História Firebird - nascida das cinzas. - Capítulo 22


Escrita por: ~

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Palavras 7.854
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Romance e Novela
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Intersexualidade (G!P), Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Hello folks...
Quanto tempo, não?
Pergunta não tão aleatória: Quem já assistiu Pulp Fiction?
Aquele filme com o Travolta e o Jackson. Gente eu não sei porque não assisti isso antes, é genial.

Capítulo 22 - Capítulo 22.


Fanfic / Fanfiction Firebird - nascida das cinzas. - Capítulo 22 - Capítulo 22.

"Quando ela entrou no banheiro e fechou a porta atras de si, eu fui até o closet para pegar um short e uma camiseta pra mim. Sai do quarto fechando a porta e me encaminhando para a sala. Chris estava sentado no sofá com a cabeça baixa, os braços apoiados nos joelhos e as mãos soltas na frente do corpo. Fiquei parada pensando no que eu iria falar, mas a sua voz corta o silêncio como navalha.

- Ela sabe que isso fazia parte de um acordo? 

- Do que você está falando? - ele levantou a cabeça me olhando por cima dos ombros.

- Do acordo que você fez para poder apoiar o meu namoro com Camila. - disse com puro ódio e fogo nos olhos.

- Aquele acordo nunca existiu Christopher. E que eu me lembre, o prazo para eu conseguir ficar com ela era de um mês.

- Então você só queria provar que é melhor do que eu e roubou a minha namorada?! - me aproximei sem tirar os olhos dele e parei na sua frente. Ele se levantou me encarando com a mandíbula trincada.

- Escuta aqui, eu era a última pessoa que queria que isso acontecesse. Além de ser meu irmão, você sabe de quem ela é filha. Não tivemos culpa.

- Você...

- Cala a boca. Em alguns segundos Camila vai sair por aquele corredor.- apontei naquela direção - Você vai ouvir tudo que ela tem pra dizer calado, quando ela terminar você vai pedir desculpa por ter ofendido ela e dizer que entende a situação.

- Porque eu faria isso?

- Se fizer oque eu estou mandando, eu saio do apartamento e vou morar em outro lugar. - ele me olhou agora com seriedade e demorou a responder, mas o fez eventualmente.

- Eu quero um carro também. - o olhei surpresa, mas balancei a cabeça concordando - e um...

- Não abusa da sorte. - falei entredentes - depois que estiver só nós dois, conversamos melhor. Agora é bom você ser convincente... - sussurrei a última parte, ao ouvir passos pelo corredor dos quartos.

Camila surgiu na sala e olhamos para lá. Ela estava vestida e com uma expressão temerosa no rosto. Percebendo seu nervosismo, eu estendi minha mão na sua direção. 

- Vem Camz, tá tudo bem. - disse e meu irmão se sentou de novo no sofá, se afundando no assento.

Camila chegou ao meu lado e pegou na minha mão. Eu ofereci a poltrona pra ela e me sentei no braço do móvel. Entrelacei minha mão com a dela e dei um pequeno sorriso encorajador em sua direção, antes de olhar de novo para o meu irmão.

- Então, agora que os ânimos estão controlados, eu gostaria de esclarecer alguns pontos nessa história. - fiz uma curta pausa - Mesmo correspondendo aos meus sentimentos, Camila resistiu bastante antes de se envolver comigo. Nenhuma de nós duas um dia quisemos te machucar. Nos apaixonamos, foi algo imprevisível e não suportamos a ideia de ficarmos separadas.

- Então porque não terminou comigo pra ficar com ela Camila? - Chris diz começando a se alterar e eu o repreendi pelo olhar. Ele se calou e se recostou no sofá.

- Camz? - ela levantou a cabeça pra me olhar - quer contar à ele?

- Sim. - ela disse depois de um tempo. Se aproximou da beira da poltrona e se forçou á olhar pra ele - Chris...eu não queria que as coisas entre a gente terminassem desse jeito, eu sinto muito. - ele desviou o olhar pra longe de nós duas - mas tudo aconteceu tão rápido, que eu tive que tomar um decisão imediata. - ela parou de falar, tomou um fôlego - Chris olha pra mim. - assim ele o fez, com relutância - você conhece o meu pai, sabe que ele não é um simples empresário.

- Oque seu pai tem haver com isso?

- Tudo. - eu disse e olhei pra Camila.

- Um dia, ele descobriu que você conhecia Lauren. - acariciei sua mão com meu polegar para incentiva-la - Pensou que ela estava usando você pra atingir ele através de mim. Por ela trabalhar para o inimigo. Palavras dele. Então meu pai me disse que iria dar um jeito de você nunca mais chegar perto de mim. Eu disse á ele que você não faria nenhum mal pra mim, que você era uma boa pessoa, mas ele não quis me ouvir e fez ameaças. Por isso eu disse que estávamos namorando e se ele fizesse algo contra você eu não o perdoaria.

- Eu não precisava da sua...

- Não é tudo Christopher. - o cortei e ele parou de falar.

- Meu pai disse que eu estava errada sobre você e no minuto que você mostrasse isso ele te matava. Ou se eu me enjoasse de você e terminasse o namoro, ele faria a mesma coisa.

- Ela estava tentando te proteger Chris. - ele parecia que iria dizer algo e acenou com a cabeça.

- Entendo. - ele se levanta - eu vou pro meu quarto. - ele vai em direção ao corredor, mas antes que ele saia da sala eu o chamo.

- Chris. - ele me olha e depois acena imperceptivelmente para Camila.

- Me desculpe Mila por ter te xingado. Não vai se repetir.

- Tudo bem... - Camila diz atônita e ele acena com a mão antes de se retirar da sala.

