História F.I.R.S.T T.I.M.E - Capítulo 2


Escrita por: ~

Postado
Categorias EXO
Personagens Baekhyun, Chanyeol, Lu Han, Xiumin
Visualizações 23
Palavras 6.115
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Comédia, Drama (Tragédia), Fluffy, Yaoi
Avisos: Homossexualidade
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Bom fim de domingo \o/
Então...voltei rápido né?
É que quando você está inspirada o melhor a fazer é aproveitar essa aparente inspiração mais do que tudo.
Portanto: vamos a mais um capítulo?
Nesse capítulo vocês conhecerão mais sobre o Minseok e sobre as pessoas que o cercam.
Talvez a história pareça ainda muito enrolada e difícil de seguir um ritmo, mas é que estou agindo de forma mecânica com ela: se eu parar para modificar e tentar tornar "melhor" com as modificações que sempre faço, aí a história empacará e tudo que quero é que ela flua.
Portanto, é isso.
Vamos lá, pessoal?
Bora!

Capítulo 2 - A descoberta de uma amizade


Fanfic / Fanfiction F.I.R.S.T T.I.M.E - Capítulo 2 - A descoberta de uma amizade

P.O.V Minseok

Ocupando uma das cadeiras dispostas na grande sala eu o observava com um sorriso contido, sutil demais para chamar a atenção de quem quer que fosse.

Seu terno era limpo e impecável, sem nenhum amassado visível, enquanto seus sapatos estavam lustrosos e seu cabelo penteado de forma correta, indicando que o rapaz acatava todas as normas escolares sem hesitação.

Algumas pessoas apenas o amavam por ser um ótimo aluno e representante de turma tão querido; outros observavam sua devoção para a música como o grande percussor de sua fama entre os professores e alunos; outros, ainda, apenas o idolatravam pela sua beleza irrefutável. Mas eu não era como essas pessoas, cegos por detalhes insignificantes. Kim Jongdae havia marcado meu coração de outra forma, uma que eu duvidava ser semelhante ao de qualquer outro presente.

Observei, tentando ser o menos óbvio o possível, seu sorriso se alargar conforme ria de alguma piada que um dos seus amigos contara. Ele riria mesmo que não houvesse graça, porque esse era o tipo de pessoa que Kim Jongdae tanta se esforçava em ser: perfeito em todos os quesitos, mesmo que soterrado pelos próprios muros de pressão que construía ao seu redor.

_O que tanto olha, hein?_a voz conhecida se fez presente me fazendo sobressaltar rapidamente, dando-me um susto maior do que se um meteoro eclodisse bem no meio da sala de aula.

Engoli em seco, desprendendo os olhos da figura do Kim para vidrá-los nas páginas em branco à minha frente.

O garoto, com seus cabelos rebeldes e camisa amassada, não era de desistir fácil. Um dos seus grandes defeitos era exatamente a curiosidade; ele não conseguia refreá-la mesmo que a pessoa a ser observada implorasse de joelhos para que não se metesse nos assuntos alheios.

_Eu não entendo..._ele fez um barulho com a língua, parecendo frustrado, enquanto puxava uma cadeira e sentava nela na posição errada, as pernas abertas de forma despojada, enquanto me encarava de frente, tentando catar qualquer minúcia que o fizesse achar a resposta que tanto ansiava_Você sempre está encarando o nosso representante de turma..._jogou verde, tentando colher algum tipo de informação em minha expressão.

Continuei calado, os olhos devotados para o papel em branco, como se não estivesse passando por um interrogatório desnecessário.

Byun Baekhyun poderia ser uma pessoa extremamente metida na maioria das vezes, mas não era uma pessoa ruim. Pelo muito contrário: eu já perdera a conta das vezes que o vi ser levado até a sala da direção por ajudar pessoas desconhecidas a sair de brigas injustas onde eram seis contra um. Mesmo que extrapolasse o limite do aceitável, Byun Baekhyun não era uma má pessoa; pelo muito contrário. Tinha centenas de defeitos, a começar por sua língua solta, sua curiosidade irrefreável e seus maus modos, mas nada se comparava ao seu senso de justiça. Aquele título era de Baekhyun e ninguém poderia contestar o contrário.

_Você não é amigo dele, quer dizer..._fez uma pausa, parecendo ajeitar os próprios pensamentos_pelo menos não um amigo próximo. Também não sinto como se você odiasse ele. É mais como..._novamente o silêncio nos envolveu, enquanto o Byun chegava perigosamente perto da resposta de um milhão de dólares.

Tentei acalmar meus batimentos cardíacos. Não era como se meu maior problema fosse ter Byun Baekhyun sabendo de minha fascinação amorosa por Kim Jongdae, até porque, mesmo não mantendo uma amizade com ele, sabia que ele nunca sairia gritando aos quatro ventos sua descoberta. Mas não era algo que eu desejasse compartilhar com alguém. Não era necessário ter outra pessoa vendo-me sofrer pelos cantos calado, incapaz de destruir o medo que insistia em atravessar meu caminho e espantar a coragem cada vez que ela dava o ar de sua graça.

