História Flowers that hurt - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jimin, Jungkook, Suga
Tags Sugamin, Yoonmin
Visualizações 32
Palavras 5.087
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Shonen-Ai, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Homossexualidade
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Boa leitura.

Capítulo 1 - Tossi flores


O jovem andava rápido, com uma mão em cima de sua barriga, e a outra em sua boca, ele queria correr, gritar, ele gostaria de chorar,  chorar de dor, de agonia, de frustração. Sabia que era um erro, ele sempre soube que estar perto demais seria um erro, e foi, os olhos, a boca, o nariz, a voz grossa, e o jeito adorável como falava consigo, foram acumulados em sua mente, e em instantes todo aquele estopim de lembranças desceu como um bolo de sentimentos até seu coração, porque ele se apaixonou por ele? Justo por Min Yoongi, que nem mesmo acreditava em amor? Porque seu pobre coração escolherá justamente o dele como par? Será que ele não sabia o quanto aquilo doeria? O quanto era perigoso? Provavelmente não, ou talvez até soubesse e mesmo assim havia escolhido o dele, seu coração queria acreditar que seu fio vermelho era grudado ao de Yoongi, mas não era, seu fio estava perdido em meio ao mundo, e seu mundo estava perdido em meio as flores, em meio as peônias brancas que Yoongi gostava de apreciar quando passavam em frente à floricultura, e enquanto andava ligeiramente pela rua movimentada, desviando de um e de outro, tudo o que sua mente processava era a dor, a dor que Yoongi causava a si, a dor que ele mesmo trouxera ao decidir se calar, esbarrava em algumas poucas pessoas e não se dava ao luxo de para-las apenas para que pudesse se desculpar, não quando as pétalas já lhe tocavam o palato em sua boca, mas ele aguentaria mais um pouco, afinal, ele não tinha muita escolha. 

 

Yoongi corria, sem se importar com os olhares que lhe lançavam na rua, como se ele fosse algum tipo de louco, ou algum fugitivo da polícia, quando na verdade, Yoongi fugia das flores, apenas delas, e do sentimento intruso que havia se instalado em seu peito, afinal, quem Park Jimin achava que era? Como pode se acomodar daquela forma em seu coração? Ele não queria ama-lo, não queria amar ninguém, e até alguns dias, nem mesmo tinha certeza sobre o sentimento ser ou não real, mas era, a certeza veio junto com um flor, junto a dor absurda que lhe acometia agora todos os dias, Yoongi não sabia do perigo, não sabia que aquela proximidade seria fatal, por isso deixou que Jimin se aproximasse de si, deixou que a presença agradavelmente animada do jovem lhe enchesse o dia de sorrisos e por fim, sem que deixasse, o garoto levou todos os seus sorrisos até o coração de Yoongi, e lá decidiu fazer morada, no início, o de cabelos negros não sabia exatamente o que era aquilo, apenas sabia que queria Jimin por perto, queria seus sorriso e palavras doces, queria ser doce para com Jimin, aquilo para si era inocente de mais, e só se deu conta do que acontecia quando precisou se segurar para não tocar os lábios alheios com os seus. E em uma manhã quando acordou com enjoo, foi quando a certeza lhe atingiu, em uma forma casta, bela, a certeza lhe atingiu em forma de pétalas, pétalas alaranjadas, as pétalas das flores preferidas de Park Jimin. Quando seus pés finalmente tocaram o chão do prédio, ele correu escada acima, e com dificuldades ele abriu a porta de seu apartamento, correndo novamente até que chegasse ao banheiro branco, onde finalmente tirou a mão de sua boca e deixou que as pétalas saíssem, machucando sua garganta e fazendo cócegas no palato, elas saíram em maior quantidade do que da ultima vez, logo viriam as flores, e ele temia não suporta-las, deixou que as costas batessem na parede clara e depois descessem até que seu corpo estivesse no chão, fraco, exausto, com dores na garganta, e uma maior ainda no peito, céus, porque o amor doía tanto? Porque ele não poderia simplesmente ter coragem de dizer a Jimin o que sentia? Eram tantas perguntas que rondavam sua mente, tantas dúvidas, e apenas duas certezas, ele amava Park Jimin e seu sorriso, e a outra, era que se não se decidisse, continuaria a vomitar flores, até que seu corpo não aguentasse mais. 

