História First Hell - Capítulo 30


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Tags Bts, Romance, Sobrenatural
Visualizações 21
Palavras 1.693
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Musical (Songfic), Romance e Novela, Shonen-Ai, Sobrenatural
Avisos: Cross-dresser, Heterossexualidade, Homossexualidade, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 30 - Capítulo 30


Desci as escadas e fui na cantina pedir um copo d'água. As moças não estavam lá, então eu tomei a água da torneira do banheiro mesmo. Não gosto dos bebedouros daqui, tem gosto de ferro gelado.

Subi as escadas novamente. Estou me sentindo um pouco triste agora, e cansado também. Acho que estou naquele período em que o humor despenca ao abismo, e todo o seu corpo parece definhar lentamente, em uma morte infinita. É, eu estou viajando, mas é desse jeito que estou me sentindo nesse momento.

Cansado.

Isso não é legal.

Aproximei-me da porta, preciso entrar com um sorriso no rosto, como se não estivesse acontecendo nada. Porque é assim que as pessoas pensam da minha imagem, não é? Frank, o desligado. Frank, o esquisito. Frank, o fraco. E eu faço aquela cara de bobo feliz, como se fosse insensível a emoções. É assim que as pessoas pensam, não é? Eu já nem sei se o que eu penso de mim mesmo é de fato real.

Você é real Frank?

A porta estava semi aberta, então eu apenas peguei na maçaneta. Ótimo, sorria agora. Movi os músculos da minha boca em um sorriso e franzi as minhas pálpebras, eu sei que ninguém desconfia das minhas emoções, além da minha irmã. Ninguém olha por dentro. Só ela.

Isso faz dela estranha também?

Quando eu pensei em entrar, meu corpo travou ao ouvir o nome dela. O tom de voz não era muito bom, tenho certeza que era como um escárnio, ou desgosto. Com gosto de ferro gelado nos dentes. Dentes.

— Elizabeth Kim, mas que nome esquisito é esse, hein? — Acho que esse é o Jonathan, o cara bonito que a minha irmã falou algum dia desses. — Essa menina parece aquelas prostitutas drogadas, hippies e vagabundas que só se metem em confusão.

Vagabunda. Você ouviu o que eles dizem da sua irmã?

— Não é para tanto, Jonathan. A Kim é bonita sim, mas parece que tem alguma coisa errada com ela. — Esse com certeza é o Alexy. — Ela e o irmão dela, o... Qual é o nome dele mesmo?

— Franklin. Me faz lembrar daquele personagem do halloween, o Frankenstein. — Pela fresta eu podia ver que era Jack Hope.

— Hahaha, é verdade. Será que eles são irmãos mesmo? Ninguém sabe de nada sobre eles, além do fato de que Elizabeth era a namorada do filho do professor. O que será que ela fez para conseguir entrar no Fãs do BTS?

— Aff, não viaja Jonathan. — Disse Robert Park. — Ela dança bem, bem pra caramba. E pelo que eu vi, odeia o Trent.

— Já está de olho naquele projeto de vadia, não é, Park? Nunca vi uma garota tão problemática, vive discutindo com as pessoas e provocando os outros com uma cara de patricinha prepotente.

— E usando a desculpa que está protegendo o irmão, é claro. — Alexy disse rindo. — Eu acho aquele garoto um fracote. É verdade que ele é gay?

— É o que estão dizendo por aí. A Elizabeth e aquele cara, o Sasori, eles fizeram uma brincadeira sobre isso e embora Kyouya tenha partido para cima, Frank levou tudo numa boa. E também, eu não vejo ele conversando com meninas, nem olhando para elas. — Jonathan deu de ombros e sumiu da minha visão. — E você Kyouya, está tendo um rolo com o alien 4d Oddie Toole?

— É claro que não. Nós nem somos amigos.

Nem somos amigos.

