História Flor de Ipê - Capítulo 2


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jungkook, Suga, V
Tags Vhope, Yoonmin, Yoonseok
Visualizações 26
Palavras 1.531
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela, Slash, Universo Alternativo

Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Olá, espero que gostem do capitulo. Acabou não saindo tão grande, o plano é terminar em mais 2 ou 3 capítulos.

Capítulo 2 - Deixe Que o Tempo Cure Todas as Dores


Fanfic / Fanfiction Flor de Ipê - Capítulo 2 - Deixe Que o Tempo Cure Todas as Dores

Nunca achei que observar o relógio fosse virar um habito, muito menos que rezar ao tempo fosse algo que iria praticar. 

Todas os dias são como um tormento que eu tento ignorar, talvez com o passar dos meses eu me acostume a sofrer. Espero que o tempo faça suas feridas fecharem. 

Eu decidi partir aquele dia, rezando para que a distância te fizesse seguir em frente, usei como desculpa para meus pais uma antiga proposta de emprego e apenas fui sem dizer onde estaria. Todos sabiam que eu estava fugindo, mas eu nem ao menos me importava. Em uma semana rejeitei mais chamadas suas do que imaginei que seria capaz na vida, até que, por fim, decidi mudar de numero.  

Levantava todos os dias para trabalhar, como um robô que apenas segue sua programação. Voltava para minha nova casa a noite e sentava no sofá observando aquelas paredes vazias, chegava a ser triste o quanto diferiam do nosso lar, chorei todos os dias relendo suas mensagens antigas que guardei em uma pasta. Você me perguntava o porquê, perguntava onde eu estava e dizia o quanto precisava de mim e isso apenas me fazia chorar mais. Em algum momento, aqueles dias se tornaram meses, eu era apenas pele e osso, meu estomago rejeitava quase tudo que tentava ingerir e passei a viver de cerveja e chocolate, o gosto da bile agora era algo marcante e constante em minha boca. No trabalho passaram a me olhar de lado, chuvas de perguntas que apenas me incomodavam e as quais respondia com um sorriso apático e forcado. Então eu sai, pulei de galho em galho e no fim sempre acabava caindo, pois em nenhum lugar eu poderia me encaixar sem que recebesse olhares de pena pela minha condição, eles não sabiam nada de mim, mas mesmo assim aquilo me irritava. Decidi trabalhar em casa onde pude me isolar e quase não ver ninguém. Eu não sabia mais o que era estar vivo, eu apenas me mantinha ali. 

 Seis meses e agora os pesadelos me perseguiam e me deixavam atormentado durante a noite, em todos eles você gritava enquanto no meu colo eu segurava o corpo inerte do nosso filho, as sirenes e paramédicos, os pêsames e lamentações;  aqueles sonhos eram como um martilho e eu sempre acordava aos gritos quase me esquecendo de como respirar. Desisti de dormir sem que estivesse sedado, os sedativos funcionaram por algum tempo, mas com um ano e quase sem nenhum contato humano eu já beirava a loucura. 

Não permitira a mim mesmo enlouquecer, pois a loucura é a mãe do esquecimento e eu não iria esquecer, passei a frequentar boates e me embebedar todas as noites, me entregando a qualquer um que no calor do momento me fizesse lembrar aquele que amava, acordava aos prantos, sozinho em um quarto de motel enquanto me sentia sujo, tão imensamente sujo que nosso filho teria horror a mim e aquilo me fazia perceber que ele não estava mais ali, a culpa era minha... e eu iria arcar com aquilo até o fim.  

Durante o dia eu trabalhava para que ao menos pudesse arcar com as despesas dessa sobrevivência forcada e a noite me entregava aos bares, meu corpo tão devastado quando minha alma e enfim a imagem exterior refletia o caos interior. Já não atendia aos meus pais a muito tempo, me limitava a ler suas mensagens e as vezes responder para garantir que estava vivo. 

Um ano e meio e eu apenas não conseguia mais chorar, a dor e solidão se tornaram minhas únicas companhias, eu estava ali, mas não tinha motivos para existir, foi então que em mais uma das minhas noites entregues a bebida eu o conheci. Acordei gritando revivendo aquela cena que ainda me atormentava todas as noites e ao abrir os olhos senti uma mão em minha testa que tentava me acalmar, olhei incrédulo para aquele homem de olhar gentil e cabelo bagunçado, ele vestia apenas uma calça e estava sentado ao meu lado na cama. 

- Você esta bem? - Ele perguntou gentilmente, acariciando os fios do meu cabelo me fazendo encolher diante daquele toque. 

- Quem é você? - Perguntei rudemente afastando suas mão e tentando me levantar, meu corpo marcado não estava mais nu, percebi que assim como ele usava apenas uma calça. 

- Jimin... - Falou sorrindo enquanto estendia uma mão para que eu me apoiasse, eu recusei e tentei me levantar. 

