História Firebird - nascida das cinzas. - Capítulo 23


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Palavras 6.409
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Romance e Novela
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Intersexualidade (G!P), Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 23 - Capítulo 23


Fanfic / Fanfiction Firebird - nascida das cinzas. - Capítulo 23 - Capítulo 23

 

" Depois de me despedir de Camila eu fui pra casa, o apartamento que por pouco tempo eu dividiria com meu irmão. Entrei direto para o meu quarto, pois não queria ter aquela conversa com ele e estragar a noite maravilhosa que eu tive.

Na manhã seguinte, eu fui a primeira a acordar e esperei por ele na sala para termos a conversa, que não foi bem uma conversa. Já que quando ele finalmente apareceu na sala e se sentou no sofá comigo, ele apenas acenava com a cabeça pra tudo que eu dizia ou respondia apenas ao que eu perguntava.

Não esperava que fosse continuar como era antes de ele me pegar com a então namorada dele, na minha cama, do jeito que viemos ao mundo, mas eu ainda tinha esperança de que continuarmos ao menos nos falando. Parece que nem isso ele quer fazer comigo.

Por conta disso decidi que não iria esperar até conseguir um lugar para sair dali, eu ria ficar com o Victor na casa dele e com sua família. Eu era bem vinda ali e já que iríamos nos encontrar aquele dia mesmo, abordaria logo o assunto com ele.

Como Camila iria passar o dia com sua família, aproveitei para administrar as coisas na minha organização de perto. Assim eu poderia deixar novas instruções sobre como se portar daqui pra frente, para poder evitar um possível confronto de organizações e honrar a minha parte do acordo.

Não que eu quisesse manter esse acordo por muito tempo, mas eu precisava pensar em uma alternativa para minimizar os danos que cancela-lo futuramente traria.

++++

Alguns dias se passaram e por esse tempo eu saí definitivamente do meu apartamento, levando as minhas coisas e algumas do Pyro pra deixar no galpão enquanto eu não tinha um canto só meu. Agora nós dois estávamos na casa de Victor, morando com a família dele, que consistia em sua mãe e dois de seus irmãos menores.

Estou adorando meu tempo lá, a mãe dele cozinha bem pra caramba e deixa Pyro ficar dentro de casa, então tenho muito que agradecer. Apesar disso, não paro muito por lá, porque ou eu estou na rua com Victor e os meninos "trabalhando", ou estou com a Camila.

Por falar nela só lhe restava alguns dias até ela ter que ir embora para Connecticut se instalar e iniciar a sua vida universitária. Só de pensar nisso já me deixava triste.

Era sábado à noite e eu estava parada na frente da antiga boate do B.. Ela estava fechada desde aquela noite em que ele morreu. Eu passei ali na frente de carro com Victor ao meu lado, para pegar um atalho até outro destino e resolvi parar ali e dar uma olhada.

- Porque será que ainda tá fechada? já deveria ter alguém interessado no lugar. - perguntei para Victor, que estava sentado no passageiro.

- Também acho estranho. Além do mais a mulher do B era louca pra vender essa boate. Dizem que ela está passando por problemas financeiros.

- Porque? Brock era milionário, não era?

- Alguma coisa haver com o testamento dele. Os bens estão todos interditados.

- Será que Alejandro tem alguma coisa haver com isso?

- Não, deve ser algum mandado judicial, eu já vi isso acontecer. Ele apreendem seus bens enquanto não sair uma sentença. Brock é fichado e respondia ao governo por alguns crimes fiscais.

- B sonegava?

- Quem não faz ou já fez isso hoje em dia? A situação tá feia minha amiga.

Meu telefone começa a tocar e eu o pego para atender e era Camila. Peço licença para Victor, saio do carro me afastando um pouco e finalmente aceitando a ligação.

- Oi Camz. - disse com um sorriso no rosto.

- Oi amore da minha vidaaaa. - ela diz melódicamente e se possível meu sorriso se alargou - tô com saudade...

- Eu também...posso passar aí pra te pegar? 

- Não, faz melhor. Me encontra naquela quadra perto de casa. Vou estar te esperando.

- Oque você está fazendo aí sozinha? - perguntei a ponto de dar uma bronca nela.

- Não tô sozinha amor, marquei de me encontrar com as meninas. Dinah e Mani estão comigo.

- Atah...pensei que a gente ir sair só nós duas.

- Bom, é que eu andei pensando e acho que já tá na hora de eu contar que estamos namorando para as meninas. Elas já sabem mesmo que Chris e eu terminamos. Oque você acha?

