História Fifty shades of liberty -ADAPTAÇÃO- - Capítulo 22


Escrita por: ~

Postado
Categorias The 100
Personagens Clarke Griffin, Lexa
Tags Bdsm, Clexa
Exibições 124
Palavras 7.133
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Hentai, Lemon, Orange, Romance e Novela, Saga, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Intersexualidade (G!P), Linguagem Imprópria, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Como vcs se comportaram lindamente me presenteando com comentarios resolvi posta o bonus hj
Aproveitem a leitura!
AVISO IMPORTANTE: Fiquei sabendo agora que vou viajar amanhã a noite e só vou voltar na terça, por isso nos dias de sábado, domingo e segunda vou ficar sem att as fanfics. Não fiquem chateadas, por favor... Foi um imprevisto familiar que infelizmente aconteceu e agora tem que ser resolvido. Mas posso prometer que na terça posto 2 capitulos de FSOL e LD. Desculpem mesmo...
Amanhã antes de viajar apareço com um cap que vai deixar vcs mais calminhas e alegrinhas, prometo... rs

Capítulo 22 - Bonus II


Lexa POV

 

SÁBADO, JUNHO 4, 2016

 

Esta é a segunda vez em um dia em que ela me deixou.

Sento-me segurando minha cabeça em minhas mãos, tentando me acalmar, tentando racionalizar os meus sentimentos. Ela me ama? Como isso aconteceu? Como? Woods, sua maldita idiota. Isto não foi sempre um risco, com alguém como ela? Alguém bom e inocente e corajoso. O risco de que ela não veria a realidade até que fosse tarde demais. Que eu a faria sofrer assim? Por que isso é tão doloroso? Sinto como se tivesse perfurado um pulmão. Saio para fora do quarto.

Ela pode querer privacidade, mas se ela está me deixando eu preciso de roupas. Quando chego em meu quarto, ela está tomando banho, então rapidamente visto um jeans e uma camiseta, escolho uma preta adequada ao meu estado de espírito. Agarrando o meu telefone, ando pelo apartamento, tentado a sentar-me ao piano e forjar alguns fracos lamentos. Mas ao invés disso fico no meio da sala, sentindo nada. Vagando.

Concentre-se, Woods! Esta é a decisão certa. Deixe-a ir.

 

xxxxxxxxxx

 

Ela pega sua mala e mochila e vai para o hall. Sigo mansa e indefesa em seu rastro, meus olhos fixos em seu pequeno corpo.

No hall chamo o elevador. Não posso tirar meus olhos dela... seu rosto delicado, aqueles lábios, a forma como ela pisca seus cílios azuis espalhando-se e lançando uma sombra sobre suas bochechas pálidas. As palavras falham-me enquanto tento memorizar todos os detalhes. Suas linhas imaginárias, nem raciocínio rápido, não há comandos arrogantes. Não tenho nada. Absolutamente nada mais além de um vazio enorme dentro do meu peito. As portas do elevador se abrem e Clarke entra. Ela olha para mim e, por um momento sua máscara desliza, e lá está ela: minha dor refletida em seu rosto bonito.

Não... Clarke. Não vá.

"Adeus, Lexa"

"Clarke... adeus."

As portas fecham, e ela se foi.

Afundo-me lentamente para o chão e colocar minha cabeça em minhas mãos. O vazio é agora cavernoso e dolorido, me oprimindo. Woods, o que diabos você fez?

Quando olho novamente, as pinturas no hall, minhas Madonas, trazem um sorriso melancólico para os meus lábios. A idealização da maternidade. Todos elas olhando para seus filhos, ou olhando inescrupulosamente para mim. Eles têm razão para olhar para mim dessa maneira.

Ela se foi. Ela realmente se foi. A melhor coisa que já me aconteceu. Depois de dizer que nunca iria deixar. Ela me prometeu que nunca iria deixar. Fecho meus olhos, expulsando os olhares penalizados, Apoiando a cabeça contra a parede. Ok, ela disse em seu sono e como a tola que sou, acreditei nela. Sempre soube, no fundo, que não era boa para ela, e ela era boa demais para mim. É assim que deve ser. Então por que eu me sinto como merda? Por que isso é tão doloroso?

A campainha anuncia a chegada do elevador obrigando os meus olhos abrirem novamente, e meu coração pula em minha boca. Ela está de volta. Sento-me paralisada, esperando, e as portas se abrem, Taylor sai e momentaneamente congela. Inferno. Quanto tempo estive sentada aqui?

"Senhorita Griffin está em casa, Senhora", diz ele, como se me encontrasse, prostrada ao chão todos os dias.

"Como ela estava?" pergunto, de maneira mais desinteressada possível, mas eu realmente quero saber.

"Triste, senhora", diz ele, não mostrando emoção alguma.

Aceno, dispensando-o. Mas ele não deixa.

"Posso pegar alguma coisa, senhora?", ele pergunta, muito muito gentilmente para o meu gosto.

"Não, Vá. Deixe-me em paz."

"Senhora", diz ele, e sai, deixando-me largada no chão do hall.

Por mais que eu queira sentar aqui o dia todo e chafurdar no meu desespero, não posso. E preciso de um banho. Talvez essa agonia saia no chuveiro.

Apoio-me a mesa de madeira que domina o foyer, meus dedos distraidamente traçando a sua marchetaria delicada. Eu teria gostado de transar com a senhorita Griffin sobre ela. Fecho meus olhos, imaginando-a esparramada sobre esta mesa, a cabeça inclinada, queixo para cima, de boca aberta em êxtase, e seu cabelo suado espalhado sobre a borda. Merda, isso me faz dura só de pensar.  Porra. A dor em meu estomago aperta. Ela se foi, Woods. Acostume-se com isso. E com base em anos de controle forçado, fico em pé.

O chuveiro é escaldante, a temperatura em um nível alto, do jeito que gosto. Fico debaixo da cascata, tentando esquecê-la, esperando que este calor vai queimá-la da minha cabeça e lavar o cheiro dela fora de meu corpo. Se ela se foi, não há volta. Nunca. Esfrego meu cabelo com firme determinação. Boa viagem. E chupo em uma respiração.

