História Firebird - nascida das cinzas. - Capítulo 26


Escrita por: ~

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Palavras 7.894
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Romance e Novela
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Intersexualidade (G!P), Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Eu imagino o Clifford assim com a foto à baixo.

Capítulo 26 - Capítulo 26.


Fanfic / Fanfiction Firebird - nascida das cinzas. - Capítulo 26 - Capítulo 26.

Um suspiro do mais velho chama a atenção dela e os olhares se cruzam com intensidade. Todos estranham a reação dele e seu filho se aproxima junto de Clifford (FOTO) para perto da mesa. O senhor tinha voltado a ler a carta e a cada palavra sua respiração fica presa em sua garganta e seus olhos ficavam cada vez mais marejados ao ponto da primeira lágrima escorrer no seu rosto.

Ele solta a carta e coloca uma mão em cima dos olhos.

- Papa, oque tem? - o filho dele vai para o seu lado e o segura. O homem abaixa a mão que ocultava a vista e vira a cabeça para Renato.

- Mira Renato. - ele aponta com a mão na direção de Lauren - tua sobrinha.

- Oquê?! - o tal Renato olha espantado para Lauren.

- Filha da Clara, minha neta... - ele se levanta e Lauren assiste seus movimentos sem reação.

- Oque o senhor está dizendo? - ela pergunta olhando o homem se aproximar com os olhos marejados. Quando ele a alcança segura ela pelos ombros, indicando para que ela se levantasse.

- Eu procurei você e seu irmão por anos Lauren, até perder as esperanças. Sou pai de Clara, seu avô criança.

- Mas...

- Finalmente minha família está toda junta outra vez. - ele a pega de surpresa e a abraça.

- Como? minha mãe nunca me contou de vocês. - Ele se afasta sem soltar ela.

- Sua mãe negou as origens dela para proteger você e seus irmãos, mas manteve contato pelos anos. Espere, aonde está Chris?

- Ele está bem, em Nova York. Senhor, oque dizia a carta?

- Que B. Dung escondeu que tinha encontrado vocês.

- Como conhecia Dung?

- Eu o contratei para procurar vocês em Nova york, mas antes para outras coisas. Vamos deixar esses assuntos para depois. Oque importa agora é que você está aqui, em família.

- Papa... - o filho dele diz chamando a atenção de todos - mamãe precisa vê-la.

- É mesmo, ela vai ficar muito contente em te ver Lauren. Venha, vou te levar para conhecer a sua avó.

Ele abraçou Lauren de lado e levou ela para fora do escritório, pelos corredores, subiu uma escada e foram até uma suíte grande, maior do que a sala do apartamento dela em NY. O senhor chamou por uma mulher, que respondeu do lado de fora do quarto, lá da varanda. Todos caminham até lá e encontram uma senhora bem vestida com roupas leves, sentada a uma mesa, aonde escrevia com uma caneta em um pequeno caderno.

- Sim querido? - ela disse sem tirar os olhos do que fazia.

- Veja meu amor... - ela levantou a cabeça e estranhou a presença daquelas pessoas - essa é Lauren, filha da nossa Clara.

A mulher soltou a caneta perplexa e se levantou lentamente sem tirar os olhos da garota. 

- Antony...

- Eu sei querida. - ela não esperou mais e se aproximou de Lauren, levantando as mãos e tocando o rosto dela. Lágrimas começaram a surgir dos olhos cansados, mas ternos da senhora.

Ela envolve Lauren com seus braços e inconscientemente a aperta para sentir que era real, que ela tinha sua neta que ela nunca conheceu em seus braços. Lauren a abraçou de volta desarmada e se encolheu ao sentir o cheiro reconfortante da senhora e o carinho com que era abraçada. Fechou os olhos com força para evitar que sua emoção tomasse conta de si.

- Eu esperei tanto por esse momento. Eu sabia que esse dia chegaria... - ela disse se afastando um pouco e segurando o rosto da neta para poder olha-la - não tem como negar que ela é filha da mãe dela. 

- Temos que dar uma festa e apresenta-la para a família. Ela e Christopher.

- Ele está aqui também? onde? - a senhora olha esperançosa para trás do marido.

- Não senhora, meu irmão está em NY, junto da minha irmã.

- Irmã? Taylor está viva? - Tony pergunta com a expressão séria - Que história é essa?

- Sim ela está viva, porquê?

- Lauren nós temos que conversar e muito.

- Concordo senhor.

Eles foram para a sala da mansão e se sentaram nos sofás espaçosos que tinham ali. Lauren tinha muitas perguntas e quis saber primeiro porque sua mãe não queria que ela soubesse de sua família. Tony ao lado da esposa contou toda a história de quando ainda moravam em Cuba e enquanto contava os outros apenas escutaram.

Á vinte e cinco anos atrás em Miami Flórida, um homem chamado Antony Morgado, se estabeleceu como o principal nome do tráfico no estado. Ele lutou muito para conseguir esse posto. Participava de uma organização em Cuba, mas decidiu que sua vida melhoraria nos Estados Unidos.

A ideia de ir para aquele país se concretizou depois da revolução cubana, aonde ele usou a desculpa de ser um exilado político para emigrar com a família para a costa leste dos EUA, implantando e quem sabe prosperando o seu esquema por lá. Afinal ele tinha bons contatos na América e respeito entre seus conterrâneos que já se estabeleceram por ali a mais tempo que ele.

Deu certo e em poucos meses seus negócios cresceram pelo seu genialismo, disciplina e pulso firme em obter resultados rápidos.