Os olhos de Baekhyun tomaram foco e me encararam fixos. Por um momento vi a resposta ali neles, contida demais para se tornar real, mas fora tão rápido que me questionei se não era apenas meu nervosismo pregando uma peça.

_Talvez você..._Baekhyun, com um sorriso animado, expulsou o Byun sereno de segundos atrás e arregalou os olhos em animação_queira ser o novo representante de turma?_jogou no ar, me fazendo, mesmo que de forma involuntária, rir fraco de suas elucubrações.

Ele piscou, rindo comigo, parecendo contente por, apesar da resposta falha, ter conseguido arrancar um sorriso sincero de alguém.

_Posso saber a piada para rir junto?

Gelei, tentando forçar minha expressão a tornar-se neutra antes que a mesma me denunciasse sem demora.

À minha frente o Byun me imitou, não por sentir o mesmo, mas por ter sido pego de surpresa pela minha mudança repentina de humor.

Ambos levantamos os olhos quase que juntos, nos deparando com um Kim Jongdae sorridente ao lado de minha carteira; seus olhos bondosos nos analisando com amabilidade, apenas desejando ter uma piada compartilhada.

Um bolo se alojou em minha garganta e tudo que consegui fazer foi forçar um sorriso de canto, incapaz de algo além daquilo.

Baekhyun, como o verdadeiro salvador da pátria, riu alto; de forma tão escandalosa que atraiu olhares à nossa volta, fazendo Jongdae estreitar os olhos, conforme ria da repentina risada do Byun.

Em poucos segundos, com a mente se tornando um perfeito enigma pra mim, Baekhyun inventou uma piada que nada de graça possuía, mas que teve o poder de fazer Jongdae se satisfazer e se erguer minutos depois, rumando para o seu lugar na fila da frente, enquanto o sinal alertava que o intervalo havia chegado ao fim e tudo poderia voltar à normalidade de outrora.

Mas eu sabia que nada nunca seria normal, não quando Baekhyun sorriu em minha direção de forma estranha, como se conspirasse algum segredo comigo; como se, enfim, houvesse achado a chave que revelava claramente todos os segredos de Kim Minseok.

***

Espichei meus dedos em direção ao exemplar, mas nem apoiado na ponta dos pés parecia surtir efeito. Bufei, exasperado, retornando ao tamanho normal e olhando acusador o livro que parecia rir há uma altura exacerbada.

Respirei fundo e tomei impulso novamente, forçando meus dedos a tentar alcançar o volume tão desejado; livros assim sempre eram colocados quase que nas últimas prateleiras, longe de mãos ligeiras que pudessem destruí-los; sabia disso porque já havia passado tempo o suficiente na biblioteca da escola para entender como funcionava a mente de Go Dommi, a bibliotecária carrancuda que sempre dificultava minha vida colocando os grandes clássicos longe do alcance de minhas mãos pequenas.

Forcei mais um pouco o ombro para cima, em direção ao livro, tocando com a ponta dos dedos o mesmo, enquanto fazia uma careta em direção ao meu objetivo.

Mas, antes que eu acabasse derrubando a estante toda em cima de mim, alguém se apiedou da minha situação e, utilizando uma cadeira como suporte, subiu na mesma e retirou o livro que tanto parecia zombar de mim.

Quando o volume foi entregue em minhas mãos e a pessoa saltou da cadeira, aterrissando suavemente no piso de madeira, foi que me permitir observar seus traços familiares, levando um golpe certeiro demais.

_O...obrigado._gaguejei, ainda pego em meu próprio espanto.

Como o esperado ele sorriu; ele sempre sorria demais, seus sorrisos poderiam ser considerados uma extensão de si mesmo. Às vezes eu me perguntava se não era cansativo viver parecendo estar alegre e de bem com a vida. Eu odiava seus sorrisos, ao mesmo passo que idolatrava-os como um louco. Era uma sensação ambígua que sempre me tomava e me fazia questionar minha própria sanidade. E quando isso acontecia, quando achava que poderia enlouquecer, o estranho da roda gigante aparecia em minha mente, como se me guiasse, alertando que o amor é como uma estrada de duas vias, mas que não é possível esperar algo de um dos lados se a primeira partida não for dada.

O estranho, mesmo que sutilmente, apenas me mandara arriscar; a fazer minhas duvidas passarem de “e se...?” para fatos reais. Era perder ou ganhar. Não existia meio termo. Mas, quando me via encorajado pelo estranho e seu discurso pouco convencional que criara uma perfeita monografia dentro de mim, eu também me via aterrorizado ao me deparar com Kim Jongdae me encarando sorridente.

Os “E se...?” ficavam maiores à medida que eu me via perto demais dele, a distância de um braço. Era muito real e aterrorizante para agir impulsivamente, por mais que já houvesse martelado aquela decisão em minha mente meses após meu desabafo no parque de diversões, cercado de meus dois maiores medo: o de altura e do meu amor não correspondido.

