História Fifty shades of liberty -ADAPTAÇÃO- - Capítulo 24


Escrita por: ~

Postado
Categorias The 100
Personagens Clarke Griffin, Lexa
Tags Bdsm, Clexa
Exibições 146
Palavras 5.010
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Hentai, Lemon, Orange, Romance e Novela, Saga, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Intersexualidade (G!P), Linguagem Imprópria, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Surpresaaaaaa! rs
Cheguei mais cedo e corri pra postar cap novo pra vcs.
Mais tarde volto com mais um como tinha prometido antes de viajar...

Capítulo 24 - 22


Lexa  me leva para um restaurante, pequeno e intimo.

—Este lugar vai ter que servir, — ela resmunga. —Nós não temos muito tempo.

O restaurante me parece muito bom. Cadeiras de madeira, toalhas de linho, e as paredes da mesma cor da sala de jogos de Lexa, vermelho profundo, com pequenos espelhos colocados aleatoriamente, velas brancas e pequenos vasos de rosas brancas. Ella Fitzgerald canta suavemente no fundo, What is this thing called love? Muito romântico.

O garçom nos leva a uma mesa para dois em uma pequena alcova, e eu me sento, apreensiva e imaginando o que ela vai dizer.

—Nós não temos tempo, — Lexa diz ao garçom enquanto nos sentamos. —Então, vamos querer bife de lombo de vaca mal passado, com molho béarnaise, se você tiver, batatas fritas e legumes verdes, o que o chefe tiver, e me traga a carta de vinhos.

—Certamente, senhora. — O garçom foi embora, surpreendido com a eficiência de Lexa, fria e calma.

Caramba, eu não tenho uma escolha?

—E se eu não gostar de bife?

Ela suspira.

—Não comece, Clarke.

—Eu não sou uma criança, Lexa.

—Bem, então pare de agir como uma.

Foi como se ela me desse uma tapa. Eu pisco para Lexa.

Então é assim que será, uma conversa agitada e tensa, embora estamos em um ambiente muito romântico, mas certamente sem ‘corações e flores’.

—Eu sou uma criança, porque eu não gosto de bife? — Eu murmuro tentando esconder minha dor.

—Você, deliberadamente, me fez sentir ciúmes. É uma atitude infantil. Você não tem respeito pelos sentimentos do seu amigo, agindo daquela forma? — Lexa apertou os lábios em uma linha fina e estava com cara feia quando o garçom retornou com a carta de vinhos.

Eu coro, eu não tinha pensado nisso. Pobre Jasper, eu certamente não quero encorajá-lo. De repente, eu estou mortificada. Lexa tem razão, foi uma coisa impensada o que fiz. Ela olha para a lista de vinhos.

—Você gostaria de escolher o vinho? — Pergunta ela, erguendo as sobrancelhas para mim com expectativa, a arrogância em pessoa.

Lexa sabe que eu não sei nada sobre vinhos.

—Você escolhe, — eu respondo, chateada, me sentindo castigada.

—Dois copos de Barossa Valley Shiraz, por favor.

—Er... nós só vendemos o vinho em garrafa, senhora.

—Uma garrafa então, — Lexa disparou.

—Senhora. — Ele se retirou, subjugado, e eu não o culpo.

Eu franzo o cenho para Cinquenta. O que está acontecendo com Lexa? Oh, em algum lugar nas profundezas da minha psique, a minha deusa interior, provavelmente ainda sonolenta, se alonga e sorri. Ela esteve adormecida por um tempo.

—Você está muito mal-humorada.

Ela olha para mim, impassível.

—Eu me pergunto por que será?

—Bom, seria bom escolher o tom adequado para uma discussão animada e honesta sobre o futuro, não acha?— Eu sorrio para ela docemente.

Pressiona sua boca em uma linha dura, mas depois, quase a contragosto, eleva os lábios, e eu sei que Lexa está tentando abafar o seu sorriso.

—Sinto muito, — diz ela.

—Desculpas aceitas, e tenho o prazer de informá-la que eu não estou decidida a me tornar uma vegetariana desde a última vez que comi.

—A última vez que você comeu, eu acho que isso já é um ponto discutível.

—Oh não, essa palavra de novo, discutível.