Ele tinha uma filha mais velha e dois filhos. Os meninos já eram homens e trabalhavam colados com os pai, conferindo mercadorias e fechando pequenos negócios. Morgado queria passar seu legado para os seus filhos cuidarem. Não era um negócio honesto, mas ele trabalhou tanto quanto qualquer outra pessoa para vencer na vida e não deixaria que seus esforços partissem junto com ele.

Sua filha, Clara Morgado, era uma jovem, que assim como seus pais e irmãos deixou uma vida em Havana Cuba. Naquela época ela ainda não era permitida de namorar, mas isso não quer dizer que não houvessem pretendentes a cortejando. Por ser filha de quem era, quase ninguém se atrevia a mexer com ela, no entanto um rapaz era tão apaixonado pela filha de Tony, que esquecia a noção do perigo.

Seu nome era Alejandro Cabello, ele a conheceu quando um dia foi entregar as compras do mercado na casa do Morgado. Ela estava ajudando a mãe a fazer o almoço e ele bateu na porta da cozinha que dava nos fundos da casa, aonde geralmente entregavam correspondências e as compras. Ela largou oque fazia e foi abrir a porta pra ele, que quase deixou as compras caírem quando viu a moça.

Desde aquele dia ele arranjava desculpas para passar na frente da casa dela com sua bicicleta, pra quem sabe não ver ela por alguns segundos. Começou a perceber que os caras que tinham carro ou uma moto conseguiam as garotas facilmente, elas formavam rodinha em volta deles. Só que Alejandro queria a atenção apenas de Clara.

Ele era pobre e ganhava apenas gorjetas no mercado, então conversando com um amigo, ele descobriu que precisavam de um manobrista num restaurante no centro da cidade. Lá foi ele praticamente implorar, pentelhar e se ajoelhar para que o contratassem se fosse preciso. Não foi o caso e ele foi empregado na mesma hora pelo dono do lugar.

Passou o tempo e ele juntou o dinheiro preciso para comprar uma moto, mas chegando com o cara que iria vender ele descobre que alguém já tinha pagado e levado a moto embora. Ele foi pra casa triste e pra completar naquela mesma semana ele descobre que Tony iria embora com sua família. Sem saber o porque ele corre para a casa do Morgado e fica parado uns dez minutos ali na frente.

Um dos irmãos de Clara, Rodrigo o irmão do meio, estava chegando em casa e percebe o outro ali e vai tirar satisfação. O filho do Morgado começa a discutir com Alejandro chamando a atenção da sua mãe que estava em casa. Ela avisa ao marido que corre para ver oque acontece, quando eles iriam brigar a voz de Antony separa os dois.

Ele reconhece o garoto do restaurante e manda o filho entrar, que o faz mesmo contrariado.

- Oque você quer aqui garoto? - ele diz girando um canivete na mão, assustando Alejandro, mas esse não fraquejou, ficou ereto e levantou a cabeça.

- Senhor, meu nome é Alejandro Cabello e eu gostaria de falar com sua filha Clara. - Tony ri pela bravura do garoto e lhe aponta o canivete.

- Gosto de você Alejandro, é trabalhador e esforçado, além de ter tido bolas para vir até aqui e pedir isso na minha cara. Mas oque faz você pensar que é bom o suficiente para a minha filha?

- É só uma conversa. - Tony olhou fundo nos olhos do garoto, que suspirou e abriu o seu coração - soube que vocês vão embora, eu queria pelo menos revelar o meu amor por ela, antes de perdê-la para sempre. - ele juntou as mãos na sua frente - por favor senhor, eu não estou te pedindo mais nada.

- Tudo bem garoto, não precisa chorar. - ele deu uma risada enquanto fechava o canivete e guardou no seu bolso. - venha. - ele indicou a sua casa com a cabeça e quando o garoto passou do seu lado ele levou a sua mão na nuca do garoto o guiando.

Disse para ele esperar ali na frente que ele iria chamar sua filha. Alejandro sorria todo bobo e mal conseguia conter a sua felicidade de finalmente ter uma conversa com Clara. Ela aparece ali na frente pela porta e se surpreende ao ver o entregador, tanto por não vê-lo a muito tempo, quanto por não ser pela porta dos fundos aonde ele entregava as compras.

Os dois ficam alguns minutos ali conversando sobre o sumiço do rapaz e ele conta que arranjou um trabalho como manobrista em um restaurante. Ele falou um pouco dos carrões que chegavam lá, mas depois perguntou dela e ela disse o mínimo. Que não saia muito de casa e que em breve iria sair do país. Um silêncio se formou por uns segundos, ela olhou para o lado e ele pode notar ela melhor.

Ele tomou coragem e contou o real motivo de estar ali. Ela não soube como reagir depois que ele revelou seus sentimentos por ela e ficou totalmente sem graça na frente dele. Então Clara pensou em ser sincera e disse que não sabia oque dizer, mas que ficava lisonjeada. Os dois se despediram com um abraço e ele desejou boa viajem para ela.

- Clara, posso te fazer um pedido? - ele diz quando ela estava virada para entrar na casa.

- Dependendo do que for. Pode pedir.

- Você iria num encontro comigo? - ela não esperava o pedido e ficou surpresa. Não via o porque negar, mas ela tinha que pedir permissão para o seu pai.

- Eu gostaria de sair com você Alejandro, mas talvez meu pai não permita que isso aconteça. - ele compreende, mas não quer desistir de tentar uma chance com ela.

- E se...eu pedisse para ele? - ela olhou para ele com admiração.

- Você faria isso? Não são muitos que teriam essa coragem, apenas para sair comigo.

- Por você eu faria qualquer coisa. - ele diz e segura na mão dela.

- Alê a gente mal se conhece.