_Não precisa agradecer, Minseok. Mas na próxima use uma cadeira, você poderia ter se machucado sério._a repreenda era tão sutil e encoberta por um tipo de preocupação que me senti, quase que instantaneamente, sufocado.

Era em momentos assim, quando Jongdae parecia notar cada pessoa naquela escola, que eu me perguntava se ele era real ou se estava apenas contracenando conforme seu papel de representante de turma.

A primeira vez que me ajudou me pegou desprevenido e me vi simpatizar com o garoto que via a todos, sendo eles deslocados ou alvo das intrigas entre os populares; mas quando a atenção dele apenas se concentrava em mim, ajudando-me com livros, se oferecendo para me auxiliar na arrumação das carteiras ou apenas perguntando se desejava ser seu parceiro em algum trabalho em grupo, eu me via cada vez mais preso à sua teia.

O estranho havia ditado que amava as “Primeiras Vezes”; disse amar e odiá-las num nível semelhante, o mesmo nível que me via fascinado por Jongdae e, ao mesmo tempo, com medo do que meus olhos escondiam por detrás de toda aquela aparente perfeição. Porque era isso que Jongdae era: perfeito. E toda essa perfeição era sinônimo de confusão, porque ninguém é perfeito. Ninguém poderia ser assim vinte e quatro horas por dia.

Mas, mesmo com todas minhas dúvidas e resoluções, ainda assim apenas uma coisa se destacava no mar de confusão que abrangia minha mente: eu o amava, sendo perfeito ou imperfeito, ainda assim eu o amava. Não era como se eu pudesse lidar com esse sentimento, não quando ele comprimia meu coração de tal modo que me via arfar pelos cantos, sentindo pequenas dores no peito.

Eu não tinha um histórico de “Primeiras Vezes” como o garoto da roda gigante parecia deter. Minhas primeiras vezes eram costumeiras como a de qualquer outra criança; eu ainda não havia atingido as “Primeiras Vezes” que separavam o mundo adolescente das de um adulto, mesmo que não no literal.

Eu desejava, embora me amaldiçoasse no mesmo nível, por querer que Jongdae fosse a pessoa que romperia essa linha; seria a pessoa com quem queria compartilhar uma das minhas primeiras vezes, uma que eu considerava muito importante.

Encarei seus lábios de forma insegura, só para no segundo seguinte abaixar os olhos, me xingando em silêncio apenas por cogitar beijá-lo; por cogitar arriscar tudo de forma tão impensada.

_Tu...tudo bem._falei pigarreando em seguida, tentando encontrar coragem e fazer minha voz sair mais imponente do que de fato estava naquele momento_Vou ter mais cuidado._e dessa vez eu sorri internamente por não ter gaguejado, por não ter, novamente, deixado tão óbvio meu desconcerto perante ao Kim.

Kim Jongdae sorriu novamente, parecendo achar engraçado a forma como eu tentava me fazer entender.

_Apenas não se machuque, okay?

E, como se pudesse ter o poder de me desprender do chão apenas com aquele gesto, Jongdae bagunçou os fios dos meus cabelos, achando graça de como me encolhi ainda mais com seu toque inesperado.

Sem nada mais dizer ele abandonou a biblioteca e me deixou sozinho, perdido em dúvidas, enquanto meu coração, novamente, sentia que estava se afundando ainda mais no peito.

***

Sentado em uma das mesas do refeitório, enquanto dividia minha atenção entre o sanduíche em minhas mãos e o livro sobre a mesa, me sobressaltei ao ser surpreendido novamente por Byun Baekhyun. Estava virando rotina sempre ser pego no susto pelo Byun que, descaradamente, amava cada vez mais o fato de possuir esse poder.

_E aí, cara?_soltou com um sorriso, enquanto se sentava no banco à minha frente e se inclinava para perto de mim, me fazendo arregalar os olhos com a proximidade.

Baekhyun, num único movimento, mordeu um pedaço do sanduíche em minhas mãos e voltou a se sentar ereto no banco, mastigando com vontade, enquanto um sorriso de canto persistia em se fazer presente em sua face.

_Isso não era seu._acusei suspirando fundo, enquanto colocava o sanduíche de lado; o apetite indo embora tão rápido quanto a vontade de continuar a leitura.

Baekhyun não se intimidou e sua mão cruzou a mesa, capturando o sanduíche jogado de lado e caindo de boca, literalmente, na combinação de pão e alface.

_Não deveria ficar sem comer, ainda falta muito tempo para o fim da aula. Vai sentir fome, eu garanto._murmurou entre uma mordida e outra, as palavras se tornando um tanto desconexas por tentar mastigar e conversar ao mesmo tempo.

Olhei-o acusador, alternando meu olhar entre o sanduíche que era devorado sem piedade e sua face aparentemente inocente.

_Acredite: eu estava tentando comer.

O Byun sorriu, maroto, as bochechas lotadas de pão indicando que estava ciente daquilo e estava realmente curtindo o fato de me ver presenciar meu lanche ser devorado por um magricela falante e extremamente irritante.

_Isso, meu caro amigo, é a definição de compartilhar. Achei que era mais inteligente que eu!_resmungou, o cenho franzido, enquanto dava as últimas mordidas.

