História Firebird - nascida das cinzas. - Capítulo 25


Escrita por: ~

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Palavras 7.113
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Romance e Novela
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Intersexualidade (G!P), Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Eh agora...

Capítulo 25 - Capítulo 25.


Fanfic / Fanfiction Firebird - nascida das cinzas. - Capítulo 25 - Capítulo 25.

Lauren estava deitada na cama do seu quarto no galpão e Pyro nos seus pés, quietinho. Ela não sabia como processar as informações da carta e queria passar aquela noite sozinha. Disse para Gordon que teve um problema e por isso não apareceu. Ele entendeu e disse que tudo correu bem lá e quem nem foi preciso a presença dela.

Ela esqueceu de desejar boa noite para Camila, que tentou ligar para ela, mas ao olhar o nome da namorada no visor, Lauren não teve coragem de atender. Colocou o celular no silencioso e o descartou em qualquer canto do quarto.

Agora ela olhava para o anel com total atenção, viajando em teorias e enigmas que ele carregava. Que ele era da família da sua mãe ela sabia, porque era oque Dung disse na carta, mas quem era a família de sua mãe? Ela se lembra de quando perguntou dos seus avós para a sua mãe. " Eles moram muito longe " a mais velha disse e quando Lauren tentou insistir no assunto sua mãe lhe repreendeu.

Lauren não perguntou mais dos seus avós para Clara, porque foi a primeira vez que viu sua mãe falou daquele jeito com ela. Então ela decidiu não chatea-la mais com aquele assunto. Mas agora ela gostaria de ter insistido, porque parecia que ela não sabia nada da história dela. 

A irritou muito, pois além de ter esquecido boa parte do dia do incidente em que perdeu seus pais, ela ainda não sabia das suas origens. Lauren pensava que as únicas pessoas que teriam a resposta estavam agora mortas. Aparentemente em Miami, em um endereço que Dung passou pela carta, existia uma pessoa que a tiraria um pouco da escuridão em que estava. 

Ela sentia que faltava alguma coisa dentro dela, sabia que a falta que ela sentia de Camila tinha bastante haver com isso. O problema era que o sentimento cresceu depois que ela saiu do restaurante e conseguiu apenas tranquilizar seu amigo para poder despacha-lo e se isolar. Estava sendo quase impossível permanecer quieta.

Ela sabia oque poderia aliviar a sua mente e lhe dar um pouco de anestesia de seu conflito interno, mas desde que conheceu Camila ela nunca mais usou essa droga em específico. Estava indo muito bem sem ela enquanto Camila era a dona de seus pensamentos, oque não era o caso naquele momento. 

No galpão não era permitido, mas ela tinha guardado numa caixa de sapatos dois saquinhos, um contendo cocaína pura e a outra maconha para entregar amanhã para um amigo pessoal dela. Lauren se levantou da cama num pulo assustando Pyro que levantou a cabeça e ficou de orelhas em pé. 

Se agachou em um canto do amontoado de coisas que tinha naquele quarto e pegou a tal caixa. Lá estavam os dois saquinhos, ela pegou o de maconha e jogou ele duas vezes à poucos centímetros no ar, mas seus olhos foram para o pó logo ali. De repente ela sentiu seus batimentos já aumentando e sua boca secando, ela olhou para Pyro que voltou a repousar a sua cabeça, mas olhava para ela atento.

- É só desta vez. - o cachorro passou a língua no focinho e começou a abanar o rabo - não conta pro Vic, ele vai encher o meu saco. - Pyro grunhiu baixo ainda abanando o rabo e deu um latido - não vem me dar uma lição de moral você.

Lauren jogou o saquinho que segurava e pegou o de pó branco. Pyro saiu da cama e abocanhou o pacote para o desespero dela, que começou a persegui-lo até encurrala-lo em cima da cama e tentar tirar o pacote sem que ele furasse e desse uma overdose no animal. Ela coçou a barriga dele que soltou o pacote na hora.

 - Olha oque você fez. - ela disse pegando o pacote com dois dedos - todo babado. 

Pyro veio pra brincar com ela, mas Lauren o empurrou e se jogou na cama, enxugando o pacote com a camisa. Ela se inclinou e pegou a caixa de sapato colocando em seu colo, abriu para pegar um cartão eletrônico desses de banco e fechou de novo. Passou a mão em cima algumas vezes para tirar a poeira e pegou o pacotinho de cocaína.

Lauren fez duas carreirinhas do pó em cima da tampa e pegou uma nota de vinte da sua carteira, enrolou e colocou entre o indicador e o polegar direito. Sabia que iria se arrepender depois que o efeito passasse, mas ela queria sentir algo além de frustração e raiva. Se aproximou da caixa com o a nota enrolada e deu conta da primeira carreirinha. Ela se acostumou com o incomodo inicial e foi para a segunda.

Ela inclinou a cabeça pra trás e um sorriso se formou no lábios dela. Deixou a caixa do lado da cama e se deitou passando uma mão pelo corpo. Fechou os olhos e engoliu em seco, esperou um pouco pelo resultado que pretendia e ele chegou deixando ela com uma sensação quente na barriga. Ela abriu os olhos e tudo parecia..."melhor".

Quarenta e cinco minutos depois...

