História Fifty shades of liberty -ADAPTAÇÃO- - Capítulo 23


Escrita por: ~

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Categorias The 100
Personagens Clarke Griffin, Lexa
Tags Bdsm, Clexa
Exibições 138
Palavras 6.628
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Hentai, Lemon, Orange, Romance e Novela, Saga, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Intersexualidade (G!P), Linguagem Imprópria, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Um capitulo um pouco mais otimista pra vcs...
E Lexa sendo Lexa. kkkkkkkkkkkkk

Capítulo 23 - 21


Tenho sobrevivido durante três dias sem Lexa, e é meu primeiro dia de trabalho. Tem sido uma boa distração. O tempo voou por entre uma névoa de caras novas, trabalho a fazer e Sr. Jack Hyde. Sr. Jack Hyde... ele sorri para mim, com seus olhos azuis cintilantes, enquanto ele se inclina contra a minha mesa.

— Excelente trabalho, Clarke. Eu acho que nós vamos fazer uma grande equipe.

De alguma forma, eu consegui erguer a cabeça para curvar meus lábios em um semblante de um sorriso.

— Eu estou indo para casa, se estiver tudo bem com você, — eu murmuro.

— Claro, é cinco e meia. Vejo você amanhã.

— Boa noite, Jack.

— Boa noite, Clarke.

Pegando a minha bolsa, eu encolho os ombros no meu casaco e saio. Para o ar do início da noite em Seattle, eu respiro fundo. Ele não consegue preencher o vazio no meu peito, um vazio que está presente desde sábado de manhã, uma lembrança dolorosa e oca, da minha perda. Eu ando em direção ao ponto de ônibus com a cabeça baixa, olhando para meus pés, meio triste por estar sem minha amada Wanda, meu velho Fusca... ou o Audi. Eu fecho imediatamente a porta desse pensamento. Não. Não posso pensar nele. Claro, eu posso comprar um carro, um carro novo, agradável. Eu suspeito que Lexa foi demasiado generosa em seu pagamento, e o pensamento me deixa com um gosto amargo na boca, mas eu a rejeitei e devo manter a minha mente fechada e o mais vazia possível. Eu não posso pensar nela. Eu não quero começar a chorar de novo, não na rua.

O apartamento está vazio. Tenho saudades de Octavia, e eu a imagino deitada em uma praia em Barbados, bebericando um coquetel gelado. Ligo a televisão de tela plana, mais para ter algum ruído do que para preencher o vácuo e proporcionar uma aparência de companhia, mas eu não ouço ou assisto. Eu sento e olho fixamente para a parede de tijolos. Estou dormente. Eu não sinto nada, apenas dor. Quanto tempo eu vou suportar isso?

A campainha da porta me tira da minha angústia e meu coração salta uma batida. Quem poderia ser? Eu aperto o interfone.

—Entrega para a Srta. Griffin. — Uma voz cansada e entediada responde, e a decepção me atravessa.

Eu desço as escadas com indiferença, para encontrar um jovem mascando chiclete ruidosamente, segurando uma caixa de papelão grande, e inclinando-se contra a porta da frente. Eu assino o recebimento do pacote e o levo para cima, comigo. A caixa é enorme e surpreendentemente leve. Dentro estão duas dúzias de rosas brancas com haste longa, e um cartão.

 

Parabéns pelo seu primeiro dia de trabalho.

Espero que tudo tenha ocorrido bem.

E obrigada pelo planador. Isso foi muito atencioso.

Eu o tenho com orgulho sobre a minha mesa.

Lexa

 

Olho para o cartão digitado, e o buraco no meu peito se expande. Sem dúvida, sua assistente enviou esta mensagem. Lexa, provavelmente, tem muito pouco a ver com isso. É doloroso demais só de pensar. Examino as rosas, elas são lindas, e eu não posso jogá-las no lixo. Obedientemente, eu vou para a cozinha, para procurar um vaso.

 

E assim se desenvolve um padrão: acordar, trabalhar, chorar e dormir. Bem, tentar dormir. Eu não posso escapar dela, mesmo em meus sonhos. Olhos ardentes verdes, seu olhar perdido, seu cabelo reluzente e brilhante, tudo me assombra. E a música... tanta música, que eu não posso suportar ouvir qualquer música. Eu tenho muito cuidado para evitá-la a todo custo. Até mesmo os jingles em comerciais me fazem tremer. Eu não falei com ninguém, nem mesmo com minha mãe ou pai. Eu não tenho condições de conversar com ninguém agora. Não, eu não quero nada disso. Eu me tornei uma ilha. Uma terra devastada pela guerra, onde nada cresce e os horizontes são sombrios. Sim, esta sou eu. Sou capaz de conversar impessoalmente no trabalho, mas só isso. Se eu falar com minha mãe, eu sei que vou quebrar ainda mais e já não tenho mais nada para quebrar.

Estou encontrando dificuldades para comer. Na hora do almoço, na quarta feira, eu consegui tomar um copo de iogurte, e é a primeira coisa que eu comi desde sexta-feira. Estou sobrevivendo com uma tolerância recém descoberta de café expresso com leite e Coca Cola Diet. A cafeína que me faz continuar, mas está me deixando ansiosa.

Jack começou a pairar sobre mim, me irritando, me fazendo perguntas pessoais. O que ele quer? Eu sou educada, mas eu preciso mantê-lo a distancia de um braço.

Sento-me e começo a vasculhar uma pilha de correspondência dirigida para ele, e eu estou satisfeita com a distração do trabalho adicional. Meus e-mails chegaram, e eu rapidamente reviso para ver de quem é. Puta merda. Um e-mail de Lexa. Oh não, não aqui... não no trabalho.