Ri fraco, uma risada desprendida de qualquer graça real.

Sem respondê-lo, até porque fazer isso exigia mais vontade do que eu detinha no momento, não quando meu estômago urrava em fome, voltei meus olhos para o livro; tentando ignorar ao máximo o ser na minha frente que lambia os dedos, tentando capturar os últimos resquícios do lanche.

Concentrado na leitura, ou pelo menos tentando ao máximo fazê-lo, senti alguém sentar-se ao meu lado e se espichar para ler as páginas abertas em minhas mãos; tão curioso que a educação era uma de suas últimas qualidades.

_Entendi..._fechei os olhos, começando a sentir a frustração se moldar dentro de mim_Então você curte esses lances e ficção._perguntou coçando o queijo durante a fala.

Fechei o livro com um baque, atraindo, sem desejar, alguns olhares em nossa direção. Me encolhi quase que instintivamente, enquanto, ao meu lado, Baekhyun ria fraco, apoiando a mão na mesa e sustentando a cabeça com a mesma ao me encarar.

_Não sabia que você tinha um gênio tão arisco, Minseok._comentou risonho, percebendo o rubor claro começar a se espalhar por minhas bochechas nada confiáveis.

_A culpa é sua! Você me tira do sério, Baekhyun._soltei baixo, vendo-o arregalar os olhos em confusão.

_Não brinca?_sua cabeça se ergueu e vi a cena mais estranha e cômica que já poderia ter presenciado: Baekhyun pulou em animação, enquanto deixava as palmas de suas mãos tocarem uma melodia desconexa de aplausos.

Meu queixo estava pendido, minhas bochechas queimavam em vergonha, mas mesmo assim não pude evitar rir um pouco daquela situação. Baekhyun não era um ser humano normal e a cada dia que ele deixava isso mais claro, mais eu percebia que era bom a Terra não ser infestado de Minseok’s, pois era realmente muito agradável a loucura desenfreada que o Byun oferecia ao mundo.

_Eu fico feliz, baixinho._falou se levantando do banco com um sorriso afável nos lábios, insultando minha altura como se fosse mais alto que eu o era.

Mas, ao invés de repreendê-lo pelo apelido nada válido, me vi abrindo os lábios e deixando escapar a maior incógnita entre eles:

_Por quê?_perguntei, sentindo aquele ato quase que sendo involuntário; a curiosidade de Baekhyun parecendo emanar até mim em pequenas ondas invisíveis, me fazendo questionar minha própria sanidade.

Baekhyun levou as mãos até os bolsos da calça; sua figura tranquila me encarando de cima, um sorriso tranquilo tornando sua face algo belo de se olhar.

_Você me lembra muito o Homem de Lata, Minseok._disse sereno.

Estreitei os olhos em sua direção, a confusão se abatendo sobre mim gradativamente.

Sem mais nada dizer, Byun Baekhyun rumou a passos tranquilos para fora do refeitório, me fazendo desejar, pela primeira vez, que ficasse e me fizesse entender aquela pequena afirmação que, em nada, parecia ter sentido.

***

Com o passar das semanas as coisas continuavam na mesma: eu percebia que, independente do quanto tentasse fazer com que houvesse lógica naquele turbilhão de sentimentos que me preenchia, ainda assim sempre o que falaria mais alto era a sensação perturbadora que me apossava toda vez que meus olhos capturavam a figura de Jongdae.

A presença de Baekhyun em meu cotidiano continuava a mesma: ele ia e vinha com frequência; falava besteiras e desaparecia de novo, sempre esbanjando seu sorriso descarado para quem quisesse observar.

Não pensei no conselho do garoto da roda gigante por um bom tempo; era impensável imaginar as consequências que poderiam ter uma simples revelação. Eu não gostava nem mesmo de cogitar a expressão que se abateria sobre o rosto de Kim Jongdae caso soubesse que era cobiçado por alguém tão oposto de si como eu.

As estações passaram e com elas mais um ano chegou. Finalmente, em poucos meses, meu martírio denominado escola se acabaria e com ele, mesmo que de forma dolorosa, a imagem do Kim mais novo. Era uma situação complicada, onde eu me via feliz pelo fim, mas ao mesmo tempo lastimando o seu desfecho.

_Voando de novo, baixinho?_questionou Baekhyun, me fazendo prender um grito, tamanho o susto.

_Pare de me assustar!_sussurrei frustrado, levando a mão ao peito na tentativa de acalmar meus batimentos cardíacos.

Vi aquele sorriso retangular se abrir novamente em resposta, totalmente satisfeito por conseguir repetir o ato de me sobressaltar mesmo após várias tentativas vitoriosas.

_Eu não te assusto, você que sempre está tão focado no seu próprio mundo que não percebe minha presença brilhante pairar ao seu redor._justificou erguendo as sobrancelhas, enquanto o sorriso se alargava e eu me perguntava como alguém poderia ter uma autoestima tão alta quando suas notas eram tão baixas.

_Você é impossível, Byun!