Não. Não vá com Deus.

Levanto o meu rosto para o fluxo de água. Não me sinto aliviada vou sentir falta dela. Inclino minha testa contra os azulejos. Ontem à noite ela estava aqui comigo. Fico olhando para as minhas mãos, meus dedos acariciando os azulejos onde apenas ontem suas mãos estavam apoiadas contra a parede.

Foda-se isso.

Desligo a água, saindo do chuveiro. Quando envolvo uma toalha em volta do meu corpo, O sentimento surge: a cada dia vai ser mais escuro e vazio, porque ela já não está aqui. Não mais brincadeiras, espirituosos e-mails. Não há mais sua boca inteligente. Não há mais curiosidade. Seus olhos azuis brilhantes não vão mais me olhar em velado divertimento... ou choque ... ou luxúria. Fico encarando a idiota impertinente me encarando no espelho do banheiro.

"Que diabos você fez, idiota?" zombo dela.

Ela murmura as palavras de volta para mim com desprezo virulento. E a bastarda pisca para mim, grandes olhos verdes feridos miseráveis.

"Ela está melhor sem você. Você não pode ser o que ela quer. Você não pode dar a ela o que ela precisa. Ela quer corações e flores. Ela merece mais do que você, sua fodida idiota."

Repudio a imagem refletida, e me afasto do espelho.

Secando-me pego em minha cômoda uma boxer e uma camiseta limpa. Quando me viro noto uma pequena caixa no meu travesseiro. O tapete é puxado debaixo de mim novamente, revelando mais uma vez o abismo abaixo, suas mandíbulas abertas, esperando por mim, e minha raiva se transforma em medo. É algo dela. O que ela me daria? Deixo cair as minhas roupas e, tomando uma respiração profunda, sento na cama e pego a caixa. É um planador. Um kit de montar de um modelo para uma Blaník L23. Uma nota escrita cai de cima da caixa e flutua sobre a cama.

Isso me faz lembrar uma época feliz.

Obrigada.

Clarke.

É o presente perfeito dessa garota perfeita. A dor lança através de mim. Por que isso é tão doloroso? Por quê? Alguma terrível memória perdida, se agita, tentando afundar seus dentes no presente. Não. Isso não é um lugar que queira de volta a minha mente.


xxxxxxxxxx

 

Minha conversa com Welch é breve. Minha conversa com Russell Reed, o bastardo mentiroso miserável que se casou com Costia, é mais breve ainda. Não sabia que eles tinham se casado durante um fim de semana bêbado em Las Vegas. Não me admira que seu casamento fracassasse depois de apenas 18 meses. Ela o deixou há 12 semanas. Então, onde está você agora, Costia Williams? O que você tem feito? Concentro minha mente sobre Costia, tentando pensar em alguma pista do nosso passado que possa me dizer onde ela está. Preciso saber. E por que ela veio aqui. Porque eu? Porque vir atras de mim agora? Ela queria mais, e eu não queria, mas isso foi há muito tempo. Embora tenha sido fácil quando nosso acordo rescindiu por consentimento mútuo. Na verdade, todo o nosso acordo havia sido exemplar: como ele deve ser. Ela foi uma grande submissa. Mas ela nunca chamou minha atenção como Clarke Griffin.

Ela nunca me distraiu como Clarke.

Olho para o kit planador na minha mesa e traço as bordas da caixa com o meu dedo, sabendo que os dedos de Clarke a tocaram.

Minha doce Clarke.

Que contraste você é para todas as mulheres que conheci. A única mulher que eu já persegui, e a única mulher que não pode me dar o que quero. Não entendo.

Estou viva desde que a conheci. Estas últimas semanas têm sido as mais emocionantes, as mais imprevisíveis, as mais fascinantes da minha vida. Fui seduzida do meu mundo monocromático para um colorido e ainda assim ela não pode ser o que preciso.

Coloco minha cabeça em minhas mãos. Ela nunca vai gostar do que faço. Tentei me convencer que poderíamos trabalhar até a merda mais áspera, mas isso não vai acontecer, nunca. Ela está melhor sem mim. O que ela quer com um monstro fodido que não pode suportar ser tocada? E ainda assim ela comprou esse presente pensando em mim. Quem fez isso para mim, para além da minha família? Observo a caixa mais uma vez e abro. Todas as partes de plástico do ofício estão presas em uma grade, envolta em papel celofane. Memórias de suas risadas no planador durante o mergulho vêm à mente as mãos para cima, apoiado contra o dossel da cabine. Não posso deixar de sorrir. Senhor, foi muito divertido, o equivalente a, puxar tranças das meninas no parque infantil. Clarke em tranças... abandono esse pensamento imediatamente. Não quero me lembrar, do nosso primeiro banho. E tudo que preciso esquecer sabendo que não vou vê-la novamente.

O abismo está me aguardando.

Não. De novo não.

Preciso montar este planador. Será uma distração. Rasgando o celofane, digitalizo as instruções. Preciso de cola, cola de modelagem. Procuro por minhas gavetas. Merda. Situado na parte de trás de uma gaveta encontro a caixa de couro vermelho, contendo os brincos Cartier. Nunca tive a chance de dar a ela, e agora nunca irei.

Chamo Andrea e deixo uma mensagem em seu celular, pedindo-lhe para cancelar esta noite. Não posso enfrentar o baile de gala, não sem a minha namorada.

Abro a caixa de couro vermelho e examino os brincos. São bonitos: simples, mas elegantes, assim como a encantadora senhorita Griffin... que me deixou esta manhã porque eu a puni... Eu a empurrei muito além. Embalo minha cabeça mais uma vez. Mas ela deixou. Ela não me impediu. Deixou porque ela me ama. O pensamento é horrível, e o descarto imediatamente. Ela não pode. É simples: ninguém pode se sentir assim sobre mim. Não, se eles me conhecerem.