 

Xxxxxxxxxx


 

De: Lexa Woods

Assunto: Amanhã

Data: 08 de junho de 2016 14:05

Para: Clarke Griffin

Cara Clarke

Perdoe essa intromissão no seu trabalho. Espero que ele esteja indo bem.

Você recebeu minhas flores? Lembrei que amanhã é a abertura da exposição do seu amigo na galeria, e eu tenho certeza que você não teve tempo para comprar um carro, e é uma longa viagem. Eu ficaria mais do que feliz em levá-la, se você assim desejar. Me informe, por favor.

Lexa Woods

CEO, Woods Participações e Empreendimentos Inc.

 

Xxxxxxxxxx


 

Lágrimas inundam meus olhos. Eu apressadamente deixo a minha mesa e vou para o banheiro para escapar em uma das cabines. A exposição de Jasper. Droga. Eu tinha esquecido tudo sobre ele, e eu prometi  que eu iria. Merda, Lexa está certa; como vou chegar lá?

Pressiono minha testa. Por que Jasper não telefonou? Pensando bem, por que ninguém me telefonou? Eu estive tão distraída, que não reparei que o meu telefone celular estava muito silencioso. Merda! Eu sou uma idiota! Ele ainda está desviando as chamadas para o Iphone. Santo inferno. Lexa estava recebendo as minhas chamadas, ao menos que ela tenha jogado fora o iphone.

Como ela conseguiu o meu endereço de e-mail?Lexa sabe até o tamanho do meu sapato, um endereço de e-mail não seria  um problema difícil de resolver.

Posso vê-la novamente? Será que eu poderia suportar isso? Eu quero vê-la? Fecho os meus olhos e inclino a cabeça para trás, enquanto a tristeza cai sobre mim. Claro que sim. Talvez, talvez eu possa lhe dizer que eu mudei de ideia... Não, não, não. Eu não posso estar com alguém que tem prazer em me infligir dor, alguém que não pode me amar.

Memórias torturantes lampejam através da minha mente. Sinto falta dela. Já se passaram cinco dias, cinco dias de agonia, que pareceram com uma eternidade. Eu envolvo meus braços ao redor do meu corpo, me abraçando com força, me segurando. Sinto falta dela. Eu realmente sinto falta dela... Eu a amo. É simples assim. Eu choro sozinha à noite, até dormir, desejando que eu não tivesse ido embora, desejando que Lexa pudesse ser diferente, desejando que estivéssemos juntas. Quanto tempo vai durar esse sentimento horrível e esmagador? Estou no purgatório. Clarke Griffin, você está no trabalho! Eu devo ser forte, mas eu quero ir a exposição de Jasper, e no fundo, a masoquista em mim quer ver Lexa. Tomando uma respiração profunda, eu voltar para minha mesa.

 

Xxxxxxxxxx


 

De: Clarke Griffin

Assunto: Amanhã

Data: 08 de junho de 2016 14:25

Para: Lexa Woods

Oi Lexa

Obrigada pelas flores, são lindas. Sim, eu gostaria de receber uma carona. Obrigada.

Clarke Griffin

Assistente de Jack Hyde, Coordenador Editorial, SIP

 

Xxxxxxxxxx


 

Verifico o meu telefone, descubro que ele está programado para desviar as chamadas. Jack está em uma reunião, então eu rapidamente ligo para Jasper.

— Oi, Jasper. É Clarke.

— Olá, estranha. — Seu tom é tão caloroso e acolhedor que é quase o suficiente para me empurrar para a borda novamente.

— Eu não posso falar muito. A que horas devo estar lá amanhã, para sua exposição?

— Você virá amanha? — Ele parece animado.

— Sim, claro. — Eu sorrio meu primeiro sorriso genuíno em cinco dias, enquanto imagino seu sorriso largo.

— Às sete e meia.

— Vejo você depois. Adeus, Jasper.

— Adeus, Clarke.

 

Xxxxxxxxxx


 

De: Lexa Woods

Assunto: Amanhã

Data: 08 de junho de 2016 14:27

Para: Clarke Griffin

Cara Clarke

A que horas devo buscá-la?

Lexa Woods

CEO, Woods Participações e Empreendimentos Inc.


 

Xxxxxxxxxx

 

De: Clarke Griffin

Assunto: Amanhã

Data: 08 de junho de 2016 14:32

Para: Lexa Woods

A exposição de Jasper começa às 7:30. Que horas você sugere?

Clarke Griffin

Assistente de Jack Hyde, Coordenador Editorial, SIP


 

Xxxxxxxxxxx

 

De: Lexa Woods

Assunto: Amanhã

Data: 08 de junho de 2016 14:34

Para: Clarke Griffin

Cara Clarke

Portland é meio longe. Vou buscá-lo às 5:45.

Estou ansiosa para vê-la.

Lexa Woods

CEO, Woods Participações e Empreendimentos Inc.


 

Xxxxxxxxxx

 

De: Clarke Griffin

Assunto: Amanhã

Data: 08 de junho de 2016 14:38

Para: Lexa Woods

Vejo você então.

Clarke Griffin

Assistente de Jack Hyde, Coordenador Editorial, SIP


 

Xxxxxxxxxx

 

Oh meu Deus. Vou ver Lexa, pela primeira vez em cinco dias, meu espírito se levanta um pouco e me permito querer saber como ela está. Será que  sentiu minha falta? Provavelmente não, não como eu senti a dela. Será que encontrou uma nova submissa, seja lá de onde elas venham? O pensamento é tão doloroso que eu o dispenso imediatamente. Eu olho para a pilha de correspondência para Jack que precisa ser classificada, e tento empurrar Lexa para fora da minha cabeça, mais uma vez.

