História Flashback - Capítulo 32


Escrita por: ~

Postado
Categorias Diabolik Lovers
Personagens Ayato Sakamaki, Beatrix, Christa, Cordelia, Kanato Sakamaki, Laito Sakamaki, Personagens Originais, Reiji Sakamaki, Seiji Komori, Shu Sakamaki, Subaru Sakamaki, Tougo Sakamaki "Karlheinz"
Tags Ayato, Diabolik Lovers, Escolar, Sakamaki Brothers, Shoujo, Sobrenatural, Vampiros, Yui
Exibições 83
Palavras 9.844
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Escolar, Famí­lia, Ficção, Hentai, Mistério, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Violência, Visual Novel
Avisos: Adultério, Álcool, Canibalismo, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Spoilers, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


GENTENEY! VOLTEI!!
DESCULPA! EU DISSE QUE IA POSTAR QUINTA, MAS ACONTECEU TANTA COISA QUE ME ATRAPALHOU ATÉ O TALO DO C*!

Enfim, tô aqui!

NÃO FAÇO A MÍNIMA IDEIA DE QUANTAS PALAVRAS TEM ESSE CAP! PQ ESCREVI PELO CELULAR! ALIÁS, MEU PC PIFOU DE VEZ E EU MANDEI PRA ARRUMAR, POR ISSO, TALVEZ O PRÓXIMO CAP DEMORE.

"Ah, mas já tava demorando pakas, sua vadia! "

Bom, isso aconteceu pq eu estava num período CRÍTICO da escola e meu PC quebrou como eu já disse um bilhão novecentos e noventa e sete mil quinhentas e quarenta e uma vezes.

Capítulo 32 - Três garotas e uma garrafa de Whiskey


Fanfic / Fanfiction Flashback - Capítulo 32 - Três garotas e uma garrafa de Whiskey

Um cachorro pastor alemão latia e rosnava alto, enquanto um garoto loiro de olhos mel sacudia um pedaço de carne para ele. O cão não era normal. Nem na aparência nem nas ações. Parecia olhar o pedaço de carne não com fome, mas com um ódio anormal e possuía uma espécie de focinheira, esta não servia para impedi-lo de mostrar os dentes, ao contrário, revestia cada um deles com um material metálico. Prata. 

O garoto, que não aparentava ter mais de dezoito anos e usava uma farda comum ao local em que estava, ria. Parecia orgulhoso das reações do animal, que babava e espumava. 

— Olha para isso, Sui! — Gritou para o moreno que estava jogado em um sofá enquanto ria. 

— Tch. Cale a boca, Ren! — Kuroi gritou de volta, jogando a cabeça para trás e fechando os olhos. O moreno estava cheio de ataduras e era possível ver que seu rosto ainda não se recuperara dos socos de Subaru. — Ah, mas você não perde por esperar, Sakamaki... — Resmungou baixo, sentindo uma leve pontada no maxilar.

— Ah, qual é? É o primeiro cachorro Caçador do mundo! Dá uma chance para ele! — O loiro se aproximou do cachorro, lhe fazendo carinho. — Não é, gente? — Gritou para uma mesa próxima de Sui, onde haviam outros caçadores na mesma faixa etária, bebendo e conversando. Eles riram e assentiram para o loiro, Ren.

— Ah... — Sui revirou os olhos. — Haku, dê uma surra nesses babacas e chute a bunda deles daqui. — Falou em alto e bom som, para seu parceiro, porém o garoto também bebia na mesa e concordava com o grupo.

— Que isso, Sui? De uma chance a ele. — Bebeu mais um gole de cerveja. — Se for eficaz, vai ser mesmo o primeiro cachorro Caçador do mundo!

— É, mas quero ver você conseguir permissão para testar isso em campo, Ren! — Outro gritou.

— Quando a isso, não existem problemas. — Sui riu, maldoso. — Teste aqui mesmo. 

— Eh? Do que está falando, Sui? — Ren perguntou, confuso. — Não existem vampiros dentro da sede....

— Oh, pois segurem seus queixos que irei dar a notícia que me trouxe aqui! — Riu, fazendo Hashima revirar os olhos. — Os Sakamaki estão aqui.

Os risos e conversas pararam no mesmo instante.

— O que? — Ren perguntou, perplexo assim como todos os outros estávamos .

— É isso mesmo que vocês ouviram. — Sui se levantou, se aproximando. — Os príncipes sanguessugas estão todos aqui. E as “noivas” também. 

— Espera aí! “Noivas”? No plural? Não era para ser só uma?! — Ren questionou, irritado.

— É, esse é outro problema...

— Eles sequestraram garotas?! — Outro se levantou. — Isso viola o acordo!

— Normalmente sim — Kuroi suspirou. —, mas essas garotas se meteram onde não eram chamadas...

— Elas descobriram sobre eles? — Ren. — Mas mesmo assim, a Associação que deveria encontrá-las e convencê-las a calarem a boca!

— Esse é o problema. — Kuroi estalou as costas enquanto Hashima explicava, soltando um gemido de dor logo após. — Na época em que escreveram o contrato, os caçadores que o fizeram não pensaram nisso. Naquela tempo, todos os humanos possuíam conhecimento dos vampiros, por isso não foi necessário. — Bebeu mais um gole de cerveja. — Nenhum civil em sã consciência saíria por aí procurando vampiros.

— Desculpa, senhor “Sã consciência”! — Uma voz feminina foi ouvida, chamando a atenção de todos para a porta. — Eu não achei que isso aconteceria! — A garota de cabelos loiros, quase platinados, e olhos azuis invadiu a sala. 

— Aya, pare de invadir os lugares do nada. É muita falta de educaç- — A morena de olhos verdes tampou a própria boca com a mão.

— AH! Tá vendo, Mei!? Eu disse! — Aya agora estava com uma cara espantada, apontando diretamente para a morena na porta. Nenhum dos homens ali, exceto Sui e Haku, estavam entendendo. Quem eram aquelas garotas afinal? — Você está ficando muito tempo perto do Reiji. Tanto que está pegando essa mania louca de etiqueta!  

— Não é verdade! Pode parar. — Mei jogou um olhar meio que mortal para a platinada, que levantou as mãos em rendição. — Com licença, desculpem a gritaria. — Disse, também entrando na sala e se aproximando de Sui. — Aqui. — Estendeu a ele um pequeno pote de vidro, que continha pílulas brancas. — Reiji mandou que te entregasse. Vai ajudar a cicatrizar os machucados.

— Tch! Não preciso da ajuda de um vampiro! — Virou o rosto. Aya riu. — Qual a graça?!

— É que Reiji disse que sua reação seria exatamente esta. — Sorriu. — Ele também disse: “se ele realmente foi socado pelo Subaru, então deve ter, no mínimo, trincado os ossos do maxilar”. — Estendeu novamente o pote. — E, pelo que estou vendo, a guerra vai começar e você vai estar de cama ainda. — Provocou. Sui agarrou o remédio muito à contragosto. 

— E como é que eu vou saber se isso não é veneno?! 

— Esse é o diferencial Reiji. — Aya riu. — Você não vai saber. 

O moreno revirou os olhos, com raiva. O loiro que o acompanhava se levantou. 

— Vocês... Não pode ser.... São as garotas que eles pegaram?  

— Em carne e osso. — Aya fez um “paz e amor” com os dedos. Logo correndo para o cachorro, murmurando um “que fofo”. 

— Tudo por causa dessa maluca aí na sua frente. — Mei suspirou. — Aliás, o plano que vossa majestade arquitetou não dizia que cada uma de nós devia ficar com um Sakamaki, à fim de que eles não fizessem merda? — Levantou uma sobrancelha. 

— Éérr... Bem, sim... — A loira mordeu os lábios. — Mas, sabe, não é nada seguro ficar sozinha com Laito, sabe? 

— OH, claro e fixar sozinha com o Reiji é super seguro, ainda mais com a ligação que ele recebeu ontem que, aparentemente, virou a cabeça dele do avesso. — Rebateu. 

 

— Elas estão discutindo como se eles fossem bichinhos de estimação... — Um dos garotos na mesa sussurrou para o colega próximo. 

— Sim, é bizarro. — Respondeu. 

 

— Mas, olha, segue meu raciocínio: O Laito tem menos chances de fazer merda, já que o Ayato está desacord-

— Quem está desacordado? — A voz grave veio da porta, chamando toda a atenção. 

Assim que viram o ruivo de olhos Jade, todos os caçadores da sala se levantaram, apontando as armas para ele. O cachorro rosnou, expondo os dentes. Ayato continuava vestindo o mesmo que antes, apenas a calça de moletom cinza, mas dessa vez trazia uma garrafa de whiskey meio vazia em uma das mãos. 