 

O Park levantou a cabeça que a poucos minutos estava direcionada ao vaso sanitário, onde despejava lá suas pétalas, ele se sentia fraco, impotente, apaixonado, sua cabeça girava, não de tontura, mas sim de amor, ele gostava de amar, mas não gostava de temer esse amor, ele não gostava da dúvida, ele não gostava de sentir medo, medo da rejeição, medo de que Yoongi nunca pudesse corresponder seus sentimentos, medo de que o amor que achava que pudesse sentir fosse realmente concreto, Jimin queria tirar aquelas dúvidas de seu coração, ele queria tirar de seus pulmões as pétalas que iam de acumulando até de tornarem flores completas, ele queria tirar toda aquela ansiedade e substituí-la por algo menos doloroso, comida talvez? Jimin não sabia ao certo, continuou por mais alguns minutos sentado de frente para o vaso sanitário, esperando que talvez sua mente pudesse lhe esclarecer todos as dúvidas, esperando que seu cérebro lhe desse as respostas das perguntas subconscientemente feitas e até mesmo daquelas que nem mesmo ainda havia formulado uma pergunta descente, ele apenas esperou, ainda sentindo a queimação característica em sua garganta, algo como a mistura de seus ácidos estomacais misturados a textura das pétalas e caules, que normalmente eram macios e suaves ao toque, mas não era exatamente assim quando se eram despejados garganta a fora, manchadas com seu sangue. 

   

O moreno naquele momento, apenas desejava beber uma boa dose de álcool para matar aquelas malditas borboletas que agora residiam em seu estômago, afinal, como elas entraram ali? Talvez estivessem ido junto com as flores que não se lembrava de ter engolido, mas que agora saiam de sua boca com uma aparência bela de mais para o gosto ácido que deixavam na boca, Yoongi gostaria de expulsar cada uma delas de lá, gostaria de arrancar de cada uma a raiz, mas ele não tinha coragem, não quando o responsável por aquilo era Jimin, o garoto que achava que ele nem mesmo acreditava em amor, mas céus, era óbvio que acreditava, Yoongi acreditava no amor e em suas mirabolices, mas infelizmente aquilo não significava que o rapaz deixava com que as pessoas entrassem em seu coração com facilidade, ele nunca as permitia tal coisa, mas com Jimin havia sido diferente, ele havia entrado em seu coração antes mesmo de Yoongi ter fechado a porta, ele apenas havia ido e se instalado no peito, sem intenção de sair, plantando flores nos jardins dos seus pulmões e chamando as borboletas para festejarem consigo em seu estômago. Se levantou de onde estava sentado e começou a remover as roupas devagar, ainda se sentia fraco, retirou as peças de cima, expondo o tronco magro, e branco de mais, retirou o restante das roupas, e andou até o banheiro, entrando no box e deixando que a água morna lavasse sua dor, deixando que a água escorresse seu corpo e levasse os problemas embora, deixou-se comparar a água morna com a pele quente de Jimin, a pele que daria tudo para estar colada a sua, os cabelos escuros molhados, naquele momento se mesclavam a cor alva da pele alheia, as cores de Yoongi desbotaram, e ele apenas esperava que algo de bom viesse das cores que saiam de si. 