- Ah claro amor, oque você achar melhor. - olhei pro carro e pra Victor que mexia no rádio - Eu já to indo, só vou deixar o Victor na casa dele e... - uma ideia me surgiu na cabeça - você se importa se eu levar uma pessoa?

- Claro que não, pode trazer quem você quiser. - ela disse animada - mas não demora muito que mais um pouco e eu não aguento de saudade.

- Ai Camila para com essa melação, credo! - ouvi uma voz no fundo.

- Cala a boca sua invejosa.

- Se você esqueceu, eu tenho uma namorada, obrigada de nada. - a mesma voz responde.

- Então vai dá uns pega nela e me deixa em paz!, com todo o respeito Mani, mas sua namorada é uma chata. 

- Você tá certa. - outra voz falou e começou um burburinho.

- Me desculpe por isso Laur, vê se eu mereço? - eu ri.

- Não demoro. Tchau Camz, eu te amo.

- Tchau amor, eu também te amo. - ela sussurrou e eu fechei meus olhos ao escutar ela falando essas palavras pra mim. Ainda sentia um friozinho na barriga e um nó na garganta. Não parecia que eu me acostumaria tão cedo a ouvi-la dizer que me ama.

Ela desligou a ligação e eu guardei meu celular no bolso da calça, já caminhando até o carro. Quando eu entrei lá e comecei a colocar o cinto, percebo pelo canto do olho Victor olhando pra mim. Virei meu rosto pra ele que estava com um sorriso e um olhar desconfiado.

- Oque? - perguntei ligando o carro.

- Quem era no telefone?

- Era Clifford me perguntando quando eu voltava.

- Ah, Clifford... ele que colocou esse sorriso abobalhado no seu rosto?

- Não viaja. - eu sai do acostamento e entrei na rua pra sair dali.

- Você arranjou uma substituta, foi isso? - ele me deu um empurrãozinho no meu braço - Não precisa ficar com vergonha, eu fico feliz de você ter seguido em frente.

- Não tem ninguém Victor, era o Clifford eu já te disse.

- Tudo bem, certo. - ele resolveu deixar aquele assunto pra lá e voltei a respirar sem dificuldade por ele não ter desconfiado com quem eu falava.

Eu deixei Victor em casa e disse que não sabia se dormia por lá, mas que eu ligava avisando caso eu não fosse. Me despedi dele e fui em direção a casa de Verônica, para ela ir comigo para eu apresenta-la a Camila e as amigas. 

Pelo menos com um dos meus amigos eu queria compartilhar a alegria de ter encontrado o amor e eu sabia que Vero me apoiaria e seria totalmente compreensiva com a situação. Parei em frente da casa de seus pais e mandei uma mensagem para ela sair ali na frente.

Em menos de um um minuto ela sai com um pijama curto, sem vergonha nenhuma se as pessoas comentariam. Eu ri disso e assobiei conforme ela se aproximava do carro e enfim se inclinou na janela do passageiro para olhar pra mim.

- Quanto tá o programa completo?

- Uma porrada na sua cara.

- Não queria mesmo.

- Claro, não sou pro seu bico. - eu olhei pra ela sorrindo desdenhosa - então branquela, porque me tirou de casa a essa hora?

- Essa hora? a noite só começou e você ainda está de férias.

- Por isso mesmo, eu tenho uma maratona de uma série planejada para  - ela olho para o relógio inexistente no seu pulso - agora.

- Que maratona o caralho, se arruma. Você vai conhecer a minha namorada. - ela ficou de queixo caído e com os olhos vidrados.

- Oque?! Eu escutei direito? você namorando?

- Isso mesmo. Agora se arruma que nós vamos nos encontrar com ela e as amigas. - Vero acenou com a cabeça em aprovação.

- Quem diria que eu viveria pra presenciar isso. - bateu uma vez no capô - eu já volto.

Ela saiu num pique e voltou no mesmo arrumada e entrando no lado do passageiro pela janela, sem abrir a porta. Arranquei dali com o carro e dirigi com Vero ao meu lado mexendo com as pessoas na rua e cantando algo que tocava na rádio. Ela não gostava das músicas do meu pen drive. 

Quando chegamos do lado da quadra de basquete que Camila falou, eu já consegui vê-la junto de Dinah, Normani, Haille, Lucy e Harry sentados em uma mesa redonda de concreto que tinha do outro lado da cerca da quadra. Vero e eu saímos juntas depois que eu estacionei e andamos na direção deles. Entramos na quadra de basquete pra cortar caminho e quando estávamos bem perto, os que estavam sentados de frente para onde a gente vinha, anunciaram a nossa chegada.

