista. Nós temos um grande
4x4 aqui, então ele poderá levar o equipamento também.
— Sr. Wilk? — Taylor pergunta quando ele nos alcança,
permanecendo distante.
— Por favor, você pode conduzir o fotógrafo, seu assistente, e a
Senhorita Kavanagh para casa?
— Certamente, senhor, — Taylor responde.
— Pronto. Agora você pode juntar-se a mim para o café? — Wilk sorri
como se tivesse concluído um negócio.
Eu olho feio para ele. 
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— Aah, Sr. Wilk, é, isto realmente… olhe, Taylor não tem que levá-los
para casa. — Eu lanço um breve olhar para Taylor, que permanece
estoicamente impassível. — Eu trocarei de veículo com Kate, se você me der
um momento.
Wilk sorri deslumbrante, desprotegido, natural, exibindo todos os seus
dentes, um sorriso glorioso. Oh meu Deus… e ele abre a porta da suíte para
que eu possa entrar. Eu passo ao redor dele para entrar no quarto,
encontrando Katherine em uma profunda discussão com José.
— Fla, eu acho que ele definitivamente gosta de você, — ela diz sem
qualquer preâmbulo. José me olha com desaprovação. — Mas eu não confio
nele, — ela adiciona. Eu levanto minha mão na esperança de que ela pare de
falar. Por algum milagre, ela o faz.
— Kate, se você levar o fusca, eu posso levar seu carro?
— Por quê?
— Sammy Wilk me convidou para tomar café com ele.
Ela fica boquiaberta. Kate emudece! Eu saboreio o momento. Ela me
agarra pelo braço e me arrasta para o quarto que fica fora da sala de estar
da suíte.
— Fla, há algo sobre ele. — Seu tom é cheio de advertência. — Ele é
magnífico, eu concordo, mas eu acho que ele é perigoso. Especialmente para
alguém como você.
— O que você quer dizer, com alguém como eu? — Eu exijo, afrontada.
— Uma inocente como você, Fla. Você sabe o que eu quero dizer, —
ela fala um pouco irritada. Eu ruborizo.
— Kate, é apenas um café. Eu estou começando meus exames finais
esta semana, e eu preciso estudar, então eu não vou demorar muito.
Ela franze seus lábios como se considerando meu pedido. Finalmente,
ela pesca as chaves do carro do bolso e entrega-as para mim. Eu entrego as
minhas.
— Eu vejo você mais tarde. Não demore muito, ou eu vou enviar uma
busca e salvamento.
— Obrigada. — Eu a abraço.
Eu saio da suíte para encontrar Sammy Wilk esperando, encostado
contra a parede, parecendo com um modelo em uma pose para alguma
brilhante revista top de linha.
— Ok, vamos tomar café, — eu murmuro, ruborizando como uma
beterraba vermelha.
Ele sorri.
— Depois de você, Senhorita Steele. — Ele se ergue, levantando a mão
para que eu vá primeiro.
Eu faço meu caminho pelo corredor abaixo, meus joelhos trêmulos,
meu estômago cheio de borboletas,16 e meu coração em minha boca, batendo
16 Expressão idiomática americana que se refere a estar com o estomago doendo de nervosismo.
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em um ritmo dramático desigual. Eu vou tomar um café com Sammy Wilk...
e eu odeio café.
Nós caminhamos juntos pelo largo corredor do hotel para os
elevadores. O que eu devo dizer a ele? Minha mente de repente paralisa com
apreensão. Sobre o que nós vamos conversar?
O que na Terra eu tenho em comum com ele? Sua voz suave e morna
me surpreende de meu devaneio.
— Quanto tempo você e Katherine Kavanagh se conhecem?
Oh, uma pergunta fácil para começar.
— Desde nosso primeiro ano. Ela é uma boa amiga.
— Humm, — ele responde, reservado. O que ele está pensando?
Nos elevadores, ele aperta o botão de chamada, e a campainha toca
quase que imediatamente. As portas deslizam abertas, revelando um jovem
casal em um amasso apaixonado do lado de dentro. Surpresos e
envergonhados, eles se separam, olhando culpados em todas as direções,
menos na nossa. Wilk e eu entramos no elevador.
