História Filhos da Guerra - Capítulo 11


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Categorias Hetalia: Axis Powers
Personagens Alemanha, América (Estados Unidos da América), Áustria, Belarus (Bielorrússia), China, Coréia do Sul, França, Hungria, Inglaterra, Itália do Norte "Veneziano", Itália do Sul "Romano", Japão, Personagens Originais, Prússia, Rússia, Taiwan, Ucrânia
Tags 1942, Batalhas, Gerita, Guerra, Hetalia, Pruaus, Segunda Guerra Mundial, Spamano, Usuk, Wwii
Exibições 44
Palavras 2.191
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Lemon, Romance e Novela, Seinen, Shonen-Ai, Violência, Yaoi
Avisos: Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Esse capítulo terá uma pequena surpresa para os irmãos Wang. Além da chegada de um novo personagem/nação *-* sei que demorei um pouquinho, mas prometo compensar a demora. Citações desse capítulo? Banana Yoshimoto, Marie Lu e Yukio Mishima!

Leiam as notas finais... haverá um lembrete.

Capítulo 11 - 10 - O crisântemo e a ameixa


Fanfic / Fanfiction Filhos da Guerra - Capítulo 11 - 10 - O crisântemo e a ameixa

“Por enquanto não consigo pensar em nada. O que é que você representa na minha vida, o que será de mim agora, o que mudará em relação a antes… Não tenho a menor ideia." 

(Trecho do livro Kitchen, da autora Banana Yoshimoto)

 

 

Mei e Kiku

Kaohsiung, Taiwan - 28/05/1943

Dez dias. Dez dias que seu pai sumira sem deixar resposta ou qualquer tipo de vestígio. Sentia medo, agora que estava sozinha. Mesmo que tivesse Kiku ao seu lado, ainda sim sentia medo. Os japoneses combatiam cada vez mais os nacionalistas em Taiwan e ela temia que seu pai estivesse entre aqueles que foram pegos pelos nipônicos. Chorava todos os dias por causa do medo que a consumia. Nesse meio-tempo, parou de encontrar seu amado, para o seu próprio bem. Poderia muito bem correr mais perigo do que já corria e além do sumiço de seu pai, que lhe deixava vulnerável e desprotegida, havia mais uma coisa. Uma coisa que Kiku ainda não sabia.

Da sua inesperada gravidez, algo que realmente não esperava. Não estava preparada para esta notícia.

Era algo que ele ainda não podia descobrir. Ficou sabendo no dia que seu progenitor desapareceu. Seu único alívio era pelo menos que o pai não saberia. Seria um desgosto muito profundo para ele e ela poderia ser morta, por ter se deitado com o inimigo. E ainda tinham os japoneses. Nem todos eles eram como seu amado Kiku. Já viu pelas ruas de Kaohsiung muitos daqueles nativos serem agredidos pelos soldados imperiais. Alguns, Mei viu serem mortos a sangue frio. Além é claro, dos olhares maliciosos que recebera de vários nipônicos a serviço do imperador. Por um momento, chegou a sentir falta de estar protegida na China, mas desde o ocorrido em Nanking, esse era o único lugar para onde podia correr. Mal saía de sua casa e quando o fazia, era somente para comprar mantimentos, algo que fez no período da manhã porque seus vizinhos lhe acompanharam. Eles sabiam do desaparecimento do senhor Wang e faziam de tudo para tentar manter Mei segura, apesar dela dizer que não precisaria agora.

- Pontinho... o que será de nós agora? Eu conto sobre você para o Kiku... ou ainda não? - era o que falava para o bebê ainda em seu ventre, cujas mãos lá se encontravam de maneira protetora. Se por um acaso do destino, acabasse perdendo o seu amado na guerra, teria que criar aquele rebento sozinha. Torcia para que a criança pudesse nascer com o pai ainda vivo.

*

*

*

No quartel-general do Império em Kaohsiung, Kiku pensava no que poderia ter acontecido com Mei para ela não ter lhe encontrado nesses dez dias que se passaram. Ele mesmo não aguentava ficar um dia sequer longe dela, ainda mais que a guerra estava ficando cada vez mais difícil para o Japão, uma vez que os americanos não davam trégua. Resolveu sair para refletir um pouco e colocar a cabeça no lugar. Não viu que seu amigo Ryohei havia pensado no mesmo e o seguia. No caminho pelas ruas de Kaohsiung, pensava um pouco no relacionamento com a jovem. Agora não haviam mais segredos entre ambos. Kiku soube então, durante os encontros no campo de trigo e na cabana do lago, que Mei na verdade era filha de um médico e costumava ajudar o pai a cuidar de enfermos em Taiwan, mas que ele não sabia do relacionamento da filha com o soldado. Também ficou sabendo mais um pouco de Yao, o irmão da morena. Pensava em poder conhecer o rapaz um dia, mas o ódio deste por japoneses tornaria essa tarefa um pouco impossível. 

Andava bastante despreocupado, tentando tirar da cabeça os pensamentos do que poderia ter ocorrido com Mei e da saudade que sentia daquela de quem se tornou dependente, a ponto de se sentir triste sem sua presença.

