História Flower (You) - Capítulo 1


Escrita por: ~

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Categorias Wanna One
Personagens Daehwi, Guanlin, Jihoon, Jinyoung, Minhyun, Sungwoon
Tags S2project, Saboresdainfancia, Winkdeep
Visualizações 38
Palavras 6.473
Terminada Sim
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Colegial, Comédia, Fluffy
Avisos: Homossexualidade
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


ATRASADA POR MOTIVOS DE FORÇA MAIOR (=VIAGEM SURPRESA NO FERIADO). minha amiga secreta é a ana alice (winkdeep)!! vou deixar meu #recado pra você nas notas finais pra não deixar isso muito longo mas eu não tô satisfeita com a fic, espero que vc goste ;; agradecimentos de sempre à theresa, por oferecer o melhor apoio moral do brasil e escutar meus áudios choramingando porque não sei escrever, e à nalub por me aturar numa base diária (e nunca dando tempo dela betar nada pqp) e por me ajudar a crescer. OBSERVAÇÕES REAIS também vão vir nas notas finais, obg por ler até aqui <3

Capítulo 1 - Could you cool me down?


Bae Jinyoung é um garoto normal de dezessete anos.

 

Ele está no segundo ano do ensino médio e não faz ideia do que quer fazer no futuro, mas tem a certeza que não pode ser nada que envolva aplicação constante de matemática. Ele faz parte do grupo de teatro do seu bairro porque falaram que iria ajudá-lo com sua introversão: funciona, de certa forma, e agora ele consegue construir o mínimo de confiança para pisar no palco sem parecer completamente apavorado. Sua voz está cada vez mais audível no coral, inclusive, ao ponto dele conseguir um dos papéis principais no musical de primavera. Seus pais, porém, dizem que ele teria que trabalhar muito duro para seguir essa carreira e não teria dinheiro suficiente para se alimentar, o que é um problema.

 

Por isso, toda vez que perguntam, ele responde que atuar e cantar e dançar é um hobby. Algo casual que faz para se divertir. Não o único lugar onde se sente confortável de verdade, não a única coisa que consegue se ver fazendo.

 

De qualquer forma, ele é um garoto normal de dezessete anos. Filho de pais divorciados, mora com a mãe e recebe visitas ocasionais do pai. Ambos trabalham em ambientes fechados, sua mãe como contadora e seu pai como caixa de banco, e não tem muito tempo a dedicar às sua vidas familiares. Jinyoung também tem uma irmã, Jinsol, de dez anos, corajosa e determinada e sociável e muito consciente de seus arredores, apesar da idade. Seu pai saiu de casa para morar com a sua nova esposa quando ela tinha sete anos e ela reagiu da maneira mais madura possível, como se tivesse sentido a distância emocional entre eles. Ela também é inteligente, boa com números, e tem uma ótima memória. Talvez por passarem muito tempo juntos, sozinhos, Jinyoung tem certeza que nunca vai amar ninguém na vida como ama a sua irmã.

 

Ele anda com ela até a escola todos os dias, já que sua mãe precisa sair cedo de casa e raramente tem tempo de levá-los de carro. Jinsol fala o caminho todo — sobre seu desenho favorito, sobre suas colegas de classe, sobre a sua professora — e Jinyoung luta contra o seu sono. Acordar às seis da manhã costuma deixá-lo assim, alheio e calado, independente do horário que vá dormir na noite anterior. Por fim, ele acaba passando todas as suas horas escolares torcendo para que acabe logo.

 

(Ao contrário de boa parte dos garotos da sua idade, Jinyoung só fala com duas pessoas da sua sala, sendo ambas meninas e chamadas Jiwon. Hwang Jiwon, a mais alta, gosta de musicais e dança e berrar suas músicas favoritas no karaokê. Kim Jiwon é a menor, apesar de ser mais velha, e já foi escoteira por três anos seguidos. Os três tem em comum apenas duas coisas: o amor pelo entretenimento e o fato de acharem seus colegas de classe chatos e pedantes.

 

— De zero à dez… — Hwang Jiwon começa num dia nublado enquanto eles matam aula no terraço — O quão ridículo seria fugir do país pra nunca mais ter que pegar num livro de filosofia?

 

Kim Jiwon ri. — Para. Filosofia é aceitável. O professor é bonitinho também.

 

— Quem liga pra garotos? — Hwang Jiwon faz uma careta de desgosto — Sem ofensas, Jinyoung.

 

Ele dá de ombros. — Tudo bem. Eu gosto de filosofia.

 

— E garotos — a Jiwon menor completa, desnecessária porém enfática.

 

Jinyoung não consegue não rir. — É.)

 

Ele fica menos sonolento no teatro. Talvez por ser um ambiente proveitoso para ele, talvez porque 90% dos integrantes do grupo não sabem falar num tom de voz civil. De qualquer forma, ele mal se espanta quando chega ao lugar e se depara com Gunhee chorando no meio do palco e Minki dando tapinhas nas costas dele.

 

— Ele tá bem? — Jinyoung pergunta, por desencargo de consciência, quando Daehwi vem cumprimentá-lo.

 

— Cena triste — Daehwi explica, o tom casual. Pense nele dessa forma: se Jinyoung tivesse uma lista de pessoas que ele mais ama no universo, Daehwi ocuparia um sólido segundo lugar. Ele é, objetivamente, o melhor amigo de Jinyoung e, às vezes, parece ser sua outra metade.

 

(Não romanticamente, porque a vida amorosa de Jinyoung é assunto pra outra hora e Daehwi é apaixonado pelo sucesso artístico  e satisfação pessoal. Eles são apenas almas gêmeas platônicas ou algo do tipo.)