Enquanto esperava o restante dos amigos na mesa redonda do bar, batucava os dedos na mesma num claro sinal de inquietação, ansiedade, ele não sabia definir ao certo, apenas sentia as malditas borboletas voando feito loucas dentro do pequeno estômago, Jimin logo chegaria, e ele temia vomitar as flores ali a sua frente, o que ele pensaria de si? Jin foi o primeiro a chegar, e sentou-se junto  a si na mesa, esperando juntos os amigos atrasados, Seokjin sabia sobre a doença de Yoongi, então apenas sorriu triste quando em uma tosse, uma pétala solitária saiu por entre os lábios do amigo, e disse a ele que tudo se ajeitaria,  bastava que conversasse com Jimin, e ele o faria, só não sabia se seria hoje. 

Haviam duas opções, ou tinha o amor correspondido, ou fazia a cirurgia de retirada das pétalas e esquecia todo o sentimento, aquelas eram as únicas possíveis curas para o Hanahaki Byou, uma doença não tão incomum, letal, as pessoas costumam não aguentar até que chegasse os quatro meses. No começo as pessoas vomitavam apenas pétalas, que evoluíam para flores completas, que iam aumentando a quantidade até que todo um buquê saísse de seus pulmões, e a pessoa acabasse morrendo engasgada. Jimin não queria morrer em seu primeiro amor, e Yoongi não queria morrer com flores no peito, não quando essas flores vinham por culpa de Jimin, nada que viesse dele seria ruim, nem mesmo a agonia constante de sentir os caules rasgaram a garganta do moreno eram suficientes para que aquele sentimento caloroso no peito de Yoongi diminuísse. No começo, aquele sentimento diferencial que sentia por Jimin não passava de amizade, na cabeça de Yoongi claro, nunca passaria daquilo, nunca passaria de apenas um sentimento diferente pelo melhor amigo, e só se tornou ciente  da totalidade de seus sentimentos quando acordará com enjoos, e quando preparou-se para vomitar o que quer que tivesse no estomago, a surpresa lhe atingiu como uma pedra, saíram pétalas, pétalas alaranjadas, macias, e naquela mesma noite, Yoongi chorou, pois seu amor doía, e lhe machucava a garganta. 

Jimin andava devagar, desta vez, as borboletas voavam livremente pelo seu estômago enquanto as flores provavelmente cresciam mais em si, e ainda sim, queria ver Yoongi e seu sorriso ladino, queria observar a pele pálida, macia como as pétalas que vomitava dia após dia, provavelmente Jimin não duraria muito, vendo que apenas pela manhã haviam sido postas para fora quatro flores, não demoraria até que tivesse um buquê em si, mas ele não ligava muito, a medida que as flores eram vomitadas o amor em seu coração aumentava, ele não se importava em morrer por alguém que ama, mas certamente preferia tentar curar-se e viver de beijos. 

Quando os demais chegaram e se sentaram a mesa, Yoongi não pode evitar suspirar, Park Jimin era tão perfeito, exalava uma áurea quase surreal, ele era como um anjo de sorriso doce, quando sentiu a garganta coçar, bebeu rapidamente um copo de alguma bebida que Jin havia pedido para si, e pediu silenciosamente que o amigo o desculpasse por beber sua bebida. Os demais conversavam entretidos, apenas Jin notava o desconforto de ambos os garotos calados a mesa, Jimin tinha o olhar perdido, meio opaco, pensando em que deveria fazer, tentar um beijo, ou morrer sufocado por flores? Céus aquilo não era a melhor das opções, ele sempre havia amado as flores, flores coloridas, macias, pequenas, grandes, mas naquele momento, elas pareciam armas de tortura, usadas para machucarem-lhe o peito. Já Yoongi, observava as feições de Jimin atenciosamente, desviando o olhar pesado sempre que Jimin olhava de volta para si, meio corado, sorrindo ladino, Yoongi estava apaixonado de mais para notar esses detalhes, ele apenas focava os olhos nos dele, esperando que um dia ele lhe observasse com tanta ternura quanto Yoongi olhava para si, mas, já bastava não? A incerteza da unilateralidade, já bastava para si, já não queria vomitar flores, nem caules, nem o que quer que fosse, ele queria que as flores saíssem de floriculturas, e não de seus pulmões. 