O ar parece ter ficado mais leve no ambiente e eu virei minha cabeça para Camila e beijei a costa de sua mão que eu ainda segurava.

- Pronto, já passou. - soltei sua mão pra colocar sua franja pra trás de sua orelha.

- Não acredito que teve que acabar assim. Ele não merecia.

- Ninguém merecia, admito que foi o pior jeito de descobri a verdade, mas pelo menos você não tem mais que fingir que estão juntos.

- É claro que temos Lauren. Meu pai ainda pode cumprir com oque falou. - ela se levanta parando na minha frente.

- Camila eu não quero que você se preocupe mais com isso. A partir de agora eu vou assumir as rédeas da situação.

- Como pode me pedir algo assim? - ela olha pro lado, eu me levanto virando seu rosto e segurando com as duas mãos por uns segundos.

- Confia em mim, eu só preciso fazer uma coisa e depois desta noite vai ser você e eu pra sempre. - ela suspirou e se aproximou para me abraçar e eu retribuo a apertando em meus braços.

- Eu confio em você Lauren, mas eu tenho medo.

- Eu também tenho medo Camila, medo de não ter um futuro com você. Pela primeira vez desde que meus pais eram vivos, eu tenho alegria de viver. Tudo porque você apareceu no meu caminho.

- Lauren...

- Sim meu amor? - ela levanta a cabeça pra me olhar.

- Como você pretende resolver isso?...essa situação com o meu pai? 

- É sério, não se preocupe. - selei nossos lábios demoradamente e me afastei ainda com os olhos fechados. Os abri e nos perdemos uma nos olhos da outra. Eu sorri depois de um tempo e me afastei para segurar na sua mão - acho que essa vai ser a noite mais agitada que teremos.

- Como assim?

- Vem vamos nos trocar, vou te levar pra casa.

Levei ela até o quarto, mas antes recolhemos as nossas roupas de mais cedo pelo caminho, não conseguindo evitar de sorrir. Mas quando chegamos perto do quarto do meu irmão, Camila ficou melancólica e logo entramos no meu.

[...]

Enquanto Camila terminava de tomar banho, eu liguei para Alejandro avisando apenas que estava a caminho e desliguei sem deixar que ele falasse algo. Eu me juntei a ela no banho e eu admito que apesar da tensão do momento não consegui deixar de estender nosso tempo lá dentro. Quando ficamos prontas e ela voltou a colocar a roupa que ela veio pra cá, fomos de carro para a mansão do Cabello.

Muito compenetrada sobre a decisão que eu estava tomando, fiquei em silêncio pelo percurso. Ela até me perguntou se estava tudo bem, eu apenas acenei com a cabeça. Quando  eu  cheguei na rua dela, mas não virei como de costume para ir na rua de trás da mansão, Camila se endireitou no assento e olhou pra mim.

- Lauren, oque você está fazendo? - olhei pra ela com um sorriso de lado.

- Te deixando na porta amor. - embiquei o carro no portão da mansão e ele se abriu quando os seguranças da guarita me reconheceram.

Eu passei pelo portão, parando na entrada para carros lá na frente. Quando estacionei, nós duas tiramos o cinto, abrimos as portas e saímos. Já do lado de fora e assim que fechei a porta, os dois seguranças lá da guarita apareceram do meu lado e um deles começou a me revistar.

Colaborei porque Camila estava olhando apreensiva pra mim, por isso lhe mandei um sorriso e uma piscadela. Satisfeito por não encontrar nada comigo, eles foram na nossa frente abrindo caminho, enquanto Camila e eu fomos atrás deles de mãos dadas.

Nos levaram até a grande sala, aonde pude ver que no sofá Alejandro já se encontrava reunido com dois homens, que eu reconheci estarem com ele no enterro de B. Dung e Dinah. Me surpreendi por vê-la ali, mas parece que Camila não. 

Todos eles se levantaram quando nos viram e sorriram satisfeitos como um gato depois de lanchar um rato gordo, mas com um pingo de malícia, que me escapava o real o motivo. Os seguranças se afastaram para nos deixar passar.

- Podem voltar aos seus postos senhores. - os dois acenaram e deram meia volta, seguindo por onde viemos - Camila, porque não vai com Dinah se encontrar com suas irmãs lá em cima? - Camila se aproximou ainda mais de mim, envolvendo o meu braço - não precisa se preocupar.

- Tá tudo bem Camz. - beijei o lado de sua cabeça por uns segundo e me afastei para olha-la - pode ir.

Ela ainda me olhava aflita e depois encarou seu pai. Dinah veio para a nossa frente e estendeu uma mão para ela. Camila segurou em sua mão e as duas andaram pra fora da sala em direção da escada. Ela foi subindo ainda olhando pra mim, até sumir no andar de cima.

- Está fazendo a escolha certa Lauren. - tentei ignorar o mal pressentimento gritante dentro do meu ser e engoli em seco.

- Espero não me arrepender mais tarde. Não vai ser bonito pra você. - eu disse olhando em seus olhos.

- Está ameaçando um homem na própria casa dele, garota? 

Um dos homens mais velho, parecendo ter a mesma idade de Alejandro, de peso avantajado, pele parda e vestindo um terno sob medida, se incomodou com oque eu disse. Seu nome era Gordon Hansen, o homem que levou meu pai para esse mundo de crime.

- Calma aí Gordon. - Alejandro diz achando graça.

- Você viu que atrevida? - olhou para o Cabello.

- Você já foi assim um dia.

- É, e eu aprendi a minha lição rapidinho depois que perdi um dedo da mão. - Hansen disse e eu automaticamente procurei pelo dedo faltando de suas mãos.

- Deve ter merecido. - disse com asco.

