História Fifty Shades of Grey(50 tons de cinza) - Capítulo 6


Escrita por: ~

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Categorias 50 Tons de Cinza, Flavia Pavanelli, Magcon, Sam "Wilk" Wilkinson
Personagens Flavia Pavanelli, Sammy Wilkinson
Tags 50 Tons De Cinza, Flavia Pavanelli, Sammy Wilk
Exibições 68
Palavras 5.220
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Fantasia, Ficção, Romance e Novela
Avisos: Insinuação de sexo, Intersexualidade (G!P), Linguagem Imprópria, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 6 - Casa do Sr Wilk


Fanfic / Fanfiction Fifty Shades of Grey(50 tons de cinza) - Capítulo 6 - Casa do Sr Wilk


Sammy abriu a porta do passageiro do seu Audi SUV preto, e eu
subi. É um carro legal. Ele não mencionou a explosão de paixão que eclodiu
no elevador. Devo fazer isso? Deveríamos falar sobre o assunto ou fingir que
não aconteceu? Não pareceu real, meu adequado primeiro beijo sem
restrição. Com o passar do tempo, atribuí-o um caráter mítico como a lenda
do rei Artur ou a Cidade Perdida de Atlantis. Nunca aconteceu, nunca
existiu. Talvez eu tenha imaginado tudo. Não.
Eu toquei meus lábios, estavam inchados de seu beijo.
Definitivamente, aconteceu. Sou uma mulher mudada. Eu quero este
homem, desesperadamente, e ele me quer.
Olho-o. Sammy está como de costume: correto, educado e um
pouco distante.
Tão confuso.
Ele liga o motor e abandona sua vaga no estacionamento. Liga o leitor
de MP3. O interior do carro foi preenchido pela mais doce e mais mágica
música que duas mulheres cantavam. Uau... todos os meus sentidos estão
em desordem, por isso estou duplamente afetada. Enviou arrepios deliciosos
a minha coluna vertebral. Sammy se dirigiu para SW Park Avenue, e guiou
com uma fácil e preguiçosa confiança.
— O que estamos ouvindo?
— É o Dueto das Flores de Delibes, da ópera Lakmé. Você gostou?
— Sammy, é maravilhoso.
— É, não é?
Ele sorriu enquanto olhava para mim. E por um momento aparentou
sua idade, jovem, despreocupado e bonito até perder o sentido. É esta a
chave para chegar a ele? A música? Sento-me e ouço as vozes angélicas,
sussurrantes e sedutoras.
— Pode voltar a tocá-la?
— Claro.
Sammy apertou um botão, e a música voltou a me acariciar.
Invadiu meus sentidos de forma lenta, suave e doce.
— Você gosta de música clássica? — Perguntei-lhe tentando
descobrir algo de suas preferências pessoais.
— Meu gosto é eclético, Flavia. De Thomas Talis a Kings of Leon.
Depende de meu estado de ânimo. E o seu?
— O meu também. Embora não conheça o Thomas Talis.
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Voltou-se em minha direção, me olhou um instante e voltou a fixar os
olhos na estrada.
— Algum dia te mostrarei algo dele. É um compositor britânico do
século XVI. Música coral eclesiástica da época dos Tudor. —Ele sorriu-me. —
Parece muito esotérico, eu sei, mas é mágico, Flavia.
Pressionou um botão e começou a soar os Kings of Leon. Este eu
conheço. "Sex on Fire." Muito oportuno. Repentinamente, o som de um
celular interrompeu a música. Sammy apertou um botão do volante.
— Wilk. — Respondeu bruscamente.
— Sr.Wilk, sou Welch. Tenho a informação que pediu.
Uma voz áspera e imaterial chegou através dos alto-falantes.
— Bom. Mande-me por e-mail. Algo mais?
— Nada mais, senhor.
Apertou o botão, a chamada encerrou e voltou a tocar a música. Nem
adeus, nem obrigado. Estou tão feliz que eu nunca seriamente considerei
trabalhar para ele.
Estremeço sozinha só de pensar. É muito controlador e frio com seus
empregados. O telefone voltou a interromper a música.
— Wilk.
— Mandou-lhe por e-mail uma informação confidencial, Sr. Wilk.
Era uma voz de mulher.
— Bom. Isso é tudo, Andrea.
— Tenha um bom dia, senhor.
Sammy desligou ao pressionar um botão do volante. Logo que a
música recomeçou, o telefone voltou a tocar. Nisto consistia sua vida, em
constantes telefonemas irritantes?
— Wilk. — Disse bruscamente.
— Olá, Sammy. Relaxou?
— Olá, Eliot... Estou no viva voz e não estou sozinho no carro.
Sammy suspirou.