Camila olhou pra trás sorrindo e se levantou saindo do banco e vindo na minha direção. Ela correu no último segundo pulou no meu colo, aonde eu a segurei e rodei com ela uma vez. Ela me beijou e só então depois eu a coloquei chão com cuidado.

- Tô passada... - ouço alguém falar e olho pra trás dela, vendo todos olhando pra nós duas com surpresa. Inclusive Vero ao meu lado que parece não saber oque dizer.

Ficamos sem graça com a atenção, mas de qualquer jeito Camila segura na minha mão e me puxa para perto da mesa. Olho pra trás apenas para chamar Verônica com o olhar e volto a prestar atenção no caminho que a minha linda namorada me levava.

- Então gente, eu vou ser direta. - ela olhou pra mim, que sorri em sua direção, e voltou a olhar para os seus amigos - Lauren e eu estamos namorando agora.

- Desde quando? - Harry perguntou tão baixo que quase nem conseguimos ouvi-lo - quer dizer, você estava com Chris até pouco tempo.

- Bom Harry... - ela iria responde-lo mesmo estando visivelmente desconfortável, mas eu a impedi.

- Acho que oque vocês precisam saber é que nós estamos muito felizes e quisemos compartilhar isso com vocês.

- Parabéns ao casal. 

Lucy diz com espirituosidade, se levanta e chama a atenção de todos. Contorna a mesa para vir na direção nossa direção. Ela abraça primeiramente Camila que é pega de surpresa, mas acolhe a garota em seus braços e as duas se balançam de um lado por outro. Impossível não sorrir com a cena.

- Obrigada Lucy. - Camila diz ao se separarem.

- Vocês ficam fofa juntas. - good vibes falou e me abraçou também. Agradeci ela e a apertei com carinho antes de soltá-la. Ela sorriu pra mim e depois seus olhos capitaram Verônica ao meu lado - e quem é a bonitona? - olhei pra Vero que estava estática, parecia que não respirava e foi ficando vermelha. Eu sorri, pois sabia exatamente oque se passava com ela - ela não fala?

- Fala sim, é que ela fica desse jeito quando gosta de alguém. - Vero parece ter acordado quando eu disse aquilo e me socou no braço - Au! cachorra.

- Ela tá brincando viu. - Vero tenta parecer casual, mas seu nervosismo ainda é aparente.

- Você não gostou de mim? - Lucy parecia falar sério, fazendo a minha amiga arregalar os olhos e se apressa a falar e tropeçar nas palavras.

- Gostei sim, gostei muito, você parece ser legal e é linda... - fechou os olhos ao perceber que falara demais - porque eu vim mesmo? - disse pra si mesma.

- É mesmo, Camz essa é Verônica Iglesias minha melhor amiga. - puxei Camila pra ficar do meu lado.

- Ex melhor amiga. - Vero diz me fuzilando com os olhos e eu apenas ri dela.

- Vero, você conhece a Camila - rodeei os ombros da minha Camz - estamos namorando agora.

- Prazer Camila, finalmente fomos apresentadas. - Vero estranhamente estava sendo cordial e eu fiquei em alerta - Lauren não me contou que vocês estavam juntas até essa noite, na verdade ela não me contou muito de você, mas tenho certeza que você é uma garota e tanto porque você foi bem concorrida, não é não? - levantou as sobrancelhas sugestivamente e eu pisei no seu pé disfarçadamente ao mesmo tempo em que falava.

- Verônica porque você não vai se apresentar para o pessoal? - encaminhei ela com o braço na direção da mesa, enquanto ela mancava de um pé - Lucy ajuda ela, parece que ela pisou em falso.

- Você me paga. - ela sussurrou antes de ser levada por Lucy para se sentar entre Harry e Normani, essa que estava ao lado de Dinah. Lucy se sentou do outro lado de Harry ficando perto de Haille que estava ao lado de Dinah e eu puxei Camila para um canto para falar com ela.

- Desculpe ela, Verônica não sabe em que circunstancias você e meu irmão terminaram.

- Não tem problema, tá tudo bem. - ela alisou o meu braço - Não tem como evitar o modo que os outros vão olhar pra situação. 

- Ninguém tem nada haver com a nossa vida. Você tá comigo agora e quem abrir a boca pra falar de você, vai se ver comigo. - disse olhando em seus olhos - você é minha mulher Camila e vão te respeitar por bem ou por mal.

- Nossa, não conhecia esse seu lado primitivo e possessivo. - ela fala baixo, bem perto de mim olhando pra minha boca - faz eu me sentir de um certo jeito...

- De que jeito?... - enlacei sua cintura, juntando os nossos corpos e ela sorrio levando seus braços pelo os meus ombros e infiltrando os dedos de uma de suas mãos nos meus cabelos.