—Discutível, — sua boca e seus olhos suavizam com humor. Ela passa a mão pelos cabelos, e está séria de novo. — Clarke, a última vez que conversamos, você me deixou. Estou um pouco nervosa. Eu disse a você, eu quero você de volta, e você não disse... nada. — Seu olhar é intenso e cheio de expectativa, sua franqueza é totalmente desarmante.

O que diabos eu falo sobre isso?

—Eu senti sua falta... realmente, senti sua falta, Lexa. Os últimos dias têm sido... difíceis. — Eu engulo, e um nó na minha garganta se forma, quando eu recordo da minha desesperada angústia porque eu a deixei.

Esta última semana foi a pior da minha vida, a dor que eu senti é quase indescritível. Nada se compara com isso. Mas a realidade me atinge novamente, sinto-a me envolve.

—Nada mudou. Eu não posso ser o que você quer que eu seja. —Eu consigo exprimir estas palavras após o nó na garganta.

—Você é o do jeito que eu quero que seja, — diz ela, sua voz é suave e enfática.

—Não, Lexa, eu não sou.

—Você está chateada por causa do que aconteceu na última vez. Eu me comportei de forma estúpida, e você... bem e você. Por que não usou a palavra de segurança, Clarke? — Lexa muda o tom, tornando-se acusadora.

O quê? Nossa que mudança de direção. Eu ruborizo, piscando para ela.

—Responda-me.

—Eu não sei. Fiquei muito sobrecarregada. Eu estava tentando ser o que você queria que eu fosse, tentando lidar com a dor, e a palavra saiu da minha mente. Você sabe... Esqueci-me, — eu sussurro envergonhada, encolhendo os ombros apologetica.

Puxa, talvez pudéssemos ter evitado toda essa mágoa.

—Você se esqueceu! — Ela suspirou com horror, olhou para os lados da mesa e voltou-se para mim.

Eu murcho sob seu olhar. Merda! Ela está furiosa novamente. Minha deusa interior olha para mim, também. Veja, você é responsável por esta situação!

—Como posso confiar em você? — Diz ela, em voz baixa. —Sempre?

O garçom chega com o nosso vinho, enquanto nós estamos olhando uma para a outra, olhos azuis para verde. Nós duas estamos cheios de recriminações não ditas, enquanto o garçom retira a rolha com um floreio desnecessário e despeja um pouco de vinho no copo de Lexa. Automaticamente Lexa alcança e toma um gole.

—Isso é bom. — Sua voz é concisa.

Cautelosamente o garçom enche nossos copos, colocando a garrafa sobre a mesa antes de bater em retirada. Lexa não tirou os olhos de mim o tempo todo. Eu sou a primeira a quebrar o contato visual, pegando meu copo e tomando um grande gole. Eu mal sinto o gosto.

—Sinto muito, — eu sussurro, de repente, me sentindo estúpida.

Saí porque eu achei que éramos incompatíveis, mas ela está dizendo que eu poderia tê-la detido?

—Desculpa, por quê? —Diz ela alarmada.

—Por não usar a palavra de segurança.

Lexa fecha os olhos, como se ficasse aliviada.

—Poderíamos ter evitado todo esse sofrimento, — ela resmunga.

—Você parece bem. — Mais do que bem. Você se parece com você.

—As aparências podem ser enganosas, — diz ela calmamente. —Eu não estou nada bem. Eu sinto que o sol se pôs e não pode subir durante cinco dias, Clarke. Eu estou em uma noite perpétua.

Estou sem fôlego com a sua admissão. Oh meu Deus, como eu.

—Você disse que nunca iria embora, mas as coisas ficaram difíceis e você saiu.

—Quando eu disse que nunca iria embora?

—Em seu sono. Foi a coisa mais reconfortante que eu ouvi em muito tempo, Clarke. Isso me fez relaxar.

Meu coração aperta e eu pego o meu vinho.

—Você disse que me amava, — ela sussurra. —E agora é passado? — Sua voz é baixa, cheia de ansiedade.

—Não, Lexa, não é.

Ela olha para mim, e parece tão vulnerável quanto exala.

—Bom, — ela murmura.

Estou chocada com a sua admissão. Lexa teve uma mudança no coração. Quando eu disse a  amava, ela ficou horrorizada.

