História Fire meet gasoline (Camren) - Capítulo 23


Escrita por: ~

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Categorias Fifth Harmony
Personagens Ally Brooke, Camila Cabello, Dinah Jane Hansen, Lauren Jauregui, Normani Hamilton, Personagens Originais
Tags 5hfanfic, Amizade, Camila Cabello, Camren, Cotidiano, Diferenças, Flashbacks, Lauren Jauregui, Laurinah, Norminah, Romance, Trabalho, Universidade
Exibições 499
Palavras 7.403
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Colegial, Comédia, Esporte, Famí­lia, Ficção, Orange, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olaar, serumanies! Meninas e menines, demorei mas cá estou com esse capítulo cheirosinho que eu vou dedicar pra minhas bichinhas do TEAM TERRÍVEL aka grupinho do amor <3

Mari, Kah, Jeh, Pri, Debs, Aquino, Lau, Ce, Rapha, Atriz e Mascotinha +--o--+

Já deixa aquele voto maroto e vai!

Música sugerida: Have you ever seen the rain? - Creedence Clearwater Revival

Boa leitura!

Capítulo 23 - Have you ever seen the rain?


Fanfic / Fanfiction Fire meet gasoline (Camren) - Capítulo 23 - Have you ever seen the rain?

Lauren Pov

É quente como o inferno, mas você se sente no céu. Imagine o que é ter Camila se esfregando em você como uma desvairada, tentando aproveitar cada pedacinho de sua pele em contato com a dela, sugando toda a sua energia sexual. Era assim que eu me sentia. Queimando no fogo do inferno e levitando nas falanges angélicas do céu ao mesmo tempo.

Montada em meu colo ela subia e descia seguindo seu próprio ritmo fazendo meus dedos escorregarem pra dentro de sua fenda cada vez mais fundo. Apertada, quente, molhada e extremamente convidativa para mim. Tantas coisas passavam pela minha cabeça e ao mesmo tempo nada. Eu queria trocar de posição, de descobrir um coisa nova, mas o espaço interno do carro nos restringia a ficarmos ali até o final. E eu ficaria.

Deixei que Camila seguisse seu ritmo e me limitei a acompanhá-la. A latina rebolava em meu colo com dois de meus dedos dentro de si. Vez ou outra contraia os músculos pélvicos os apertando em seu canal. Alternando beijos entre seu pescoço e boca senti que ela diminuía o ritmo das reboladas e aproveitei para concentrar meu polegar em seu clitóris e me dedicar a masturbá-la. Aquele foi o estopim. Camila gemia sem controle e já passava da borda. Mantinha seus olhos apertados e a boca aberta. Eu mordia seu lábio inferior e arfava também já entregue.

- Isso, amor. - Respirei entredentes. - Pode vir!

Camila nada respondeu. Submersa em seus movimentos e concentrada em seu prazer ela continuava rebolando em meu colo controlando as estocadas e tremendo a cada nova onda de contrações de seu corpo em resposta a massagem de meu polegar em seu clitóris. Estávamos esgotadas e o fim estava próximo. Entendendo os sinais de nossos corpos, retirei meus dedos da entrada de Camila e me dediquei a massagear seu ponto mais sensível. A latina apoiou a testa em meu ombro e apertou os olhos com força aproveitando a sensação do orgasmo eminente.

- Fode.

- Que? - Respondi meio atordoada enquanto continuava os movimentos. A latina aproximou seus lábios do meu ouvido e, soltando propositalmente um gemido sôfrego seguido de uma lufada de ar quente, disparou.

- Eu falei "fode". Me fode, Lauren.

Deus! Por que ela tinha de fazer isso?

Perdendo toda a razão, compostura e o resquício de controle que me restava me mexi no banco em busca de uma posição melhor para atender àquele pedido. Cessei o contato com seu clitóris e investi meus dedos contra a fenda cálida e apertada. Indo cada vez mais fundo, eu já não sabia se entrava com dois ou três, mas eu sentia minha palma tocar seu pequeno nervo extremamente rígido. Camila a essa altura era só gemidos e eu tentava me concentrar.

Fui diminuindo o ritmo das estocadas e retomando a massagem com o polegar. Camila quicava em meu colo instintivamente em busca de contato a todo custo enquanto eu mordia sua boca e murmurava toda sorte de impropérios. Nossas respirações se retroalimentavam e eu não conseguia identificar onde uma começava e a outra terminava. Senti meus dedos serem quase esmagados dentro da latina e quis agradecer a Deus por todas as atividades que Camila fazia, pois elas garantiam a ela todo aquele controle muscular. Ali eu soube que era o nosso pequeno fim. Tomei uma respiração mais profunda e me deixei ir com ela, por ela, dentro dela.

- Acho que vou te dar alguns tapas esporádicos. - Comentou ela depois de me beijar carinhosamente e saltar do banco de volta ao seu lugar.

- Nem tente, Karla Camila.

- Pode ser divertido, Lo. - Me mostrou a língua e, ajeitando sua roupa, se preparou para sair do carro.

Neguei com a cabeça e decidi não prosseguir com aquele assunto. Como era possível? Uma hora me estala um tapa na cara, fica louca e me monta como se eu fosse uma bicicleta de spinning. Outra hora me beija e fica sorrindo como se nada tivesse acontecido. Parece doida.

- Dinah vai me matar!

- Você vai contar a ela?

- Claro que não, mas se ela soubesse me mataria.

- Eu pagaria pra ver a cena.

- Vai rindo. Ela atentaria contra a sua vida se soubesse que foi você quem começou.

- E como ela saberia? - Arqueou a sobrancelha. Eu apenas sorri e ela teve sua resposta. - Você não seria capaz?

- Quer desafiar?

- Claro. Conta pra ela e eu te faço um lap dance.

- Q-que? - Gaguejei com os olhos arregalados.

