História Flor da Índia. - Capítulo 22


Escrita por: ~

Postado
Categorias Originais
Tags Dança, Disputa, Europa, India, Inglaterra, Romance, Vingança
Visualizações 47
Palavras 2.581
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Aventura, Famí­lia, Harem, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Violência
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 22 - Minha vez de jogar


Eu estava orgulhosa de mim mesma.

Não havia chorado, gritado ou implorado para parar, mas ao invés disso, aguentei quieta, e esperei que acabassem.

Quando pararam de bater, eu me ergui, ainda me sentindo meio dolorida, e juntei meus retalhos -Que um dia haviam sido minhas roupas – Então sai, sob o olhar de todas, ainda ouvindo os risinhos, e os cochichos enquanto caminhava de cabeça erguida, olhei de relance para Indiya, ela ainda estava sentada, com aquele sorriso malvado nos lábios.

Apertei os passos em direção ao meu quarto, quando cheguei, olhei as marcas vermelhas em minha pele branca, frustrada, humilhada e dolorida, me joguei na cama.

Foi só então que eu chorei, não de dor, ou de tristeza, mas de raiva, da raiva que eu sentida de tudo e de todos em minha volta, da má sorte que me acometia.

Eu só queria que Khaleel estivesse de volta e estivesse bem.

As lagrimas escorriam silenciosas enquanto me agarrava ao lençol fino, e me afundava novamente em minha melancolia e alto piedade.

- Com licença – Uma voz distante chamou.

Me virei.

Marie estava na porta, com uma bandeja nas mãos.

- Posso entrar?

Limpei o rosto rapidamente.

- Claro – Acenei.

Ela colocou a bandeja perto de mim, o cheiro estava maravilhoso.

- Eu tenho sopa, e um plasma, para as costas – Marie sorriu.

Encarei seu rosto, ela parecia sincera.

-Obrigada – Destampei a bandeja.

Apesar de estar muito quente, eu não me importaria de comer aquela sopa.

Levei a primeira colher a boca.

O gosto da carne de carneiro inundou meu paladar.

Gemi involuntariamente.

- Muito obrigada mesmo.

- Você não precisa se preocupar com o príncipe – Marie falou devagar, enquanto eu comia. – A princesa nos informou que o príncipe teve um contratempo durante uma missão de reconhecimento, que foram atacados quando chegaram a uma aldeia...ela anunciou durante o desjejum, soubemos que apesar dos ferimentos, eles estão bem, estão seguros agora.

Suspirei aliviada.

“Ele estava bem, estava bem, não precisava de mais nada.”

- Todos os irmãos foram nessa missão?

-Não. – Ela negou – Eu soube que um deles está preso.

Arregalei os olhos.

- Como assim? Qual deles?

Marie negou mais uma vez.

- Eu não faço ideia, nunca vimos o rosto de nem um deles.

- Pelo menos sabe por que ele está preso? – Questionei.

Ela se aproximou de mim, olhando e volta antes de cochichar:

- Eu soube que ele matou um homem e arrancou os olhos dele com as mãos.

“Omar.”

Foi o nome que veio em minha mente imediatamente.

- Oh, meu amigo, o que você fez? – Murmurei.

- O que você disse?

A voz de Marie estava carregada de choque.

Pisquei, de repente, voltando a realidade.

- Você conhece os irmãos de sangue do príncipe? – Ela insistiu – Você já os viu?

- Não! – Falei, rápido demais – Não, não, é uma coisa americana, Nós...chamamos todos de amigos...e, bem...quando eu me casar com o príncipe...quer dizer, se eu me casar com o príncipe, ele será meu amigo, entende?

A francesa sorriu para mim.

- Agora sei porque a princesa acha você perigosa.                                                                                                                                

Levantei a cabeça e encarei seus olhos de mel.

-Perigosa? – Exibi minhas costas. – Eu?

Marie se ajeitou na cama, arrumando o véu sobre os cabelos.

- Antes de você chegar, eu era a favorita, sabe? O príncipe costumava vir me ver e andávamos pelo jardim, ou ele me levava para dançar no salão grande.

Sorri de leve.

Não podia dizer a ela que a pessoa com quem andou saindo nos últimos meses, não era o príncipe verdadeiro.