Naquela noite, na cama, eu viro e reviro, tentando dormir. É a primeira vez que eu não chorei até dormir. Em minha mente, eu visualizo o rosto de Lexa na última vez que o vi, quando saí do seu apartamento. Sua expressão torturada me assombra. Lembro que ela não queria que eu fosse, o que era estranho. Por que eu iria ficar quando as coisas tinham atingido tal impasse? Estávamos sempre fugindo de nossos próprios problemas, meu medo da punição, seu medo de... de quê? Amar? Virando de lado, eu abraço meu travesseiro, cheia de uma grande tristeza. Ela acha que não merece ser amada. Por que ela se sente assim? Tem algo a ver com sua criação? Com sua mãe biológica, a prostituta viciada em crack? Meus pensamentos me atormentam até as primeiras horas da madrugada, até que finalmente, eu caio em um agitado e exausto sono.

O dia se arrasta e arrasta, Jack é extraordinariamente atencioso. Eu suspeito que é devido ao vestido ameixa de Octavia e as botas negras de salto alto, que eu roubei do seu armário, mas eu não vou me debruçar sobre esse pensamento. Eu resolvi que iria comprar roupas com o meu primeiro salário. O vestido está mais solto em mim do que estava antes, mas eu finjo não perceber.

Finalmente, é cinco e meia, e eu pego meu casaco e bolsa, tentando acalmar meus nervos. Eu vou vê-la!

— Você tem um encontro esta noite? — Jack pergunta enquanto ele passeia por minha mesa no seu caminho de saída.

— Sim. Não. Não realmente.

Ele levanta uma sobrancelha para mim, o seu interesse é claramente aberto.

— Namorado?

Eu ruborizo.

— Não, é complicado.

 Eu tenho uma noite com Lexa Woods para enfrentar. Como vou fazer isso?

Corro para o banheiro para fazer os ajustes de última hora. No grande espelho na parede, eu dou uma olhada, muito dura em meu rosto. Eu estou com o meu jeito habitual pálida, olheiras muito grandes ao redor dos meus olhos. Eu pareço magra, assombrada. Puxa, eu gostaria de saber como usar maquiagem. Eu aplico algum rímel, delineador e aperto as minhas bochechas, na esperança de trazer um pouco de cor a sua maneira. Arrumo o cabelo para que ele caia artisticamente pelas minhas costas, eu respiro profundamente. Isto é tudo o que posso fazer.

Nervosa, eu ando pelo hall de entrada com um sorriso e uma aceno para Claire, na recepção. Eu acho que eu e ela poderíamos nos tornar amigas. Jack está falando com Elizabeth quando eu saio pelas portas. Com um largo sorriso, ele se apressa em abri-las para mim.

— Depois de você, Clarke — ele murmura.

— Obrigada. — Eu sorrio, envergonhada.

Lá fora, no meio-fio, Taylor está esperando. Ele abre a porta traseira do carro. Olho hesitante para Jack que me seguiu. Ele está olhando para o SUV Audi com desânimo.

Eu viro e subo na parte de trás, e lá está Lexa Woods sentada, vestindo seu terno cinza, sem gravata, a camisa branca aberta no colarinho mostrando o iniciio de seus seios. Seus olhos verdes estão brilhando. Minha boca esta seca. Ela parece gloriosa, exceto que ela está olhando para mim com cara feia. Oh não!

— Quando foi a última vez que você comeu? — Lexa dispara, enquanto Taylor fecha a porta atrás de mim.

Droga.

— Olá, Lexa. Sim, é bom ver você também.

— Eu não quero sua boca inteligente agora. Responda-me. — Seus olhos ardem.

Puta merda. .

— Um... Eu tomei um iogurte na hora do almoço. Oh, e uma banana.

— Quando foi a última vez que uma boa refeição? — Pergunta ela, com azedume.

Taylor desliza para o banco do motorista, liga o carro, e puxa para o tráfego.

Olho para cima e Jack está acenando para mim, como se pudesse me ver através do vidro escuro, bem não sei. Aceno de volta.

— Quem é esse? — Lexa dispara.

— Meu chefe. — Eu olho para a bela mulher ao meu lado, e sua boca está apertada.

— Bem? Sua última refeição?

— Lexa, realmente isso não é da sua conta, — Eu murmuro, sentindo-me extraordinariamente corajosa.

— Aconteça o que acontecer, sempre será da minha conta. Diga-me.

Não, não é. Eu gemo de frustração, desvio meu olhar para o céu enquanto Lexa aperta os olhos. E pela primeira vez em muito tempo, eu quero rir. Eu sofro para sufocar o riso que ameaça borbulhar. O rosto de Lexa amolece enquanto eu me esforço para manter uma cara séria, e vejo um traço de um sorriso atravessar seus lábios maravilhosamente esculpidos.

— Bem? — Pergunta ela, com sua voz suave.

— Pasta Alla Vongole, sexta-feira passada, — eu sussurro.

Ela fecha os olhos enquanto a fúria e, eventualmente, o arrependimento, varrem todo o seu rosto.

— Eu vejo, — diz ela, com sua voz inexpressiva. —Parece que você perdeu pelo menos cinco quilos, possivelmente mais, desde então. Por favor, coma, Clarke, — ela me repreende.

Olho para baixo, para os dedos entrelaçados no meu colo. Por que ela sempre me faz sentir como uma criança errante?