— Quem está contigo?
Sammy balançou a cabeça.
— Flavia Pavanelli.
— Olá, Fla!
— Fla!
— Olá, Eliot.
— Falaram-me muito de ti. — Eliot Murmurou com voz rouca.
Sammy franziu o cenho.
— Não acredite em uma palavra do que Kate te contou. — Fla disse.
Eliot riu.
— Estou levando Flavia para casa. — Sammy disse usando meu
nome completo. — Quer que te apanhe?
— Claro.
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— Vejo você mais tarde.
Sammy desligou o telefone e a música voltou a tocar.
— Por que você insiste em chamar-me Flavia?
— Porque é seu nome.
— Prefiro Fla.
— De verdade?
Quase chegamos a minha casa. Não demoramos muito.
— Flavia... — Disse-me pensativo.
Olhei-o com uma expressão má, mas ele não se importou.
— O que aconteceu no elevador... não voltará a acontecer. Bom, a
menos que seja premeditado. — Ele disse.
Parou o carro em frente a minha casa. Dei-me conta, de repente, que
não me perguntou onde eu vivia. Já sabia. Claro que sabia onde vivo, pois
me enviou os livros. Como não o faria um caçador, com um rastreador de
celular e proprietário de um helicóptero?
Por que não vai voltar a me beijar? Faço um gesto de desgosto ao
pensar nisso. Não o entendo. Honestamente, seu sobrenome deveria ser
Enigmático, não Wilk. Ele saiu do carro, andando com facilidade, suas
pernas longas deram a volta com graça ao redor do carro para o meu lado a
fim de abrir a porta. Sempre é um perfeito cavalheiro, exceto, possivelmente,
em estranhos e preciosos momentos nos elevadores. Ruborizei-me e o
pensamento que eu tinha sido incapaz de tocar adentrou na minha mente.
Queria deslizar meus dedos por seu cabelo alvoroçado, mas não podia mover
as mãos. Senti-me frustrada ao lembrar.
— Gostei do que aconteceu no elevador. — Murmurei ao sair do
carro.
Não estou segura se ouvi um ofegar afogado, mas escolhi fazer caso
omisso e subi os degraus da entrada.
Kate e Eliot estavam sentados à mesa. Os livros de quatorze mil
dólares não estavam ali, felizmente. Tenho planos para eles. Kate mostrou
um sorriso ridículo e pouco habitual, e sua juba despenteada lhe dava um ar
muito sexy. Sammy me seguiu até a sala de estar, e embora Kate sorrisse
com uma expressão de ter passado uma grande noite, o olhou com
desconfiança.
— Olá, Fla.
Levantou-se para me abraçar e no momento que me separou um
pouco, me olhou de cima a baixo. Franziu o cenho e se voltou para
Sammy.
— Bom dia, Sammy! — Disse-lhe em tom ligeiramente hostil.
— Senhorita Kavanagh — Respondeu em seu endurecido tom formal.
— Sammy, seu nome é Kate, — Eliot resmungou.
— Kate.
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Sammy assentiu com educação e encarou Eliot, que riu e se
levantou para também me abraçar.
— Olá, Fla.
Sorri e seus olhos azuis brilharam. Fiquei bem imediatamente. É
óbvio que não tinha nada a ver com Sammy, mas, claro, são irmãos
adotivos.
— Olá, Eliot.
Sorri para ele e me dei conta de que mordia meus lábios.
— Eliot, temos que ir. — Sammy disse em tom suave.
— Claro.
Virou-se para Kate, abraçou-a e lhe deu um interminável beijo.
Jesus... Arrumem um quarto! Olhei para meus pés, incômoda.
Levantei a visão para Sammy, que me olhava fixamente. Sustentei-lhe o
olhar. Por que não me beija assim? Eliot continuou beijando Kate,
empurrou-a para trás e a fez dobrar-se de forma tão teatral que o cabelo dela
quase toca o chão.
— Até mais, querida! — Disse-lhe sorridente.
Kate se derreteu. Nunca antes a tinha visto derretendo-se assim.
Veio-me à cabeça as palavras "formosa" e "complacente". Kate, complacente.
Eliot deve ser muito bom. Sammy revirou os olhos e me olhou com
expressão impenetrável, embora possivelmente a situação o divertisse um
pouco. Apanhou uma mecha de meu cabelo que escapou do meu rabo de
cavalo e o pôs atrás da orelha. Minha respiração entrecortou e ele inclinou
minha cabeça com seus dedos. Seus olhos se suavizaram e passou o polegar
por meu lábio inferior. O sangue queimou através das minhas veias. E
imediatamente retirou a mão.
— Até mais, querida. — Murmurou.
