História Filhos do Pecado - Capítulo 2


Escrita por: ~

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Categorias Naruto
Personagens Gaara do Deserto (Sabaku no Gaara), Hinata Hyuuga, Ino Yamanaka, Itachi Uchiha, Naruto Uzumaki, Sai, Sakura Haruno, Sasori, Sasuke Uchiha
Tags Exibicionismo, Fetiche, Hentai, Naruto, Romance, Sakura Haruno, Sasuke Uchiha, Sasusaku
Visualizações 852
Palavras 3.955
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Comédia, Escolar, Famí­lia, Festa, Ficção, Hentai, Josei, Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Lembrando que esse enredo não tem a intenção de ofender a religião evangélica e nem seus fiéis.

Ps.: 18+ à seguir

Capítulo 2 - Cap. II: A Santíssima Trindade



Cap. II  – A Santíssima Trindade 
Por: Pisinoe



 

Passo o resto do caminho calada pensando sobre como eu não poderia estar mais ferrada. Em vez de estar resolvendo meus problemas de frustração sexual, estou viajando em pleno sábado de manhã para passar dez dias em um acampamento com uma igreja evangélica que me coloca mais medo que prova surpresa em dia de ressaca. Se eu não amasse tanto Ino com certeza a deixaria para sofrer seu fardo sozinha, mas nunca seria capaz de abandonar minha amiga em tempos de desespero.

Conheci a loira quando tinha seis anos na escola primária e desde então nunca mais nos separamos. Ino em vários aspectos é bem pior que eu e muito mais despojada e libertina quanto à vida, tanto que ela não é a garota mais popular da cidade por nada. Ela já teve vários relacionamentos (escondidos e não assumidos, mas teve), foi sempre ela quem me incentivou à arriscar mais com os meninos e ficar à vontade. É minha principal fonte de conhecimento sexual, apesar de ela não se segurar em nenhuma calça. Somos inseparáveis e ela provavelmente é a única garota nessa cidade que não é careta e falsa como as outras, por isso nos damos tão bem.

Tem um porém: seus pais são evangélicos e são praticantes religiosos de sua igreja com muito louvor. Desde que ela tem doze anos eles não a obrigam mais à frequentar o culto, mas eu já fui várias vezes com eles só porque ela me arrastou para sofrer junto, pois nem ela compartilha dessas crenças. Conheço a igreja deles, que por sinal é a única do tipo da cidade, e posso dizer com muita certeza que nunca vou me converter. Não nasci para ser contida, muito menos ser crente.

Ino também concorda, e provavelmente é uma das pessoas mais pecadoras daquela igreja, e olha que eu conheço um monte de podres dos filhos daqueles almofadinhas caretas. Os pais dela são pessoas maravilhosas apesar de viverem no mundo da lua, pois mesmo que lá no fundo eles saibam que de santas não temos nada, é como se não percebessem que não temos nenhum interesse em aprender o evangélico e nem temos vocação para ser irmãs de igreja.

Mal percebo que já chegamos até que vejo o tão conhecido estacionamento do lugar que mais mantenho distância na cidade inteira. Vários carros estão por lá também, incluindo dois ônibus enormes.

– Hora de encarar as fadas de Jesus Cristo! – minha amiga fala baixinho em meu ouvido enquanto descemos do carro e pegamos nossas malas entregues por seu pai. – Tá pronta para a semana mais pura e abençoada que você vai viver na sua vida?

Olho todas aquelas pessoas ao nosso redor, e acredito que estou sentindo uma vertigem aqui.

– Acho que vou desmaiar – confesso apavorada, e só saio do lugar porque ela me obriga à caminhar junto de si logo atrás de seus pais que cumprimentam todos seus ‘irmãos’. – Você não precisa de mim amiga. É sério, você consegue sobreviver sozinha. Vou rezar por você. Prometo.

Minhas súplicas são inúteis, pois ela continua à me arrastar até o ônibus contra minha vontade.

– Cala a boca e anda logo, testuda! – ela reclama me olhando tão desesperada quanto eu estou. – Você não vai me deixar pra curtir o carnaval enquanto eu sofro, já está decidido que você vai conosco e ponto final. Não gastei quinhentos contos na sua passagem por nada, sua ingrata.