— Ayato! — Aya disse, como se o ruivo fosse um fantasma. — Você não morreu! 

— Que? Morrer? Quem você acha que eu sou? — “Apesar de que não faz nem duas horas que eu pensava a mesma coisa...” Virou a garrafa na boca, engolindo o líquido amargo em goladas. 

— Desgraçado! O que faz aqui?! Quer brigar?!  — Ren cuspiu as palavras começando a andar em direção ao vampiro com a espada em mãos, mas foi parado por Kuma, que se levantou ao mesmo tempo. 

— Eu? Sozinho? Contra vocês todos? — Ayato perguntou, irônico, novamente entornando a garrafa. — Parece divertido, mas passo. É muito feio humilhar os mais fracos. — Sorriu.

Ren trincou os dentes, junto dos outros. — Falar você fala, mas o estado do seu corpo mão está muito bom, não é mesmo? — Provocou. — Quem te surrou? Essa pessoa deve ser um monstro! — Ironizou. 

— Foi uma garota. — Bebeu mais um gole. Ren e os outros riram. Aya, Mei, Sui e Kuma ficaram sérios. — É verdade. Komori Yui. Esse nome não lembra à vocês nada? — Provocou, deixando todos eles sérios. 

— Você.... Alguém como você não tem direito de pronunciar esse nome!! — Ren gritou e Sui trincou os dentes, sabendo que a provocação era direcionada à ele. 

— Aham, pode deixar. — Ayato riu, estalando o pescoço. — De qualquer forma, teremos que lutar juntos, então, vamos ser amiguinhos, sim? Bye, bye~ — Deu as costas e saiu. 

— Mas que filho da... — O loiro começou a praguejar, mas foi interrompido pelo moreno que, simplesmente, pegou a cadeira que Hashima se sentava e arremessou contra a parede, a transformando em milhares de lascas de madeira, assustando a todos. Sua respiração estava pesada e seus olhos cheios de ódio. 

— Então... — Aya começou. — Acho que acabei de ouvir a voz do Laito me chamando! Tchau! — E correu. 

— Vou voltar.  — Mei suspirou. — Se não é capaz de Reiji arrancar minha cabeça fora... — Os garotos levantaram as sobrancelhas enquanto ela saía da sala. A garota não parecia estar brincando. 

— Tch. Foda-se! — Ren andou até a saída rapidamente. — Vem, Ryan! — Chamou o cachorro, que o atendeu prontamente. 

— Ren, me espere! — Outro rapaz gritou, correndo atrás do loiro. Esse possuía cabelos escuros como carvão e olhos cinzas. 

Hashima suspirou. — Isso não vai dar certo... — Murmurou. 

— Raios, que inferno. Quero que essa merda de acordo pegue fogo e se explora. — Ren murmurava pelos corredores, enquanto Ryan o acompanhava, prestando atenção em seu dono. — Lutar ao lado de vampiros!? Onde o Comandante está com a cabeça!? 

— Ren! — Escutou a voz do companheiro o chamar, porém a ignorou, adentrando outra sala, maior e com algumas mobílias. — Ren!! — O outro gritou novamente, dessa vez irritando o loiro. 

— Mas que inferno! Será que dá para parar de gritar a Porra do meu nome!? — Gritou de volta, fazendo o moreno, que já estava próximo, fechar os olhos e inclinar a cabeça para trás. 

— Como é barulhento... — Um murmúrio veio do outro lado da sala. 

Ren se virou e procurou quem havia falado,  como não o havia visto antes? Logo avistou o dono da voz, sentado confortavelmente em um dos sofás, e quase teve um infarto. Sakamaki Shuu estava ali, em carne e osso. O filho mais velho e sucessor de Karlheinz estava parado ali, de olhos fechados e silencioso como um cadáver. Ren rapidamente olhou para a pequena pedra azul em seu cinto. Ela quase entrava em combustão espontânea. 

Antes que pudesse fazer qualquer coisa, Ryan começou a latir loucamente, saindo em disparada na direção do vampiro loiro. Ren arregalou os olhos. 

— Não, Ryan! — Gritou, já vendo o pobre cachorro sendo morto. Tentou correr para segurá-lo, mas o moreno lhe parou. 

O pastor alemão ignorou o dono completamente, correndo sem um pingo de medo em direção ao vampiro. Shuu, ao sentir a aproximação, abriu os olhos, vendo o animal correr em sua direção com velocidade. 

Inesperadamente, o cão parou em frente ao vampiro, encarando as ordens azuis por vários segundos, para depois se sentar e passar a para dianteira esquerda pelo focinho, tentando retirar a focinheira, ganindo meio triste. O loiro levantou uma sobrancelha, levando as mãos até a cabeça do cachorro, desafivelando e retirando o equipamento de prata. Assim que se viu livre das tiras de couro, Ryan deu um latido alegre e um pulinho, dando uma pequena volta em torno de si mesmo enquanto abanava o rabo. 

Encarou o loiro por mais alguns segundos e logo tomou um pequeno impulso, apoiando as patas nas coxas de Shuu e dando uma enorme lambida em seu rosto, o fazendo fechar os olhos. O vampiro estava surpreso com a ação do cachorro, sua expressão dizia tudo. 

Agora ele mata meu cachorro...” Pensou, Ren, que já tinha quase desmaiado umas duas vezes. Amava tanto aquele cachorro que o considerava seu próprio filho. A preocupação o estava matando, mas a próxima expressão que dominou seu rosto foi espanto, quando o loiro que antes parecia um mar de frieza soltou uma gostosa risada e acariciou o animal.

Após uns segundos, parou. Shuu desviou os olhos para outro canto da sala, onde havia uma porta. Um sorriso sacana surgiu por milésimos de segundos no rosto pálido. 

— Tenho que ir agora. — Acariciou Ryan novamente, se levantou e seguiu em direção à porta, deixando para trás dois Caçadores muito surpresos e um cachorro que abanava o rabo. 

 

 

ו×

 

 

Reiji suspirou novamente. Estava tentando aperfeiçoar o composto que estava usando para curar Ayato, Laito e Subaru, mas a porcaria da verbena não estava cooperando. A plantinha tinha mais interesse em matar do que ajudar vampiros e parecia não querer mudar de ideia. Mesmo que atrasasse a regeneração, infelizmente era o único ingrediente do mundo humano que podia os ajudar a se curarem sozinhos, parando o envenenamento. Garras de demônios são venenosas, você não sabia? 

O melhor dos três era Laito, depois Subaru e por último Ayato. A parte boa para o albino é que retirar magia do sangue é muito mais fácil do que o veneno de um demônio. Mas magia em grande quantidade pode complicar a situação. Ah... Aquela bruxa e Yui capricharam... 

Retirou os óculos e massageou onde ele antes se apoiava, exasperado pelo contínuo fracasso. Sua cabeça estava doendo. E tudo por culpa daquele cara. Não estaria tão irritado à ponto de não se controlar se não tivesse recebido aquela maldita ligação. Por outro lado estava até sendo divertido usar seus irmãozinhos de cobaias. 

Soltou uma leve risada nasal, ao mesmo tempo que a porta de sua sala era aberta. Logo o cheiro de Mei impregnou suas narinas e ele direcionou seus olhos à menina, que tinha uma expressão surpresa. 

— E não é que você sabe rir? — Sorriu, provocando levemente. 

Humana abusada. Estava se aproveitando do fato de estarem dentro de uma das sedes da Associação para o provocar sempre que podia. Mal sabia ela que iriam voltar para a Mansão mais cedo do que imaginava. 

— Suponho que saiba bater, Srt. Hanano. — Alfinetou, a encarando novamente, e aguardou que ela o respondesse, para adicionar mais um castigo na sua “lista de punições da Mei”. 

Mas a moça não respondeu, parecia hipnotizada. Reiji a olhou com estranheza, franzindo o cenho levemente. Os olhos dela estavam fixos nos seus e... “Ah!” Pensou. “Meus óculos...” Abaixou o olhar para a mesa, onde o objeto estava e estendeu a mão direita para pegá-lo. Passos leves ecoaram pela sala, o fazendo desviar a atenção. Uma mão segurou a sua, impedindo que pegasse os óculos. 

— O que pensa que está fazendo? — Encarou Mei, incisivo. Queria saber de onde aquela garota imunda tirou a ideia de que podia parar suas ações quando bem quisesse. 

— Porque usa óculos? — Respondeu a pergunta com outra pergunta. Reiji arqueou as sobrancelhas. — Não precisa deles, precisa? — Seus olhos continuavam fixos nos dele, analisando a cor rara de perto. O moreno suspirou, estava sem tempo para discutir. 