Não pude evitar rir, porque a frase não combinava com ele. Mas
embora saiba que está esquivando-se, aquelas palavras ficaram cravadas
dentro de mim.
— Passarei para te buscar as oito.
Deu meia volta, abriu a porta da frente e saiu para a varanda. Eliot o
seguiu até o carro, mas se voltou e lançou outro beijo para Kate. Senti uma
inesperada pontada de ciúmes.
— E então? — Kate perguntou-me com evidente curiosidade
enquanto os observamos subir no carro e afastar-se.
— Nada. — Respondi bruscamente, com a esperança de que isso a
impedisse de continuar com as perguntas.
Entramos em casa.
— Mas é evidente que sim! — Disse-me.
Não posso dissimular a inveja. Kate sempre consegue enredar os
homens. É irresistível, bonita, sexy, divertida, atrevida... Justamente o
contrário de mim. Mas o sorriso com o qual me respondeu é contagioso.
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— Vou vê-lo novamente esta noite.
Aplaudiu e pulou como uma menina pequena. Não pode reprimir seu
entusiasmo e sua alegria, e eu não pude evitar me alegrar. Era interessante
ver Kate contente.
— Esta noite Sammy vai levar-me a Seattle.
— A Seattle?
— Sim.
— E possivelmente ali...?
— Assim espero.
— Então você gosta dele, não é?
— Sim.
— Você gosta o suficiente para...?
— Sim.
Ergueu as sobrancelhas.
— Uau. Por fim Fla Pavanelli se apaixona por um homem, e é Sammy
Wilk, o bonito e sexy multimilionário.
— Claro, claro, é apenas pelo dinheiro.
Sorri afetadamente até que ao final tivemos ambas, um ataque de
riso.
— Essa blusa é nova? — Perguntou-me.
Deixei que ela soubesse todos os detalhes desinteressantes sobre a
minha noite.
— Já te beijou? —Perguntou-me enquanto preparava um café.
Ruborizei-me.
— Uma vez.
— Uma vez! — Exclamou.
Assenti bastante envergonhada.
— É muito reservado.
Kate franziu o cenho.
— Que estranho.
— Não acredito, na verdade, que a palavra seja "estranho".
— Temos que nos assegurar de que esta noite esteja irresistível. —
Disse-me muito decidida.
OH, não... Já vejo que vai ser um tempo perdido, humilhante e
doloroso.
— Tenho que estar no trabalho em uma hora.
— Pode trabalhar nesse tempo. Vamos.
Kate segurou em minha da mão e me levou para casa.
Embora houvesse muito trabalho no Clayton's, as horas passaram-se
lentamente. Como estamos em plena temporada do verão, tenho que passar
duas horas repondo as estantes depois de ter fechado a loja. É um trabalho
mecânico que me deixava tempo para pensar. A verdade é que em todo o dia
não pude fazê-lo.
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Seguindo os conselhos incansáveis e francamente impertinentes de
Kate, depilei minhas pernas, axilas e sobrancelhas, assim fiquei com a pele
toda irritada. Era uma experiência muito desagradável, mas Kate me
assegurou que era o que os homens esperavam nestas circunstâncias. Que
mais esperará Sammy? Tenho que convencer Kate de que quero fazê-lo.
Por alguma estranha razão, ela não confiava nele, possivelmente porque
fosse tão tenso e formal. Avisei-a que não saberia dizer como, mas prometi
que lhe enviaria uma mensagem assim que chegasse a Seattle. Não falei
nada sobre o helicóptero para que não enlouquecesse.
Também havia a questão sobre José. Havia três mensagens e sete
chamadas perdidas suas no meu celular. Também ligou para casa, duas
vezes. Kate tem sido muito vaga a respeito de onde eu estou. Ele vai saber
que ela me encobre. Kate sempre era muito franca. Mas decidi deixá-lo sofrer
um pouco. Ainda estou zangada com ele.
Sammy comentou algo sobre uns papéis, e não sei se estava de
brincadeira ou se ia ter que assinar algo. Desesperei-me por ter que andar
conjecturando todo o tempo. E para o cúmulo das desgraças, estou muito
nervosa. Hoje é o grande dia. Estou preparada por fim? Minha deusa interior
me observava golpeando impaciente o chão com um pé. Faz anos que está
preparada, e está preparada para algo com alguém como Sammy Wilk,
embora ainda não entenda o que vê em mim... a pacata Fla Pavanelli... Não
fazia sentido.
Era pontual, é obvio, e quando saí do Clayton's já me esperava,
apoiado na parte de trás do carro. Abriu a porta para mim e sorriu
cordialmente.
— Boa tarde, senhorita Pavanelli. — Disse-me.
— Sr. Wilk.
Inclinei a cabeça educadamente e entrei no assento traseiro do carro.