- Me sobe um calor e ... eu fico toda arrepiada. - seus olhos encontram os meus no mesmo instante.

- Você faz com que seja quase impossível me comportar em público, por acaso é intencional? - mordi minha boca pela vontade que eu estava dela.

- Quero ver até onde você consegue aguentar. - disse de maneira cínica - até agora tem se mostrado uma boa menina. - deu dois tapinhas no meu rosto.

Ela se afastou de mim sorrindo maleficamente e se virou para ir até a mesa, fazendo questão de rebolar pra longe de mim. Eu olhei para os céus para pedir virtude e passei as mãos nos rosto antes de seguir Camila para junto de nossos amigos. Me sentei entre ela e Lucy. 

Ficamos conversando, relembrando aquela semana em Miami, percebi que Harry ficou desconfortável uma hora falando sobre isso, mas Lucy e Normani mudaram de assunto. Eles contavam causos da escola deles, Vero contava sobre a faculdade e de algumas aventuras de quando nós duas éramos crianças. A maior parte do tempo ela fez todo mundo rir e parecia estar mais solta.

Ela pensa que eu não percebi como Lucy a deixou envergonhada, mas outra hora eu vou falar disso com ela. O tempo passou rápido e quando vimos já estava bem tarde para estar ali na rua e iríamos embora, mas eles quiseram comer em algum lugar primeiro. Antes de termos a chance de escolher o lugar, vindos pela quadra aparecem Mark e Chris.

Eles pararam no caminho, pareciam discutir sobre algo e depois continuaram a vir na nossa direção. Eu passei meu braço pela cintura de Camila e ela se apoiou mais em mim. Eles alcançaram a mesa, Mark sorria e Chris parecia mal humorado.

- Boa noite. - Mark disse e todos respondemos - a gente pode se sentar?

- Que eu saiba o lugar é público. - Dinah diz delicada como um coice.

- Como souberam que estávamos aqui? ou vocês estavam passando? - Haille pergunta.

- Jordan disse pra Shawn que vocês estariam aqui, estávamos de bobeira em casa e resolvemos passar pra dizer um oi. 

- Eaí Chris? - Vero diz levantando a cabeça uma vez na direção do meu irmão.

- Oi Vero, você por aqui?

- Éh, sua irmã me chamou. - ele olhou pra mim, não disse nada e desviou o olhar.

- Como vai Chris? - digo e ele volta a olhar pra mim.

- Bem.

- Quem bom. - eu encerrei nosso pequeno diálogo. Mesmo depois de tanto tempo sem vê-lo não vou ficar me esforçando pra tentar me reconciliar com ele - cadê teu irmão e o Jordan, Mark?

- Perdemos o Jordan para a namorada dele. - ele da uma risada curta - Meu irmão tem que acordar cedo amanhã e não pode vir.

- Oi Chris... - Harry disse parecendo receoso.

- Oi. - meu irmão disse seco sem ao menos olha-lo.

- Podemos falar a sós um pouco?

- Não, não podemos. Porque eu não tenho nada pra falar com você. - todos olhamos surpresos para o meu irmão. Harry ficou sentido e não falou nada.

- Porque falou assim com ele? Oque ele te fez? - fiquei incomodada e questionei o meu irmão.

- De que jeito eu falei? - ele disse cínico.

- Você foi super grosso. - Camila diz.

- Harry, eu fui grosso com você? - meu irmão disse quase ameaçadoramente para o garoto de olhos verdes que parecia um hamster acuado.

- ...não. - ele respondeu baixinho.

- Viu? vocês que são muito sensíveis e interpretam as coisas erradas. - seu sorriso me irritou.

- Tudo bem fanfarrão, mas não desconta as suas frustrações em pessoas que não merecem. Se ainda tem algum problema resolva diretamente comigo. - eu disse incomodada com sua petulância.

- Lauren, meta-se com a sua vida que da minha cuido eu. - eu me remexi pra levantar, mas Camila me segurou no lugar e olhou como um pedido silencioso para que eu não me retrucasse.

- Deixa pra lá. - ela sussurrou e segurou na minha mão.

Lucy estava abraçada em Harry que parecia mal, eu só não entendia como ele pode se importar tanto com oque esse idiota fala. De qualquer forma o clima ficou pesado até Mark fez um esforço para mudar de assunto, não funcionou tão bem quanto ele esperava, mas deu brecha para a nossa conversa continuar.

Quer dizer eu não falava nada, fiquei só observando meu irmão e Harry. Os dois estavam estranhos e apesar de Harry comentar alguma coisa de vez em quando, o pegava regularmente olhando para Chris, que fingia que o outro não existia.