- Ah pirralha... - ele avançou na minha direção, mas Alejandro o conteve no lugar, com um pouco de trabalho, mas conteve.

- Éh, parece que a nossa reunião será mais breve do que eu planejava. Vamos para o meu escritório. - eles foram na frente e os segui para fora da sala por um corredor, até chegar numa porta dupla de madeira. Alejandro abriu um lado e passou para o lado de dentro.

Entramos junto dele, mas o terceiro cara foi o último a entrar, esperando todos nós passarmos pela porta, para então fechar ela atrás de si. Ele era negro, alto e forte, do tipo "armário". Usava um terno simples preto com a camisa branca sem gravata e tinha um brinco de argola dourada na sua orelha esquerda.

- Fiquem à vontade. Querem beber alguma coisa? - Alejandro perguntou e se dirigiu para o minibar.

- Gim e tônica. - disse Gordon se sentando em uma cadeira giratória em frente de uma mesa. Alejandro olhou pra ele e logo abaixou os olhos para oque estava fazendo sorrindo e negando com a cabeça - você pode me julgar Cabello, mas eu já vi você tomando tequila pelo nariz.

- Outra época Hansen. - ele abaixou uma garrafa depois de despejar um pouco do conteúdo em um copo de vidro transparente - e você Wallace?

- Nada senhor. - o cara negro falou pela primeira vez, já sentado em uma poltrona ao meu lado, aonde eu estava em pé perto da porta. Sua voz de trovão me deu calafrios.

- Porque eu ainda pergunto? - Alejandro disse pra si mesmo - você não trabalha mais pra mim Marsellus, agora somos sócios, pode beber na minha frente.

- Estou bem assim senhor. 

- ok... - Cabello veio para perto de nós novamente com dois copos na mão. Um entregou para Gordon e o outro depositou em cima da sua mesa de escritório - Lauren?  me acompanha no whisky?

- Não quero nada.

- Então vamos começar pelas apresentações. - ele foi se sentar na cadeira atrás da mesa - Lauren, esses são Marsellus Wallace - indicou o negro - e Gordon Hansen, meus sócios. - eu não disse nada, mas olhei de um para o outro - Senhores, essa é Lauren Jauregui, nosso novo reforço.

O tal Wallace pareceu surpreso ao ouvir meu nome, mas depois deixou escapar uma risada. Olhei pra ele da onde eu permanecia em pé e me endireitei cruzando os braços.

- Qual é graça? - ele continuou com o sorriso gozador no rosto - Sabia que eu já comi uma mina com um brinco igual o seu. A diferença é que ficava bem nela. - ele se levantou devagar e parecia pronto para me apagar ali mesmo.

- Marsellus espere lá fora por favor. - Alejandro disse depois de se levantar ao mesmo tempo que o homem.

Esse que me olha mais uma vez antes da uma risadinha de alguma piada interna e caminhar na minha direção. Quando passa por mim tromba o seu ombro com o meu, deixando um incomodo no lugar. Ele fecha a porta com um estrondo e eu me recuso a massagear aonde ele me acertou.

- Lauren, Lauren... - Alejandro deixou sua bebida em cima da mesa e caminhou até a frente dela, se apoiando ali - um conselho, se vai se juntar à  nós a partir de agora : Não mexa com aquele homem.

- Ele riu da minha cara.

- Você tem razão, não deve deixar ninguém te fazer de boba, mas tem que saber a hora certa pra reagir e quais lutas valem a pena se apegar.

- Escuta, se tudo correr bem, espero não ter que lidar com nenhum de vocês. - disse firme - eu aceito me aliar à você Alejandro, vou fazer a minha parte, não se preocupe quanto à isso. Mas você aqui e eu lá, se você perder o controle sobre os seus empregados e eles criarem confusão com os meus homens, nosso acordo encerra e as coisas voltam ao que era.

- Tudo bem, parece justo o suficiente. Só que a mesma coisa vale pra você.

- Como eu disse, vou fazer a minha parte. Só queria dizer uma coisa em relação aos serviços que vai querer da gente.

- Oque? - ele cruzou os braços.

- Você só vai se dirigir à mim. Não quero que me mande recados através de nenhum dos meus. Entendeu?

- Espera aí? Você vai fazer isso sem que seus empregados saibam? É isso?

- Primeiro, eles não são meus empregados, são a minha família. Segundo, como eu vou operar as coisas não importa. Oque te interessa é se elas vão ser executadas sem falhas. Então nada fora dos negócios é da sua conta.

- Como eu vou garantir a segurança dos que trabalham na rua? Uma intriga é inevitável se eles não estiverem cientes do nosso acordo.

- Se preocupe em avisar os seus então. Ninguém do meu lado age sem que eu saiba.

- Não sei...

- Foi você que me procurou Alejandro, tem que estar aberto as minhas exigências também. Que cá entre nós são bem razoáveis.

- E se...

- Se algo acontecer você cancela o acordo, simples assim. - ele me olhou de olhos semi cerrados.

- Tudo bem, você me convenceu. - se desencostou da mesa e veio na minha direção, parando na minha frente - então vamos selar esse acordo com o velho aperto de mão. - ele estende a mão pra mim, mas eu o deixo aguardando mais um pouco.

- Ainda não. Quero que dê a sua palavra que não vai atrapalhar a minha relação com Camila.

- Que relação? Lauren é da minha filha que estamos falando. Um dos meus maiores tesouros, então eu peço o mínimo de respeito e faça do jeito que a antiga tradição manda.

- Oquê?

- Peça a minha benção para namorar a minha filha. - eu grunhi e ele riu disso - não estou te emprestando um carro, ela é minha herdeira, sangue do meu sangue, vamos lá... 