- Nem por isso oque eu sinto é menor do que se eu te conhecesse minha vida inteira. - Tony aparece atrás de Clara e eles soltam as mãos.

- Acho que já conversaram bastante, vamos entrando Clara. - ela olha do pai para Alejandro.

- Na verdade senhor...- ele engole em seco e Tony o fuzila - eu queria a sua permissão para levar a sua filha para um encontro.

- Qual o sentido nisso se ela vai embora em menos de uma semana? - Alejandro não soube como responder - está certo.

- Senhor? - ele levantou a cabeça para ver se ele tinha escutado direito.

- Eu disse que você pode levar Clara num encontro...se ela quiser.

- Eu quero pai. - ela se apressou em dizer, em parte porque realmente queria, em outra para acabar com aquela pressão.

- Então tudo bem, quando pretendem sair?

- Hoje à noite? - ele disse baixo e tanto pai quanto filha o olharam - algum problema?

- Não, mas eu tenho algumas exigências para fazer.

Eles conversaram por uns quinze minutos sobre aonde o rapaz levaria Clara, a hora em que ele deveria trazê-la de volta e o ameaçou no final sobre as consequências se ele fizesse algo com a moça. Alejandro concordou com tudo oque o senhor disse e se despediu dos dois, prometendo voltar naquele dia mais tarde.

Clara e Alejandro tiveram o encontro, ela se divertiu e ele foi muito cuidadoso e cavalheiro, mas eles sabiam que aquilo não voltaria a se repetir. No dia em que ela iria embora com a família, Alejandro foi lá se despedi dela e da família Morgado. Eles foram embora e por muitos anos não tiveram notícias de Alejandro.

Um dia Alejandro decide deixar sua família em Cuba para se encontrar com Clara e conseguir mudar de vida. Seus pais dependiam muito dele, mas ele tinha feito a sua decisão e pegou carona em um navio cargueiro. Desceu em Miami e tentou procurar por Clara, enquanto ele não achou ficou em albergues, trabalhando clandestinamente em restaurantes por trocados.

Ele finalmente encontra alguém que estava disposto a dizer aonde encontrar Tony Morgado. Ele espera nessa casa noturna e quando Tony aparece, Alejandro praticamente pula nele de alívio. Tony não o reconhece de primeira e da um troco pra ele pensando que era o manobrista. Ele diz quem era e só então Tony se lembra.

Leva o rapaz para dentro da boate e oferece um drink para ele. Eles conversam e Alejandro conta a sua situação na cidade. Tony da um emprego pra ele na organização e a partir dali as coisas melhoram para Alejandro.

Ele vai crescendo no conceito de Tony e vai ganhando cada vez mais dinheiro que ele envia para os pais em Havana. Alejandro finalmente se reencontra com Clara que estava vendo um rapaz, nada muito sério, mas logo Alejandro da um jeito de tira-lo da jogada, eles começam a sair juntos as vezes. Agora que tem a confiança de Tony, sair com Clara se tornou mais fácil.

No entanto Alejandro começa a se drogar e Tony recebe várias reclamações por suas atitudes terem se tornado muito agressivas. O Morgado dá um ultimato para ele se reabilitar e tentar voltar para a organização, ele aceita por Clara e pra não perder o pouco que conquistou. Ele fica quatro meses em uma clínica e nesse tempo Clara conhece Dereck Jauregui em uma de suas saídas que as amigas delas arranjaram para animá-la.

Ele estava de férias em Miami com os amigos dele e se encantou pela jovem cubana. Ela também gostou dele, que não passou despercebido pelo homem bonito de porte atlético e de cabelos escuros. Ele tomou a iniciativa e se aproximou dela, que ficou relutante por que sabia que Alejandro não gostaria de saber que ela se envolveu com outro homem.

Ela não era de ferro, Dereck era charmoso, carinhoso e determinado, oque fez com que ela se rendesse a ele. Eles passaram aquela noite juntos e saíram da boate para passear sozinhos pela cidade. Comeram um pouco e ele a deixou em casa. Na hora da despedida ele lhe da um beijo que a deixou de pernas bambas, mas antes que alguém visse, ela sai do carro, o deixando encantado por ela.

Os dois se viram pelo tempo em que Dereck ficou na cidade, depois ele tinha que voltar pra casa, Nova York. A despedida foi difícil para os dois, mas ela teve que ver ele partir com os amigos. Clara chorou por dois dias e ficou triste pelos que seguiram, até quando Alejandro saiu da clínica. Ela resolveu esquecer Dereck e seguir a vida com Alejandro.

Mais tempo se passou e ela não conseguia tirar o Jauregui da cabeça, mas ainda sim ficou noiva de Alejandro quando ele a propôs em casamento. Ele reconquistou a confiança de Tony Morgado e restabeleceu sua credencial. 

Uma semana antes do casamento, Dereck volta a Miami para procurar por Clara e começa pela boate em que conheceram. Ele descobre que ela é filha de um famoso traficante, mas ele não ligou para isso, mesmo estando na academia de polícia. Ele faz uma pesquisa e descobre aonde ela mora. E espera ela aparecer para falar com ela, mas Clara aparece com com Alejandro.

Ele espera por uns dias até que ela saia sozinha e a aborda na rua, ao se verem os dois se abraçam, mas depois ela fica melancólica. Ela conta para Dereck que vai se casar em alguns dias e eles ficam abalados. Dereck tenta fazer ela desistir do casamento e ir com ele para Nova York, ela diz não na hora e diz que é melhor ele ir embora.

Ele é persistente, mas ela foge dele.

O dia do casamento chegou e no altar na hora do sim, Clara não conseguiu ir em frente contra o seu coração.