Taylor estava sentado ao volante.
— Olá, Taylor, — Disse-lhe.
— Boa tarde, Srta. Pavanelli. — Respondeu-me em tom educado e
profissional.
Sammy entrou pela outra porta e brandamente me apertou a mão.
Um calafrio percorreu todo meu corpo.
— Como foi o trabalho? — Perguntou-me.
— Interminável. — Respondi-lhe com voz rouca, muito baixa e cheia
de desejo.
— Sim, o meu também, pareceu muito longo.
—O que tem feito? — Consegui perguntar.
— Andei com Eliot.
Seu polegar acariciava meus dedos por trás. Meu coração deixou de
bater e minha respiração se acelerou. Como é possível que me afete tanto? 
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Apenas tocou uma pequena parte de meu corpo, e meus hormônios
dispararam.
O heliporto estava perto, assim, antes que me desse conta, já
havíamos chegado. Perguntei-me onde estaria o lendário helicóptero.
Estamos em uma zona da cidade repleta de edifícios, e até eu sei que os
helicópteros necessitam espaço para decolar e aterrissar. Taylor estacionou,
saiu e abriu minha porta. Em um momento, Sammy estava ao meu lado e
pegou minha mão novamente.
— Preparada? — Perguntou-me.
Assenti. Queria lhe dizer: "Para tudo", mas estava muito nervosa para
articular qualquer palavra.
— Taylor.
Fiz um gesto para o chofer, entramos no edifício e nos dirigimos para
os elevadores. Um elevador! A lembrança do beijo daquela manhã voltou a
me obcecar.
Não pensei em nada mais por todo o dia. Mesmo no Clayton's não
podia tirar tudo da cabeça. O Sr. Clayton precisou gritar comigo duas vezes
para que voltasse para a Terra. Dizer que estive distraída era pouco.
Sammy me olhou com um ligeiro sorriso nos lábios. Ah! Ele também estava
pensando no mesmo.
— São apenas três andares. — disse-me com olhos divertidos.
Tenho certeza que tem telepatia. É horripilante.
Pretendi manter o rosto impassível quando entramos no elevador. As
portas se fecharam e aí está a estranha atração elétrica, crepitando entre
nós, apoderando-se de mim. Fechei os olhos em uma vã intenção de dissipá-
la. Ele apertou minha mão com força, e cinco segundos depois as portas se
abriram no terraço do edifício. E lá estava, um helicóptero branco com as
palavras Wilk ENTERPRISES HOLDINGS, Inc. em cor azul e o logotipo da
empresa de outro lado. Certamente que isto é esbanjar os recursos da
empresa.
Ele me levou a um pequeno escritório onde um velho estava sentado
atrás da mesa.
— Aqui está seu plano de vôo, Sr. Wilk. Revisamos tudo. Está
preparado, lhe esperando, senhor. Pode decolar quando quiser.
— Obrigado, Joe. — Respondeu-lhe Sammy com um sorriso quente.
Ora, alguém que merecia que Sammy o tratasse com educação.
Possivelmente não trabalhava para ele. Observei o ancião assombrada.
— Vamos. — Disse-me Sammy.
E nos dirigimos ao helicóptero. De perto era muito maior do que
pensava. Supunha que seria um modelo pequeno, para duas pessoas, mas
contava com, no mínimo, sete assentos. Sammy abriu a porta e me indicou
um assento na frente.
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— Sente-se. E não toque em nada. — Ordenou-me e subiu por trás
de mim.
Fechou a porta. Alegrei-me que toda a zona ao redor estivesse
iluminada, porque do contrário, nada se veria na cabine. Acomodei-me no
assento que me indicou e ele se inclinou para mim para me atar o cinto de
segurança. É um cinto de quatro pontos com todas as tiras se conectando a
um fecho central. Apertou tanto as duas tiras superiores, que eu não podia
me mover.
Ele estava tão próximo a mim, muito concentrado no que fazia. Se
pudesse me inclinar um pouco para frente, afundaria o nariz em seu cabelo.
Cheirava a limpo, fresco, divino, mas eu estava firmemente atada ao assento
e não podia me mover. Levantou o olhar para mim e sorriu, como se lhe
divertisse essa brincadeira que apenas ele entendesse. Seus olhos brilharam.
Estava tentadoramente perto. Contive a respiração enquanto me aperta uma
das tiras superiores.
— Está segura. Não pode escapar. — Sussurrou-me. — Respira,
Flavia. — Acrescentou em tom doce.
Aproximou-se, acariciou meu rosto, correndo os dedos longos até
meu queixo, que pegou entre o polegar e o indicador. Inclinou-se para frente
e me deu um rápido e casto beijo. Fiquei impactada, me revolvendo por
dentro ante o excitante e inesperado contato de seus lábios.