– Quando eu aceitei ser sua amiga me converter à ser crente não estava no pacote!

Ela nem olha para minha cara quando me manda calar a boca de novo e eu me deixo ser levada praticamente chorando. Será que esse é um aviso que talvez eu esteja fadada à ser virgem e insatisfeita até o casamento como manda as regras de Deus? Nem ele coopera comigo me mandando para o último lugar onde eu poderia resolver meus problemas de frustrações sexuais.

Observo todas aquelas pessoas que nos olham com curiosidade e me obrigo à erguer a cabeça e mostrar minha melhor expressão de calma e confiança eterna. Me recuso à ser uma pecadora virgem. Nem conheço os prazeres da carne ainda, apesar de desejá-los em minha vida com muito fervor, e se for preciso rezarei a semana toda para acabar com minha situação infeliz. Não posso deixar que os crentes percebam que estou sofrendo e desistindo antes de ir à luta com eles.

– Todos os dissimulados estão aqui. – minha amiga lamenta, me tirando de meus devaneios. – Essas vão ser as férias mais longas da minha vida!

Seus pais estão um pouco afastados da gente, conversando com outros crentes que não conheço. Estamos agora perto da aglomeração de pessoas que esperam para subir nos ônibus, bem luxuosos até. Estou quase passando mal vendo todas aquelas pessoas engomadinhas, os homens em suas roupas clássicas e as mulheres com suas saias e vestidos longos em tons claros.

Olho para meu short jeans curto de cintura alta, minha blusinha cropped de ombros caídos e meus tênis brancos Superstar da Adidas. Ino está com uma saia jeans e um top tomara-que-caia que não esconde suas formas e saltos baixos. Nossos rostos maquiados e cabelos chamativos destoam completamente das pessoas aqui, e juro que consigo sentir a indignação das jovens crentes, pois os mocinhos não conseguem desviar o olhar das duas únicas perdidas e assumidas presentes.

Vou para um retiro evangélico, mas não vou mudar quem eu sou. Não mesmo! Podem olhar o quanto quiser, pelo menos assim essas falsas vêem o que não estão aproveitando e como é possível ser feliz pecando. Vou passar o carnaval orando, mas pelo menos vou passar em estilo.

– Esse dízimo é muito bem pago em? – comento olhando para o ônibus de alta qualidade à nossa frente. É enorme, só não tem dois andares porque provavelmente os devotos não são tantos assim. – Para onde estamos indo mesmo? Espero que não seja para nenhuma gruta para encenarmos o renascimento.

Ino me olha contrariada, desviando suas orbes das falsas dissimuladas que nos encaram de nariz empinado, parecendo estar com menos paciência que eu. E olha que quem está sendo arrastada para algo que não tem nada haver comigo sou eu e não ela.

– Você não presta atenção em nada do que eu falo, Sakura! – ela revira os olhos cruzando os braços e eu não posso nem discordar, era meio que verdade mesmo. – Esse acampamento é tradicional da igreja desde que os Uchihas se mudaram para cá e assumiram o controle do culto. Todos os anos os crentes vão para o retiro pessoal no campo que compraram com as doações. Lá praticamente só tem mato, mas é lindo.

– E esse retiro é muito longe? – eu pergunto ansiosa, pois se eu não aguentar mais eu juro que vou embora. Já estou até pensando na fuga, pois não confio em mim mesma para sobreviver os dias.

– Não vou te dizer onde é se não você vai dar um jeito de virem te buscar para ir embora antes.

– Isso é sequestro! – reclamo ultrajada. – Exijo meus direitos como cidadã, sua falsa crente tratante.

Continuamos jogando conversa fora até que eu noto um último carro aparecer pelo estacionamento. É uma SW4 prata bem moderna de onde saem três morenos que caminham em passos apressados até onde o montinho de pessoas está esperando. Me viro para Ino surpresa, sem nem conseguir esconder o choque que substitui meu aborrecimento.