— Não, não preciso. — Respondeu. — Mas eles, geralmente, causam esse efeito. Por isso os uso. — Continuou a encarando. 

— Que efeito...? — Só faltava babar. 

Reiji suspirou novamente, mas decidiu se aproveitar da situação. Deu um meio sorriso, andando para frente enquanto empurrava Mei para trás devagar, até prensa-la contra a estante. Era perigoso fazê-la gritar ali, mas já que estava tão submissa, e por atos desrespeitosos passados, merecia uma punição. Olhou de canto para a porta, conferindo se estava trancada. 

Para seu espanto, mãos macias viraram seu rosto de volta e profundos olhos verdes voltaram a encará-lo diretamente. 

— Seus olhos são tão lindos... — Mei sussurrou, encantada. — A cor deles é diferente... — Sorriu. — Combina com você.... 

Reiji levantou uma sobrancelha e estreitou os olhos. Para ele, alguém que foi deixado de lado a vida toda, receber elogios era incomum, mesmo que fossem sobre algo como sua aparência. Geralmente ele afastava as garotas da escola com sua postura séria, quanto as vampiras dos bailes, compreendia-os por pura provocação ou interesse. 

— Por que diz isso? — A olhou mais intensamente. — Me responda. —  Ordenou. 

— Não sei. — Respondeu de prontidão. — Apenas é verdade. — Passou a mão delicadamente pelos fios escuros, os colocando para trás, deixando o rosto dele mais exposto. — É tão perfeito... — Disse mais para si mesma. — Da até uma sensação estranha. — Riu. Reiji apenas assistia ela tagarelar mais que o necessário. Estranhamente não estava se irritando com a voz da morena. Aquele momento parecia relaxa-lo. Devia estar trabalhando demais. — Ei, onde aprendeu a mexer com química? Sua mãe que te ensinou? 

A expressão de Reiji endureceu. Ele levou a mão até o pescoço da morena, a enforcando contra a parede. A garota imediatamente fez uma expressão dolorida e levou as mãos até o braço do vampiro, tentando se soltar. 

— Como... notou...?! — Cuspiu as palavras o olhando com raiva. 

— Alguém hipnotizado apenas faria comentários ou diria frases sem nexo. Nunca perguntas objetivas. — Fez uma pausa. — Mas o que mais me intriga é... — Apertou mais a garota. Mei soltou um gemido em resposta. —...como está consciente de suas ações...?

Mei tentou puxar o ar, mas sem sucesso. Sem poder falar, apenas o olhou nos olhos, tentando se manter consciente. Reiji logo entendeu. 

— Hum. Lentes de contato. — A soltou. A moça caiu no chão de joelhos, tossindo ao mesmo tempo que tentava puxar o ar. O vampiro se afastou, dando atenção novamente às poções multicoloridas em cima da mesa. — Não sabia que as usava. Um truque barato, digno de alguém como você. 

Mei franziu o cenho, recuperando a postura. Um leve gosto metálico estava em sua boca. Colocou um sorriso provocador nos lábios. 

— Isso é bem a sua cara, sabe? — Falou com um pouco de dificuldade ignorando a dor.

— À que se refere? — Desviou o olhar, a encarando pelo canto dos olhos. 

— Esse bullying todo com os humanos. O que será que aconteceu para iniciar todo esse seu ódio...? — Zombou. Recebendo um olhar mortal do moreno, mas antes que ele pudesse rebater, ela falou novamente. — Quer saber? Já chega. — Assumiu uma expressão séria e passou a mão pelos fios negros, os tirando do rosto. — Não queria te provocar, me desculpe. Apenas queria saber mais sobre você. — Suspirou, notando a face inexpressiva do vampiro. — Estamos trancados aqui à pelo menos três horas e a única vez que consegui falar com alguém foi quando saí para levar o remédio! Será que não pode manter um diálogo comum por, pelo menos, cinco minutos!? — Reiji continuou a encarando, com um claro “não” estampado na testa. Mei sentiu uma intensa vontade de enganá-lo, mas apenas abaixou a cabeça. — Yui-chan estava errada sobre você... — Murmurou, chamando a atenção do moreno. — Você apenas a enganou. — Disse, se virando e andando em direção à saída sem encará-lo. 

Agarrou a maçaneta com raiva pronta para sair dali, mas uma mão segurou seu pulso. Ela se virou bruscamente, pronta para gritar, mas se deparou com um Reiji de cabeça baixa. 

— O que... O que ela disse sobre mim....? — Reiji encarava o chão, sua face possuía um leve receio. A opinião de Yui sobre si mesmo parecia muito importante. E Mei percebeu isso. Por isso, decidiu dizer à ele exatamente o que a loira lhe disse. 

— Ela disse que você é muito gentil. — Fez uma pausa. — Que é inteligente e se preocupa com seu irmão, Shuu. — Reiji bateu a mão na porta atrás de Mei, fazendo um enorme barulho e assustando a morena. 

— É mentira!! — Gritou. — Não me importo com aquele inútil!! — Ela estava com medo, a expressão de Reiji era assustadora. Mesmo assim continuou. 

— Disse que se arrependia do que fez no passado. — As íris cereja se arregalaram, encarando os olhos verdes. — Mas... Mas que não tem coragem de se desculpar com ele, pois tem medo da resposta. — O vampiro piscou duas vezes, desacreditando no que ouvia. Se afastou dela devagar, negando levemente com a cabeça. 

Como Yui sabia daquilo? Como?! Ela havia entrado em sua mente? Não... Ela não possuía esse dom. Aliás, nenhum dom até o momento. Então como era possível que ela soubesse?! 

— Reiji... O que você fez...? — Mei continuava ali. — O que te atormenta tanto...? — Tentou se aproximar. 

— SAIA! — Gritou, a fazendo recuar. — Não me toque. Suma da minha frente agora mesmo. — Ordenou. — FORA!

Mei abriu rapidamente a porta, saindo dali o mais rápido que podia. 

 

 

ו×

 

 

Kanato estava sentado em uma das mesas longas e feitas de metal do refeitório. Não havia ninguém ali além dele e Teddy, que estava confortavelmente acomodado em seu colo. 

— Nee, Teddy, até quando irá me tratar assim? — Perguntou à pelúcia. 

Silêncio. 

— Eu já não aguento mais. 

Silêncio. 

— Teddy.... — Afundou o rosto no urso. — Por favor, você é meu único amigo... — Sussurrou.

 

 

... Ainda estou irritado com você. Você me esqueceu no cemitério da última vez. — Explicou, o urso. —... Não sou seu único amigo. — Teddy respondeu. — Você tem cinco irmãos. 

— Teddy! — Abraçou o urso, sorridente. Mas logo o sorriso sumiu. — Não são meus amigos. Só você é. 

Como pode saber? Vocês eram amigos quando pequenos, quando conheci você, eu me lembro. — Disse. 

— Não é verdade! — Kanato franziu o cenho. — Laito passava mais tempo com a mamãe e Ayato nunca queria sair para brincar com a gente. 

—...— Teddy suspirou mentalmente. Queria poder contar a verdade, mas isso apenas machucaria seu amigo. — Deveria, ao menos, tentar falar com eles. — Disse, por fim, recebendo o silêncio do garoto. 

 

— Kanato-kun...? — Uma voz feminina foi ouvida. Mizuki. 

— Estou falando com Teddy. O que quer? — Kanato foi rude. 

— “Não que eu queira me separar de você, Kanato-chan, mas se continuar a tratar todas as Noivas de Sacrifício de maneira rude, nunca irá se casar” — O urso riu internamente. 

— A-Ah.... Desculpe... — Gaguejou. — Não era minha intenção. 

Kanato abriu a boca para responder, mas... 

Lembre-se do que Yui-chan pediu, Kanato-chan. Seja gentil. — Teddy lembrou. Ele também gostava de Yui. Ele sabia que ela podia o ouvir — não quando chegou à mansão, seus poderes espirituais ainda não eram fortes o suficiente, apenas podia ver espíritos baixos, como Cordélia, mas após se tornar uma Vampira sua relação com o mundo espiritual havia se estreitado. —, mas não o respondia por puro respeito à Kanato. 

O vampiro bufou, mas atendeu ao pedido do urso. 

— Desculpada. — Murmurou num tom quase inaudível, mas que chegou aos ouvidos da de cabelos curtos, causando certo espanto em seu rosto. — O que deseja? — Dessa vez seu tom de voz era calmo e ele virou o rosto para encará-la. 

