História Firebird - nascida das cinzas. - Capítulo 24


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Palavras 5.748
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Romance e Novela
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Intersexualidade (G!P), Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 24 - Capítulo 24.


Fanfic / Fanfiction Firebird - nascida das cinzas. - Capítulo 24 - Capítulo 24.

- Laur a chupeta dele ficou em cima da bancada da cozinha, pega pra mim? 

- Claro amor. 

Com uma curta corrida ela chega na cozinha e alcança a bancada. Prontamente encontra ali em cima o que lhe foi pedido para pegar. Ela se vira, deixa a cozinha, passa pela sala da humilde casa e sai pela porta para se reunir com sua esposa no carro da pequena família. Encontrou ela no banco de trás a esperando com seu herdeiro nos braços.

O modo como a esposa olhava para ele enquanto os dedinhos do bebê envolviam o indicador dela, fazia Lauren suspirar e pensar que pra ela não poderia ter momento mais feliz na vida do que o presente com eles. Se apressou para ir até o carro e dá uma última conferida nos dois antes de irem para a casa de Taylor, sua irmã e madrinha do primeiro filho delas.

- Dá pra acreditar que  já se passou um mês? - Lauren pergunta inclinada dentro do carro e admirando seu filho maravilhada - daqui a pouco ele vai estar indo para a faculdade. - Camila olhou para a mulher quase aterrorizada.

- Vira essa boca pra lá Lauren. Eu quero que ele fique assim pra sempre. - voltou a olhar para o filho e suspirou - cada dia ele se parece mais com você.

- Você acha? - a de olhos verdes pergunta entortando a cabeça para olhar pra o pequeno.

- Claro que sim...olha o jeito que as sobrancelhas dele ficam quando ele olha pra cima. - sorrio ao constatar oque a mulher dizia - igualzinho quando você fica toda convencida. - elas se olham e sorriem uma para a outra - eu estou encrencada não estou? ele vai me dar trabalho, quase posso ver meus cabelos ficando brancos.

- Ei amor, não vai pirar agora no primeiro mês. - Lauren leva sua mão para o lado da bochecha da outra - eu vou estar com você, então dividiremos as preocupações, mas agora vamos aproveitar enquanto ele ainda é fofo e não consegue falar. - Camila ri da esposa e Lauren a beija antes de checar o cinto da mulher e da um beijo na cabecinha do mini Cabello-Jauregui.

Ela se afasta sorrindo quando vê que está tudo certo e seguro para elas saírem com o carro e fecha a porta com um baque médio.

 

Lauren vai acordando aos poucos com muita preguiça e com um sorriso pela cena ainda fresca, que sua mente cansada e saudosa criou para acalenta-la da falta que ela sentia de Camila. Elas se encontravam no flet todo final de semana, mas ainda era meio de semana e Jauregui ainda teria que esperar para ver sua amada.

Ela acordou de bom humor no entanto e foi logo tomar seu banho para começar o dia. Não literalmente, porque ela tem trocado o dia pela noite e logo teria que sair para comandar uma distribuição de mercadoria no lugar de Alejandro. Ele queria passar aquela noite com a família dele e ela apreciava o fato dele pelo menos estar tentando mudar os hábitos familiares, ou a ausência deles.

Oque ela não sabia era que Victor estava procurando por ela numa pilha de nervos, nos últimos dias eles estava muito desconfiado e tudo mudou quando Lauren faltou na luta da volta dele aos ringues. Isso foi num sábado e o último depois das festividades das primeiras semanas na universidade de Camila. Antes dos professores começarem a passar as matérias importantes e a palavra prova ser ouvida nos corredores pela primeira vez.

Realmente ela tinha marcado um compromisso com ele, mas Lauren não veria Camila com tanta frequência depois daquele sábado, então ela escolheu viajar para Connectcut. A luta de Victor era uma das últimas daquela noite e apenas como a sua reintrodução para o esporte, sem apostas e sem vitórias antecipadas. 

Pelo menos era como ele pensou que seria, foi como Lauren assegurou pra ele que aconteceria.