- Você tem a proposta, aceita se quiser. - Abriu a porta. - Isso não vai me impedir de ter um pouco mais esse noite.

- Preciso devolver o carro de Dinah. Ela estava dormindo nem sabe que eu o peguei emprestado. Prometi a Normani que o devolveria logo, ela deve estar me esperando acordada.

- Ok. Diga a ela que eu mandei um tapa na bunda.

- Oi?

- É o nosso cumprimento.

- Eu não vou dizer isso.

- Diga, ela vai entender. Para nós é tão natural quanto a luz do dia. Se duvidar eu aproveito aquela região mais que Dinah.

- Chega, Camila! Suba, tome um banho e descanse, eu volto logo.

- Vou te esperar de porta aberta. Não demore. - Bateu a porta e antes de caminhar para longe se encostou na janela e deu dois toques para que eu baixasse o vidro. - Vamos estrear a nova playlist que fiz. Ela se chama "on fire". - Piscou o olho.

- Vai dormir, Camila. - Não contive a risada.

- Vou te esperar bem acordada, LJ!

Arranquei com a 4x4 antes que eu desistisse de devolvê-la de vez. Estacionei numa das vagas destinadas ao apartamento Norminah e tomei o elevador privativo até o andar, literalmente, delas. Normani me recebeu com um sorriso, me abraçou e perguntou por Camila. Entreguei as chaves e dei breves respostas, não quis prolongar muito nosso encontro dado o adiantado da hora e também porque certa latina havia preparado uma playlist de fogo e me esperava em seu apartamento.

Voei montada em X -tina. Depois do pequeno acidente de dias atrás quando caí ao me desequilibrar na garagem do prédio ainda não tinha conseguido tempo para reparar os pequenos danos sofridos por ela. Alguns arranhões que foram amortecidos pelo adesivo e ranhuras na manete eram visíveis, nada que eu não resolvesse rapidinho na lojinha. Estacionei na segunda vaga de Camila e corri para o elevador. A porta do apartamento estava aberta como ela havia prometido e uma música ecoava baixinho pelo corredor vindo de seu quarto.

- Camila, Camila... - Saboreei deu nome em minha boca enquanto caminhava em direção ao seu quarto.

Adentrei o cômodo iluminado somente pela pouca luz da tv que reproduzia a tal playlist "no fogo" e dei de cara com a latina esparramada de bruços na cama vestida apenas com uma calcinha preta bastante cavada. Me aproximei tirando os sapatos e desabotoando a camisa. Droga! Ela havia dormido. Livrei-me do resto de minha roupa e subi na cama para deitar ao seu lado. Apanhei o controle remoto na cabeceira e desliguei a tv tornando o quarto um completo breu. Me aconcheguei ao seu corpo e lhe beijei o pescoço algumas vezes.

- Você demorou, Lo. - Ela sussurrou sonolenta.

- Relaxa, Camz. Descansa. - Inalei o cheiro gostoso de seu pescoço.

- Hum, assim você vai me fazer esquecer o cansaço pra me esfregar em você até perder os sentidos. - Ronronou como um felino enquanto eu continuava alternado beijos e cheiros em seu pescoço e nuca.

- Você tá mesmo cansada não é? - Ela assentiu manhosa. - Relaxa e aproveita então. - Disse com as mãos em seu quadril com os dedos enrolados na lateral de sua calcinha.

Dei a Camila um oral daqueles bem caprichados que te deixam molinha molinha pesando nada mais que alguns gramas. E ela flutuou como um balão cheio de gás hélio antes de cair nos braços de morfeu com a face tão serena que eu lutei contra o meu próprio sono para observá-la um pouco mais.

Camila Pov

Acordei nos braços dela. Eu não precisei abrir meus olhos para constatar o óbvio. Eu estava nos braços de Lauren. Dormi e e acordei entre aqueles braços quentes e aconchegantes. Que mais eu podia querer? Depois do show particular que protagonizamos no carro de Dinah, Lauren fez questão de me presentear com uma chapada divina no meio da noite. Eu estava cansada demais para participar ativamente do processo, mas desfrutei de um orgasmo incrível ao final. As coisas haviam se tornado bastante sexuais nos últimos dias, não que eu estivesse reclamando, afinal eu era a maior responsável pela formação daquela aura libidinosa, pois, nos últimos dias eu estava fazendo de tudo para provocar a futura engenheira, mas eu sabia que aquilo não resolveria tudo entre nós.

Levantei antes de Lauren como o habitual e cumpri religiosamente a minha rotina de higiene e cuidados matinais. Com a pele do rosto e os dentes impecáveis me encaminhei para a cozinha a fim de fazer um café decente para a garota de olhos verdes. Não era uma questão de troca, era uma questão de cuidado.

Quando eu terminava de organizar a mesma uma Lauren despojada mas incrivelmente linda em seu jeans preto e uma t-shirt de malha cinza, que eu usava como pijama, cabelo preso em um coque desajeitado no alto da cabeça e seus tênis pretos nos pés surge em meu campo de visão.

- Bom dia, Camz! - Ela sorri manhosa. Uma gatinha mesmo.

- Bom dia, babe. Acordada tão cedo. O que houve?

- Eu coloquei o despertador porque eu queria ir em casa trocar de roupa pra te acompanhar ao médico, mas achei essa camisa no seu armário e decidi tomar uma chuveirada aqui mesmo e ficar com ela. Espero que não se importe.

- Essa casa é sua, Laur. Vem, senta. - Puxei a cadeira. - Eu te fiz um café.