Ela disse não para Alejandro e se desculpou com ele, com os convidados presentes e saiu da igreja de branco. Ela não encontrou nenhum táxi nas ruas por ser domingo, então ela foi para o ponto de ônibus e se iluminou quando viu Dereck ali sentado. Se aproximou e ele percebeu ela vindo pelos babados exagerados de seu vestido.

Ele a olha surpreso e parecia que esteve chorando. Dereck não assistiu a cerimônia até o fim, não queria ouvir Clara dizer sim para outro homem. Então ve-la ali em pé do lado dele foi inusitado. Dereck também se levanta e vai para a frente dela, ficam se encarando sem dizer nada, até que ele se aproxima e abraça ela tirando do chão. 

Quando os dois se separam, trocam um beijo apaixonado e saem correndo dali, em direção ao carro dele. Eles foram juntos para o hotel em que ele estava, para pegar as coisas dele e seguirem rumo à Nova York, aonde eles teriam uma nova vida juntos.

Na igreja, Alejandro estava desolado e sendo confortado por Tony, que estava feliz por a filha não ter casado com ele, pois o homem era imprescindível em seus negócios, mas não achava que ele era certo para sua filha. Então não falou nada e se limitou a dar uns tapinhas no ombro dele.

Quando os pais de Clara chegaram em casa chamaram por ela, mas não a encontraram. Ligaram em seu apartamento e nenhuma resposta dela. Ficaram preocupados e mandaram alguém no apartamento, Alejandro foi junto e eles não encontraram ela por lá também.

Em Nova york, Morgado e Jauregui se instalaram no apartamento de Dereck, Clara descobriu que ele estava estudando para ser policial e ela soube que se quisesse ser feliz com ele, tinha que deixar a família para trás. Ele contou que sabia que o pai dela era um traficante e eles concordaram que se um dia eles tiverem filhos, não seria bom eles crescessem nesse meio.

Por muito tempo isso não foi problema para ela, até Clara descobrir que estava grávida. Chorou muito, até mesmo de Dereck dizer que sempre estaria ao seu lado e acalenta-la. No meio da noite ela resolveu ligar para casa e quem atendeu foi uma empregada, ela pediu para falar com a Senhora Morgado e sua mãe atendeu em seguida.

- Alô? - ela diz acabando de ser acordada pela empregada, se sentando na cama, fazendo Tony acordar também. A empregada se retira do quarto.

- Mãe. - Clara diz com a voz quebrada.

- Clara? Clara minha filha é você? - ela diz a ponto de chorar. Tony fica em alerta.

- Sou eu mãe. - ele tira o telefone das mãos da mulher com delicadeza.

- Filha? filha aonde você tá? Me diz que eu mando te buscarem. Porque fugiu desse jeito?

- Papai, eu estou com saudade. Muita.

- Então volte para casa mija. Nós todos sentimos a sua falta.

- Não posso voltar pai. Eu...vou começar uma família agora. Estou grávida. - ela esperou pela reação dele, que ficou branco e estático. A mulher dele percebendo isso, lhe tirou o telefone das mãos.

- Filha oque está acontecendo? Volte pra casa. - ela implora.

- Mãe, eu estou grávida. - a mulher mais velha suspira e coloca a mão livre do lado do rosto - mãe?

- Filha me diga aonde está e mamãe vai agora até você.

- Mãe, me escute. Eu não posso deixar que meu filho cresça em volta desse ambiente. Eu quero que ele tenha um vida boa e normal. - a mãe fecha os olhos sabendo que a filha dizia a verdade.

- Vai ser um menino então? - ela diz com lágrimas que assumiram seu rosto junto de um sorriso feliz.

- É a segunda semana mãe...mas eu sinto que vai ser um menino, não sei... - Clara sorrio entre as lágrimas.

- Por favor minha menina, eu entendo os seus motivos, mas qualquer problema nos ligue.

- Eu prometo que ligo. - as duas suspiraram ao mesmo tempo.

- Minha menina vai ser mãe. E eu avó de novo.

- De novo? não me diga que...

- Rodrigo já me deu um, mas não quer se casar com a mãe, aquele sem vergonha. Você iria adorar seu sobrinho.

- Ah mãe...eu sinto muito...

- Tudo bem querida, só... - Tony toca no ombro da mulher que o entrega o telefone.

- Filha? porque não volta para casa? - Clara soltou o ar que prendia.

- Pai eu vou ser mãe. Meu filho não vai seguir seus passos, ele vai viver longe disso.

- Pelo menos me diga aonde está.

- Não pai.

- Com quem você está aí, quem é o pai da criança?

- Pai, eu liguei pra dizer que vocês vão ser avós. Espero que um dia, quando ele estiver maior, eu levo o neto de vocês aí.

- Eu vou rezar por esse dia, mas nunca mais fique tanto tempo sem dar notícias, nós pensamos o pior.

- Me desculpe, eu prometo ligar outras vezes. - ela limpou seu rosto - então alguma novidade?

- Bom...que é tia você já sabe, pouca coisa mudou por aqui. Além de choro da criança estarem frequentes aqui em casa, as coisas continuam as mesmas.

- Pai...

- Sim querida.

- Como está Alejandro? - ela se retesou ao falar, mas ela precisava tocar no assunto - ele está bem?

- Filha, Alejandro mudou desde que você o deixou no altar e eu não culpo o rapaz.

- Eu não podia me casar com alguém que eu não amo pai.

- Não estou questionado sua escolha Clara, só quero dizer que ele me deu muita dor de cabeça para mim desde então.

- Como assim pai?

- Não quero te incomodar sobre o comportamento dele, mas eu tive que bani-lo da cidade. Suas atitudes se tornaram violentas demais até para o meu meio em que eu vivo.