Ela chorava abraçada a Pyro e não conseguia sair daquela posição. Depois do efeito da droga, uma sensação ruim se apossou dela junto de muitos pensamentos depressivos. Como ela previa, se arrependeu de ter usado, mas agora era tarde e sua mente não parava de trabalhar. Ela queria um descanso e queria Camila ali ao seu lado.

Não ousaria ligar para a garota agora que se encontrava em cacos, ou para Victor, pois ela iria ouvir dele até não aguentar mais.

Consequentemente sua mente exausta sucumbiu ao sono e ela adormeceu. Mas durante seus sonhos, oque no inicio parecia um pesadelo, se revelou memórias uma vez bloqueadas da sua mente que estavam se mostrando para ela. Memórias do dia do acidente. Ela suava, tremia e se debateu nos últimos minutos antes de acordar. 

Pyro latia como um louco e ela ouviu batidas na sua porta. Até que alguém arromba a porta e entra no quarto. Tenta ir até Lauren, mas Pyro não deixa e ameaça avançar. Sem ter oque fazer um dos caras da gangue liga para Victor e espera do lado de fora fechando a porta. Ele chega em menos de quinze minutos e corre até o quarto de Lauren.

Ao entrar ele encontra ela sentada na parede chorando e com Pyro ao seu lado lambendo o rosto dela. Ele olha pelo quarto e encontra vestígios da droga que ela usou e nega com a cabeça. Começa a se aproximar dela e chamar pelo seu nome. Lauren não percebe a presença dele até Victor se sentar ao seu lado na cama e tocar seu rosto para que ela o olhasse.

Assim que o nota, ela se joga nos braços do amigo que a abraça forte.

- Tá tudo bem, eu tô aqui. - o choro dela se intensifica e ela o aperta forte.

- Victor me desculpa.

- Oh Lauren, porque faz isso com você? - ele passava a mão nos cabelos dela.

- Eu estava cansada e...

- Deixa pra lá depois a gente conversa sobre isso. - ele beijou o topo da cabeça dela - vamos lá pra casa. - Lauren levanta a cabeça e olha por uns segundos para o outro - Oque foi?... - ele encontra algo diferente no olhar dela.

- Eu lembrei Victor, eu lembrei de tudo. - ele olha estático.

- Você tá falando do dia em que seus pais morreram?

- Sim, foi enquanto eu dormia, mas eu sei que é real. - ela enxugou as lágrimas e se afastou do amigo.

- Tem certeza que não foi uma alucinação por conta da droga? - ele perguntou receoso e ela virou a cabeça pra ele, com o olhar frio. Longe de ser o da sua amiga.

- Tenho. - Lauren se arrastou para fora da cama e se levantou. Victor copiou seus movimentos e ficou olhando enquanto ela colocava um casaco. Ela olhou para ele depois para a caixa de sapato aonde ela usou a droga. - Não se preocupe que nunca mais vou usar essa merda.

- Lauren... - ela voltou a se sentar na beira do colchão e calçou os tênis - Lauren aonde você vai?

- Você não tem noção das coisas que aconteceram aquele dia, do que ele foi capaz de fazer com os meus pais.

- Ei! oque aconteceu? Lauren eu não vou deixar você sair desse quarto sem me dizer oque tá acontecendo. - ele para na frente dela.

- Oque tá acontecendo Victor é que eu me lembrei e Alejandro vai pagar pelo sofrimento que ele fez a minha mãe passar. - ela se levantou com os punhos cerrados.

- Não você não vai até lá. Vai ter que passar por mim. - ele ficou entre ela e a porta.

- Sai da frente agora. Eu vou vingar a minha mãe, nem que seja a última coisa que eu faça. - ela avançou nele e Victor a empurrou para trás.

- Lauren, fala comigo. Vamos conversar sobre aquele dia e achar juntos uma maneira dele pagar pelo que ele fez, sem que você tenha que morrer pra isso.

- Eu não quero falar sobre isso, eu só vou mata-lo e acabar de vez por todas com isso. 

- Pensa na Camila, pensa no seus irmãos. Vale a pena perder eles só parar matar Alejandro? - ela ficou quieta ainda muito tensa - justo agora que o jogo virou pro seu lado, você quer ser inconsequente. Pense que você tem uma chance de fazer isso do jeito certo, sem ter que perder ninguém no processo.

- Foi horrível Victor, oque eles fizeram com os meus pais. Eu não consigo nem pensar... - ela se quebrou ali na frente dele ao se lembrar da cena e recomeçou a chorar. Ele se aproximou da amiga e a abraçou.

- Sinto muito Laur. - ele afastou para olhar pra ela e acariciou o rosto dela - você quer me contar oque houve naquele dia? - ela suspirou e assentiu com a cabeça - vem vamos sentar aqui.

Os dois se acomodaram na cama com as costas apoiadas na parede. Pyro subiu na cama e deitou a sua cabeça no colo de Lauren. Ela sorrio entre as novas lágrimas, fez um carinho na cabeça dele e depois deixou um beijo ali. Victor esfregou os ombros dela, oque fez Lauren olhar pra ele e então começar a contar oque se lembrou.