-Hei, Jimin.- Chamou firme, quem o ouvisse nem mesmo suspeitaria que por dentro estava tenso, ou que suas mãos tremiam de baixo da mesa do bar.- Vamos comigo lá fora? Tomar um ar fresco.- tentou parecer normal, deu seu melhor nesta pequena missão, onde sua mente travava uma batalha quase perdida com seu coração, o razão e a emoção nunca andaram juntos afinal,  sua razão dizia que não existiam fios vermelhos, mas seu coração lhe empurrava a ideia de que o seu fio era amarrado ao de Jimin, mas que culpa o coração tinha no final? Criar esperanças? Planos? Fantasias? Oh, mas havia sido o racional a ter feito isso, seu conflito interno era uma batalha perdida, Jimin acabaria vencendo no final, sua mente fantasiava ilusões falsamente perfeitas, sua própria mente havia abandonado a razão por aquele garoto. 

-Claro, Hyung.- Sua mente girava, seu coração batia mais forte enquanto acompanhava Yoongi até o lado de fora, as borboletas mais uma vez faziam uma festa em seu estômago, e certamente as flores em seus pulmões já cresciam mais, o que estava realmente acontecendo consigo? Algum delírio romântico? Sua cabeça girava e ele mal sabia onde ia, apenas seguia Yoongi, vendo o corpo magro perto do seu, e o cabelo escuro, macio, balançar de leve com os ventiladores do local, o mais novo se perdia em seu próprio mundo, se perdia no labirinto de flores, e ficava por lá até que alguém lhe tirasse de lá a força, pois afinal, qual era a verdadeira saída? Onde ficava a saída do grande labirinto do coração de Yoongi? Ele estaria perdido nos sentimentos do moreno, ou nos seus?  

-Eu preciso de sua ajuda.- disparou assim que saíram para fora do local, sabendo que o que iria pedir era ilógico demais, mas que ainda sim parecia mais logico do que ter o Park apaixonado por si, pois vejam, Min Yoongi sabia cada um dos seus defeitos, listados de trás para frente, porque é que alguém como Jimin iria gostar de si desta forma? Talvez nem ele mesmo gostasse. - Eu tenho vomitado flores, Jimin.- disse no fiozinho de voz, como se não quisesse que ele soubesse que tinha sentimentos, como se não quisesse realmente dizer, mesmo que fosse preciso.- Você sabe uma maneira de fazer parar? 

Ele não diria diretamente a Jimin que o amava assim tão fácil, mesmo depois de algumas pétalas, não quis nem mesmo dizer a si mesmo que gostava do outro daquela forma, em sua personalidade dura aquilo era ser frágil demais, era se expor demais, ele não queria expor suas flores assim a alguém, mesmo que aquilo significasse morrer engasgado com elas, mas em sua cabeça tão dura, se engasgar por Jimin não era tão ruim assim. 

 

Mesmo que não tivesse demonstrado ali, por alguns segundos seu mundo desmoronou para então ele recobrar a consciência em meio aos escombros de si mesmo, se Yoongi era capaz de amar a alguém, porque não a si? Porque pedir justamente sua ajuda? Como se amigos servissem para essas coisas, e céus, amigos não serviam para isso, amigos se apoiavam, não curavam Hanahaki, Yoongi que o desculpasse, mas em meio aos seus tão bagunçados sentimentos, ele não tinha uma reação para aquela pergunta, mesmo que ele mesmo sofresse da mesma doença. 

-Você está amando.- sussurrou tão baixo, como se não quisesse que aquilo fosse verdade. Sentiu o corpo do outro em um súbito ato de coragem, chegar mais perto do seu, enquanto mantinha seus olhos colados ao chão, observando a limpeza de seus tênis, e com os pensamentos perdidos em um ponto qualquer de seu próprio sofrimento. 