Camila percebeu que eu estava quieta e pegou no meu queixo pra eu olhar pra ela. Percebi sua preocupação e apenas beijei a palma de sua mão. Assim ela pode tentar voltar a participar da conversa.

- Então... - Mani de repente fala - estávamos tentando escolher um lugar pra comer antes de vocês dois chegarem, tem alguma sugestão?

- Tem a pizzaria do Luigi. - Mark diz.

- É deve ser um dos poucos lugares abertos à essa hora. - Dinah concorda.

- Vamos lá então. - digo e todos se levantam.

Dinah estava de carro e levou consigo Mani, Haille e Harry. Comigo foram Camila, Lucy e Vero.  As duas últimas ficaram conversando amigavelmente no caminho. Mark e Chris vieram na moto do Mendes. Fomos um atrás dos outros pelo caminho e estacionamos na frente do estabelecimento. Entramos e o lugar estava iluminado, mas vazio. Escolhemos o lugar no meio do salão e juntamos duas mesas de seis lugares cada, ficando com dez lugares.

Por costume me sentei numa ponta, meu irmão em outra e eu ri disso. Camila estava na minha direita, ao lado dela Lucy, depois Vero e Mark. Na minha esquerda ficaram Normani, Dinah e Haille, sobrando uma cadeira vaga ao seu lado. O dono parecia cansado e provavelmente estava pra fechar, mas ele não paga as contas dele recusando clientes.

Fizemos os pedidos e voltamos a atenção uns aos outros.

- Sabem oque meu tio me contou? - Haille pergunta baixo e vendo se alguém além da gente ouvia.

- Que Luigi é da máfia. - não sei porque, mas Dinah e eu nos olhamos - da parte da 'limpeza' se vocês me entendem. 

- Isso é história pra deixar os bandidos afastados. - Mark argumenta.

- É sério, meu tio faz o imposto dele à anos e viu algumas coisas macabras. - ela dizia em tom de suspense.

- Não aconselho a ficar espalhando boatos dessa gente. - disse para Haille - se eles te pegam falando, você entra na lista deles num piscar de olhos. - a garota arregalou os olhos e olhou para os lados - eu tô brincando.

- Sem graça. - nós rimos.

- Eu já volto. - Harry falou e se levantou da mesa. Ficamos olhando pra ele que seguiu até o banheiro.

Mais um pouco e a pizza chegou. Como Harry estava demorando, Lucy disse que iria chama-lo, mas Chris se prontificou em faze-lo. Mesmo sobre suspeitas ninguém falou nada e ele se foi pelo mesmo caminho que Styles tinha ido. Um garçom colocou a pizza na mesa e foi servindo as primeiras fatias pra gente, depois se retirou.

Todos começaram a comer e os dois não vinham, Lucy também estava atenta à isso e trocou um olhar com Normani antes de se levantar da mesa e ir procurar por eles. Só que antes que ela fosse muito longe, Harry rompe pela porta do banheiro masculino enxugando o seu rosto com a mão. 

Chris vem logo atrás com cara de paisagem. Harry iria passar por Lucy para se sentar, mas ela segura no braço dele. 

- Oque foi Harry? - ele sorri tentando dissimular suas emoções.

- Nada. - vendo que ele não falaria, ela fuzila meu irmão e anda a passos largos até ele, que estava pronto pra se sentar.

- Oque você fez pra ele Christopher? - ela era pequena em comparação, mas parecia que poderia acabar com ele só pelo modo que o olhava.

- Eu não fiz nada Vives, agora solta o meu braço. - ele desfaz do contato dela com brutalidade, me alarmando.

- Eu tô te avisando para de brincar com ele. - ela diz o fazendo rir por algo.

- Ou oquê?

- Você sabe bem oquê. - ele fecha a cara e se aproxima dela. Harry refaz seu caminho até os dois e puxa Lucy pra trás ficando entre eles.

- Lucy vamos sentar. - Harry diz de costa pra Chris.

- Ouve o seu amigo Vives e fique fora disso.

- Ficar fora do que? - ele me olha com desdém. 

- Não é nada Lauren.- Harry tenta dizer.

- Já disse pra cuidar de sua vida.

- Sua noite não vai terminar bem se continuar se comportando dessa forma. - eu disse e ele riu amargo. Eu estava a ponto de me levantar e dar uma lição nele na frente de todo mundo.

- Oque você vai fazer? trepar com a minha namorada? ah você já fez isso. - me levantei e andei na direção dele, mas Vero me segurou no lugar.

- Lauren segura a onda.

- Me solta Vero. 

- Depois vocês resolvem isso. - ela disse e Camila me puxou pela mão, por ela eu tentei me acalmar.