— Eu gosto deste cinto. — Sussurrou-me.
O que?
Acomodou-se ao meu lado, atou-se ao seu assento e em seguida
começou um processo de verificar medidores, virar interruptores e apertar
botões do enorme gama de marcadores, luzes e botões na minha frente.
Pequenas esferas piscaram luzinhas, e todo o painel de comando estava
iluminado.
— Ponha os fones de ouvido — Disse-me apontando uns fones na
minha frente.
Coloquei-os e o motor começou a girar. Era ensurdecedor. Ele
também colocou os fones e seguiu movendo as alavancas.
— Estou fazendo todas as comprovações prévias ao vôo.
Ouvi a imaterial voz de Sammy pelos fones. Virou-se para mim e
sorriu.
— Sabe o que faz? — Perguntei-lhe.
Voltou-se para mim e sorriu.
— Fui piloto por quatro anos, Flavia. Está a salvo comigo. —
Disse sorrindo-me de orelha a orelha. — Bom, ao menos enquanto
estivermos voando. — Acrescentou com uma piscadela.
Piscando... Sammy!
— Pronta?
Concordei com os olhos muito abertos.
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— De acordo, torre de controle. Aeroporto de Portland, aqui é Charlie
Tango Golfe – Golf Echo Hotel, preparado para decolar. Espero confirmação,
câmbio.
— Charlie Tango, adiante. Aqui é aeroporto de Portland, avance por
um-quatro-mil, direção zero-um-zero, câmbio.
— Entendido, torre, aqui Charlie Tango. Câmbio e desligo. Em
marcha. — Acrescentou dirigindo-se a mim.
O helicóptero se elevou pelos ares lenta e brandamente.
Portland desapareceu enquanto adentrávamos ao espaço aéreo,
embora meu estômago ficasse ancorado no Oregón. Uau! As luzes se
reduziram até converterem-se em uma ligeira piscada a nossos pés. É como
olhar para o exterior de um aquário. Uma vez no alto, a verdade é que não se
vê nada. Está tudo muito escuro. Nem sequer a lua iluminava um pouco
nosso trajeto. Como poderia ver por onde vamos?
— Inquietante, não é? — Sammy disse-me pelos fones.
— Como sabe que vai na direção correta?
— Aqui. — Respondeu-me assinalando com seu comprido dedo um
indicador com uma bússola eletrônica. — É um Eurocopter EC135. Um dos
mais seguros. Está equipado para voar a noite. — Olhou-me e sorriu, — Em
meu edifício há um heliporto. Dirigimo-nos para lá.
Óbvio que em seu edifício havia um heliporto. Senti-me totalmente
por fora. As luzes do painel de controle lhe iluminavam ligeiramente o rosto.
Estava muito concentrado e não deixava de controlar os diversos
mostradores situados em frente a ele. Observo seus traços com todos os
detalhes. Tem um perfil muito bonito, o nariz reto e a mandíbula quadrada.
Eu gostaria de deslizar a língua por sua mandíbula. Não se barbeou, e sua
barba de dois dias fez a perspectiva duplamente tentadora. Mmm...
Eu gostaria de sentir sua aspereza sob minha língua, meus dedos,
meu rosto.
— Quando voa de noite, não vê nada. Tem que confiar nos aparelhos.
— Disse interrompendo minha fantasia erótica.
— Quanto durará o vôo? — Consegui dizer, quase sem fôlego.
Não estava pensando em sexo, de jeito nenhum...
— Menos de uma hora... Temos o vento a favor.
Menos de uma hora para Seattle... Nada mal. Claro, estávamos
voando.
Eu tenho menos de uma hora antes da grande revelação. Sinto todos
os músculos da barriga contraídos. Tenho um grave problema com as
mariposas. Reproduzem-se em meu estômago. O que me terá preparado?
— Está bem, Flavia?
— Sim.
Respondi-lhe com a máxima brevidade porque os nervos me
oprimiam.
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Acredito que sorriu, mas é difícil ter certeza na escuridão. Sammy
acionou outro botão.
— Aeroporto de Portland, aqui Charlie Tango, em um-quatro-mil,
câmbio.
Trocava informação com o controle de tráfego aéreo. Soou-me tudo
muito profissional. Acredito que estamos passando do espaço aéreo de
Portland para o do aeroporto de Seattle.
— Entendido, Seattle, preparado, câmbio e desligo.
Apontou um pequeno ponto de luz à distância e disse:
— Olhe. Aquilo ali é Seattle.
— Sempre impressiona assim às mulheres? "Venha dar uma volta em
meu helicóptero"? — Perguntei-lhe realmente interessada.