 

— Espero que passe logo — Jinyoung diz, desviando o olhar dos rostos inchados de todos que estavam no palco — Odeio quando eles choram.

 

Daehwi concorda com a cabeça. — Falando em passar, como vão as coisas com o garoto do parque?

 

Ah, sim. Tem um detalhe que Jinyoung esqueceu de mencionar: ele tem uma quedinha ínfima por um garoto com o qual nunca falou na vida. Nada muito incomum, você provavelmente já leu algo do tipo antes.

 

Mesmo assim, suas orelhas queimam e seus ombros se encolhem levemente quando ouve a pergunta. — Na mesma — Jinyoung responde.

 

xxx

 

— Ok, vamos começar de novo, tá? — o sorriso de Jihoon é controlado, nervoso, o canto dos lábios trêmulo; o tom jorrando condescendência — Por que o Hyunwoo tentou enforcar o Hyunjung com o ursinho de pelúcia?

 

Na nada humilde residência dos Kang, residem os três meninos mais caóticos com os quais Park Jihoon teve de lidar desde que começou a cuidar de crianças. Hyunjoo, Hyunjung e Hyunwoo possuem seis anos de vida cada e, diga-se de passagem, estão passando seus dias infernizando a vida de todas as figuras de autoridade existentes. Hyunjung é o menor, mais franzino, atento, geralmente quem bola as pegadinhas mais absurdas possíveis. Hyunwoo é o mais atlético, rápido, competitivo e hiperativo: de longe o mais difícil de controlar. Hyunjoo é o mais inocente e manipulável, apesar de ser o mais alto do trio, e não fica atrás no quesito ser uma peste com suas crises de choro falsas e perguntas impossíveis de responder. O lugar é enorme, cada criança com seu quarto decorado de acordo com seus gostos infantis e personalidades, uma série de faxineiros e cozinheiros ao seu dispor, sala de jogos, um cachorro, entre outros. Os pais são corretores de imóveis, imensamente ocupados, e compraram um casarão para dar mais espaço aos filhos como compensador pela sua ausência.

 

Basicamente, Jihoon é pai aos dezoito anos sem nunca ter tocado numa mulher na vida. Emocionante.

 

— Ele roubou meu desenho! — Hyunwoo resmunga, a arma do crime repousada em seu colo com um bracinho de espuma esquartejado — O desenho dele ‘tava feio então ele pegou o meu quando eu fui fazer xixi!

 

Jihoon franze o cenho. — Só fala que foi no banheiro. Ninguém precisa saber o que você fez. — ele vira para o menor, que está comendo sua macarronada com indiferença — Hyunjung, você não sabe desenhar?

 

— Eu sei — ele retruca calmamente — Só não queria.

 

Hyunwoo joga o que restou de seu ursinho no rosto do seu irmão, sem cerimônias. — Mentiroso!

 

Hyunjoo tenta abafar a risada nas mãos. Jihoon não se identifica. — Hyunwoo, não importa o que aconteça, você não pode bater no seu irmão. Era só conversar ou falar com a professora.

 

Mas

 

— Sem mas. Hoje não tem parque, não tem jogo no computador e televisão só até às 9. Depois disso, cama. — e, observando a expressão de triunfo silencioso de Hyunjung, Jihoon completou — Você também, espertinho. Roubar é errado, mesmo que seja um desenho.

 

— Ah, não! — os dois choramingam ao mesmo tempo, Hyunjung afundando na cadeira, Hyunwoo dizendo as palavras mais chulas que conhecia no que achava ser um sussurro.

 

— Ah, sim. — Jihoon afirma, resoluto, e disfarça sua surpresa por ter sido obedecido. Uma hora isso teria que acontecer.

 

Hyunjoo vira para o mais velho com olhos grandes e esperançosos. — Eu vou poder ir no parque?

 

Jihoon dá de ombros. — Você não tentou enforcar ninguém, até onde eu saiba, então sim. Vai pegar seus brinquedos.

 

Hyunwoo e Hyunjung ficam na companhia de uma das empregadas, tentando fazer seus deveres de casa com a clara expressão pueril de infelicidade em seus rostos. Hyunjoo, por outro lado, saltita radiante até o parque com seus baldes e carrinhos, contando seu dia para Jihoon em mínimos detalhes. Às vezes, por mais absurdo que pareça, ele se pergunta se não está sendo duro demais com as crianças e depois se censura por se preocupar mais do que deveria. Ele toma conta dos trigêmeos às segundas, quartas e sextas; nos outros dias, uma outra babá supervisiona a casa até os pais deles chegarem, mas eles costumam dizer que Jihoon é o favorito deles.

 

Sabe-se lá o porquê. Ele nunca foi bom com crianças, nunca soube como se dirigir a elas e sempre as trata como se tivessem a sua idade, porém, os pequenos acabam simpatizando com ele mesmo assim. Quando não está ensaiando para o clube de dança ou dormindo nas suas aulas extra de matemática, está trabalhando para ajudar em casa e conseguir continuar dançando. Só Deus conhece seus pais e o quão grande é a rejeição deles quanto ao sonho de Jihoon.

 

É cansativo e definitivamente desestimulante, no entanto, ele não pode desistir. Ele se recusa a dar esse gostinho para todos que duvidaram dele — quando for uma estrela do pop coreano, sua professora de Física vai se arrepender de ter zerado a sua prova do primeiro bimestre.

Tem pequenas coisas que fazem seu dia ficar melhor, então ele fixa nisso.