Siga em frente, Woods. Concentre-se.

Onde está a maldita cola? Escondo os brincos de volta na gaveta e continuo minha busca. Nada.

Chamo Taylor.

"Senhorita Woods?"

"Preciso de um pouco de cola de modelagem." Ele faz uma pausa por um momento. "Para que tipo de modelagem, senhora?"

"Um modelo planador".

"Madeira balsa ou plástico?"

"Plástico."

"Tenho um pouco. Vou leva-la agora, senhora."

Agradeço-lhe, um pouco atordoada que ele tenha cola de modelagem.

Momentos depois, ele bate na porta.

"Entre."

Entra em meu escritório e coloca o pequeno recipiente de plástico na minha mesa. Ele não diz então tenho que perguntar.

"Por que você tem isso?"

"Eu construo aviões." Seu rosto corado.

"Ah?" Minha curiosidade aguça.

"Voar foi meu primeiro amor, senhora." Eu não entendo.

"Daltônico", explica ele, sem rodeios.

"Então você se tornou um fuzileiro naval?"

"Sim, senhora."

"Obrigada pela cola."

"Não há problema, Srta. Woods. Já comeu?" Sua pergunta me pega de surpresa.

"Não estou com fome, Taylor. Por favor, vá, aproveitar a tarde com a sua filha, e eu o verei amanhã. Não vou incomodá-lo novamente."

Ele faz uma pausa por um momento, e minha irritação cresce. Vá.

"Eu estou bem." O inferno, minha voz é sufocada.

"Senhora". Ele acena com a cabeça. "Voltarei amanhã à noite." Dou-lhe um aceno rápido de desprezo, e ele se foi.

Quando foi a última vez que Taylor me ofereceu algo para comer? Devo parecer mais fodida do que pensava. Amuada, pego a cola.

O planador está na palma da minha mão. Fico maravilhada com isso com um senso de realização, memórias desse vôo cutucando minha consciência. Clarke não queria acordar sorrio quando recordo novamente que ela estava cansada, bonita, e engraçada. Cristo foi divertido: seu entusiasmo juvenil durante o vôo, os gritos, e depois, nosso beijo. Foi minha primeira tentativa de mais. É extraordinário que, durante um curto período de tempo eu colecionei tantas memórias felizes. A dor retorna mais uma vez a superfície, persistente, dolorida, lembrando-me de tudo o que perdi.

Concentre-se no planador, Woods.

Agora tenho colocar os adesivos; eles são simples até um pouco bobos. Finalmente, por ultimo esperar a secagem. Meu planador tem seu próprio registro

FAA. Novembro. Nove. Cinco. Dois. Charlie. Echo.

Charlie Echo.

Olho pela janela e a luz está desaparecendo. Está tarde. Meu primeiro pensamento é que poderia mostrar isso para Clarke. Não há mais Clarke.

Cerro os dentes e estico meus ombros rígidos. Levanto lentamente, percebendo que não comi o dia todo e não bebi nada, e minha cabeça está latejando. Sinto-me uma merda.

Verifico meu telefone na esperança de que ela tenha ligado, mas só há um texto de Andrea.

“CC Gala cancelada. Espero que esteja tudo bem. A”

Enquanto estou lendo a mensagem de Andrea o telefone vibra. Minha frequência cardíaca imediatamente sobe, então cai quando reconheço que é Elena.

"Olá." Não me incomodo para disfarçar a minha decepção.

"Lexa, isso é jeito de dizer oi? O que está irritando você? ", ela repreende, mas sua voz é cheia de humor.

Olho para fora da janela. É crepúsculo sobre Seattle. Pergunto-me brevemente o que Clarke está fazendo. Não quero dizer a Elena o que aconteceu; não quero dizer as palavras em voz alta e torná-las realidade.

"Lexa? O que há? Diga-me." Seu tom de voz muda para brusca e irritada.

"Ela me deixou", murmuro, soando melancólica.

"Ah." Elena soa surpresa. "Quer que eu vá até aí?"

"Não."

Ela respira fundo.

"Esta vida não é para todos."

"Eu sei."

"Inferno, Lexa, você soa como uma merda. Você quer sair para jantar?"

"Não."

"Eu estou indo."

"Não, Elena. Estou cansada e quero ficar sozinha. Vou chamá-la durante a semana. Adeus."

Desligo. Não quero falar com ela; ela me incentivou a viajar para encontrar Clarke. Talvez ela soubesse que esse dia chegaria. Olho feio para o telefone, jogado em minha mesa, saio em busca de algo para beber e comer.

Examino o conteúdo da minha geladeira. Nada me atrai. No armário encontro um saco de pretzels. Abro comendo um após o outro enquanto ando até a janela. Lá fora, a noite caiu; luzes brilham e piscam em meio à chuva torrencial. O mundo segue em frente.

Siga em frente, Woods . Vá em frente.


 

DOMINGO, 5 DE JUNHO, 2016


 

Olho para o teto do quarto. Perco o sono. Estou atormentada pela fragrância de Clarke, que ainda se agarra aos meus lençóis. Puxo o travesseiro sobre o meu rosto para respirar o cheiro dela. É uma tortura, é o céu, e por um momento contemplo a possibilidade de morte por asfixia. Se liga, Woods.

Penso nela encolhida em sua pequena cama branca. Não posso imaginá-la no novo apartamento, pois não estive lá, mas imagino-a naquele quarto em Vancouver onde uma vez dormimos juntas. Devo admitir; foi a melhor noite de sono que tive em anos. No alarme do rádio são 2:00h da manhã. Estou tentando dormir há duas horas, meus pensamentos agitados. Respiro profundamente, inalando o cheiro dela mais uma vez, e fecho meus olhos.

 

Mamãe não pode me ver. Estou na frente dela. Ela não pode me ver. Está dormindo com os olhos abertos. Ou doente.

Ouço um chocalho. Suas chaves. Ele está de volta.

Corro e me escondo encolhida de baixo da mesa na cozinha. Meus carrinhos estão aqui comigo.