— Nunca trouxe a uma mulher ao helicóptero, Flavia. Também
isto é uma novidade. — Respondeu-me em tom tranquilo, embora sério.
Ora, não esperava esta resposta. Também uma novidade? Ah, referiase
a dormir com uma mulher?
— Está impressionada?
— Sinto-me sobressaltada, Sammy.
Sorriu.
— Sobressaltada?
Por um instante demonstrou ter sua idade.
Assenti.
— Faz tudo... tão bem.
— Obrigado, Srta. Pavanelli — Disse-me educadamente.
Acredito que gostou de meu comentário, mas não estou segura.
Durante um momento atravessamos a escura noite em silêncio. O
ponto de luz de Seattle ficava cada vez maior.
— Torre de Seattle ao Charlie Tango. Plano de vôo à Escala em
ordem. Adiante, por favor. Preparado. Câmbio.
— Aqui Charlie Tango, entendido, Seattle. Preparado, câmbio e
desligo.
— Está claro que você se diverte. — Murmurei.
— O que?
Encarou-me. A tênue luz dos instrumentos parecia zombador.
— Voar. — Respondi-lhe.
— Exige controle e concentração... como não iria me encantar?
Embora o que mais gosto é planejar.
— Planejar?
— Sim. Vôo sem motor, para que me entenda. Planadores e
helicópteros. Piloto as duas coisas.
— Ah!
Passatempos caros. Lembrei-me que me disse isso na entrevista. Eu
gosto de ler e de vez em quando vou ao cinema. Nada de mais.
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— Charlie Tango, adiante, por favor, câmbio.
A voz imaterial do controle de tráfego aéreo interrompeu minhas
fantasias. Sammy respondia em um tom seguro de si mesmo.
Seattle estava cada vez mais perto. Agora estamos nos subúrbios.
Uau! Era absolutamente impressionante. Seattle de noite, do céu...
— É bonito, não é verdade? — Perguntou-me Sammy em um
murmúrio.
Aquiesci entusiasmada. Parecia de outro mundo, irreal, e sinto como
se estivesse em um gigante estúdio de cinema, possivelmente no filme
favorito de José, Blade Runner.
A lembrança de José tentando me beijar me incomodava. Começo a
me sentir um pouco cruel por não ter respondido a suas chamadas. Tenho
certeza que pode esperar até a manhã.
— Chegaremos em alguns minutos. — Sammy murmurou.
E de repente senti meus ouvidos zumbirem, o coração disparar e a
adrenalina percorrer meu corpo. Ele recomeçou a falar com o controle de
tráfego aéreo, mas já não o escutava. Acreditava que iria desmaiar. Meu
destino estava em suas mãos.
Voamos entre edifícios, e em frente a nós vi um arranha céu com um
heliporto no terraço. A palavra “Escala” estava pintada em branco no topo do
edifício. Estava cada vez mais perto, ia aumentando... como minha
ansiedade. Deus, eu esperava não decepcioná-lo.
Ele vai me achar desprovida de alguma forma. Gostaria que tivesse
atendido a Kate e tivesse posto um de seus vestidos, mas eu gostava de meu
jeans negro, e vestia uma camisa verde e uma jaqueta negra de Kate. Estava
bastante elegante. Agarrei-me à borda de meu assento cada vez com mais
força. I posso fazer isso, eu posso fazer isso, repetia-me como um mantra
enquanto nos aproximávamos do arranha céu.
O helicóptero reduziu a velocidade e ficou suspenso no ar. Sammy
aterrissou na pista do terraço do edifício. Tinha um nó no estômago. Não
saberia dizer se eram nervos pelo que iria acontecer, ou alívio por termos
chegado vivos, ou medo que a coisa não acontecesse bem. Desligou o motor,
e o movimento e o ruído do rotor diminuiu até que, só o que se ouvia era o
som da minha respiração entrecortada. Sammy retirou os fones e se
inclinou para tirar os meus.
— Chegamos. — Disse-me em voz baixa.
Seu olhar era intenso, a metade na escuridão e a outra metade
iluminada pelas luzes brancas de aterrissagem. Uma metáfora muito
adequada para Sammy: o cavalheiro escuro e o cavalheiro branco. Parecia
tenso. Cerrou a mandíbula e entrecerrou os olhos. Abriu seu cinto de
segurança e se inclinou para abrir o meu. Seu rosto estava a centímetros do
meu.
— Não tem que fazer nada que não queira fazer. Você sabe, não é?
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Seu tom era muito sério, inclusive angustiado, e seus olhos,
ardentes. Pegou-me de surpresa.
— Nunca faria nada que não quisesse fazer, Sammy.