Não acreditei que eu ia fazer aquilo. Respire fundo e disse entre dentes.

- Alejandro...

- Senhor Cabello. - o Hansen estava tentando não rir da situação, oque me deixou mais brava.

- Senhor Cabello... - ele acenou com a cabeça uma vez sorrindo - quero sua benção para namorar a sua filha, Camila.

- Credo Lauren, isso foi horrível, mas eu lhe dou a minha benção. Faça a minha Kaki feliz. - sorri amarelo pra ele - então estamos conversados, mas se magoar a minha filha eu vou te fazer pior.

- Nossa, essa sociedade vai dar tão certo. Estão até trocando carinhos. - Gordon diz e se levanta da onde estava sentado - Não fomos apresentados direito Lauren, a minha função no esquema são muitas, mas as principais é recrutar pessoas de tempo em tempo e cuidar para que o dinheiro entre na conta bancária desse cara aqui. - ele deu alguns tapas no ombro de Alejandro e depois estendeu uma mão pra mim - muito prazer.

Com relutância eu aceitei sua mão e cumprimentei, mas logo soltei.

- Sei quem você é. Foi quem introduziu meu pai nesse meio. - ele ficou com receio por um segundo.

- Parece que tem as fontes certas, poucas pessoas sabem disso. Quem lhe contou?

- Não importa. - ele sorrio amarelo pra mim.

- Não mesmo...boa pessoa seu pai. Esse tinha o olho para dinheiro. A época do Jauregui foi dourada, não foi Alejandro? - olhou para Cabello que apenas observava a nossa conversa.

- Foi sim. Dereck nunca errava em escolher a missão que nos daria mais lucro, mas não vamos falar do passado quando temos o nosso futuro promissor bem aqui na nossa frente. Lauren é a minha nova aposta. - ele se aproximou de nós dois - só não vá cometer os mesmos erros do seu velho. A ganância pode cegar uma pessoa.

- Pode deixar que eu não vou cometer os mesmos erros. A história está aí pra isso, pra aprendermos com ela.

- Ótimo, já estou com um bom pressentimento. - Alejandro diz.

- Vamos brindar! - Hansen pega o seu copo, Alejandro vai até o minibar, me serve de água e me entrega. Pega a sua bebida em cima da mesa.

- Vamos começar uma parceria promissora, que vai mudar as vidas de  muitas pessoas, inclusive as nossas. - Gordon tinha um sorriso largo ao dizer.

- Tá bom já chega. - Alejandro diz de repente com mal humor - saúde.

Acenei com a cabeça e levantei meu copo um pouco mais. Não bebi porque não confiava naquele sujeito. Deixei meu copo em cima da mesa.

- Posso ir embora? tratamos de todos os pontos? - perguntei ansiosa.

- Os principais sim, mas não tem necessidade de nos prolongarmos por aqui. Eu te acompanho até a saída.

Virei de costas pra ele e comecei a andar até a porta, fui na frente deles e pelo caminho que eu lembrava levar até a sala. Marsellus estava de pé em um canto naquele espaço, com cara de quem comeu e não gostou. Encontramos também Camila que estava acompanhada de Dinah e de uma jovem com os mesmo traços da minha Camz. Todas sentadas no sofá. 

Ela se levantou quando nos viu e parecia muito apreensiva.

- Não disse pra você ficar lá em cima com  as suas irmãs? - Alejandro diz de trás de mim conforme eu me aproximava de Camila e parava na sua frente.

Ela não o respondeu e me abraçou apertado.

- Tá tudo bem agora amor. - sussurrei em seu ouvido.

- Nós vamos poder ficar juntas? - ela olhou pra cima esperançosa com um sorriso surgindo de seus lindos lábios.

- Sim. Agora é só nós duas, sem ninguém no nosso caminho. - ela sorrio com os olhos marejados e me beijou.

- Ei oque é isso? - Alejandro diz e eu dou um selinho em Camila antes de me virar pra trás.

- Tô beijando a minha namorada. Algo errado? - antes que ele falasse algo, uma voz entusiasmada se sobressaiu.

- Você é rápida em Kaki, mas tem bom gosto. - olhamos para a garota latina e pequena que falou.

- Sofia. - Camila a repreendeu.

- Que foi?

- Sofia Isabella, vai procurar sua mãe e diga pra ela se arrumar pra...

- Me arrumar pra quê? - todos olhamos em direção de onde a voz de uma mulher madura vinha e vimos ela descer pela escada, de mãos dadas com Taylor.

- Uma reunião de família, que lindo. - Gordon fala.

- Lauren! - Taylor praticamente grita e tenta correr pela escada, mas a mulher a impede ainda lhe segurando pela mão.

Elas terminam de descer a escada e Taylor se solta dela para correr na minha direção. A garotinha se tromba comigo e eu a abraço com carinho, sem me importar de demonstrar o quanto eu amava ela.

- Você e o Chris sumiram, porque? - ela levantou a sua cabeça afim de me olhar.

- Estávamos ocupados, mas não se preocupe que vamos nos ver mais vezes a partir de agora. - ela voltou a enterrar seu rosto na minha barriga.

- Alejandro? - a mulher estava do lado do Cabello e parecia querer explicações, mas eu me adiantei.

- Muita prazer senhora, deve ser a mãe de Camila se estou certa? - me soltei um pouco de Taylor que foi para perto de Sofi e me aproximei da mais velha - meu nome é Lauren Jauregui. - disse lhe estendendo a mão sorrindo. Ela demonstrou um sinal de reconhecimento depois que ouviu o meu nome e um sorriso bonito e largo apareceu em seu rosto.

- O prazer é meu Lauren. Estava ansiosa pra conhecer quem roubou o coração da minha filha de maneira tão avassaladora. - Camila escondeu o rosto com as mãos.