O garçom está de volta. Rapidamente ele coloca os pratos na nossa frente e vigia à distância. Santo inferno. Comida.

—Coma, — Lexa comanda.

No fundo eu sei que eu estou com fome, mas agora, meu estômago deu um nó. Sentada em frente a única pessoa que eu já amei, debatendo o nosso futuro incerto, não promove um apetite saudável. Eu olho com dúvida para minha comida.

—Que Deus me ajude, Clarke, se você não comer, eu vou botá-la nos meus joelhos, aqui neste restaurante, e isso não tem nada a ver com a minha satisfação sexual. Coma!

Jesus, se acalme Lexa. Meu subconsciente olha para mim sobre seus óculos de meia-lua. Ela está inteiramente de acordo com Cinquenta Tons.

—Ok, eu vou comer. Mantenha sua palma da mão recolhida, por favor.

Ela não sorri, mas continua a me encarar. Relutantemente eu elevo meu garfo e faca e corto a minha carne. Ah, isto está bom, de dar água na boca. Eu estou com fome, muita fome. Eu mastigo e ela relaxa visivelmente. Nós comemos o jantar em silêncio. A música mudou. Uma mulher de voz suave canta ao fundo, suas palavras ecoando em meus pensamentos. Olho para Cinquenta. Ela está comendo e me observando. Fome, desejo e ansiedade, combinados em um olhar quente.

—Você sabe quem está cantando? — Eu tento ter alguma conversa normal.

Lexa faz uma pausa e escuta.

—Não... mas ela é boa, quem quer que seja.

—Eu gosto dela também.

Finalmente, ela sorri seu sorriso particularmente enigmático. O que está planejando?

—O quê? — Eu pergunto.

Ela balança a cabeça.

—Coma, — ela diz suavemente.

Eu comi metade da comida no meu prato. E não posso comer mais nada. Como posso negociar isso?

—Não consigo mais. Eu não comi o suficiente, senhora?

Ela me olha impassível, não respondendo, em seguida, olha para o relógio.

—Estou muito cheia, — eu acrescento, tomando um gole do vinho delicioso.

—Temos que ir logo. Taylor está aqui, e você tem que ir para o trabalho no período da manhã.

—Você também.

—Eu funciono com muito menos sono do que você, Clarke. Pelo menos você comeu alguma coisa.

—Não vamos voltar no Charlie Tango?

—Não, eu pensei que eu poderia tomar um drinque. Taylor virá nos recolher. Além disso, esta é uma forma que eu tenho de estar com você no carro, só para mim por algumas horas, pelo menos. O que podemos fazer, além falar?

Oh, esse é o seu plano.

Lexa chama o garçom para pedir a conta, em seguida, pega seu Celular e faz uma chamada.

—Estamos no Le Picotin, Terceira Avenida South West. — Ela desliga.

Caramba, ela é seca por telefone.

—Você é muito rude com Taylor, de fato, com a maioria das pessoas.

—Apenas falei diretamente, Clarke.

—Você não falou diretamente está tarde. Nada mudou, Lexa.

—Tenho uma proposta para você.

—Isso tudo começou com uma proposta.

—É uma proposta diferente.

O garçom volta e Lexa lhe entrega o seu cartão de crédito, sem verificar a conta. Ela olha para mim de forma especulativa, enquanto o garçom pega o seu cartão. O telefone de Lexa vibra uma vez, e ela olha para ele. Lexa tem uma proposta? E agora? Um par de cenários percorrem a minha mente: sequestro, trabalhar para ela. Não, nada faz sentido. Lexa acaba de pagar.

—Venha. Taylor está lá fora.

Nós levantamos e ela pega a minha mão.

—Eu não quero perder você, Clarke. — Ela beija meus dedos carinhosamente, e o toque de seus lábios na minha pele ressoa por todo meu corpo.

Lá fora, o Audi está esperando. Entrando, eu afundo no couro macio. Ela vai para o lado do motorista, Taylor sai do carro e eles falam brevemente. Este não é o seu protocolo habitual. Estou curiosa. O que eles estão falando? Momentos depois, ambos entram no carro, e eu olho para Lexa que está vestindo seu rosto impassível, quando olha para frente. Permito-me um breve momento para analisar o seu divino perfil: nariz reto, lábios carnudos esculpidos, cabelo caindo deliciosamente sobre os ombros. Esta mulher divina não é, certamente, para mim. Uma música suave se infiltra na parte traseira do carro, uma peça orquestral que eu não conheço, Taylor liga o carro e o conduz para o tráfego leve, em direção à I-5 e Seattle.