Raramente eu chamava-o pelo nome; na verdade nossas conversas mal poderiam ser consideradas um diálogo extenso para que o nome de um dos dois fosse mencionado, mas agora, quando fui tão expressivo sem notar, percebi o olhar surpreendido de Baekhyun me observar de perto.

_Então você me chama de Byun quando está com raiva?_perguntou se fingindo de ofendido, dramatizando a tal ponto que a mão direita repousou no peito, como se tentasse dispersar a dor de um coração partido_Eu esperava isso de qualquer um, mas não de você, baixinho.

Abri os lábios para rebater quando uma sombra surgiu à nossa frente, tornando o belo dia ensolarado que estava, cinzento em questão de segundos.

Com seus cabelos negros impecáveis e um rosto promissor, Dook Son se postava bem diante de mim e Baekhyun, sua face séria impenetrável, enquanto seus olhos negros pareciam queimar minha imagem até torná-la cinzas ao vento.

Engoli em seco, mesmo sem saber qual o motivo de sua fúria aparente.

Ergui-me de prontidão, sendo imitado por um Baekhyun confuso, mas extremamente ansiosa para qualquer coisa que viesse a acontecer.

Dook Son retirou seus olhos de mim apenas para direcionar um olhar de desdém em direção à Baekhyun, voltando a me encarar segundos depois com a mesma intensidade fulminante de outrora.

_Não sei como isso aconteceu e nem como você teve a coragem de chegar nesse ponto, mas serei direta, porque não desejo que ninguém saia ferido dessa história, Minseok._soltou calmamente, embora sua expressão denunciasse a batalha interna que travava para não explodir ali, no meio do pátio escolar.

Dook Son era prima de Jongdae e era uma classe mais baixa que eu e seu primo; era conhecida por sua boa educação e por suas notas serem tão impecáveis quanto ao do primo. Naquele ano ouvi que tentara ser representante do segundo ano, mas fora ultrapassada por outra aluna exemplar e isso acabara por tirar um pouco de seu foco nos estudos. Fora isso, os boatos frequentes que corriam de boca em boca, eu nada sabia sobre a garota. Nunca nem sequer havia lhe dirigido um “Bom dia” para estarmos naquela situação desconfortável.

Olhei para Baekhyun rapidamente, vendo-o me encarar com a mesma expressão de perplexidade que deveria estar estampada em meu rosto.

_Desculpe, mas eu não faço ideia do que você está falando._falei sem delongas, percebendo Baekhyun cruzar os braços e encarar a garota, assentindo minimamente em concordância.

Dook Son não era uma má pessoa, pelo menos não segundo as informações que rondavam a escola. Tinha um bom coração e sempre era extremamente cuidadosa e amável com todos; aquela pessoa que estava na minha frente, se dirigindo com uma falta de educação sem igual para o seu sunbae, não poderia ser a mesma menina da versão que escutara circular pelos corredores do colégio.

A garota ajeitou a postura, embora eu percebesse que suas mãos se fecharam em punhos, os nós dos dedos tornando-se brancos conforme parecia deter a raiva que sentia.

_Vou ser bem clara, então. Tão clara como água._anunciou.

Foi rápido demais, por isso não tive tempo de desviar antes de sentir o golpe. Minha bochecha direita ardeu de imediato, enquanto o baque do tapa, estalado na mesma, parecia ecoar no silêncio que se seguira.

_Mas o que você pensa que está fazendo?!_o silêncio foi perfurado pela voz cortante de Baekhyun se elevando algumas oitavas, enquanto o sentia se colocar à minha frente, fuzilando Dook Son.

Ergui a cabeça, tentando fazer com que toda aquela sucessão de eventos se tornasse clara em minha mente, mas tudo que consegui assimilar foram os vários pares de olhos cravados em mim, indagativos; curiosos para entender o motivo da violência inesperada por parte de uma garota tão bem educada quanto Dook Son.

Mesmo que Baekhyun estivesse tampando a visão de Dook Son e exigindo respostas, ainda assim ela o ignorava com firmeza, seus olhos focados acima do ombro do Byun, encarando-me sem piscar uma única vez; tentando passar uma mensagem que eu não estava tendo sucesso em desvendar.

_Apenas..._sua voz tomou forma novamente, parecendo atingir todo o pátio escolar que permanecia focado em toda cena que se desenrolava_Não se aproxime dele. Não ouse, está me entendendo?!_a ameaça veio baixa e contida, mas todo o misto de raiva que a impregnava era razão o suficiente para levá-la a sério, mesmo que eu, sequer, viesse a pensar o contrário.

_Olha aqui, sua..._a voz alta de Baekhyun tomou forma novamente, mas se silenciou assim que uma de minhas mãos se enroscaram em seu pulso e o puxaram para longe, sendo seguido pelos olhos devoradores dos espectadores ávidos por mais informações.