- Eu tinha doze anos, era uma segunda-feira, terceira semana de aula. Lembro disso porque eu passei o fim de semana inteiro ansiosa para ir na escola. Vero ia me mostrar as cartas novas de trunfo que ela ganhou. 

- Que nerd. - ele riu fazendo a garota sorrir - continua. - ele pegou na mão dela entrelaçando os seus dedos com os dela.

- Estava no meu quarto que eu dividia com o Chris, deitada na minha cama, quando eu ouço a voz grossa do meu pai me chamar. Sempre que eu ouvia a voz dele eu ficava em alerta. Não era medo, mas eu sabia que ele não chamava nenhum de nós à toa.

Eu logo tirei a coberta de cima de mim e saltei da cama do jeito que eu tinha ido dormir, vestindo apenas uma cueca e uma regata branca. Segui até o quarto do meu pai, bati antes de entrar e meti minha cabeça na brecha da porta. O frio do ar condicionado se chocando na minha cara. Metade do ano ele só dormia com ele ligado. As luzes estavam acesas e tanto ele quanto a minha mãe, estavam sentado na cama.

Minha mãe vinha estado constantemente com essa expressão de preocupação no rosto, oque sempre acabou comigo. Agora eu sei o porque. - ela sentiu um nó na garganta.

Eu me pus na frente dele, sem deixar de reparar numa mala velha debaixo da cama. Pergunto se ele havia me chamado e ele diz que sim. Ele se ajeita na cama e suspira. Sua respiração tinha cheiro de bebida. Ele queria que eu fosse à alguns lugares pra ele. Minha mãe se levanta e tenta dizer que não queria que eu fosse, porque em breve eu teria que ir pra escola.

Ele disse que eu podia faltar e depois que eu fizesse oque ele pedisse, eu passaria o resto do dia assistindo desenhos e comendo besteiras. Não seria tão ruim, eu pensei. Minha mãe sabia oque ele ia me pedir e tentou mais uma vez impedi-lo de ir pra frente com aquilo, mas ele gritou com ela dizendo que eu era um membro da família e tinha que ajudá-lo.

"- Tudo bem pai, eu faço. Pode falar." - eu só não queria ele brigando com ela por mais tempo.

"- Essa é minha garota." - ele bagunçou meus cabelos e se agachou pra pegar a mala debaixo da cama, colocando no colchão.

Ele levantou a tampa e eu vi ela cheia de blocos enrolados em fita e tinha também sacos de supermercados contendo alguma coisa. Minha mãe estava sentada curvada na cama, eu acho que ela chorava, detestava ver ela assim. Meu pai pegou uma sacola, fechou a tampa da mala, se virou pra mim e disse.

"- Certo eu quero que você faça uma coisa muito importante pro pai."

Ele me explicou toda a transação que eu teria que fazer, indo em endereços, distribuindo aquelas coisas e pegando o dinheiro certo. Me ensinou algo básico sobre troco, que eu lhe assegurei que eu já sabia, porque eu mexia com dinheiro pra comprar a merenda da escola. E o mais importante, não ser pega por policiais e se isso acontecesse eu tentaria dispensar a mochila em algum lugar e só abriria a boca pra chamar para ele ir me pegar.

Eu concordei e sai do quarto pra me arrumar, mas antes de sair eu dei uma última olhada em minha mãe, ela queria me dizer tanta coisa naquele olhar. Eu sorri pra ela querendo confortá-la, mas não foi de muita ajuda.

Voltei pro meu quarto, me vesti, peguei minha mochila e sai dali. Percebi minha mãe na cozinha, dando o café da manhã pra Taylor. Ela tinha três anos, era tão pequena... - Lauren sentiu que seu coração estava sendo pisoteado - Fui até elas e me abaixei pra cumprimentar minha irmã, que radiante me abraçou e beijou meu rosto, sujando a minha bochecha de calda de chocolate, que cobria as suas panquecas. Minha mãe me puxou e limpou meu rosto com um pano de prato, antes de beijar a minha testa e me abraçar apertado.

Minha mãe tinha os melhores abraços.

Me despedi das duas e passei pelo meu pai, que já estava sentado numa poltrona na sala, com uma garrafa de Jameson recém aberta ao seu lado. Eu sorri amarelo pra ele que me acenou com uma mão, logo voltando a sua atenção ao noticiário local.

Peguei o papel com os endereços e decidi começar pelo lugar mais longe. Eu peguei um ônibus e desci num bairro no outro lado da ponte e caminhei até um motel. Eu subi numa escada que dava acesso ao corredor em que ficava as portas dos apartamentos e parei naquela que me indicava o número procurado.

Um cara abriu a porta pra mim, ele fazia o estilo tiozão, com a barba grisalha por fazer, uma jeans surrada e um camisa de botão de manga curta estúpida que ele deixou aberta. Eu fiquei olhando pros meus pés, eu detestava olhar nos olhos das pessoas. Parecia que eu enxergava mais do que eu devia ver. 

Eu falei a senha que meu pai disse pra eu falar. Ele mudou seu tom de voz desconfiado e disse pra eu esperar que ele iria pegar o dinheiro.

Fiquei esperando, até que uma mulher de lingerie aparece na porta e fica tentando falar comigo, mas ela estava quase nua e mais uma vez eu não conseguia olhar pra ela. A mulher tentava me tocar, mas o cara voltou com o dinheiro e eu entreguei a droga num saquinho azul. Eu agradeci e sai correndo dali.