E enquanto lhe dizia, sentia que não estava de todo convencida,
porque nestes momentos certamente faria algo pelo homem que estava
sentado ao meu lado. Mas minhas palavras funcionaram e Sammy se
acalmou.
Encarou-me um instante com cautela e logo, apesar de ser tão alto,
moveu-se com elegância até a porta do helicóptero e a abriu. Pulou, esperoume
e agarrou minha mão para me ajudar a descer à pista. No terraço do
edifício havia muito vento e me punha nervosa o fato de estar em um espaço
aberto a uns trinta andares de altura. Sammy passou o braço pela minha
cintura e me puxou firmemente contra ele.
— Vamos. — Gritou-me por cima do ruído do vento.
Arrastou-me até um elevador, digitou um número em um painel, e a
porta se abriu. No elevador, completamente revestido de espelhos, fazia
calor. Podia ver Sammy em quantidade, para onde quer que eu olhasse, e a
coisa boa era que ele também podia ver várias de mim. Digitou outro código,
e as portas se fecharam e o elevador começou a descer.
Em poucos momentos estávamos em um vestíbulo totalmente
branco. No meio havia uma mesa redonda de madeira escura com um
enorme buquê de flores brancas. As paredes estavam cheias de quadros.
Abriu uma porta dupla, e o branco se prolongou por um amplo corredor que
nos levou até a entrada de uma sala palaciana. É o salão principal, de teto
muito alto. Qualificá-lo de "enorme" seria pouco. A parede do fundo era de
cristal e dava em uma sacada com uma magnífica vista da cidade.
À direita havia um imponente sofá em forma de “U” que permitiam
sentar-se comodamente dez pessoas. Frente a ele, uma lareira ultramoderna
de aço inoxidável... ou, possivelmente, de platina. O fogo aceso iluminava
brandamente. À esquerda, junto à entrada, estava a área da cozinha. Toda
branca, com as bancadas de madeira escura e um bar em que podiam
sentar-se seis pessoas.
Junto à área da cozinha, em frente à parede de cristal, havia uma
mesa de jantar rodeada de dezesseis cadeiras. E no fundo havia um enorme
piano negro e resplandecente. Claro... certamente também tocava piano. Em
todas as paredes havia quadros de todo tipo e tamanho. Em realidade, o
apartamento parecia mais uma galeria que uma moradia.
— Dê-me a jaqueta? — Sammy perguntou-me.
Nego com a cabeça. Ainda estava com frio da pista do helicóptero.
— Quer tomar uma taça? — Perguntou-me.
Pisquei. Depois do que se passou ontem? Está de brincadeira ou o
que? Por um segundo pensei em lhe pedir uma marguerita, mas não me
atrevi.
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— Eu tomarei uma taça de vinho branco. Você quer uma?
— Sim, obrigada. — Murmurei.
Sentia-me incômoda neste enorme salão. Aproximei-me da parede de
cristal e me dei conta de que a parte inferior do painel se abria a sacada em
forma de acordeão. Abaixo se via Seattle, iluminada e animada. Volto para a
área da cozinha, demorei uns segundos, porque estava muito longe da
parede de cristal, onde Sammy abria um vinho. Retirou sua jaqueta.
— Acha que está bem um Pouily Fumei?
— Não tenho a menor ideia sobre vinhos, Sammy. Estou certa de
que será perfeito.
Falei em voz baixa e entrecortada. Meu coração batia muito depressa.
Queria sair correndo. Isto era luxo de verdade, de uma riqueza exagerada,
tipo Bill Gates.
O que estava fazendo aqui? Sabia muito bem o que estava fazendo
aqui, logrou meu subconsciente. Sim, quero ir para cama com Sammy
Wilk.
— Toma. — Disse-me ao estender uma taça de vinho.
Até as taças são luxuosas, de cristais grossos e muito modernos.
Tomei um gole. O vinho era ligeiro, fresco e delicioso.
— Você está muito quieta, e nem mesmo está corada. A verdade é que
acredito que nunca te vi tão pálida, Flavia. — Murmurou. — Está com
fome?
Neguei com a cabeça. Não de comida.
— Que casa tão grande.
— Grande?
— Grande.
— É grande. — Admitiu com um olhar divertido.
Tomei outro gole do vinho.
— Sabe tocar? — Perguntei-lhe apontando para o piano.
— Sim.
— Bem?
— Sim.
— Claro, como não. Há algo que não faça bem?
— Sim... umas duas ou três coisas.
Tomou um gole de vinho sem tirar os olhos de cima de mim. Sinto
que seu olhar me seguia quando me virei e olhei o imenso salão. Mas não
deveria chamar-lhe "salão".
Não é um salão, a não ser uma declaração de princípios.
— Quer te sentar?