Não olhei para trás um único instante sequer; eu havia entendido o recado e, por mais que o rosto de Baekhyun denunciasse que estava pronto para fazer um escândalo, ainda assim não me deteve quando o reboquei para dentro da escola num silêncio desconfortável. Porque, no fim das contas, mesmo que fosse uma incógnita o fato de Dook Son ter descoberto, ainda assim nós dois sabíamos do que ela se referia; tanto eu quanto Baekhyun, mesmo que continuasse calado sobre sua descoberta, entendíamos que a garota pedia para que eu me afastasse de seu primo; para que não ousasse me aproximar de alguém tão inalcançável quanto Jongdae.

***

A história se espalhou como fogo em pólvora pela escola. Todos me encaravam pelos corredores, inquisidores, formulando perguntas demais com os olhos, enquanto os lábios cochichavam baixo às minhas costas.

Baekhyun, que mesmo que houvesse se tornado um fardo nos últimos meses, parecera um grande alívio naquele momento em que eu me sentia mais e mais diminuído. Ele não tocou no motivo de Dook Son ter agido como agira e eu, mesmo que silenciosamente, agradeci a ele por ser consciente o suficiente para não ultrapassar esse limite.

Duas semanas depois após esse episódio nada feliz, as coisas pareciam se acalmar, mas eu ainda insistia em me camuflar no meio da multidão e evitar os locais públicos, não por medo de encontrar a garota, mas por não querer um confronto direto com Jongdae.

Para minha surpresa, ele não questionou nada; não me encurralou nos corredores exigindo respostas do porquê estar metido em um escândalo com sua prima e, para minha total decepção, não dirigia mais a palavra e qualquer outro gesto em minha direção.

Eu estava sendo ignorado e, por mais que aquilo parecesse a coisa certa a se fazer, ainda assim meu coração protestava como um louco; desejando, nem que por um segundo, rever o sorriso do Kim em minha direção; como nos velhos tempos.

Eu estava tendo, mais uma vez, uma experiência de “Primeira Vez”, assim como o garoto da roda gigante havia dito. Só que essa primeira vez não era nada acolhedora; se antes eu chorava por um amor não correspondido e trancafiado a sete chaves do mundo, agora eu sofria por uma espécie de decepção amorosa que, de fato, também não poderia ser classificada como tal, pois Kim Jongdae não tinha nem a mínima ideia de que meu coração pertencia a si.

_Escondido de novo, baixinho?_dessa vez, para total descontentamento de Byun Baekhyun, eu não me assustei. Acreditava, ridiculamente, que nem se o maior evento da face da Terra ocorresse bem diante dos meus olhos não teria a atenção devida, não quando eu estava cada vez mais submerso em mim mesmo.

Baekhyun se sentou ao meu lado; um gesto rotineiro que tornara-se reconfortante para alguém que apenas precisava sentir que não estava sozinho contra o mundo.

A estante de livros reclamou quando as costas do Byun se recostaram nelas, mas fora como um suspirar rápido: logo o silêncio já se fazia presente novamente na velha biblioteca que, como um esconderijo convidativo, se tornara meu porto seguro contra as pessoas que ainda ansiavam por respostas.

_Até quando pretende se esconder do mundo?_a voz, que sempre esbanjava um tom de divertimento, agora era baixa e suave, trazendo consigo uma seriedade que raramente se apresentava.

Percebi-me relembrando o único momento onde Byun Baekhyun havia utilizado aquele tom e suspirei em frustração e, ao mesmo tempo, em desânimo. Ele me comparara ao Homem de Lata um dia e por mais que não houvesse feito sentido naquele tempo, agora parecia cada vez mais óbvio o quão suas palavras formavam a real imagem de quem eu era: um homem sem coração em busca de um.

_Para sempre é muito tempo, certo?_perguntei baixo, os olhos grudados à frente, observando, sem, de fato, nada ver.

Baekhyun suspirou fundo.

_A vida não pode ser feita de “Para Sempre’s”, baixinho._falou rindo ao fim da frase, mas tornando-se sério novamente em seguida_A vida é feita de momentos. É nosso dever viver cada um deles, sendo ruim ou bom e, no fim das contas, criar coragem para partir para outro; porque nada pode ser bom para sempre ou ruim também. Tudo tem um fim.

Baekhyun, um estudante terrível, conhecido por seu senso de justiça absurdo e seu olhar único sobre a vida, era, no fim das contas, uma pessoa incrível que apenas esperava o momento exato para revelar que não era um zero à esquerda como todos o pintavam.

Minha cabeça se virou, olhando aquele garoto sempre de sorriso fácil se tornar uma verdadeira incógnita mais uma vez; porém era um mistério bom. Um que me apresentava um Baekhyun maduro e sensato; que poderia não conhecer os segredos que regiam as sete partes do universo, mas que tinha disposição o suficiente para erguer a mão ao socorro de um amigo quanto este necessitava.

_Quando você parou de ser tão idiota, Baekhyun?_perguntei franzindo o cenho, enquanto exibia um sorriso mínimo de agradecimento ao garoto que, apesar de ter uma ideia da dimensão da minha dor e confusão, permanecia como um secundário; apenas ligando o holofote sobre si quando sentia que a escuridão estava cegando-me por completo.