Ela muda de posição e se dirige em minha direção.

— Como vai você? — pergunta ela, sua voz bem suave.

Bem, eu estou realmente na merda... Eu engulo.

—Se eu te dissesse que eu estou bem, eu estaria mentindo.

Lexa  inala drasticamente.

— Eu também, — ela murmura. Estende o braço e aperta minha mão. — Eu sinto sua falta, — acrescenta.

Ah, não. Pele contra pele.

— Lexa, Eu...

— Clarke, por favor. Nós precisamos conversar.

Eu vou chorar. Não.

— Lexa, eu... por favor... Eu chorei muito, — eu sussurro, tentando manter minhas emoções sob controle

— Oh, querida, não. — Ela puxa a minha mão, e antes que eu perceba que estou em seu colo. Eae tem seus braços em volta de mim, e seu nariz está no meu cabelo. —Eu senti sua falta demais, Clarke — ela respira.

Eu quero lutar para sair dos seus domínios, para manter alguma distância, mas seus braços estão ao meu redor. Lexa está me pressionando contra o peito. Eu derreto. Oh, este é o lugar onde eu quero estar. Eu descanso minha cabeça contra ela, e Lexa beija meus cabelos repetidamente. Este é o meu lar. Ela tem cheiro de linho, amaciante de roupas, corpo limpo e o meu favorito, cheiro de Lexa. Por um momento, permito-me a ilusão de que tudo ficará bem, e isso alivia a minha alma devastada.

Poucos minutos depois, Taylor conduz o carro para uma parada na calçada, mesmo que ainda estejamos na cidade.

— Vem, — Lexa me tira de seu colo — nós ficamos aqui.

O quê?

— O heliponto é no topo deste edifício. — exa olha em direção ao prédio como meio de explicação.

Claro. Charlie Tango. Taylor abre a porta e eu deslizo para fora. Ele me dá um sorriso quente e paternal que me faz sentir segura. Eu sorrio de volta.

— Eu deveria lhe devolver seu lenço.

— Mantenha-o, Srta. Griffin, com os meus melhores cumprimentos.

Eu ruborizo, enquanto Lexa vem ao redor do carro e pega a minha mão. Ela olha intrigado para Taylor que olha impassível de volta para ela, não revelando nada.

— Às nove? — Lexa diz-lhe.

—Sim, senhora.

Lexa acena, enquanto se vira e me leva pelas portas duplas para o hall de entrada grandioso. Eu me deleito com a sensação de sua mão, seus dedos longos e hábeis enrolados em torno de mim. Eu sinto aquela pressão familiar. Estou atraída como Ícaro indo para o seu sol. Eu já fui queimada e aqui estou eu novamente.

Alcançando os elevadores, ela aperta o botão de chamada. Eu olho para Lexa, e ela está usando seu meio sorriso enigmático. Quando as portas abrem, ela solta minha mão e me convida para entrar. As portas se fecham e eu arrisco uma segunda olhada. Ela olha para mim, com seus olhos verdes vivos, e a eletricidade está lá, no ar, entre nós. É palpável. Eu quase posso tocá-la, pulsando entre nós, atraindo-nos uma para a outra.

— Oh meu Deus, — eu ofego enquanto me deleito brevemente na intensidade desta atração primitiva.

— Eu sinto isso também, — diz ela, seus olhos estão nublados e intensos.

O desejo pulsa de forma obscura e mortal em minha virilha. Lexa aperta a minha mão e roça meus dedos com o polegar, todos os meus músculos se apertam, deliciosamente, dentro de mim. Nossa senhora. Como ela ainda pode fazer isso comigo?

— Por favor, não morda o lábio, Clarke — ela sussurra.

Eu olho para Lexa, liberando o meu lábio. Eu a quero. Aqui, agora, no elevador. Como eu não poderia querer?

— Você sabe o que isso faz comigo, — ela murmura.

Oh, eu ainda a afeto. Minha deusa interior desperta de seu mau humor de cinco dias.

De repente, as portas se abrem, quebrando o feitiço, e estamos no telhado. Esta ventando, e apesar de usar a minha jaqueta preta, eu estou com frio. Lexa coloca o braço em volta de mim, me puxando para o seu lado, e nos apressamos para onde está Charlie Tango, no centro do heliponto, com as pás do rotor girando lentamente.

Um homem alto, loiro, de queixo quadrado, vestindo um terno escuro salta e, abaixando-se, corre em direção a nós. Troca um aperto de mão com Lexa e ele grita por cima do ruído dos rotores.

— Pronta para ir, senhora. Ela é toda sua!

— Toda a checagem foi feita?

— Sim, senhora.

— Você vem buscá-la em torno de oito e meia?

— Sim, senhora.

— Taylor está esperando por você lá na frente.

— Obrigado, Srta. Woods. Tenha um voo seguro para Portland. Senhora. — Ele me saúda. Sem soltar-me, Lexa acena, se abaixa e leva-me à porta do helicóptero.

Uma vez lá dentro, ele me afivela firmemente no meu acento e aperta com força os cintos. Ela me joga um olhar astuto e um sorriso secreto.

—Isso deve mantê-la em seu lugar, — ela murmura. —Devo dizer que gosto deste cinto em você. Não toque em nada.

Eu fico totalmente corada, e ela corre o dedo indicador na minha bochecha, antes de me entregar os fones de ouvido. Eu gostaria de tocar em você, também, mas você não vai me deixar. Eu faço uma carranca para Lexa. Além disso, ela pôs as tiras tão apertadas que eu mal consigo me mover.