Lexa se move e me encara.

—Como eu estava dizendo, Clarke, eu tenho uma proposta para você.

Olho nervosamente para Taylor.

—Taylor não pode ouvir, — tranquiliza-me Lexa.

—Como?

—Taylor, — Lexa chama.

Taylor não responde. Ela chama de novo, ainda sem resposta. Lexa se inclina e toca seu ombro. Taylor remove um protetor da orelha. Eu não tinha notado isso.

—Sim, senhora?

—Obrigada, Taylor. Tudo bem, retome a sua escuta.

—Senhora.

—Feliz agora? Ele está ouvindo seu iPod. Puccini. Esqueça que ele está aqui. Eu esqueço.

—Será que você deliberadamente pediu para ele fazer isso?

—Sim.

Oh.

—Ok, sua proposta?

Lexa se vê repentinamente determinada e metódica. Puta merda. Estamos negociando um acordo. Eu escuto com atenção.

—Deixe-me lhe perguntar algo primeiro. Você quer uma relação baunilha regular, sem nenhuma foda depravada afinal?

Minha boca cai.

—Foda depravada? — Eu chio.

—Foda depravada.

—Eu não posso acreditar que você disse isso.— Olho nervosamente para Taylor.

—Bem, eu disse. Responda-me, — Ela diz calmamente.

Eu fico passada. Minha deusa interior está de joelhos com as mãos postas em súplica, implorando.

—Eu gosto da sua foda depravada, — eu sussurro.

—Foi isso o que pensei. Então do que você não gosta?

Não ser capaz de tocá-la. Você curtindo minha dor, a batida do cinto...

—A ameaça de punição cruel e incomum.

—O que significa isso?

—Bem, você tem todos esses bastões e chicotes e outras coisas na sua sala de jogos, e eles me apavoram. Eu não quero que você use isso comigo.

—Ok, então nada de chicotes, ou bastões, ou cintos, por qualquer motivo, — ela diz sarcasticamente.

Eu olho para Lexa perplexa.

—Você está tentando redefinir os limites rígidos?

—Não como tal, eu só estou tentando entendê-la, obter uma imagem mais clara do que você gosta ou não gosta.

—Fundamentalmente, Lexa, sua alegria em me infligir dor é difícil de aguentar. E a ideia de que você vai fazer isso, por eu ter cruzado alguma linha arbitrária.

—Mas não é arbitrária, as regras estão escritas.

—Eu não quero um conjunto de regras.

—Nenhuma?

—Não, sem regras. — Eu sacudo a cabeça, mas meu coração está na minha boca.

Aonde ela quer chegar com isso?

—Mas você não se importou quando eu bati em você?

—Bateu-me com o quê?

—Isso. — Ela levanta sua mão.

Eu me contorço desconfortavelmente.

—Não, não realmente. Especialmente com aquelas bolas de prata... — Graças a Deus está escuro, meu rosto está ardendo e minha voz se extingue quando eu me lembro daquela noite.

Sim... Eu faria isso de novo.

Ela sorriu para mim.

—Sim, foi divertido.

—Mais do que divertido, — eu murmuro.

—Então, você pode lidar com alguma dor.

Eu dou de ombros.

—Sim, eu suponho.

 Oh, onde Lexa está querendo ir com isso? O meu nível de ansiedade disparou diversas magnitudes na escala Richter.

Ela acaricia o queixo, perdida em pensamentos.

—Clarke, eu quero começar de novo. Vamos começar com a baunilha e, em seguida, talvez, uma vez que você confie mais em mim, e eu confie que você possa ser honesta e se comunique comigo, poderíamos seguir em frente e fazer algumas das coisas que eu gosto de fazer.