 

Quando as crianças enchem-no de afeto aberto e despreocupado, ele se sente amado de uma maneira que não dá pra explicar. Quando ele sai com Guanlin, um primeiranista estrangeiro que gruda em Jihoon como um coala, e o mais novo fala sobre como ele o admira como pessoa e artista, Jihoon acha que vai flutuar feito um balão cheio de hélio e explodir. Quando ele e Woojin se encontram nos fins de semana e nem precisam dizer nada; só se bater, rir e fazer competições no fliperama, ele não se sente sozinho nem pesado.

 

— Ei! Você com o chapéu engraçado! — uma vozinha familiar o chama.

 

Jihoon ri ao deparar-se com a menina. Ela tem cabelos ralos presos num rabo de cavalo e estava usando um macacão com estampa de girafa, o rosto manchado de algo que parecia tinta, as mãos sujas de areia e um sorriso quadrado e gentil. Nas mãos, ela carregava uma flor — um lírio azul, provavelmente, mas Jihoon faltou a muitas aulas de botânica pra saber.

 

— Oi, Jinsol.

 

O sorriso da menina aumenta. — Sou eu! Toma, esse é pra você. Cadê os meninos?

 

— Eles ficaram de castigo — Jihoon responde, tomando a flor nas mãos. Não combinava muito com seu suéter amarelo do Snoopy e sua calça jeans, muito menos com a boina que usava, mas ele não se importava.

 

Jinsol abre a boca num O. — Eles fizeram bagunça?

 

Jihoon assente. Ele bota a flor atrás da orelha e gesticula para o seu rosto. — Tô bonito?

 

— Sim! Meu irmão disse que azul é a cor favorita dele — ela solta uma risadinha antes de completar a frase — E ele pediu pra te dar. Mas ele é tímido, então não tenho como apresentar vocês dois. Ainda.

 

Jihoon coça a nuca, sem graça. É uma das coisas que o fazem feliz, também, mesmo que isso possa soar narcisista, saber que alguém o acha bonito ao ponto de compará-lo a flores, mesmo que ele suspeite que a menina não tenha irmão porque já conhecia a maior parte das crianças ali e nenhuma parecia com ela. Talvez Jinsol tenha notado o quão triste ele parecia tentando controlar os trigêmeos e quis animá-lo. De qualquer forma, é adorável e ele aprecia o sentimento.

 

— Tudo bem, pode agradecer a ele — Jihoon diz e, como se por mágica, vira para Hyunjoo na hora que ele está jogando areia numa outra criança e cantando Você quer brincar na neve. A outra criança, um menino com no máximo quatro anos, parece prestes a chorar.

 

Jihoon passa o resto de seu dia evitando tragédias, desde evitar que Hyunjoo enterre algum de seus colegas de bairro até quando volta para casa e os dois outros estão brincando de pique-sapo, um deles com o rosto de fato verde e a moça da faxina descabelada e em pânico.

 

Quando ele volta pra casa, a janta já está pronta, seu pai e seu irmão mais velho esperando por ele, sua mãe já cochilando no sofá. Antes de dormir, ele guarda a flor num potinho, junto das outras que recebera antes — naquela sexta fazia três semanas que Bae Jinsol (a primeira e única, ela afirmara quando se conheceram, com um sorriso de dentes faltando) lhe deu a primeira flor, uma petúnia roxa. Ele sorri.

 

Quando pega o seu celular, precisa morder o lábio para reprimir uma gargalhada. Há mais de 50 mensagens pendentes, porém, ele foca somente em algumas.

 

swagguanlin01: a gente tá almoçando e o seonho acabou de PISCAR pro amigo do meu professor em pleno mcdonalds

swagguanlin01: homicídio me mandaria de volta pra taiwan?

jihoonie: guanlin. não.

swagguanlin01: eu só perguntei

swagguanlin01: e se parecer um acidente?

jihoonie: guanlin.

swagguanlin01: tá. sdds inclusive

jihoonie: sdds ):

 

[chat em grupo: dançarinos e agregados]

flowerseop99: venho por meio desta solicitar a remoção do haknyeon do grupo

hyvnmin: nem sei qq houve mas apoio

jejuboy: ei.

pwooj: o que ele fez?

pwooj: além de existir

jejuboy: aff

jejuboy: eu nem fiz nada

jejuboy: ele tá surtando

flowerseop99: DEIXA DE SER SONSO

flowerseop99: ele chamou o woongie pra sair

flowerseop99: entrando na minha casa e desrespeitando meu FILHO

jejuboy: ele eh menos de dois anos mais novo q vc

flowerseop99: olha a AUDÁCIA

flowerseop99: woojin deleta ele

pwooj: o jihoon eh o adm

jihoonie: vcs podem se resolver no privado? ta floodando o grupo

jejuboy: :P

Jihoon olha para seu reflexo no espelho e surpreende-se ao notar que está sorrindo. Um sorriso fraco, sim, meio cansado, mas no fim do dia é só mais um jeito dele perceber que gosta da sua vida caótica do jeito que é.

 

xxx

 

Jinyoung passa longe do parque em dias normais.

 

Ele não é o maior fã de ar livre ou exercício, sendo o ensaio das coreografias do teatro o único esforço físico que ele faz com frequência, e a quantidade de crianças no playground não o estimula muito também. Elas têm muitas vontades imediatas e curiosidades e necessidades que Jinyoung não consegue satisfazer sem gastar toda a sua energia então, é, ele não teria conhecido O Garoto se não fosse por Jinsol.