Eu estou lutando para manter uma expressão séria, então eu olho
para o chão, sentindo minhas bochechas ficando vermelhas. Quando eu
espio para Wilk através de meus cílios, ele tem a sugestão de um sorriso em
seus lábios, mas é muito difícil de dizer. O jovem casal não diz nada, e nós
viajamos até o andar térreo em um silêncio constrangedor. Nós nem sequer
temos uma inútil música ambiente para nos distrair.
As portas abrem e, para minha surpresa, Wilk toma minha mão,
apertando-a com seus dedos longos e frios. Eu sinto o choque correr por
mim, e meus já rápidos batimentos aceleram. Quando ele me leva para fora
do elevador, nós podemos ouvir as risadinhas suprimidas do casal que
estoura atrás de nós. Wilk sorri.
— O que tem os elevadores? — Ele murmura.
Nós cruzamos o extenso saguão movimentado do hotel, em direção à
entrada, mas, Wilk evita a porta giratória e, eu me pergunto se isto é porque
ele teria que largar minha mão.
Do lado de fora, está um ameno domingo de maio. O sol está brilhando
e o tráfico está limpo. Wilk vira à esquerda e anda até a esquina, onde nós
paramos, esperando pelas luzes de pedestres do cruzamento mudar. Ele
ainda está segurando minha mão. Eu estou na rua, e Sammy Wilk está
segurando minha mão. Ninguém jamais segurou minha mão. Eu me sinto
tonta, e eu estou formigando por toda parte. Eu tento sufocar o ridículo
sorriso que ameaça repartir meu rosto em dois. Tente ficar fria, Fla, meu
subconsciente implora. O homem verde aparece, e nós andamos novamente.
Nós caminhamos quatro quarteirões, antes de alcançarmos a Cafeteria
de Portland, onde Wilk me libera para segurar a porta aberta, para que eu
possa entrar. 
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— Por que você não escolhe uma mesa, enquanto eu pego as bebidas.
O que você gostaria? — Ele pergunta, cortês como sempre.
— Eu quero… um, English Breakfast tea,17 em saquinho.
Ele levanta suas sobrancelhas.
— Café não?
— Eu não gosto de café.
Ele sorri.
— Ok, chá em saquinho. Açúcar?18
Por um momento, eu fico atordoada, pensando que está me chamando
carinhosamente, mas felizmente meu subconsciente entra em ação com
lábios franzidos. Não, estúpida, se você quer açúcar?
— Não obrigada. — Eu olho para baixo para meus dedos atados.
— Alguma coisa para comer?
— Não obrigada. — Eu sacudo minha cabeça, e ele anda para o balcão.
Eu disfarçadamente olho para ele sob meus cílios, enquanto ele está
na fila de espera para ser servido. Eu poderia observá-lo o dia todo… ele é
alto, de ombros largos, esbelto e a forma como suas calças pendem de seus
quadris… Oh meu Deus. Algumas vezes ele corre seus longos e graciosos
dedos por seus agora, cabelos secos, mas ainda desordenado. Humm… eu
gostaria de fazer isto. O pensamento vem espontaneamente em minha
mente, e meu rosto incendeia. Eu mordo meu lábio e olho para minhas mãos
novamente, não gostando para onde meus pensamentos rebeldes estão se
dirigindo.
— Um centavo por seus pensamentos? — Wilk está de volta,
assustando-me.
Eu fico roxa. Eu estava apenas pensando em correr meus dedos por
seus cabelos e perguntando-me se pareceria suave ao toque. Eu balanço
minha cabeça. Ele está carregando uma bandeja, que ele coloca sobre a
pequena mesa redonda de carvalho envernizada. Ele me entrega uma xícara
e um pires, um pequeno bule, e um pratinho contendo um solitário
saquinho de chá impresso “Twinings English Breakfast”, meu favorito. Ele
carrega um café que ostenta um maravilhoso padrão de folhas impresso no
leite. Como eles fazem isto? Eu me pergunto à toa. Ele também comprou um
bolinho de mirtilo para si mesmo. Pondo de lado a bandeja, ele se senta do
meu lado oposto e cruza suas longas pernas. Ele parece tão confortável, tão
à vontade com seu corpo, eu o invejo. E aqui estou eu, toda desengonçada e
descoordenada, incapaz de conseguir ir de A até B sem cair de cara no chão.
— Seus pensamentos? — Ele solicita.