- Oque ele fez?

- Não se preocupe com isso. Ele colheu oque plantou e você sabe que eu poderia reagir de maneira diferente.

- Eu sei.

- Além do mais eu botei alguém para seguir os passos dele e me certificar que não vai arranjar problemas para nós.

- Você acha que ele tentaria alguma coisa?

- Não sei querida, mas prefiro me precaver. - ele passa a mão no rosto - como você está?

- Estou bem pai, e o senhor?

- Estou bem, sua mãe me obriga a ir no médico a cada seis meses. Desnecessário.

- Não se pergunta o motivo de sempre ter esbanjado saúde? eu te respondo, sua excelentíssima esposa.

- Eu sei, só não quero dar o braço a torcer. - eles sorriem.

- Então todos estão bem por aí?

- Sim querida, tirando esse probleminha que eu falei, está tudo bem.

- Fico feliz. - Clara olha para Dereck dormindo pesado na cama depois do dia que teve - me desculpe ligar a essa hora, mas eu estava tendo um pequeno surto, sabe a gravidez...

- Eu não posso te falar o quanto estou feliz ao saber que você vai ser mãe. Clara...vamos ao menos poder ver a criança?

- Quando eu me sentir segura em relação á isso pai. Eu não sei...

- Tudo bem, só mande notícias de vez em quando. O coração do seus velhos já sofreram o suficiente. E me avise se precisar de dinheiro ou qualquer outra ajuda.

- Obrigada pai, prometo ligar frequentemente. Agora eu tenho que desligar, já está tarde.

- Boa noite meu anjo.

- Boa noite pai.

Alejandro foi para Nova York, mas ele não sabia que é lá que Clara estava. Ele começa a criar a sua própria organização, tudo sobre os olhos de Brock Dung, que foi contratado por Tony para observar o Cabello. Esse que só vai conhecer Dereck anos depois, quando esse procura ajuda de Gordon, que o apresenta a Alejandro. Mesmo assim ele não sabe que aquele é o marido de Clara.

Clara não levou documento nenhum consigo, por isso teve que refazer tudo. Desta vez com seu nome de casada. Por isso que antes de designarem Chris e Lauren para um orfanato, não acharam o parentesco com os Morgado. 

Antony só soube da morte da filha, quando ela não ligou mais ou respondeu as suas ligações. Lhe foi sugerido que ele fizesse uma triangulação de antenas para localizar ela. Um de seus contatos descobriu isso pra ele e logo o Morgado chegou na cidade quase duas semanas depois do incidente, o endereço estava no nome de uma Clara Jauregui. Ele foi no local, só para descobrir que estava tudo devastado.

Ele entra e olha o para tudo perplexo e aterrorizado, com seu filho mais velho ao seu lado. Sobe as escadas, entra em cada cômodo e fica desolado ao encontrar o quarto de uma das crianças com o chão com brinquedos espalhados.

Encontra no quarto do casal, um porta retratos com uma foto em família, tirada quando a menor parecia ter um aninho de vida. Seu filho o segura e olha a irmã que ele tanto amava com uma linda família. Tony decide deixar a casa para investigar o ocorrido.

Ele bate na porta do vizinho e pergunta oque aconteceu, uma mulher responde que o casal morreu em um incêndio junto da caçula. Ele vai até o iml da cidade para retirar o corpo da filha ilicitamente e para enterra-la em Miami, para a sua esposa poder se despedir.

Liga para um contato para saber do paradeiro dos filhos de Clara Jauregui. Horas depois, naquele mesmo dia, ele descobre que dois deles foram dirigidos para um orfanato e a menor está desaparecida. Imediatamente ele e seu filho vão até o orfanato para descobrir que as crianças fugiram.

Ele volta para Miami com o corpo da filha, mas deixa instruções para que o filho fique na cidade e com a ajuda de Brock vão à procura de seus netos. Quando volta pra casa e conta a notícia para a mulher, ela desmaia em seus braços. Tony ordena para que façam os preparativos para o velório com o caixão fechado.

Rodrigo retorna algumas semanas depois, sem o sucesso de sua busca. Hoje Antony soube que era porque Dung ocultou aquela informação para os próprios fins. Que Brock viu em Lauren um meio de se vingar de Alejandro por ter indiretamente matado seu irmão. Que só estava ali aquele dia, pois Dereck prometeu limpar a ficha de Cheung, o irmão mais novo de Dung.

Em troca, Brock teria que ajudá-lo a sair da organização. Mas os dois foram mais longe e juntaram forças para derrubar Alejandro, sua tirania e os ideais injustos que foram implantados naquela comunidade. Brock assumiria o poder de Nova York e Dereck além de se ver livre daquela vida, no final das contas faria alguma certa.

B. Dung pensou que usando Lauren como um bode expiatório, cairia em cima da garota toda e qualquer culpa do que ele tramasse, mas ele acabou se afeiçoando nela e tentou cumprir com o seu objetivo sem que a afetasse. No entanto nos últimos meses de sua vida, ele percebeu que não conseguiria as coisas do seu jeito e se certificou que quando chegasse a hora, Lauren poderia ter duas opções.

Se certificou que ela poderia seguir em frente com uma família que a protegeria e que lhe foi evitada sua vida toda. Ou teria o mesmo fim que ele e seguiria com a vingança. Sabia que Victor não a mataria e que se ele quisesse ela morta ele mesmo o faria. Sabia que morreria aquele dia, mas ele tinha certeza que Lauren tinha oque ele sempre buscou, que seria ela a trazer a justiça para a sua família, a dela e a de muitas outras pessoas.

Viu seu propósito de vida, nas mãos de uma adolescente e depositou toda a sua esperança nela.

