História Filho da Lua - Capítulo 3


Escrita por: ~

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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, V
Tags Jimin Tritão, Mermaid, Sobrenatural, Vmin
Visualizações 134
Palavras 4.358
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Fantasia, Ficção, Fluffy, Magia, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Sobrenatural, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Homossexualidade, Pansexualidade
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


vejam o que temos aqui, uma mentirosa rsrs
eu disse que em quinze dias atualizaria, mas, atrasei. O problema é que toda escritora passa por bloqueio, tem o lance da falta de incentivo, e a gente fica depressiva. Pra completar o pacote sofrimento, ainda tenho estudado feito uma escrava pra o enem, por isso a demora.
O capítulo ficou do jeitinho que eu queria, e pra ser sincera, tô muito satisfeita com ele. A estória teve o enredo mudado, e esse é o capítulo que tira algumas das dúvidas de vocês (e do nosso Taetae tb), então, prestem atenção nas entrelinhas rs
Boa leitura, peixinhos!

Capítulo 3 - Aquele que contraria as regras


O termômetro debaixo de seu braço direito marcava 39º graus de febre – Taehyung estava com o nariz congestionado e sentia dor por todo o corpo. Estava confortavelmente deitado sobre a cama, esperando que seu pai preparasse o jantar – estaria mentindo se alegasse estar ansioso para comer a sopa cheia de vegetais que seria obrigado a ingerir. Já havia perdido a conta de quantos remédios havia tomado – o último, para garganta, começava a fazer efeito agora.

Ainda não conseguia se lembrar de como havia conseguido voltar para casa, em sua cabeça, os acontecimentos da noite em que se afogara lhe passavam como um borrão. Só conseguia sentir o corpo quente e dores em todos os ossos existentes em seu corpo – e das broncas que levara do velho Kim. A única coisa que tinha certeza – e que era assustador para sua mente tão cética – fora o fato de ter sido salvo por um tritão. Lembrava-se da voz aveludada, do sorriso bonito e dos cabelos vermelhos – além da cauda comprida e bonita. Desistira de colocar a culpa na quantidade absurda de água que havia engolido, e até mesmo na rocha a qual bateu com a cabeça, de fato, havia visto um ser mitológico que em sua cabeça não passava de uma lenda antiga.

Jimin”. – Sibilou o nome do atual motivo de suas dores de cabeça, encarando o teto de seu quarto. O sorriso do ruivo que lhe salvara rondava sua mente a cada piscar de olhos – e enquanto dormia sonhava com a voz bonita cantando para si novamente. Podia estar ficando louco – e tinha certeza que caso verbalizasse isso, o julgariam como um – mas nada que dissessem tiraria de sua cabeça o fato de ter sido salvo por um ser do mar.

Haviam se passado três dias desde o afogamento, e só lembrava-se de aparecer na porta de casa sendo carregado pelo pai de Hoseok – que o encontrara deitado na costa, coberto por mantas grossas e um curativo no local machucado. Seu pai não fizera perguntas sobre o porquê de ter se enfiado no mar durante uma tempestade, apenas o acolhera e começara a tratar do filho adoentado – vez ou outra reclamando por Taehyung ser inconsequente e deixa-lo preocupado. Jung o visitou claramente desesperado e foi o único a abarrota-lo de perguntas – que obviamente não foram respondidas – passando todos os dias na casa do mais novo após o período escolar.

O Kim só estava confuso com os acontecimentos – ainda embaralhados em sua cabeça – não havia tido tempo, nem força de vontade, para fazer uma pesquisa sobre isso. Duvidava que fosse encontrar algo na internet sobre tritões que salvam adolescentes de afogamentos após um ataque de pânico, mas tinha certeza que pelo menos tiraria algumas dúvidas – ou teria de procurar o próprio homem-peixe para isso. Enrolado na cama pequena – e quente – o loiro retirou o termômetro, colocando-o na mesinha ao lado da cama. Mesmo levantando-se apenas para tomar banho sentia seu corpo dormente e cansado – ignorava todas as mensagens do melhor amigo para que pelo menos escrevesse algo no caderno.