— Este é meu chá favorito. — Minha voz é calma, ofegante. Eu
simplesmente não posso acreditar que eu estou sentada em frente a
17 English Breakfast tea – famosa marca de chá.
18 No original em inglês está escrito sugar, que pode significar também uma maneira carinhosa de chamar a
outra pessoa 
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Sammy Wilk, em uma cafeteria em Portland. Ele franze a testa. Ele sabe
que eu estou escondendo algo. Eu coloco o saquinho de chá no bule e quase
que imediatamente o pesco novamente com minha colher de chá. Quando eu
coloco o saquinho usado de volta no pratinho, ele dobra sua cabeça olhando
pra mim interrogativamente.
— Eu gosto de meu chá preto e fraco, — eu murmuro como uma
explicação.
— Entendo. Ele é seu namorado?
Uou… O que?
— Quem?
— O fotógrafo. José Rodriguez.
Eu rio nervosa, mas curiosa. O que deu a ele aquela impressão?
— Não. José é um bom amigo, apenas isto. Por que você pensou que
ele fosse meu namorado?
— O modo como você sorriu para ele, e ele para você. — Seu olhar
cinza mantém o meu. Ele é tão enervante. Eu quero desviar o olhar, mas eu
estou presa, encantada.
— Ele é mais como da família, — eu sussurro.
Wilk acena ligeiramente com a cabeça, aparentemente satisfeito com a
minha resposta, e eu olho para baixo para seu bolinho de mirtilo. Seus
longos dedos habilmente descascam o papel, e eu assisto fascinada.
— Você quer um? — Ele pergunta, e aquele secreto sorriso divertido,
está de volta.
— Não obrigada. — Eu franzo a testa e olho para baixo, para minhas
mãos novamente.
— E o garoto que eu conheci ontem na loja. Ele não é seu namorado?
— Não. Paul é apenas um amigo. Eu disse a você ontem. — Oh, isto
está ficando ridículo. — Por que você pergunta?
 — Você parece ficar nervosa ao redor dos homens.
Puta merda, isto é pessoal. Eu fico nervosa apenas ao seu redor, Wilk.
— Eu acho você intimidante. — Eu fico escarlate, mas mentalmente eu
dou tapinhas em minhas costas pela minha franqueza, e olho para minhas
mãos novamente. Eu ouço seu profundo suspiro.
— Você deve me achar intimidante, — ele acena concordando. — Você
é muito honesta. Por favor, não olhe para baixo. Eu gosto de ver seu rosto.
Oh. Eu olho para ele, e ele me dá um sorriso encorajador, mas irônico.
— Isto me dá algum tipo de pista do que você pode estar pensando, —
ele inspira. — Você é um mistério, Senhorita Steele.
Misteriosa? Eu?
— Não existe nada misterioso em mim.
— Eu penso que você é muito auto-suficiente, — ele murmura.
Eu sou? Uau… como vou administrar isto? Isto é desconcertante. Eu,
auto-suficiente? 
44
 De jeito nenhum.
— Exceto quando você ruboriza, claro, o que acontece frequentemente.
Eu só gostaria de saber por que você estava corada. — Ele joga um pequeno
pedaço de bolinho em sua boca, e começa a mastigá-lo lentamente, sem tirar
seus olhos de mim. Como se fosse uma sugestão, e eu ruborizo. Merda!
— Você sempre faz este tipo de observações pessoais?
— Eu não percebi que fosse. Eu ofendi você? — Ele parece surpreso.
— Não, — eu respondo honestamente.
— Bom.
— Mas você é muito arrogante, — eu retalio calmamente.
Ele levanta as sobrancelhas e, se não me engano, ele ruboriza
ligeiramente também.
— Eu estou acostumado a fazer as coisas do meu jeito, Flavia, —
ele murmura. — Com todas as coisas.
— Eu não duvido disso. Por que você não me pediu para chamá-lo por
seu primeiro nome? — Eu fico surpresa por minha audácia. Por que esta
conversa se tornou tão séria? Isto não está indo do modo como eu pensei
que fosse. Eu não posso acreditar que eu estou me sentindo tão antagônica
com ele.
É como se ele estivesse tentando me advertir.
— As únicas pessoas que usam meu nome de batismo são a minha
família e alguns amigos íntimos. Este é o modo que eu gosto.