[...]

Numa parte afastada da propriedade dos Morgado, aonde o sol tocava seus últimos raios do dia pelas folhas das palmeiras numa área verde. Lauren se encontrava dentro do mausoléu da família com o seu avô. Ela ficou sem reação ao ver a lápide de Taylor entre o túmulo de seus pais. Aquilo lhe chocou, mas acima de tudo lhe trouxe inspiração e uma certeza.

- Acho que agora que sabemos que Taylor está viva, essa lápide tem que ser destruída. - ele disse colocando uma mão no ombro de Lauren e ela o olhou.

- Não. - ele estranhou.

- Porque não filha?

- Eu não queria dizer isso na frente da sua esposa ou do seu filho, mas Taylor não está comigo. - ele virou Lauren na sua direção pelos ombros.

- Como assim? Você disse que ela estava viva.

- Ela está viva, mas Alejandro está com ela.

- Como? Como aconteceu? Temos que pegar ela de volta então. Vamos nesse instante ele pode machuca-la.

- Calma, ele não fará nenhum mal a ela, porque foi ele que a tirou do incêndio no dia em que meus pais morreram e a criou como filha dele. - o senhor parecia atordoado - tenho vigiado ela desde que descobri e agora que eu tenho acesso a casa dele, vejo Taylor com frequência e sei que a esposa e as outras filhas dele a amam muito.

- Independente disso, ela é minha neta e sua irmã. O lugar dela é com sua verdadeira família. - ele falou firme.

- É mas ela não sabe disso. Se tentar tirar ela dele agora, vai ser traumatizante para ela.

- Eu quero ela do meu lado. Alejandro foi longe demais e se eu dei asas para ele, também posso corta-las.

- Senhor, Alejandro é meu problema. - ele sorrio e se aproximou tocando o rosto dela.

- Filha você pode ter a sua própria organização, mas não é páreo para Alejandro.

- O senhor está me julgando mal. Dung antes de morrer me deixou informações e fotos que farão com que eu consiga oque eu quiser dele, sem ao menos precisar usar de força bruta pra isso.

- Ele não sede diante de chantagem Lauren, ele pode ser frio quando quer. Não basta apenas cortas a cabeça da cobra, você tem que enterra-la - Lauren olhou analítica para o seu avô - ele ainda nos dará problemas, mesmo se limitar os poderes dele.

- Está dizendo que...

- Amanhã mesmo eu vou contatar um amigo em Nova York para dar um jeito nisso.

- Tony, você não pode mata-lo. - ele olhou estranho para a garota.

- Lauren, Alejandro não aceita perder. Tem que ser feito, se não nunca teremos sossego.

- Vô, eu peço que me dê uma chance de mostrar que eu posso resolver a situação sem que precise chegar a esse ponto.

- Lauren, isso é assunto para adultos, você só tem dezoito anos, não tem que se envolver. - ele a puxou para fora do mausoléu e começaram a andar - quero que deixe aquela cidade e venha morar aqui comigo e a sua família. Eu vou resolver isso, não se preocupe.

- Eu não posso deixar Nova York e nem que o senhor interfira nos meus assuntos com Alejandro.

- Filha...

- Senhor, eu o respeito muito e gostaria de Taylor ao meu lado e a morte de Alejandro tanto quanto você. Ele matou meus pais e estragou a minha vida, mas eu não posso fazer nada contra ele por enquanto e nem deixar que alguém faça.

- Porque Lauren? - eles param um de frente para o outro - ele merece pagar pelo oque fez.

- Mas uma vez, eu entendo. - ela desviou os olhos dele para tomar coragem de falar - só que eu me apaixonei.

- Por quem?

- Pela filha mais velha dele. Eu a amo vô e não posso fazer nada que a machuque, por que eu estaria fazendo mal a mim mesma, entende? - ela esfrega a nuca para aliviar a tensão. Lauren se arrisca de olhar para o avô e vê que ele ainda processava oque ela disse.

- Oh...entendo. - ele solta uma risada baixa - a vida é engraçada, não é mesmo?

- Pois é...

- Oque você pretende fazer então? - ele suspira e puxa ela novamente para andar e Lauren olha para ele estranhando.

- Você vai deixar nas minhas mãos?

- É claro que sim, além de ter ouvido coisas boas sobre você. Sei que quer resolver isso mais do que qualquer um, mas não se esqueça da onde veio Lauren. Não se esqueça da família, promete?

- Sim, prometo. Obrigada pela confiança e pela chance.

- Não precisa me agradecer filha. - ele olhou para ela de canto de olho - veja isso como um teste.

- Teste?

- Quem sabe eu não encontrei o meu sucessor...

- Mais seus filhos...

- Rodrigo não tem ambição e apenas é bom em executar qualquer ordem que eu dê pra ele. Já Renato quer mais do que está apto. Eu ensinei pra ele tudo oque sei, mas eles não são líderes Lauren. Agora você... - ele bagunçou os cabelos dela - já está no caminho certo. - eles se abraçaram e Lauren se perdeu em pensamentos.

- Minha mãe tentou me afastar dessa vida, mas eu acabei nela de qualquer jeito.

- Sua mãe fez o certo garota, mas não importa o percurso, não importa se você tenta desvias dos problemas ou da sua sina. Quando está no seu destino, não se pode lutar contra.

- É, eu sei. - eles avistaram Rodrigo o filho mais velho de Tony, que tinha chegado com os filhos e uns amigos. Junto deles estavam todos ali na frente da casa. A senhora Morgado; Renato e seu filho; Victor e Clifford - estou feliz de saber que Taylor e Chris não estão sozinhos nessa vida.