Bang. A porta bate fechando,  me fazendo pular.

Por entre os dedos, vejo mamãe. Ela vira a cabeça para vê-lo. Então ela está dormindo no sofá. Ele está usando suas grandes botas com fivelas brilhantes e de pé inclinando-se sobre a mamãe grita. Ele bate na mamãe com um cinto. Levante-se! Levante-se! Você é uma puta fodida. Você é uma puta fodida. Mamãe dá um grunhido. Um lamento.

Pare. Pare de bater na mamãe. Pare de bater na mamãe. Corro para ele e bato nele e eu bato nele e bato nele.

Mas ele ri e me bate no rosto.

Não! Mamãe grita.

Você é uma puta fodida.

Mamãe se encolhe. Pequena como eu. De repente ela não se mexe. Você é uma puta fodida. Você é uma puta fodida. Você é uma puta fodida.

Estou debaixo da mesa. Coloco os dedos em meus ouvidos e fecho os olhos. O som para.

Ele se vira e posso ver suas botas quando ele vem para a cozinha. Ele traz o cinto, batendo-o contra sua perna. Ele está tentando me encontrar. Ele se inclina e sorri. Ele tem cheiro desagradável. De cigarro, bebida e sujeira. Aí está você, sua merdinha.

 

Um uivo arrepiante acorda-me. Estou encharcada de suor e meu coração está descompassado. Sento-me de repente na cama. Porra. O uivo era meu.

Tomo uma respiração profunda estabilizadora, tentando livrar minha memória do cheiro de odor corporal e bourbon barato e cigarros Camel velhos. Você é uma filha da puta. Ouço as palavras de Clarke em minha cabeça. As mesmas palavras dele. Porra. Não poderia ajudar a prostituta viciada. Tentei. Meu Deus, eu tentei. Aí está você, sua merdinha. Mas poderia ajudar Clarke. Tive que deixa-la ir.

Tive que deixá-la ir.

Ela não precisava de toda essa merda.

Olho para o relógio: são 03:30h. Vou para a cozinha e depois de beber um copo grande de água traço meu caminho para o piano.

Eu acordo novamente com um movimento e a luz do sol no início da manhã enche a sala. Estava sonhando com Clarke: Clarke me beija, sua língua na minha boca, meus dedos em seu cabelo; pressionando seu corpo deleitável contra mim, com as mãos amarradas acima de sua cabeça. Onde ela está?

Por um doce momento esqueço tudo o que aconteceu ontem, então recordações inundam-me de novamente. Ela se foi. Porra.

A evidência do meu desejo pressiona no colchão, mas a memória de seus olhos brilhantes, nublados com dor e humilhação quando ela saiu, resolve esse problema. Sentindo-me uma merda, deito-me de costas e olhando para o teto, os braços atrás da cabeça.

O dia se estende diante de mim, e pela primeira vez em anos, não sei o que fazer comigo mesma. Verifico o tempo novamente: 05:58h. Inferno, poderia muito bem ir para uma corrida.

Sinto dor em todos os lugares, meus pulmões estourando, minha cabeça está latejando, e a enorme, dor maçante da perda corrói minhas entranhas. Não posso fugir dessa dor, embora esteja tentando. Pauso para mudar a música e arrasto o precioso ar em meus pulmões. Quero algo... violento. "Pump It", do Black Eyed Peas, sim. Pego o ritmo.

Sigo correndo pela Rua Vine, e sei que é insano, mas espero vê-la. Quando me aproximo de sua rua meu coração dispara ainda mais dolorido e minha ansiedade aumenta. Não estou desesperada para vê-la. Só quero verificar se ela está bem. Não, isso não é verdade. Quero vê-la.

Finalmente, em sua rua, mantenho o ritmo passado por seu prédio. Tudo está calmo, um Oldsmobile passa pela rua, dois passeadores de cães estão caminhando, mas não há nenhum sinal de vida de dentro de seu apartamento. Atravessando a rua, faço uma pausa na calçada oposta, então paro na entrada de um prédio de apartamentos para recuperar o fôlego. As cortinas de um quarto estão fechadas, as outras abertas. Talvez aquele seja seu quarto. Talvez ela ainda esteja dormindo, isso é, se ela estiver lá. Um pesadelo forma-se em minha mente: E se ela saiu ontem à noite, ficou bêbada, conheceu alguém... Não. Bile sobe na minha garganta. O pensamento de seu corpo em mãos de outra pessoa, algum idiota se aquecendo no calor de seu sorriso, fazendo-a rir, fazendo-a gargalhar fazendo-a gozar. Leva todo o meu autocontrole para não arrombar a porta da frente de seu apartamento para verificar se ela está lá e sozinha.

Você provocou isto, Woods. Esqueça-a. Ela não é para você.

Puxo meu boné dos Seahawks para baixo, sobre o meu rosto, e corro para Avenida Western. Meu ciúme é brutal e explosivo; ele preenche meu vazio. Eu odeio. Mexe em algo profundo em minha psique que realmente não desejo examinar. Corro mais rápido, longe da memória, longe da dor, longe de Clarke Griffin.

 

xxxxxxxxxx

 

Sinto falta dela. Admito.

Verifico meu telefone, esperando em vão, e há um texto de Linconl.

“Cerveja, irmã?”

Respondo: “Não, estou ocupada”.

A resposta de Linconl é imediata.

“Foda-se, então.”

Sim. Foda-me.

Nada de Clarke: nenhuma chamada perdida. Nenhum e-mail. A dor lancinante no meu estomago se intensifica. Ela não vai ligar. Ela quis sair. Quis ficar longe de mim, e eu não posso culpá-la. É o melhor.

Vou para a cozinha para mudar de ambiente. Gail chegou. A cozinha foi limpa, e há um borbulhar na panela no fogão. Cheira bem... mas não estou com fome. Ela caminha enquanto estou de olho no que está cozinhando.

"Boa noite, senhora."

"Gail."

Ela faz uma pausa, surpreendida por alguma coisa. Surpreendida por mim? Merda, devo estar mal.