Ela senta em sua cadeira e afivela a si mesmo, em seguida, começa a executar a checagem de pré-vôo. Ela é tão competente. É muito sedutora. Ela coloca seus fones de ouvido e aciona um interruptor e a velocidade dos rotores aumenta, ensurdece-me.

Virando-se, ela olha para mim.

— Pronta, querida? — Sua voz ecoa através dos fones.

— Sim.

Ela sorri com seu sorriso de menininha. Uau. Faz tanto tempo que eu não vejo isso.

— Como está o novo emprego?

— Bem, obrigada. É interessante.

— Como é o seu novo chefe?

— Oh, ele está bem. — Como posso dizer a Lexa que Jack me deixa desconfortável?

Lexa volta a olhar para mim.

— O que há de errado? — Pergunta ela.

— Além do óbvio, nada.

— O óbvio?

— Oh, Lexa, você às vezes é realmente muito obtusa.

— Obtusa? Eu? Eu não tenho certeza se aprecio o seu tom, Srta. Griffin.

— Bem, então não aprecie.

Seus lábios se contorcem em um sorriso.

— Eu senti falta da sua boca inteligente.

Eu suspiro e eu quero gritar, eu senti falta de você, de você toda, e não apenas de sua boca! Mas eu continuo calma e olho para fora do aquário de vidro que é o para-brisa do Charlie Tango, enquanto continuamos para o sul.

É uma noite clara e nítida, e as luzes de Portland cintilam e piscam nos acolhendo, enquanto Lexa maneja o helicóptero para baixo no heliponto. Estamos no topo de um edifício com uma estranha construção de tijolos marrons em Portland, de onde saímos a menos de três semanas atrás. Jesus, nós nos conhecemos há tão pouco tempo. No entanto, eu sinto comose a conhecesse por toda a vida. Ela desliga o Charlie Tango, apertando vários  botões para parar os rotores e, finalmente, tudo o que ouço é a minha própria respiração através dos fones. Hmm. Isto me recorda minha breve experiência em Thomas Tallis. Eu empalideço. Eu não quero ir para lá agora. Lexa desafivelou seus cintos e se inclina para desfazer os meus.

— Boa viagem, Srta. Griffin? — Ela pergunta, sua voz suave, seus olhos verdes brilhando.

— Sim, obrigada, Srta. Woods — eu respondo educadamente.

— Bem, vamos ver as fotos do menino. — Ela estende a sua mão para mim e eu a pego para sair do Charlie Tango.

Um homem de cabelos grisalhos, com uma barba, caminha ao nosso encontro, com um largo sorriso, e eu reconheço-o como o senhor da última vez que estivemos aqui.

— Joe. — Lexa sorri e solta minha mão, para apertar a de Joe calorosamente.

— Mantenha-a segura para Stephan. Ele vai estar aqui em torno de oito ou nove.

— Vou fazer, Srta. Woods. Senhora, — diz ele, acenando para mim. —No andar de baixo seu carro o espera, senhora. Oh, e o elevador está na manutenção, você vai ter que usar as escadas.

— Obrigada, Joe.

Lexa pega a minha mão, e vamos para as escadas de emergência.

— É bom para você que só são três andares, com estes saltos, — ela resmunga para mim, com desaprovação.

Não é brincadeira.

— Você não gosta das botas?

— Eu gosto muito delas, Clarke. — Seu olhar escurece e acredito que ia dizer outra coisa, mas ela se detém. —Venha. Vamos com calma. Eu não quero que você caia e quebre seu pescoço.

Nós sentamos em silêncio, enquanto nosso motorista nos leva para a galeria. Minha ansiedade voltou com força total, e eu percebo que o nosso tempo no Charlie Tango foi o olho da tempestade. Lexa está bem quieta, pensativa... apreensiva inclusive, o nosso bom humor, de antes, se dissipou. Há tanta coisa que eu quero dizer, mas esta viagem é muito curta. Lexa olha pensativa para fora da janela.

— Jasper é apenas um amigo, — eu murmuro.

Lexa se volta e olha para mim, seus olhos estão escuros e alertas, não transparecendo nada. Sua boca, ah, sua boca é uma distração espontânea. Lembro-me dela em mim, em todos os lugares. Minha pele aquece. Ela se move em seu acento e franze a testa.

— Esses olhos tão lindos estão muito grandes em seu rosto, Clarke. Por favor, diga que você vai comer.

— Sim, Lexa, eu vou comer, — eu respondo automaticamente, em um chavão.

— Estou falando sério.

— Você está? — Eu não posso manter o desprezo da minha voz.

Honestamente, a audácia desta mulher,  que me colocou no inferno ao longo dos últimos dias. Não, isso está errado. Eu me coloquei no inferno. Não. Foi ela. Sacudo a cabeça, confusa.

— Eu não quero brigar com você, Clarke. Eu quero você de volta, e eu quero que você saudável, — diz ela em voz baixa.

O quê? O que significa isso?

— Mas nada mudou. — Você ainda tem Cinquenta Tons ruins.

— Vamos falar sobre isso no caminho de volta. Nós chegamos.

O carro estaciona na frente da galeria, e Lexa sai, deixando-me sem palavras. Ela abre a porta do carro para mim, e eu saio.

— Por que você faz isso? — Minha voz é mais alta do que eu esperava.

— Fazer o quê? — Lexa diz surpreendida.

— Dizer algo como isso e depois parar.

— Clarke, nós chegamos. Você não queria estar aqu?. Vamos fazer isso e depois falamos. Eu particularmente não quero uma cena na rua.