- Você também não está sozinha Lauren, não se esqueça disso. Vamos conhecer o resto da família.

Lá foram eles caminhando à passos calmos para a frente da casa, aonde uma pequena reunião alegre acontecia. Lauren foi apresentada ao seu outro tio e à seus primos, todos com olhares curiosos e alegres em cima dela. Senhora Morgado foi entrar para monitorar o jantar de mais tarde, aonde mais parentes chegariam.

Aquela noite teve muita conversa, calor humano, bebida e alguns petiscos antes do jantar. Lauren não ficava sozinha um minuto, sempre alguém querendo saber da vida dela em Nova York, ou apenas contar sobre si mesmo e da vida naquela família. Ela percebeu Victor num canto olhando para ela sorrindo e pediu licença para um primo .

Se aproximou do amigo com uma garrafa de cerveja e brindou com ele antes de se recostar na parede ao seu lado.

- Que virada, hein? - ele estava com uma mão no bolso e a outra também segurando uma garrafa de cerveja - pra quem batia no peito pra dizer que estava se virando muito bem sozinha no mundo, até que você está gostando da sua nova família.

- Não sei do que você está falando. - ela disse sorrindo - Pra falar a verdade, eu nunca estive sozinha. Até porque eu tinha meu irmão, você, o Dung e os meninos.

- Fico feliz por você Lauren. Merece isso e cada coisa boa que acontecer na sua vida. - ele olhou para ela e voltou a prestar atenção no lugar cheio de pessoas de todas as idades - vou sentir sua falta.

- Victor não seja bobo. Eu não vou embora de Nova York.

- Porque não? - ele se virou para ela - está aí sua chance de recomeçar.

- Não vou abandonar vocês.

- Lauren, éramos ovelhas desgarradas antes de Dung nos recrutar, oque acha que vai acontecer quando nos separarmos? - ela o olhou com dúvida - vamos ficar bem e nos virar como a vida ensinou. - Lauren tomou um gole de sua cerveja e depois foi para a frente de Victor.

- Tony deixou que eu resolvesse o problema com Alejandro e Taylor. Por isso eu ainda tenho algum tempo por lá. - ela tocou o ombro do outro para chamar atenção - escuta Victor, eu não tenho nada resolvido ainda, então não vamos fazer disso uma despedida, OK? a minha... avó, pediu para que eu passasse pelo menos essa semana com ela, você podia ficar também. Oque acha?

- Talvez por mais um dia, mas eu tenho que voltar. Não é bom ficar tanto tempo assim fora. Mas oque vai fazer se Alejandro te ligar?

- Vou avisar que ele pode falar com você na minha ausência. - Victor concordou.

- Então Lauren...acho que não falamos de um assunto ainda.

- Que seria? - Lauren diz distraída sem perceber o olhar do amigo.

- Você e Camila. - ela olha de imediato para ele - então agora é pra valer? - ele sorri acompanhado dela, que ficou sem jeito.

- Sim meu amigo, estou comprometida e completamente apaixonada por aquela garota.

- Estou surpreso, mas feliz por vocês duas.

- Obrigado parceiro.

- E o teu irmão? como reagiu à isso tudo? - ele sorri fraco e percebe que ela escondia algo - oque? foi tão mal assim?

- Mal é pouco. Ele pegou nós duas na cama no meio da..."atividade"- o queixo de Victor caiu até ele começar a rir. Alguns dos parentes dela olham para os dois, que tentam prender o riso apoiados um no outro.

 - Você tá zoando com a minha cara?

- Antes estivesse, ainda tive que brigar com ele do jeito que estava, com a bunda de fora. - Victor ficou sem ar de tanto rir - para de rir miserável.

- Você é foda e não no jeito bom da palavra.

- É eu sei, mas essa não é nem a metade da história. - Lauren contou sobre o porque de Camila ter ficado com Chris e também do caso do irmão com Harry.

Os dois tinham se afastado um pouco depois do acordo que Lauren fez com Alejandro e tinham muitas coisas para contar um para o outro. Eles ficaram conversando animados até serem chamados para o jantar. Se juntaram na mesa com a família Morgado e seus amigos. Todos pareciam contentes com o retorno dos netos de Tony, mas não tanto quanto ele.

Ele falava orgulhoso e feliz dos três Jaureguis, mesmo sem ter conhecidos dois deles e dizia que daria a maior festa que aquela cidade já vira, para apresentá-los para a comunidade. Lauren apenas sorria dos comentários sobre a sua mãe, aquilo a machucava um pouco saber por outros a verdade absoluta que Clara era uma mulher forte, altruísta e amada por todos.

[...]

Quando todos os parentes e amigos da família já tinham ido embora para as suas casas ou ido para os seus quartos, Victor, Lauren e os avós dela permaneceram na sala. Eles planejaram aquela semana com ela e o dia em que ela voltaria com Chris. Eles estavam prontos para irem para os seus quartos e Lauren se levantou junto do casal.

- Descanse bem filha, amanhã o dia vai ser longo. - o avô dela a abraça e beija o topo de sua cabeça brevemente.

- Sim queremos recuperar todo o tempo perdido. - a senhora diz risonha e abraça a neta quando o marido se afasta - não sabe como o meu coração está mais leve agora. - se afasta e beija as duas faces da garota.

- O meu também senhora Morgado. - ela sorrio para a mulher.

- Querida me chame de vovó, ou abuela como preferir. Pode não ter crescido conosco, mas não deixou de ser a minha neta.

- Isso vale pra mim também. - o senhor diz.

- Pode deixar, eu vou me acostumar. É só diferente pra mim agora no começo.