- Tá ficando mole hein Lauren? Oque uma buceta não faz com a pessoa... - ele riu e eu fechei meus olhos por um segundo pra abri-los depois.

- Você acabou de cruzar uma linha Christopher. - ele me olhou sério, acho até que vi alguns vestígios de medo em seu olhar - vá embora daqui antes que eu perca o pouco de calma que me resta.

- Você não manda em mim. Se eu quiser ficar, eu vou ficar.

- Mano vamos, eu te deixo em casa. - Mark interveio enfim.

- Não.

- Chris vai, por favor vai. - Harry disse.

- Não se intromete sua bixa. - Lucy se levantou, mas Harry parece ter aguentado a última gota e segurou no braço dela, olhando friamente para Chris.

- Se eu sou uma bixa, oque transar comigo faz de você então?

Eu pensei não ter ouvido direito e fiquei paralisada. Os outros pareciam do mesmo modo que eu, mas Lucy e Normani sabiam de algo e era claro pelo modo que desviaram o olhar e prenderam o riso. Meu irmão ficou vermelho e seus olhos arderam de raiva. 

- Você tá louco?! Eu gosto de mulher seu viado?! - Mark se levantou rápido antes que ele avançasse em Harry e o segurou no lugar.

- Então eu sou uma exceção porque você parecia ter gostado de me comer lá em Miami, e os outros dias desde então. - eu sacudi a cabeça para processar aquelas informações e olhei para Camila, ela não parecia afetada pelo oque estava acontecendo apenas tão surpresa quanto qualquer um - mas eu cansei, não vou mais ser usado por você.

- Cala a sua boca! - ele tentava se soltar de Mark e eu me levantei.

- Mark leva ele embora. - fui na direção deles.

- Me solta! - Chris dizia conforme era arrastado pelo restaurante até a saída.

- Ei ei ei ei ! não quero saber de briga no meu restaurante! - o dono finalmente fez algo depois de ficar o tempo todo vendo o barraco - pra fora todos vocês.

- Oquê? mas eu nem comi direito. - Dinah disse inconformada.

- Não interessa, era pra eu ter fechado a muito tempo. Agora paguem oque devem e vão embora.

- Tá mais eu quero as pizzas pra viagem. - ele revirou os olhos e pegou as pizzas de cima da mesa, levando para um lugar lá dentro e voltando com elas dentro de caixas e em sacolas.

Mark e Chris já estavam do lado de fora e eu saí com as meninas e Harry pra lá também. Dinah veio logo atrás com as pizzas depois de ter pagado. Do lado de fora, Chris estava bem afastado da gente e parecia fora de si. Tentava vir até a frente da pizzaria aonde o resto de nós estávamos, mas era impedido por Mark.

- Você tá bem? - falei abraçada com Camila, que estava na minha frente. Ela olhou pra mim e sorriu, não pude evitar de sorrir também.

- Acho que estou mais chocada do que outra coisa, mas eu estou bem sim. - apertei ela em meus braços e beijei seus cabelos.

- Camila. - Harry se aproximou de cabeça baixa - eu quero te pedir perdão pelo que eu fiz com você. Eu vou entender se você me odiar pra sempre, nem eu mesmo consigo me perdoar. 

- Harry tudo bem, quer dizer se fosse em outra circunstância talvez eu reagisse diferente, mas a verdade é que eu não estava com Chris por que queria. - ele olhou pra ela surpreso - a maior parte do tempo em que estávamos juntos eu gostava de outra pessoa. - ela olhou pra mim - Admito que também traí ele. Então acho que é como dizem, chumbo trocado não dói.

- Mesmo assim, ele me fez acreditar que gostava de mim e que iria ficar comigo. - neguei com a cabeça - eu caí em tentação e acabei aceitando ficar com ele.

- Espero que agora tenha aprendido a lição. - Lucy apareceu do lado dele, lhe dando um cascudo e ele parece ter se quebrado um pouco - nós te avisamos da intenção dele.

- Você também sabia Normani? que Chris estava traindo Camila? - Dinah pergunta brava para a namorada que parece sem saída.

- Eu pedi pra elas não contarem Dinah. Eu nem queria envolver ninguém nisso, mas elas são as minhas amigas e me conhecem melhor do que eu mesmo. Logo perceberam que eu estava diferente.

- Vamos esquecer isso de uma vez por todas. Não adianta ficar chorando pelo leite derramado. - Camila interveio.

- Ela tem razão. Agora é cada um assumir a sua parcela de culpa e seguir em frente. - eu complementei.

- Vamos pra casa, já deu desse drama pra mim. - Dinah diz.