Eu fico passada e olho ao redor. Ela está certa. É muito público. Eu pressiono os meus lábios e ela olha para mim.

— Ok, — eu resmungo de mau humor. Pegando minha mão, Lexa me leva para dentro do prédio.

É moderno e arejado, e há várias pessoas que andam por todo o salão da galeria, bebendo vinho e admirando o trabalho de Jasper. Por um momento, meus problemas desaparecem, quando eu entendo que ele realizou o seu sonho.

— Boa noite e bem vindo a amostra de Jasper Jordan. — Uma jovem mulher, vestida de preto, com cabelo castanho muito curto, batom vermelho brilhante e grandes brincos de argola, nos cumprimenta.

Ela olha rapidamente para mim. Então ela observa Lexa, muito mais tempo do que é estritamente necessário, então ela se vira para mim, piscando enquanto cora. Minha testa enruga. Lexa é minha ou era. Tento não fazer uma cara feia para ela. Quando seus olhos recuperam seu foco, ela pisca novamente.

— Oh, é você, Clarke. Nós queremos a sua opinião sobre tudo isto, também. —Sorrindo, ela me entrega um folheto e me dirige a uma mesa com bebidas e lanches.

Como ela sabe meu nome?

— Você a conhece? — Lexa faz uma carranca.

Sacudo a cabeça, igualmente intrigada.

Ela dá de ombros, distraída.

— O que você gostaria de beber?

— Eu vou tomar um copo de vinho branco, obrigada.

Sua testa enruga, mas ela mantém sua língua e vai para o bar.

— Clarke!

Jasper aparece através de uma multidão de pessoas. Caramba! Ele está usando um terno. Ele parece estar bem e está sorrindo para mim. Ele envolve-me em seus braços, abraçando-me com força.

— Clarke, eu estou tão feliz que você veio, — ele sussurra em meu ouvido, em seguida, faz uma pausa e de repente me segura no comprimento do braço, me encara.

— O quê?

— Ei, você está bem? Você parece, assim, estranha. Você perdeu peso?

Eu pisco afastando as lágrimas.

— Jasper, eu estou bem. Estou tão feliz por você. — Droga, não ele, também.

—Parabéns pela exposição. — Minha voz oscila enquanto vejo a sua preocupação em seu  rosto tão familiar, mas eu tenho que me segurar.

— Como você chegou aqui? — Ele pergunta.

— Lexa me trouxe, — digo, de repente, fico apreensiva.

— Oh. — O rosto de Jasper muda e ele me libera. —Onde ela está? — Sua expressão escurece.

— Ali, foi buscar bebidas. — Aceno com a cabeça na direção de Lexa e vejo que ela troca gentilezas com alguém que está esperando na fila.

Nossos olhares, o meu e de Lexa, se cruzam, quando eu olho o seu caminho e os nossos olhos se fixam um no outro. E naquele breve momento, estou paralisada, olhando para uma mulher incrivelmente bonita, que olha para mim com alguma emoção insondável. Seu olhar quente, queimando em mim, e estamos perdidas por um momento, olhando para a outra. Macacos me mordam... Esta bela mulher me quer de volta, e no fundo, dentro de mim, uma doce alegria se desenrola lentamente como uma gloriosa manhã no início da madrugada.

— Vejo-a mais tarde, Clarke.

E eu o vejo sair com uma jovem mulher, ao lado de um fotógrafo alto e magro. As fotografias de Jasper estão em toda parte, e em alguns casos, explodindo em telas enormes. Há fotos em preto e branco; e coloridas. Há uma beleza etérea em muitas das paisagens.

Lexa se junta a mim, e eu respiro fundo e engulo, tentando recuperar um pouco do meu equilíbrio anterior. Ela me dá meu copo de vinho branco.

— Sera que está a altura? — Minha voz soa mais que normal.

Ela olha intrigada para mim.

— O vinho.

— Não. Raramente o fazem nestes tipos de eventos. O menino é muito talentoso, não é? — Lexa está admirando a foto do lago.

— Por que outra razão você acha que eu lhe pedi para tirar seu retrato? — Eu não posso disfarçar o orgulho em minha voz. Seus olhos deslizam impassíveis da fotografia para mim.

— Lexa Woods? — O fotógrafo de Portland Printz se aproxima de Lexa. — Posso tirar uma foto sua, senhora?

— Claro.— Lexa esconde sua cara de desagrado. Eu passo para trás, mas ela pega minha mão e me puxa para o seu lado. O fotógrafo olha para nós duas e não pode esconder sua surpresa.

— Srta. Woods, obrigado. — Ele tira um par de fotos. —Senhorita...? — Ele pergunta.

— Griffin — eu respondo.

— Obrigado, Srta. Griffin. — Ele vai embora.

— Eu procurei por fotos suas com garotas, na Internet. Não há ninguém.

— Não, eu não tenho encontros, Clarke somente com você. Mas você sabe disso. — Seus olhos ardem com sinceridade.

— Então, você nunca teve um... — Olho em volta nervosamente para verificar que ninguém pode ouvir-nos — encontro com suas submissas?

— Às vezes. Não eram encontros. Compras, você sabe. — Ela encolhe os ombros, seus olhos não deixam os meus.

Oh, então é só no quarto de jogos, o Quarto Vermelho da Dor, em seu apartamento. Eu não sei o que sinto sobre isso.

— Só você, Clarke — ela sussurra.

Eu coro e olho para os meus dedos. À sua maneira, ela se importa comigo.

— Seu amigo aqui parece mais um homem de paisagens, não de retratos. Vamos olhar em volta. — Ela estende sua mão para mim e eu aceito.