– Você não me disse que a Santíssima Trindade também iria! – acuso, bem mais animada para quem até então estava vendo somente a morte diante de si com essa viagem.

Ino nem me olha, pois suas orbes azuis estão totalmente concentradas nos homens que se aproximam cada vez mais e estão indo na direção do pastor da cidade. Olhar para gente bonita, principalmente se for do sexo masculino, anima qualquer uma. Mesmo que os ditos cujos infelizmente sejam crentes, como vocês podem ver.

– Mas é claro que eles viriam. São filhos do pastor, nunca podem faltar. – seu tem de voz é tão óbvio que só faltou ela murmurar um “dã” para terminar. – Uma pena que esses três sejam filhos de quem são, poderiam fazer um bem tão grande à humanidade abrindo mão da castidade.

– Nem me diga – suspiro olhando para os morenos que se juntam ao casal mais respeitado da igreja. – Que útero abençoado esse da dona Mikoto, pena que são do jeito que são.

– E as crentes já estão todas eriçadas com a presença dos varões Uchiha… – ela aponta para as garotas risonhas que se animam e se empertigam todas enquanto eles passam por elas. – Todas essas aspirantes à santas querem levar eles para o altar, aposto.

E por que elas não iriam querer? Fruto do mesmo fruto só dá certo junto mesmo.

Dou de ombros e não demora muito para que eles comecem à fazer a chamada, conferindo se todo mundo está aqui mesmo e confirmando com o motorista se estamos prontos para partir.

O pastor Uchiha toma a dianteira do grupo e faz seu habitual discurso que nunca faço questão de escutar, mas não nego que o homem tem presença.

Pastor Fugaku é um moreno não muito alto mas robusto, de expressão marcante e até que bem conservado para sua idade, de olhos negros e pele branca, mas já envelhecida pelo tempo em seu inseparável terninho cinza. A mulher de saia longa sempre sorridente ao seu lado parece uma boneca, e é tão bonita com aquele eterno sorriso suave de quem tem certeza que vai direto para o paraíso sem nem precisar de julgamento. Mikoto é o exemplo de mulher perfeita e ideal para todas as crentes que a imitam como as boas seguidoras obedientes que são em tudo que fazem.

Gostaria mais dela se não me perguntasse quando irei me converter toda vez que me vê. Não posso nem reclamar, pois ela é um doce e tão simpática como uma fada, mas acho que sua melhor parte é ter colocado no mundo três beldades tão lindas quanto seus filhos.

Ao seu redor com aquelas expressões de bom moços e paisagem eternas, estão os três Uchihas. Eles são todos morenos de olhos jabuticaba, branquinhos, e bem altos. A representação da família perfeita, unida e devotada à Deus. Como se não fosse suficiente, ainda são todos lindos para a inveja branca alheia aumentar e completar o quadro perfeito da familiar ideal.

Minha análise é interrompida pela voz grossa do pastor que começa à dividir todos pelos ônibus.

– Todos os jovens irmãos para o segundo ônibus, por favor. Deixem suas malas perto do bagageiro e escolham seus assentos, não esqueçam de colocar o cinto e aguardar que todos estejam sentados para partir. – todos obedecem enquanto ele fala e começam a tomar à se dispersar, jovens para o segundo ônibus e os mais velhos para o primeiro. – Estaremos no retiro em três horas e então iniciaremos a sétima expedição do acampamento de nossa igreja em um lugar abençoado para nossa comunidade. Que o senhor nos guie e ilumine nossa viagem!

Todos batem palmas e parecem felizes demais com a jornada. Eu e Ino nos olhamos, não sei quem pede mais misericórdia no olhar, mas somos obrigadas à andar na direção do ônibus dois onde uma fila já está se formando na porta. Deixo minha mala perto do bagageiro onde elas vão ser guardadas depois e vou até o final da fila com minha amiga em meu encalço. Os jovens nos olham com curiosidade, mas consigo ver bem que nem todos estão satisfeitos de nos ver ali. Problema deles, como se eu me importasse. Também não queria estar aqui e nem vou morrer por isso.