Oh. Ele ainda não disse, “Chame-me Sammy”. Ele é um maníaco por
controle, não existe nenhuma outra explicação, e parte de mim está
pensando que, talvez, teria sido melhor se Kate o entrevistasse. Dois
maníacos por controle, juntos. Mais claro que ela é quase loira, loira
morango, como todas as mulheres em seu escritório. E ela é bonita, meu
subconsciente me lembra. Eu não gosto da ideia de Sammy e Kate. Eu
tomo um gole de meu chá, e Wilk come outro pequeno pedaço de seu
bolinho.
— Você é filha única? — Ele pergunta.
Uou… ele continua a mudar de direção.
— Sim.
— Fale-me sobre seus pais.
Por que ele quer saber disto? É tão enfadonho.
— Minha mãe vive na Geórgia com seu novo marido Bob. Meu
padrasto vive em Montesano.
— Seu pai?
— Meu pai morreu quando eu era um bebê.
— Eu sinto muito, — ele murmura e um incomodado olhar fugaz,
atravessa seu rosto.
— Eu não me lembro dele.
— E sua mãe se casou de novo? 
45
Eu bufo.
— Você pode dizer isto.
Ele franze a testa para mim.
— Você não está indo muito longe, não é? — Ele diz secamente,
coçando seu queixo, como se estivesse pensamento profundamente.
— Nem você.
— Você já me entrevistou uma vez, e eu me lembro de algumas
questões bastante comprometedoras. — Ele sorri afetuosamente para mim.
Puta merda. Ele está lembrando a pergunta do “gay”. Mais uma vez,
eu fico mortificada. Daqui a anos, eu sei, vou precisar de terapia intensiva
para não sentir vergonha toda vez que eu recordar este momento. Eu começo
a murmurar sobre minha mãe, qualquer coisa para bloquear esta memória.
— Minha mãe é maravilhosa. Ela é uma romântica incurável. Ela
atualmente está casada com seu quarto marido.
Sammy levanta as sobrancelhas em surpresa.
— Eu sinto falta dela, — eu continuo. — Ela tem Bob agora. Eu só
espero que ele possa vigiá-la e juntar os pedaços, quando seus esquemas
desmiolados não saírem como planejado. — Eu ternamente sorrio. Eu não
vejo minha mãe por um longo tempo. Sammy observa-me atentamente,
tomando goles ocasionais de seu café. Eu realmente não devia olhar para
sua boca. É inquietante. Aqueles lábios.
— Você se entende com seu padrasto?
— Claro. Eu cresci com ele. Ele é o único pai que eu conheci.
— E como ele é?
— Ray? Ele é… reservado.
— Só isto? — Wilk pergunta, surpreso.
Eu encolho os ombros. O que este homem espera? A história da minha
vida?
— Reservado como sua enteada, — Wilk sugere de imediato.
Eu me abstenho afastando meu olhar dele.
— Ele gosta de futebol, especialmente futebol europeu, e de boliche, e
pesca com mosca, e fazer móveis. Ele é um carpinteiro. Ex- fuzileiro. — Eu
suspiro.
— Você viveu com ele?
— Sim. Minha mãe encontrou o Terceiro Marido, quando eu tinha
quinze anos. Eu fiquei com Ray.
Ele franze a testa como se não entendesse.
— Você não quis viver com sua mãe? — Ele pergunta.
Eu ruborizo. Isto não é realmente de sua conta.
— Terceiro Marido vivia no Texas. Minha casa estava em Montesano. E
você sabe... minha mãe era recém- casada. — Eu paro. Minha mãe nunca
falou sobre o ser terceiro marido. Onde Wilk está querendo ir com isso? Isto
não é de sua conta. Dois podem jogar este jogo. 
46
— Fale-me sobre seus pais, — eu pergunto.
Ele encolhe os ombros.
— Meu papai é um advogado, minha mãe é pediatra. Eles vivem em
Seattle.
Oh… ele teve uma educação cara. E eu me pergunto sobre um casal
bem sucedido que adota três crianças, e uma delas se transforma em um
belo homem que assume o mundo dos negócios e o conquista sozinho. O que
o levou a ser deste modo? Seus pais devem estar orgulhosos.
— O que seus irmãos fazem?
— Elliot está na construção, e minha irmã mais nova está em Paris,
estudando arte culinária com algum renomado chefe de cozinha francês. —
Seus olhos nublam com irritação. Ele não quer falar sobre sua família ou ele
mesmo.
— Eu ouvi dizer que Paris é adorável, — eu murmuro. Por que ele não
quer conversar sobre sua família? É porque ele é adotado?