Afundou o rosto no travesseiro, bagunçando os próprios cabelos, tentando organizar os próprios pensamentos. Não queria falar sobre o acontecimento com Hoseok, sabia que o moreno ficaria eufórico e sairia a procura do tal tritão ruivo – o que acarretaria em muita dor de cabeça, pois sabia que o Jung não cansaria até achar, e provavelmente espalharia para a cidade toda. Seu pai – como o bom pescador que era – faria uma jornada atrás da lenda mitológica, tentando achar o tritão pelos mares a fora. Sabia que se Jimin aparecera para si, era algum sinal. Não é como se todas as pessoas fossem salvas diariamente por seres do mar, por trás da aparição do ruivo, deveria ter alguma explicação lógica – ou talvez tudo não passasse de um grande mal-entendido, e estivesse louco.

Ouviu batidas na porta do quarto, e logo os olhos cansados se dirigiram a entrada, encontrando os cabelos castanhos de seu hyung. Hoseok carregava a mochila preta nas costas e alguns livros nas mãos – os óculos de grau preso ao rosto fino. O sorriso radiante não deixava os lábios finos do menor, que já adentrava o quarto pequeno do melhor amigo. Jogou os pertences na porta, arrastando os pés – cobertos apenas pelas meias – até a cama do rapaz – onde de forma despojada jogou-se sobre o corpo do Kim.

Hoseok era uma pessoa cheia de contato físico, por isso o mais novo não reclamava – havia desistido disso. Murmurou algumas palavras para que o menor saísse de cima de si, e logo Hoseok rolava até parar ao seu lado na cama, embrenhando os dedos compridos nos fios descoloridos do mais novo.

“Beijei o Namjoon hoje”. – Os olhos pequenos do anfitrião arregalaram-se com as palavras de seu hyung, e em um rompante virou-se para o menor, encarando o sorrisinho nos lábios do acastanhado. Ambos começaram a rir quando o mais novo deixara um tapa estalado no braço do outro, o que desencadeou uma conversa sobre o dia corrido do Jung – incluindo o beijo que dera no presidente do conselho estudantil do colégio – e as matérias que havia estudado durante o dia. Taehyung chegou a esquecer do ruivo que atualmente morava em seus pensamentos, deixando de lado a vontade de vê-lo novamente.

 

Estava tentando manter o corpo dolorido sobre a cadeira, mas seus ossos protestavam, exigindo o colchão macio e os cobertores fofinhos. A tela de seu computador iluminava boa parte do cômodo – as luzes apagadas exigiam que forçasse os olhos a apertar as teclas corretas, mas os erros de digitação eram inevitáveis. Taehyung mantinha a porta bem trancada para que seu progenitor não invadisse o quarto pequeno e o obrigasse a sair da frente da máquina – sabia que estava sendo imprudente e que mais tarde sentiria os efeitos de sua pequena façanha, mas estava pronto para lidar com as consequências, ou pelo menos queria acreditar nisso.

Em sua cabeça, a única forma de achar resposta era pesquisando sobre. Estava em frente ao monitor há pelo menos duas horas e tudo o que encontrava não passava de bobagem aos seus olhos criteriosos. Lera páginas de livros antigos, e entrara em fóruns que jamais passara pela sua cabeça de participar. Estava desesperado por respostas e ao mesmo tempo com medo de descobrir toda a verdade – rezava para estar ficando louco e não ter que lidar com todas as lendas que escutara a vida toda, comprando serem verídicas bem diante de seus olhos.

As chuvas na pequena cidade haviam cessado por um tempo, e todos os pescadores voltaram as tarefas – inclusive seu pai – ficando na supervisão do jovem Jung. Tivera que se livrar do amigo, caso quisesse se aprofundar nas pesquisas sem um Hoseok xereta do lado – inventando mil desculpas para que o mais velho não dormisse ali. Adorava o rapaz e gostava de ouvir todas as histórias sem pé nem cabeça que o outro lhe contava, mas precisava pensar e quanto a esse assunto, esperava que pudesse o fazê-lo sozinho. Seus dedos compridos digitavam com agilidade – tentando ao mesmo tempo não fazer barulho para que o Kim mais velho não acordasse – fazendo perguntas nos fóruns e conversando com pessoas que contavam suas histórias e de como encontraram sereias – todas elas, mulheres. Procurava também saber sobre os tritões, pesquisando toda a mitologia – nunca se dedicara tanto a um assunto, nem mesmo em sala de aula.

