História Filha dos Dragões - Capítulo 40


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Palavras 1.342
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Aventura, Fantasia, Luta, Magia, Romance e Novela, Saga
Avisos: Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 40 - Sem Repouso


A CHUVA havia passado, deixando para trás apenas um ar úmido com pequenas gotículas de água que ainda insistiam em cair do céu. O tempo ainda permanecia escuro, relâmpagos e trovões hora ou outra ainda marcavam sua presença fazendo companhia ao casal Silky e Ariel juntamente de Noite.

Depois de um tempo voando de um lado para o outro explodindo chamas para chamar a atenção de Ylle até ali, Noite pousou ficando ao lado do casal. Vez ou outra enviava uma chama para o alto.

Silky e Ariel sentados sobre a relva debaixo de uma árvore aguardavam notícias de Ylle, que parecia ter esquecido o que Ariel tinha falado com ele. A espera deixava Silky aflita, sua impaciência crescia aos poucos e ela se agarrava aos joelhos abraçando-os contra o peito. Seu olhar estava longe, perdido em um ponto que somente ela via.

Ariel não podia fazer nada além de companhia para ela ali naquele momento, sentado ao lado dela permaneceu abraçado com ela tentando confortá-la.

— Ele está bem. Não se preocupe. — Ariel disse encostando sua cabeça contra a de Silky.

— Quero acreditar nisso Ariel. — Silky respirou fundo. — Depois de tanto tempo, tantas perguntas que eu quero fazer. Ele fez uma promessa, não cumpriu, mas Teberon disse que ele havia voltado para me visitar e depois nunca mais. Será que ele esqueceu de mim?

— Não. — Ariel falou de imediato. — Ele estava te esperando esse tempo todo. Quando eu o vi, ele se emocionou ao saber que você estava perto.

Silky respirou fundo e o silêncio ficou no ar. De onde Ariel estava, pôde ver o corpo do soldado que Kalel tinha derrubado para salvar ele.

— Irônico. — Ariel disse ainda olhando o soldado caído ao longe.

— O que foi? — Silky levantou o olhar para Ariel e logo olhou na direção que ele olhava.

— Kalel ter me ajudado. Ele podia ter simplesmente acabado comigo e ninguém nunca saberia.

— Não fale isso. — Silky o repreendeu, mas com carinho.

— Ele foi honrado. Cumpriu a palavra dele de lealdade com você. Ele me ajudou porque não queria te ver sofrer ainda mais. Ele gosta de você a ponto de fazer coisas que ele não queria.

— Ele é uma boa pessoa, vocês que nunca se entenderam. Pensei que ele se afastaria de mim depois que falei que só o enxergava como um amigo.

— Por que fala isso?

— Porque nesse dia ele sumiu e eu não o vi. Achei que ele tinha me abandonado, mas apareceu como se nada tivesse acontecido. Fiquei muito feliz.

— Realmente ele me disse que tinha tirado um dia para pensar nisso.... Sobre me dar essa chance. Pediu que eu não o decepcionasse e que provasse a ele que seria digno do que ele fez.

Supressa Silky pensou em Kalel. Ele deveria estar mal com isso tudo e ela nem tinha agradecido ele por isso ainda. Mal percebeu quando ele saiu de perto.

— Eu nem o agradeci. Nem o vi sair de perto da gente. — Silky comentou e Noite rugiu para ela. — Você viu, Noite?

Noite assentiu, Silky deu um sorriso. Logo lembrou que foi no momento que Ariel tinha a beijado e Kalel ficando ali não seria conveniente para ele que gostava dela. Sorriu para ela mesmo, queria agradecer Kalel, mas estava longe. Tinha que esperar seu tio, deixaria para agradecer assim que pudesse. Ela devia isso a Kalel.

— Como me acharam aqui? — Ariel perguntou curioso, Silky apenas riu e quem respondeu foi Noite. Olhando para Ariel deu um leve rugido amigável.

— Você.... Mas como? — Ariel perguntou apontando para Noite. — Você me surpreende sempre, amigo.

— Ele sentiu seu cheiro e do seu sangue. Sabia até que você estava machucado, então me buscou para ir até você o mais rápido que pude.

A lembrança do pesadelo, a imagem de Ariel de joelhos e Kalel em sua frente veio em sua mente. Tudo parecia conspirar a favor, o que tinha deixado ela desesperada.

— Entendo.... — Ariel respondeu olhando para Silky.

— Eu fiquei com medo de te perder de novo, só que dessa vez para sempre.