"Chasseur de frango?", pergunta ela, sua voz incerta.

"Claro", murmuro.

"Para dois?", ela pergunta.

Encaro-a, e ela parece envergonhada.

"Para um."

"Dez minutos?", ela diz, com a voz vacilante.

"Tudo bem." Minha voz sem vida.

Viro-me para sair.

"Senhorita Woods?" Ela me para.

"O que, Gail?"

"Não é nada. Desculpe incomodá-la."

Ela se vira para o fogão para agitar o frango, e vou tomar outro banho. Cristo, mesmo a minha equipe notou que algo está podre no caralho do reino da Dinamarca.


 

SEGUNDA-FEIRA, JUNHO 6, 2016


 

Tenho pavor de ir para a cama. É depois da meia-noite, e estou cansada, mas eu sento em meu piano, tocando a peça Bach Marcello uma e outra vez. Lembrando a cabeça apoiada em meu ombro, quase posso cheirar sua doce fragrância. Pelo amor de Deus, ela disse que ia tentar!

Paro de tocar e seguro minha cabeça entre as mãos, os cotovelos elaborando dois acordes dissonantes quando inclino-me sobre as teclas. Ela disse que iria tentar, mas ela fugiu na primeira oportunidade.

Então ela se foi.

Por que eu bati tanto nela?

Lá no fundo sei a resposta, porque ela me pediu para puni-la, e fui muito impetuosa e egoísta para resistir à tentação. Seduzida por seu desafio, aproveitei a oportunidade para encaminhar-nos para onde queria que fôssemos. E ela não usou a palavra segura, feri-a mais do que ela poderia aguentar quando prometi a ela que nunca faria isso. Que a porra de idiota eu sou. Como ela poderia confiar em mim depois disso? É claro que ela se foi. Por que diabos ela ia querer estar comigo?

Contemplo ficar bêbada. Não fico bêbada desde quando tinha quinze anos, bem, uma vez, quando eu tinha vinte e um anos. Detesto a perda de controle: sei o que o álcool pode fazer a uma pessoa. Tremo e bloqueio essas memórias, e decido encerrar a noite.

Deitada em minha cama, oro por um sono sem pesadelos ... mas se voltar a sonhar, quero sonhar com ela.

 

Mamãe está bonita hoje. Ela se senta e me deixa escovar seu cabelo. Ela me olha no espelho me dando seu melhor sorriso. O sorriso mais bonito para mim.

Há um barulho alto. Um acidente. Ele está de volta. Não!

Onde diabos você está, cadela? Tenho um amigo necessitado aqui. Um amigo com dinheiro.

Mamãe se levanta pega a minha mão e me empurra para seu armário. Sento em seus sapatos e tento ficar quieta e tapar os ouvidos e fecho os olhos com força. As roupas tem o cheiro da mamãe. Gosto do cheiro dela. Gosto de estar aqui. Longe dele. Ele está gritando.

Onde está a maldita anã? Ele agarra meu cabelo e me puxa para fora do armário. Não quero que você estrague a festa, sua merdinha. Dá um tapa forte no rosto da mamãe. Torne isso bom para o meu amigo e você recebe a sua recompensa, cadela. Mamãe olha para mim e ela chora.

Não chore, mamãe. Outro homem entra na sala. Um grande homem com o cabelo sujo. O grande homem sorri para a mamãe.

Estou sendo puxada para o outro quarto. Ele me empurra para o chão e eu machuco meus joelhos. Agora, o que eu vou fazer com você, seu pedaço de merda?

Ele tem um cheiro desagradável. Ele tem cheiro de cerveja e ele está fumando um cigarro.

 

Acordo. Meu coração está batendo forte como se tivesse corrido quarenta quarteirões perseguida por cães do inferno. Saio da cama, empurrando o pesadelo de volta para os recessos de minha consciência, e corro até a cozinha para buscar um copo de água.

Preciso ver Flynn. Os pesadelos estão piores do que nunca. Não tinha pesadelos quando dormia com Clarke ao meu lado. Inferno. Nunca aconteceu de dormir com qualquer uma das minhas subs. Bem, nunca senti vontade. Estava preocupada que eles pudessem me tocar no meio da noite? Não sei. Precisei que uma inocente embriagada me mostrasse o quão relaxante poderia ser. Tinha visto minhas subs dormirem antes, mas era sempre como um prelúdio para acordá-las para algum alívio sexual. Lembro-me de olhar fixamente para Clarke por horas enquanto ela dormia no The Heathman. Quanto mais a observava mais bonita ela tornava-se: a pele impecável luminosa na luz suave, o cabelo loiro espalhando-se sobre o travesseiro branco, e seus cílios esvoaçantes enquanto ela dormia. Seus lábios se separaram, e eu podia ver seus dentes e sua língua quando ela lambeu os lábios. Foi a experiência mais excitante, apenas observa-la. Quando finalmente fui dormir ao lado dela, ouvindo até mesmo sua respiração, observando seus seios subir e descer a cada respiração, dormi bem... tão bem.

Vago até meu escritório e seguro o planador. A visão provoca um sorriso carinhoso que me conforta. Sinto tão orgulhosa de ter construído isso e ridícula pelo que estou prestes a fazer. Foi seu último presente para mim. Seu primeiro presente foi... o quê?

Claro. Ela mesma.

Se sacrificando para a minha necessidade. Minha ganância. Meu desejo. Meu ego... a porra do meu ego danificado.

Porra, essa dor nunca vai parar?

Sentindo-me um pouco tola, levo o planador comigo para a cama.


 

TERÇA-FEIRA, JUNHO 7, 2016

 

 

Seu predio parece sombrio; ainda está escuro, intocado pelo sol da manhã. Adequado. Isso reflete o meu humor. As luzes de seu apartamento estão apagadas, mas as cortinas para o quarto que observei antes estão fechadas. Deve ser o quarto dela. Espero em Deus que ela esteja dormindo sozinha lá em cima. Imagino-a enrolando-se em sua cama de ferro branca, uma pequena bola de Clarke. Ela está sonhando comigo? Dou-lhe pesadelos? Será que ela esqueceu de mim?