Encostou-se a cadeira forrada, batucando os dígitos na perna – estava cansado e por enquanto sem resposta alguma. Podia simplesmente apagar de sua memória e fingir que nada passara de uma alucinação de sua cabeça, afinal, estava tonto, com os pulmões cheios de água e um corte na cabeça. Mas algo dentro de si não permitia esquecer do sorriso bonito e da voz melodiosa do tritão. Queria saber mais sobre o mesmo e, quem sabe, encontra-lo de novo, dessa vez lúcido e não em meio a um ataque de pânico.

O rapaz – ou homem peixe – havia o ajudado e ainda cuidara de si, como e por que ainda lhe eram um mistério. Tinha esquecido de como acabara dormindo, mesmo molhado e sangrando, mas todos os primeiros socorros foram prestados pelo ruivo, queria pelo menos agradecê-lo – ou se convencer que o motivo de querer vê-lo de novo se resumia a isso.

Encarou novamente a tela ecrã do computador, bufando em total desgosto e cansaço. Queria respostas concretas e odiava esperar por elas, com isso em mente, levantou-se – mesmo que lentamente por conta das dores no corpo – procurando uma roupa confortável e as chaves de casa. Iria procurar pelo tritão e encontra-lo nem que fosse a última coisa que fizesse na vida. Trocou a calça do pijama por um jeans folgado – não havia necessidade de tal, mas queria parecer apresentável, mas não havia explicação por trás disso – vestiu um moletom grande e grosso, cobrindo a cabeleira loira com o capuz – os fios penteados para trás com os dedos apressados. Buscou um all star e calçou os pés – mesmo que mais tarde aquilo fosse o incriminar.

Não poderia sair de casa pela porta da frente – seu pai parecia mil vezes mais alerta sobre as coisas, e ficava de olho em tudo – por isso pegou o chaveiro jogado sobre a mesinha do computador, verificando mais uma vez a porta do quarto, e dera meia volta até a janela do cômodo. A abertura era pequena e a madeira estava velha – resultando em um Kim praguejando de dor ao forçar a mesma – mas logo o cheiro do mar invadia seu quarto, acompanhado da luz da lua que brilhava no céu limpo. Pulou a janela sem muitos problemas – sua casa não era de primeiro andar, estava livre de levar um tombo e foder o resto de sua anatomia dolorida – portanto em poucos segundos tinha os pés no chão.

Fechou as janelas da maneira que pôde – teria muito mais trabalho ao tentar abri-las por fora – mas o fato de estarem emperradas ajudou no feito. Olhou ao redor, tentando encontrar algum rosto conhecido ou até mesmo seu pai o encarando, mas notou que estava tudo silencioso e calmo. Era uma madrugada de quarta-feira, não havia movimentação na orla e as lojas fechavam cedo, então poderia transitar por ali sem incômodo algum. Enfiou as chaves no bolso do jeans escuro, tentando tomar um rumo para começar sua caminhada. Tinha em mente começar suas buscas pelo ruivo pelo local que havia afundado, mas no momento do desespero não conseguia lembrar-se de onde exatamente havia se afogado.

Procurou então pelo pequeno farol no mar – ficava em uma parte funda quando a maré subia, principalmente durante a noite – e por ser o ponto mais acessível, começou a caminhar até lá. Havia uma pequena passarela afundada na areia, que se estendia até a torre – durante o dia mal a usavam, por ficar cheia de terra – mas com o mar revolto era um bom lugar para caminhar. Não precisou de mais de quinze minutos de caminhada para chegar ao começo da pequena ponte, pisando contra o cimento firme. Olhou ao redor mais uma vez, tentando encontrar alguém que o estivesse seguindo – a culpa o deixando amedrontado – mas logo começou a caminhar até o ponto de luz.