Eu fico olhando para Lexa, atordoada, sem pensamentos na minha cabeça, em tudo semelhante a uma pane de computador. Ela olha para mim ansiosamente, mas não posso vê-la claramente, enquanto estamos envoltas na escuridão do Oregon. Isto me ocorre, finalmente, é isso. Ela quer a luz, mas posso lhe pedir para fazer isso por mim? Eu não gosto do escuro? Algum escuro, às vezes.

—Mas e sobre os castigos?

—Não há castigos. — Ela balança a cabeça. —Nenhum.

—E as regras?

—Não há regras.

—Nenhuma regra? Mas você tem necessidades.

—Eu preciso mais de você, Clarke. Estes últimos dias têm sido um purgatório. Todos os meus instintos me dizem para deixar você ir, me dizem que eu não te mereço. Essas fotos que o menino tirou... Eu posso ver como ele vê você. Você parece tão serena e bela, não que você não esteja bonita agora, mas você sentada aqui. Eu vejo sua dor. É difícil saber que eu sou a pessoa que fez você se sentir desta forma. Mas eu sou uma mulher egoísta. Eu quis você desde o momento que você entrou em meu escritório. Você é requintada, honesta, quente, forte, inteligente, sedutoramente inocente; a lista é interminável. Eu tenho respeito por você. Eu quero você, e o pensamento de alguém tê-la é como uma faca cravada em minha alma negra.

Minha boca fica seca. Puta merda. Meu subconsciente concorda com satisfação. Se isso não é uma declaração de amor, eu não sei o que é. E as palavras caem em mim, como uma barragem rompida.

—Lexa, por que você acha que tem uma alma escura? Eu nunca diria isso. Triste talvez, mas você é uma mulher boa. Eu posso ver isso... você é generosa, você é boa, e você nunca mentiu para mim. Fui eu que não me esforcei o suficiente. Sábado passado foi um choque para o meu sistema. Foi a minha chamada de despertar. Eu percebi que você facilitou as coisas para mim e que eu não poderia ser a pessoa que você queria que eu fosse. Então, depois que eu saí, me dei conta de que a dor física que você me infligiu não foi tão ruim quanto a dor de perder você. Quero agradá-la, mas é difícil.

—Você me agrada o tempo todo, — ela sussurra. —Quantas vezes eu tenho que lhe dizer isso?

—Eu nunca sei o que você está pensando. Às vezes você está tão fechada... como uma ilha. Você me intimida. E é por isso que me mantenho quieta. Eu não sei como seu humor vai variar. Ele oscila de norte a sul, em um nanosegundo. É confuso e você não me deixa tocá-la, e eu quero muito mostrar a você o quanto eu te amo.

Lexa pisca para mim na escuridão, cautelosamente eu acho, e eu não posso resistir-lhe mais. Eu desamarro meu cinto de segurança e pulo em seu colo, pegando-a de surpresa, e pego a sua cabeça em minhas mãos.

—Eu te amo, Lexa Woods. E se você está preparada para fazer tudo isso por mim. Então sou a única que não a merece, e eu acho uma pena que eu não possa fazer todas essas coisas para você. Talvez com o tempo... Eu não sei... mas sim, eu aceito sua proposta. Onde eu assino?

Ela enrola os braços em volta de mim e esmaga-me.

—Oh, Clarke — ela respira, enquanto enterra seu nariz no meu cabelo.

Nós nos sentamos, com os nossos braços em volta uma da outra, ouvindo a música de um piano suave, uma peça que espelha as emoções no carro, a calma doce e tranquila depois da tempestade. Eu me aconchego em seus braços, descansando minha cabeça na curva do seu pescoço. Ela gentilmente acaricia minhas costas.

—Tocar é um limite difícil para mim, Clarke — ela sussurra.

—Eu sei. Eu queria entender por quê.

Depois de um tempo, ela suspira, e com uma voz suave, diz.

—Eu tive uma infância terrível. Um dos cafetões da prostituta do crack... — Sua voz está desligada, e seu corpo está tenso, ela se lembra de algum horror inimaginável. — Eu me lembro disso, — ela sussurra, estremecendo.

De repente, meu coração se aperta ao lembrar das cicatrizes de queimaduras que estragam a sua pele. Oh, Lexa. Eu aperto meus braços em volta do pescoço.

—Ela era abusiva? A sua mãe? — Minha voz é baixa e suave, com lágrimas não derramadas.

