História Flor do Deserto - Capítulo 2


Escrita por: ~

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Categorias Star Wars
Personagens Rey
Tags O Despertar Da Força, Rey, Star Wars, The Force Awakens
Visualizações 29
Palavras 1.399
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 10 ANOS
Gêneros: Fantasia, Ficção, Romance e Novela, Sci-Fi
Avisos: Spoilers
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Eu esqueci de avisar que os capítulos não seguem uma ordem cronológica. Não é nada que atrapalhe o raciocínio e esse capítulo está muito especial.
Nesse capítulo tem mais ligações com TFA. Por favor, não deixem de ler até o final ♥

Capítulo 2 - Novos Perigos


Algo tão trivial e comum no seu ambiente natural causou assombro aos que viram o milagre majestoso de uma coisa tão pura e bela brotar entre espinhos e terra seca. Foi lançada ali à própria sorte. Qualquer que visse diria: não resistirá, morrerá certamente. Mas a delicadeza não escondia o vigor e a força. Resistiu e não morreu, pelo contrário, ela se desenvolveu.

Nunca, em toda a sua vida, viu a beleza da primavera. Mas quando Jakku completou o ciclo em torno de sua estrela, no décimo-terceiro aniversário, Rey desabrochou. Como uma flor, suas pétalas se abriram e ela conheceu a mocidade.

Tomou um grande susto, desesperou-se, acreditou que estava morrendo, mas uma alma bondosa, uma senhorinha, orientou a jovem flor. Logo, Rey entendeu que não era mais uma menina e, como sempre aprendia rápido, entendeu o novo ritmo natural de sua vida e habituou-se a ele até que se tornou parte dela mesma – e sempre foi.

Tantas coisas aprendeu sozinha, aquela senhora foi umas das primeiras pessoas a dar-lhe algum ensinamento, a dar-lhe conselhos. Foram amigas, porém, como tudo que Rey tinha era roubado dela, a vida também lhe tirou a amiga. No ano seguinte morreu. No leito de morte disse que tinha vivido o suficiente para cuidar de uma flor. “Como é uma flor?”, foi o que o Rey perguntou. A mulher sorriu, entendia a curiosidade da moça. Ela já tinha conhecido outros lugares além daqueles desertos, planetas distantes e exóticos; viu muitas flores.

— Elas são como você. – estas foram as suas últimas palavras.

Mais uma vez, Rey precisou seguir em frente, e seguir em frente sozinha. Mas ela já estava acostumada, em seus primeiros anos ali, a vida foi com certeza mais difícil. Na época, o fétido e desagradável crolute, Unkar Plutt, vigiava a menina. Não tinha bem uma preocupação, de fato, se a garota morresse seria melhor para ele, no entanto, alguns dos outros catadores de lixo que abasteciam o entreposto Niima com peças de valor, simpatizaram com ela. Ensinaram como conseguir comida e água, como arranjar abrigo, e aliada a curiosidade que ela já tinha, Rey aprendeu tudo que precisava saber para sobreviver em Jakku.

Ela estava crescendo e à medida que envelhecia, tornava-se uma mulher bonita e atraente. Deixava cada vez mais de lado os traços infantis e curvas acentuavam no corpo adolescente, embora que o olhar e sorriso permanecessem cândidos.

Descobriu que despertava olhares maliciosos, descobriu também que se incomodava com eles. Ela era jovem, em muitos aspectos era ingênua, contudo, não era nem um pouco boba; sabia reconhecer o perigo quando estivesse de frente para ele e se enfrenta-lo necessário for, ela o enfrentaria e venceria.

Certa tarde, lá para seus quinze anos, o sol já se punha e as primeiras estrelas despontavam no firmamento. Observando o céu – que funcionava para ela como relógio – viu que já estava na hora de voltar para casa. Já estava prestes a deixar o lugarejo quando um jogo de sabacc despertou a sua atenção.

Juntou-se ao pequeno grupo que estava ao redor da mesa, observando os dois homens jogando. Ainda não tinha visto aquele jogo antes, porém, em minutos e apenas pela observação, descobriu como funcionava. Notou que o homem negro trapaceava e previu a derrota do ruivo. E era pior para este último, pois jogavam a dinheiro.

— Dizem que foi assim que Han Solo conseguiu a Millennium Falcon. – ao seu lado, também ao redor da mesa, duas pessoas conversavam.

A conversa chamou-lhe atenção. Já tinha ouvido falar de Han Solo e de sua nave antes. Permaneceu de ouvidos atentos enquanto não tirava os olhos do jogo.

— Han Solo, o contrabandista? – o outro indagou.

— Ele próprio.

— Você o conhece?

— Não, não.

— Han Solo? O Han Solo que fez o percurso de Kessel em 15 parcercs? – outro meteu-se na conversa dos dois.

— 15 não, acho que era menos de 14. – o primeiro corrigiu.

Ela atentou para a conversa por alguns minutos, e só percebeu que a hora estava bastante adiantada, quando o jogo acabou e uma briga se iniciou após a derrota do homem ruivo. Precisava ir embora, já estava tarde e ela morava longe.