Porém, não notou que além de Ryohei, havia um nacionalista no seu encalço. Só veio perceber de fato ao levar um tiro na perna esquerda e uma pedrada na cabeça, que o fizera desmaiar. 

x-x-x-x-x

"Porque cada dia significa novas 24 horas. Cada diz quer dizer que tudo é possível de novo. Você pode aproveitar cada instante, pode morrer num instante, e tudo se resume a um dia após o outro."

(Trecho do livro Legend, da autora Marie Lu)

 

Yao

Beijing, China - 28/05/1943

As coisas pareciam estar tranquilas em Beijing. Grande parte do contingente do Kuomintang tinha ido para o noroeste da China, para conter os japoneses, que andavam cada vez mais ocupados com os americanos, já que os outros países do Eixo pareciam estar caindo no front europeu. Yao ainda não desfrutou de tamanha tranquilidade por causa de sua nova missão, que nada mais era do que ensinar a um membro novo do Kuomintang as regras de como se virar ali e como contribuir com a resistência. Mas o tal novato lhe perturbava mais do que aprendia, o que deixava o chinês com dores de cabeça.

Im Yongsoo era um fugitivo coreano, encontrado pelo Kuomintang depois de ter visto o jovem em ação por aquelas bandas. Quando o rapaz viu Yao, uma espécie de "amor à primeira vista", apenas do lado do mais novo, aconteceu. Desde então, não para de encher o pobre chinês, sempre perguntando-lhe coisas que beiravam à perversão. O mais velho suspirava de desgosto quase sempre. Estava com um garoto imaturo e dissimulado nas mãos. Não percebeu, porém, que já estava começando a ficar acostumado com o coreano na sua cola. Afinal, às vezes Yongsoo lembrava-lhe um irmão que não tinha, já que os seus estavam completamente distantes.

Uma noite, quando tentava dormir, sentira um peso extra em sua cama. Era Yongsoo, que também não conseguia dormir. Decidiu que daquela vez, não perderia a paciência com ele. Yao o acolhia porque ele ainda não tinha onde ficar. Viu que o coreano o encarava, esperando alguma ação vinda dele. Por mais que odiasse esse tipo de atitude, resolveu que ficaria de olho em seus movimentos. Sentia que havia algo que Yongsoo queria poder falar.

- Hyung*... quando isso vai acabar? Quando eu vou poder voltar para a minha casa...? - o coração ríspido do chinês acabou por amolecer ao ver as lágrimas do jovem coreano. 

- Eu ainda não sei... mas... confesso a você que eu não aguento mais esse inferno. Como eu posso dizer... desde que tudo isso começou, eu deixei de ser humano. Tornei-me um monstro que sentia prazer em matar o inimigo, por mais que ele pedisse clemência. Só que agora, eu não suporto mais isso. Quando foi que eu... sorri pela última vez? - assim como Yongsoo, o mais velho também chorava. Nunca pensou em desabafar tudo aquilo que estava entalado em sua garganta para um estranho.

- Sabe... eu acredito que tudo um dia vai passar. As cicatrizes continuarão por anos, mas elas tendem a desaparecer ou ficarem brandas. Ainda vai doer mais um pouco, ainda vai demorar para essas lembranças ruins saírem de sua mente. Mas o que eu tento fazer, enquanto isso? Tento esquecer tudo isso logo, procurando algo que possa me distrair. E acho que o hyung poderia tentar fazer o mesmo. - aproximou-se um pouco mais do chinês e o abraçara, sentindo o mesmo adormecer em seus braços.

Mostrar que Yao Wang ainda poderia ser um humano não lhe daria tanto trabalho como havia pensado anteriormente.

x-x-x-x-x

"Por que as coisas eram tão erradas assim? As perguntas que eu me fazia desde menino um sem-número de vezes subiram novamente a meus lábios. “Por que todos nós somos oprimidos pelo dever de destruir tudo, mudar tudo, confiar tudo à impermanência? É a esse dever desagradável que o mundo chama vida? Ou sou eu o único para quem isso é um dever?"

(Trecho do livro Confissões de um Máscara, do autor Yukio Mishima)

 

Mei e Kiku

Kaohsiung, Taiwan - 28/05/1943

Um tiro. Isso foi o que Mei ouviu enquanto separava os ingredientes do jantar. Correu para a porta de sua pequena casa para ver o que tinha ocorrido. Antes que a abrisse, ouvira batidas. Assustada, pegara um bastão de ferro que estava ao lado da velha porta feita com madeira de ameixeira. Quando a abriu, largou a arma rapidamente. Era um soldado japonês, carregando um Kiku ferido em seus braços. Nenhum som saía de sua boca. O nipônico carregava o homem machucado para dentro da residência sob os olhares assustados das poucas pessoas que estavam na rua naquela hora, próximas do corpo sem vida de um nacionalista, provavelmente sendo o responsável por deixar Kiku Honda naquele estado. Trancou a porta para que aqueles curiosos parassem de lhe observar com pena. Tudo o que mais queria nesse momento era cuidar de seu amado.