Não aconteceu, ele ganhou a luta, mas se você acha que ele ficou feliz, se enganou. Ele ficou furioso, primeiro porque o seu adversário lutava por Alejandro, mas não parava por aí. Aquela luta estava marcada para a vitória de Victor. Apesar de seu adversário ter muitas vitórias no currículo, Victor ser mais velho que seu oponente e ter pouco tempo de treino.

Oque quer dizer que Alejandro apostou contra seu próprio lutador para ganhar dinheiro em cima dele. Seu primeiro ato depois que levantaram a sua mão no ringue foi confrontar Alejandro. Victor o encontra indo embora com o apostador clandestino do clube de boxe e o confronta.

- Essa luta era importante pra mim. - Alejandro o olha como se ele tivesse dois anos.

- Então sei que vai comemorar bem a sua vitória. - ele responde e dá as costas para Victor.

Victor foi falar com seu treinador sobre aquela ser uma luta sem apostas, Lauren se certificou disso. Mas o seu mentor avisa que foi a própria Lauren quem abriu as apostas. Não acreditando no que ouviu, ele tenta ligar para Lauren várias vezes, mas ninguém atende. À aquela hora Camila e Lauren estão dormindo juntas no cantinho delas.

Ele cansado de ficar quebrando a cabeça, vai até o vestiário tomar uma ducha e ir pra casa, mas quando estava se trocando ouve a conversa entre o seu adversário e o treinador dele. Victor se espreita atrás dos armários e tenta ouvir oque eles falavam.

- As melhores lutas que presenciei foram feitas aqui Sebastian. Se quer ser alguém na vida terá que fazer algumas coisas por debaixo dos panos. - o mais velho diz desenfaixando as mãos de seu aprendiz.

- Não gosto de perder.

- E quem gosta? Só sei que Alejandro conseguiu que Lauren nos desse um pedaço do lucro dela nas lutas de hoje. Se você estragar as coisas para ele, depois do trabalho que ele teve, é capaz dele mandar te apagarem e eu vou no pacote.

- Tá bom, eu entendi!

- Não se esqueça quem paga as nossas contas Sebastian.

Ele não precisou mais falar com Lauren, que alguma coisa estava acontecendo ele sabia, mas ele iria descobrir oque. Então a partir daquela noite ele começou a olhar as coisas à sua volta de maneira diferente. Seguia Lauren algumas vezes e ela nunca ía para onde ela dizia que iria. Um dia ele a vê recebendo um bolo de dinheiro de Alejandro e apertando a mão dele em seguida.

Juntando a esse fato, Verônica deixa escapar que Lauren e Camila estão namorando, então finalmente ele decide confrontá-la para saber oque estava acontecendo. Era óbvio, mas ele queria ouvir da boca dela.

Lauren já tinha se arrumado e saído do prédio com Pyro. Estava a caminho de um posto de gasolina se encontrar com Gordon para partirem de lá, mas recebe uma ligação de Victor. Ela para com o carro no acostamento e atende a ligação dele.

- Alô?

- Aonde você tá? eu tô na frente do seu prédio e o porteiro disse que você não atende o interfone. - ele estava ansioso e um pouco nervoso.

- Eu acabei de sair, estava indo pro galpão. - ela mente - Você quer que eu volte pro apartamento? 

- Não, me encontra na minha casa.

- Aconteceu alguma coisa? - ele suspira e demora para responder.

- Isso você que vai me dizer Lauren. - o telefone fica ocupado e ela o afasta do ouvido só pra ter certeza que ele desligou na cara dela.

- Que bicho mordeu ele? - ela balançou a cabeça e deixou o celular no porta treco de seu carro.

Fez o retorno na avenida e foi em direção a casa dele.

Chegou antes dele e ficou esperando na calçada com Pyro segurando ele pela guia. Victor chegou de moto e subiu na calçada com ela, parando na frente de sua casa. Desceu dela, tirou o capacete, o colocando no guidão e olhou sério para Lauren. Ela sabia que estava encrencada pois o conhecia e só pôde pensar em uma coisa para deixá-lo daquele jeito.

- Eu não tive opções Victor. - ela falou levantando as mãos enquanto ele se aproximava.

- Vamos entrar. - disse simples e puxando ela pela camisa.