 

Ela conhece todas as crianças do bairro, da mais irritante e barulhenta à mais quieta e reclusa, e costuma brincar com quem quer que esteja por perto. Quando termina de fazer o dever de casa, Jinsol pede para ir ao parque e Jinyoung costuma levá-la pois a mãe deles está sempre ocupada com o jantar ou fazendo algo para o trabalho. Ele não se incomoda de fazer isso, até gosta de sentir a brisa noturna soprando em seu rosto enquanto lê um livro, vez ou outra checando se sua irmã não havia se metido em confusão.

 

Numa dessas ocasiões, o livro da vez é uma recomendação de Daehwi: um drama romântico e intenso, bem condizente com os gostos do mais novo, e a narrativa está na linha tênue entre a angústia e a morbidez. Jinyoung quer que as pessoas parem de ficar triste logo, apesar dos motivos serem convincentes, porque livros deprimentes demais o fazem se sentir mal.

 

— Pega essa!

 

As coisas acontecem rápido demais. O grito soa distante, então Jinyoung não se dá conta do que aconteceu até um objeto desconhecido atingí-lo no rosto. É uma bola de futebol, vermelha e dura e pesada que cai em cima de uma das páginas do livro antes de sair rolando pelo chão. Um dos trigêmeos — tinha que ser, a voz rabugenta na cabeça de Jinyoung reclama — corre para pegar a bola e acertar seu irmão, que sai correndo para o lado oposto. Jinyoung mal tem tempo de ponderar se valia a pena brigar com eles ou não.

 

Dói, ele não vai mentir. É fora do comum o quão fortes esses meninos podem ser quando ficam bravos e agora suas bochechas estão doloridas e seu nariz, coçando. Ele mal nota a pessoa aproximando-se dele, de tão atordoado.

 

— Ah, meu Deus, você tá bem? — é um garoto de óculos redondos usando uma boina, um suéter creme e calça jeans. O senso de moda questionável dele poderia ser a primeira coisa que nota nele se o dito-cujo não fosse tão lindo.

 

É uma beleza delicada, nada de rostos quadrados e olhos afiados e barbas mal-feitas. Não, o garoto desconhecido é todo curvas suaves, olhos brilhantes, cílios longos, lábios vermelhos e cheios. Todo pequenininho com sobrancelhas franzidas e bochechas vermelhas.

 

Jinyoung só consegue assentir fervorosamente antes de espirrar no rosto do menino.

 

Desnecessário dizer, mas aí vai: ele sente vontade de morrer soterrado na areia suja do parque na hora. Ele cobre o rosto com a mão num reflexo, mas já tinha sujado o rosto do garoto bonito com seus germes mortais. Não há outra alternativa a não ser o exílio iminente. Tomara que Jinsol não sinta muito sua falta.

 

— Desculpa — ele quase sussurra, olhos fixos no próprio colo. Talvez fossem essas suas últimas palavras em sociedade.

 

O garoto bota a mão no ombro de Jinyoung, o que só o faz encolher-se ainda mais. — Eu que peço desculpa. Na verdade, não eu. Hyunwoo!

 

Jinyoung ousa levantar o olhar o suficiente para ver o gêmeo culpado se aproximando, limpando as mãozinhas sujas na calça.

 

— Você não tem educação? Pede desculpa pro moço — o tom do garoto muda do murmúrio embaraçado que usou com Jinyoung para algo mais firme, sério.

 

Hyunwoo suspira. — Desculpa, moço. É tudo culpa do meu irmão, mas eu tenho que pedir desculpa mesmo assim porque o Jihoon me odeia.

 

O garoto, Jihoon, cruza os braços. — Quem foi que jogou a bola?

 

— Eu, mas…

 

— Então pronto. — Jihoon bagunça o cabelo do menino, que faz uma careta contrariada — Você pediu desculpa pelo que fez. Eu converso com você e seu irmão em casa, agora vai brincar. Sem jogar coisas em ninguém.

 

Hyunwoo revira os olhos antes de sair correndo em direção à gangorra. Jihoon parece perturbado e, infelizmente, continua muito bonito mesmo assim. Jinyoung resume-se a encará-lo, com medo das baboseiras que pudessem sair da sua boca se tentasse.

 

— Desculpa de novo, hm? — Jihoon sorri de leve. Será que ele está propositalmente usando charme para deixar Jinyoung bravo ou ele é charmoso assim, ao natural, sem precisar tentar? Impossível dizer. — Ele é uma criança impulsiva.

 

— Tudo bem — Jinyoung fala, muito baixo, porque parece que perdeu o resquício de voz que ainda tinha. Ele podia puxar assunto, se apresentar, ser mais eloquente, rir, qualquer coisa que não dispensá-lo e desviar o olhar para o livro.

 

Porém, faz exatamente isso. E daí pra frente, tudo é história.

 

Jinyoung acha que não foi nada demais, só um dos encontros esquisitos com pessoas atraentes que a vida proporciona, e trabalha duro para ignorar a constante presença de Jihoon ali. Isso acaba se tornando uma tarefa difícil demais para ser realizada: não só por ele ser a perfeita mistura de amável e responsável quando se tratava das crianças, mas por ser tão divertido de observar. Jihoon tem uma amálgama interminável de expressões, caretas espontâneas tomando forma em seu rosto antes que pudesse controlar, o nariz espremido quando ouve algo que não gostava e o jeito que ele cobre o rosto quando fica com vergonha. O jeito que ele morde o lábio inferior quando está procurando as palavras certas para dizer algo. Seus vários tipos de risada, sua voz mudando dependendo de com quem fala.

 

Ele é adorável e encantador de um jeito que Jinyoung ainda não é capaz de compreender completamente. A única coisa que sabe é que quer muito, muito, muito conversar com ele. Saber mais sobre ele. Começar a entender de onde vinha esse fascínio infundado por Jihoon, quem sabe uma abordagem direta faria essa paixonite ridícula sumir.