Idealizara todo o percurso, mas não tinha a mínima noção de como encontrar o tritão, nem muito menos o que falar quando o visse. Só queria encontra-lo de novo e não sabia se o propósito era apenas esse ou se tinha algo mais – talvez agradecê-lo fosse algum dos fatores que o levaram a andar as duas da madrugada pelo farol deserto do mar.

A água não estava muito agitada, mas ainda assim era assustador encarar a grande extensão de água salgada sem tremer um pouco – as cenas de poucos dias atrás repetindo-se em sua memória em flashes rápidos e assustadores. Tentou ignorar os calafrios que percorriam seu corpo, voltando a encarar a passarela a sua frente, caminhando sobre a longa extensão de concreto enquanto segurava nas barras de proteção – vez ou outra desviando o olhar para as águas escuras, tentando encontrar um rastro que fosse dos cabelos vermelhos ou da causa comprida e esverdeada em meio as ondas altas.

Parou ao chegar em determinada área da passarela, tomando fôlego – seu corpo fazia questão de o lembrar que estava frágil e febril, doente em partes específicas. Colocou a mão na testa, já sentindo o acúmulo de suor na pele amorenada, enxugando-o com a manga do moletom. Sentou-se contra o cimento – tendo total certeza que sua calça sujaria com isso – colocando as duas mãos nas barras de proteção. Já se arrependia em ter saído do aconchego de seu edredom para caminhar pela praia durante a madrugada fria, pensando no trabalho que teria em refazer todo o percurso de volta para casa.

Encarou o mar mais uma vez – na esperança que o tritão aparecesse de uma vez por todas – quando teve a ideia de chama-lo. Sabia o nome de seu salvador, afinal, se apresentaram – ou lembrava-se vagamente de ter balbuciado seu nome em meio a surpresa e pânico que sentia. Olhou para baixo – notando que a água só não molhava seus pés por alguns poucos centímetros, e resolveu arriscar. Poderia ser taxado como louco, mas era seu fio de esperança em encontrar os cabelos avermelhados mais uma vez.

“Jimin!”. – Tentou não gritar muito alto – com medo que alguém pudesse ouvi-lo, mesmo estando longe o suficiente da terra firme – colocando as mãos ao redor da boca, numa forma de intensificar o volume de sua voz. Olhou em volta, não encontrando nenhum sinal do outro – chegando a conclusão de que estava sendo patético. Retirou o capuz da cabeça, bagunçando os fios ressecados de seu cabelo – que precisava ter a cor retocada o quanto antes – ficando chateado pelo chamado não ter sido atendido. Dotado de certeza que caso o homem peixe não aparecesse, iria para casa aproveitar de suas cobertas quentinhas, o Kim resolveu chama-lo mais uma vez. Juntou as mãos ao redor da boca, prestes a gritar o nome a qual lhe foi apresentado, quando sentiu um pequeno jato de água em seu rosto.

Acabou se assustando – sua mente lenta identificando como o início de uma chuva – quando percebeu que o movimento viera de baixo, acertando em cheio sua pele quente. A água salgada molhara suas bochechas – e uma parte dela entrara em sua boca – cuspindo logo em seguida. Encarou o mar – não tão revolto assim – a fim de descobrir como uma onda viera a lhe acertar, quando encontrou um par de olhos castanhos, que lhe observavam com curiosidade. O sorriso aberto do recém-chegado evidenciava que estava esperando pela visita do loiro, contente pelo mais novo ter ido lhe procurar.

“A que devo a honra da sua visita, Tae?”. – A voz calma chegara aos ouvidos do mais novo – até então em choque ao notar o ruivo bem abaixo de si. Não era possível visualizar a cauda do outro – a água escura e a falta de iluminação dificultavam seu trabalho – mas podia notar as escamas ao redor dos olhos pequenos, e as barbatanas nos antebraços fortes. Os cabelos cor de fogo, molhados, estavam jogados para trás, mostrando a testa bonita do homem-peixe. Taehyung estava com os olhos arregalados e sentia as pernas tremerem – tinha a total certeza que caso estivesse de pé, teria caído. Todas as suas dúvidas sendo desfeitas bem à frente de seu nariz – e dessa vez não tinha como fugir da realidade, estava em sã consciência e não tinha como recorrer a desculpas que criava em sua própria cabeça.