Estava fazendo a última entrega no meu bairro, o garoto estava me enrolando a um tempo com um papo furado e eu não sabia como fazer pra dispensá-lo. Até que ele parou de falar e olhou pra trás de mim sorrindo. Eu segui seu olhar e vi três homens vindo na mesma calçada em que eu estava. 

Eu fiquei imóvel olhando o cara que vinha no meio, ele parecia o chefe, com um andar confiante, uma roupa de grife e um olhar intimidador. Ele era "O cara" na minha cabeça adolescente. Mas algo sobre os dois armários que acompanhavam seus passos, me alarmaram e eu entrei em pânico. 

Sai correndo e dispensei minha mochila de baixo de um carro estacionado. Não andei muitos metros porque o garoto com quem eu falava me pegou pelo pelo colarinho da minha blusa e me levou até ele com um sorriso gozador. Ele passou pela minha bolsa, e me fez agachar e pegar ela, depois me levou pra ficarmos de frente para o cara que parecia ser o chefe.

"- É essa aqui patrón. Ela ta vendendo na sua área." - ele disse como um cachorro que leva o jornal pro seu dono.

"- Só não entendi porque eu tive que cancelar um programa com a minha família pra resolver isso. Eu já te dei instruções sobre gente de fora que vender na minha área." - Alejandro fala com desprezo.

"- Eu sei patron, mas ela não é de fora, olha." - ele me soltou e eu pensei em correr, mas sabia que não iria muito longe - "esse selo com o J, só pode ser do Jauregui. Eu te disse que não podíamos confiar nele." - ele falou com um dos saquinhos azuis com um J impresso.

"- Certo, cala-te. Você garota, como se chama?" - eu não disse nada - "eu lhe fiz uma pergunta!"

"- Lauren."

"- Do quê?"

"- ...Jauregui."

"- Filha do Dereck?"acenei com a cabeça - "tsctsctsc uma vez porco..." - ele colocou a mão na cintura e suspirou alto - "pegue ela, vamos fazer uma última visita para o nosso amigo policial."

Ele se virou e um dos armários veio na minha direção, eu dei um passo pra trás, mas trombei naquele garoto e fui carregada para um carro de luxo que estava estacionado na esquina daquele quarteirão. As pessoas olhavam eu espernear e bater nas costas daquele grandalhão, mas depois olhavam pro lado como se nada tivesse acontecendo. Todos sabiam qual era o fim de um delator.

Eu sentia um aperto no coração só de pensar desses caras perto da minha mãe ou dos meus irmãos. Eu queria gritar, mas eu só chorei em silêncio no caminho até a minha casa. Eles me fizeram entrar primeiro com a mochila em mãos. Logo vi meu pai, que não tinha saído do lugar a manhã toda. Ele sorrio pra mim. 

Nem quando eu tirei em Álgebra meu pai não me sorrio desse jeito. Enfim ele notou minhas lágrimas e as sombras que entraram em seguida e seu sorriso desmanchou.

"- Alejandro?" - ele disse olhando em volta e depois voltando seu olhar para o Cabello - "que surpresa boa."

"- Umm...não tenha tanta certeza." - ele olhou para um de seus capangas - "feche a porta."

"- Você conheceu a minha filha."

"- Sim, boa garota ela." - Meu pai suava e estendeu a mão pra mim. Eu iria até ele, mas Alejandro segurou meu ombro e eu fiquei no lugar - "não acredito que um pilantra como você teve alguma participação na criação dela. Onde está sua mulher?"

"- Está lá em cima, deixa eu chamar ela." - meu pai iria sair da sala.

"- Não será necessário." - Alejandro olhou por cima do ombro para o garoto de mais cedo - "Elloy vá buscar a senhora Jauregui."

"- Já estou aqui. "- Minha mãe diz descendo as escadas com uma expressão destemida. Assim que Alejandro ouviu a voz dela, parecia ter visto um fantasma e seus olhos seguiam a minha mãe descendo as escadas de casa, até ela parar no andar de baixo, em que estávamos  - "oque o senhor deseja na minha casa?" 

"- Clara..." - ele parecia conhece-la - "quanto tempo."

"- Não o suficiente."- disse seca e todos olhamos dela para Alejandro que sorria.

"- Já sabemos quem veste as calças por aqui." - Alejandro diz e seus idiotas riram junto dele.

"- Lauren, vem aqui filha." - dessa vez ninguém me impediu e eu corri para os braços da minha mãe. Me senti tão protegida, que me agarrei nela e não pretendia soltá-la tão cedo - "eu não sei oque está fazendo aqui, mas quero o senhor e seus...empregados fora da minha casa. Eu peço que saia e resolva seus assuntos com o meu marido lá fora."

"- Desculpa querida, mas vocês não estão em posição de fazer exigências. Seu marido entrou nesse negócio por livre e espontânea vontade."

"- Eu repito, resolvam do lado de fora."

"- Ele sabia das consequências de quem tentasse passar a perna em Alejandro Cabello."

"- Eu não passei a perna em você, senhor." - meu pai diz com as mão juntas tremendo, me fez sentir vergonha de ser filha dele. 