Eu não podia vê-lo, mas apenas de ouvir sua voz fazia o meu coração palpitar mais rápido, como se a qualquer momento eu fosse ter um ataque cardíaco. Suas palavras, no entanto, eram frias. Recentemente ele parece aqueles caras insensíveis que olham nos seus olhos, mas não enxergam a sua alma.

Os Emptylie, você quis dizer?

Eu vi alguma coisa parecida na hora do intervalo. Aquela menina chorou bastante. Seria mais um coração quebrado no mundo?

— É claro que ele não é, né. Um Gregory é como um Emptylie, eles devem ficar com aquelas ninfas gostosas de cabelo vermelho. — Park sorriu sacana. — Não é, Kyouya?

— É claro. Só quem foge dessa regra são os Alone. Eles são uns merdas, meu nariz chega a coçar quando sinto o cheiro deles. — Falou com um tom de escárnio.

— Cheiro de merda, você quis dizer?

— Cheiro de aberração.

Fechei os olhos. Não estou gostando do jeito que Kyouya está falando. Isso de alguma forma me faz sentir pequeno, como um pequeno verme no meio de lagartas já metamorfoseadas. É como se eu não estivesse reconhecendo o garoto por quem eu... Estou apaixonado. É tão constrangedor pensar dessa forma, mas é a verdade.

Eu amo Kyouya.

E  eu o odeio também.

— Ah, o que está fazendo, Mike? — Essa era a voz de Trent.

— Vou dormir. Talvez assim minha frustração suma, afinal, a gente não vai se apresentar. Também, seu pai foi meio idiota em colocar no grupo uma garota estressada e depois substituí-la com um cara que nem sabe os passos básicos de N.O. Pelo amor de deus...

Eu não sei mais qual tipo de expressão eu tenho em meu rosto, levei minha mão até a cabeça e passei os dedos pelos cabelos. Isso deve ser tristeza. Ou melancolia. Qual é a diferença dos dois? Forcei o meu sorriso novamente e empurrei a porta de leve. Fez um leve ruído e a sala inteira ficou em silêncio.

— Ah, olá pessoal! — Eu disse com uma voz animada, mas pareceu falsa demais. — O que foi?

— E então, conseguiu falar com a sua irmã de novo? Você tem que convence-la a vir. — Alexy disse parecendo preocupado. Nunca vou entender qual é esse cara.

— Parem de esperar algo daquela garota. Até mesmo Park falou com ela naquela hora, mas do jeito que Elizabeth é, com certeza não vai vir. — Jonathan suspirou se sentando na mesa.

— E o que você tem com isso? — Perguntei ainda sorrindo. — Você está em outro grupo, então se preocupe com o seu e pare de reclamar.

Ninguém falou nada por um tempo, até eu me senti incomodado com o silêncio.

— Você não me dá ordens, seu gayzinho de merda. — Suas sobrancelhas loiras franziram em uma expressão de raiva.

Gayzinho...

— Você tem algum problema com isso? — Dessa vez eu não consegui mater o sorriso.

Tristeza. Vergonha. Frustração.

— Tenho. Eu não gosto de bichinhas como você, aberrações da natureza. — A forma que ele falou foi tão cruel que eu senti meus olhos arderem. — O que foi? Vai chorar? Alien idiota. Seja homem pelo menos e segura essa merda.

Abaixei o olhar, sentindo um nó se formar na minha garganta. Pode parecer ridículo, mas eu realmente não sei lidar com essas coisas. Antes, eu achava que era normal não se sentir atraído por ninguém, mas aí minha irmã apareceu com um namorado e o nosso mundo se rachou ao meio. Namorado? Por que esse tipo de coisa existe? E foi aí que eu comecei a ver o mundo de verdade, o que as pessoas faziam e o que era aceitável. Eles gostam de contato físico, são dependentes emocionais e suas morais regem seu estilo de vida, a sua personalidade e a alma.

Esses são os seres humanos.

Meu pai as vezes me incentivavam a procurar uma garota, mas eu nunca o fiz não por não me sentir atraído por elas, mas simplesmente por não almejar esse contato que as pessoas tanto procuram. Eu estava satisfeito com o estado que eu me encontrava. Eu jurava que nunca iria me sentir assim por ninguém.