Suco, frutas, torradas, geléia e pão integral compunham o cardápio. Lauren pareceu contente e comeu bastante enquanto eu me limitava a uma porção de frutas em cubos. Enquanto Lauren me contava sobre seu projeto de gerador, dos avanços e retrocessos, de seus serviços para o Pascal e os 'freelas' como ela chamava reparei que a camisa que ela havia apanhado em meus closet era na verdade de Charile. Ele esqueceu a maldita malha sem graça e caríssima aqui em uma de suas primeiras visitas. Como naquela época a nossa relação era promissora fiquei com a peça e a usava como pijama quando queria ficar mais a vontade. Que droga, Lauren. Péssima escolha! Decidi não aborrecê-la com isso e lhe poupei da informação sobre o dono da camisa.

[...]

- Então, Camila, como Ally lhe informou nós consultamos seu histórico junto a seu médico de família, o Dr. Evans. Obrigada por pedi-lo para enviar as informações por email. - Segurou alguns papéis que eu imaginei serem os resultados dos exames e me encarou com o semblante sereno. O oposto ocorria com a mulher de olhos verdes sentada ao meu lado. Lauren tinha nos olhos, nos lábios e segurava minha mão como se dissesse com aquele gesto que estava ali por mim. Para mim sem que importasse o resultado. - Camila, os seus exames revelam uma carência de ferro, que com ajuda de seu médico de família definimos como causa atribuída à má absorção. O défice de ferro ocasiona uma diminuição das defesas imunitárias e, portanto, de um lado, uma menor resistência às infecções, e de outro, um risco adicional de câncer por esta menor resistência, além de alteração nas estruturas epiteliais. - Dr. Oglee terminou sua explanação.

- Mas como assim? Eu me alimento tão bem, faço exercícios regularmente, não consigo entender.

- Calma, Camz. - Lauren acariciou minha mão e dirigiu-se ao Dr. - E o que seria essa ferritina? Eu lembro do termo, mas a definição me escapa à memória.

- Como posso ser mais claro. - Pensou por alguns segundos. - Bom, a ferritina é a mais importante proteína de reserva do ferro e é encontrada em todas as células. - Lauren concordou com a cabeça. - O ferro da ferritina é facilmente mobilizável quando o organismo dele necessita. Então, sendo extremamente sintético, o que ocorre com Camila é a diminuição da ferritina. O seu diagnóstico é negativo para anemia ferropriva. - Pela minha expressão de confusão ele reformulou. - Você não apresenta um quadro anêmico, efetivamente, mas temos de cuidar para que o estágio não evolua.

- E qual seria o tratamento? - Lauren intervém.

- Basicamente, reeducação alimentar, já que Camila é adepta aos exercícios físicos.

- Mas eu não entendo, eu me alimento bem. Priorizo orgânicos, frutas, legumes, uma alimentação quase vegetariana.

- E é aí que está o problema. Você tem fugido de seu médico não é?

- Eu odeio hospitais, desculpe Dr. Meus pais são médicos e...

- Você é mesmo filha de Alejandro e Sinuhe Cabello?

- Sim.

- Nossa!

- Seus pais são mesmo celebridades? - Lauren pergunta risonha. Reviro os olhos.

- São sumidades das ciências médicas, sobretudo na área estética e plástica. - Faz uma pausa ao perceber sua empolgação. - Desculpe. Então, Camila, você mudou sua alimentação sem consultar o seu médico e por isso estamos discutindo seu tratamento agora. O que acontece é que a sua ferritina está baixa, e isso compromete o funcionamento do seu "corpo", vamos colocar assim. Bom, eu vou te encaminhar a um endocrinologista amigo meu e vou te dar seu histórico e diagnóstico para que você procure um nutricionista. Você, provavelmente, terá que ajustar a sua alimentação. No mais, retorne aqui depois de consultar esses dois profissionais para que possamos rever o seu quadro, ok?

- Ok.

Nos despedimos do jovem médico e Lauren fez questão de carregar os papéis que Troy nos entregou. Depois de muito discutir o que faríamos a seguir, a danada conseguiu me convencer de que era melhor realizar logo as consultas. Ligou para o laboratório sob altos protestos de minha parte e pediu liberação para me acompanhar na jornada clínica. O endocrinologista, Dr. Edward realizou alguns procedimentos básicos e pediu que eu retornasse em um mês, já a nutricionista, Dra. Neiva, após analisar os resultados da bateria de exames iniciou uma das conversas mais dramáticas que já tive.

[...]

- Eu detestei! - Falei exasperada.

- Camz, é necessário. Dra. Neiva disse que depois de um tempo você pode ir modificando a dieta, substituindo os alimentos que você não gosta tanto por outros com menos ferro. Ela disse que te ajudaria com as opções. Eu achei ela superbacana, com uma vibe bem natural.

- Eu não aceito! Eu não quero comer bife de fígado três vezes por semana. Eu prefiro morrer. - Esperneei.

- Cala a boquinha, tá? - Segurou meu queixo com as duas mãos e beijou algumas vezes seguidas. - Não fala bobagem, Camila. Eu vou te ajudar. A gente pode pesquisar uma receitas pra deixar o bife de fígado menos intragável. Que tal?

- Não. - Mantive o bico enorme em meus lábios.

- Não dificulte as coisas. - Me deu mais alguns beijos e levantou do sofá anunciando sua partida. Ainda tentei protestar mas Lauren precisava ir para casa, precisava se sentir a vontade para colocar as matérias atrasadas em dia. Eu havia monopolizado sua companhia o dia inteiro. Ela precisava retomar sua individualidade.

Naquela noite percebi pela ausência que eu dormia melhor quando tinha certos braços brancos ao redor de meu corpo.

Lauren Pov

Na manhã seguinte acordei cedo, um pequeno milagre dado o meu histórico, e senti falta da companhia de Camila no café. O quão assustador isso era? Eu não queria recuar nenhum passo de onde estávamos, na verdade, eu queria avançar, mas não queria atropelar aa coisas. Desde o término de Camila com o mauricinho, eu dormia noites seguidas com ela, e não que eu estivesse reclamando de estar tão perto, mas a ideia de sufocá-la e de me tornar dependente de sua companhia me assustava e muito.