"- A não ser que sua filha tenha começado a traficar por conta própria, eu diria que essas sacolinhas com o J gravadas nelas, são suas. Estou certo Dereck?"

"- Sim senhor, mas eu posso te repassar todo o dinheiro."

"- É tarde demais Dereck."

"- Não senhor, pelo amor de Deus..." - eu vi uma das cenas mais tristes na minha vida. Meu pai ajoelhado perante outro homem.

"- O bairro todo está sabendo do seu feito Dereck. Se eu não fizer algo minha reputação vai ficar lá embaixo e eu não vou ter mais respeito."

"- Alejandro não leve isso no pessoal, aceite o dinheiro de volta e vá embora." - Cabello olhou para minha mãe com um sorriso presunçoso.

"- Dereck mande a sua mulher calar a boca. Esse assunto é de homens."

"- Clara por favor..." - meu pai olhou implorando para mamãe.

"- Dereck eu quero eles longe da minha casa e da minha filha." - ela disse firme. Ainda tentando ocultar que meus irmãos estavam no andar de cima.

"- Chega! Dereck você sabe o procedimento por traição." Alejandro esbraveja.

"- Por favor, eu tenho sido um bom aliado, não?"

"- Ele ainda é policial. Se deixar ele ir, diga adeus a sua reputação pátron."- o tal de Elloy disse e quando recebeu um olhar gélido de Alejandro se calou e olhou pra baixo.

"- Tem esse agravante ainda. Você vai servir de exemplo." - assim que terminou de falar os dois capangas avançaram pra cima do meu pai.

"- Não! solta ele!" - eu gritei.

Minha mãe tentava me segurar no local, enquanto um deles segurava meu pai por trás. Escapei das mãos dela e tentei chegar no meu pai, mas eu só lembro que fui lançada pra trás com um baque forte que levei no rosto.

Eu fiquei tonta por uns segundos, depois me situei vendo a minha mãe olhando pra mim preocupada. Tentei me levantar e ela me ajudou me afastando dali. Um ainda o segurava, enquanto o outro dava o primeiro golpe na barriga de Dereck. Ele se curvou pra frente. O cara que batia segurou nos cabelos do meu pai e levantou o joelho com tudo no meio da cara dele. O barulho de seus pequenos ossos nasais se partindo foi abafado por seu urro de dor.

De seu rosto já escorria sangue, que formava uma poça no chão. Minha mãe puxou meu rosto contra ela, para que eu não visse mais. Por um tempo eu ainda ouvia meu pai sendo espancado, quando eu sinto a minha mãe ser arrancada de mim. Agora só tinha um cara espancando o meu pai, enquanto o outro tinha pegado a minha mãe e a jogou no sofá. 

Era Marsellus Wallace, chefe da segurança de Alejandro na época. Minha mãe se debatia tentando se livrar dele e eu sai correndo em direção a ela. Elloy tentou me impedir, mas dessa vez eu o ataquei com toda a minha força, com golpes descoordenados e lhe soquei nas bolas.

Ele ficou caído no chão, enquanto eu continuei meu caminho pra ajudar a minha mãe. Eu pulei nas costas do cara e tentava puxar ele de cima dela, mas não surgia efeito. Tentei bater nele, mas ele se levantou e me deu um murro que me fez cai no chão. Eu me levantei cambaleando, tentando mais uma vez impedir do pior de acontecer, mas o garoto apareceu na minha frente furioso e desta vez ele veio sem piedade pra cima de mim.

Eu cai no chão, ele montou em mim e começou a esmurrar a minha cara sem dó. Perdi minhas forças e olhei pro lado. A última coisa que eu vi antes de apagar foi minha mãe sendo violentada por aquele cara e por Alejandro.

Eu acordei algum tempo depois, com o cheiro de fumaça e tentei abrir os olhos, mas de tão inchados que eles estavam, não consegui ver muita coisa. Tentava me mexer e estava quase impossível, mas eu tinha que saber da minha mãe e de meus irmãos. Eu olhei para o lado e vi dois corpos no chão e Taylor sentada chorando ao lado do que parecia ser o da minha mãe.

Eu me apoiei em meus cotovelo-los e comecei a ouvir passos descendo as escadas. Aqueles caras apareceram com a mala do meu pai, que ele me mostrou mais cedo. Alejandro estava na frente, mas ele travou ao olhar para a minha irmã. Ele olhou pra trás e falou alguma coisa para os caras que saíram do local levando a mala.

Antes de sair, Elloy olhou pra mim e veio caminhando em minha direção, me acertando em seguida com um chute no rosto. Eu não ouvi mais minha irmã chorando e virei minha cabeça vendo Alejandro com ela no colo agora, limpando suas lágrimas e saindo da casa. Antes de ir embora ele olhou uma última vez pra dentro da sala e depois se virou levando a minha irmã consigo.

O local estava tomado por uma fumaça agora preta que vinha da cozinha. Eu ainda estava consciente e iria desistir naquele momento, mas eu ouço o resmungo da minha mãe.

"- Lauren..." - ela diz com a voz fraca, embargada e quebrada.

"- Mãe...eu tô aqui." - eu usei minhas últimas forças pra me rastejar até ela. Eu me agarrei em suas roupas rasgadas e sujas de sangue - "mãezinha, a gente tem que sair daqui."