- Mãe... - ela reclamou.

- Oque? do jeito que você me falou dela, achei que já queriam se casar.

- Pretendo um dia senhora, mas tenho muitas coisas que eu quero realizar com ela ainda.. - Sofi e Taylor deram gritinhos de alegria e se abraçaram olhando pra nós duas.

- Awnn, eu quero um namorado igual a Lauren - Sofi diz recebendo um olhar severo de seu pai.

- Você não quer nada garota. Acabou de largar as bonecas, não tem idade pra namorar. - ele disse arrancando um sorriso de sua esposa e um suspiro exasperado de Sofi.

- Ah pai, não vem com esses papos não. - a garota disse parecendo entediada.

- Garota se eu quiser te prendo dentro de casa até entrar na na faculdade.

- Como eu vou pra faculdade se eu vou estar presa em casa e não ganhar meu diploma do ensino médio? 

- Nunca ouviu falar de aulas particulares?

- Mãe você tá ouvindo oque ele tá falando?

- Chega vocês dois. Oque a Lauren vai pensar da gente. - só agora percebi que estava sorrindo e fiquei sem graça abaixando a cabeça - sinto muito querida, não é sempre assim.

- Não se preocupe comigo senhora Cabello.

- Agora que é praticamente da família pode me chamar de Sinu. - olhei um pouco assustada pelo seu atestado.

- Mulher você acabou de conhecer ela e já diz que ela é da família?

- Ela está namorando com a Mila então sim, ela é da família. - eu dei uma tossida pra chamar atenção.

- Bom, tecnicamente nós ainda não namoramos já que eu não fiz o pedido. - me aproximei de Camila ficando de frente pra ela - mas nós já temos a benção do seu pai. - quase revirei meus olhos.

Todos olharam surpresos para Alejandro, que apenas deu de ombros e cruzou os braços olhando pro lado em seguida.

- Então...- me coloquei em um joelho na sua frente e olhei pra cima, aonde seus olhos pareciam não acreditar no que estava acontecendo - Camila Cabello, você aceita namorar comigo?

Ela sorrio  levando uma mão ao lado do rosto. Ela acena positivamente com a cabeça e as meninas comemoram à nossa volta. Me levanto e procuro as suas mãos.

- Você tem que dizer em voz alta pra eu saber que não é um sonho. - sussurro pra só ela ouvir, mas como todos ficam em silêncio em seguida, suponho que eles também ouviram.

- Sim, eu aceito. - ela se aproxima e leva seus braços sobre meus ombros e a boca à centímetros da minha - era tudo oque eu sempre quis.

Camila me beija suavemente, um encostar de lábios e depois me abraça. Ao fundo ouvimos Taylor cantando uma música de ciranda sobre se beijar, casar e ter filhos. Sofia fingia estar chorando e Sinu abraçou seu marido de lado.

Quando me soltei de Camila e olhei pra Alejandro, pensei por um momento ter visto ele sorrir, mas Gordon fala algo em seu ouvido e ele se vira pra conversar com o Hansen em particular. Eles caminham até Marsellus e os três cochicham alguma coisa.

- Lauren, você é muito convidada para jantar conosco. - Sinu disse chamando a minha atenção e vi que ela terminava de vir para o meu lado e o de Camila - e eu não aceito um não como resposta.

- Eu não acho que seu marido vá gostar muito da ideia.

- Não se preocupe, duvido que ele vá ficar pro jantar. - ela disse baixo - e eu quero conhecer a minha nora.

- Por favor Lo fica... - Camila pede ao meu lado, me olhando com a aquela carinha que conseguiria me arrancar qualquer coisa.

- É Lauuur fiiiica. - o pedido de Taylor foi oque bastou para eu aceitar.

- Tá certo. - eu sorri fraco pra elas.

- Uhuuull! - elas comemoraram.

- Sinu eu vou ter que sair, mas acho que consigo chegar para o jantar. - Alejandro diz caminhando na nossa direção. 

- Tudo bem querido. - ela respondeu claramente incomodada.

Ele parou do lado dela e lhe deu um selinho antes de  voltar a falar.

- Querem alguma coisa da rua? - como se tivessem ensaiado aquela resposta, Sinu, Sofi e Camila falaram juntas.

- Não, obrigada. - percebi todas olhando pra Taylor conforme ele se agachava na frente dela pra ficar quase de seu tamanho.

- E você meu pudinzinho? quer que o papai traga algo pra você? - ele segurou nas mãos dela, que o olhou parecendo triste.

- Não papai, só queria que você me cobrisse pra dormir hoje. Não é a mesma coisa quando a mamãe faz. - rapidamente ela olhou pra Sinu - mas eu adoro quando você lê pra mim e me da beijo de boa noite mãe. Só que  o papai sabe imitar o Benny e é muito engraçado.

- Eu sei meu amor. - Sinu acaricia os cabelos castanhos claros e curtos de Taylor, olhando para a pequena em adoração.

- Quem é Benny? - sussurrei pra Camila e ela olhou pra mim.

- Um gato de desenho animado. - acenei em compreensão.

- Papai vai fazer de tudo pra chegar cedo, tá bom? - Taylor sorri pra ele radiante.

- Tá bom.

- Dá um abraço apertado aqui. - ela se jogou nos braços dele, que a abraçou firmemente.

Eles se soltaram e Alejandro se levantou dando um beijo no topo da cabeça de Taylor.

- Vamos Lauren? - ele diz olhando pra mim agora.

- Lauren vai ficar para jantar. - não querendo contrariar a mulher na frente dos outros ele concorda com a cabeça.

- De qualquer modo venha, eu quero falar uma coisa antes de ir. 