— Eu nunca mais vou embora. Eu não quero te perder. Quero ter você comigo para sempre. — Ariel puxou Silky e deu um beijo de leve em seu rosto. Ambos sorriram.

Silky soltou os joelhos, entrelaçou o braço direito de Ariel e deitou em seu ombro. Era um conforto que ela tinha ali, fazia ela tão bem depois de tudo que ela tinha passado. Nunca se imaginou daquela forma, sentir-se tão segura na presença de alguém que havia ensinado ela a tantas coisas. Desde a manusear uma espada até despertar um sentimento que ela não sabia explicar, mas era bom em sentir. Sensações diferentes, mas de uma forma ou de outra estavam ligadas.

Noite estava parado em frente aos dois. Permanecia olhando para Silky, aqueles olhos vermelhos que guardavam um objeto precioso e que ninguém tocaria. Como se quisesse dividir a angustia de Silky com ele, Noite se aproximou colocando a cabeça bem devagar no colo de Silky. Passou a receber carinho da mesma forma no dia em que ela resolveu sair do vale.

Noite já estava melhor, seu corpo negro escamado já estava limpo com a chuva, brilhava com os reflexos dos relâmpagos revelando ainda as poucas flechas que insistiram permanecer grudadas em seu corpo.

— Eu vou ver meu tio, Noite. — Silky falou ao amigo.

Como resposta, Noite deu um leve rugido, tão baixo que mal Silky poderia ouvir.

— Meu tio.... — Silky falou baixinho, ainda olhando um ponto fixo. — Tão perto. Tão longe.

Noite se moveu bruscamente saindo do colo de Silky. Sabia que alguém se aproximava.

— Acho que nem tão longe assim. — Ariel falou.

Silky olhou para Ariel, ele apontou para longe ao perceber que ela olhou para ele. Seguindo a direção que Ariel apontou, o coração de Silky bateu mais forte e em um leve movimento para tentar ver melhor, Noite se levantou olhando também na direção em que duas sombras caminhavam devagar na direção deles.

— É ele? — Silky perguntou já emocionada.

Ariel estreitou os olhos, procurando reconhecer as roupas de Ylle e de Saron. Não demorou e eles foram reconhecidos. Com um grande sorriso no rosto, Ariel levantou o braço esquerdo e disse.

— São eles.

♘ ♕ ♞

— Porque demoram tanto? — Dia reclamou de tanto esperar por Silky, Ariel e Noite.

— Será que aconteceu algo? — Ayú perguntou.

— Duvido. — Kalel se prontificou acalmando a todos. — Noite está com eles e não vai deixar acontecer nada aos dois.

— Vai atrás deles, Dia. Você pode chegar rápido voando. — Caleb sugeriu. — Você parece ansiosa.

— Eu até queria jovem, mas estou aqui representando Silky a todos os rebeles. Não quero que pensem que ela os abandonou, já que ela é a causa disso tudo.

— Dia tem razão. — Kalel concordou. — Não vamos nos preocupar. Existe um motivo para tudo. — Kalel lembrou de Ariel, o porque ele poderia ter feito o que tinha feito e agora queria voltar atrás. — Sempre existe um motivo.

No acampamento montado as pressas todos os feridos eram medicados. Rebeldes vigiavam os prisioneiros, outros vigiavam os arredores com medo de um ataque surpresa enquanto Kalel passava por eles em direção onde estava Kamire.

Chegando ao local onde estava uma tenda, abriu a cortina e adentrou. Lá encontrou cinco rebeldes deitados ou sentados sendo atendidos por Kamire. Pernas, braços, tórax e cabeça machucados. Cada rebelde com um problema diferente. Kalel varreu o ambiente com os olhos sérios e parou e Mira.

— Como está? — Kalel se aproximou dela perguntando.

— Melhor. Ela passou alguma coisa aqui que tirou a dor, não sinto mais nada. — Mira respondeu fazendo movimento com a cabeça para Kamire.

— Pomada de ervas. É anestésico e cicatrizante. — Kamire sorriu e se abaixou para ver o ferimento de um rebelde que ela limpava.

— Ótimo. Quando Silky voltar continuaremos. — Kalel se preparava para sair da tenda.

— Sem repouso? — Kamire perguntou

— Sem repouso. — Kalel respondeu e saiu.

Kalel não viu, muito menos Kamire ou qualquer rebelde sendo atendido ali, mas assim que Kalel virou de costas, Mira deu um sorriso bobo da forma que ele havia entrado na tenda só para ver com ela estava.



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