Eu custei a me levantar e tentei levantar ela, mas eu não conseguia fazer força.

"- Por favor mãe, se levanta vem." - eu tentei mais uma vez chorando.

"- Eu tô tentando..." - comecei a ouvir uns estalos vindos da cozinha - "Lauren sai daqui!"

"- Não, eu não vou deixar você!"

"- Filha, ache seus irmãos e cuide deles."

"- Mãe, não."

"- Você tem que ir agora. Vai explodir! Seja uma boa menina." - foi ali que eu percebi que não tinha volta. Mesmo assim eu ainda estava em negação, mas eu obedeci ela, como eu sempre fiz.

"- Mãe eu te amo."

"- Eu te amo mais, você e seus irmãos. Diga isso à eles." - ela chorava e me empurrava ao mesmo tempo. Eu relutante consegui aos trancos e barrancos sair pela porta.

A rua estava tomada de gente fazendo um círculo em volta da minha casa. Eu corri até a pessoa mais próxima e falei que meus pais e meu irmão ainda estavam lá dentro. Ninguém queria entrar na casa que saía fumaça pelas janelas e portas, mas quando um homem se voluntariou pra me ajudar, uma explosão lançou nós dois pra trás e eu bati as costas num carro apagando na hora. 

Silêncio...

Lauren estava presa naquele dia, não tinha mais nada na sua cabeça além disso. Raiva, remorso, dor e vingança. Agora mais do que nunca ela queria a sua vingança. Faria Alejandro sofrer mais do que ele fez com a família dela. Aos poucos, ela queria prolongar a dor dele. Custe oque custar.

- Lauren? - ela olhou pra Victor ao seu lado e ele estava preocupado - eu não posso imaginar a dor de ter que presenciar isso acontecer sendo apenas uma criança. Eu também quero que ele pague e ele vai pagar de um jeito ou de outro, mas você não pode se prender nesse mundo. Não deixe que domine as suas ações.

- Eu já me perdi Victor, nada mais passa na minha cabeça. Apenas vingança.

- Não joga tudo pro alto. Você pode ser feliz e ainda sim dar oque ele merece. Só não esquece que tem mais gente envolvida nisso. Pessoas inocentes que não tem culpa pelo oque ele fez. - me lembrei de Taylor, depois em Camila, sua irmã e mãe - não faça mais vítimas desse caso.

- Eu só quero justiça. - ele suspirou e apertou meu joelho.

- Lauren não existe justiça com as próprias mãos. Oque você quer agora, e eu compreendo isso, é vingança, mas lembra oque dizia na carta do Dung.

- Se você procura por vingança?

- Cave duas covas.- ela disse sem vontade.

- Meu conselho... vamos para Miami pela manhã. Vemos as cartas que temos na manga e depois agimos. Certo? - ela não responde - Certo Lauren?

- Certo. - ele abraça ela de lado. Ela ficam em silêncio, até que a mente de Lauren volta para um lugar seguro, mas ameaçado da sua mente. Camila - você acha que ela e eu...

- Só o futuro dirá Lauren. 

- Eu não quero prejudicá-las. Elas nunca. - eles se afastam.

- Uma coisa está ligada a outra, vai chegar a hora em que você vai ter que escolher, mas não é agora. Você tem que dormir, amanhã pegamos o próximo voô para Flórida.

- Tudo bem.

- Vamos deite aí. 

Ela sorriu para ele e acordou Pyro que dormia no seu colo. Ele levantou um pouco e ela se deitou. Logo seu cão vai para a sua frente e ela o abraça. Victor cobre os dois e beija a cabeça de Lauren. Pyro o lambeu e Victor deu uma risada fraca, também beijando o cachorro. Se levantou e desejou boa noite para Lauren. Saiu do quarto desligando a luz e fechando a porta.

Agora no escuro e apenas exausta apesar dos fatos recentes, ela se esforçou para fechar os olhos e tentar dormir. Rezou em silêncio para ter um pouco de paz de espírito pela noite e enfim adormeceu.

[...]

701 Brickell Aevenue, Banco de Bogota, Miami - Florida.

Estava um calor de 30 graus do lado de fora, Lauren deu graças aos céus que o banco tinha ar condicionado. Já tinha se desfeito de duas peças e agora estava com uma regata branca que estava um pouco suada. O lugar estava lotado, cheio de pessoas irritadas, que não entendiam porque ela estava furando fila. 

Na verdade ela não furou, mas depois de mostrar a chave que Lauren encontrou na urna, o gerente foi chamado para leva-los até o cofre do banco. Uma parte reservada que ficava no subterrâneo. Era bem iluminado e separado por salas interligadas, onde as paredes ficavam gavetas inumeradas e no meio de cada sala, uma mesa de metal média com duas cadeiras. 

O gerente pediu a chave emprestada para Lauren e abriu a portinha para tirar a gaveta correspondente. Tirou a caixa retangular de metal, deixou em cima da mesa e falou para que Lauren e Victor ficassem à vontade. Eles acenaram para o senhor de gravata e se sentaram nas cadeiras, sendo a garota a ficar de frente para a caixa.