O ruivo – notando a falta de palavras de seu visitante – jogou mais um pouco de água no rosto um pouco pálido, despertando o loiro de seus devaneios. O Kim grunhiu com a atitude do tritão, passando a manga do moletom a fim de secar a água que tinha ali. Encarou o rosto – extremamente bonito – do outro, notando o sorrisinho debochado nos lábios volumosos – e bastante vermelho, assim como o cabelo.

“Então você é real mesmo”. – Inclinou o corpo para frente, encarando todo o torso despido do rapaz. As águas pareciam mais calmas e as ondas haviam parado de repente, fazendo com que o mais novo franzisse o cenho. O ruivo sorriu largamente – mostrando todos os dentes branquinhos para o loiro, que sentira uma enorme vontade de sorrir junto, tombando a cabeça para o lado. Os olhos pequenos do tritão sumiam quando o mesmo abria um sorriso, e o filho do pescador se amaldiçoou por acha-lo extremamente adorável.

“É óbvio que sim, achou que estava ficando louco?”. – A pergunta veio recheada de sarcasmo, e o loiro deixara uma risada escapar. Admirou os orbes – num tom de avelã – que lhe encaravam com atenção. Novamente se via sem palavras perto do outro; Jimin tinha uma presença forte – surreal, diria – além de ser extremamente bonito. Taehyung assumiria que nunca em toda a sua vida, encontrara alguém tão belo quanto o tritão. Desviou o olhar ao notar que fazia algum tempo em que apenas o encarava, sorrindo nervoso diante da pergunta.

“O que você acha?”. – Revirou os olhos, arrancando uma risada alta – e muito bonita – do rapaz. Jimin segurou nas barras de ferro que fincavam a plataforma ao mar, mostrando a causa comprida e bonita para o loiro. Taehyung encarou as escamas que brilhavam – mesmo em baixo d’água – com a boca aberta em admiração. Jimin parecia estar se exibindo e adorava a atenção que recebia do humano, que ficava impressionado com tão pouco – mesmo que aquilo fosse extremamente normal para si.

“Você deve ter muitas dúvidas”. – Não era uma pergunta, e o cérebro do Kim entendera aquilo – mesmo estando de boca aberta enquanto encarava o corpo do outro. Voltou a atenção para os olhos pequenos – as escamas ao redor das bochechas pequenas também cintilavam – e o tritão parecia ainda mais perfeito que antes. Numa passara pela sua cabeça presenciar uma cena tal bonita, admirando o homem-peixe com um olhar brilhante e as bochechas coradas – estava em transe. Só notou que sorria quando o ruivo sorrira junto – mostrando os dentes superiores adoravelmente tortos – e sentiu o rosto arder em constrangimento. – “Me acha bonito?”. – A pergunta pegara o rapaz de surpresa, arregalando os olhos pequenos em espanto as palavras do ruivo. Só então notou que não havia maldade na expressão do outro, que encarava a causa ainda brilhante embaixo da água.

“Sim”. – Verbalizou um pouco sem jeito, não acostumado com tal tipo de diálogo. O Park pareceu se divertir com a pergunta, afundando o corpo na água salgada, desaparecendo por um instante da visão alheia. Taehyung só então notou que as escamas esverdeadas brilhavam no fundo do mar, e dessa vez não teve como conter o sorriso – era uma cena linda, talvez a mais bela que já vira em toda a sua vida. Logo o tritão voltava a se aproximar, emergindo das águas calmas, com um sorriso estampado no rosto – oferecendo-o ao loiro, que sorria junto.

“Você é lindo, filho de Afrodite”. – O ruivo o elogiara – arrancando uma tosse do loiro, que engasgara ao ouvir as palavras do outro. Jimin ainda mantinha o sorriso no rosto – demonstrando que sabia que tais palavras afetariam o humano – logo voltando a segurar nas barras de ferro, esperando que seu visitante conseguisse parar de tossir. Arqueou as sobrancelhas bem desenhadas quando Taehyung começara a abanar o rosto vermelho, confuso com a situação. – “Você tá com calor?”.