Trocamos mensagens logo cedo antes de entrarmos em horário de aula. Camila era muito dedicada e já retomaria sua rotina de aulas e ensaios, eu era bolsista e aluna de alto rendimento e precisava me esforçar.

Depois de sair da aula e trocar mais mensagens com Camila percebi que precisaria marcar colado na latina sobre a sua nova dieta, já que a pequena diva que vivia em seu interior deu pra montar um espetáculo sobre o consumo de bife de fígado e carnes vermelhas em geral. Consegui um telefone de um restaurante com cardápios montados especialmente para reposição de nutrientes e escolhi um especifico para ela.

Mandei entregar.

Ela quase me bateu via mensagem me acusando de tentar controlá-la, mas depois me agradeceu e declarou que eu era seu anjo, o que fez do meu coração uma barra de manteiga.

Nos dias que se seguiram alternei entre pedir, surpreendendo-a, e cozinhar pra ela. Isso mesmo, eu dava um jeito de aprender receitas e executá-las, montei dois ou três cardápios e os entreguei no estúdio e na faculdade. Foi uma forma de mostrar a Camila que eu estava envolvida em sua recuperação, que eu queria vê-la bem e para isso poderia me empenhar um pouco mais. Acontece que ao final de mais uma semana foram anunciadas as datas dos testes finais e eu já não consegui me desdobrar para acompanhar as refeições de Camila de perto, mas ela parecia menos relutante com as carnes, beterrabas, e cítricos que ajudavam na absorção do ferro, já que ela mesma estava tomando conta do preparo de alguns pratos.

Relaxei, afinal ela não precisava de uma babá apenas de algum incentivo. Concentrei minha energia na produção do relatório que já estava bastante adiantado e nos trabalhos que me apareciam na oficina. Dinah já tinha me solicitado para a semana seguinte às provas para uma revisional em sua nova "casa", que só pela descrição estava mais para uma mansão, e mesmo que eu insistisse em não aceitar seu dinheiro tem certeza que a visita em renderia um belo depósito em conta. Nada mal tendo em vista o que gastei com as marmitas gourmets e alimentos orgânicos pro cardápio de Camila. É amigos, namorar custa caro.

Espera... Deixa pra lá.

Encontrei com Keana no campus e aceitei seu convite para almoçar no restaurante novo que abriu recentemente no centro. Resolvi ligar para Camila antes para me certificar de que estava tudo bem. Keana era uma ótima companhia e eu estava muito a vontade em sua presença naquele ambiente aconchegante até avistar certa criatura de sobrancelhas engraçadas e ar soberbo entrar acompanhado de um outro rapaz no local.

Os dois sentaram numa mesa atrás da nossa e desde então não tive paz. Os assuntos se alternavam entre carros de luxo, marcas de roupas, rendimento acadêmico e depreciação de mulheres. Keana vez ou outra revirava os olhos e eu já me preparava para perguntar se ela queria se retirar quando ouço a pérola.

- E aí como ficou a situação com a gostosa lá? - O tal amigo perguntou.

- Ela terminou. - Fez uma pausa, parecia beber alguma coisa. - Mas ela vai se arrepender. Aquela vadia gostosa vai me implorar pra voltar.

Para mim foi o estopim. Como aquele verme ousava falar dela assim? Camila era uma deusa. Ele nem mesmo era digno de ter o nome dela em sua boca imunda, imagine só referir-se a ela daquela maneia. Virei- me de um solavanco e apontei o dedo em sua cara.

- Você nunca mais fale assim dela!

Enquanto seu amigo olhava para mim com os olhos arregalados, Charlie tinha o cenho franzido revelando sua confusão. Meu peito ondulava frenético pelas batidas aceleradas e a respiração ofegante.

- Quem é você? - Ele me observava atento procurando por alguma resposta, mas quando seus olhos se fixaram na camisa que eu vestia uma lâmpada pareceu acender-se acima de sua cabeça e ele balbuciou: Camila.

- Você nunca mais fale dela assim! - Fechei o punho e desferi um soco em seu rosto. - Nunca mais!

Seu amigo logo tomou a frente o defendendo e no segundo seguinte senti as mãos de Keana segurando as minhas e tentando me afastar dos dois.

- Você está louca garota? - O amigo esbravejou. - O que tem Camila a ver com isso? Nós estávamos falando de Natalie.

- O que? Quem é Natalie? - Sacudi a cabeça tentando organizar meus pensamentos.

- Natalie é uma colega de turma. Ela terminou o trabalho em grupo e dispensou Charlie da equipe. - Ele também parecia confuso. - Quem é você? Por que bateu nele?

- Eu... - As palavras fugiam de mim a todo custo. Eu tentava em vão formular uma frase coerente.

- Eu sei quem ela é. - Charlie interveio massageando o rosto com um olhar malicioso. - Agora eu sei.

- Você é um palhaço! - Bradei.

- Foi tudo um mal entendido. - O amigo tentou apaziguar.

- Mal entendido nada. Não se fala de mulher nenhuma assim. - Keana rebateu. - Vem, Michelle, vambora! - Pousou as mãos em meus ombros e tentou me conduzir ao caixa para que pagássemos a conta e saíssemos dali o mais rápido possível.

- Não finja seu nome, eu já juntei todas as peças. - O mauricinho disse me encarando com um misto de ódio e nojo no olhar.

- Meu nome é Lauren Michelle Jauregui Morgado, e é um desprazer conhecê-lo. - Cuspi as palavras e vi seus olhos se arregalarem imediatamente após ouvir meu último sobrenome.