Empurrou ela para o lado de dentro, com ela ainda segurando a guia de Pyro. Ele olhou para a rua de um lado para o outro antes de fechar a porta. Ela o seguiu pela sala e subiram a escada da pequena casa de subúrbio para ir no quarto dele. Lauren deixou o cachorro do lado de fora e quando Victor entrou, ele fechou a porta com força.

- Como você pode agir pelas minhas costas Lauren?! - Ele perguntou juntando as mãos inconformado - eu não te disse que ele só queria ferrar com a nossa vida.

- Eu não consegui. Eu tentei, eu iria terminar com a Camila e mandar aquele velho ir se ferrar, mas eu não consegui. 

- Por causa de uma garota!? tem noção da enrascada que a gente pode estar metido.

- Não se preocupe, eu vou conseguir nos tirar dessa. - Lauren tentava fazer Victor olhar pra ela, mas ele andava de um lado para o outro - é só ter paciência, confia em mim. - ele finalmente a olhou, mas aquilo afundou o coração da mais nova.

- Confiar em você? depois de ter mentido pra mim e agido pelas minhas costas? Acha mesmo que eu vou conseguir fazer oque me pede?

- Victor eu segui meus instintos. - ele riu sem humor.

- Você deve ter um desejo de morte então Lauren. - a olhou sério agora - você fez exatamente oque Dung fez. Oque te torna diferente dele? Será que é mesmo só pela garota ou você também fez pelo dinheiro? - Lauren se revoltou, se aproximando do então amigo.

- Primeiro. Você sabe que eu estou pouco me lixando para o dinheiro, só quero o suficiente para dar dignidade para mim e pra vocês. E em segundo lugar, não me compara com ninguém, principalmente Brock, ele sim deve ter pensado no dinheiro, eu fiz por amor.

- Amor... - Victor zombou dela - você nem fez dezenove ainda, não sabe a diferença de amor e paixão.

- E quem é você pra dizer oque eu sinto?

- Eu era o seu melhor amigo, até você mentir e colocar a minha vida e a dos meus amigos em risco. - ele a empurrou pelo ombro - eu te acolhi, minha mãe te tratou como uma filha. Oque eu recebo em troca? hein? - a empurrou de novo.

- Victor, parar com isso. - Lauren já estava pilhada, com a respiração acelerada e se controlando para não estourar com o amigo.

- Eu vou parar com isso, se você for agora na cara daquele sujeito e dizer que você e todos nós estamos fora. - ele cutucou o ombro dela.

-Eu não posso fazer isso. Seria suicídio. - ela tenta fazer ele a compreender.

- Então eu revelo oque está acontecendo para todo mundo e te expulso da organização. - ela levantou a cabeça para olhar pra ele - oque vai ser Lauren?

- Você quer me expulsa? vai nessa. Mas eu te digo vocês não vão durar um dia sem a minha ajuda. Eu sei como nos tirar disso e ainda decidir de uma vez quem manda nessa cidade, mas eu preciso que você tenha paciência.

- Eu já ouvi essa história antes e olha aonde você nos trouxe! - ele abriu os braços.

- Victor me escuta.

- Você perdeu a minha primeira luta Lauren. Vero estava lá e você não. A Vero, sabe como está sendo difícil ela sair de casa depois do que o ALEJANDRO! fez com ela? Mesmo assim ela foi lá me apoiar e aonde você estava? Enfiada na filha dele !! - Pyro começa a latir do outro lado da porta.

- CHEGA! pode falar de mim o quanto você quiser Victor, mas se meter Camila no meio, eu esqueço a nossa amizade de anos! - Lauren o empurrou fazendo ele esbarrar na sua cômoda, que tinha algumas coisas em cima e que tremularam com o baque.

- Não tem mais amizade entre nós se você não reverter oque você fez Jauregui. Você arruinou a minha volta no boxe, ele entregou a luta sabia?? que honra tem em ganhar de uma luta comprada?

- Sinto muito.

- E como isso vai resolver as coisa?! tome uma atitude Lauren, ou eu vou tomar. - Lauren se apoiou na comoda e respirou fundo antes de olhar pra cima e responder ao outro.

- Eu não vou cancelar o acordo, não agora. - Victor desviou o olhar e eles ficaram em silêncio por uns segundos - por favor Vic, eu preciso de você. Só mais alguns dias. Eu consegui ajuda.