- Tudo bem. - eu disse.

Marsellus, Gordon, Alejandro e Dinah se despediram das Cabellos e eu acompanhei eles para o lado de fora. Quando estávamos longe suficiente pra elas conseguirem ouvir, Alejandro se pronunciou.

- Não sei como você vai fazer, mas arranje uma desculpa para ir embora.

- Porque eu iria? É só um jantar e agora que Camila e eu estamos namorando, vou começar a vir aqui mais vezes.

- Temos apenas negócios Lauren, não quero você perto da minha família.

- Como quiser, mas essa noite eu vou jantar com elas. E pare de prometer coisas para Taylor que você não pode cumprir.

- Quem pediu a sua opinião?

- Ela tem razão Alejandro. É de partir o coração ver o rostinho triste da Tay quando você cancela algum plano com ela. - Gordon diz.

- Mais um para se meter aonde não foi chamado. - ele mete a mão no bolso da calça e tira a chave de um carro de lá - vamos embora que eu tenho mais oque fazer e você - ele apontou pra mim - senta, come e vai embora.

- Sim senhor. - fiz uma continência.

- Engraçadinha... - eles se afastaram e sumiram em um lugar, depois surgiram dentro de um carro.

Alejandro ficou olhando pra mim enquanto passava e eu acenei pra ele até alcançarem o portão. Pararam com o carro ali na frente e um dos seguranças da guarita foi até a janela conversar com o patrão dele. Em um momento o sujeito olhou pra mim e acenou com a cabeça como se estivesse concordando com oque Alejandro dizia.

Com o portão totalmente aberto, eles saíram com o carro e foram embora. Assim eu pude voltar lá pra dentro com as garotas.

[...]

Enquanto esperávamos a janta ficar pronta, ficamos na sala conversando. Eu ria das irmãs que ficavam implicando uma com as outras e maravilhada com o amor que elas demostravam entre si com simples gestos. A mãe de Camila me fez algumas perguntas, mas antes que as temáticas das perguntas se aprofundassem eu fui salva por Camila mudando de assunto.

Na mesa de jantar tive bons momentos com elas, não conseguia parar de sorrir. Percebi que Sofia adorava deixar Camila sem graça contando alguma coisa embaraçosa. Que Taylor continuava sendo o doce que eu me lembrava, fazendo comentários fofos para se integrar na nossa conversa. 

Já a senhora Cabello vi que era a típica mãe latina, bem energética e super calorosa. Me lembrava a minha própria mãe e descobri ao mais tardar que se devia por elas terem a mesma origem cubana. Foi naquele ambiente que eu pude sentir mais uma vez como era um ambiente familiar estruturado.

Depois da sobremesa fomos para os fundos da mansão e nos sentamos na beira da piscina com os pés dentro da água. Em um momento dona Sinu chamou Taylor para escovar o dente e colocar o seu pijama.

Fiquei ali ainda com Camila e a irmã dela conversando por um bom tempo, até que ela resolve nos deixar sozinhas depois de um toque não tão sutil de sua irmã. Nos despedimos dela e ficamos vendo ela levantar e caminhar para dentro da casa. Camila olhou pra mim e sorrio.

- Sua família é incrível. - falei realmente cativada - você tem muita sorte.

- Nossa, fiquei com ciúmes agora. - ela fez um bico fofo e eu ri apertando a sua bochecha.

- Você não deixou eu terminar...eu ia dizer que eu também sou sortuda por ter você. - me inclinei devagar na sua direção, e a beijei. No mesmo instante notei algo. Descolei nossos lábios suavemente - consegue sentir a diferença? entre antes e agora?

- Sim, é quase como se eu pudesse respirar melhor.

- Exato, me sinto mais leve... - observei cada detalhe de seu rosto como se fosse a primeira vez -acho que isso quer dizer que estamos no caminho certo.

- Disso eu não tenho dúvidas... - ela pareceu pensativa - lembra quando eu disse que não acreditava em finais felizes, mas em momentos felizes? - concordei com a cabeça brevemente - quando estou com você sinto que eu consegui a minha felicidade plena. Até consigo imaginar o meu final feliz.

Sorri apaixonada e deslizei pela borda da piscina pra perto dela, passando o meu braço por seus ombros. E ela reagiu ao meu movimento passando seu braço pela minha cintura e apoiando sua cabeça em mim.

- Por enquanto Camz eu quero falar de presente com você. Quero que você saiba que eu estou levando esse relacionamento muito a sério. Por falar nisso vou providenciar as nossas alianças o mais rápido possível.

- Eu sei amor, só não posso evitar de pensar no meu futuro com você.

- Eu também penso, não me entenda mal. Morar juntas, me casar, ter filhos com você, seria mais do que eu poderia pedir, mas...

- Sempre vai ter um mas na nossa vida. - sua voz era melancólica.

- Se tudo der certo, sim. Quero ter mais tempo ao seu lado, mais abraços - a apertei por um momento junto de mim - mais beijos... - peguei seu rosto e enchi de beijos, fazendo ela rir.

- Laur! - eu parei para olhar pra ela melhor e vi que ela levou sua mão até a água.

- Camila... - a adverti, mas ela olhou pra mim sorrindo com a língua entre os dentes e tirou sua mão da água pra espirrar um pouco em mim.

Imitei ela colocando a minha mão na água.

- Não se atreva. - ela disse séria e eu a olhei descrente.

- Como pensa em ser punida então?

- Você não vai mesmo jogar água na sua namorada, vai? - me olhou inocente e eu sorri por sua ternura, mas no próximo segundo ela leva sua mão de novo na água e me molha mais do que a outra vez.