Keana me arrastou pela mão quase como Camila costumava fazer e eu senti um aperto em meu peito ao lembrar da latina. Minha mente trabalhava frenética e apavorada imaginado as consequências dessa situação. Keana pagou pelo almoço sem me dar chance de argumentar. Eu estava completamente fora de órbita ainda tentando entender como aquilo aconteceu quando fui bruscamente realinhada pela voz irritante de Charlie.

- Vai ter volta! - Disse baixo ou passar por mim em direção a saída do restaurante.

Keana fez um carinho no meu ombro e me fitou com os olhos duplicantes em um pedido mudo de calma. Respirei fundo e deixei que ela me conduzisse para longe dali. Fiz o percurso até o Departamento de Arquitetura e Urbanismo em tempo recorde recebendo alertas da mais velha que amava velocidade, mas que se preocupava ainda mais com a nossa integridade física. Retirei o capacete e me encostei na moto que descansava próxima a calçada de entrada do prédio. Corri as mãos pelo emaranhado de fios que se encontrava o meu cabelo naquele momento e bufei.

- Aaaa! Que merda. Como eu pude ser tão burra?

- Lauren, tu assumiu uma postura defensiva. Ligou uma coisa a outra e fez o que de certa forma tu sempre quis.

Franzi o cenho e ela prosseguiu.

- Confrontou o boy e deu um bom cruzado de direita na fuça dele. Ele é namorado dela, é normal tu rivalizar com ele, ele está no lugar em que tu queria estar.

- Ex, e eu não queria estar em seu lugar. Nunca quis. - Rebati.

- Lauren, amor.. Para! Nem tu acredita nisso mais. Tá estampado na tua cara que tu quer desesperadamente namorar com a bunduda.

- Não, Kea. Camila e eu somos um caso complicado. O que nós temos é especial, mas rotular só estragaria as coisas antes do tempo.

- Bata na sua cara antes que eu mesma o faça. Qual é? Os bares da cidade sentem a sua falta. Nunca mais ouvi falar de alguém ter recebido um cartão teu.

Um tique-taque instalou-se em minha mente e a cada piscada que eu dava um clique confirmava a tese de Keana.

- Eu tenho trabalhado pro Pascal e produzido muita coisa acadêmica.

- Não! - Levantou a mão direita com a palma aberta a frente do meu rosto. - Admita, Lauren! Tu passa mais tempo com ela do que o tempo acumulativo que tu já passou com 70% dos seus casos. E eu aposto que tu não tem visto mais ninguém desde então.

- Eu..

- Você até engordou! - Ela exclamou me fazendo abrir a boca involuntariamente. - Não me leve a mal, eu acho essa barriguinha sexy, inclusive, mas isso é apenas mais um indício do teu namoro não rotulado. - Piscou e sorriu.

E ali eu não tinha mais argumentos.

- Esfria a cabeça. - Me beijou a testa e enganchou o capacete no apoio de mão. - Tô indo pra minha aula, mas qualquer coisa tu me liga, tá?

Assenti e esperei que ela entrasse no prédio para partir. Cheguei em casa e tomei um banho daqueles que te dão a impressão de que limpam a alma. Tentei jogar uma partida de videogame, tentei continuar a escrever meu relatório, mas nada conseguia segurar a enxurrada de pensamentos que me atacava minuto a minuto. Pensei em ligar pro Thomas, mas ele não estava a par da situação como um todo para me ajudar de alguma maneira. Liguei para a única pessoa que poderia me aplacar aquela angústia. Fosse com algum bom conselho ou com seus desaforos, Dinah Jane Hansen era meu refúgio mais seguro.

[...]

- Não acredito que você desceu o cacete naquele babaca. - Dinah comentou me analisando enquanto tomávamos uma limonada que Normani havia feito pela manhã.

Depois de ler e responder minhas mensagens não demorou mais que vinte minutos para que Dinah me recebesse em seu apartamento.

- Eu não pensei direito, Dinah.

- Te entendo. Macho escroto não me desce mais. - Tomou mais um gole de sua bebida e voltou a me fitar atenta. - Mas e aí, como ela reagiu? - Diante de meu silêncio ela presumiu o óbvio. - Por que você não contou a ela?

- Keana me disse que seria melhor esperar um pouco. Eu tava muito nervosa. - Dei de ombros.

- Keana? - Levantou a sobrancelha inquisitiva. - Laurenza...

- Nem vem. Foi só um almoço.

- Liga pra anã bunduda. Anda, Jaguaribe! Liga logo. Se adianta. - Levantou caminhando na direção da escada. - A essa altura ele já ligou e deu a própria versão. - Negou com a cabeça. - Não foi assim que eu te criei.

Marquei o contato de Camila e esperei. Esperei. Esperei até a chamada ser encaminhada para a caixa de mensagens. Depois do bipe enchi os pulmões e escolhi as palavras.

- Hey, Camz! - Ri nervosa. - É... Aconteceu uma coisa um pouco chata agora no almoço. Me liga assim que pegar esse recado, tá?

Droga! Ela vai me matar. Como eu pude ser tão impulsiva e inconsequente? Deus! Onde eu tava com a cabeça, eu cometi uma agressão. Ele podia me ferrar se quisesse. Ela pode ferrar com a Camila. Todos esses pensamentos fervilhavam em minha cabeça ao mesmo tempo me causando um calor descomunal. Comecei a suar e a sentir minha respiração cada vez mais irregular. Eu estava a beira de um surto e não podia evitar. Não conseguia mais parar meus pés quietos e roía as unhas freneticamente quando uma Dinah assustada me avistou da escada e correu até mim.

- Lauren, o que aconteceu? - Me abraçou retirando meus dedos da boca e massageando minha mãos. - Você falou com ela?

- Eu estraguei tudo, Jane. - Me aconcheguei em seu abraço. - No fundo, a otária sempre fui eu.