- Todos aqui estavam apostando que eu seria a escolhida, até mesmo a princesa, ela colocou uma pequena fortuna na aposta em mim, e cuidou para que eu sempre recebesse a melhor comida, as melhores roupas, os melhores quartos, as melhores criadas.

Senti uma pontada de raiva, e inveja.

Então era isso, para Indiya eu era uma ameaça ao pequeno jogo que ela fazia com a vida das meninas nesse harém?

Terminei minha sopa, engolindo mais do que apenas um guisado.

- Então você chegou – Marie estava brincando com os anéis de sua mão. – A menina de um harém fora dos domínios da princesa, que foi a única escolhida, isso é claramente um perigo.

- Não temos garantias de que eu vou ganhar- Murmurei.

- Ah...Por favor – Ela se levantou – Por que não se deita? Posso passar o remédio.

Agradecida, me deitei de bruços, liberando os braços que seguravam o resto de tecido da minha choli.

Senti suas mãos pequenas esfregarem minhas costas cuidadosamente e da sensação de queimação diminuir gradativamente.

Fechei os olhos.

Confiar nela não era uma opção, então não deveria me entregar de cara apenas porque ela havia me feito uma gentileza.

- Então, vai me dizer a verdade? – Insistiu.

- Sobre qual assunto? – Perguntei sem me virar.

- Onde conheceu o irmão do príncipe?

Mordi os lábios.

- Eu estava caminhando, e topei com um deles, Omar, mas ele não me mostrou o rosto, então... – Deixei a frase no ar.

Dessa vez ela pareceu um pouco mais convencida.

- E como ele era?

- Um homem capaz de bater em alguém até a morte e de arrancar seus olhos.

Marie estremeceu.

- Isso é assustador.

Sorri amarelo.

- Tenho certeza que sim.

Após um minuto constrangedor, Maria sorriu.

- Bem, eu preciso ir – Ela se levantou – Daqui a pouco a princesa vai mandar me procurar.

Mas antes que ela chegasse a porta, parou e se virou para mim.

- É uma pena que não tenha visto o príncipe, todo esse tempo sem saber como ele é, faz as meninas especularem, já estão apostando que ele se parece com um ogro, com a pele esverdeada e verrugas enormes.

Acho que ela esperava alguma reação minha, mas mantive a expressão.

Marie deu de ombros.

- Bem, eu tentei.

Acenei de leve e esperei que ela saísse.

Então me levantei e cuidadosamente, examinei o remédio em meu corpo, estava bem espalhado e era refrescante.

Retirei meu sári e puxei o laço da anágua com força.

Eu estava sozinha, novamente, eu estava sozinha.

Me deitei na cama.

Sozinha.

De repente, antes que eu pudesse me conter estava pensando em minha casa, no cheiro do charuto de meu pai, o barulho das risadas de minhas irmãs, sentia saudade de correr com elas pelo assoalho de madeira, ou de sentar perto da lareira, envoltas em um grosso cobertor.

Fechei os olhos, assim, eu quase podia vê-las, uma andando com seus livros na mão, a outra pintando coisas estranhas que ela chamava de arte. – Sorri com isso – Mas também tinha minha mãe, e todas as brigas e discussões, tinha todas as dores de cabeça e tinha todas as vezes que ela me fizera sentir inferior, ou indigna por alguma coisa que eu tenha feito.

Fechei as mãos em punhos, tão forte que senti algumas camadas de pele se romper.

Então as lembranças de meu quase noivado chegaram, tão fortes que parecia que eu estava revivendo o momento.

Os olhares, as mentiras, minha reputação destruída, minha vida destruída.

Lagrimas caíram em meu lençol.

Apesar de ser feliz a maioria das vezes com minha família, os eventos da minha vida, sempre me levavam a ficar sozinha, e depois de ser humilhada perante toda a sociedade, e passar messes em um barco, ser levada a força a um lugar desconhecido, eu fui humilhada e ridicularizada novamente, em um pais diferente, só que com pessoas totalmente iguais.

- Não vou deixar – Jurei – Não vai acontecer de novo.

De alguma forma, eu iria me vingar, não sabia como ou quando, mas eu não podia deixar isso acontecer comigo de novo.

“Não sou mais aquela garota medrosa.” Pensei. “Não me permito mais ser.”