Nunca me senti tão infeliz, nem mesmo quando adolescente. Talvez antes de ser uma Woods... minhas memórias rondando em torno de mim. Não, não, não. É melhor acordar. Isso já é demais.

Puxando meu capuz e inclinando-me contra a parede de granito, estou escondida na porta do prédio em frente. Um pensamento horrível passa pela minha cabeça de que poderia esta aqui por uma semana, um mês... um ano? Assistindo, esperando, apenas para ter um vislumbre da garota que costumava ser minha. É doloroso. Tornei-me o que ela sempre me acusou de ser, sua perseguidora. Não posso continuar assim. Tenho que vê-la. Ver se ela está bem. Preciso apagar a última imagem que tenho dela: ferida, humilhada, derrotada... e me deixando. Tenho que pensar em alguma maneira.

 

xxxxxxxxxx

 

Estou ninhada, olhando através das persianas de madeira para Taylor, que está estacionado fora do consultório de Flynn. É fim de tarde e ainda estou pensando sobre Clarke.

"Lexa, estou mais do que feliz em receber seu dinheiro e ver você olhar para fora da janela, mas não acho que a vista seja a razão de você estar aqui", diz Flynn.

Quando me viro para enfrentá-lo ele está me olhando com um ar de antecipação educada. Suspiro e faço meu caminho para o seu sofá.

"Os pesadelos estão de volta. Mais fortes que nunca." Flynn levanta uma sobrancelha.

"Os mesmos?"

"Sim."

"O que mudou?"

Ele inclina a cabeça para um lado, esperando pela minha resposta. Quando permaneço muda, acrescenta,

"Lexa, você parece tão miserável como o inferno. Alguma coisa aconteceu."

Parte de mim não quer dizer a ele, porque então será real.

"Conheci uma garota."

"E?"

"Ela me deixou."

Ele parece surpreso.

"As mulheres já deixaram você antes. Por que isso é diferente?" Fico olhando para ele fixamente.

Por que é diferente? Porque Clarke era diferente. Meus pensamentos se confundem numa emaranhada tapeçaria colorida: ela não era uma submissa. Não tivemos nenhum contrato. Ela era sexualmente inexperiente. Foi a primeira mulher que eu quis mais do que apenas sexo. Cristo todas as estreias que experimentamos juntas: a primeira garota que dormi ao lado, a primeira virgem, a primeira a conhecer minha família, a primeira a voar no Charlie Tango, a primeira que levei para planar. Sim... diferente.

Flynn interrompe meus pensamentos.

"É uma pergunta simples, Lexa."

"Sinto falta dela."

Seu rosto permanece gentil e preocupado, mas ele não dá pistas.

"Você nunca sentiu falta das mulheres que você esteve envolvida anteriormente?"

"Não."

"Então havia algo diferente nela?", ele pergunta.

Dou de ombros, mas ele persiste.

"Você teve uma relação contratual com ela? Ela era uma submissa?"

"Gostaria que ela fosse. Mas não era para ela." Flynn olha de sobrancelhas franzidas.

"Não entendi."

"Quebrei uma das minhas regras. Persegui essa garota, pensando que ela estaria interessada, e descobri que não era para ela."

"Diga-me o que aconteceu."

Abrindo as comportas conto os eventos do mês passado, a partir do momento em que Clarke caiu no meu escritório até quando ela foi embora do último sábado de manhã.

"Entendo. Você tem muito a dizer desde a ultima vez que nos falamos." Ele esfrega o queixo enquanto me estuda. "Há muitas questões aqui, Lexa. Mas agora o que quero focar é em como você se sentiu quando ela disse que te amava".

Inalo bruscamente, meu estomago aperta de medo.

"Horrorizada.," sussurro.

"Claro que você ficou." Ele balança a cabeça. "Você não é o monstro que você pensava que era. É digna de afeto, Lexa. Você sabe disso. Já lhe disse muitas vezes. Apenas em sua mente você não é."

Dou-lhe um olhar de firme, ignorando sua trivialidade.

"E como você se sente agora?", ele pergunta.

Perdida. Me sinto perdida.

"Sinto falta dela. Quero vê-la."

Estou no confessionário, mais uma vez, admitindo meus pecados. A amarga necessidade, sombria que tenho por ela, como se ela fosse um vício.

"Então, apesar do fato de que, como você disse, ela não poder atender suas necessidades, você sente falta dela?"

"Sim. Não é apenas a minha percepção, John. Ela não pode ser o que quero que ela seja, e não posso ser o que ela quer que eu seja."

"Você tem certeza?"

"Ela foi embora."

"Ela saiu porque você bateu nela. Se ela não compartilha seus gostos, você pode culpá-la?"

"Não."

"Já pensou em tentar um relacionamento convencional com ela?" O Quê? Fico olhando para ele, chocada. Ele continua: "Você achou as relações sexuais com ela satisfatórias?"

"Sim, claro", respondo, irritada.

Ele ignora o meu tom.

"Você estava satisfeita?"

"Muito."

"Você gostaria de fazer isso de novo?"

Fazer isso com ela de novo? E vê-la partir novamente?

"Não."

"Por que é isso?"

"Porque ela não precisa disso. Eu a feri. Realmente machuquei-a... e ela não pode... ela não vai..." Faço uma pausa. "Ela não aprecia. Ela estava com raiva. Realmente muito brava."

Sua expressão, os olhos feridos, vão assombrar-me por um longo tempo... e jamais quero ser a causa desse olhar novamente.

"Você está surpresa?"

Balancei minha cabeça.

"Ela estava com raiva", sussurro. "Nunca a tinha visto tão irritada."

"Como isso te faz sentir?"

"Indefesa".

"E isso é um sentimento familiar?", ele pergunta.

"Familiar, como?"

O que ele quer dizer?

"Você não se reconhece? Seu passado?" Sua pergunta tira o equilíbrio.

Porra, já falamos disso tantas vezes.