- Ah sua... - eu peguei ela pela sua cintura a trazendo pra mim e sorri largamente quando vi seus olhos se arregalarem.

- Lauren! não faz AAAaaaa!!!... - ela não terminou a frase porque eu nos joguei na piscina. Me soltei dela já nadando pra longe. Quando emergi e olhei pra trás vi ela nadando na minha direção e eu fui indo pra trás até encostar na beira da piscina - eu vou te matar! essa água ta congelando.

Eu só sabia rir e levantei as minhas mãos pra me defender se necessário conforme ela se aproximava. Quando estava na minha frente seu queixo estava batendo e sua preocupação não era mais me punir. Ela se abraçou e foi se aproximando de mim, colou seu corpo em mim e apoiou sua cabeça no meu peito, conforme eu a abraçava.

- Desculpa, mas você fez por merecer. - esfreguei minhas mãos por suas costas para tentar confortá-la quanto ao frio.

- Não... - seu queixo tremeu - achei que faria. - eu sorri e beijei o topo de sua cabeça.

- Vamos sair da piscina, você vai ficar doente. - me senti mal.

Eu ia me afastar, mas ela me prendeu no lugar e me olhou.

- Espera...tô me acostumando. 

- Não é aconselhável...

- Shh... - estávamos bem próximas, o suficiente pra sentir o calor das lufadas de sua respiração - me beija.

Fiz oque ela pediu e juntei nossos lábios, os dela estavam frios e eu aprofundei o beijo pra mudar isso. A girei no lugar pra prensar ela na borda da piscina e juntar nossos corpos. Peguei ela pelas suas coxas e a trouxe para o meu colo, com suas pernas em volta de mim. Eu sugava seus lábios, fazendo ela suspirar entre o beijo, oque me incitava a aperta-la.

Camila tinha uma mão na minha nuca e a outra do lado do meu rosto guiando os nossos movimentos. De repente eu nem me lembrava como era estar com frio e duvidava que ela também lembrava. Paramos o nosso beijo em busca de ar e eu levei a minha boca para o seu pescoço aonde eu sugava fraco e lentamente, deixando beijos uma vez ou outra.

- Meninas!!! - eu me afastei de Camila com uma rapidez e olhei para a porta que dava para os fundos. Vendo dona Sinu nos olhando brava - saiam agora dessa piscina.

Olhei para Camila que deveria estar do mesmo jeito que eu, com vergonha e com medo da mãe dela ter pegado a gente naquela situação. Camila se dirigiu para a escada que estava mais perto da gente e eu fui atrás subindo depois dela. Saímos encharcadas e fomos até a mãe dela.

- Senhora me desculpa pelo meu comportamento, não pretendia desrespeitar você ou a sua casa. - disse atrás de Camila.

- Não estou brava por isso Lauren. - fiquei sem entender - sei que nessa idade os hormônios fazem com que fique quase impossível controlar certos comportamentos, mas eu estou brava porque está caindo um sereno e vocês inventam de entrar na piscina?

- Oh... - Camila diz e começa a rir.

- Espero que esteja se cuidando Camila. Vocês duas pra falar a verdade. - Camila para de sorrir na hora e a mãe dela sorri de forma vitoriosa.

- Estamos mãe... - minha Camz diz com um fio de voz.

- Quem bom, de qualquer forma, nessa semana mesmo vamos num ginecologista de confiança. Você vai também Lauren.

- Ah não senhora, o meu médico é outro, mas eu acompanho ela sim. - Camila pisa no meu pé e eu resmungo em dor.

- Como? - a mãe dela pergunta confusa.

- Eu tô com muito frio, acho que vou ficar doente. - Camila diz esfregando os próprios braços.

- Bate na boca menina. Entrem agora. As duas, anda. - Sinu nos deu espaço e entramos apressadas.

- Porque fez aquilo? - disse baixo quando está seguindo ela escada acima.

- Depois eu te conto. - continuamos a subir até chegar no andar de cima.

[...]

Estava tarde e eu fiquei bem mais tempo do que eu havia planejado, de qualquer forma Alejandro ainda não tinha chegado. Saímos de um quarto com roupas secas, Camila com umas suas mesmo e eu com um conjunto básico de moletom e camisa branca de algodão, fornecidas pela dona Sinu do armário do marido dela. 

Fiquei meio receosa de usar as roupas dele, mas eram essas ou um roupão da Camila, então o jeito era vestir isso para ir embora. 

Saindo no corredor do andar de cima ao mesmo tempo que nós duas, encontramos Taylor com uma carinha de sono. Nós fomos até ela para saber oque ela fazia fora da cama, depois que sua mãe a cobriu.

Ela nos contou que não conseguia dormir porque estava preocupada com o seu pai e nos perguntou se Alejandro tinha chegado. Ficamos tristes em ter que dizer a ela que ele ainda não estava em casa. Ela aparentou ter ficado desapontada e deu meia volta para entrar no seu quarto. Camila e eu trocamos um olhar e seguimos Taylor para o quarto.

Observamos ela subir na sua cama e se cobrir deitada de lado. Nos aproximamos dela e nos sentamos na beirada do colchão. Tentamos conversar com ela e o pouco que ela falou descobrimos que ela vinha tendo problemas pra dormir porque ela tinha pesadelo com fumaça, mas depois algo que ela não sabia oque era levava a fumaça embora. 

Fiquei preocupada com isso e quando Camila deu um beijo de boa noite nela e nos retiramos do quarto, tivemos uma conversa séria sobre o pai dela e esses pesadelos. Camila disse que iria confrontá-lo para tentar ser mais presente e iria também avisar a mãe dela. Descemos as escadas e encontramos com dona Sinu e Sofia assistindo TV. 