Baekhyun soltou uma risada baixa, maneando a cabeça rapidamente como se tentasse entender a si próprio.

_Eu também não tenho essa resposta, baixinho; mas, contudo..._ele alargou seu sorriso e seu ombro cutucou o meu, num gesto de animação que teve o resultado esperado_não se empolgue; eu sempre vou ser um idiota.

No fundo de uma biblioteca cheia de vida e poeira, onde todos os estudantes evitavam por não ver a preciosidade por detrás das folhas amareladas e o cheiro nada convidativo de mofo, um laço de amizade único fora estabelecido, capaz de tomar distância um dia, mas nunca romper-se de fato.

***

Apesar de ser o começo do último ano, ainda assim os professores pareciam não estarem para brincadeira.

Duas pesquisas, três provas marcadas e mais dever de casa do que o necessário, prendiam a mim e Baekhyun em uma das mesas da biblioteca, soterrados por uma montanha de livros sem fim a qual Baekhyun estava afastado, justificando que se chegasse muito perto poderia ser soterrado pelos mesmos.

_Não acredito que estou numa quinta-feira enterrado aqui com você. Quando resolvi ser seu amigo eu esperava um pouco mais de compaixão da sua parte, baixinho._resmungou, a desconcentração óbvia a cada minuto que passava e a cada bocejo que era dado pelo garoto.

Revirei os olhos, buscando a fórmula de matemática em um dos muitos exemplares abertos sobre a mesa.

_Se considere sortudo por eu estar lhe ajudando a não ganhar o troféu de aluno nota mínima. Sério, Baekhyun: como conseguiu chegar tão longe com suas notas?!_questionei sob os óculos de aros redondos, um presente hereditário materno que exigia sempre ser utilizado quando as letras se tornavam muitas e nada fazia sentido.

_Isso não vem ao caso agora, baixinho. Mas, pelo amor de Deus, por que você não poderia ser um amigo normal como os outros, hein?_disse jogando a cabeça contra o tampo na mesa e reclamando quando a testa tornou-se vermelha pelo baque na madeira firme.

Ri soprado, vendo-o massagear o vermelhão que se destacava em sua pele clara.

_E como um amigo normal seria?

_Não é óbvio?!_disse gesticulando loucamente com uma das mãos, a careta na face ainda presente pela dor_Fazendo todos os meus deveres, é claro! É assim que nossa amizade deveria regir: eu te presenteava com minha iluminada presença e você com todos os deveres prontos.

A simplicidade com que ele falava me fez soltar uma risada, meus olhos não desgrudando da fórmula que tomava espaço nas páginas em branco do meu caderno.

_Você está esquecendo de um detalhe só, Sr. Baekhyun._falei me erguendo e fechando o exemplar_Amigo não é sinônimo de escravo.

Baekhyun tomou fôlego para tentar contra-atacar minha resposta, mas eu o calei ao arremessar um dos livros em suas mãos, vendo-o fazer malabarismo para tentar segurar o mesmo antes que ele fosse de encontro ao chão.

_Página 68; copie a fórmula toda e tente resolvê-la. Vou buscar nossa próxima tarefa._alertei indicando a sessão de História onde, com alguma ajuda divina, eu encontraria um bom exemplar sobre Micro História.

_Ei, não pode me deixar com isso aqui. É perigoso!_falou segurando o livro com temor evidente nos olhos.

Não consegui evitar rir da forma que ele afastava o corpo do exemplar, como se esse pudesse mordê-lo a qualquer segundo.

_Não seja exagerado, Baekhyun._reclamei me afastando e ouvindo, sendo repreendido pela bibliotecária em seguida, Baekhyun gritar em devolutiva:

_Já falei para me chamar de Baek!

Longe das reclamações incansáveis de Baekhyun e de toda aura impaciente que o rodeava, me vi relaxar em meio ao silêncio das prateleiras, os dedos passeando pelas lombadas dos livros com familiaridade; no fim das contas era isso que eu me lembraria dali à alguns meses quando finalmente estivesse livre de tudo aquilo: da biblioteca da escola e, por mais estranho que houvesse se tornado, de Baekhyun.

_Procurando por isso?_há alguns passos de distância, camuflado pela altura exacerbada das estantes que nos revestiam, Kim Jongdae segurava um exemplar de “O queijo e os vermes”, de Carlo Ginzburg, com um sorriso pequeno no rosto, um que não era nem de longe seu melhor sorriso, mas que me fazia nostálgico perante um tempo que tudo que eu precisava era observar, quieto, o canto de seus lábios, sempre tão característicos, se erguerem voluntariamente. Sempre parecendo procurar sorrir para todos por obrigação e raramente como algo espontâneo.

Respirei fundo e caminhei, com uma calma que eu nem sabia ser possuidor, para perto do Kim, agradecendo ao ter o livro depositado em uma de minhas mãos.

_Obrigado._agradeci pronto para me afastar com a mesma facilidade que me aproximei, mas sendo detido por uma única palavra; uma que eu jamais imaginara soar por entre aqueles lábios.

_Desculpe.