- Para, Lauren! - Me sacudiu de leve. - Vai lavar o rosto e volta aqui que elas estão chegando.

- O que? - Meus olhos provavelmente saltaram da caixa.

- Normani e Camila estão vindo pra cá. Olha, Lauren, me desculpa se eu me meti na sua vida, mas poxa.. Você é minha melhor amiga e eu não aguento te ver assim. Liguei pra Normani e expliquei a situação por alto e elas estão vindo pra cá.

- Ok. Obrigada, Dj. - Ela piscou e me estalou um tapa na bunda sinalizando para que eu seguisse para o banheiro me recompor.

Karla Camila Pov

Eu nunca tinha visto Lauren tão nervosa de um jeito inseguro como ela estava quando eu cheguei ao apartamento de Normani e Dinah. Logo as donas da casa nos deram licença para conversar e eu assisti a todo nervosismo e a insegurança de Lauren tornarem-se medo. Depois de gaguejar e se atrapalhar com as palavras ela enfim conseguiu me explicar a situação por seu ponto de vista. Charlie já havia me ligado para ameaçar e falar várias merdas sobre mim. Enquanto ela terminava de contar o ocorrido no restaurante eu ponderava sobre contá-la ou não sobre a ligação do meu ex. Quando ela iniciou seu discurso de mea culpa e quase chorou por acreditar ter me prejudicado decidi que não esconderia nada dela e revelei o teor da ligação que Charlie me fez logo após o ocorrido.

- Calma, Laur. O que está feito, está feito. Agora é esperar a poeira baixar e ver o que ele vai fazer. Talvez nem faça nada.

- Eu tô arrependida do que eu fiz, mas se ele vir atrás de você ou tentar qualquer gracinha, pode apostar que eu quebro a cara dele. - Disse emburrada.

Saltei do meu lugar no sofá e avancei sobre o seu colo segurando seu rosto entre minhas mãos. Iniciei um beijo calmo, mais pra um roçar de lábios carinhoso que qualquer outra coisa, e finalizei com uma sequência de selinhos.

- Hum, sabe que eu adoro essa sua postura protetora e meio brigona, eu sou culpada. - Levantei as mãos em rendição. - Mas você sabe que violência só nos coloca em desvantagem.

- Me desculpe por isso.

- Tudo bem, Lo. - Me ajeitei melhor em seu colo. - Agora... Acho bom você me explicar quem era a bela mulher que estava com você.

- Como.. É claro, ele te disse o quão forte meu soco é? - Ela debochou.

- Por que você demora tanto pra me contar as coisas, Lauren?

- Keana me chamou pra almoçar e eu aceitei. Só isso. - Estreitei os olhos. - Ela minha amiga, Camila. Inclusive se não fosse ela pra segurar minha onda eu nem sei como teria sido.

- Tudo bem, tudo bem... Mas eu continuo com ciúmes. - Fiz bico e ela logo rodeou seus braços a minha volta e me beijou com todo o cuidado e dedicando um atenção devota aos meus lábios.

Ficamos nos beijando e aproveitando a companhia uma da outra até que Dinah apareceu na sala e nos atirou almofadas que apanhou em um dos sofás.

- Podem ir parando com esse sabão aqui na sala da minha casa. - Lauren ria feito boba e eu me limitava a revirar os olhos. - A gente dá a mão e vocês tomam o corpo todo. Já se acertaram? Ótimo! Agora mantenham as mãozinhas aonde eu possa ver. Mal saíram de uma suspeita da cegonha e já querem correr o risco de novo. Segura esses dedinhos nervosos, Jauregão.

- Ah... Mas ela não segura mesmo. - Comentei despretensiosamente.

Normani apareceu e abraçou a polinésia por trás plantando um beijo na lateral de seu pescoço.

- Deixa elas, amor. - Sentou no sofá do lado oposto ao nosso. - E não é como se você precisasse vigiá-las para impedir que elas maculem o seu lar sagrado. - Fez aspas no ar. - Elas já dormiram aqui.

Dinah tinha um bico nos lábios. Fingia uma chateação descabida por supostamente termos transado em sua casa. Ah se ela soubesse que nem o seu amado carro escapou do nosso fogo. Senti seus olhos queimando sobre mim e só tive tempo para me colocar atrás de Lauren diante de seu ataque.

- Repete, tanajura! - E só aí me dei conta de que o pensamento me escapou pela boca. - Aaaa eu não acredito em você, sua anã foguenta. Meu carro não!

- Dinah, calma. - Lauren tentou apaziguar enquanto me mantinha protegida com um braço atrás de suas costas e mantinha o outro estendido fazendo a contenção da amiga enfurecida.

- Jaurilene, não se mete!

- Não foi nada demais. - Lauren continuou.

- Jaurilene, me dá licença! - Normani notando que a brincadeira já beirava o limite se aproximou para conter os ânimos. - É por isso que eu brigo com ela, amor. - Resmungou sendo conduzida por Normani para a área da cozinha.

Lauren Pov

Depois de alguns minutos, alguns cafunés copos de limonada, que a propósito era uma delícia, Normani conseguiu domar fera polinésia e trazê-la de volta ao nosso convívio. Engatamos uma conversa boa sobre como se daria a mudança das duas para a tal casa no condomínio fechado que teria custado a Dinah uma série de cortes anuais em suas regalias. Algumas coisas já estavam desinstaladas e encaixotadas, elas esperariam pelo decreto oficial de férias que viriam em poucas semanas para agilizar o processo de instalação e ocupação do espaço. Enquanto Dinah vislumbrava e narrava como seriam as festas em sua nova casa reparei pelas vidraças que a noite já começava a cair e resolvi me adiantar.