-Estou.- ambos conversavam em um tom baixo, como se aquilo fosse um tipo de segredo cumplice, mas no entanto, era apenas algo que os dois devessem ter feito a muito tempo.  

-Por quem?- Jimin se obrigou a perguntar, mesmo que no fundo ele não tivesse a mínima vontade de saber, o que o levava a perguntar era a genuína curiosidade de saber que um alguém conseguiu o que ele, mesmo que discretamente, almejava, tentava, se esforçava. Não era fácil para si, Yoongi era alguns anos mais velho, não muitos, mas era uma pessoa mais séria e fechada que si, e desde que se conheceram o mais velho agia consigo como apenas mais um Hyung, tratando Jimin como um irmão mais novo, nem mesmo um amigo, e aquilo o frustrava, por saber que o único a se envolver naquele carinho havia sido apenas ele mesmo, tão idiota. 

-Por você, Jimin, eu não sei o que fazer.- deitou sua cabeça sobre o ombro do mais novo, totalmente envergonhado, levemente frustrado, aquilo era demais para si e sua timidez, ou melhor, para seu coração, que não media esforços para bater com toda sua força contra a caixa torácica do rapaz, em sua primeira e quem sabe, após os resultados, também sua última declaração de amor, se é que poderia ser chamada assim.  

Seus braços permaneceram por mais alguns instantes caídos ao lado de seu corpo, enquanto digeria bem aquela informação, sua mente pareceu girar e as borboletas que antes faziam bagunça agora faziam algum tipo de retirada de seu corpo, deixando que mesmo trêmulos, os dedos fossem até o meio das costas de seu hyung, enquanto a mão esquerda ia até os cabelos negros e deixando um carinho suave, pedindo em silêncio pela atenção do mais velho, vendo-o levantar o olhar até o seu, não se demorando até que os lábios fossem colados em um selar, para que então sorrissem um para o outro em um total entendimento, até que se deixassem amar mais uma vez.  

O clichê havia finalmente acontecido, o casal havia se declarado, mesmo que com poucas palavras, e agora poderiam ficar juntos, era isso que, da janelinha da porta do bar Jeon observava, o casal de amigos em um momento tão íntimo e invejável para si, desviando finalmente o olhar para dar privacidade ao novo casal, enquanto o olhar se perdia no amigo abraçado ao namorado, sabendo que das flores que Jimin sofrera, ele experimentava agora, sentindo o coçar das pétalas ensanguentadas em sua garganta, aquilo era total e exclusivamente culpa sua. 

Ele via seu hyung ali na mesma mesa que si momentos atrás, e por mais que gostasse da presença dos demais amigos, aquilo era doloroso, ele era novo, ele assumia a si e a quem perguntasse, que ele definitivamente não sabia lidar com tudo o que estava acontecendo em sua mente, totalmente conturbada em confusões e sentimentos impossíveis, num total desentendimento de como aquilo havia acontecido. Voltou a mesa sob o olhar preocupado de Jin sobre sua figura magra e aparentemente abatida, perguntando a si em seguida se havia algo errado, e céus, tudo estava errado em seu coração. 

Os amigos voltaram a mesa e o mais novo permanecia com o olhar perdido no gelo que vagarosamente derretia em seu copo, como se nada ao seu redor parecesse tão interessante quanto aquilo. Jimin sorria contido, assim como Yoongi, que achava graça de como o menor se esforçava para transparecer que nada havia acontecido, no entanto, muito havia mudado em minutos, as mãos estavam estranhamente perto, esbarando uma na outra vez ou outra no movimento de andar, e eles sorriam mais, abaixando o rosto em momentos, para que a vermelhidão ficassem menos visível.  

Apenas Jin ali reparava o estranho comportamento dos três amigos, já tendo ideia do que poderia ter ocorrido entre Jimin e Yoongi, se sentindo feliz por isso, era algo que todos viam, ficavam bonitos juntos, felizes, mas não entendia o motivo do olhar tão abatido de Jungkook. Enquanto sorrisos tímidos e reprimidos siam livremente dos lábios do novo casal, o sorria permanecia morto nos labios do mais novo ali. 