— É bonita. Você já esteve lá? — Ele pergunta, sua irritação
esquecida.
— Eu nunca deixei o continente dos EUA. — Então, agora nós
voltamos para banalidades. O que ele está escondendo?
— Você gostaria de ir?
— Para Paris? — Eu bufo. Isto me desequilibra, quem não gostaria de
ir para Paris? — É claro, — eu concedo. — Mas é a Inglaterra que eu
realmente gostaria de visitar.
Ele dobra sua cabeça para um lado, correndo seu dedo indicador por
seu lábio inferior… oh meu.
— Por quê?
Eu pisco rapidamente. Concentre-se, Steele.
— É a casa de Shakespeare, Austen, as irmãs de Brontë, Thomas
Hardy. Eu gostaria de ver os lugares que inspiraram estas pessoas a
escrever livros tão maravilhosos.
Toda esta conversa de grandes nomes literários, faz-me lembrar de que
eu devia estar estudando. Eu olhar para meu relógio.
— É melhor eu ir. Eu tenho que estudar.
— Para seus exames?
— Sim. Eles começam na terça-feira.
— Onde está o carro da senhorita Kavanagh?
— No estacionamento do hotel.
— Eu vou levá-la de volta.
— Obrigado pelo chá, Sr. Wilk.
Ele sorri com seu estranho sorriso “eu tenho um grande segredo”.
— Você é bem-vinda, Flavia. O prazer é todo meu. Venha, — ele
comanda, e segura minha mão com a sua. Eu seguro-a, confusa, e o sigo
para fora da cafeteria. 
47
Nós andamos de volta para o hotel, e eu gostaria de dizer que estamos
em um silêncio sociável. Ele pelo menos parece em sua habitual
tranquilidade, introspectivo. Quanto a mim, estou desesperadamente
tentando avaliar como foi nosso café da manhã. Eu sinto como se eu tivesse
sido entrevistada para uma posição, mas não estou certa para que.
— Você sempre usa calça jeans? — Ele pergunta inesperadamente.
— Geralmente.
Ele movimenta a cabeça. Nós voltamos ao cruzamento, do outro lado
da estrada do hotel. Minha mente está se recuperando. Que pergunta
estranha… E estou ciente que nosso tempo juntos é limitado. É isto. Isto é
tudo, e eu estraguei tudo completamente, eu sei. Talvez ele tenha alguém.
— Você tem uma namorada? — Eu deixo escapar. Puta merda, eu
acabei de dizer isto em voz alta?
Seus lábios dão um meio sorriso, e ele olha para mim.
— Não, Flavia. Eu não sou do tipo que namora, — ele suavemente
diz.
Oh… o que isso quer dizer? Ele é gay? Oh, talvez ele seja, merda! Ele
deve ter mentido para mim em sua entrevista. E por um momento, eu acho
que ele vai seguir com alguma explicação, alguma pista para esta declaração
enigmática, mas ele não o faz. Eu tenho que ir. Eu tenho que tentar
organizar meus pensamentos. Eu tenho que ficar longe dele. Eu caminho
adiante, e tropeço, tropeço de cabeça na calçada.
— Merda, Fla! — Wilk grita.
Ele puxa a minha mão com tanta força, que eu caio para trás contra ele,
enquanto um ciclista que passa a toda velocidade, quase me acertando, indo
pelo caminho errado nesta rua de mão única.
Tudo acontece tão rápido, que em um minuto estou caindo, no
próximo eu estou em seus braços, e ele está me segurando firmemente
contra seu tórax. Eu inalo seu cheiro limpo, cheiro vital. Ele cheira a roupa
limpa e fresca, e a algum sabonete caro. Oh meu Deus, é inebriante. Eu inalo
profundamente.
— Você está bem? — Ele sussurra. Ele está com um braço ao meu
redor, apertando-me junto a ele, enquanto os dedos de sua outra mão,
suavemente rastreia meu rosto sondando, examinando-me. Seu polegar
escova meu lábio inferior e eu ouço sua respiração ofegante. Ele está
olhando fixamente em meus olhos, e eu seguro seu ansioso olhar,
queimando por um momento ou talvez para sempre… mas eventualmente,
minha atenção é atraída para sua bonita boca. Oh meu Deus. E pela
primeira vez em meus vinte e um anos, eu quero ser beijada. Eu quero sentir
sua boca na minha. 
 



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