Mas aí surgiu aquele playboy de merda.

Virei os meus olhos na direção de Kyouya. Ele estava encostado na mesa, mexendo no celular, com os fios negros e lisos caíndo sobre seus olhos. Estava tão bonito, até mesmo com aquelas roupas ele ainda parecia elegante. Olhei para os seus lábios, estou sentindo falta do seu sorriso. Da sua risada. Ele nem falou comigo quando cheguei. Não olhou para mim, não se dirigiu a mim. Eu era uma sombra, um fantasma, um espectro esquisito que vagava pelos cantos, mendigando pela sua atenção. Eu lembro que dei bom dia para ele, mas Kyouya nem se quer virou os olhos para mim.

Ele literalmente te ignorou.

Eu me recuso a cogitar a hipótese de que Kyouya está me tratando assim pelo fato de eu "gostar" de homens. Eu não gosto de homens! Eu gosto dele, apenas dele! Será que é tão difícil de entender?

Tem tantas definições nesse mundo que as vezes é difícil saber quem você é de verdade.

— Pare com isso, Jonathan — Ouvi a voz de Mike e virei o rosto para olhá-lo. — Não o trate desse jeito. Se você não gosta, tudo bem, é um direto seu. Mas pelo menos respeite, por favor.

— Ah, não vem com esse papo para cima de mim não. — O loiro desceu da mesa, a cor dos olhos dele é tão fria quanto a sua capacidade de sentir empatia. — Isso está errado. Deus odeia todos esses merdas.Tudo que vocês gays querem é privilégios, atuando como vítimas da sociedade.

Suspirei.

Você está cansado disso, Frank.

Sim, eu estou cansado.

A Elizabeth não está aqui, agora.

Eu não vou me importar se ela não vir. Ela já vez tanto por mim, ela não deve se sentir obrigada a fazer isso também.

Você é fraco, Frank. Não pode se defender sozinho. Não pode nem proteger as pessoas que ama.

Posso sim. Eu posso sim.

A última vez que fez isso, tirou a vida de alguém.

Senti uma pontada no coração.

Pecador.

Obrigado por me defender, Mike. Mas não precisa fazer isso. — Sorri falsamente. O que eu mais gosto na vida, depois de ouvir música, é atuar. — Afinal, aberrações são apenas aberrações, não é? — Levantei um pouco o queixo e abri um sorriso brilhante. — E elas precisam aprender desde pequenos a se defender sozinhos.

Jonathan soltou uma risada. — Do que está falando, seu esquisito?

Ouvi o ranger da porta.

— O que ele quis dizer é que, enquanto você segue um deus que não existe nessas terras ruins, Frank mancha suas lindas asas brancas com o que você chama de pecado.

A porta se fechou.

— E acredite, a cor desse pecado é a mesma cor do seu espírito: negro, como o sangue da sua cruz. Suja e cheia de mentiras.


Notas Finais


Resolvi escrever logo o primeiro capítulo de First Hell. Tentei arriscar colocando a narração de Frank, fiquei pensando a semana inteira em como fazer isso. Eu espero que esteja bom.
Estou fazendo um esforço enorme para não abandonar essa história. FSpirit é apenas uma plataforma para mim, porque depois eu passo para o Word e formato e tal... Enfim, tudo que escrevi agora está do tamanho de um livro. Pode parecer até bobeira, mas é a primeira vez que eu escrevo tanto assim. As minhas outras histórias eu desistia delas, porque eu sou um pouco perfeccionista e isso atrapalhar pra caramba. Mas eu estou me esforçando para não desistir de FLH, estou mesmo.
Sexta mesmo eu pensei em colocar em hiato, ou alguma coisa assim.
Espero não terminar como William Poems, que conheceu cem personagens e não retratou a vida de nenhum deles (tirando o Blue Suicide, mas aquela história é uma bosta).

Obrigada a você, que ainda não desistiu de FLH.
Lady Monroe.


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