—Não que eu me lembre. Ela era negligente. Ela não me protegeu do seu cafetão. — Lexa bufa. —Eu acho que fui eu quem cuidou dela. Quando ela finalmente se matou, levou quatro dias para alguém dar o alarme e nos encontrar... Lembro-me disso.

Eu não posso conter a minha exclamação de horror. Puta Merda. A bile sobe para a minha garganta.

—Isso é muito fodido, — eu sussurro.

—Cinquenta Tons, — ela murmura.

Viro a cabeça e pressiono os meus lábios contra seu pescoço, buscando e oferecendo consolo, enquanto eu a imagino, uma pequena e suja menina de olhos verdes perdida e solitária, ao lado do corpo de sua mãe morta. Oh, Lexa. Eu inspiro o cheiro dela. Lexa cheira divinamente, meu perfume favorito no mundo inteiro. Ela aperta os braços em volta de mim e beija o meu cabelo, eu sento envolta em seu abraço enquanto Taylor dirige velozmente pela noite.

Quando eu acordo, nós estamos dirigindo através de Seattle.

—Ei, — Lexa diz em voz baixa.

—Desculpe, — murmuro enquanto me sento, piscando e me alongando.

Ainda estou em seus braços, no seu colo.

—Eu poderia assistir você dormir para sempre, Clarke.

—Eu disse alguma coisa?

—Não. Estamos quase em sua casa.

Oh?

—Nós não estamos indo para a sua?

—Não.

Sento-me e olho para ela.

—Por que não?

—Porque você tem que trabalhar amanhã.

—Oh. — Eu amuo.

Ela sorri para mim.

—Por que, você tem algo em mente?

Eu ruborizo.

—Bem, talvez.

Ela ri.

—Clarke, eu não vou tocar em você de novo, não até você me implorar.

—O quê!

—Assim que você começar a se comunicar comigo. Da próxima vez que fizermos amor, você vai ter que me dizer exatamente o que você quer, nos mínimos detalhes.

—Oh.

Lexa me tira do seu colo, enquanto Taylor estaciona na frente do meu apartamento. Ela sai e mantém a porta do carro aberta para mim.

—Eu tenho algo para você. — Ela se move para a parte de trás do carro, abre a mala e pega uma caixa grande, embrulhada para presente.

Que diabo é isso?

—Abra quando você entrar.

—Você não vai entrar?

—Não, Clarke.

—Então, quando eu vou ver você?

—Amanhã.

—Meu chefe quer que eu vá tomar uma bebida com ele amanhã.

O rosto de Lexa endurece.

—Você vai? — Sua voz é amarrada com uma ameaça latente.

—É para comemorar minha primeira semana, — eu adiciono rapidamente.

—Onde?

—Eu não sei.

—Eu poderia encontrá-la lá.

—Ok... Eu vou mandar um e-mail ou texto para você.

—Bom.

Ela me leva até a porta de entrada e espera enquanto eu acho minhas chaves na minha bolsa. Quando eu abro a porta, Lexa se inclina para frente e segura o meu queixo, inclinando a minha cabeça para trás. Paira sua boca sobre a minha, e fechando os olhos, ela corre um rastro de beijos do canto do meu olho para o canto da minha boca. Um pequeno gemido escapa da minha boca, enquanto minhas entranhas derretem e desenrolam.

—Até amanhã, — ela respira.

—Boa noite, Lexa. — eu sussurro, e eu ouço a necessidade na minha voz.

Ela sorri.

—Você deve entra., — ela ordena, e eu ando pelo saguão carregando meu pacote misterioso.

—Até mais tarde, querida, — Ela fala, então se vira com graça, regressando para o carro.

Uma vez no apartamento, eu abro a caixa de presente e encontro o meu computador portátil MacBook Pro, o iphone, e outra caixa retangular. O que é isso? Eu desembrulho o papel de prata. Dentro está um fino estojo de couro preto. Abrindo o estojo, eu acho um iPad. Puta merda... um iPad. Um cartão branco está descansando na tela com uma mensagem escrita com a caligrafia de Lexa:

 

Clarke - Isto é para você.

Eu sei o que você quer ouvir.

A música aqui diz isso para mim.