-Está tudo bem, Kook? Está passando mal?- perguntou o mais suave que conseguia. 

-É mesmo, meu biscoito está muito caladinho hoje.- Namjoon disse esticando a mão que antes estava pousada nos ombros do namorado para que pudessem cutucar o garoto, que levemente encolhido, olhou todos os pares de olhos na mesa, antes de responder baixo. 

-Estou apenas cansado.- viu Jin sorrir doce e dizer que o entendia, enquanto Namjoon ainda com a mãos esticada acariciava levemente os cabelos do rapaz, voltando sua atenção a algo que Yoongi dizia a si, deixando-se rir e mostrar as covinhas. Olhou de canto para Jin, que falava algo a Taehyung que sorria a tudo e todos, no seu habitual  espirito alegre, ele queria ser como si, e não deixar que nada o abalasse, como se ele mesmo fosse o próprio murro ao redor de si, como se ninguém fosse o suficiente para fazê-lo se sentir confuso, ou intimidado, ele queria ser alto suficiente assim como Tae era, ou tão seguro quanto era Yoongi,  Jeon sabia desde o inicio que mesmo que nem tentasse, ele teria o coração de Jimin para si, ele teria o garoto de corpo e alma, de todo o coração, e ele daria de volta tudo o que o rapaz sentia, e algo dizia que os dois eram quase feitos um para o outro, num completo oposto, mas não um oposto ruim, e sim um daqueles que se completavam em uma harmonia quase surreal 

 Ele viu o sorriso de Jimin para si, tímido e contido, olhando em seguida para o rosto de Yoongi ao seu lado, na evidente paixão e felicidade, segurando a própria mão, como se para não agarrar a de Yoongi ali, enquanto o que tinham não era oficial. Jeon riu fraco para si, minimamente animado pela felicidade do amigo, ele sentia muito, gostaria de se alegrar pela alegria pura que Jimin sentia ali, pela alegria de finalmente ter seu amor correspondido, a cura da doença da qual descobrira sofrer a poucos dias, ele não conseguia se animar pelo amigo, pois infelizmente, ele sabia que teria um final diferente do dele. 

Jin observava o garoto a bons segundos, encaixando as peças em sua mente,  enquanto Jungkook permanecia cabisbaixo, mas não era culpa dele afinal, estar doente, e apaixonado não era fácil, estar doente de amor era mais complicado ainda, mas então, adoecer de amor, e saber que é as chances de ser correspondido eram mínimas, baixas demais para serem consideradas possibilidades, se tornava um peso, um fardo a qual teria de carregar quase que totalmente sozinho, sabendo que um dos únicos a quem sabia poder pedir apoio, era justamente a pessoa que faziam suas chances de ser amado de volta nulas. 

-.- 

-Estamos em um relacionamento!- afirmaram juntos na sala de estar juntamente dos amigos, decidiram que esperariam alguns meses para que a doença se dissipasse e para que tivessem total certeza da realidade e potencialidade da relação que ambos almejavam construir. Neste curto período, o jovem mais novo no grupo havia se distanciado de uma maneira perceptível, emagrecido de uma forma ainda mais aparente, e se abatido  ainda mais com o relacionamento que o dono de seu coração mantinha com um de seus melhores amigos, ele não queria se sentir assim, mas era inevitável, ele queria ter a coragem de fazer a maldita cirurgia, mas amar para si era algo tão lindo que não merecia ser apagado, mesmo que aquilo lhe custasse a vida, para si, era melhor morrer amando, do que morrer sem sentir nada, se esquecendo de tudo, e de todos os momentos que fizeram dele merecedor do seu amor.  