— “Kanato-kun muda de humor em uma velocidade assustadora...” — Mizuki pensou, dando um sorriso para o vampiro. — Nada de mais. — Respondeu com a voz aveludada. — Apenas vim preparar algo para comer e acabei por lhe encontrar. Quer comer comigo? — Ofereceu, gentil. 

— Será doce? — Kanato se mostrou interessado, tombando a cabeça levemente para o lado enquanto perguntava. Mizuki sorriu, se perguntando internamente se, por comer tantos doces, Kanato também tinha um gosto doce. Mas logo um rubor invadiu suas bochechas, ao lembrar de que já sabia a resposta para esta pergunta. Kanato tinha gosto de algodão doce. — Mizu-chan...? 

— A-Ah, claro que sim! — Desvio os pensamentos da lembrança do beijo. — Preparo o que você quiser! — Sorriu.

— Mesmo?! — Kanato parecia muito interessado, agora. Mizuki assentiu. “Parece uma criança...” Pensou, alegre. “Uma criança que bebe até a última gota de sangue de garotas e as transforma em manequins...” 

— Mas não peça nada muito difícil... Estou me sentindo meio estranha hoje, parece que tudo que faço dá errado... — Avisou, andando em direção à cozinha e sendo acompanhada pelo vampiro.  

— O que quer dizer, Mizu-chan? — Kanato perguntou. Os olhos fixos nas costas da garota. 

— Ah, não parece nada sério. Apenas estou em um dia ruim. — Respondeu, calma. Mas Kanato pode notar os curativos em seus dedos, que até então estavam escondidos atrás do corpo. 

Azar? — Perguntou Teddy. Kanato negou com a cabeça, estreitando os olhos. 

— Parece pior. — Sussurrou para o urso. 

Karma? — Teddy Tentou novamente. 

— Sim... Algo nesse nível. — Kanato suspirou. Tirar Karma de alguém era um saco. Aonde raios essa garota pegou isso?! Agora que a observava melhor, podia ver: a aura dela estava um pouco mais pesada. — Descobrirei o que é. 

— Kanato-kun, falou comigo? — Mizuki perguntou, virando levemente o rosto. 

— Como pode ver- — Kanato começou, irritado pela interrupção da conversa. 

SEJA GENTIL, DROGA! — Teddy gritou, fazendo Kanato fechar os olhos. 

— -eu estava apenas falando com Teddy, nada demais. — Sorriu gentil. 

— Ah, claro, desculpe por interromper. — Mizuki disse, se virando novamente para a frente. 

Sua capacidade de atuação me assusta, Kanato-chan. — Teddy riu sem  graça. 

— Você disse uma palavra feia. — Kanato sussurrou para o urso, enquanto se sentava na mesa circular existente na cozinha. Mizuki já estava próxima do fogão. 

Ah, claro. Me desculpe. — A pelúcia pediu. Parecia envergonhado por ter gritado aquilo. — “Ainda bem que apenas Kanato-chan pode me ouvir...” 

— E então, Kanato-kun, o que quer que eu faça? — A de olhos azuis perguntou, se virando para encarar o arroxeado. 

— Humm... O que acha, Teddy? 

Que tal uma torta de maçã? — Sugeriu. 

— Uhum. Certo. — Concordou com o urso. — Teddy disse que quer torta de maçã. 

— Certo. — Mizuki sorriu, começando a preparar a torta. — “Não é muito difícil. Vai dar tudo certo” — Pensou. 

 

Alguns minutos haviam se passado e Kanato observava as costas da garota com cuidado. Mizuki parecia diferente. Algo no jeito em que ela respirava ou na leveza dos movimentos. Aquilo o estava incomodando. 

Por outro lado, Mizuki estava completamente centrada no que fazia. Até o momento nada havia dado errado, mas ela não estava se sentindo bem cozinhando. Algo parecia estar muito errado. Piscou duas vezes e chacoalhou a cabeça para espantar tais pensamentos. Pegou uma bacia, cheia de maçãs já lavadas, e uma faca. Calmamente começou a descascar as maçãs.

Kanato-chan, não me parece uma boa ideia ela usar aquela faca... — A pelúcia comentou, mas apenas recebeu silêncio em troca. Kanato não tirava os olhos dela. 

Bastaram alguns segundos para que um desastre acontecesse. A faça escorregou da mão da garota e, no ato de pegá-la, derrubou o resto do faqueiro. Em vez de deixar que as lâminas se estatelassem no piso branco, os reflexos de Mizuki agiram mais rápido que a razão, fazendo com que ela colocasse as mãos para amortecer o impacto das lâminas afiadas. Um segundo antes do impacto, a menina notou a burrada que havia feito, fechando os olhos para fugir da dor. 

O segundo passou e a dor não veio. Sentiu algo gelado pingar na palma de suas mãos. Uma gota. Depois outra. Mizuki abriu os olhos, não acreditando no que via. Kanato estava ajoelhado à sua frente, inexpressivo. Suas mãos estavam estendidas sobre as suas e as facas atravessavam sua carne como se fosse manteiga. O sangue escuro escorria ao logo das lâminas e pingava sobre suas mãos. Teddy estava caído no chão, do outro lado da mesa. 

— K-Kanato...! — Ela não sabia o que fazer. As facas pareciam também queimar a carne do vampiro vagarosamente. — Ah, meu Deus... — Seus olhos se encheram de lágrimas. 

— Mizu-chan, por que está chorando...? — Kanato perguntou calmamente, ignorando a dor causada pelas facas. — Não se machucou.... 

— D-Desculpe.... — Secou as lágrimas vagarosamente, sujando seu rosto com um pouco do sangue que estava em duas mãos. — Posso...? — Perguntou, segurando o cabo de uma das facas. 

— Puxe-as verticalmente, por favor. — Kanato assentiu. 

Mizuki respirou fundo, tentando manter a calma, puxando as facas, uma por uma. Quando chegou à última, não podia acreditar. Seu coração queria saltar pela boca durante todo o processo. Todo o sangue dos cortes caiu sobre o avental branco que usava, o tingindo de um vermelho escuro. Por fim, puxou a última lâmina, atirando-a dentro da pia. Encarou as mãos de Kanato. Os cortes não regeneravam. 

— Por que....? Por que não está se curando....? — A de cabelos claros mordeu os lábios. 

— Não seja estúpida, Mizu-chan. — A frase de Kanato foi rude, porém seu tom de voz era aveludado. — Estamos em um ninho de caçadores, tudo aqui é feito de prata. — Explicou. — Vê o armário de parede atrás de você? Lá deve haver uma caixa de primeiros socorros. Pegue-a para mim. — A ordem disfarçada de pedido fez a garota se mover. 

Teddy assistia à tudo silenciosamente. 

— “Ah, Kanato-chan... Só por que mudou o tom de voz não significa que está sendo educado...” — Suspirou. — “Mas já é um bom começo”

Algum tempo depois, tudo já havia voltado ao normal. As mãos de Kanato foram cuidadosamente limpas e enfaixadas, e o avental ensanguentado foi jogado fora. Mizuki conseguiu terminar a torta, sempre com o vampiro ao seu lado, para impedir que mais alguma coisa desse errado. Por fim, os dois estavam comendo a torta, calmamente. 

— Nee, Mizu-chan, desde quando está se sentindo estranha? — O garoto puxou conversa. 

— Hum, acredito que desde quando acordei... Ah, na verdade acho que não.... — Se corrigiu. — Me senti mal após passar por “aquele lugar”.

— Que lugar? — Enfiou mais um pedaço de torta na boca. 

—... Não sei explicar exatamente... Parecia um pátio, mas... tinha correntes e manchas escuras no chão... — Kanato parou de mastigar. — O ar lá parecia mais pesado e eu senti frio quando passei pelo corredor...

— Como chegou até lá...? — O vampiro perguntou. 

— N-Não sei... Talvez tenha apenas me perdido...? — Kanato se levantou e pôs-se a andar em direção à saída. — Kanato-kun? 

— Venha. 

 

 

ו×

 

 

 

Assim que o loiro a encarou, Hisui fechou a porta sem fazer barulho e correu. 

— “Ai como eu sou idiota... PORQUE EU FUI FICAR ALI?!” — Brigou consigo mesma, mentalmente. — “ ‘Nossa, é o Shuu com um cachorro! Vou ficar aqui olhando, para depois me fuder! Que legal!’ ” — Ironizou. — “ Se bem que... valeu à pena, né...?”, “Eu nunca havia o visto sorrindo...” — Parou de andar lentamente, se apoiando na parede. — “O sorriso dele é lindo.” — Um sorriso Bobo estampava seu rosto. 

Sua cintura foi abraçada e o mundo passou rapidamente por ela. Alguém a havia puxado para dentro de uma das salas do corredor. 