 

No entanto, a vergonha sempre ganha dele e o impede de fazer qualquer coisa.

 

— É possível gostar de alguém que não te conhece? — ele joga a pergunta no ar durante o intervalo dos ensaios do coral no teatro. Poderia ter perguntado às Jiwons, porém, não acha que elas sabiam mais do que ele sobre isso.

 

Seonho faz que sim com veemência. — Claro. Não precisa de muito pra gostar de alguém.

 

Minhyun demora mais para concordar e só se pronuncia alguns segundos depois. — Amar é outra coisa, mas gostar… Deve ser possível.

 

— Nunca aconteceu com você? — Sewoon pergunta, esparramado no palco, deitado no colo de Minki — Metade dos meus namoros começaram assim, na verdade.

 

Jinyoung cora ao pensar na possibilidade de namorar Jihoon e ainda mais ao perceber que não se oporia à ela. Muito pelo contrário. Há algo sobre a ideia de poder ficar de mãos dadas com Jihoon que faz com que Jinyoung sinta um friozinho gostoso na barriga. É ridículo.

 

Gunhee chega mais perto dele, o sorriso de quem está prestes a ser invasivo. — Quem é o crush anônimo?

 

— Eu nunca disse que isso tinha acontecido comigo — Jinyoung usa toda a força de vontade dentro de si para parecer impassível, mas acaba rindo no final. Não consegue mentir pra eles.

 

— Pra alguém do teatro, você precisa aprender a disfarçar melhor as emoções — Daehwi comenta enquanto usa as coxas de Jinyoung como travesseiro.

 

— Não é nada demais — ele foca em mexer no cabelo de Daehwi ao invés do olhar curioso que todos estavam lhe dirigindo — É um garoto que eu vejo sempre e ele parece legal, mas eu não sei conversar. Não sou, ahn, interessante. Ele vai ficar entediado.

 

— Se ele ficar entediado com você, ele é um otário — Minki praticamente decreta, com uma expressão de quem não vai aceitar ser contestado — E se ele quebrar seu coração, a gente quebra ele na porrada.

 

Vários barulhinhos de confirmação soam no teatro. Às vezes, Jinyoung esquece o quão apaixonadas (e assustadoras) as pessoas de Artes Cênicas são.

 

— Isso nem é uma possibilidade — Sungwoon diz — A gente tá aqui de prova que você é interessante, legal de conversar e as pessoas querem fazer amizade com você. Vai dar tudo certo.

 

Mais barulhinhos de confirmação. Jinyoung pode estar enganado, mas jura que ouviu um meu próprio filho, que isso vindo de Minhyun.  

 

Ele tem apresentado uma melhora significativa no que tange à sua insegurança. Nos últimos meses, já conseguia olhar para desconhecidos nos olhos e formar frases completas sem gaguejar muito. Demorava menos para que ele se abrisse, começasse a mostrar as asas, e boa parte disso é graças ao apoio e o conforto quase familiar que seus amigos ofereciam.

 

Porém, às vezes, Jinyoung sente as incertezas pesando sobre seus ombros. Se fizesse qualquer coisa constrangedora ou inconveniente ou idiota, voltar ao parque outra vez seria um pesadelo e ele não queria privar Jinsol de diversão só porque era o maior perdedor do mundo.

 

Tá tudo bem.

 

Jinyoung só precisa superar Jihoon e seguir sua vida com paz de espírito. Não pode ser tão difícil.

 

xxx

 

A mochila de Hyungseob voando pela sala marca o início de mais um dia na turma 3-A.

 

Pela conversa do dia anterior, Jihoon sabia que algo do gênero iria acontecer, mas não imaginava que seria tão rápido. Haknyeon está jogado no chão, cobrindo a cabeça com a sua própria mochila para proteger-se, e o resto da turma assiste a cena passivamente. Woojin nota a presença de Jihoon com um aceno.

 

— Pega o celular, rápido. Acho que hoje a gente testemunha um assassinato.

 

Jihoon ri. — Incrível. Isso tudo por causa de um encontro que nem aconteceu?

 

— Exatamente — Woojin se encolhe com o som da mochila de Hyungseob sendo arremessada pela segunda vez — Acho que eu também reagiria assim se você chamasse o Daehwi pra sair, por exemplo.

 

— Mas você gosta dele — Jihoon sorri ao ver o amigo ficar vermelho, mas não se dar ao trabalho de negar — O Seob não gosta do Woong.

 

Woojin franze o cenho. — Tem certeza?

 

Jihoon assente. Ele lembra-se com exatidão dos textos que Hyungseob escrevia para Woojin no fundamental e não acha que os sentimentos dele mudaram muito desde então. Logo, no caso específico Euiwoong-Haknyeon, ele só está sendo superprotetor e exagerando. Nada novo sob o sol.

 

E a professora de história é conhecida por seus longos atrasos, então esse drama vai perdurar por mais um tempo.

 

Dongmyung acaba com o embate, provavelmente porque não estava conseguindo dormir com o barulho, colocando Haknyeon e Hyungseob sentados um de frente para o outro. — Vocês são inacreditáveis. Cadê o diálogo?

 

Woojin abafa uma risadinha atrás das mãos.

 

— Ele tentou me matar! Você não discute com quem quer te matar! — Haknyeon retruca, gesticulando animosamente — Eu agi em legítima defesa.

 

Hyungseob revira os olhos. — Deixa de ser dramático.