– Tá olhando o que, falsa dissimulada? – Ino resmunga quando uma ruiva à nossa frente se vira para nos encarar de cima à baixo. – Cuidado que esse teu olhar de inveja é pecado e leva direto pro reino de Satanás.

Três mais delas se viram, nos olhando boquiabertas e então empinam tanto o nariz que parece que vão até quebrar o pescoço. Tudo farinha do mesmo saco, não tem diferença nenhuma entre elas.

Perdidas! – elas falam em coro, virando a cara para gente como se fossem se contaminar.

Reviro os olhos, de tão acostumada que estou com aquele tratamento antipático. Na frente da família do pastor são todas uns anjos, mas deixem elas sozinhas que mostram quem são de verdade. Parece até que eu me ofendo com esse tipo de coisa, mas nem ligo. De santa não tenho nada mesmo, melhor ser admitida do que dissimulada que nem elas. O senhor reconhece, amém!

Fico quieta mascando um chiclete que tirei de minha bolsa enquanto espero pacientemente a fila andar. Escuto passos atrás de mim e não me importo em virar de costas até que sinto o cheiro de perfume caro de homem e loção de barba combinados. Quando olho para trás vejo a Santíssima Trindade, e não consigo virar de volta para frente rápido o suficiente antes que um deles me note.

Tudo que eu menos preciso é ter que lidar com esses três almofadinhas lindos agora.

– Senhorita Haruno e Yamanaka, que surpresa vê-las aqui na reunião de nossa igreja. – a voz agradável do mais velho me chama atenção, e logo minha amiga se vira para encará-lo também. – Fico feliz que tenham decidido se juntar ao nosso culto em uma expedição tão íntima e importante. Não vejo a hora de louvar a palavra do senhor com vocês para que sua graça as ilumine e abençoe.

Quem fala conosco é o mais velho e alto dos três. Em seu terninho cinza escuro e blusa azul ele parece um homem de negócios, mas a calça formal e folgada não esconde as origens. O cabelo preto e longo está amarrado em um discreto rabo de cavalo, e sua expressão continua tão pacífica quanto no dia que o conheci. Itachi parece ter muito mais que seus 24 anos com seu olhar calmo e tão maduro quanto o de um sábio. Outro ser abençoado e maravilhoso que sabe que vai para o céu, e claramente não sabe o que está perdendo sendo santo assim enquanto está aqui na terra.

– A única coisa iluminada nesse louvor seria você, estimado varão desperdiçado. – desdenha minha amiga loira o olhando de cima abaixo, e suspira logo em seguida como se estivesse decepcionada.

Os três a olham confusos e vendo que eles são inocentes demais para entender sua indireta, decido abrir a boca antes que Ino decida explicar e deixá-los assustados.

– Há quanto tempo, Itachi! – eu o cumprimento, e ele aperta minha mão com todo o recato que existe nele. Tanto potencial, mas nem um pingo de sensualidade, me dá até uma tristeza olhar para ele de tão perto assim. – Você ainda vai ser pastor, por acaso?

O outro moreno do lado dele se engasga e tosse, provavelmente surpreso com o quão direta eu sou com minha pergunta. Estou sondando o terreno, vai que o Uchiha maior acordou para vida?

– Mas é claro, senhorita Haruno, sempre pretendi seguir os passos de meu amado pai. – Itachi responde gentil, nem um pouco afetado com meu descaro. Pelo visto não era hoje que os milagres iriam acontecer. Já deveria saber, de tão ferrada que estou aqui, com esses bobos ainda por cima.

– Misericórdia, senhor, misericórdia... – eu lamento alto demais e Itachi acaba escutando.

– Amém. – ele sorri agradável como um bobo educado, não percebendo que estou sendo sincera.

Os crentes nunca levam o que eu digo a sério, como podem ver. Acho até engraçado.

Ino coloca as mãos na cintura enquanto encara o Uchiha do meio, logo ao lado do maior. Ela não tem paciência para lidar com Itachi, pois ele sempre diz que ora todas as noites por sua alma e tem fé que um dia ela vai voltar para a igreja. Mas ela nunca consegue ignorar o irmão mais baixo, Sai.