Camila seguiu para sua casa com a promessa de que iria para o meu apartamento logo mais e que dormiria comigo essa noite. Cheguei em casa e só então me dei conta de que amanhã não teria nenhum compromisso e não tinha programado nada pra fazer hoje a noite. Considerei minhas opções e fui descartando uma a uma. Ligar para Dinah e chamá-la para jogar videogame? Ligar para Dinah e Normani e chamá-las para ir ao Wills? Ligar para Dinah e chamá-la para ir ao cinema? Ligar para Thomas e convidá-lo para as mesmas atividades atribuídas à Dinah? Espera...

Um pingo de chuva caiu do céu e clareou minha mente. Ligar para ambos e chamá-los pra jogar bola na chuva! É claro! Como não pensei nisso antes? Tá, talvez porque seja uma coisa um pouco improvável e não comum, mas eu sentia tanta falta de jogar bola na chuva como quando era criança na minha cidade natal. Bom, a chuva já havia sido providenciada, eu tinha uma boa bola na dispensa e amigos pra jogá-la comigo. Considerei o fluxo de trânsito e me convenci que era possível sim jogar na rua ao lado do prédio.

- Alô, Dj!

- Fala, coelha nojenta!

- Viu que tá chovendo?

- Me ligou pra falar do tempo? Ou é mais um fetiche do frodo, trepar ao som da minha voz no telefone?

- Ah qual é, DJ, foi uma única vez.. - Disse referindo-me ao episódio que Camila e eu protagonizamos em seu carro e que ela acabara de descobrir. - Não é como se fosse acontecer de novo.

- E não vai mesmo. Eu quebro a cara de vocês, hein? Eu vou mandar passar o caça grilo no meu carro, suas demônias. - Esbravejou.

- Hey, tá chovendo aí?

- Tá nublado e frio, acho que vai. Droga! Vou ter de colocar o pessoal pro salão coberto. Vou receber a junta da ação social aqui em casa.

- Poxa! Ia te chamar pra bater uma bolinha na chuva comigo e o Thomas.

- Seria meu sonho? Só se.. - Ela ponderou por um tempo. - É na rua, na chuva e no talento? - Ela perguntou fazendo referência a uma gíria nossa.

- Pode apostar que sim!

- Pois pede um lote de pizza que eu vou passar no supermercado e pegar um isopor gg cheio de cerveja pra gente agitar essa CRT. Vou levar o bonde!

- Vem!

Desliguei a chamada e me preparei para pedir o "lote de pizzas". Dinah traria a junta de trabalhos voluntários que ela era membro associada desde antes mesmo de ingressar na universidade, foi por meio dela - de uma missão para ser mais específica - que ela conheceu sua companheira de vida, a bela Normani Hamilton, futura Sra. Hansen, se eu bem conheço minha melhor amiga não demorar muito pro casório oficial, então precisaríamos de muita comida. A junta era composta por gente de várias áreas do conhecimento, de dentro e de fora da universidade, o trabalho era lindo, eu esperava juntar-me à eles tão logo fosse possível. Eu já respondia por muitos compromissos, precisava ter certeza antes de me voluntariar.

Desliguei a ligação com a pizzaria e encarei a bela figura da latina mais quente que eu já conheci em minha vida. Camila estava linda, casual, simples como quem veio apenas para dormir e mexer um pouco com a minha cabeça antes disso. Seu cheiro se espalhou pelo ambiente e ela caminhou com toda a destreza, confiança e charme que lhes eram inerentes até mim. Depositou um selinho em meus lábios e sorriu com os olhos grandes.

- Chamei a Dinah e ela chamou o pessoal da missão pra gente jogar na chuva. Tudo bem pra você?

- Eu já ia comentar da chuva lá fora. Vocês vão mesmo jogar na rua? - Ela perguntou meio insegura.

- Vocês nada! Nós vamos. - A abracei pela cintura. - Eu vou mostrar pra você como se joga na rua, na chuva e no talento. - Roubei um beijinho breve. - Prepare-se senhorita Cabello, hoje você será iniciada no RCT. - Pisquei e apanhei o celular para ligar para Thomas.

Enquanto eu convidava o Tontom para juntar-se a nós percebi o olhar curioso de Camila sobre mim.

- Prontinho! Daqui a pouco eles estão chegando. O que você vai vestir?

- Eu nunca tomei banho de chuva na rua assim por vontade própria, eu não sei o que vestir. - Ela confessou acanhada.

- Tudo bem, estrela. Você só precisa estar a vontade, afinal você vai jogar. Vem!

Trocamos de roupa e descemos para receber as caixas de pizzas e encontrar Dinah estacionando a pick-up do outro lado da rua. Alguns rapazes dividiam espaço com um grande isopor, que eu imaginei estar carregado de bebidas, na caçamba. Dentro do veículo mais gente e alguns apetrechos pros jogos. Logo eles começaram a descer e nós fomos nos cumprimentando de forma aleatória. Quando eu achei que já estava tudo certo, Thomas Augusto encosta o Fiat Toro de seu pai atrás da Hilux de Dinah e desce com mais bebida acompanhado de alguns dos rapazes que frequentam a boutique do carro. Agora a festa estava completa.

[play na canção ou imaginem ela de fundo]

A chuva seguia firme e eu voava baixo correndo pela pista molhada driblando e tabelando com Thomas, fazíamos uma bela dupla, o que nos rendia piadinhas de Dinah. Normani ligou o som do carro baixinho pra não incomodar a vizinhança e ensaiava alguns passos com Camila na calçada enquanto esperavam pelo time de fora no vôlei que rolava do lado oposto da rua. A latina e eu trocávamos olhares e sorrisos de vez em quando, eu queria me certificar que ela estava passando esse tempo tão bem quanto eu, mas não queria parecer afobada e além do mais eu estava jogando muita bola contra Ally e Dinah. A baixinha estava mais interessada nas cervejas do que nas jogadas, e eu pensava em como ela havia se tornado alguém especial pra mim em tão pouco tempo.

