História Fly - Capítulo 2


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Palavras 2.107
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Artes Marciais, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Luta, Magia, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Saga, Shoujo-Ai, Survival, Suspense, Violência, Yuri
Avisos: Álcool, Canibalismo, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Bem, amigos, aqui está para vocês o mais novo capítulo da fic que eu estava demorando para postar... Acho que vocês já notaram que é grande, mas o que posso fazer se a inspiração achegou e colocou totalmente em mim? É eu realmente estou bem contente com isso! Bem, sem mais delongas, espero que se agradem do capítulo... Que demorou infernais dias para ser escrito e cansativas horas para ser digitado completamente... Rs!

Capítulo 2 - Chou - Borboletas


Dentre milhares eu fui escolhida. Nasci órfã, pois meus pais tinham partido para uma guerra e nunca voltaram. Cresci com olhares envenenados e completos por inveja. — Pois a deusa me admirava despudoradamente. — Diziam que eu era imperfeita e fraca e deveria e iria morrer. Talvez isso fosse verdade, mas não aconteceu. Me tornei líder de uma das melhores tropas de todos os séculos de nossa existência. Eramos adorados por todos e todos nos temiam, mas isso acabou, uma guerra contra nossos inimigos, demônios, nos deixou em um estado precário, a ponto de apenas restar a mim…

Lembro vividamente do quanto chorei sobre os corpos de minha tropa, das vezes que meu corpo quase sucumbiu as dores e as fortes pancadas do infernal inverno. O chão antes branco estava marcado com diversos tons vermelhos. Foi então que jurei livrar o mundo destes monstros.

 

 

Minha cabeça latejava igualmente como o restante do meu corpo debilitado.

Quem diria que cair nesse mundo seria tão doloroso?” Sorri ao pensar em uma ideia tonta de uma queda mais suave ou delicada.

Sinto com as partes boas do meu corpo estar sobre um tecido grosso e felpudo, lembra o couro dos lupinos sulinos que eu costumava caçar nas minhas épocas de treinamento.

Olhando um pouco em volta noto a simplicidade do cômodo onde eu estava. Havia apenas uma cama.— Onde logicamente eu estou.— Um criado-mudo, um guarda-roupa e uma janela, além de duas portas.

Não lembro de ter andando até aqui. Então, como eu cheguei neste lugar?

Suspiro tentando levantar, porém sou parada por uma dolorosa pontada em minha coluna, que me faz despencar para a mesma posição em que eu estava. Parece que ficarei aqui por um longo tempo. Espero não ter que sofrer tanto com essa raça, seria lastimável radicar cada ser humano. Sei pouco deste povo, mas do tanto que sei é possível concluir o quão repugnante eles são.

Lembro-me de ter lido a origem dos humanos, num livro ao meu nono ano no fundamental, nele dizia que essas criaturas antes eram anjos e por uma infelicidade se corromperam, no entanto o seu deus teve misericórdia e compaixão, então construiu um mundo para morarem. A corrupção tomou conta dos corpos deles, seres que por pura malícia arrancaram as asas uns dos outros até nunca mais nascer outro par delas e se esquecerem do lamentável passado que tiveram.

Com a guarda baixa não noto a porta principal ser aberta, muito menos, um ser passar por ela. Quando dou de mim uma menina com cabelos curtos e rosados deita uma bandeja com comida sobre o criado-mudo.

 

— Vejo que já acordou. — A voz melodiosa ecoa pelos meus ouvidos causando uma sensação de atração. — Está com fome?

 

Fico analisando aquele ser desconhecido tentar futilmente uma conversa comigo. Não vou me rebaixar a um ser asqueroso como esse. Fechando os olhos dou de ombros as frases da menina passando por cima com uma pergunta direta.

 

— Como vim parar aqui? — Resmungo.

— Simples, você estava deitada no beco da minha casa. Relaxe, Apenas cuidei dos seus ferimentos… O que eram muitos…

 

Ela continua a falar, porém pouco dou atenção. Agora a minha mente apenas estava nublada com o fato de ela ter me ajudado. Afinal, por qual motivo ela se interessaria em me ajudar? Talvez eu deva ficar um pouco mais sábia quanto a esta raça nova e estranha. O tempo foi passando. Minutos pareciam horas e dias pareciam anos. Foi um verdadeiro sufoco passar momentos naquela casa, no entanto tudo mudava com a minha curiosidade sobre tudo. Aos poucos fui dominando a arte da comunicação, literatura, escrita, cozinha e entre outras formas de expressão.