- Vai embora Lauren. - ela deixou os braços caírem do lado do corpo.

- Victor?

- Eu preciso pensar...quando eu me decidir sobre algo, eu te comunico. Agora vai embora. 

Ele estava na frente dela e de costas pra porta. Lauren começou a andar para ir embora, mas ao desviar de Victor ela esbarra na cômoda fazendo o dragão chinês de porcelana dele, que estava ali em cima, cair e se espatifar no chão em cacos.

- Me desculpa, eu não queria. - ela se agacha pra recolher os cacos.

- Tudo bem, deixa aí, você vai se cortar. - ele também se agacha para ajudá-la.

- Me desculpe mesmo, eu sei que você gostava muito desse... - Ao pegar a cabeça do dragão, Lauren encontrou de baixo uma chave de bronze. Os dois levantaram a cabeça ao mesmo tempo e se olharam.

Victor pegou a chave e trouxe entre os dedos pra perto do rosto .

- Estava aí dentro? você colocou? - Lauren pergunta.

- Não, mas devia estar aí dentro, nunca vi essa chave. - ele a analisava - é antiga.

- Oque será que ela abre? 

- Não tenho ideia. - eles se levantam - se bem que...

- Oque?

- Estava dentro de um dragão chinês, que era do B. 

- Tá pensando em quê? - Victor se senta na sua cama com a chave ainda em mãos, mas com o olhar longe.

- Uma vez ouvi B falando no telefone em chinês com uma pessoa. - - Lauren o acompanha se sentando ao lado dele.

- E como sabia que era chinês?

- A mãe de Dung era chinesa, mas esse não é o ponto. - ele se virou para olhar melhor pra Lauren - depois de desligar a ligação, ele me chamou para ir em um lugar. Chegando lá eu descobri que era na China Town. Ele não deixou eu sair do carro para acompanhá-lo, mas eu me lembro que ele entrou em um restaurante.

- Você acha que vamos encontrar a fechadura pra essa chave lá?

- Não custa nada verificar.

- Tá bom, vamos lá. - Lauren se levanta.

- Agora? - ele também fica de pé.

- Sim, porque? tem algum compromisso?

- Não, vamos lá então.

Lauren abre a porta do quarto e Pyro entra logo em seguida farejando tudo em alerta, até Victor. Ela chama o cachorro que levanta a cabeça e a segue para fora do quarto. Os três saem da casa e entram no carro da Lauren em direção à China Town. Pyro pula para o banco de trás e Victor senta no lado do passageiro.

[...]

A noite estava tranquila, o barulho da cidade era abafado por as janelas do carro estarem fechadas. Eles estavam fugindo de uma chuva grossa e passageira que eles enfrentaram no caminho. Os boeiros daquele bairro soltavam um vapor que deixava um clima de suspense no ar e os vidros embaçados do carro indicavam que já fazia um tempo que eles rodavam atrás do tal restaurante.

Com muita ansiedade Lauren preferiu arriscar. A rua Victor sabia qual era, esse não era o problema, mas tinha pelo menos uns três restaurantes na mesma. Ela perguntou apenas qual ele achava que seria o certo e eles estacionaram na frente da que Victor indicou e saíram do carro. Desta vez Pyro permaneceu, mas com as janelas abertas.

Os dois caminharam pela calçada, parando em frente da porta do restaurante e apesar de estar tudo aceso e eles conseguirem enxergar um casal de idosos no lado de dentro. Na vidraça da porta, pendurado estava uma placa de 'fechado' em letras garrafais.

Eles suspiraram ao mesmo tempo em resignação.

- Isso é uma emergência. - Lauren diz e seu amigo parecia entender do que ela estava falando.

- Do jeito difícil será. - ele foçou a maçaneta e a porta se abriu facilmente, com um sino em cima indicando a entrada deles. Os velhinhos olharam assustados para os dois - boa noite pessoal. - Victor diz ao mesmo tempo em que entra e dá espaço para Lauren fazer o mesmo.

- Estamos fechados. - o senhor fala segurando uma vassoura de palha com as duas mãos defensivamente e parecendo apreensivo - voltem amanhã, abriremos às onze.