– Se está doente, Sai, talvez devesse ficar em casa – dessa vez é a loira que se pronuncia com falsa preocupação, os olhos brilhando em zombaria. – Não queremos que o acampamento de Deus seja contaminado por uma enfermidade desnecessária.

– Tenho certeza que o retiro espiritual se passará nas melhores condições possíveis mesmo com sua presença contaminada, filha renegada. – o moreno que tossiu, Sai, sorri daquele jeito doce que me dá calafrios, pois juro que nunca vi sorriso mais falso que esse.

Eu sei que essa é a expressão que minha amiga mais detesta nele, pois foi a mesma que ele usou para rejeitá-la ao dizer que só escolhia as belezas da casa do senhor e não as devassas condenadas. Ele também é bonito com aquele cabelo pretinho jogado em sua testa, mas é branco demais na minha opinião, além de ser um tosco sem limites de sinceridade.

– Eu ainda vou te mostrar quem é a filha renegada aqui, descendente de Belzebu! – ela grita.

A cara de paisagem do Uchiha do meio continua eterna, e não se comove com nada que ela diz.

Sai usa sua folgada camisa social branca dentro das calças formais pretas, e juro que nunca o vi com outra combinação que não fosse essa. Detesto esse crente chato e sua língua afiada mais ainda. Não sei o que Ino via nesse cara, pois ele era o almofadinha mais arrogante que já conheci. Coitada, até hoje não o superou pelo visto, e olha que ele nem é tão bonito como o mais novo.

Sinto que estou sobrando, sendo que tenho muitas coisas à dizer para esses três desperdícios.

– A fila está andando, futura irmã Haruno. – escuto a voz do terceiro Uchiha, que é bem mais rouca e baixa que a dos demais. Um arrepio percorre minha espinha pois esqueci totalmente que ele também estava ali.

Me viro para olhá-lo, e mesmo depois de um ano sem o ter visto, noto que ele não mudou quase nada. O cabelo continua coberto de gel e a expressão é leve como a de quem nunca soube o que é pecar.

– Agradável como sempre, irmão Sasuke – eu provoco, minha voz mais sedosa do que gostaria, porém não consigo evitar. Aquele pedaço de gente é minha maior frustração nessa igreja.

Sasuke me olha daquele jeito preguiçoso e tranquilo que só seus olhos jabuticabas conseguem transmitir, os traços de seu rosto continuam tão indecifráveis como sempre, mas vejo um pequeno sorriso se curvar em seus lábios medianos. Poderia até parecer irônico se eu não soubesse onde esse ser passa seu tempo livre, e aviso logo que é provavelmente rezando para não se animarem.

O Uchiha mais novo é tão lindo, só que infelizmente tão sem sal que dá vontade de chorar.

– Faz muito tempo que não visita o culto, senhorita – ele comenta calmamente enquanto passa os olhos negros por minhas vestes e faz uma careta de reprovação. Eu reviro os olhos pois já sei o que está vindo. – Essas não são roupas adequadas para uma donzela que se preze como você.

– São seus olhos que continuam com mal gosto infinito, irmão. – respondo sorridente, e ele me olha confuso quando claramente não entende que não estou nem aí para sua opinião.

Pisco marota pra ele que desvia o olhar incomodado para o chão, e então me viro de costas para ver que a fila já havia acabado e só restara a gente aqui. Esses três almofadinhas são demais para se lidar logo no começo dessa viagem que nem começou e já está esgotando minha sanidade. Puxo Ino junto de mim, que está entretida demais em uma guerra de olhares fuzilantes com Sai, e agradeço Itachi quando este indica que entremos primeiro com todo seu respeito e cordialidade.

Não olho mais para o Uchiha menor, pois sinto que tudo nele é uma tremenda falta de tempo.

Escolho uma poltrona dupla vazia lá no fundo do ônibus pois a frente está toda completa de pessoas cantando hinos evangélicos que doem meus ouvidos. Me sento na janela diante dos protestos de Ino, mas não pretendo ceder o lugar mais confortável, não mesmo.