O grupo que antes comemorava um momento feliz da união do novo casal, mal teve tempo de assimilar o que acontecia, apenas ouviram alguns espirros, seguidos da visão do corpo magro de Jeon se contorcendo no sofá da sala, enquanto tossia compulsivamente com as mãos sobre a boca, tirando-as apenas a tempo de ver o sangue em seus dedos, junto a pétalas e caules e uma flor inteira, que lhe rasgavam a faringe mais uma vez, e mais espirros até que os olhos se revirassem e ele não visse mais nada.  

O desespero dos rapazes era claro, enquanto Taehyung pegava o corpo do amigo nos braços e corria para a garagem onde Yoongi já dava partida no carro, com Jimin no banco do passageiro ligando nervosamente para o hospital enquanto segurava as lagrimas ao ver o amigo naquela situação, ele sabia que aquele estagio do Hanahaki iria chegar, mais cedo ou mais tarde, ele nunca estaria pronto para aquele momento, não importa o quanto demorasse, segurou a mão de Yoongi com a sua enquanto dirigia rapidamente o carro em direção ao pronto socorro mais próximo dali. 

Para trás Namjoon já se ajeitava no carro, com Hoseok no banco de trás totalmente perdido no que deveria fazer, com a visão perturbadora de Jungkook tossindo sangue e flores ali ao seu lado, só queria o amigo bem. Mas Jin, ao lado do namorado, permaneceu atônito desde o momento em que vira a flor com sangue, como se agora o quebra cabeça de sua cabeça fizesse minimamente sentido, os outros tão levados pelo desespero nem notaram que o menino havia tossido uma peônia roxa.  

Abriu seus olhos por breves segundos os enfermeiros a sua frente puxando o lugar onde ele sentia o leve movimentar, enquanto sentia o coçar irritante dos caules em sua faringe, era tão incomodo, sentir o ar sair de seus pulmões e voltar doido, e mesmo assim, o garoto sorriu ao se lembrar de como chegara naquele estado, do dia em que tudo aquilo havia começado, antes mesmo de sua doença. 

Eram nítidos os detalhes em sua cabeça, naquela noite quando tranquilamente entrara em casa mais cedo que o normal, devido a um prova terminada com prazo, seu pai não estava a alguns dias, lhe disse que estaria a viajem pelo trabalho, não seria a primeira vez, no entanto, enquanto se preparava para subir ao quarto trocar a roupa por uma mais confortável, ouviu um barulho incomum num dos quartos da casa, subiu receoso, e mesmo que no fundo não quisesse saber o que realmente era, foi levado pela curiosidade, vendo pela clichê fresta da porta do quarto de seus pais, sua mãe gemendo por outro homem, apenas deixou sua mochila cair no pequeno susto, arrependendo-se por ter ido embora sem esperar Yoongi para uma carona, ou por ter sido tão curioso, viu os olhos assustados da mulher que o havia criado assim que voltou a olhar para a cena, e ouviu seu nome ser dito em uma voz tremula, em tom de pergunta. Aquilo havia doído, e como um quebra cabeça ele se viu desvendando a demora de seu pai em suas viagens, na estranheza de sua mãe em dias que decidia ficar em casa, estava desapontado, mas não surpreso, e não se surpreendeu ao ver-se correr para algum lugar, qualquer que fosse, o mas para longe de sua casa, e se viu parar naquela praça meio abandonada em que gostava de ir, era um lugarzinho meio escondido onde costumava ir para pensar, ou quando queria um pouco de paz, nem mesmo considerava uma praça, só um cantinho com dois ou três bancos, e em um deles, se sentou, e se deixou perder nas horas do dia.  

Não fazia questão de olhar o relógio e ver quanto tempo havia se passado, sabia que eram horas por já ter o céu estrelado sobre a cabeça, e então ouviu passos, mas nem fez questão de olhar para trás, sabia bem quem era, sabia que sua mãe já havia ligado para metade do mundo atrás de si, já era noite no final das contas.  