Levantei da cama com um impulso.

Caminhei determinada até o armário e tirei alguns sáris diferentes de lá, escolhi um verde oliva, com muitas pedras vermelhas e vinho.

Estava combinando as partes quando a serva entrou com mais uma jarra de água.

- Eu quero que me prepare um banho – Falei em hindi – Imediatamente.

Ela pareceu surpresa, mas acenou com a cabeça.

Então me sentei e esperei.

Observei enquanto ela trazia uma tina e a encheu com água.

Retirei o roupão e emergi, que deixou minha pele fria e fez minhas costas arderem, mas eu não me importei, não mais.

Naquele momento, eu decidi, que independente do que acontecesse comigo, eu não me deixaria abater, não seria humilhada, não de novo.

Esfreguei minha pele até ficar rosa, lavei meu cabelo e o penteei com os dedos, deixando os fios brilhosos e limpos. 

Então sai, não me importando se estava molhando tudo.

Vesti uma nova anágua, e enrolei com uma precisão quase simétrica o tecido em meus quadris, fechei o choli então prendi o dupatta em meus cabelos soltos.

Não fazia ideia de onde estava meu maang tikka, e isso me deixou um pouco triste, Khaleel havia me dado ele.  

Olhei o espelho, era assim que uma futura rainha deveria parecer, ou melhor, era assim que Annabelle Thompson deveria parecer.

Sorrindo, sentei-me na penteadeira e passei batom nos lábios, virei meu rosto, olhando o contorno, não parecia que a menos de uma hora estavam me batendo.

Eu passei o resto da tarde sentada, treinando minha leitura em hindi, adquirindo a cada hora, um maior conhecimento das letras e pequenas palavras.

Mas nada que me ajudasse muito com a carta.

Foi quando com um estrondo, minha porta foi aberta, pulei no divã, alarmada.

- Senhora – Era a criada – O príncipe, ele voltou.

Me levantei.

Meu coração estava batendo acelerado.

- Onde ele está?

Ela negou com a cabeça.

- Todas devem esperar no salão principal.

Concordei.

Alisei meu sári e respirei fundo antes de sair.

Ele estava de volta.

Estava de volta.

Quando cheguei ao salão principal, todas as seis escolhidas estavam lá: A francesa, Marie, uma com traços hispânicos, outra que com certeza era italiana, uma com traços orientais, essa ficava extremamente bonita de sári, e ainda havia outras duas, que eu não conseguia definir exatamente qual era a nacionalidade.

Fiquei de pé, ao lado de uma das poltronas.

- O que faz aqui? – A voz de Indiya me parecera umas cem vezes mais irritante.

Não respondi.

Mas acho que ela se imporia na minha presença, talvez por causa do medo, ou talvez ela não quisesse que Khaleel descobrisse o que ela havia feito.

De qualquer forma, antes dela conseguir formular uma frase, ele chegou.

Ouvi o barulho de seus passos, antes de encontrar seus olhos.

Ele estava sujo, com alguns rasgos na roupa, e seu braço direito exibia uma grossa mancha vermelha, que eu tinha certeza ser sangue.

A sua volta, havia uma pequena multidão de homens extremamente preocupados, gritando e se agitando em volta de Khaleel.

Mas seus olhos, seus belos olhos, estavam cravados em mim.

Eu quase gritei de alivio.

Mas foi só quando ouvi as exclamações de surpresa a minha volta, que percebi o motivo: todos eles, estavam com os rostos descobertos, e deveria ser um choque, descobrir que ele não era o ogro que todas especulavam.

- Irmão – Indiya se aproximou dele. – Não deveria estar aqui, você nem ao menos se trocou.

Parecia um tanto nervosa, devo dizer.

Ele levantou a mão.

- Eu vou ser breve, Indiya, se afaste – Khaleel não tirara os olhos de mim. – Bom dia, senhoritas.

Ele falava em inglês.

- Quero agradecer, a todas que estenderam suas fervorosas preces a mim e meus irmãos, como havia sido informado pelo intendente do castelo, sofremos uma infeliz emboscada.

Os murmúrios a minha volta aumentavam.