“Foi você que cantou pra mim?”. – O Kim tentava fazer com que o rosto quente esfriasse um pouco, desviando da pergunta do tritão. O ruivo acenou positivamente com a cabeça, bagunçando os cabelos molhados – os fios encharcados caindo sobre o rosto bonito. Taehyung ainda tentava processar todas as informações em sua cabeça – mesmo que quanto mais tentasse, mais confuso ficava – duvidoso sobre fazer ou não perguntas ao outro. Seres mitológicos não saem por aí dando entrevista de suas vidas para humanos xeretas – e o loiro ainda se perguntava o porquê de Jimin ter aparecido justamente para si – por isso estava um pouco acanhado em começar a questioná-lo sobre os últimos acontecimentos em sua vida. – “Por quê? Como sabia?”.

Sua curiosidade era quase palpável e o ruivo riu da confusão – e desespero – do adorável Kim. Estava correndo grandes riscos apenas para encontrar o loiro, e levaria uma grande bronca depois, mas de uma forma estranha confiava totalmente no menino. A expressão confusa e cheia de dúvidas o deixava fofo, e o tritão não sabia como lidar com sentimentos – não se aprendia isso no fundo do mar, onde você só tem que cumprir obrigação e se esconder dos humanos. Mas lá estava o Park, quebrando inúmeras regras apenas para reencontrar o rosto – agora crescido – do Kim.

“Sei muita coisa sobre você, Taehyung”. – Desviou a atenção para o mar, controlando sua cauda brilhante, que em questão de segundos voltava a se perder em meio as águas escuras. Sentia o poder dos olhos castanhos sobre si, e logo voltara a encarar o jovem de expressão confusa – nunca foi de bancar o misterioso, mas não queria jogar tudo para o mais novo e acabar perdendo a oportunidade de se aproximar do rapaz. Teria de ter papas na língua sobre o que iria falar e quando, pois, nutria o desejo de ter o humano por perto. – “Respondendo a sua primeira pergunta: Cantei porque queria te ajudar”.

“Sua voz é... Linda”. – Encarou os próprios dedos ao elogiar o outro, envergonhado em verbalizar tais palavras. Nunca fora um rapaz tímido, mas perto do ruivo conseguia ficar sem palavras e ter a capacidade de se engasgar com saliva, então tentaria não passar muita vergonha ali. Ouviu a risadinha baixa do outro, que não respondeu ao elogio – Taehyung preferia assim, não queria ter de repetir as palavras para o outro. – “Por que ‘filho de Afrodite? Pelos meus conhecimentos minha mãe se chamava Mirae”. – Tentou sanar mais uma de suas dúvidas, voltando a encarar o outro.

Jimin colocou os braços sobre o cimento – sentindo a textura desagradável incomodar suas escamas – mas tratou de ignorar. Apoiou o rosto pequeno contra os membros superiores, deitando a cabeça de lado – ainda encarando um Taehyung surpreso. Jimin admitiria que passaria horas a fio encarando o rosto bonito do humano, já havia passado por vários lugares e gostava de desbravar os oceanos, mas quando chegara a Busan, foi impossível não querer ficar – o motivo disso sendo um humano tão cético e cabeça dura.

“Tae, tu és bem leigo”. – O tritão revirou os olhos, tratando a falta de conhecimento do loiro como um ultraje para si. Kim abriu a boca para revidar, mas antes que pudesse o fazer, Park o interrompera, sanando as dúvidas do humano. – “Afrodite é a deusa da beleza, Kim”. – A resposta demorou um pouco para finalmente ser processada; Taehyung sentia a pele de suas bochechas queimar pela coloração rubra que adornara seu rosto. Tinha um tritão flertando consigo no meio da madrugada, teria rido caso não estivesse tão nervoso e constrangido.

