História Filha dos Dragões - Capítulo 41


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Palavras 1.517
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Aventura, Fantasia, Luta, Magia, Romance e Novela, Saga
Avisos: Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 41 - Família Quase Reunida


QUANTOS anos haviam se passado desde que ele havia voltado e visto ela pela última vez? Ylle não sabia responder. Sofreu tanto nas mãos do rei Marcus que o tempo se tornou seu verdadeiro inimigo, mas ele queria rever aquela garotinha de volta, aquele o qual ele deixou para trás treze anos atrás para que cuidassem dela.

Ele prometeu voltar, ela chorou desesperada por ficar sozinha naquele lugar desconhecido e assustador, repleto de criaturas ao qual ela se sentia amedrontada. Era a melhor escolha, a escolha de um favor retribuído para que um dia ela retornasse para casa.

"— Não precisa chorar, tudo bem?

Ylle pediu para sua pequena sobrinha, mas eram apenas palavras de conforto e que ele sabia que ela não seguiria. Qual criança não choraria sendo deixada para trás sem explicação? E que explicação ela poderia receber com apenas cinco anos?

"— Eu vou voltar, Silky...."

Mais palavras de conforto para uma garotinha, mas era um sentimento genuíno de tristeza de quem falava chorando. Uma promessa que não foi cumprida, pois não teve chances.

Por mais que eles estivessem longe por tanto, Ylle e Silky, tio e sobrinha, ele simplesmente manteve o sentimento vivo de que queria vê-la de novo, nem que esperasse até o último dia de sua vida. Guardaria o segredo da sua existência para um dia poder revê-la.

O que ele não sabia é que ela havia cultivado o mesmo sentimento, mas não era de família, era de amizade. Ylle foi a única pessoa que ela conheceu, a única pessoa como ela.

Movida pela vontade de conhecer o mundo e conhecer novos horizontes, deixou para trás uma família incomum — Dragões —, mas seguiu com dois deles o qual eram como pai e mãe que ela não teve. Não só conhecer o mundo, queria encontrar Ylle. O mundo era grande o suficiente para escondê-lo dela? Era, mas ela buscaria se fosse preciso. Viveria para isso.

Tanto tempo depois ali estava ele, diante dela caminhando em sua direção.

— Tio Ylle? — Silky levantou e perguntou baixinho já tomada por lágrimas de emoção.

A vontade de correr até ele era grande, mas o medo e a incerteza mantiveram seus passos curtos e lentos. O mesmo acontecia com Ylle que caminhava em sua direção, com olhos brilhantes molhados por lágrimas de emoção. Parecia não acreditar que era verdade.

— Silky? Siii-Silky? — Ylle falava com dificuldades entre choro e soluço.

Estavam tão próximos agora, de frente um para o outro. Ele a olhou de cima em baixo. Como ela tinha crescido, como se tornou uma jovem bonita com lindos cabelos brancos tanto como sua pele. Seus olhos de vermelho intenso choravam, da mesma forma como treze anos atrás. Era ela, tinha certeza e seu coração que batia acelerado confirmava isso.

Silky analisou seu tio, havia mudado bastante do que se lembrara. Não usava mais a armadura bonita de costume, barbas e cabelos estavam bem maiores e descuidado, informando a ela que ele também não estava bem como outros de sua raça. Outros pales assim como ela, mas além de ser como ela, ele tinha algo a mais, algo mais forte que ela só descobriu com Dia e Noite. Família.

O espaço entre os dois se tornou mais curto. Curto o suficiente para Silky se lançar em um abraço apertado contra Ylle. Ele era alto, como ela lembrava, seu corpo era tão pequeno perto dele que ela se sentiu um nada. Lágrimas caíram com mais intensidade do que nunca, dos dois lados, de corações que não se aguentaram ao reencontro.

— Que saudades, Silky! Que saudadess.... — Ylle dizia com dificuldade.

— Yl.. T.. Saud-a-a-d... — Silky se perdeu. As palavras sumiram de sua boca e ela aceitou que não conseguia falar.

Pela primeira vez ela estava dominada pela emoção.

Ficaram abraçados por um longo tempo, era como aquele abraço fosse compensar tanto tempo longe. Nesse meio tempo Ariel já estava de pé ao lado de Saron e ambos olhavam curiosos aquela cena tão linda sem desviar o olhar.

Noite, o fiel amigo e protetor de Silky sabia o que ela tinha passado, sabia que ela estava procurando ele e com um gesto que cortou o coração de todos ali, ele se aproximou dos dois e queria dividir com Silky e Ylle o carinho que sentia pelos dois. Não suportou ver a amiga tão emocionada apenas olhando e toda sua valentia e coragem se foram, dando espaço para um Noite que emitia sons de emoção.