- Não viemos pela comida senhor... - o velhinho tensionou ainda mais a sua postura.

- Os outro já vieram esse mês, podem ir embora. - Lauren se aproxima dele com as mãos na cintura, uma postura intimidadora, mas não intencional da parte dela.

- Que outros? - ela pergunta.

- Os que coletam os impostos.

- Que eu saiba a prefeitura não vem na porta coletar impostos, ao que você se refere? 

- Estou falando dos tatuados que vem todo o mês. - ela suspeita de quem sejam.

- Eles tem uma lágrima tatuada no olho esquerdo? ou uma cruz entre o polegar e o indicador?

- Sim, lágrima. - ele afrouxou seu aperto no cabo da vassoura - dizem que é para diminuir os assaltos, pela proteção que eles oferecem, mas eles aumentam o valor todo o mês, quase não conseguimos pagar. - Lauren olhou para Victor por um breve momento, como se conversassem telepaticamente, depois volto a olhar para o senhor.

- Entendi. Senhor me desculpa entrarmos desse jeito no seu estabelecimento e a essa hora da noite. Sei que tiveram um longo e cansativo dia de trabalho, mas eu tenho uma questão que eu não posso esperar para resolver amanhã.

- Pergunte, mas seja breve. Estão assustando a minha esposa. - ele olha por cima do ombro, para a sua mulher que estava atrás do balcão.

- Tentarei. Victor fecha a porta. - assim ele o fez e Lauren se aproxima do senhor lhe estendo a mão - meu nome é Lauren Jauregui. - ele abriu os olhos ao ouvir tal nome - esse é meu amigo Victor Baldaya.

- Amigos de Brock. - ele diz pela primeira vez mostrando um sorriso não muito bonito, mas bem carismático.

- Pode se dizer que sim. Vocês eram parentes? - ela  pergunta.

- Ele era meu neto. - Lauren sente-se pequena.

- Meus...pêsames.

- Ele está melhor agora... me diga oque posso fazer por você pássaro de fogo?

- Pássaro de fogo? Brock falava de mim pro senhor?

- Oh sim, eu adivinho que ele tinha grandes planos pra você. - ele encostou a vassoura no balcão - temos muito que conversar.

Lauren e Victor prestaram atenção quando o senhor disse algo em chinês direcionado a sua esposa. Ela se aproximou dele, lhe beijou a face e se afastou deles, mas não sem antes olhar para cada um e enfim sumir por detrás de um porta na lateral do salão do restaurante.

- Por aqui, me acompanhem. 

O velho oriental segui em frente aonde uma escada se revelou atrás de uma porta no balcão. Numa parede existiam vários interruptores juntos e ele apertou quase todos, apagando as luzes do salão, permanecendo a que ficava no topo da escada. Eles subiram por ela, por dois lances que davam no piso superior do lugar.

Pararam em frente a uma porta que ficava na esquerda do topo da escada e o senhor a abriu com uma chave, dentre as muitas que ele tirou do molho dentro do bolso de sua calça. Entraram por ela e quando já estava aberta, o idoso ligou uma luz e eles se depararam com um lugar parecido com um sótão ou um porão.

Havia algumas caixas; artefatos como um relógio de cuco e pêndulo de quase um metro e meio; um conjunto de vasos; uma bicicleta antiga parecendo que esteve na segunda guerra; algumas malas de couro desgastadas com o tempo e caixotes.

Na parede de frente pra porta, uma única janela sem cortina, dava a vista de boa parte do bairro iluminado pelos postes e do trilho do metrô. O senhor arrastou três caixotes de madeira deixando em um círculo de baixo da fraca e central iluminação do quarto. Ele pediu para fecharem a porta e se sentou em um dos caixote. 

- Peguem um assento. - Victor e Lauren obedeceram se sentando em seguida - oque os trazem até mim essa noite?

- Viemos porque encontramos essa chave dentro de um dragão de porcelana que pertenceu ao Brock. - Victor tirou a chave do bolso e ofereceu ao senhor que a pegou entre os dedos. Ajeitou os óculos e apertou os olhos, virando a chave de um lado para o outro.