Dinah preparou a 'bicuda' e me acertou em cheio na cabeça. Tudo ao meu redor parou e o mundo girou mais rápido, podia jurar ter visto as famosas estrelas. Todos correram em minha direção e eu apoiei as mãos nos joelhos para não cair. Fui amparada por vários braços e logo eu estava sentada na tampa da caçamba da pick-up de Dinah. Isso mesmo, sentada no carro da minha suposta assassina. Camila segurava minha mão e me perguntava a todo momento se eu estava bem.

- Saiam da frente, deixa eu prestar meus serviços a minha amiga aqui. - Ally disse se aproximando com uma lata de cerveja fechada nas mãos. Me observou de perto, me estendeu a lata e soltou a pérola. - Toma! Coloca na cabeça por uns minutinhos depois abra e beba. Vai ficar tudo bem! - Beijou minha testa e saiu correndo em direção ao isopor que estava na calçada, pegou uma lata abriu e piscou em minha direção. Era uma graça aquela pequena mulher tão fofa e tão forte. Independente! Imagino que Ally era capaz de exigir que um homem a fizesse gozar, tamanha era sua confiança e autonomia.

Minha visão já havia se reestabelecido quando olhei de volta para a pequena Ally que gritava com a grande Dinah que agora estava próximo a rede de vôlei. Imaginem a cena, Ally segundando uma lata de cerveja, levemente alterada, esbravejando com uma Dinah tentando se esconder atrás de Normani

- Meteu a trauletada na cabeça da Lauren, porra! Se não da jogar, bebe! - E as duas romperam numa risada.

No começo da rua um farol alto surgiu e Camila me olhou como se me perguntasse se eu sabia quem era. Não demorei quase nada para reconhecer o carro de cor berrante. Aquele verde pistache brega e chamativo refletia a dona: Veronica Iglesias. Encostou e desceram do famigerado Ford Fiesta o squad matador.

Camila Cabello Pov

Ver aquelas mesmas mulheres do dia do parque descendo daquele mesmo carro no qual me senti sufocada por todas as imagens produzidas por minha mente de Lauren com todas e cada uma delas. Aaaah! Mas eu não me deixaria abalar. Rodeei os braços no pescoço de Lauren e lhe beijei como se depois daquele beijo não fôssemos nos ver por semanas. Espiei pelo canto do olho e vi que elas se aproximavam todas com os olhos bem abertos. Finalizei o beijo e continuei segurando a mão de Lauren.

- Camilinha! - Assentiu. - E aí, De mel? Beleza? - Vero nos saudou e se dirigiu a Lauren.

- Beleza. - Cumprimentou todas as outras coletivamente. - Como vocês souberam do rolê? - Lauren perguntou.

- Dinah tuitou o famoso RCT fazendo propaganda e dando endereço, Vero retuitou com "seria meu sonho?", e estamos aqui. - Lucy aclarou.

- Muy amiga, hein, Lauren! Nem pra me avisar, né? Nós nos vimos hoje. - Keana ralhou.

- Foi tudo de última hora, Kea! - Lauren rebateu.

As belas mulheres seguiram em direção às pessoas que jogavam mais a frente e eu aproveitei para demarcar bem meu território. Apertei as coxas de Lauren e me aproximei de seu rosto mantendo nossas bocas a poucos centímetros uma da outra.

- Vai lá! Jogue como a camisa 10 que você é, faça gols pra mim. Vá pra rede, corte, levante, bloqueie. Divirta-se, mas saiba que eu ainda estou com ciúmes. - Apliquei dois selinhos naqueles lábios carnudos que eu tanto venero e saí rebolativa em direção aos jogadores, juntando-me a Normani na rede de vôlei.

Lauren demorou alguns segundos para retomar seu posto no futebol e sorriu pra mim ao passar e arrancar olhares de algumas das meninas. Joguei mais uma partida ao lado de Normani e resolvi me sentar na calçada para observar aquele monte de gente se divertindo na chuva no meio de uma rua de um bairro classe média baixa. Lauren e Dinah haviam mobilizado toda aquela gente para uma diversão tão lúdica e inocente como eu não acreditava ser possível. Ali ninguém ostentava seus diplomas e contas bancárias, ali eram apenas jovens homens e mulheres jogando na chuva, na rua e no talento.

Sentada na calçada pouco me importando se estava mais parecida a um pinto molhado que a Camila artista, eu abri mais uma lata de cerveja e observei o movimento dos corpos em jogo, os gritos de alerta e os de comemoração. Mesmo sentada eu também queria gritar. Queria gritar em agradecimento à Lauren por sempre me mostra que o que vale nessa vida tem o jeito dela, o jeito simples, o jeito honesto, o jeito moleque de convocar os amigos pro jogar na chuva sem se importar com o que os outros vão pensar sobre isso. E ali aproveitando a chuva e a simplicidade do famoso RCT (rua,chuva, e talento), eu perdi o meu medo da chuva e aprendi o segredo da vida: Simplicidade.

" Someone told me long ago

There's a calm before the storm

I know

It's been coming for some time"

E eu te pergunto: Você alguma vez já viu a chuva?


Notas Finais


Não esquece de votar/favoritar, me mandar mensagens, enrgia positiva e uns presentinhos, rs.

Sério, deixa o seu votinho aí que eu já fico feliz. Abraço, até qualquer hora xx

Ps.: Um momentinho.. enquanto a atualização não vem, confere essa história incrível que a menina Debs tá contando. Não é indicação é uma dicona mesmo, até porque eu sou leitora de a A bala e a Mitra.

https://spiritfanfics.com/historia/a-bala-e-a-mitra-6650947

Trailer da fanfic: https://www*.youtube.com/*watch?v=EZSMxI4U6tk (retirem os * do link)

Abraço,


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