Ela abriu o tampo e olhou para dentro, depois retirando dois envelopes amarelo gema e uma carta endereçada apenas com um nome. Olhou para ver se tinha mais alguma coisa e encontrou a caixa vazia. Suspirou e pegou um dos envelopes, tinha vários papéis autenticados. Ele pegou um para ler e viu a escritura da mansão de Dung, mas no seu nome. O outro se tratava da boate e dizia a mesma coisa.

- É verdade, a mansão e a boate são minhas mesmo. - ela disse estendendo os papéis para Victor ver.

- Vê oque tem na outra. - Lauren pegou o outro envelope e viu mais papéis, só que agora também viu fotos.

- Você não vai acreditar... - Lauren retirou as fotos e virou elas para Victor ver.

- Lauren! ele tá tão ferrado. - os dois sorriram e Lauren deixou as fotos em cima da mesa.

Deu uma olhada nos papéis e não entendeu muita coisa, apenas via o nome de Alejandro uma vez ou outra. Então resolveu guardar tudo que tinha tirado de volta nos envelopes e se levantou da cadeira, com eles de baixo do braço e a carta em mãos. Eles saíram dali daquela sala e encontraram com o gerente do banco na escada que dava para o andar superior.

Eles foram embora num carro alugado e seguiram direto para a casa de Clifford, que os aguardava. Foram recepcionados por uma mulher de biquini que os levou até o dono da casa. O de cabelos cacheados cumprimentou os amigos e os ofereceu uma bebida. Logo os dois se instalaram cada um em um quarto e tomaram seus banhos.

Reunidos novamente na sala de estar, Lauren mostrou o endereço que Brock disse na carta para Lauren seguir e conseguir algumas resposta, para Clifford que a olhou espantado.

- Tem certeza que é o endereço certo? 

- Bom, é oque me foi informado, agora certeza eu não tenho.

- Lauren, esse é o endereço do meu patrão que eu tinha te falado. O chefe do crime em Miami e arredores.

- Sim, também parece que tem uma carta pra ele. Você pode nos levar lá?

- Claro, mas se vão te receber é outra coisa. - ele disse se levantando - vamos então?

- Vamos.

Os três deixaram a casa no carro de Cliff e partiram pela cidade até o endereço de uma área nobre de Miami. Ele passaram por mansões extraordinárias, até o carro parar em frente de uma que parecia um sonho caribenho. Lauren adorou o lugar, lhe trazia uma sensação boa. Eles saíram do carro e foram até o portão eletrônico tocar o interfone.

- Oque você quer Clifford? - uma voz do outro lado disse impaciente.

- Tito, mi consorte é você?

- Eu não sou teu amigo e se me chamar de Tito mais uma vez, eu esmago os teus bagos. Oque tá fazendo aqui? e quem são esses?

- Esses são amigos meus, vieram ver seu pai.

- Ha! você tomou muito sol na cabeça tonto. Sabe que meu pai não recebe ninguém sem um aviso de antescedência. Vá embora, a noite nos vemos na boate. - Lauren afastou Clifford para ela falar no interfone.

- Escuta aqui cara! eu vim de longe para esse lugar que parece mais o inferno de tão quente, então você vai me receber agora, porque eu não vou arredar o pé! - Lauren disse de uma vez e eles esperaram a resposta.

O portão se abriu e Victor e Clifford olharam para ela, que empurrou eles para andar. Os três caminharam portão à dentro e viram lá da porta da mansão um homem jovem saindo e os olhando com curiosidade. Quando se encontraram no meio do caminho Lauren o analisou. 

Ele tinha altura mediana, quase o mesmo tamanho que ela, só um pouco mais alto. Tinha o tom de pele característico de um latino, com um bronzeado natural. Cabelos lisos, castanhos escuros e bem aparados. Sobrancelhas grossas que ficavam em cima de bonitos olhos castanhos claros e usava um terno de cor clara sem gravata e a camisa com dois botões abertos exibindo sua corrente de ouro. 

- Quem é que veio de longe? - ele perguntou.

- Eu. - Lauren responde sem me intimidar - e detesto esperar.

- Clifford essa garota tá cheirada? avisa ela com quem ela tá falando.

- Lauren, deixa que eu converso com ele. - ele sussurra para a Jauregui.

- Eles vieram a mando de B. Dung. - o homem trocou o peso dos pés.

- Brock não dá as caras à anos.

- Ele tá morto agora. - ela o interrompe - ele disse em uma carta para eu vir nesse endereço.

- Então ele escreveu errado, não temos mais ligação com ele, especialmente agora que está morto. 

 - Ela é a garota de Nova York que conversamos Renato. Seu pai está ciente disso.  

- Mas não é por isso que eu estou aqui hoje. - Lauren tira a outra carta que estava no banco e mostra para o outro - Ele disse para eu entregar para Tony. Quem é Tony?

- Tony é meu pai, mas ele não recebe qualquer um.

- Eu sei disso, mas apenas diga que estamos aqui e porque viemos. - ele olhou para ela e depois virou a cabeça.

- Raul!!! - eles olharam para onde ele tinha gritado e viram um garoto vir correndo de trás da casa e pela grama até parar do lado do homem - avisa ao teu avô que ele tem visitas, amigos de Dung.