Passeamos, observando outras fotos, eu percebo um casal acenando para mim, sorrindo como se eles me conhecessem. Deve ser porque eu estou com Lexa, mas um jovem está olhando descaradamente. Estranho.

Nós viramos a esquina, e eu descubro porque eu recebi olhares estranhos.Pendurados na parede agora, estão sete retratos enormes de mim. Olho fixamente para eles, estupefata, o sangue escorrendo do meu rosto. Eu fazendo: beicinho, rindo, carrancuda, séria, divertida. Tudo em super close-up, tudo em preto e branco. Oh Droga! Lembro-me de Jasper mexer com a câmera em um par de ocasiões em que ele estava me visitando e quando eu estive com ele como motorista e assistente de fotógrafo. Ele estava apenas tirando fotos, bem, eu pensava deste jeito. Mas ele tirou fotos minhas ao estilo de paparazzi. Olho para Lexa, que está olhando, paralisada, em cada uma das fotos, por sua vez.

— Parece que eu não sou a única, — ela resmunga enigmaticamente, sua boca se aperta em uma linha dura.

Eu acho que ela está com raiva. Ah, não.

— Com licença, — diz ela, prendendo-me com seu olhar brilhante por um momento.

Lexa se vira e se dirige ao balcão da recepção. Qual é o problema agora? Eu assisto hipnotizada quando ela fala animadamente com a ‘Senhorita cabelo muito curto e batom vermelho’. Ela pega a sua carteira e entrega o seu cartão de crédito. Merda. Lexa deve esta comprando uma destas fotos.

— Ei. Então, você é a musa. Estas fotografias são ótimas. — Um jovem com uma madeixa de cabelo loiro brilhante me assusta. Eu sinto uma mão no meu cotovelo e Lexa está de volta.

— Você é uma mulher de sorte. — O louro sorriu forçado em choque para Lexa, que lhe dá um olhar frio.

— Sim, eu sou, — ela resmunga de forma enigmática, enquanto  me puxa para um lado.

— Você acabou de comprar um desses?

— Um desses? — Ela bufa, sem tirar os olhos deles.

— Você comprou mais de um?

Ela revira os olhos.

— Eu comprei todos eles, Clarke. Não quero nenhum olhar estranho e convidativo para você na privacidade de sua casa.

Minha primeira inclinação foi rir.

— Você prefere que seja você? — Eu zombo.

Ela olha para mim, pega de surpresa pela minha ousadia, eu acho, mas ela está tentando esconder sua diversão.

— Francamente, sim.

— Pervertida — eu olho para Lexa e mordo meu lábio inferior para evitar um sorriso.

Sua boca está aberta e, agora, sua diversão é óbvia. Ela acaricia o queixo, pensativa.

— Não é possível argumentar com essa afirmação, Clarke. — Ela balança a cabeça, e seus olhos suavizam com humor.

— Eu discutiria mais com você, mas eu assinei um NDA.

Ela suspira, olhando para mim, com seus olhos escuros.

— O que eu gostaria de fazer com a sua boca inteligente, — ela murmura.

Eu suspiro, sabendo muito bem o que significa.

— Você é muito rude. — Eu tento parecer chocada e tenho sucesso.

Será que ela não tem limites?

Lexa sorri para mim, divertida, e, em seguida, franze a testa.

— Você parece muito descontraída nessas fotografias, Clarke. Eu não a vejo muitas vezes assim.

O quê? Opa! Vamos mudar de assunto nessa conversa sobre não-conclusão lógica de brincalhão a sério. Eu ruborizo e olho para os meus dedos. Ela ergue a minha cabeça, e eu inalo fortemente no contato com seus longos dedos.

— Eu quero que você relaxe comigo, — ela sussurra.

Todo traço de humor já passou. Dentro de mim essa alegria agita novamente. Mas como isto pode ser? Nós temos problemas.

— Você tem que parar de me intimidar se você quer isso, — eu disparo.

— Você tem que aprender a se comunicar e me dizer como você se sente, — Lexa dispara de volta, com os olhos em chamas.

Eu respiro fundo.

— Lexa, você me queria como uma submissa. É aí que reside o problema. É na definição de uma submissa, que mandou por e-mail para mim uma vez. — Eu paro, tentando lembrar as palavras. —Eu acho que os sinônimos eram. Eu cito,compatível, flexível, passível, passiva, resignada, paciente, dócil, mansa, suave. Eu não deveria olhar para você. Não deveria falar com você a menos que você me desse permissão para fazê-lo. O que você espera? — Eu sibilo para ela. Ela pisca, e sua carranca aprofunda enquanto eu continuo. — É muito confuso estar com você. Você não quer que eu a desafie, mas você gosta da minha ‘boca inteligente’. Você quer obediência, caso contrário, você pode me punir. Eu só não sei qual o caminho seguir quando estou com você.

Ela aperta os olhos.

— Bom ponto, como de costume, Srta. Griffin. — Sua voz é frígida. — Vem, vamos comer.

— Nós só estamos aqui a meia hora.

— Você viu as fotos, você já falou com o menino.

— Seu nome é Jasper.

— Você falou com Jasper, o homem que, a última vez que eu o vi, estava tentando empurrar a sua língua em sua boca relutante, enquanto você estava bêbada e passando mal, — Lexa rosna.

— Ele nunca me bateu, — eu cuspi nela.

Lexa fez uma cara feia para mim, a fúria emana de cada poro.

— Isso é um golpe baixo, Clarke — ela sussurra ameaçadoramente.