Sentei no braço do sofá e Camila veio para o meio de minhas pernas, enquanto eu a abraçava.

- Acabou de começar, querem assistir com a gente? - Sinu pergunta sem tirar os olhos da TV.

- Eu tenho que ir. - elas olham pra mim.

- Fica mais um pouco Lauren.

- Eu venho mais cedo outro dia dona Sinu.

- Ah não, sem esse dona.

- Tudo bem. - sorri pra ela.

- Lauren tem que prometer que vai voltar. Tenho outras histórias da Camila pra te contar. - Sofi diz com um sorriso sorrateiro.

- Tá muito saidinha Sofia. O gato devolveu sua língua?

- Ah cala a boca Camila.

- Éh, não fala assim da minha cunhadinha. - Sofi e Sinu riram da cara que Camila fez.

- É complô contra mim? - ela se soltou dos meus braços e se afastou, mas eu me levantei rápido e abracei ela por trás - sai sua traíra. Na primeira oportunidade me trocou pela minha família.

- Não te troquei por toda a sua família. - ela olhou pra mim - seu pai não conta. - ela me bateu sorrindo e eu beijei seu pescoço a soltando depois - me leva até a porta?

- Você sabe o caminho. - abri a minha boca e ela riu - tô brincando amor.

- Eu vou sofrer na mão da sua filha Sinu.

- Vocês se merecem. - ela negou com a cabeça sorrindo, pausou o filme e se levantou do sofá vindo na nossa direção - tchau Lauren e eu espero que volte logo. - ela me acolheu em seus braços e eu a abracei me sentindo querida por ela.

- Tchau Sinu, fiquei muito feliz em te conhecer e a sua família também.

Sofi já estava de pé esperando a sua vez de se despedir. Assim que soltei de sua mãe, me aproximei dela e envolvi seu corpo pequeno num abraço.

- Tchau Sofi, conte comigo para te defender dessa megera que você chama de irmã. 

- Ah é bom saber que dividimos opinião. - nos afastamos rindo e eu hesitei a olhar pra Camila, mas o fiz e sua expressão não tinha preço.

- Você sabe que eu estou brincando, não é meu dengo? - ela continuava de braços cruzados e me olhando como se tivesse visão de raio lazer.

- Hum. - ela desdenhou de mim e começou a andar pra longe da sala, em direção à porta.

Sinu e Sofi riram, mas eu sabia que estava em maus lençóis. Dei tchau para elas uma última vez e segui a minha namorada para a frente da mansão. A encontrei bem ao lado da porta, de costas pra mim e encostada no pilar da direita da entrada. Fiquei no seu lado e me inclinei para ver se ela estava mesmo brava e comprovei as minhas suspeitas pelo bico que queria se formar.

Fui pra sua frente e abaixei minha cabeça pra fazer ela olhar pra mim.

- Eeei. - nada de me olhar, mas algo ali na rua parecia bem mais interessante pra ela - Camz, foi só uma brincadeira, eu não acho que você é uma megera. Me desculpa, eu só queria muito que sua família gostasse de mim... - ela finalmente olha pra mim - prometo não fazer mais.

- Ah Lauren, eu sei que você não quis dizer aquilo, eu só...ah deixa pra lá. É bobagem minha. - a olhei sem entender.

- Camila nada do que você me diz é bobagem. Pode se abrir comigo. - me aproximei para segurar suas mãos - vamos, porque ficou chateada se sabia que eu estava brincando?

- Você vai rir de mim. - ela choramingou sem realmente querer chorar, apenas fazendo manha.

- Faaala. - abracei sua cintura e beijei sua bochecha. Ela suspirou e olhou para baixo.

- Eu fiquei com ciúmes... - disse baixinho e em seguida escondendo o rosto no meu pescoço, me abraçando apertado.

Juro que eu queria muito rir naquela hora, mas ela estava constrangida por sua tolice. Como que ela fica com ciúmes de mim com sua família? não tem motivos para isso. Eu a abracei tentando distrair a minha mente da vontade que eu estava de gargalhar, mas ela se afastou para olhar pra mim e eu não aguentei.

- Você disse que não ía rir. - ela me bateu duas vezes seguidas enquanto eu me abria na risada.

 - Na verdade eu nunca disse isso, mas eu juro que tentei não rir amor. - ela ficou me olhando com cara de poucos amigos - desculpa desculpa, parei. Pronto... mas sério, da sua família? - me aproximei mais uma vez.

- Você pode calar a sua linda boquinha? - sorrimos e ficamos em silêncio. Ela pegou em uma mão minha colocando em sua cintura, aonde eu dei um aperto. Ela acariciou o meu braço quando percorreu sua mão por ele até a minha nuca - não consigo evitar de te querer só pra mim. 

- Eu sou sua desde que coloquei meus olhos em você. - sussurrei com a voz um pouco rouca. Ela puxou um pouco o cabelo da minha nuca e me trouxe contra o seu corpo.

- Repete... - ela disse ofegante e estávamos perto demais para eu conseguir raciocinar, mas as minhas próximas palavras saíram no automático.

- Eu sou sua. 

Não esperamos mais para encerra a ansiedade de tentar demonstrar nossos sentimentos através de um ato tão pequeno, que contém apenas cinco letras, mas são cinco letras que podem transmitir as emoções de um casal, de duas amantes como nós. Eu a beijei não sabendo se algum dia eu iria cansar de sentir sua boca macia junto da minha.

Mesmo sendo maravilhoso, nada que eu fizesse podia mostrar pra ela, o quanto ela significava pra mim, o quanto eu a desejava e o quanto ela me fazia feliz. Enquanto eu não encontro outra forma de fazer isso, eu a beijaria e me iria me perder no tempo junto com ela, naquele nosso momento."



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