Olhei para onde meu irmão estava antes e ele tinha sumido assim como Mark. Suspirei e puxei Camila até o meu carro.

- Alguém vai querer carona? - perguntei para eles.

- Eu vou querer Laur. - Lucy de braços dados com Styles - E Harry vai dormir em casa hoje.

- Posso ira pra sua casa também Lu? - Mani pergunta animada.

- Que pergunta, é claro que pode.

- Mani, você não vai comigo? - Dinah perguntou fazendo um biquinho.

- É que nós temos algumas fofocas pra por em dia amor. - ela diz enlaçando o outro braço de Harry.

- Poxa...fui trocada sem dó nem piedade.

- Prometo que a partir de amanhã sou toda sua. - ela se soltou de Harry e foi beijar Dinah que não quis solta-la - sem manha amoooor, vai me solta. - Dinah bufou e a soltou.

- Fazer oque...vai querer carona Haille? - só agora reparamos na presença de Haille que estava mexendo em seu celular e olhou pra cima pra responder.

- Eu agradeceria. 

- Então vamos embora. Tchau pra vocês e tchau pra pior namorada do mundo. - Dinah diz se virando em direção ao seu carro.

- Oque você disse Jane? - Normani cruzou os braços e Dinah se virou sorrindo.

- Que eu vou sentir saudade, que eu te amo muito e que você é a melhor namorada do mundo. - Normani semi cerrou os olhos para a namorada, mas eventualmente a chamou com o dedo.

Dinah foi em sua direção e ganhou um beliscão no braço.

- Au! Pra que isso?

- Por você achar que eu sou surda. - Normani disse e em seguida puxou Dinah para um beijo desentope pia que deixou a sujeita avoada - e por eu te amar muito.

- Muito desnê vocês duas, vamos embora. - Camila disse. Abri o carro e entrei acompanhada dela, de Lucy, Harry e Vero.

Normani ainda demorou um pouco e quando ela entrou, Lucy foi para o colo de Vero, que estava na janela atrás de Camila e ficou parecendo uma estátua. Eu ri daquilo e quis tirar uma com a cara dela, mas eu já zoei ela demais por hoje. Em seguida partimos dali da frente da pizzaria em direção a casa de Lucy.

No caminho fomos nos inteirando mais sobre o caso que Harry teve com o meu irmão e Camila me bateu quando eu perguntei se ele só levou ou comeu também. Styles teve a compostura de não nos revelar até a casa de Lucy quando ele gritou que ele era a passiva e levou muito do meu irmão. Eu cai na gargalhada e Camila não aguentou também, mas escondeu o rosto de vergonha.

Quando Harry, Lucy e Normani se foram, Vero disse que trocou telefone com Lucy e que elas ainda combinariam de sair outra vez pra se conhecer melhor. Fiquei feliz pela minha amiga, mas receosa porque eu também gostava de Lucy e não queria que se o lance delas fosse para outro lado, que não da amizade, nenhuma delas saísse machucadas.

Mas vamos lá e pensamento positivo.

[...] 

O dia em que Camila iria para Yale [foto] chegou e a manhã estava nublada como se refletisse o meu humor. Acordei no meu quarto do apartamento. Sim, depois do comportamento do meu irmão na pizzaria e que eu soube que ele também traiu Camila. Resolvi voltar pra lá e tomar o carro que eu tinha dado pra ele. Trouxe as minhas coisas todas de volta e vendi o automóvel para comprar o flet no fundo de uma casa, perto de Yale.

Os negócios com Alejandro estavam indo bem digamos assim, pelo menos ninguém do meu lado suspeitou. Os trabalhos que fazemos pra eles tem nos rendido muito dinheiro e desde que os meninos recebessem eles não faziam perguntas. As brigas territoriais caíram pra zero. No entanto eu ainda estudava um jeito de dar o fora do acordo e bater de frente com Alejandro.

 As coisas estavam promissoras, principalmente agora que Camila estaria longe disso tudo. Eu tinha algum apoio em Miami, disso eu tive a confirmação de Cliff e do patrão dele. Não conheço o sujeito, mas em breve eu conheceria, segundo Clifford. Ele era o mais respeitado e conhecido pelo país, até mesmo internacionalmente.

Ou seja, eu tinha um super aliado contra Alejandro.

Voltando ao meu quarto, eu tomei um banho e coloquei uma roupa bacana, afinal não é todo dia que você acompanha a sua namorada com a família dela no primeiro dia no campus. Camila iria de carro com os pais dela e as duas irmãs. Aquele era um momento deles, mas ela insistiu que eu fizesse parte disso e eu também queria isso mais que tudo.