— Pensando em mim? — A voz arrastada fez todo o sangue de seu corpo subir para o rosto. 

— C-Claro que não! E me solte! — Ordenou, se debatendo. O loiro sorriu. 

Shuu a apertou mais contra si e se abaixou, beijando sua nuca. A ruiva estremeceu. 

— Está com tanta saudade assim? Garotinha suja. — Sussurrou próximo à orelha da moça. 

— Não estou! Pode parar! — Elevou o tom, brava. — Aliás, saudade de que? Se nem consigo me lembrar de nada... — Sussurrou, mais para si mesma, mas o loiro ouviu. 

Seu corpo foi bruscamente jogado contra uma parede, suas costas arderam com o impacto. 

— Ah! — Soltou uma exclamação seguida de um suspiro, quando o corpo do loiro a prensou contra a parede. Ela tentou desviar o olhar, mas a mão masculina forçou-a à encarar os olhos azuis. 

— Não se lembra, hum? Não se preocupe... — Falou próximo ao rosto dela, seus lábios quase se tocando. — Irei refrescar sua memória. 

Mais um suspiro involuntário escapou pelos lábios rosados. Hisui chacoalhou a cabeça. O modo como ele a seduzia era alucinante. 

— Não! Pare! — Tentou se soltar, desviando o rosto. 

— Parar? Com o que? — Continuou com a voz calma. — De te lembrar como você ficou alucinada aquela noite...? Ou.... de como você se ofereceu para mim...?  — Provocou. 

— Nada disso aconteceu! — Negou. 

— Será...? — Shuu colocou um sorriso sacana nos lábios. — Vamos testar, então.... — Retirou a própria gravata, desmanchando o nó. Hisui tentou se soltar novamente. — Tente fugir e eu irei fazer você gemer alto demais. — Avisou, sua voz estava grave. Ele não estava brincando. Imediatamente a ruiva parou, engolindo em seco. Shuu calmamente pegou seus pulsos, um por um, e os prendeu juntos com a gravata, de maneira que ela não conseguisse se soltar. — Humm, vejamos... Acho que primeiro eu fiz isso. — Puxou Hisui, depois a empurrando de frente para uma mesa.

A moça caiu, se apoiando com os cotovelos sobre o móvel de madeira, evitando bater o rosto. 

— Que droga! Isso definitivamente não acontece-!!! — Se calou quando sentiu o vampiro lhe encoxar, a apertando contra a mesa. O rubor novamente tomou conta de seu rosto. 

— Ah, aconteceu sim.... — Se debruçou sobre ela, mordendo levemente o lóbulo. — Mas daquela vez você estava só de toalha. — Sussurrou. 

Hisui franziu o cenho e tentou chutá-lo, mas foi em vão. Tudo que conseguiu foi ser mais prensada contra a mesa.

— Ainda está me desobedecendo...? — Podia sentir o quão afiada a voz de Shuu estava, apesar de não poder ver seu rosto. Sentiu um tapa forte na coxa esquerda. 

— Ah! — Gritou, se debatendo. O loiro a apertou contra a mesa, mantendo uma mão em suas costas. Mais um tapa veio. — Certo! Já entendi! Vou ficar quieta! — Parou de se debater, apoiando o rosto na mesa. 

— Só isso? — Deslizou a mão até sua bunda, onde apertou com força. — Diga que irá me obedecer. 

Hisui reprimiu um gemido. Ela sabia que transar com o loiro era errado. Sabia que estava sendo enganada. Mas seu corpo queria outra coisa... 

— Vou te obedecer. — Soltou o ar. 

— Boa garota. — Shuu mordeu os lábios. Aquilo estava ficando melhor do que imaginava. Quem diria que em um momento de tanto tédio poderia se divertir tanto de maneiras diferentes.... A puxou pelas mãos, a empurrando novamente contra a parede. Puxou seus punhos para cima, enganchando a algema improvisada num castiçal que havia ali. Hisui ficou nas pontas dos pés. — Sua primeira ordem é ficar quietinha. Você só tem permissão para gemer. Entendeu? — Ela não respondeu. Shuu se aproximou e mordeu o lábio inferior dela, o puxando com um pouco de força. — Entendeu? — Perguntou novamente. 

— Sim. — Assentiu, muito mais corada que antes. 

— Ótimo. — Mordeu a linha do maxilar levemente, causando um arrepio. Seguindo para o pescoço onde cravou as presas, recebendo um gemido abafado em resposta. Bebeu um pouco do sangue, logo retirando as presas, deixando que grande parte dele escorresse. — Ah, me lembrei de algo... Acredito que seja nessa parte que você me chama de “Shuuzinho”. 

— Q-QUE?! — Recebeu um tapa na coxa. — Hum!

— Isso mesmo... Depois você me disse para limpar seus seios... — Estourou os botões da camisa que ela usava, deixando o sutiã que ia do azul ao roxo exposto. 

Hisui olhou para baixo, vendo o sangue escorrer preguiçosamente por entre seus seios. Logo ela estava negando com a cabeça, com uma enorme vontade de gritar “não” e morrendo de vergonha. 

— Ah, mas não estávamos nessa posição... — Shuu colocou a mão no queixo, como se tentasse se lembrar. — Era mais ou menos assim. — Segurou as coxas da ruiva, uma com cada mão, as puxando para rodear sua cintura. Abaixou a cabeça, começando a lamber o sangue, desde a curva do pescoço até os seios, deixando algumas mordidas e chupões pelo caminho. 

Tudo que a moça fazia era ofegar e gemer baixo. Sua pele ficaria inteiramente marcada, mas quem se importa? Estava tão preocupada em sentir que esqueceu de gritar para que ele parasse.

Mesmo assim, de nada adiantaria. Shuu Sakamaki parecia ser todas as sensações prazerosas do mundo compactadas e espremidas no formato de um vampiro lindo. Infinitamente lindo. 

Aquilo a desconcertava e fazia odiar a si mesma por se entregar tão facilmente. Não tinha nem mesmo forças para arranjar uma desculpa ruim para seu consentimento. Portanto, mesmo que algo saísse de seus lábios, já não se palavras contra o loiro.

Presas cativas não podem ser ajudadas.

 

 

ו×

 

 

 

Aya correu tanto que quase se perdeu, mas por sorte — ou ironia do destino — acabou bem na porta do aposento temporário do vampiro pervertido. Nem ela mesma sabe explicar o porque, mas sentiu que deveria abrir a porta. Deveria falar com Laito. Não sabia por que. Mas precisava falar com ele. 

Encorajada por estar em um lugar cheio de gente armada e perigosa, pronta para meter um tiro na cabeça do primeiro vampiro que representasse ameaça, e por seu estresse causado pelos gosmas pretas — demônios baixos — ter diminuído (os slimes góticos resolveram sumir. Todos eles.), levantou a mão e segurou a maçaneta da porta, a abrindo logo em seguida, com um “click”. 

Seus olhos foram direto para a cama, onde Laito estava deitado e parecia dormir tranquilamente. Ela nunca havia o visto dormindo, por isso fechou a porta em completo silêncio e se aproximou. 

O ruivo estava sem chapéu e segurava uma revista de palavras causadas contra o peito. Vestia uma calça preta comprida e uma camisa branca simples para fora da calça e desabotoada nas mangas. Sua mão direita estava enfaixada e parecia que as bandagens cobriam seu braço todo. Estava descalço, mas o sapatênis se encontravam ao lado da cama. Aya nunca havia tido tempo pra observar direito como o rosto do Sakamaki ficava mais bonito sem o chapeu e a franja o cobrindo. Logo notou que ele não respirava, mas isso já era de se esperar. Sentiu vontade se ser Ayka e poder, apenas com um lápis e uma folha em branco, retratar aquela cena. 

Notou como, apesar de Laito ser um menino, os contornos do rosto dele eram finos e perfeitos. Pensou se o sinal do lado direito da boca era exclusivamente dele. Se não, de quem o havia herdado? Mãe? Pai? Sem notar fez uma lista mental de tudo que sabia sobre Laito, ou seja, quase nada. Ficou tanto tempo divagando em pensamentos e tentando adivinhar o passado do ser à sua frente que mal que ele já havia sentido sua presença, acordado, e agora a encarava com um sorriso presunçoso no rosto.

Só acordou quando sentiu a mão dele deslizar por seu rosto, percorrendo uma mecha do cabelo claro até a ponta e a enrolando no dedo.

— Hum~ Chilly-chan está pensando em coisas pervertidas enquanto me observa dormindo... — Contornou os lábios dela com o dedão, segurando seu queixo, mordendo os lábios.