“Você disse que sabe muita coisa sobre mim... O que seria?”. – Taehyung sentia a garganta seca pela apreensão que percorria seu corpo. Não estava com medo de Jimin, e sim curioso sobre a presença do ruivo – que dizia saber sobre si. Queria descobrir como o rapaz tinha conhecimento de tantas coisas, e passaria o dia ouvindo caso fosse preciso.

“Nome, idade, endereço, melhor amigo... Hm, deixe-me pensar, ah, hobbies!”. – O mais velho listava as coisas nos dedos – atraindo a atenção do loiro para as mãos pequenas e rechonchudas. Até perderia um pouco mais do tempo encarando-as e elogiando o ruivo mentalmente, mas estava um pouco chocado com tantas informações. A expressão serena do tritão deixava claro que para ele aquilo era pura besteira, mas Taehyung admitia ter ficado assustado.

“Você é algum tipo de tritão stalker?”. – A pergunta idiota fez com que o ruivo gargalhasse, quase caindo de volta ao mar ao se desiquilibrar do cimento. Usou da cauda para – mais uma vez – jogar água no loiro, molhando as pernas compridas do rapaz. O Kim bufou com a reação do rapaz, indignado que o outro tenha tirado sarro de sua cara, mas tratou de conter a vontade de sair pisando duro para casa, esperando pelas respostas do rapaz.

“Taehyung, você vive conversando com seu pai, e com Hoseok, aqui na praia. Eu só escuto quando estou de bobeira nadando pela costa”. – Explicou com um encolher de ombros, analisando o mais novo acenar com a cabeça – um pouco encabulado por ter sido idiota. – “Além do mais, Hoseok fala muito alto, qualquer ser do fundo do mar escutaria”. – As palavras do ruivo fizeram com que – mesmo sem querer – Taehyung gargalhasse, achando graça da situação. Seu melhor amigo falava pelos cotovelos, e tinha certeza que quando ia pescar com o pai, Jung falava de tudo para o velho.

“Como sabia que eu precisava de ajuda? Digo... Nem meu pai que estava debaixo do mesmo teto sabia sobre isso”. – Taehyung abraçou os próprios braços, sentindo a brisa fria lhe abater. A lua já não brilhava como antes, e a iluminação que tinha era do farol – que girava a todo instante, sinalizando as embarcações que nunca chegavam. Jimin balançava a cauda comprida na água, como se brincasse com a mesma – o mais novo queria saber se a temperatura baixa não chegava ao tritão.

“Digamos que tritões são seres sensoriais. Quando criamos um laço com alguém, conseguimos compartilhar das sensações que o outro está sentindo”. – Os olhos avelã ainda analisavam as expressões de dúvida do rapaz, achando graça nas caras e bocas que o Kim fazia enquanto pensava – talvez ele não se desse conta que era extremamente adorável daquele jeito.

“Por que você tem um laço comigo?!”. – Arregalou os olhos ao assimilar as palavras do ruivo, encarando-o com uma expressão desconfiada. Tinha total certeza de nunca tê-lo visto antes – se lembraria de ter visto um jovem com cauda de peixe nadando por aí – e talvez já tivesse ouvido a voz bonita alguma vez, mas não conseguia achar a resposta de onde e quando fora tal acontecimento. O Kim esperava pelas palavras do ruivo, que voltava a sorrir – dessa vez, sem mostrar os dentinhos tortos – o encarando com um brilho diferente no olhar. Notou as bochechas – adornadas pelas escamas – um pouco mais avermelhadas, e voltou a fitar os orbes pequenininhos do mais velho.

“Porque eu te amo, filho de Afrodite”. 


Notas Finais


sacaram que nosso homem peixe tava cantando o taehy né? ele é um safado ele
como falei lá em cima, o enredo mudou, inicialmente seria algo bem mais leve e cheio de fases, mas decidi colocar em pauta um pouquinho de mistério, e deixar todo mundo mais apaixonado por esse tritão maravilhoso que é Park Jimin.
No próximo espero narrar um pouco mais da vida dele, e tirar todas as dúvidas de vocês.
Obrigada por terem lido, e prometo que vou responder os comentários do cap anterior <3


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