Lexa

 

Merda. Eu tenho um  mix-tape Lexa Woods sob o disfarce de um iPad de alta tecnologia. Sacudo a cabeça em desaprovação por causa da despesa, mas no fundo eu adoro isso.

Eu o ligo e ofego como a imagem do papel de parede que aparece: um planador de modelo pequeno. Oh meu Deus. É o Blanik L23 que eu dei a ela, montado em um suporte de vidro no seu escritório. Eu fico pasma. Ela montou! Lexa realmente o montou. Agora me lembro que ela mencionou na nota com as flores. Estou tremula, eu sei que ela colocou uma grande quantidade de pensamento para preparar este presente. Eu deslizo a seta na parte inferior da tela para destravá-lo e suspiro novamente. A fotografia de fundo é de Lexa e eu na minha formatura, na marquise. É aquela que apareceu no Seattle Times. Lexa está tão boniao e eu não ajudá-la com meu sorriso entediante, enquanto isso minha deusa interior se enrola, se abraçando em sua espreguiçadeira. Sim, e ela é minha! Com um toque de meu dedo, a mudança de ícones, e vários novos aparecem na tela seguinte. Um aplicativo Kindle, iBooks, Words, seja lá o que for. Puta merda! A Biblioteca Britânica? Eu toco no ícone e um menu aparece: acervo histórico. Rolando para baixo, eu seleciono romances do século 18 e 19. Outro menu. Eu toque em um título: O AMERICANO de HENRY JAMES. Uma nova janela se abre, oferecendo-me uma cópia digitalizada do livro para ler. Caramba, é a primeira edição, publicada em 1879, e está no meu iPad! Lexa me comprou a British Library com um simples toque de botão. Eu saio rapidamente, sabendo que eu poderia ficar perdida neste aplicativo para toda a eternidade. Eu percebo uma “boa comida”, um aplicativo que me faz revirar os olhos e sorrio ao mesmo tempo, um aplicativo de notícias, um aplicativo de tempo, mas seu bilhete se refere a música. Eu volto para a tela principal, aperto o ícone de musica e uma lista é exibida. Eu percorro as músicas, a lista me faz sorrir. Thomas Tallis. Eu não vou esquecer tão rápido. Eu a ouvi duas vezes, depois de tudo, enquanto Lexa me açoitava e depois me fodia.

— Witchcraft. — Meu sorriso se alarga, dançando em volta da grande sala.

A peça de Marcello Bach, oh não, isso é muito melancólico para mim agora. Hmm. Jeff Buckley, sim, eu ouvi falar sobre ele. Snow Patrol - minha banda favorita, e uma música chamada “Principles of Lust”, de Enigma. Como Lexa. Eu sorrio. Outra chamada de “Possession”... oh sim, muito Cinquenta Tons. E outras canções que eu nunca ouvi falar. Selecionando uma música que me chama a atenção, eu pressiono o play. “Try”, com Nellie Furtado. Ela começa a cantar, e sua voz é um invólucro de lenço de seda em volta de mim, envolvendo-me. Eu me deito na cama. Isso significa que Lexa vai tentar? Tentar esta nova relação? Eu bebo a letra da musica, olhando para o teto, tentando entender o seu retorno. Lexa sentiu a minha falta. Eu senti a falta dela. Ela deve ter algum sentimento por mim. Ela deve. Este iPad, essas músicas, esses aplicativos, Lexa se importa. Ela realmente se importa. Meu coração se regozija com a esperança. A música acaba e lágrimas pulam dos meus olhos. Eu rapidamente me deslocar para outra “The Scientist”, do Coldplay, uma das bandas favoritas de Octavia. Eu conheço a música, mas eu nunca realmente ouvi a letra antes. Eu fecho meus olhos e deixo que as palavras lavem sobre e através de mim. Minhas lágrimas começam a fluir. Eu não posso conte-las. Se isto não é um pedido de desculpas, o que é? Oh, Lexa. Ou isso é um convite? Será que ela vai responder às minhas perguntas? Estou lendo muito para isso? Provavelmente estou lendo muito sobre isso. Meu subconsciente me acena com a cabeça, tentando esconder a sua pena. Eu limpo as minhas lágrimas. Tenho que mandar um e-mail para ela e agradecer. Eu pulo para fora da minha cama para ir buscar o laptop. O Coldplay continua, enquanto eu sento de pernas cruzadas na minha cama. Eu ligo o Mac e dou o log in.