— Não é nada disso! — Engoliu as palavras que iria gaguejar, enquanto suas bochechas adquiriam um tom rosado. — Você nasceu um pervertido completo ou fez curso para se especializar?! — Fez Laito rir. Revirou os olhos. — É um babaca também... — Resmungou. 

O silêncio se fez presente. Seu pulso foi agarrado e o mundo passou rápido por ela, até suas costas baterem contra o colchão macio. Laito estava por cima dela, a prendendo contra a cama.

— Moo~ Chilly-chan está sendo muito malvada. — Fez bico, fingindo tristeza. 

— Aé? Pois eu acho que posso ser muito mais má! — Tentou soltar os pulsos presos contra o colchão. Laito riu e enfiou o rosto na curva de seus pescoço, cheirando o local e fazendo Aya se arrepiar.

— Ah~ Não seja má~ — Sussurrou manhoso contra a orelha da moça. — Estou doente sabia?~ — As mãos de Laito soltaram seus pulsos e agora se preocupavam em abraçar sua cintura. — Reiji me fez beber algo amargo~ 

Aya, apesar de ter suas mãos livres, não conseguiu se mexer. O peso do vampiro sobre si não permitia, mas também era a primeira vez que o ruivo parecia realmente mal. Temia que as mãos dele escorregassem para outros lugares, mas ele não superar mexeu. Talvez, para Laito, aquilo fracasse apenas um simples abraço. Apesar das ações, ele não havia a ameaçado como antes. Por algum motivo sentia verdade na palavras do vampiro e, como se para confirmar o que ele havia dito, acabou por enxergar um copo sobre a mesinha de cabeceira. Estava sujo por algumas substância rosada, virado para o roxo.

Devagar, esticou a mão direita e pegou o copo, cheirando. O estranho líquido tinha um cheiro ótimo, como algum tipo de flor rara.

— Hey, Laito, olhe para mim. — Chamou, esperando que o ruivo tirasse o rosto de seu pescoço. Sua bochecha esquerda estava até mesmo mais corada que a direita, pelos arrepios. 

— Hum...? — O ruivo se virou, encarando-a bem perto, seus narizes quase se tocavam. 

Mas a situação não intimidou Aya. Com a maior naturalidade possível, segurou o rosto dele com uma mão, o levantando e fazendo o mesmo processo que fez com o copo nos lábios do rapaz. O mesmo cheiro exótico estava ali, provando que ele realmente havia ingerido algo.

Quando soltou seu rosto, Laito fez uma expressão confusa, que logo tratou de mudar para uma triste com um biquinho. 

— Ah, que cruel... — Resmungou, manhoso. Suas bochechas estavam coradas levemente. — Pensei que iria ganhar um beijo da Chilly-chan, mas você me enganou~

— He?! De onde tirou que eu iria beijar você?! — Gritou, indignada e corada.

— Ah, vamos lá~ — Riu devagar, se apoiando com as mãos no colchão. — Há um tempo, diziam que se você ganhar um beijo de uma linda garota, será curado. — Voltou a brincar com as mechas do cabelo comprido. 

O que era aquilo? O que ele estava dizendo? Laito a achava bonita...?

— Você está mentindo. — Falou, seria. — Não tem como alguém como eu, que arromba cadeados e fechaduras como um ladrão, ser bonita. — Desviou os olhos.

— Ai, ai. O que fazer com uma garota que perdeu a noção e acredita que é culpada de todas as ofensas que os outros dizem...? — Laito bateu os dedos contra o queixo, como se pensasse em algo muito complicado. Alguns segundos depois, levantou as sobrancelhas e sorriu, fazendo a típica expressão de quem encontrou a solução. — Nee, Chilly-chan, o que você acha sobre mim?

—... — Mordeu os lábios. “Onde ele quer chegar..?” 

— Vamos lá, pode dizer. Não vou me irritar, seja sincera. — Encorajou-a. 

— Que você é um safado e mentiroso. 

— Não precisava ser tão sincera, na verdade. — Riu. — E fisicamente? — Foi a vez do ruivo morder os lábios, esperando que ela admitisse o óbvio.

—... — “Maldito, vá se ferrar...” 

— Seja sincera quanto à isso também.

—...Te odeio. — Murmurou, o fazendo rir levemente. Encarou-o para dizer as próximas palavras, se forçando a ser sincera. — Você é absurdamente lindo. Cada linha do seu rosto parece ser perfeita e única. Quase como... — Desviou os olhos, sabendo que ele riria. —...a descrição de um anjo. — Foi como pensou, ele riu. Riu muito. Mas logo recuperou o fôlego.

— Agora, baseado no que você acha da minha aparência e da minha personalidade, me diga: acha que uma interfere na outra? — O rosto da loira ficou em branco. Laito estava certo... Não tinha nada haver.... — Viu? E também, não acho essa sua... “habilidade” seja vulgar. 

— Sério...? — Mordeu os lábios. 

— Sério. — O ruivo sorriu. Aya franziu o cenho. Ele estava sendo bonzinho de mais... — Então... — O olhar de esmeralda desviou para seus lábios. —...agora ganho um beijo...? 

“Ah, então era isso” A moça suspirou.

— Não sei, não... — Ele voltou a olhá-la nos olhos. — Você está muito bonzinho para o meu gosto... 

— Ah. — Uma expressão de compreensão tomou o rosto do vampiro. — Reiji disse que a substância que ingeri poderia mudar meu humor um pouco. — Deu de ombros.

Nossa, tá na cara que vou me aproveitar disso!” Aya sorriu. “Espera... Esse bosta pode estar mentindo...” Ficou séria novamente. Enquanto ela estava divagando Laito se divertia observando suas expressões e lendo seus pensamentos. 

Chilly-chan é tão fofa... Nfu~ Será que é maldade me aproveitar da distração dela...?” Pensou, lambendo os lábios. “Claro que sim.” Sorriu.

Se aproximou, enfiando o rosto n curva do pescoço dela novamente. Uma fraca exclamação saiu dos lábios rosados, mostrando que havia notado a movimentação. Mordeu de leve o lóbulo da orelha da loira, recebendo outra reação, vendo a pele se arrepiar. 

— Laito... — As mãos finas seguraram seus ombros. 

— Não seja assim, Chilly-chan... — Encaixou os lábios no pescoço dela, deixando ali um chupão. — Estou sendo tão bonzinho... Seja boazinha comigo também. — Sussurrou a última frase contra a orelha da moça, fazendo-a suspirar. 

— Não... Hum... — Puxou o ar. — Você estava mentindo- Ah! — Prendeu a respiração. — O remédio de Reiji... — Mordeu a língua levemente. —...não mudou nada seu humor...!

— Ah, não diga isso... Humor e personalidade são coisas diferentes. — Deu uma leve mordida na base do pescoço, fazendo-a apertar seus ombros, pensando que iria mordê-la de verdade. — E mais, eu não minto. — Se afastou, encarando o rosto envergonhado da moça. — Mas, como você mesma disse, eu estou “bonzinho”, então não irei te forçar a nada.

— Quem é você e o que fez com Laito? — Aya lançou u olhar como se à sua frente houvesse um alienígena estranho. 

— Nfu~ Eu sou eu. Então, me diga: o que eu tenho que fazer para ganhar um beijo seu? — Sorriu, a encarando. 

— A-Ainda está pensando nisso? — A lira revirou os olhos. 

— Sim. Na verdade estou interessado... Quanto vale um beijo seu? — Lambeu os lábios.

— Não vai me deixar sair daqui sem me beijar, não é? 

— Olha só, não é que, assim como eu estou mais bonzinho, hoje você também está mais esperta? — A loira revirou os olhos.

— Hum. — O que ela iria dizer...? Afinal, quanto um beijo valia? Aya nunca havia parado para pensar nisso. Talvez ela trocasse por alguma pergunta ou algo parecido... Sim. Essa era a melhor opção. — Façamos o seguinte: para toda a pergunta que você responder sinceramente, eu te dou um beijo. Feito? — Estendeu a mão.

— Feito. — O ruivo apertou sua mão por alguns segundos, se apoiando com apenas uma delas no colchão, para depois voltá-la ao mesmo lugar. — Qual a pergunta?

— Calma, deixa eu ver.... — A loira pensou no que perguntar primeiro. Se seria sobre aquelas coisas pretas que agora ela podia ver e o porque de começar a vê-las; ou se seria sobre o passado dele. Depois de ver a filmagem onde Ayato perdia um olho, ela começou a pensar se o mesmo não teria acontecido com Laito, ou pelo menos algo parecido. Mas como ela não sabia nada sobre o passado dele que veio diretamente de sua boca, concluiu que Laito não gostava de tocar nesse assunto, deixando essas perguntas para o fim. Porém ainda queria saber mais sobre ele... Hum... O que deveria pergunt- — Ah! Já sei! — Sorriu. — Sakamaki Laito, quantos anos você tem?