Concordei com a cabeça. Agarrou minha mão e me levou ao grande
sofá de cor nata. Enquanto me sentava, assaltava-me a ideia de que pareço
Tess Durbeyfield observando a nova casa do notário Alec d'Urbervile. A ideia
me fez sorrir.
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— O que te parece tão divertido?
Estava sentado ao meu lado, me olhando. Descansava a cabeça sobre
a mão direita e o cotovelo estava apoiado na parte de trás do sofá.
— Por que me deu de presente precisamente Tess, de D'Urberville? —
Perguntei-lhe.
Sammy me olhou fixamente um momento. Acredito que lhe
surpreendeu minha pergunta.
— Bom, disse-me que gostava de Thomas Hardy.
— Só por isso?
Até eu sou consciente de que minha voz soava decepcionada. Apertou
os lábios.
— Pareceu-me apropriado. Eu poderia te empurrar para algum ideal
impossível, como Angel Clare, ou te corromper completamente, como Alec
d'Urbervile. — Murmurou.
Seus olhos brilharam impenetráveis e perigosos.
— Se apenas houver duas possibilidades, escolho a corrupção. —
sussurrei enquanto o encarava.
Meu subconsciente me observava assombrada. Sammy ficou
boquiaberto.
— Flavia, deixa de morder o lábio, por favor. Desconcentra-me.
Não sabe o que diz.
— Por isso estou aqui.
Franziu o cenho.
— Sim. Desculpa-me um momento?
Desapareceu por uma grande porta no outro extremo do salão. Voltou
em dois minutos com uns papéis nas mãos.
—Isto é um acordo de confidencialidade. — Encolheu os ombros e
pareceu ligeiramente incômodo. — Meu advogado insistiu.
Estendeu-me os papéis. Fiquei totalmente perplexa.
— Se escolher a segunda opção, a corrupção, terá que assiná-los.
— E se não quiser assinar nada?
— Então fica com os ideais de Angel Clare, bom, ao menos na maior
parte do livro.
— O que implica este acordo?
— Implica que não pode contar nada do que aconteça entre nós.
Nada a ninguém.
Observei-o sem dar crédito. Merda. Tem que ser ruim, ruim de
verdade, e agora tenho muita curiosidade por saber do que se trata.
— De acordo, assinarei.
Estendeu-me uma caneta.
— Nem sequer vai ler?
— Não.
Franziu o cenho.
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— Flavia, sempre deveria ler tudo o que assina. — Arremeteu.
— Sammy, o que não entende é que em nenhum caso falaria sobre
nós com ninguém. Nem sequer com Kate. Assim que dá no mesmo se
assinar um acordo ou não. Se for tão importante para ti ou para seu
advogado... que é óbvio que você falou de mim para ele, de acordo.
Assinarei.
Observou-me fixamente e assentiu muito sério.
— Boa observação, Srta. Pavanelli.
Assinei as duas cópias com um grandiloquente gesto e lhe devolvi
uma. Dobrei a outra, enfiei-a na minha bolsa e tomei um comprido gole de
vinho. Parecia muito mais valente do que em realidade me sentia.
— Quer dizer com isso que vais fazer amor comigo esta noite,
Sammy?
Maldita seja! Acabei de dizer isso? Abri ligeiramente a boca, mas em
seguida se recompus.
— Não, Flavia, não quer dizer isso. Em primeiro lugar, eu não
faço amor. Eu fodo... duro. Em segundo lugar, temos muito mais papelada
que arrumar. E em terceiro lugar, ainda não sabe do que se trata. Ainda
poderia sair correndo. Veem, quero te mostrar meu quarto de jogos.
Fiquei boquiaberta. Fodo duro! Minha mãe. Isso soa tão... quente.
Mas por que vamos ver um quarto de jogos? Estou perplexa.
— Quer jogar Xbox? — Perguntei-lhe.
Riu às gargalhadas.
— Não, Flavia, nem Xbox, nem PlayStation. Venha.
Levantou-se e me estendeu a mão. Deixei que me levasse de volta
para o corredor. À direita das portas duplas, de onde viemos havia outra
porta que dava a uma escada.
Subimos ao andar de cima e viramos à direita. Retirou uma chave do
bolsinho, virou a fechadura de outra porta e respirou fundo.
— Pode partir em qualquer momento. O helicóptero está preparado
para te levar aonde queira. Pode passar a noite aqui e partir amanhã pela
manhã. O que disser, para mim, estará bem.
— Abre a maldita porta de uma vez, Sammy.
Abriu a porta e se afastou a um lado para que eu entrasse primeiro.
Voltei a olhá-lo. Queria saber o que havia ali dentro. Parei e entrei.
E senti como se ele tivesse me transportado ao século XVI, à época da
Inquisição espanhola.
Puta merda
 



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