Eu fico passada, e Lexa passa as mãos pelos cabelos, cheia de raiva mal contida. Eu a encaro de volta.

— Eu vou levar você para comer alguma coisa. Você está desaparecendo na minha frente. Encontre o menino e diga adeus.

— Por favor, podemos ficar mais tempo?

— Não. Vamos agora. Diga adeus.

Eu a encaro, com o meu sangue fervendo. Sra. Maldito Controle Doentio. Raiva é bom. Raiva é melhor do que lágrimas.

Eu arrasto o meu olhar para longe dela e vou procurar Jasper. Ele está falando com um grupo de mulheres jovens. Eu fui em sua direção e para longe de Cinquenta. Só porque ela me trouxe aqui, eu tenho que fazer como ela diz? Quem diabos ela pensa que é?

As meninas estão penduradas em cada palavra de Jasper. Uma delas suspira quando me aproximo, sem dúvida reconhecendo-me dos retratos.

— Jasper.

— Clarke. Com licença, meninas. — Jasper sorri para elas e coloca o braço em volta de mim, e em algum nível eu estou divertida. — Você parece zangada, — ele diz.

— Eu tenho que ir, — eu murmurar teimosamente.

— Você acabou de chegar aqui.

— Eu sei, mas Lexa precisa voltar. As fotos estão fantásticas, Japer, você é muito talentoso.

Ele sorri.

— Foi muito legal vê-la.

Jasper me agarra, e me dá um abraço de urso, girando-me para que eu possa ver Lexa em toda a galeria. Ela está chateada, e eu percebo que é porque eu estou nos braços de Jasper. Assim, em uma jogada muito calculista, eu envolvo meus braços ao redor do pescoço de Jasper. Eu acho que Lexa está prestes a explodir. O seu olhar escurece a algo muito sinistro, e, lentamente, ela faz o seu caminho em direção a nós.

— Obrigada pelo aviso sobre os meus retratos, — eu murmuro.

— Merda. Desculpe, Clarke. Eu devia ter lhe contado. Você gosta deles?

— Umm... Eu não sei, — eu respondo com sinceridade, momentaneamente perco o equilíbrio por sua pergunta.

— Bem, eles foram todos vendidos, então alguém gosta deles. Viu como isso é legal? Você é uma garota-propaganda.

 Ele me abraça mais apertado ainda, enquanto Lexa chega até nós, encarando-me agora, embora, felizmente, Jasper não vê.

Jasper me libera.

— Não suma, Clarke. Oh, Srta. Woods, boa noite.

— Sr. Jordan, muito impressionante. — Lexa soa friamente educada. — Sinto muito, não podemos ficar mais tempo, mas precisamos voltar para Seattle. Clarke? — Ela salienta sutilmente e pega a minha mão enquanto faz isso.

— Adeus, Jasper. Parabéns novamente. — Dou-lhe um beijo rápido na bochecha, e antes que eu perceba Lexa me arrastar para fora do prédio.

Eu sei que ela está fervendo de ira silenciosa, mas eu também. Ela olha rapidamente para cima e para baixo da rua então vai para a esquerda e de repente, me arrasta para um beco, abruptamente me empurrando contra a parede. Ela pega meu rosto entre suas mãos, forçando-me a olhar para cima em seus olhos ardentes e determinados. Eu suspiro, e sua boca desce rapidamente. Lexa está me beijando, violentamente. Resumidamente, um confronto de dentes, em seguida, sua língua entra na minha boca. O desejo explode como um Quatro de Julho em todo meu corpo, e eu estou beijando-a de volta, com todo fervor, enterrando minhas mãos em seus cabelos, puxando-o com força. Ela geme, um som baixo e sexy, vindo do fundo de sua garganta que ecoa através de mim, e sua mão se move para baixo do meu corpo puxando para cima a minha coxa, os dedos cavando em minha carne através do vestido ameixa. Eu derramo toda a angústia e sofrimento neste beijo, vinculando-a a mim, e neste momento uma paixão cega me atinge, Lexa está fazendo o mesmo, ela sente o mesmo.

Ela interrompe o beijo, ofegante. Seus olhos estão iluminados com o desejo, acendendo meu sangue já aquecido que está batendo no meu corpo. Minha boca está perto e eu tento sugar o precioso ar em meus pulmões.

— Você. É. Minha. — ela rosna, enfatizando cada palavra.  Ela se empurra para longe de mim e se curva, com as mãos sobre os joelhos, como se  tivesse corrido uma maratona. —Pelo amor de Deus, Clarke.

Eu me inclino contra a parede, ofegante, tentando controlar a reação desenfreada no meu corpo, tentando encontrar o meu equilíbrio novamente.

— Sinto muito, — eu sussurro, uma vez minha respiração voltou.

— Você deveria sentir. Eu sei que você estava fazendo. Você quer aquele fotógrafo, Clarke? Ele, obviamente, tem sentimentos por você.

Eu ruborizo e sacudo a cabeça.

— Não. Ele é apenas um amigo.

— Passei toda a minha vida adulta tentando evitar qualquer emoção extrema. Mas você... você desperta em mim sentimentos que são completamente alheios. É muito... — Lexa franze a testa, agarrando cada palavra. —Inquietante.  Eu gosto de controle, Clarke, e perto de você ele..., — ela destaca, o seu olhar intenso —... Evapora. — Lexa acena a mão vagamente, em seguida, passa-a através de seu cabelo e dá um suspiro profundo.  Ela aperta a minha mão. — Venha, nós precisamos conversar, e você precisa comer.


 


Notas Finais


Mereço alguns comentarios? rs


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