 

Xxxxxxxxxx


 

De: Clarke Griffin

Assunto: IPAD

Data: 09 de junho de 2016 23:56

Para: Lexa Woods

Você me fez chorar mais uma vez.

Eu amei o iPad.

Eu amei as musicas.

Eu amei os aplicativos da Biblioteca Britânica.

Eu te amo.

Obrigada.

Boa noite.

Clarke xx


 

Xxxxxxxxxx

 

De: Lexa Woods

Assunto: iPad

Data: 10 junho de 2016 00:03

Para: Clarke Griffin

Estou feliz que você tenha gostado. Eu comprei um para mim também.

Agora, se eu estivesse ai, eu iria beijar a suas lagrimas. Mas não estou, então vá dormir.

Lexa Woods

CEO, Woods Participações e Empreendimentos Inc.


 

Xxxxxxxxxx

 

Sua resposta me faz sorrir, ainda tão mandona, ainda tão Lexa. Será que ela vai mudar, também? E eu percebo, nesse momento, que eu espero que não. Eu gosto dela como é, autoritária, contanto que eu possa enfrentá-la sem medo de punição.


 

Xxxxxxxxxx

 

De: Clarke Griffin

Assunto: Srta. Mal-humorada

Data: 10 junho de 2016 00:07

Para: Lexa Woods

Você parece estar no seu estado natural  mandona e possivelmente tensa, possivelmente mal-humorada, Srta. Woods. Eu sei de algo que poderia melhorar isso. Mas então, você não está aqui, você não quis ficar, e você ainda espera que eu implore...

Siga sonhando, senhora.

Clarke xx

PS: Eu notei que você incluiu o hino do perseguidor. “Every Breath You Take” do The Police. Eu aprecio o seu senso de humor, mas o Dr. Flynn o conhece?


 

Xxxxxxxxxx

 

De: Lexa Woods

Assunto: Zen-como calma

Data: 10 junho de 2016 00.10

Para: Clarke Griffin

Minha Querida Senhorita Griffin

Espancamentos ocorrem nas relações baunilha, também, você sabe. Normalmente, consensualmente e num contexto sexual... mas eu estou mais do que feliz em fazer uma exceção.

Você ficará aliviada ao saber que o Dr. Flynn também gosta do meu senso de humor. Agora, por favor, vá dormir já que você não

vai ter muito tempo amanhã.

A propósito, você vai implorar, confie em mim. Eu estarei esperando por isso.

Lexa Woods

CEO, Woods Participações e Empreendimentos Inc.


 

Xxxxxxxxxx

 

De: Clarke Griffin

Assunto: Boa noite, Doces Sonhos

Data: 10 junho de 2016 00:12

Para: Lexa Woods

Bem, desde que você me peça gentilmente, e eu gosto da sua ameaça deliciosa, eu me enrolei com o iPad que tão gentilmente você me deu e adormeço navegando na Biblioteca Britânica, ouvindo a música que você colocou.

C. xxx


 

Xxxxxxxxxx

 

De: Lexa Woods

Assunto: Mais um pedido

Data: 10 junho de 2016 00:15

Para: Clarke Griffin

Sonhe comigo.

X

Lexa Woods

CEO, Woods Participações e Empreendimentos Inc.


 

Xxxxxxxxxx

 

Sonhar com você, Lexa Woods? Sempre.

Eu visto rapidamente o pijama, escovo os dentes, e caio na cama. Coloco meus fones, eu puxo o balão achatado do Charlie Tango de debaixo do meu travesseiro e o abraço. Estou transbordando de alegria, um estúpido sorriso de boca larga não deixa o meu rosto. Que diferença um dia pode fazer. Como é que eu vou dormir? José Gonzalez começa a cantar uma melodia suave, com um solo de guitarra hipnótico, e eu derivo lentamente para o sono, maravilhando-me como o mundo se endireitou em uma noite e imaginando preguiçosamente se eu deveria fazer uma lista de musicas para Lexa.

 


Notas Finais


Foi bem do jeitinho de Lexa essa reconciliação, mas foi fofo ne?! <3
Me diagam o que acharam, por favooooor... rs


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