Andava depressa, estava preocupada com ladrões, embora que não carregasse nada de valor, soubera de casos em que a vítima fora espancada. Passava próximo a um cemitério de naves quando teve a impressão de que estava sendo seguida. Olhava para trás, mas não havia ninguém. Apressou ainda mais o passo. Pelo canto do olho viu um vulto esgueirando-se entre as sucatas das naves e andadores imperiais destruídos. Parou assustada, olhou melhor e não viu nada nem ninguém ali.

Um sinal de alerta tocou em sua mente, olhou ao redor, a escuridão da noite dificultava a visão, apenas as luas e as estrelas iluminavam o céu e ajudavam Rey a achar o caminho para casa. Conhecia bem aquele caminho, sabia onde pisar, mas mesmo assim estava com medo, pois nunca tinha passado por ali durante a noite.

Apressou o passo, quase corria. Sentia que era observada, olhava constantemente para trás e para os lados – ninguém.

Um barulho. Rey voltou-se depressa para a direção de onde ele vinha. O cérebro alertou: “fuja!”. Quando ela girou o corpo para começar a correr, deu de cara com um homem. Gritou, e os pés involuntariamente deram passos para trás, tropeçou e caiu sentada.

Entretida no jogo de sabacc, não notou que era observada, e o sujeito ali a seguia desde o vilarejo.

— Assustei você? – perguntou o homem.

— Não. – mentiu.

Ele inclinou-se e estendeu a mão para ajudá-la a levantar. Com isso ela conseguiu ver melhor o seu rosto, tinha a pele enrugada, provavelmente pela exposição ao sol, e os olhos grandes. Rey ignorou a mão estendida e levantou-se sozinha. Tentou passar pelo homem, mas ele agarrou o seu braço.

— Aonde vai assim tão depressa? – ele perguntou.

— Solte-me, tenho que ir.

— Mas ainda nem nos conhecemos.

— Solte-me!

— Ou o que? Vai gritar? Não tem ninguém aqui para ouvir você, linda.

Tentou tocar o seu rosto, então Rey puxou a sua mão e o mordeu, cravando os dentes com força até sentir gosto de sangue. O homem gritou e ela aproveita para tentar fugir. No entanto, ele correu atrás dela e a agarrou por trás.

— Menina levada, precisa de uma lição.

— Socorro!

— Grite o quanto quiser, ninguém vai te salvar.

— Me larga!

Ele tentou descer as calças dela, mas a garota jogou a cabeça para trás e quebrou o seu nariz.

— Maldita! – gritou largando-a no chão e levando as mãos ao nariz que sangrava sem parar.

Rey engatinhou e encontrou uma barra de ferro no chão. Era pesado e desequilibrou-se um pouco para tentar segurá-lo enquanto levantava. Sustentou o peso com as pernas firmes no chão, girou e atingiu o homem na cabeça com aquele bastão. A pancada deixou-o zonzo, gemeu alto de dor, tentou roubar o cajado da mão dela, mas Rey o atingiu de novo no braço, depois nas costelas.

— Vá embora! – ela ordenou, e caso não obedecesse, o bastão já estava em posição para outro golpe.

O homem rastejou de costas até levantar-se e sair correndo de onde ele tinha vindo. Ela observou-o correr desajeitado pelas pancadas que recebeu dela. Largou o bastão e arrumou rapidamente suas roupas, juntou suas coisas que caíram durante e confusão e virou-se para ir embora, contudo, deteve-se.

Fitou a barra no chão, era pesado e até então, um pouco maior que ela, mas pensou que ele tinha servido bem para salvar-se. Imaginou que seria bom ter algo assim para proteger-se, e ao mesmo tempo, a ajudaria a caminhar pelo deserto, servindo de cajado.

A princípio, ela não entendeu porque aquele homem tinha feito aquilo, porque quis despi-la, mas sabia que queria fazer-lhe mal. Olhou para o céu, como desejava que sua família voltasse logo.

A luta pela sobrevivência era difícil, entre fome, sede, calor durante o dia, frio durante a noite, tempestades de areia, lixo e homens maus, ela só tinha uma certeza: aquele tormento ia encerrar um dia.

Pegou o bastão e seguiu o seu caminho.

Ela nunca mais viu aquele sujeito, e ficou feliz por isso. Ele foi insensato por achar que poderia aproveitar-se dela sem problema algum; um erro, pois quem toca de qualquer maneira e abruptamente numa flor que tem espinhos fere-se. É esta a função deles, são intrínsecos a sua natureza, estão lá para defendê-la, para ferir quem se enganar com a aparente fragilidade.


Notas Finais


Antes de escrever esse capítulo, eu tinha apenas a ideia, não sabia nem por onde começar. Então lembrei que a história teria "flor" no título, fui no Youtube e fiquei assistindo vídeos de flores desabrochando. É de longe o maior espetáculo da natureza, simplesmente emocionante.
Selecionei um para vocês: https://www.youtube.com/watch?v=6a5LA_k1WdM

Obrigada por terem lido e pelos maravilhosos comentários que alguns deixaram no último capítulo. ♥♥


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