Meus olhos estavam baixos e me forcei a realmente repetir aquela palavra em minha mente, procurando um sentido pra ela.

Estava ele se desculpando por ter me ignorado? Por não ter perguntado o motivo do confronto com sua prima ou por, simplesmente, sentir que me devia desculpas pelos atos impulsivos dela?

Ergui o rosto, tentando fingir neutralidade; tentando encontrar, mesmo que às cegas, um botão que me tornasse calmo perante aquele olhar profundo que agora Jongdae me direcionava depois de meses em silêncio absoluto.

_Não sei por que deveria lhe desculpar..._disse com um sorriso fraco, a voz tremendo no fim da frase e denunciando que sim, que eu sabia do que ele falava, mas não, eu não queria tornar a levantar aquele assunto, principalmente quando tudo estava quase que esquecido no passado.

Pela primeira vez na vida constatei algo inacreditável e que, apesar de soar como um alívio, também se tornava doloroso: Kim jongdae não sorria.

O garoto prodígio e amado por todos, cujo o sorriso sempre estava alargado, fosse qual fosse a situação, agora se mantinha com a ausência dele. Revelando um Kim Jongdae que eu nunca vira, mesmo após anos de analise minuciosa.

_Pare com isso._pedi, ouvindo o eco de um choro em minha voz baixa; aquela dor que estava amenizada, não esquecida, mas amenizada nos recônditos de meu coração, parecendo se soltar; contente pelas amarras que vinham ao chão, enquanto preenchia-me por inteiro_Você não tem o direito, Kim Jongdae._sussurrei, sentindo meus olhos marejarem; sentindo que por mais que eu desejasse permanecer em pé, ali estava eu: sendo soterrado novamente.

_Eu não tenho o direito de lhe pedir desculpas. Eu tenho o dever!_frisou, seus olhos tristes me encarando com um sentimento novo ali; um que sempre imaginara existir, mas que jamais quisera, de fato, presenciar. Ele estava triste; Jongdae não apenas vivia de sorrisos e felicidade, havia dor em seus olhos e observá-la tomar forma era angustiante num nível que nunca julguei ser possível.

_Não estou falando disso; desculpas não me interessam._soltei, sentindo a lateral do meu rosto tornar-se uma corrente ininterrupta de lágrimas.

Jongdae me olhou confuso, dando dois passos em minha direção e recebendo o mesmo número como recuo.

_Você não tem o direito, Jongdae. Não tem o direito de parar de sorrir. Não por mim._acusei. Era uma resposta estúpida, mas era o que estava sentindo: culpa; culpa por fazê-lo ter que abandonar seu ar sempre feliz e contagiante por culpa de alguém como eu; de alguém que o havia envolvido em algo que ele nem imaginava a dimensão.

Preparei-me para virar e fugir; correr como o garotinho que me sentia e me esconder em algum outro porto seguro; um que Jongdae não teria a chance de encontrar. Mas, como em toda situação clichê quanto aquela, fui interrompido pelo toque suave dele em minhas mãos; um toque que tanto ansiei e que agora me debatia para me ver livre.

_Me solte, Jongdae!_pedi num fio de voz, concentrando toda a minha força para me ver livre daquelas mãos em forma de algemas.

_Não; não posso!

E, agindo como o perfeito idiota que dá esperanças a uma criança ávida por apenas uma pincelada de fé, Jongdae fez a única coisa que poderia ter o poder de me prender a si sem contestação.

Minhas mãos forçaram o peito dele, mas elas eram como armas com defeito: poderiam se ver livres, mas não desejavam.

Com as lágrimas manchando seu uniforme sempre impecável, me vi tendo o corpo imobilizado a um abraço; um que reconfortava e mentia que tudo iria ficar bem. Que dizia que minha luta sozinho havia chegado ao fim e que, finalmente, eu poderia me apoiar em alguém.

_Me perdoa, Minseok._e ali, naquela pequena frase, ele revelava tantas coisas não ditas que meu coração saltitou e abalou-se ao mesmo tempo, porque havia felicidade ali, mas também o misto de traição. Jongdae sabia do que eu sentia, mas não havia feito nada sobre. Independente se sentia o mesmo ou não.

Patético.

Eu me sentia completamente patético naquele segundo, mas a única coisa que fiz, mesmo sabendo que me arrependeria assim que colocasse meus pensamentos no eixo novamente, foi retribuir o abraço, me grudando a ele como um náufrago a um bote salva-vidas. Porque era isso que eu precisava: de alguém que me trouxesse à vida.


Notas Finais


Queria deixar aqui meu agradecimento à XiuHan que foi a primeira a ler, favoritar e comentar, graças aos céus você não fechou o Spirit ontem antes de dar uma chance à First Time, Xiuhan kkk <3

E queria deixar meu agradecimento à pessoa que é responsável por quase 100% das histórias postadas, porque sem o apoio dela e o carinho sem igual nada nunca sairia do papel. Xiugi, obrigada por sempre estar ao meu lado, amiga <3

Beijão pessoas, nos vemos no próximo??? ;*


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