- Sim senhor. - olhamos o garoto que correu até a porta da mansão e sumiu por ela

- Seu filho ainda está jogando na liga júnior? - Clifford pergunta.

- É o artilheiro. - disse colocando os dois dedões dentro da calça - onde encontrou esse pendejos? -  Lauren o fuzilou com os olhos pois entendia espanhol. Sua mãe lhe ensinara - bem abusadinha essa aí, mas eu gostei dela. Qual o teu nome chica?

- Lauren.

- Lauren do que? - ele começou a analisar a garota com curiosidade.

- Lauren Jauregui. - antes que ele falasse algo, o garoto de antes aparece e diz que o abuelo está esperando os convidados.

- Vamos, hoje é seu dia de sorte, ele está de bom humor. - O homem diz e guia os outros para dentro da casa.

Como a maioria das mansões tinha seu luxo, mas aquele lugar ainda esbanjava personalidade e características que transportavam seus visitantes e moradores para as casas dos morros cubanos. Aonde tudo era arejado e com cores pastéis e claras. A decoração era baseada em espelhos também, quadros e retratos ocupavam as paredes.

Passando por um lugar, Lauren se interessou por um retrato em que se encontrava três crianças e um casal. A menina lhe chamou a atenção por lhe parecer familiar, mas ela não se dera conta do quanto naquela hora. Alguém disse para ela acompanhar o ritmo dos outros e ela se despertou da analise e continuou os seguindo.

Abriram as portas dando em uma bonita biblioteca aonde eles entraram. Ela tinha um janelão que ocupava uma parede inteira e dava a vista da frente da mansão. Uma estante estava numa parede à direita da porta e era repleta de livros, antigo e atuais. Na esquerda um aparador com algumas louças, garrafas e um quadro retangular em cima. 

Lauren olhou para o senhor sentado atrás da mesa, numa cadeira maior que ele e sentiu receio. Ele tinha já seus cabelos grisalhos pela idade, uma expressão dura, um bigode junto de uma barba rala. Ombros largos, braços fortes por baixo da camisa branca justa. Anéis de ouro pelos dedos e um relógio caro no pulso.

No entanto não foi isso que chamou a atenção de Lauren para o senhor, mas sim os olhos dele. Olhos verdes, reflexo dos seus. Foi naquele momento que ela sentiu que em breve seu mundo iria virar de cabeça pra baixo. Ele afastou a cadeira e se levantou evidenciando uma calça social na cor palha, sapatos de bico fino e estatura média.

- Boa tarde senhor Morgado. - Clifford disse sorrindo de estar na presença do outro.

- Boa tarde. - ele se aproximou dos outros e cumprimentou um por um com um aperto de mão e dando um olhar analítico em Lauren - então, são amigos de Dung?

- Sim senhor, mas como o senhor deve saber ele faleceu. - Lauren diz fazendo o velho sorrir de um jeito que fez Victor entortar a cabeça e ficar o encarando até que Cliff lhe cutuca com o cotovelo.

- Pelo que eu soube ele foi assassinado. Por um dos seus. - ele coloca as mãos na cintura.

- Perdão senhor, mas vou ter que deixar esse assunto para outra hora. Dung me pediu para entregar essa carta para Antony Morgado. - Lauren estende a carta para o senhor, que repara no anel que ela usava.

- Aonde conseguiu esse anel?

- Herança. - ela diz simples. Ele aceita a carta e olha uma vez para eles, antes de se virar e voltar a se sentar na sua cadeira.

- Sentem-se aonde quiserem. - ele disse de costa e todos pegaram um assento. 

Lauren e Victor nas cadeiras em frente da mesa do Morgado mais velho, enquanto Renato e Clifford se sentem num sofá próximo. O senhor abre a carta e começa ler os dizeres de B. Dung para ele. A garota se distrai e começa a reparar no lugar e no quadro que tinha atrás de Antony. Parecia ser a família dele, com a sua esposa, filhos e netos. O tipo de família grande que ela sempre sonhou fazer parte, mas que perdeu.

Um suspiro do mais velho chama a atenção dela e os olhares se cruzam com intensidade. Todos estranham a reação dele e seu filho se aproxima junto de Clifford para perto da mesa. O senhor tinha voltado a ler a carta e a cada palavra sua respiração fica presa em sua garganta e seus olhos ficavam cada vez mais marejados ao ponto da primeira lágrima escorrer no seu rosto.

Ele solta a carta e coloca uma mão em cima dos olhos.

  - Papa, oque tem? - o filho dele vai para o seu lado e o segura. O homem abaixa a mão que ocultava a vista e vira a cabeça para Renato.

- Mira Renato. - ele aponta com a mão na direção de Lauren - tua sobrinha.

- Oquê?! - o tal Renato olha espantado para Lauren.


Notas Finais


Eaí?...pesado né?
A história ainda vai mais fundo do que vocês esperavam.
Fiquem atentos pois esse é só o começo do que está por vir.
Eu queria agradescer a quem favoritou e comentou e dizer que nem sempre eu vou responder por falta do que falar, não levem no pessoal. No entanto qualquer coisa, dúvida ou sugestão eu respondo com prazer.
Talvez eu volte com mais um hoje, eu não sei, vamos ver.
Tchauzinho.


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