 

Haknyeon ergue uma sobrancelha. Ele lembraria o Batman, se houvesse a chance do homem-morcego viver uma briga tão imbecil quanto aquela. — Você quer falar de drama? Coragem.

 

É a vez de Jihoon tentar abafar a risada.

 

Hyungseob abre a boca, fecha, abre a boca de novo, fecha outra vez e suspira em desistência. — Se você magoar ele, de propósito ou não, vai ser um homem morto.

 

Haknyeon dá de ombros. — Não vou.

 

Jihoon sorri. Como uma das únicas pessoas no círculo social dele que não está apaixonado por ninguém, ele acaba ouvindo sobre os interesses de seus amigos: Haknyeon não é muito bom com palavras ou declarações de amor, mas já falou mais de uma vez que trocaria todos do clube de dança por Euiwoong sem pensar duas vezes. Aquilo tem que valer de alguma coisa.

 

Caso contrário, Hyungseob vai atrás dele, Jihoon não precisa se preocupar. Aliás, correção: ele precisa se preocupar com uma série de coisas, porém, não com as aventuras dignas de novela mexicana de seus colegas de classe.

 

A professora entra na sala cinco minutos após o conflito ter sido resolvido, Hyunmin e Woojin jogando forca enquanto Jihoon cochila.

 

xxx

 

Bae Jinsol ama seu irmão.

 

É uma das suas maiores verdades. Jinyoung cuida dela com o carinho fraterno e a preocupação que ela nunca sentiu vindo de seus pais. Na sala, por exemplo, as meninas com quem anda discutiram sobre quem elas salvariam caso suas famílias estivessem morrendo afogadas e ela responde meu irmão sem hesitar. Sua mãe passa por muita coisa e seu pai não é uma má pessoa, Jinsol não pode culpá-los (muito) pelas coisas serem do jeito que são. Ela, no entanto, simplesmente não sabe o que seria dela se não fosse Jinyoung, sempre ao lado dela, convencendo-na de que é especial e amada.

 

Então ela tenta cuidar dele igual. Animá-lo quando está triste — apesar dele ter uma expressão facial perpetualmente tristinha, Jinsol diferencia o Jinyoung magoado do cansado do confuso do entediado com maestria —, ajudá-lo com tarefas domésticas, até dar conselhos. Ela se considera muito esperta para uma menina de dez anos e acha que Jinyoung deve fazer bom uso das suas palavras. Ele é muito esperto, também, apesar de não saber disso.

 

Num sábado, ela está assistindo ao novo episódio de Steven Universe quando sua mãe grita o nome dela de dentro da cozinha.

 

— Eu fiz torta de limão — ela diz, limpando as costas das mãos no avental — Quer?

 

— Não, mamãe — Jinsol responde prontamente, focada na televisão, até lembrar que torta de limão é sua sobremesa favorita do mundo todo (melhor que gelatina de morango) e muda de ideia — Depois do desenho?

 

Sua mãe abaixa para pegar a torta com suas luvas. — Tá bem. Pergunta pro Jinyoung e o Daehwi se eles querem um pedaço.

 

Jinsol engole a reclamação que ameaçou escapar de sua boca — ela estava perdendo a melhor parte do desenho — e corre pra subir as escadas até o quarto de Jinyoung. A alguns passos de abrir a porta, ela ouve um grunhido.

 

— Por que eu sou assim, Deus? — é a voz de Jinyoung choramingando — Eu posso ser meio chato, meio idiota, mas não sou uma pessoa ruim. Não mereço isso.

 

Jinsol faz uma careta de insatisfação. Odeia quando ele fica assim, agindo como se não fosse o garoto mais legal e inteligente que ela conhece. Ele tá até no ensino médio!

 

— Só fala com ele. — essa é a voz de Daehwi, suave e sensata.

 

Jinsol gosta de Daehwi: ele é o segundo garoto mais legal e inteligente que ela conhece, quase um terceiro irmão deles.

 

— E se eu fizer alguma coisa estranha? Eu espirrei no rosto dele — Jinyoung soava exasperado — E se ele me reconhecer? Eu não vou conseguir viver com a vergonha e a Jinsol gosta de ir ao parque. Não vou privar minha irmã  de nada só porque eu tô obcecado com um rostinho bonito.

 

— ‘Cê tá sendo irracional — Daehwi retruca — Nada disso vai acontecer. É só falar com ele.

 

Jinsol concorda em silêncio. Não faz ideia do porquê Jinyoung está inventando cenários ruins na cabeça para se impedir de falar com quem quer que seja, apesar de ter consciência da timidez dele. O tom frustrado dele a incomoda tanto que, nos segundos de silêncio que caem sobre o quarto, ela toma uma decisão.

 

Iria fazer com que esse garoto gostasse de Jinyoung. Depois, iria fazer Jinyoung falar com o garoto e parar de ficar triste.

 

Mas primeiro precisava saber quem ele é.

 

xxx

 

Jihoon se sente numa cena de drama. Nenhuma maratona de Goblin conseguiria replicar a maneira que o tempo parece parar, seu coração atirando-se contra sua caixa torácica.

 

No geral, é um dia normal. Os trigêmeos estão brincando de pique-pega com as outras crianças, o grupo dos dançarinos (e agregados) mais ativo do que nunca, Haknyeon bombardeando o chat com mensagens sobre como foi o seu encontro (com direito a fotos de casal) e Hyungseob ameaçando bloqueá-lo. Jihoon reveza entre conferir se os meninos estão bem e olhar suas redes sociais até que ouve um grito.

 

E choro.