- É...vieram ao lugar certo. - Lauren e Victor se olharam mais uma vez aquela noite e sorriram para o velhinho - meu neto me confiou uma urna, alguns meses antes de morrer. Disse que chegaria a hora em que alguém viria com a chave que a abriria.

- Eu tenho muitas perguntas senhor, mas será que antes você poderia pegar a urna para a gente? - Lauren disse ansiosa.

- Claro. - ele se levanta e devolve a chave para Victor - eu coloquei em algum lugar por aqui. Posso demorar pra achar.

- Não tem problema não estamos com pressa. - ele acena com a cabeça e se vira para procurar em um pilha de caixas.

Lauren olhou em volta com curiosidade, sem parar em um lugar específico, mas um porta retrato ao lado do relógio cuco cativaram seus olhos, então ela se levanta e caminha até lá. Pega ele de cima de umas caixas de papelão e analisa a foto em sua mão.

Ela reconheceu B, mas ele tinha cabelo na época da foto e aquilo fez ela sorrir chamando a atenção de Victor, que se aproxima para olhar por cima do ombro dela. Abraçado à Brock estava um cara com os mesmo traços asiáticos de Dung, mas aparentando ser mais novo.

Os dois sorriam e pareciam estar nas escadas da frente de uma típica casa dos subúrbios de Nova York. Dung sorria como Lauren viu poucas vezes. Ela tirou os olhos do retrato para falar com senhor mais velho.

- Quem é o cara do lado do B? - ele virou a cabeça para saber do que ela falava e sorriu tristemente para a foto.

- Esse é Cheung, irmão mais novo de Brock, meu neto. - Lauren voltou a olhar para a foto tentando verificar a semelhança.

- Onde ele está agora?

- Também morreu. - Lauren ficou sem palavras.

- Tá tudo bem garota. Já faz alguns anos e ele morreu tentando fazer o bem.

- Me desculpe, mas eu tenho que perguntar...

- Como foi? - Lauren acena com a cabeça. O senhor vai até um álbum grande em cima de algumas malas velhas e se aproxima folheando alguns recortes de jornais. Até que ele para em uma notícia em específico - estava tendo um incêndio numa casa - ele entrega o álbum para ela, que o pega com a mão que não segurava o porta retratos, e ele aponta para o recorte do jornal - ele tentou salvar um casal, mas nem conseguiu passar pela porta. 

Lauren deixou o porta retrato cair ao ver a foto estampada na notícia de uma jornal de circulação nacional. Sua antiga casa devastada depois dos bombeiros terem apagado o incêndio.

Ela olhou para o chão e fez que iria se agachar para pegar o porta retrato, mas Victor a impediu pegando a moldura com a foto primeiro. Ele se levantou e colocou o porta retratos em cima das caixas e logo segurou Lauren pelos ombros para confortá-la. Ele reconheceu a fachada daquela casa.

Lauren começou a ler a notícia:

'Casal morre no bairro de Bronxs - NY em possível incêndio criminoso'

'Nesta terça feira(17) um trágico incidente no conhecido bairro do Bronx, causou a comoção da vizinhança. Uma casa residencial é parcialmente devastada pelo fogo com um casal dentro. Dereck e Clara Jauregui morreram possivelmente carbonizados no local aonde moravam com os três filhos. 

Dois dos três se encontram desaparecidos até a conclusão dessa edição e a mais velha entre eles foi levada desacordada de ambulância para o hospital mais próximo. Ela tinha diversas escoriações pelo corpo e rosto e fraturas em duas costelas, que aparentemente são atribuídas à outros fatores.

Além da tragédia dessa família, um homem que passava pelo local morreu ao tentar ajudar a retirar o casal de dentro da casa em chamas. Segundo testemunhas, ele foi o único a romper a barreira de segurança e se oferecer para ajudar. Mas antes que ele conseguisse entrar na casa, houve a explosão de um botijão de gás que o arremessou longe, o fazendo bater a cabeça e sofrer um traumatismo craniano. O jovem de 24 anos morreu no local e a família foi informada.

O incêndio foi controlado pelo corpo de bombeiros da cidade de Nova York, antes que atingisse proporções alarmantes e se espalhasse para as casas vizinhas. A NYPD ainda investiga a origem do incêndio, mas a polícia suspeita que tudo indica que se tratou de um ato criminoso, consequência de um possível acerto de contas do tráfico.