- Sim tome o seu tempo. - ela deu um último abraço neles e Victor apertou as mãos dos senhores desejando boa noite, antes de os dois amigos caminharem para o andar de cima aonde procuraram pelos quartos vizinhos que lhe foram escolhidos.

Ela desejou boa noite para o amigo e entrou pela porta de seu quarto escuro. Ligou as luzes e foi se sentar na cama arrumada. O lugar era de uma decoração simples, mas tinha conforto. Principalmente a cama em que ela se jogou de costas e de braços abertos. Fechou os olhos por alguns segundos e os abriu pra ter certeza que não estava sonhando.

Ficou olhando o teto e pensando sobre o "caos controlado" da sua vida naquele momento, até que seu celular começa a vibrar. Ela se senta na cama já tirando ele do bolso de trás de sua calça. Olha pra tela, vê a imagem de Camila e decide finalmente atender as ligações dela, depois de um dia. Coloca no ouvido já fechando os olhos e esperando pela bronca.

- LAUREN JAUREGUI SUA DESGRAÇADA!!!

- Oi amor...

- Estou tentando falar com você à horas! Vinte e seis pra ser exata. Até pro seu irmão eu liguei perguntando de você.

- Me desculpa, eu...eu só não...acredita em mim, eu tive um bom motivo pra não ter atendido.

- Ah então você viu que eu estava ligando e resolveu me ignorar. Eu nem dormi noite passada porque fiquei preocupada com você. Como eu sou idiota, Não! você é a idiota. E eu não quero falar com você por um bom tempo!

- Camila não desliga.

- Você não manda em mim! Eu vou desligar Lauren e não quero que você tente...

- Eu estou na casa dos meus avós. - Camila parou de falar por ter pensado que Lauren mencionou a palavra avós.

- Oque você disse?

- Nesse momento. Em que falo com você. Eu estou em um quarto da casa dos meus avós. - Lauren se levanta e começa a andar pelo quarto com uma mão no bolso e a outra segurando o celular no ouvido.

- Eu pensei que fosse apenas você e Chris...

- Eu também, mas acontece que minha mãe tem uma família bem grande em Miami.

- Você está em Miami?

- Estou?

- Porque não atendeu a minha ligação. - Camila pergunta mais calma.

- Aconteceu um problema e eu não queria descontar em você. Eu estava muito abalada.

- Lauren deveria ter me ligado, como você está? resolveu o problema?

- Eu tô bem melhor agora. E o problema já está encaminhado para se solucionar.

- Que bom então, mas eu me preocupo com você e não quero que você hesite em me ligar para qualquer coisa.

- Olha amor, eu não posso te prometer ligar para qualquer coisa. Tem vezes que eu preciso passar por algumas coisas sozinha.

- Lauren, lembra quando você me pedia para eu não me afastar de você?

- Uhum...

- Não faça isso você também. Estamos juntas agora e eu quero ser o seu porto seguro. A pessoa que você pode contar para qualquer coisa - Lauren levanta a cabeça de olhos fechados por um momento, pensando se ela poderia ter mais sorte na vida.

- Pode ter certeza que você é tudo pra mim Camz. Até mais do que eu mereço.

- Você merece toda a felicidade do mundo e eu adoraria compartilhar esses momentos contigo.

- Todos momentos felizes que eu tive até agora foram com você, Camila. Não tenho dúvida que os próximos também serão.

- Ai, eu tô com tanta saudade. Mal posso esperar pra te ver amanhã. - Camila diz entusiasmada e Lauren pensa na melhor maneira de dizer que não vai ser possível.

- Então amor, acontece que eu não vou poder ir aí te ver amanhã...

- É mesmo você está nos seus avós...

- Sinto muito, eu também tô louca pra te ver, mas minha avó pediu pra eu passar uma semana com ela.

- Tudo bem... - ela disse tristinha - poxa, eu estava contando os dias.

- Eu também amor, mas foi um pedido da minha avóuma semana passa rápido...eu acho.

- Eu sei, mas é que eu vou ficar de mal humor pela semana inteira. Isso é um saco.

- Na sexta à noite eu já estou aí.

- Promete?

- De mindinho.

- Amor...

- Fala meu bem.

- Já que você não vai vir amanhã, você se importa de eu sair com Haille e um pessoal da minha turma amanhã de noite? - Lauren se incomodou sim, mas Camila não tinha que ficar presa em casa só por causa dela.

- Não amor, pode ir tranquila. Só toma cuidado tá bom?

- Pode deixar, eu não pretendo passar muito tempo fora e pra falar a verdade eu nem queria sair, mas a Haille insiste que temos que socializar.

- É, ela tá certa.

- Você tava indo dormir?

- Não só mais tarde, apesar de eu ter tido um dia cheio. - Lauren colocou no viva voz e deixou o celular em cima da cama enquanto se despia para ficar com suas roupas íntimas - e você já tava indo dormir?

- Eu não conseguiria dormir se não falasse com você. - Lauren pegou o celular e foi para o banheiro. Lá dentro tinha tudo oque ela precisava para fazer a higiene noturna - eu fiquei preocupada de verdade.

- Podemos falar quanto tempo você quiser agora baby. - Lauren começou a escovar os dentes.

- Então você lembra que eu falei que liguei até pro seu irmão atrás de você?

- Uhum. - Lauren diz com espuma da pasta na boca.

Elas continuaram aquela conversa até depois de Lauren ter desligado as luzes do quarto e ter ido se deitar. Ela não cansava de ouvir a voz de Camila e de saber que apenas a garota a entendia. Abriu seu coração para a namorada como não fez com mais ninguém. Nem perceberam ou souberam dizer quem adormeceu primeiro, só que ela acordou com o bom dia de Camila pela manhã do outro lado da linha. 

 



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