 

Num parque cheio de crianças e brinquedos, seria irreal se não houvessem gritos e lágrimas, porém, esse choro específico soa familiar. Familiar como a presença de uma garota de dois dentes faltando e o lírio que ela botou atrás da orelha dele. Jinsol está caída ao lado do escorrega, o rosto vermelho e coberto de lágrimas, segurando uma das pernas. O primeiro instinto de Jihoon é correr na direção da menina, o peito apertando de preocupação, e se ajoelhar na frente dela.

 

— Você tá bem? — alguém pergunta com urgência, mas não é Jihoon.

 

Eles botam a mão no joelho de Jinsol ao mesmo tempo.

 

(É uma coincidência ridícula. No futuro, ambos decidem não mencioná-la.)

 

Jihoon sente a respiração prender em sua garganta. Não faz ideia se está boquiaberto, porque o garoto ajoelhado na frente dele é absurdo. Um rosto minúsculo, olhos redondos e assustados, a pele alguns tons mais escura que a de Jihoon e uma boca pequena, fina, levemente rosada. Quando ele corre a mão pelos cabelos grossos, num tom brilhante de castanho, parece alguém que saiu de uma história em quadrinhos.

 

Lindo, lindo, lindo. Inacreditavelmente. Não sabia se pessoas podiam ser lindas assim fora de contos de fada.

 

— Ah. — Jihoon diz, numa incrível demonstração de sua eloquência. A voz no seu subconsciente diz que ele é uma pessoa horrível por se preocupar com um menino bonito ao invés da criança machucada ao seu lado.

 

A criança machucada em questão sorri como se nada tivesse acontecido. — Jihoon, esse é o meu irmão. Jinyoung, esse é o Jihoon.

 

Jinyoung ri. É um riso nervoso, forçado, envergonhado, mas faz com que o rosto dele se ilumine e fique ainda mais adorável, se é que isso é possível. Jihoon tenta retribuir o gesto, porém, os seus músculos faciais estão rígidos demais.

 

O irmão de Jinsol existe.

O irmão de Jinsol existe e tem mais ou menos a idade de Jihoon.

O irmão de Jinsol existe, tem mais ou menos a idade de Jihoon e é uma gracinha.

 

— Você… — Jinyoung aponta um dedo acusatório para a irmã, mas não parece bravo. Seus olhos brilham com afeto. Fofo.

 

Jinsol sacode a poeira do vestido, levanta e dá três tapinhas nas costas do irmão. — De nada, maninho. — e com um floreio, ela sai saltitando em direção ao balanço.

 

Chocado é pouco para definir o estado de Jihoon naquele momento. Após os primeiros segundos de choque, eles levantam em silêncio. — O que acabou de acontecer?

 

Jinyoung arregala os olhos e cobre o rosto com as mãos, fazendo barulhinhos constrangidos. — Meu Deus, que vergonha.

 

— Tá tudo bem — Jihoon consola apesar de não ter a menor noção do que estava acontecendo ali. É verdade, então? O irmão real de Jinsol estava lhe dando flores reais porque o achava bonito como uma? Muita informação pra uma tarde só.

 

— Tá tudo péssimo, mas obrigado — Jinyoung sorri, ainda nervoso.  

 

Apesar disso, é toda a luz solar do mundo contida numa fileira de dentes e Jihoon sente um quentinho na boca do estômago. — Não, sério, irmãos mais novos vivem pra fazer a gente passar vergonha. É normal.

 

— Você tem irmãos? — Jinyoung pergunta. Ele não consegue fazer contato visual com Jihoon por muito tempo. É um costume engraçado, ao mesmo tempo que preocupante. Será que alguém já tinha falado pra ele que ele tem olhos muito bonitos?

 

— Tenho um irmão mais velho — Jihoon põe as mãos nos bolsos, sem saber o que fazer com elas — Ei, alguém já te falou que você tem olhos bonitos?

 

Ver o calor colorindo as bochechas de Jinyoung é impagável. — O-Obrigado…

 

— É sério — Jihoon insiste porque ele é chato e intrometido e não quer que a conversa morra — Olha pra mim. Só um pouco.

 

Jinyoung levanta o rosto o suficiente para Jihoon fitá-lo diretamente. O momento dura menos de um segundo, mas ambos acabam rindo, corados e tímidos e ridículos.

 

— Os seus são mais bonitos. Eles brilham — Jinyoung diz, brincando com a barra do seu casaco — Bonita flor, aliás.

 

Jihoon coça a parte de trás da nuca. Parece que sua pele inteirinha está pegando fogo. — É. Sua irmã que me deu.

 

— Ah, é? — Jinyoung olha para Jinsol. Ela propositalmente decide ignorá-los em favor de convencer uma das meninas brincando por perto a empurrá-la no balanço.

 

— Sim, sim — e Jihoon não pretendia mencionar a última parte, não mesmo, mas a curiosidade vai devorá-lo por dentro se não o fizer — Ela tem feito isso quando me vê. Diz que foi você que mandou e falou… — ele se obriga a dizer essas últimas palavras e não consegue mais manter contato visual — Que eu sou bonito igual a elas.

 

A expressão de Jinyoung muda no mesmo segundo, a boca formando um O. — Mentira.

 

— Ela inventou, né?

 

Jihoon tenta esconder a decepção na voz. Tenta conter o bico imenso que ameaça se formar em seu rosto. Seria tão ideal se Jinyoung estivesse minimamente interessado nele… Tá, ele falou algo sobre os olhos dele, mas foi só retribuição de elogio. Várias pessoas já comentaram que Jihoon tem olhos brilhantes e nenhuma queria chamá-lo pra sair. Jinyoung não é exceção.