O ruivo pareceu surpreso com a pergunta, mas logo sorriu.

— Dezesseis, não é óbvio?

— Não insulte minha inteligência. — “Nenhum rapaz com dezesseis anos beijaria tão bem” 

— Certo, certo... — Riu. — Tem certeza que deseja trocar um beijo por um número?

— Hum... Parece que alguém está tentando me enrolar.... — O encarou. — Que parte do “responda com sinceridade” você não entendeu?

— Moo~ É que depois que eu contar, você me verá como um estuprador...

— Não se preocupe. Já vejo você assim.

— Ai.

— Só responda droga! — Laito desviou o olhar. Aya até sentiu vontade de limpar os olhos para checar se não era ilusão. O vampiro suspirou.

— Karlheinz, nosso pai, tem em torno de dois mil anos. — Aya arregalou os olhos. “Dois mil anos?! Isso é tempo pra caralho!” — E é só isso que vou dizer.

— Hey! Isso não significa nada! Não dá para estimar sua idade com isso, Sr. Tenho-dezesseis-anos! — Uma expressão de derrota surgiu no rosto do ruivo. Laito então se abaixou até a orelha de Aya e sussurrou a resposta que ela queria.

—... PUTA QUE P- — Seu grito foi calado por um beijo. Sua boca foi invadida com voracidade e suas mãos foram para os ombros do rapaz novamente. — Mmm... 

Laito não teve piedade dela. Mais que imediatamente se preocupou em tirar-lhe o fôlego e também as palavras. Não havia tempo para nenhuma reação, a loira estava completamente rendida. A língua hábil explorava sua boca e brigava com a sua por espaço. Uma mão fria apertou sua coxa após deslizar sobre sua cintura.

— Ah... — Aya puxou o ar ruidosamente quando o beijo acabou, suspirando logo depois. Repetiu o ato algumas vezes, até recuperar o fôlego. Suas mãos ainda apertavam o tecido da camisa do vampiro. —...eu... — Jogou a cabeça para trás. —...eu...beijei um cara muito mais velho. — Franziu o cenho. — Desculpa mãe! — Tampou o rosto com as mãos, enquanto Laito ria.

— Que engraçada você, Chilly-chan~ — Sorriu. — Fala como se não fosse mais acontecer. — Lambeu os lábios.

 

 

 

ו×

 

 

 

— Ah... Kanato-kun... Onde estamos indo...? — Mizuki perguntou. Faziam uns vinte minutos que seguia o de cabelos violetas.

É, Kanato-chan, onde estamos indo? — Teddy ironizou. 

— Olha só, é melhor calar essa boca, Teddy! — Olhou irritado para o urso. Fazia vinte minutos que ele não parava de tagarelar.

Mizuki, que não sabia que Teddy realmente falava, entendeu aquilo como uma indireta para ela.

— Desculpe.... — Murmurou, abaixando a cabeça. Kanato logo notou o mal-entendido.

— Oh, Mizu-chan, eu fiquei irritado com Teddy. Não se culpe. — Explicou brevemente. — Chegamos. — Kanato parou de amar bruscamente, fazendo a moça, que andava atrás de si, se assustar. — Esse é o lugar?

A de cabelos claros levantou o olhar e logo seus olhos se arregalaram. 

— Sim, é aqui... — Passou os olhos, encarando o pátio sombrio novamente. Em silêncio analisou mais uma vez o chão manchado e os grilhões na parede oposta. Então Kanato falou:

— Mizu-chan, esse ambiente, com certeza, é o motivo de você estar se sentindo mal. — O garoto de mãos enfaixadas declarou.

—... Mas por quê? — Se aproximou, encarando-o. Kanato franziu o cenho.

— Nenhuma razão em esp-

— Porque não diz? — Uma voz masculina diferente invadiu o local. O arroxeado apertou mais o ursinho contra o peito, enfiando parcialmente rosto na pelúcia. 

— E os humanos ainda dizem que o diabo não existe... — Teddy murmurou, irritado pela chegada do outro. Lugar errado. Hora errada. Pessoa errada.

— Kuroi-san... — Os olhos femininos o encararam. — O que quer dizer?

— Esse lugar... — Sui se aproximou, parando ao lado dela e encarando o local. —...serve para executar vampiros. 

— Torturar. — Kanato corrigiu, rude.

— Tanto faz. — Sui rebateu, pegando um maço de cigarros do bolso da calça, o balançando algumas vezes para que um cigarro saísse alguns centímetros e o pegando com a boca. — Todos morrem no fim, mesmo.

A resposta desinteressada do moreno incomodou a menor.

— Como pode dizer isto?! — O olhou, indignada. 

— Como você pode dizer isto? — Rebateu, calmo, enquanto acendia o cigarro. Puxou o ar, depois soltando a fumaça lentamente. — Como pode defender alguém como ele — Desviou o olhar para o vampiro, logo o voltando para a garota. —, um monstro que já matou centenas de garotas exatamente iguais a você, tão facilmente? — Mizuki não soube responder. Kanato permanecia em silêncio.

Nisso ele está certo, Kanato-chan. — A pelúcia sentiu o aperto em si aumentar e uma aura negra deixar o ar denso. — Retiro o que disse, retiro...“Seu eu fosse esse cara, vazava. Ele não viu Kanato-chan irritado de verdade ainda.”

— A Igreja manda as garotas. — Mizuki rebateu. — Não existe nenhum tipo de herói nessa história sangrenta! — Exclamou.

— Claro que existem. Estamos aqui para escrever uma história diferente. — Mordeu a ponta do cigarro de leve, amassando parte do filtro. 

Um riso histérico irrompeu a sala, fazendo tanto a moça como o caçador se assustaram e mirarem seu causador. Kanato ria como se tivesse acabado de escutar o discurso mais furado, o pronunciamento mais infame e a piada mais engraçada. Tudo comprimido em uma única frase. Depois de algum tempo, tomou ar, ainda sentindo a sátira balançar sua respiração.

— “Escrever uma história diferente”, você diz. — Seus ombros tremeram novamente, tentando segurar a crise de risos. — É incrível a capacidade que vocês, humanos imundos, tem de se iludirem. — Parou de rir bruscamente, trocando de humor rapidamente. Os olhou pelo canto dos olhos. — Isso me enoja. — Cuspiu as palavras. — Falam como se fossem os donos da razão, como se tivessem consciência de tudo, como se o simples gesto de acreditar na paz e vencer uma discussão ridícula contra uma garota do ensino médio, não menos imunda que si próprio, fosse fazer alguma diferença. — Tanto Sui como Mizuki sentiram seus corpos gelarem. — Uma grande novidade para você, Kuroi-san, que se acha um “Cavaleiro Negro da Revolução”: Quem escreve a história não são os heróis e sim os vitoriosos. E, que eu saiba, não existe nenhum vencedor até agora. — Sorriu sinistramente. — Se concentre em ganhar, Kuroi-san, ou seu nome será engolido pelo tempo, assim como o de seus pais. — Riu. Kuroi sentiu o ódio subir à cabeça, seu sangue ferveu em segundos. Todo seu autocontrole caiu por terra.

— DESGRAÇADO! — Gritou. Cuspindo o cigarro ainda aceso numa direção qualquer se lançou contra o vampiro. Pegando qualquer arma que possuía no cinto para fincar no coração do monstro à sua frente. Mas tudo que conseguiu foi apunhalar o vento, já que Kanato havia desaparecido, deixando para trás apenas uma risada debochada no ar.

Mizuki suava frio enquanto Sui tentava esfriar a cabeça. As palavras de Kanato haviam a machucado muito. Na verdade, foram devastadoramente assustadoras. Ela não sabia que ele podia ser tão frio e duro. Sabia que ele era louco, mas acreditava que a explosão de personalidade fosse espontâneo. Ele apenas fazia o que queria. Era sádico e manipulador.

— Ah... — O gemido de dor masculino chamou sua atenção.

— Kuroi-san, você está bem?! — Correu preocupada em direção ao rapaz. Ele estava ajoelhado no chão e apertava as costelas com uma mão enquanto que com a outra segurava o maxilar. Ele assentiu com a cabeça.

— Apenas resultado do esforço. Ainda estou machucado da briga. — Jogou a cabeça para trás, engolindo um pouco de sangue. “Que gosto horrível” “Como eles podem gostar disso?” — Argh! — Sentiu uma pontada nas costelas. 