- Venha para este quarto e o deite aqui. Irei trazer os curativos e as ferramentas de sutura. Não se preocupe, soldado. Você deu sorte por eu ser médica. Agora me ajude, antes que seu amigo perca mais sangue. - não podia deixar que seu estado de pânico ficasse aparente. Não podia ficar nervosa pelo bem de seu bebê.

Ryohei só seguia o que Mei dizia e quando eles finalmente conseguiram estabilizar Kiku e enfaixar os seus ferimentos na perna e na cabeça, já era de noite e a moça enfim pôde respirar. O japonês ainda continuava inconsciente e ela não percebeu que chorava quando acabara de cuidar do seu amor. 

- Moça... por que você está chorando?

- Ah, me desculpe... é que eu sempre presencio coisas do tipo e nem sempre tem quem resista, sabe? - tratou de enxugar suas lágrimas. Aquele homem não podia saber da sua relação com Kiku.

- Bem... o meu amigo aí é um bobo. Um bobo apaixonado que não para de falar sobre uma tal de Mei. Ela é uma nativa daqui e o Kiku-chan... não sabe o que é passar um dia longe dela. Sorte dele que eu estava lhe seguindo... porque aquele nacionalista iria matá-lo. Você foi uma boa pessoa em me ajudar. Imagina se a tal Mei soubesse do que aconteceu? Se ele tivesse morrido? - Mei acabou chorando novamente. Ryohei achou que a moça era muito sensível e decidiu não falar mais nada. Entretanto, a chinesa resolveu se confessar.

- Eu sou a tal Mei de quem ele tanto fala. E de fato, acho que eu morreria se o Kiku morresse. - Ryohei ficara surpreso ao finalmente ver a tão falada Mei. Realmente, a jovem era do mesmo jeito que o tolo do Kiku descrevia. - Se importa em me deixar sozinha com ele por um momento? Pode ficar à vontade se quiser. 

Sozinha no quarto que fora de seu pai, com o homem que amava, Mei nunca imaginou que o reencontraria assim. Ferido e por sorte, vivo. Pegara a mão do nipônico e a mantivera entre as suas. Queria que ele acordasse, para que ele visse que ela estava ali, do seu lado. Parece que alguém lá em cima tinha ouvido as suas preces e Kiku enfim despertara. Parecia aliviado ao ver que ainda estava vivo. Mais aliviado ainda ao ver Mei, apesar das lágrimas que caíam incessantemente do rosto da mulher.

- ... Mei-chan? O que hou... - o abraço dado por ela o calou. 

- Seu bobo! Nunca mais me assuste desse jeito! O que seria de nós se você tivesse morrido? - Mei se tocou de que falou algo que ainda não devia. Kiku o olhava intrigado.

- Nós? Como assim... nós? - ele ainda não entendia o que estava acontecendo.

- Bem... é que eu... - pegara mais uma vez a mão de Kiku e a pusera em seu ventre. - ... estou esperando um ser pequenino aqui, dentro de mim. Só não sei se vai ser menino ou menina. 

- Eu... vou ser pai? - um sorriso, misturado com lágrimas de alegria, tomaram o rosto de Kiku. 

- Fiquei com medo ao ver você nesse estado. Seu amigo lhe trouxe aqui. Parece que a sorte lhe brindou em dobro, senhor escritor. - colocou a mão que estava em seu ventre agora em seu rosto. Queria sentir a doce carícia do nipônico antes de beijá-lo.

Ficara ali no quarto com Kiku até Ryohei chegar no recinto com uma sopa de missoshiro que ele improvisou. O japonês mais alto se despediu e deixou que o amigo ficasse ali, já que ele ainda não andaria por um bom tempo, devido ao ferimento na perna. 

Dois meses depois, Mei e Kiku se mudaram para Taipei, capital da colônia japonesa de Taiwan. Para eles, era melhor, pois os nacionalistas de Kaohsiung poderiam fazer algo contra a mulher, se descobrissem que ela esperava um bebê de um soldado imperial. Lá, Kiku teve que mudar de nome e passou a ser conhecido como Xueyi Wang. Foi também nesse tempo que Mei parou de escrever para Yao, já que não estava mais recebendo respostas do mesmo, sendo a última, enviada um mês antes, falando do tal amigo coreano. A morena achou melhor assim, por enquanto. Não queria nem imaginar a reação de seu irmão se ele soubesse de sua gravidez, que já contava 3 meses.

***

 

 

 

 


Notas Finais


Lembrete: as novas histórias de Francis e Ivan serão entre 1944 e 1945, já que haverá muita coisa na história deles só entre esse período. Preferi avisar de antemão porque eu sou muito esquecida :p

O que acharam da participação do Coreia do Sul nesse capítulo?

E gostaria de falar que o próximo capítulo... FINALMENTE GERITA!!!

*Hyung: forma de tratamento pela qual os homens chamam os mais velhos no masculino, na Coreia do Sul

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