"Não, não. É diferente. O relacionamento que tive com a senhora Lincoln era completamente diferente."

"Não estava me referindo à Sra. Lincoln."

"O que sobre o que você está se referindo?"

Minha voz desaparecendo, porque de repente vejo onde ele está indo com isso.

"Você sabe."

Engulo em seco, inundada pela impotência e raiva de uma criança indefesa. Sim. A raiva. A profunda raiva irritante... e medo. A escuridão redemoinhos de sentimentos dentro de mim.

"Não é o mesmo," assobio entre os dentes, me esforçando para manter a calma.

"Não, não é", Flynn admite.

Mas a imagem da sua raiva vem indesejável à minha mente.

"É disso que você realmente gosta? De mim, assim?" Amortece minha raiva.

"Sei o que está tentando dizer com isso, doutor, mas é uma comparação injusta. Ela me pediu para mostrar a ela. É uma adulta, consentiu, pelo amor de Deus. Ela poderia ter dito a palavra segura. Poderia ter me dito para parar. Ela não disse."

"Eu sei. Eu sei." Ele levanta as mãos para cima. "Só estou insensivelmente ilustrando um ponto, Lexa. Você é uma mulher irritada, e você tem toda a razão de estar. Não relembrarei tudo o que agora você obviamente está sofrendo, e o objetivo destas sessões é para movê-la para um ponto onde esteja mais e confortável com você mesma." Ele faz uma pausa. "Esta garota..."

"Clarke", murmuro com petulância.

"Clarke. Ela, obviamente, teve um efeito profundo em você. Sua saída provocou seus problemas de abandono e seu PTSD. Claramente ela significa muito mais para você do que você está disposta a admitir para si mesma."

Tomo uma respiração afiada. É por isso que isso é tão doloroso? Porque ela significa mais, muito mais?

"Você precisa se concentrar no que você quer", Flynn continua. "E parece-me que você quer ficar com essa garota. Sente falta dela. Quer estar com ela?"

Estar com Clarke?

"Sim", sussurro.

"Então tem que se concentrar nesse objetivo. Isso nos traz para o que eu estava comentando sobre nossas últimas sessões. Se ela está apaixonada por você, como ela disse que ela está, ela deve estar sofrendo também. Portanto, repito minha pergunta: você já pensou num relacionamento mais convencional com essa garota?"

"Não, não pensei."

"Por que não?"

"Porque nunca ocorreu-me que poderia."

"Bem, se ela não está preparada para ser sua submissa, você não pode desempenhar o papel de dominante."

Olho para ele. Não é um papel, é quem eu sou. E do nada, lembro-me de um email que enviei para Clarke. Minhas palavras: O que acho que você não percebe é que, em relações Dom/sub, é a sub que tem todo o poder. Eu vou repetir isso, você é a única com todo o poder. Não eu. Se você não quiser fazer isso... então não faremos.

Esperança se agita em meu peito.

Eu poderia?

Poderia ter um relacionamento baunilha com Clarke?

Meus cabelos se arrepiam.

Porra. Possivelmente.

Se conseguisse, ela iria me querer de volta?

"Lexa, você tem demonstrado que é uma pessoa extraordinariamente capaz, apesar de seus problemas. É uma indivídua rara. Uma vez que se concentra num objetivo, segue em frente até consegui-lo geralmente superando todas as suas expectativas. Ouvindo você hoje, é claro que estava focada em obter Clarke da forma como você queria que ela fosse, mas você não levou em conta sua inexperiência ou seus sentimentos. Parece-me que você tem estado tão focada em alcançar seu objetivo que se perdeu no caminho que estavam trilhando juntas."

Os flashes no mês passam diante de mim; ela tropeçando em meu escritório, seu embaraço agudo na Collins, seus espirituosos e-mails, a boca esperta... o sorriso... sua coragem tranquila e desafiadora, e ocorre-me que tenho apreciado cada minuto. Sim, tenho. Cada irritante, segundo de distração, bem humorado, sensual, carnal dela. Estávamos numa viagem extraordinária, nós duas, bem, eu certamente estava. Meus pensamentos tomam um rumo mais escuro. Ela não conhece as profundezas da minha depravação, a escuridão na minha alma, o monstro escondido talvez devesse deixá-la em paz. Não sou digna dela. Ela não pode me amar. Mas, mesmo acreditando nisso, sei que não tenho a força necessária para ficar longe dela...

Flynn chama minha atenção.

"Lexa, pense sobre isso. Nosso tempo acabou. Quero ver você em poucos dias e falar sobre algumas das outras questões que você mencionou. Pedirei a Janet ligar para Andrea e marcar um encontro."

Ele se levanta, e eu sei que é hora de sair.

"Deu-me muito em que pensar," digo a ele.

"Não estaria fazendo meu trabalho se não desse. Apenas alguns dias, Lexa. Temos muito mais para conversar."

Ele aperta minha mão e me dá um sorriso tranquilizador, deixando-me com uma pequena esperança.

 

xxxxxxxxxx

 

Em pé na varanda, observo Seattle a noite. Daqui de cima estou a um passo, e ao mesmo tempo longe de tudo. Como ela chamava? A minha torre de marfim. Normalmente estaria calma, mas ultimamente minha paz de espírito tem sido abalada por uma certa jovem de olhos azuis.

"Você já pensou em tentar um relacionamento convencional?" As palavras de Flynn provocam-me, sugerindo tantas possibilidades.

Poderia reconquistá-la? O pensamento me aterroriza.

Tomo um gole do meu conhaque. Por que ela iria me querer de volta? Como poderia ser o que ela quer que eu seja? Não vou abandonar minha esperança. Preciso encontrar uma maneira. Preciso dela.


 

QUARTA-FEIRA, JUNHO 8, 2016


 

Mamãe! Mamãe!

Mamãe está dormindo no chão. Ela dorme a muito tempo. Tento acordá-la. Não acorda.

Chamo-a. Ela não acorda. Ele não está aqui e mamãe ainda não acorda.