-Você sabe que não pode sair correndo assim, não é?-  a voz grave soou divertida, mesmo que o momento não fosse o mais propicio para tal. 

-É, fiquei sabendo. - sorriu brevemente olhando para o lado, onde sentira o calor do corpo do outro pela proximidade.- Você sabe que tive um bom motivo para correr, não é? - lhe devolveu no mesmo tom. 

-Ah, é mesmo? 

-Um surto de adrenalina. 

-Não me diga- riu brevemente.- Olha, você já sabe que sua mãe me ligou, e explicou tudo.- assentiu.- Eu nem vim para te convencer a voltar para casa, só para dizer que estou aqui com você.- disse dessa vez mais serio, e pela primeira vez no dia o mais novo se permitiu se jogar nos braços do amigo e deixar que as lagrimas escorressem pelo rosto de pele clara, jogando para fora aquilo que lhe enchia o peito, era bom ouvir aquilo do rapaz, incomum também. 

-Como sabia onde eu estava?- separaram-se brevemente. 

-Eu só sabia, não pergunte demais.- abraçou mais uma vez o garoto e deixou o rosto do mesmo ali em seu pescoço.  

Mesmo que o coração de Jungkook estivesse decepcionado, ele se deixou bombear com mais rapidez do que o normal, aspirando o cheiro da roupa alheia, e se deixando relaxar. 

-Vamos para casa- ouviu o outro, já se soltando, sabia que não era muito de demonstrar o que sentia, e  mesmo assim o mais novo sentiu em si o cheiro de lar. 

-Ele tosse muito, não podemos opera-lo sem o consentimento, esta cirurgia é totalmente diferente das demais, ela muda a humanidade.- o jovem ouviu o medico dizer a uma mulher que chorava e concordava com tudo, perto de sua maca, sua mãe. 

Ele sorriu apesar de tudo, e chamou baixinho a mulher. 

-Eu não vou fazer.- disse com dificuldade, a garganta doia, coçava, e ele sentia uma vontade gigantesca de espirar. 

-Mas meu amor, você não vai aguentar- chorava. 

-vou morrer de amor, mamãe.- Ele disse, espirando algumas vezes antes de pedir um pedacinho de papel a mulher, deixando-o só em poucos minutos, a pedido da enfermeira. Escreveu o que seu coração pedia, mesmo que com poucas palavras, e amassou-o forte, segurando em suas mãos. 

A tosse voltara, os espirros e as flores cheias de sangue sobre as pernas cobertas pelo lençol branco, seu corpo sendo levado rapidamente pelos corredores, só via o vulto e luzes brancas, a conversa desconexa dos profissionais e algumas pessoas gritando seu nome em alguma parte do percurso. E então em um ultimo coçar na garganta, sentiu a plenitude e a doce sensação do amor lhe esquentando o peito e se alastrando até a pontinha dos dedos, para em seguida sorrir, e não sentir mais nada. 

 

-Quem de vocês é acompanhante de Jeon Jungkook?- O homem de branco perguntou na recepção, vendo o grante grupo de levantar o rosto e dizer que eram eles, o medico suspirou. - Sinto muito pela perda, fizemos o possivel dentro dos limites permitidos pelo paciente e para a lei do Hanahaki.  

O choro da mulher foi ouvido, assim como o dos demais, vendo alguns atonitos, como se não tivessem caido a ficha, Jimin abraçava Yoongi que não sabia bem como agir após a noticia, assim como Hoseok e Tae. 

-Quem de vocês é Namjoon?- O dito cujo se levantou. 

-Sou eu. 

-Este papel estava na mão do paciente, ele o segurava forte durante todo o processo, imagino que deva ficar com você agora, sinto muito.- disse lhe entregando um pequeno papel amassado, um pouco sujo de sangue. 

 

"Eu não me arrependo disso em nenhum momento, mas me perdoe por te amar, Namjoon"


Notas Finais


Obrigada por ler, não deixe de comentar.


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...