- Mas nós estamos bem, vivos e bem, graças a vocês, e a habilidade de meus bravos irmãos. – Ele fez uma pausa – Sem mais delongas, eu gostaria de informar que haverá um jantar essa noite, para comemorar nossas vidas, e...pretendo anunciar quem será minha noiva.

Gritinhos de alegria foram ouvidos em várias línguas diferentes.

- Então, por favor, vão, se arrumem, quero todas extremamente belas, pois essa noite, todas ganharão presentes, e comerão como rainhas.

Dando uma última olhada para ele, elas correram para seus respectivos quartos.

Meu corpo estava vibrando, eu não queria, eu precisava abraça-lo, mas esperei pacientemente, enquanto ele empurrava aquela maré de homens para fora do harém.

Quando as portas bateram, corri em sua direção, nossos corpos se chocaram de forma quase dolorosa, mas eu não estavam me importando, quando Khaleel me envolveu em seus braços, minhas costas latejaram, mas mordi os lábios para não demonstrar.

- Você está bem? – Ele me afastou devagar.

- Sim. – Respondi sem hesitar – Estou bem.

Ele passou a mão por meu rosto.

- Mas eu fiquei tão preocupada – Toquei seu braço levemente. – E aquela carta, fiquei tão confusa.

Ele franziu a testa.

- Você não conseguiu ler?

Neguei, envergonhada.

-No começo, achei que você tinha me abandonado, que tinha decidido que o risco não valia a pena.

Seus lábios se achegaram aos meus delicadamente, como um suspiro.

- Você sempre vai valer a pena, sinto muito, eu não tinha outra forma de me comunicar...

- Tudo bem – Interrompi – Não se preocupe, você está bem?

- Estou.

-Mas isso é sangue – Apontei.

Ele fez que não na cabeça.

- Não se preocupe, não é meu.

Suspirei, empurrando para longe o pensamento de que se ele estava bem, outra pessoa havia morrido.

Eu não me importava.

- O que é isso?

 Congelei.

Não, não, não...

Agora não.

Me afastei de Khaleel, juntando minhas mãos e abaixando a cabeça.

- Você...Vocês...Vocês dois? – Indiya estava gritando – Não, você não pode, me diga que está apenas se aproveitando do corpo dela.

- Indiya...

-Não! – Ela o interrompeu. – Ela não, Não essa...Americana. Nós temos outras melhores, Marie, Sim! Marie, ela é linda e prendada...

- Já chega. – A voz de Khaleel estava irritada – Vou anunciar para todos essa noite, mas penso que você deve saber antecipadamente.

- Não quero ouvir – Indiya tapou os ouvidos.

- Pare de agir como uma criança mimada – Agora ele realmente estava irritado -  Olhe para mim, é uma ordem.

Creio que ela olhou, pois ele começou a falar.

- Eu pretendia acabar com o concurso rapidamente, mas o evento recente que aconteceu em minha vida, me levaram a acelerar ainda mais esse processo – Ele fez uma pausa – Não quero perder tempo com trivialidades, principalmente sabendo como a vida pode acabar de uma hora para a outra, e quando estava na batalha, a única coisa que consegui pensar, foi em como Annabelle ficaria desolada, se eu morresse.

Sorri com isso, ele ainda se preocupava comigo mesmo estando em perigo.

- Mas...

- Eu ainda não terminei – Senti ele se aproximar de mim – E eu senti vazio, por não poder realizar os sonhos dela, e não poderia realizar os meus com ela, então tomei uma decisão e quero que seja a primeira a saber, que a partir desse momento, Annabelle Thompson é oficialmente minha noiva e futura rainha da Índia.

Não consegui resistir, quando ele terminou de falar, um silêncio tomou conta do Ambiente, afinal, ela não podia contraria-lo.

Levantei os rosto, lentamente, apreciando a cena de uma Indiya completamente chocada, então...devagar, um sorriso se abriu em meu rosto, um sorriso vingativo que eu estava começando a me acostumar.

Encarei-a, e em seus olhos encontrei medo, medo de mim, medo do que minha posição trazia.

Nosso olhares se demoraram um no outro, então ela cedeu, virou-se rapidamente, e saiu a passos largos, batendo a porta atrás de si.

Ela iniciara a partida, mas agora...Era minha vez de jogar.


Notas Finais


Parece que o jogo virou não é mesmo???


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...