 

— Sim. Quer dizer, mais ou menos.

 

Pera, que?

 

— Hã? — Jihoon quase engasga com a própria saliva. A parte dele que lidera debates escolares e apresenta seminários sem maiores preocupações está se retorcendo, vencida pela presença de um menino fofo com rosto pequeno e irmã do mal.

 

— Há algum tempo, um dos trigêmeos chutou uma bola na minha cara. — Jinyoung admite, claramente à contragosto.

 

— Meu Deus, é você! — Jihoon não impede a exclamação que escapa pela sua garganta. Não esperava essa reviravolta no enredo recém-revelado de novela mexicana que era a sua vida.

 

Jinyoung pigarreia.

 

— Desculpa. Pode continuar.

 

Jinyoung revira os olhos numa mistura de constrangimento e irritação. — Eu queria falar com você desde aquela época, mas não tinha coragem. Nunca falei com a Jinsol sobre isso, não faço ideia de como ela descobriu.

 

— Caraca, Jinyoung — Jihoon quase acha graça do quão surreal é a situação na qual ele foi se meter — Já fazem semanas.

 

— Não aceito julgamentos — Jinyoung rebate, braços cruzados — Só um convite pro cinema ou a promessa de nunca mais falar comigo na vida porque essa é a situação mais vergonhosa que eu já vivi.

 

Ele fala tudo rápido demais, mas Jihoon tem uma ótima audição e um índice de aproveitamento de situações melhor ainda. — Thor? Sorvete depois? No sábado?

 

Jinyoung ri de verdade dessa vez. — Pode ser.

 

Jihoon foi quem recebeu as flores, mas, naqueles segundos, é Jinyoung quem mais parece com elas: quando sorri, parece que seu rosto desabrocha.

 

xxx

 

— Você não vai passar~ — Jihoon cantarola entre risadas maníacas, as mãos pequenas segurando o joystick com determinação, os olhos focados no carro da Peach que estava comandando.

 

Se tem uma coisa que Jinyoung tem confiança em, no entanto, são suas habilidades em Mario Kart. Não só é seu jogo favorito desde a infância, mas também é algo à que ele recorre sempre que precisa de uma distração rápida, então já tem uma certa prática e conhece as manhas do jogo. Jihoon não é tão mau, apesar de evidentemente amador, e perde de 2x1. É a confirmação de que ele consegue fazer absolutamente qualquer coisa se dedicar foco e esforço àquilo. Jinyoung nunca sabe se fica orgulhoso ou perturbado.

 

— Ok — Jihoon admite com um biquinho — Você passou. Várias vezes, inclusive.

 

Jinyoung se inclina pra dar um beijo na bochecha dele, porque ele fica muito fofo fazendo pirraça. E, quando estão próximos o suficiente para Jinyoung sentir Jihoon respirando em seu rosto, dá outro no canto da boca. Jihoon é quem une os lábios de Jinyoung aos dele, sorrindo no meio do caminho. Ele tem gosto de chiclete de morango e algodão doce.

 

— Jinyoung — ele sussurra, a voz rouca, pesada de afeição — Eu gosto de você. — uma das mãos dele está na nuca do mais novo, a outra repousada sobre a sua mão — De verdade.

 

— E-Eu também… — Jinyoung se odeia por ainda gaguejar perto de Jihoon. É provavelmente o quarto encontro deles, sem contar as mensagens de texto que trocam constantemente — Tudo bem se eu só falar eu também?

 

Jihoon ri. — É mais do que qualquer coisa que eu possa pedir.

 

Jinyoung sente as maçãs do rosto esquentando outra vez. Jihoon sempre usa a facilidade que tem com palavras para fazer Jinyoung se derreter sem necessidade. — Daehwi me disse que responder assim não significa que você gosta da pessoa de volta e que eu tinha que evitar isso mas eu não consigo falar? Às vezes? Falar sobre sentimentos em voz alta. Você é tão brega que não deve entender.

 

— Não me identifico — Jihoon bota uma mecha do cabelo de Jinyoung atrás da orelha, o olhar estupidamente doce — Mas te entendo. Você não precisa responder sempre. Eu conheço seu coração.

 

Jinyoung torce o nariz e esconde o rosto na curva do pescoço de Jihoon. — Brega.

 

— Você me ama mesmo assim.

 

Jihoon ri com o corpo todo. Jinyoung beija o pescoço dele, porque ele é fofo e pequeno e macio e tem a melhor risada do mundo. — Talvez.


(Ele opta por ignorar o som da risadinha de Jinsol atrás da porta.)


Notas Finais


TO: MINHA AMIGA SECRETA > eu não pude evitar botar a hanlim line como pairing secundário assim que você mencionou nas notas lol tem outros pairings Implícitos mas eu não queria tirar o foco de winkdeep. provavelmente falhei. também falhei em fazer a narrativa não-linear ficar menos confusa. enfim, se você puder dar sua opinião 100% honesta sobre a fic eu juro que não me ofendo, até prefiro!! eu mencionei antes que essa tá longe de ser minha fic favorita mas espero que tenha gostado no geral .
OBSERVAÇÕES GERAIS: os trigemeos foram inventados por mim msm... a jinsol eu inventei tb mas peguei o nome da menina de april então se vcs quiserem imaginar a cara dela mesmo que ela seja da idade do baejin lol tá liberado. as jiwons (kim jiwon e hwang jiwon/viva) realmente existem e são membros de good day STAN GOOD DAY o girlgroup novo da c9, inclusive o baejin até apareceu no vlog da jiwon etc... o resto é tudo ex-integrante de 101. that's all folks, desculpa por isso lol


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