Vejo os três abençoados do pastor passar por nós e se sentar nos últimos bancos adjacentes do fundo, e percebi que o Uchiha menor ficou me encarando de um jeito bem suspeitoso antes de sentar do lado oposto ao meu. Esse menino poderia ser tão diferente! É tanto potencial para nada, já que o destino não colaborou, e o que ele tem de atraente tem de recatado e sem graça.

Sasuke tem minha idade e foi minha primeira e última paixão platônica. O conheci quando ele se mudou para Konoha com doze anos e até hoje nunca vi um menino tão primoroso de rosto como ele. Ele herdou completamente a beleza de Mikoto em traços tão masculinos e suaves que o fazem ser o cara mais bonito que eu conheço mesmo que seja um chato careta, mas que é sempre todo educado e prestativo. Na primeira vez que o vi sentado atrás de mim na sala de aula, achei que aqueles cabelos e olhos pretos lhe davam uma aparência misteriosa e enigmática. E me iludi achando que o novato calado poderia ser interessante e diferente dos cafonas que me rodeavam.

Mas eu deveria saber que aquele cabelo arrumado com gel não era falta de estilo e que sua aparência impecável escondia a origem de mocinho correto. Passei seis meses acreditando que Sasuke era minha perdição, e somente no dia que ele veio me entregar um envelope com o símbolo de sua igreja evangélica bem grande na frente com aquele jeito todo respeitoso no estilo de “estou te chamando para o culto” enquanto eu o olhava assustada, acordei para a vida e nunca mais perdi meu tempo com esse projeto de bobão. Ele continua me entregando uma carta dessas todo ano, e eu não sei porque aceito, já que nunca as irei abrir e me converter para sua religião.

Sete anos se passaram e a criatura ficou ainda mais bonita, mas cedo passou à vestir o mesmo terninho que seus irmãos evangélicos e tornou-se o verdadeiro exemplo de um almofadinha. Ele é mais alto que Sai, mas não chegou à altura de Itachi ainda. Também é o mais atraente entre os três, mesmo com aquele cabelo trabalhado no gel sem um fio fora do lugar e suas roupas cafonas. Seu rosto é todo delicado e formoso como o de um anjo, mas não é realmente o espécimen dominante que me atrai. Ele não é bonito no estilo macho alfa, não tem nem sequer um pelo no rosto e suas roupas formais e largas não mostram nada. Provavelmente nunca vai ser capaz de pegar uma mulher de jeito, e de que adianta ser tão bonitinho quando se é insosso por dentro?

Mas ainda sim é um desperdício um homem lindo desses ser quem é. O destino foi cruel conosco mulheres, tanto potencial jogado fora e esse babaca só vai perder a virgindade igual uma donzela em sua noite de núpcias. Entre eu e o almofadinha do Sasuke, posso afirmar que ele está na pior.

Isso me consola até certo ponto. Sasuke é tão lindo e formoso. Eu o estragaria com maior prazer.

O olho de esguelha, vendo que ele está lendo um pequeno livro, provavelmente a bíblia, com bastante atenção. Usa um terno cinza claro e uma camisa verde clara abotoada até o pescoço, a qual não revela nada de seu corpo. Seus cabelos sempre ordenados com gel, assim como sua postura que é tão impecavelmente ereta e arrumada como toda sua aparência. A expressão de seu rosto é suave, leve como a de um anjo, desmerecedora de seus olhos da cor de um negro intenso como a escuridão da meia-noite.

As origens não enganam, a pose de bom-moço está impregnada. Não tem mais salvação.

Somos tão diferentes.

Pena que Sasuke é crente.

E eu sou completamente apaixonada por pecados.

 

 


Notas Finais


Postando esse rápido porque quero deixar o enredo bem introduzido, apesar de que somente o próximo vai encaminhar as coisas.. Do jeito que a gente vai aprender à gostar aqui: pecando!

O que acharam dos nossos crentes inocentes e recatados? Esses homens, sei não em... Cuidado. ;)

Obrigada por todos os favoritos e comentários! Deixem suas opiniões.

Besos abençoados.


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