Silky largou Ylle e abraçou Noite enquanto ele recebia carinho de Ylle. A última vez que Ylle o viu, ele era tão pequeno, ainda um filhotinho.

— V-você está chorando-o, Noite?! — Silky perguntou emocionada e a resposta foi um Noite afirmando a sua pergunta.

Silky riu encantada ficando dividida entre a emoção de ver Ylle e a felicidade de ver um Noite que ela não conhecia, um Noite que também ficou emocionado com ela naquele momento.

Uma família quase reunida, só faltava Dia que esperava por eles ansiosa.

Ariel ao lado de Saron parecia não acreditar no que via. O tão poderoso Noite enfraqueceu perto de Silky, da mesma forma que ele ficava fraco longe de Dia. Esperam por um bom tempo aquele reencontro entre Ylle, Silky e agora Noite e só então partiram para onde os rebeldes estavam.

♘ ♕ ♞

No acampamento de frente para os portões da cidade, Dia permanecia sentada esperando enquanto olhava na direção por onde eles certamente viriam. Nunca havia se sentido tão ansiosa. Ela queria saber como Silky estava, como Ariel estava e também como Noite estava.

Viu sua menina chorar por Ariel e depois de muita complicação eles se viram. Ela queria saber de tudo o que tinha acontecido, por mais que Kalel tivesse contado a ela como foi, ela queria ouvir e ver Silky falando. Para ela era diferente, tinha um significado diferente olhar nos olhos daquela menina.

Assim como Dia aguardava, todos também aguardavam a chegada deles, pois era o aviso de que logo entrariam na cidade para reivindicar o trono que era de Silky. Faltava tão pouco.

Kalel solicitou que os rebeldes estivessem prontos e alinhados para sair, porque mesmo se demorassem, a posição de ataque intimidaria qualquer tentativa do inimigo se aproximar.

Mira havia insistido para ir junto, mas Kalel não deixou.

— Eu vou também. — Mira bravejou.

— Você vai ficar quietinha aqui.

— Por quê?

— Por quê? — Kalel falou rindo e jogou a espada para ela segurar. — Segura isso.

Mira ergueu a mão para segurar a espada, mas assim que a pegou teve dificuldades pela dor nos cortes nos braços e na barriga. Deixou a espada cair no chão e gemeu de dor.

— Só por isso. — Kalel pegou a espada no chão e se levantou.

Com delicadeza, ajudou Mira se sentar enquanto ela olhava perdida. Ele tinha provado para ela que ela não estava em condições, o que a deixou triste, uma vez que ela era uma grande guerreira, mas estaria de fora.

— Também é porque quem está lá são seus homens, seus soldados. Por mais que a causa seja da Silky, é porque você está aqui que eles lutam. Eles precisam de você viva e do jeito que você está, mal conseguiria morrer se defendendo.

Palavras pesadas de Kalel, mas que eram verdades e ela reconheceu isso.

— Você tem razão.

— Agora fique aí descansando. Temos Noite e Dia e eles são de grande ajuda. Mesmo que perdemos alguns homens hoje, foi um número pequeno se não tivéssemos a ajuda deles. — Kalel sorriu, como se tentasse diminuir o efeito as palavras fortes e logo se virou para sair.

— Kalel! — Mira o chamou antes que ele saísse da tenda e ele de canto de olho para trás. — Obrigada. Você é um grande homem.

Kalel manteve o sorriso no rosto em agradecimento saindo da tenda logo em seguida.

Do lado de fora, Kalel paro ao lado de Dia que ainda olhava na direção onde Silky estava.

— Obrigada por estar aqui Kalel. — Dia agradeceu sabendo que ele estava ao lado dela.

— Eu que agradeço vocês por me salvarem. Considere o pouco que faço uma forma de retribuição pelo muito que fizeram por mim e por toda nossa gente.

Dia riu e Kalel sorriu com isso. Ambos permaneceram olhando ao longe, no escuro, esperando qualquer sinal de vida e nada.

Já era hora de muitos dormirem, e os primeiros rebeldes foram alterando entre eles. Ayú, Caleb, Kamire e vários outros se revezavam entre si para manter o olho nos feridos. Dia havia insistido para que Kalel descansasse e ela ficaria esperando. Teimoso, ele ficou ao lado dela esperando e não esperaram em vão.

Demorou, mas depois de algumas horas finalmente Dia reconheceu Noite voando devagar na direção deles. Ela também viu que ele não estava sozinho, porque montado sobre ele estava Silky e logo atrás Ariel. Além deles, mais dois que ela não conhecia.

Ela olhou para Kalel que acenou com um movimento de cabeça e sem pensar duas vezes partiu na direção deles correndo passando no acampamento entre as tendas chegando a uma área aberta que Noite pousaria. Além de Dia, curiosos entusiastas que viram a cena se dirigiram ao local.



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