— Você não está nada bem! Vamos para a enfermeira agora mesmo! — A de cabelos claros ordenou, o ajudando a levantar. Estava convencida a levá-lo, mesmo que contra a vontade. Mas... — Ér... Onde, exatamente, fica a enfermaria...? Aliás... Onde estamos...? 

 

 

 

ו×

 

 

 

Batidas foram ouvidas.

— Quem é? — Subaru perguntou. Fazia um tempo que estava sozinho no quarto. Ayka havia ido embora após ouvir Mei passar chorando pela porta. Bom, pelo menos Ayka não estava mais chorando.

— Olha só, ele não morreu! — Pode ouvir a voz debochada de Ayato do outro lado da porta.

— Viu? Eu disse. — A voz de Laito veio logo depois. 

— Ah, vão embora, seus vermes! — Jogou o travesseiro contra a porta, provocando um pequeno barulho.

— Viu, Laito? Ele não quer whiskey. Eu tentei. 

— PERAE! — O albino correu até a porta, a abrindo rapidamente e dando de cara com os gêmeos ruivos. — Fala que você realmente tem Whiskey com você. — Quase suplicou, encarando o meio-irmão de cabelos curtos. 

— Aqui. — Ayato entregou a garrafa a Subaru que logo tratou de virá-la na boca, bebendo todo o resto da bebida em goladas rápidas. Assim que o líquido amargo acabou curvou o corpo para frente, soltando o ar. 

— Espera aí... — Encarou os gêmeos. — Vocês nunca me dariam whiskey... QUE PORRA TINHA NISSO?!

— Hum... Nadinha~ — Laito riu do nervosismo do caçula.

— Apenas estamos nos sentindo estranhos por conta das macumbas que Reiji nos fez beber. — Subaru não acreditou nisso. Reiji não faria isso,  faria? — Então aproveitamos essa guinada brusca de humor e viemos confraternizar com você: O último integrante dos “três patetas”. — Revirou os olhos jade. Subaru notou que Ayato ainda segurava mais uma garrafa, esta cheia.

— Agora que você disse... Estou me sentindo estranhamente calmo... — Refletiu, começando a acreditar. 

— Aham, eu vejo. É o fim do mundo~ — Laito sorriu sem os dentes. Mostrou um baralho. — Uma partida? 

— Só se eu puder socar quem perder. — Subaru brincou involuntariamente. “Caralho, eles não estão mentindo... Reiji deve ter nos feito de cobaia enquanto estávamos desacordados...”

— Acho que já estamos bem machucados... — Ayato olhou para o próprio corpo e depois para de Subaru, que estava igualmente enfaixado. Ambos se entreolharam e olharam para Laito. — É, nem todos.

 

[...]

 

Já fazia mais de uma hora que jogavam poker. Os três estavam sentados no chão: Subaru encostado na cama, Ayato na parede e Laito em lugar nenhum, já que não estava tão machucado. 

Full House, perdedores! — O albino jogou as cartas no centro da roda.

Straight Flush, irmãozinhos.  — Ayato também jogou as cartas, crente que sua mão era a maior naquela rodada. Subaru murmurou um “droga!”.

Royal Straight Flush, Bitchies! — Laito colou o leque de cartas na testa, virado para os irmãos.

— Tch. — Subaru jogou a cabeça para trás, a apoiando na cama.

— Mas que merda! Faz umas cinco rodadas que você não perde! — O ruivo mais velho bufou. — Calma aí, você está roubando, seu safado! — Encarou o irmão com raiva.

— Hahaha. — Laito riu. — Não sei de nada~ Nfu~

 

Vozes femininas se aproximavam. A porta foi aberta.

— Nee, Kamia-chan está se sentindo mel- — A garota da frente, a morena de olhos escuros travou, assim como as outras duas que que vinham com ela: outra morena, porém de olhos claros, e uma loira de olhos chocolate, que possuía as pontas do cabelo tingidas de roxo. 

Todos se encararam, estáticos, por uns segundos.

— A-Acho que errei o quarto, desc- — Falou novamente, já saindo. 

— Calma aí, calma aí! — Laito se levantou correndo, falando um pouco rápido por conta da quantidade de bebida ingerida. Se aproximou delas, segurando a porta que estava quase fechada. — Será que vocês, lindas e gentis damas, não poderiam fazer um favor para a gente?

A morena que ainda não havia falado o fez, franzindo o cenho. — E o que seria...? 

— Comprar mais uma garrafa de whiskey...? — Respondeu, meio que perguntando, se apoiando no batente da porta.

— Nem à p- — A morena de olhos escuros tampou a boca da outra, a arrastando para o outro lado do credor, sendo acompanhada da loira. — Que isso?! — Resmungou quando foi solta.

— Pirou?! — Deu um “grito sussurrado” 

— É! Não tá vendo que eles são lindos de morrer!? — A loira fez o mesmo.

— É porque são vampiros, dãhn! — A de olhos claros rebateu. — E como não estão nem algemados, nem mortos devem ser os Sakamaki.

— E daí?! Aliás, melhor ainda! São lindos e príncipes! — A loira riu.

— E assassinos. — Rebateu a morena.

— Mas quando é que vamos ter chance de beijar eles de novo? Provavelmente nunca! Quer ver o que você está perdendo? Fecha os olhos e se lembre dos poucos segundos que você os encarou. — A de olhos claros fez, logo se arrependendo. Suas bochechas se tornaram rosas. — Admita, você está interessada.

— Ai... Tá, é verdade, são lindos. — Desviou os olhos. 

— Nossa, olha como ela paga de Santa... — A loira provocou, fazendo a morena de olhos escuros rir. 

— Certo, vamos lá. — A que bateu na porta se aproximou novamente de Laito. Este, brincava com seu chapéu, mas logo o colocou novamente na cabeça. — Nós vamos comprar. — O ruivo sorriu, tirando o dinheiro do bolso e entregando. — Mas vamos cobrar. — Sorriu sapeca.

— Oh... — Laito notou logo de cara. — O que um simples plebeu como eu poderia fornecer que lhe agradasse? — Se curvou, retirando o chapeu em reverência. A morena, ousada, se abaixou também, colando a boca à orelha do ruivo.

— Acho que você já sabe o que é. — Sussurrou, se afastando rapidamente e puxando as amigas junto.

O ruivo continuou curvado.

— Laito? Morreu? — Ayato chamou.

— Não... Mas achei diversão... — Mordeu os lábios. 

 

[...] 

 

— Nós temos problemas mentais, só pode. — Reclamou a morena de olhos claros. As três estavam em uma loja de bebidas, agradecendo à Deus por conhecerem o dono da loja.

— Aqui, Vossa Majestade. — Entregou a garrafa de bebida, brincando com a loira. — Mais alguma coisa?

— Hum, sim meu escravo. Quero uma caixa de calmante. — Fez as outras duas arregalarem os olhos.

— Você vai drogas alguém? — Riu, pegando o requisitado.

— Quem sabe...

 

 

 

ו×

 

 

 

— Ayka-chan, tem certeza que o caminho é esse? — A loira perguntou.

— Claro que sim! Se não me engano, essa é a porta do quarto do Subaru-kun. — A de olhos chocolate respondeu.

— Abre logo essa porta! — Aya gritou, já girando a maçaneta e abrindo a porta. Mas ela não deveria ter feito isso. —...O que........

Dentro do quarto haviam seis pessoas. Subaru estava sentado no chão com uma garota morena no colo. Ele apertava a cintura dela com força, enquanto se beijavam lentamente. Com Laito acontecia o mesmo, porém ele estava do lado oposto do quarto e era ele quem estava por cima de outra morena a qual beijava voraz mente. Essa mantinha as mãos enfiadas nos cabelos ruivos enquanto o vampiro apertava suas coxas. Ayato, por outro lado, estava sentado na cama e encostado na cabeceira da mesma. Uma garota loira que tinha as pontas do cabelo tingidas em rosa estava em seu colo, sua camisa estava desabotoada e caída em um dos ombros. Eles também se beijavam vorazmente e o ruivo tinha as mãos enfiadas dentro da camisa meio aberta.

As três garotas na porta encaravam a cena, demonstrando diferentes expressões. Mas, ao contrário do imaginado, a loira mais gentil era a que estava mais irritada.

 

— QUE PORRA ESTÁ ACONTECENDO AQUI!? 

Ao ouvir aquela voz as moças que estavam no quarto e os rapazes olharam diretamente para a porta. Ayato se engasgou. Ele não queria nem ver. Mesmo bêbado e drogado podia sentir a aura escura esfriando o ambiente, transformando-o em um deserto gelado. 

 

 

 

— Y-Yui... — Gaguejou.



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