Pyro estava me seguindo pelo quarto atento a que eu fazia. Assim que fiquei pronta peguei a coleira e a guia dele, em conjunto da chave do carro e da carteira. Abri a porta pra ele passar e fechei indo em direção ao elevador.

Nós dois entramos no carro e saímos do meu prédio em direção a mansão do Cabello. Deixei o carro ali na frente na rua mesmo e entrei com Pyro pelo portãozinho ao lado da guarita dos seguranças. Ele foi bonzinho ao meu lado conforme eu me aproximava da porta da entrada. O carro da família já estava ali com o bagageiro aberto e com algumas malas e caixas lá dentro.

Toquei a campainha que soou melódica pelo lugar. Esperei ansiosa e quem atendeu foi Sinu, que sorriu ao me ver, mas torceu o nariz para Pyro. Ela era alérgica e eu me esqueci disso, eu disse para Pyro esperar e fiz um gesto com a mão, ele se deitou ainda olhando pra mim. Sorri e fiz um carinho na cabeça dele.

- Ela está lá em cima e da última vez que eu chequei ela estava revirando o quarto dela de cabeça pra baixo. - eu ri e indiquei que iria lá pra cima. Dei uma pequena corrida pela sala, pela  escada até chegar no andar de cima.

Já sabia qual era o seu quarto e andei nas pontas do pés para não anunciar a minha chegada. A porta estava aberta e eu me aproximei parando no batente. Ela estava de costas para a porta, sentada no chão em frente ao seu armário com dois pares de sapatos da mesma cor nas mãos. Olhava de um para o outro parecendo estar em dúvida.

- Que dúvida cruel, vermelho ou vermelho? - eu sorri quando ela olhou pra trás.

- Não espero que você entenda o meu dilema aqui Lauren, mas não caçoe. - ela largou os sapatos e se levantou do chão, começando a caminhar na minha direção lentamente, me analisando de cima à baixo - aonde pensa que vai assim?

- Assim como? - olhei pra baixo pra ver se meu zíper estava aberto ou algo do tipo.

- Aquele lugar vai estar cheia de garotas oferecidas e assim que elas botarem os olhos em você, vão tentar alguma gracinha e eu serei suspensa no meu primeiro dia na universidade e a culpa vai ser sua. - eu ri com vontade - tô falando sério.

- Eu me vesti assim pra você, não pra elas. - me aproximei - e na hora de ir embora daremos o maior beijaço de despedida no corredor dos dormitórios, pra todo mundo saber que você tem namorada. - encerrei a distância entre nós, abraçando a sua cintura.

- Na frente da minha família também? meu pai vai ficar furioso com você. - ela sorria entretida revesando seu olhar entre a minha boca e os meus olhos.

- Morrerei de vergonha, mas eu preciso manter os espertinhos longe de você.

- Como se alguém fosse conseguir minha atenção. Além de estar lá pelos estudos, eu não preciso procurar fora oque eu já encontrei em você.

- Que você é boa aluna eu sei, mas oque você encontrou em mim? 

- Eu só sei que não preciso de mais nada. - ela passou os dedos pela minha bochecha numa carícia leve me fazendo fechar os olhos - desde que estamos juntas eu não sinto falta de nada Lauren. Como se eu estivesse preenchida de amor. - abri meus olhos.

- E eu fico animada só de pensar que a nossa história apenas começou. - nós trocamos um olhar antes de nos aproximar e selarmos nossos lábios com carinho por um momento.

- Não quero que mude nada Lauren. Quero que fique desse jeitinho. Não vamos deixar a distância desgastar oque temos agora.

- Camila, não sei oque eu posso fazer pra te dar certeza que eu quero passar a minha vida com você. - eu sorri com um pensamento que passou na minha cabeça - na verdade eu sei, mas deixa pra lá.

- Oque?

- Você vai me chamar de louca.

- Não vou não, pode dizer.

- Casa comigo?

- Você é louca. - ela disse rindo.

- Eu disse.

- Você tá falando sério? - ela falou com seriedade.

- Você diria sim? - ela ficou sem saber oque dizer - não precisa responder amor. - lhe dei um selinho - não quero te atrapalhar, vamos terminar de arrumar suas coisas. - ela me soltou animada.

- Ah não, tá tudo pronto. - ela foi até os sapatos que ela tinha em mãos quando eu cheguei - só fiquei em dúvida em qual levar.

- Leva os dois. - disse simples me sentando na cama dela. Ela olhou mais um pouco pra eles depois os colocou dentro de seu armário.

- Quer saber? duvido que eu vá usa-los lá. - eu ri e ela disse que só iria trocar de roupa para podermos descer e ir embora."



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