Eu não queria contato, não queria ter nada a ver com alguém que supriu minhas necessidades de me autoflagelar durante uma noite de bebedeiras, nenhum deles estava ali quando eu acordava, então por que aquele estranho continuava ao meu lado. Senti tudo ao redor escurecer, a voz de Jimin soava distante, um calafrio fez meu corpo esmorecer e eu finalmente sucumbi. Acordei em um hospital e apenas pelo cheiro quis vomitar, meu trauma não me permitia estar ali e tudo ao redor trazia sensações que eu não queria sentir, olhei para o lado vendo aquele estranho sentado, me encarando como se esperasse respostas. 

- O que aconteceu? - Perguntei sentindo minha voz sair de forma seca como se rasgasse minha garganta. 

- Você desmaiou. - Falou e suspirou. - Esta nessa cama a uma semana, os médicos simplesmente não sabem explicar como seu corpo resistiu tanto tempo antes de se entregar, é como se você se recusasse a morrer. - Falou me encarando. 

Senti uma raiva me preencher , ele não tinha o direito de ter me trazido ali, ninguém tinha o direito de interferir, parecia irracional o ódio que eu sentia e no fim voltei a chorar novamente, ele se abraçou a mim e mesmo que tudo em mim gritasse para afasta-lo, eu não pude, ele me lembrava tanto alguém, me lembrava Hoseok... 

- Vai ficar tudo bem. - Ele falou afagando meus cabelos e eu me entreguei a inconsciência novamente. 

Dois anos se passaram desde que abandonei Hoseok e de alguma forma Jimin apenas se forçou na minha vida nos últimos meses, perdi a conta de quantas brigas eu comecei, de quantas vezes o mandei embora, de tudo que fiz para que meu isolamento não fosse quebrado, mas todas as vezes ele voltava, dizia que precisava cuidar de mim e em algum momento, exausto demais para discutir, eu cedi. Aos poucos descobri o porquê da necessidade pungente de me ter ali, Jimin assim como eu havia perdido alguém e de alguma forma minha fragilidade o lembrava constantemente disso, ele criou raízes na minha vida, impedindo que eu o arrancasse dali, eu finalmente me abri depois de conhecer sua historia e mesmo que tudo em mim dissesse que era errado eu ter alguém que me causasse alivio de tudo que sentia, eu o deixei ficar. Por que agora quando acordava aos prantos a noite, ele estava ali para me consolar, enquanto eu gritava por Hoseok ele me fazia acalmar. Ele sabia que eu amava outro e mesmo quando ele se apaixonou por mim, eu o deixei ficar, mesmo sabendo que eu nunca o amaria eu o prendi ali, pois ele teria a quem cuidar. Ele não me diria adeus e eu não o mandaria ir. 

- Yoongi. - Jimin chamou se remexendo na cama e me vendo acordado. - O que aconteceu? Outro pesadelo? 

- Eu fitava a tela do meu celular incrédulo, mesmo que estivesse em silencio, as lagrimas já começavam a rolar pelo meu rosto e aquilo o fez se desesperar. 

Meu coração pulsava acelerado, bombeava sangue o suficiente para que meu cérebro processasse aquela informação, o arrependimento se alojando aos poucos em mim e fazendo meu corpo tremer, quantos erros alguém pode cometer? Quantas coisas na vida podemos nos arrepender? As lagrimas rolavam e a antiga canção de ninar da minha mãe ecoava na minha cabeça, seus sorrisos doces, sua voz suave, por quanto tempo eu ignorei minha família? Quantas mensagens desesperados eu respondi com um "estou bem" e quantas chamadas fui capaz de rejeitar apenas para não ouvir a voz daqueles que me lembrariam da minha antiga vida? Jimin chamava meu nome se desesperando aos poucos e eu agora soluçava baixinho pensando que o castigo para meus pecados jamais teriam fim, estendi para Jimin o celular e ele me abraçou mais forte depois de ler as palavras ali. 

- Ela esta morta Jimin... - Falei entre soluços. - Minha mãe morreu... 

Deixei que o meu choro ecoasse por aquelas paredes, enquanto ele me abraçava em um silencio profundo, as feridas no meu coração que pensei já terem cicatrizado ganhando um corte a mais para me lembrar do quanto doía estar vivo. Lembrei do quanto fugi, lembrei do quanto me isolei... Se passaram três anos... E a noticia me fez perceber que algo era inevitável, afastei Jimin afim de encara-lo. 

- Eu preciso voltar... - Falei antes que ele me puxasse contra seu peito e abafasse meu choro em si.  

Talvez o tempo não seja tão bom assim, pelo menos não para mim, estava na hora de voltar para aquele lugar e eu espera ver ao menos que Hoseok era capaz de sorrir. Pois se o tempo cura todas as magoas, agora ele deveria ser feliz. 


Notas Finais


Obrigada por ler, próximo capitulo Vai ter o reencontro e saberemos como Hoseok esta.


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