Pessoas que estavam no local foram chamadas para prestar depoimento, mas todas alegavam desconhecimento dos fato. Oque gera mais certeza de que o tráfico está envolvido nesse crime. Em casos semelhantes, a polícia encerrar as investigações por falta de provas e de testemunhos. Sem poder incriminar alguém os arquivos acabavam esquecidos e empoeirando em uma caixa junto de outros iguais.

Os cidadãos não só de Nova York, mas dos Estados Unidos se perguntam quando teremos justiças para várias famílias como a dos Jaureguis. Policiais estão de luto pelo companheiro de serviço de tantos anos e amigos e familiares lamentam o fim que eles tiveram, assim como a família que foi separada.'

- Espera...se B perdeu o irmão por algo que Alejandro fez, poque se aliar á ele?- Victor pergunta e o senhor olhou para os dois.

- Meu neto não me falava das coisas dele e eu achava melhor não perguntar. Eu tinha noção que ele não estava num caminho muito bom, mas ele amava o irmão mais que tudo e não superou a morte dele até o dia que se juntaram. - ele se virou de costas para os dois e foi se sentar no caixote de madeira - Ele pediu para serem enterrados juntos quando chegasse a sua hora.

- Talvez Lauren, ele não tivesse se aliado cem por cento ao Alejandro - Victor lhe tocou o ombro -oque faria se alguém que você ama fosse assassinado?

- Você sabe a resposta. - o olhei.

- Então, Talvez B também estava tentando se vingar de Alejandro por isso se juntou á ele. Talvez ele soubesse que eu iria pegar o dragão, eu vinha amolando ele para me dar desde que eu tinha visto.

- Isso são só suposições Victor. - ela olhou para o senhor - nós precisamos dessa urna para saber a verdade senhor Dung. - ele grunhiu tentando pensar de olhos fechados e levantou as mãos passeando com o dedo pelo local.

- Está nesse quarto, eu lembro disso. - Lauren se aproximou e passou por ele.

- Nós vamos te ajudar. - Lauren começa a vasculhar o quarto a procura da tal urna e Victor se junta à ela.

[...]

Eles procuraram em cada canto daquele quarto, debaixo de cada coisa, dentro de cada caixa e mala, mas não encontraram nada. Agora Victor e Lauren estavam no chão enquanto o idoso os servia um pouco de chá antes deles irem embora. A garota não queria fazer desfeita e além do mais o senhor disse que acharia a urna nem que sua vida dependesse disso e que ligava quando a encontrasse.

- Não se preocupem, eu vou acabar me lembrando aonde coloquei. - ele ofereceu a primeira xícara para ela, que aceitou desanimada.

- Tem certeza? procuramos em todos os cantos e nada. - ela disse depois assoprou a bebida para poder dar o primeiro gole.

- Tenho sim, é só uma questão de tempo. - ele estendeu a outra xícara para Victor, mas parou com ela no meio do caminho e olhou para o relógio de pêndulo perto da porta - eu lembrei.

- Como? - Lauren deixou a xícara de lado e se levantou ao mesmo tempo que Victor.

Eles ficaram olhando para o senhor que deixou a xícara que segurava em cima de um caixote atrás de si. Foi até o relógio e abriu a portinha em que ficava o pendulo, pegando algo que estava ali na base do relógio.

Ele sorrio largamente sacudindo a urna, exibindo-a para os dois jovens.

- Eu disse... - deu dois tapinhas no relógio e fechou a portinha do pêndulo - era uma questão de tempo. - eles riram juntos e depois se silenciaram quando o senhor ficou analisando a urna. Por fim levantou seus olhos para os dois e estendeu ela para Victor - tome. - Victor tomou das mãos enrugadas, mas se virou para Lauren.

- Acho que oque tem aqui dentro pertence à você. - ele entregou a urna para ela junto da chave.

- Tem certeza? - ela pergunta e ele assenti.

Ela olha para caixa, tomo um fôlego, depois olha para seu amigo uma última vez antes de encaixar a chave na fechadura e girar ela em noventa graus. Um click soou pelo quarto consumido pelo silêncio sepulcral. Ela abre a pequena tampa, que na parte de dentro tinha um escrito em chinês. 