Tenho sede. Na cozinha, puxo uma cadeira até a pia e bebo água. A água espirra em minha camiseta.

Minha camiseta está suja. Mamãe ainda está dormindo. Mamãe, acorda! Ela ainda dorme. Ela está fria. Vou

buscar o meu cobertorzinho e cubro mamãe e deitando no tapete verde pegajoso ao lado dela.

Minha barriga dói. Estou com fome, mas a mamãe ainda está dormindo. Tenho dois carros de brinquedo.

Um vermelho. Um amarelo. Meu carro verde está desaparecido. Eles correm pelo chão, onde mamãe está

dormindo. Acho que mamãe está doente. Procuro algo para comer. Na geladeira encontro ervilhas. Elas estão

congeladas. Mastigo-as lentamente. Elas fazem a minha barriga doer. Durmo ao lado da mamãe. As ervilhas

acabaram. Na geladeira tem alguma coisa. Tem cheiro engraçado. Como deslizando minha língua várias vezes.

Comendo lentamente. Tem um gosto desagradável. Bebo um pouco de água. Brinco com meus carros e durmo ao

lado de mamãe. Mamãe está tão fria e ela não está acordando. A porta se abre. Cubro a mamãe com o meu

cobertorzinho. Porra. O que diabos aconteceu aqui? Ah, cadela louca fodida. Merda. Porra. Saia do meu

caminho, sua merdinha. Ele me chuta e bato com a cabeça no chão. Minha cabeça dói. Ele chama alguém e vai

embora. Ele tranca a porta. Deito ao lado de mamãe. Minha cabeça dói. A policia está aqui. Não. Não.

Não. Não me toque. Não me toque. Não me toque. Grito pela mamãe. Não.

Fique longe de mim. A policial feminina pega meu cobertorzinho e me agarra. Grito. Mamãe. Mamãe. As

palavras somem. Não posso dizer as palavras. Mamãe não pode me ouvir. Não tenho palavras.

 

Acordo respirando com dificuldade, tomando enormes goles de ar, verificando a minha volta. Ah, graças a Deus, estou em minha cama. Lentamente, o medo se afasta. Tenho vinte e sete, e não quatro. Esta merda tem que parar.

Costumava ter meus pesadelos sob controle. Talvez um a cada duas semanas, mas nada como isso noite após noite. Desde que ela me deixou.

Viro-me deitando de costas, olhando para o teto. Quando ela dormia ao meu lado, eu dormia muito bem. Preciso dela na minha vida, na minha cama. Ela era o dia para minha noite. Vou trazê-la de volta. Como?

"Você já pensou em tentar um relacionamento convencional?" Ela quer corações e flores. Posso dar-lhe isso? Franzo a testa, tentando recordar os momentos românticos na minha vida... E não há nada... exceto com Clarke. O "mais". O planador, nós no IHOP e voando no Charlie Tango.

Talvez possa fazer isso. Volto a dormir, com um mantra em minha cabeça: Ela é minha. Ela é minha... e sinto seu cheiro, sua pele macia, saboreando seus lábios, e ouvindo seus gemidos.

Exausta, caio num erótico sonho preenchido por Clarke.

Acordo de repente. Meus cabelos se arrepiam, e por um momento acho que tudo o que tem me incomodado é externo ao invés de interno. Sento-me esfregando o rosto e observo o quarto lentamente.

Apesar do sonho carnal, meu corpo se comportou. Elena ficaria satisfeita. Ela mandou uma mensagem ontem, mas Elena é a última pessoa que quero falar. Só há uma coisa que quero fazer agora. Levanto-me e pego meu equipamento de corrida.

Vou verificar Clarke.

Sua rua esta tranquila, exceto pelo barulho de um caminhão de entrega e um passeador de cães solitário. Seu apartamento está na escuridão, as cortinas do seu quarto fechadas. Mantenho uma vigília silenciosa escondendo-me, olhando para as janelas e pensando. Preciso de um plano para reconquistá-la.

 

xxxxxxxxxx

 

Vou comprar um iPad para Clarke. Recostando-me em meu lugar, fecho meus olhos e contemplo quais aplicativos e músicas vou baixar e instalar para ela. Poderia escolher "Toxic". Sorrio com o pensamento. Não, não acho que ela gostaria. Ficaria brava como o inferno e pela primeira vez em muito tempo o pensamento dela brava me faz sorrir. Dirijo o meu pensamento de volta para potenciais canções a escolher, sentindo-me mais dinâmica do que fui em dias.

Esta noite me distraiu, cheia de música, uma viagem nostálgica através do meu iTunes, fazendo uma lista de reprodução para Clarke. Lembro-me dela dançando na minha cozinha; gostaria de saber o que ela estava ouvindo. Ela parecia totalmente ridícula e absolutamente adorável. Isso foi depois que transei com ela pela primeira vez. Não. Depois que fiz amor com ela pela primeira vez? Nenhum termo parece adequado. Lembro-me de seu pedido apaixonado na noite em que apresentei-a meus pais. "Quero que faça amor comigo." Como fiquei chocada por sua simples declaração e além de tudo ela queria era me tocar. Estremeço só de pensar. Tenho que fazê-la entender que este é um limite rígido para mim, não posso tolerar ser tocada.

Balanço minha cabeça. Está fazendo planos demais, Woods. Você tem que ganha-la de volta primeiro. Verifico a inscrição no iPad.

Clarke, isso é para você.

Sei o que quer ouvir. A música aqui fala por mim.

Lexa

Talvez isso vá mostrar-lhe. Ela quer corações e flores; talvez isso chegue perto. Mas balanço minha cabeça, porque não tenho idéia. Há tanta coisa que quero dizer a ela, se ela ouvir. E se ela não ouvir, as músicas dirão por mim. Só espero que ela me dê a oportunidade de entregar-lhe isto.

Não ouso ter esperança? Droga. Sim, tenho esperança.

 


Notas Finais


Todas amando Dr Flynn. kkkkkkkkkkkkkk
E ai? Gostaram do Bonus?


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