Desviou a atenção daquilo para descobrir o conteúdo da urna. Uma carta lacrada com um selo de vela dourada e as inicias 'BD' se encontrava ali. Um anel de ouro com um M nele e mais outras coisas, mas ela estava interessada na carta. Entregou a urna para Victor que começou a analisar as coisas que tinham dentro.

Ela violou o lacre da carta e desdobrou, começando a passar seus olhos pelo papel rapidamente. Os dois estavam atentos as reações da garota, que no começo parecia neutra, mas em um certo momento um vinco se formou em sua testa. Lauren começou a balbuciar algumas palavras soltas, como 'a verdade ', ' herança' e 'Miami'.

Ao terminar de ler ela abaixa o papel meio que em choque e não diz uma palavra. Victor chama por ela, mas Lauren vai se sentar em um caixote. Ele se aproxima e pega a carta da mão dela. Lauren parece atordoada e passa as mãos para trás pelos cabelos. O senhor respeita o silêncio dela e Victor continua a ler.

- Lauren... - ela levanta a cabeça e olha para o amigo parecendo confusa - sabe oque isso significa?

- Sim Victor. - ele se aproxima e se ajoelha na frente dela.

- Você conseguiu. - ele segura o rosto dela entre as mãos - tem Alejandro na palma de sua mão.

Ela se levanta e vai até a urna que Victor segurava. Abre ela, retira o anel de dentro, o analisa um pouco e depois coloca no seu anelar direito. Lauren sentiu poder quando o colocou no dedo, como se fosse imbatível. Segunda a carta, esse anel era para Clara entregar para o seu primeiro filho. Lauren cerrou a mão, que tinha o novo adereço, em punho e fechou a urna.

- Senhor Dung. - Lauren se vira para o velhinho - obrigada por nos receber e por ter guardado. - ela levantou a urna, indicando do que ela falava - não se preocupe. Ninguém vai lhe incomodar mais. 

- Sem impostos? - ela sorrio. O velhinho se levantou e foi parar na frente dela.

- Sem impostos. - ele segurou a mão dela que tinha o anel e beijou, deixando ela desconcertada.

- Muito obrigada pássaro de fogo. - ela se desvencilhou da mão dele gentilmente e passou um braço pelos ombros do senhor, enquanto a outra mão segurava a urna.

- Agradeceria se me chamasse de Lauren senhor. O nome que minha mãe escolheu. - ela disse com serenidade - e não me agradeça ainda. Tenho algumas coisas para fazer antes de lhe garantir os seus direitos.

- Tudo bem, Lauren. - o sorriso dele contagiou à ela e Victor, que seguiu eles para fora do quarto. 

[...]

- Espero que tenha encontrado as respostas que procurava. - o senhor diz em frente da porta de seu restaurante. Lauren estava com Victor ao seu lado.

- Ainda não senhor Dung, mas agora eu tenho os meios de conseguir enfim. - ela lhe sorrio.

- Que bom Lauren, você e seu amigo serão sempre bem vindos aqui. - ele fez uma reverência.

- Voltaremos em breve, mas dessa vez como clientes e com muita fome. - o senhorzinho deu uma pequena gargalhada.

- Oh sim é só aparecer. - Lauren se aproximou e o abraçou com carinho. O senhor já tinha ganhado a afeição dela.

- Tchau senhor Dung. - ela se afastou dando tapinhas em um dos ombros do senhor - foi um prazer conhecê-lo.

- Igualmente minha filha, vá com Deus. - ele tocou o rosto dela.

- Tchau seu China. - Victor abraçou o homem também e Lauren revirou os olhos pelos modos do amigo.

Eles se afastaram dali da frente e deram um último aceno antes do senhor entrar e fechar a cortina da porta. Pyro estava no carro todo agitado com o retorno dos dois e quando Lauren entrou, ele fez o que sempre faz e pulou no colo dela com todo o seu tamanho e encheu ela de beijos caninos, conhecidos com lambidas babadas. O filhote crescido voltou para os bancos de trás e eles puderam partir dali.


Notas Finais


Próximo capítulo terá cenas fortes.
Então se você for sensível, não recomendo que leia.


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