 

 

Era tarde, novamente me peguei esperando desesperadamente como um cachorro de estimação faz com o dono. Eu estava nervosa, ansiosa apenas para rever o sorriso doce e o som melódico da garota humana. Recentemente conclui que esta raça tem uma divisão entre macho e fêmea algo completamente devastador e surpreendente. — Já que não temos pudor quanto aos gêneros, não há problemas neles. — A água caia lentamente, estava frio, mas sei que isso não era um obstáculo, logo eu iria ter a menina ao meu lado assistindo um ou outro filme bobo. Sorrio largamente com a ideia e colo o meu rosto no vidro encarando o que dava da rua.

Foram questões de minutos para que a menina chegasse com o seu móvel prateado, ela carregava sacolas de papelão enquanto corria desesperadamente para entrar em casa. Ainda tenho desentendimentos quanto aos rituais humanos, mas o que posso fazer? Sair por aí pregando os meus ensinamentos seria loucura, talvez suicídio. Vejo a maçaneta girar e um corpo molhado entrar. Sorrio para esta a qual gira os orbes e devolve o ato calorosamente.

Rotineiramente, era assim: Passávamos a noite juntas aproveitando o restante dela até dormirmos. É encantador a vida humana e o quanto eles são diferentes uns dos outros, o senso de perfeição e a constantemente modificação dando origem a novas propostas e oportunidades. Apanho uma toalha e jogo em direção a recém-chegada, tomo de suas pequenas mãos os pacotes, deixando cada produto em seu devido lugar e volto para olhar a menina.

 

— Seria bom se tomares um banho… Você pode pegar um resfriado se ficar assim.

— Você viu isso em algum desenho! — Resmunga andando até mim e depositando um beijo em minha bochecha.

 

Ela é menor que eu e para tudo usa as pontas dos pés. Sorrio retribuindo o carinho em seus cabelos rosados.

 

— Tome logo o seu banho e depois venha jantar.

— Tá, tá, mamãe! — Brinca dando língua e correndo para o banheiro.

 

Doce Chou se soubesse do seu futuro teria ficado plantada ao seu lado até dizer chega.

Volto o meu olhar para a janela vendo as ondulações causadas pela chuva que a cada momento ficava mais forte e pesada.

Depois de um tempo pude começar a sair pelas ruas e conhecer novas pessoas, além de outros seres vivos e não vivos. Arrumei um bom emprego, onde eu poderia apreciar o convívio com a natureza. — Em geral eu cuidava de algumas plantas e as vendia. — Ao meu lado sempre estava Chou com um lindo sorriso estampado nos lábios. Contávamos piadas, pagávamos micos — Que rendiam boas risadas despudoradas — Comentávamos sobre fofocas ou simplesmente admirávamos uma a outra.

Quando a noite caia nós caminhávamos lado a lado contando histórias de nossas vidas, claro que para a humana era inacreditável eu ser um anjo e ter todos aqueles contos, igualmente, digo dos dela.

Desta vez estávamos sobre o chão verde, deitadas sobre um pano quadrilhado aproveitando o sábado fresco de Agosto. O vento batia leve contra as folhas amareladas que logo cederiam e seriam largadas dos galhos deixando-os nus.

 

— Não é bonito? — Pergunta Chou vendo um inseto com um par de asas. — As borboletas!

— Na verdade são almas vagantes pelo mundo em busca de algo ou alguém… — Comento como se fosse a coisa mais simples, para mim ao menos era.

— Oh, explica isso melhor!

— Claro. Após um ser da sua raça morrer sua alma é transformada e deixa de ser homem para ser animal. Dependendo das suas ações quando ainda humano ele se tornará um espelho do que era. Como por exemplo, as más pessoas tornam-se bichos asquerosos, já as boas tornam-se, normalmente, seres como um gato ou raposas, dependendo do caso podem ser veados ou leões e outros… — A ideia de uma pessoa tornando-se um animal peçonhento toma conta da minha mente causando alguns enjoos. Porém, sou tirada disto com outra pergunta.

— Mas e as borboletas?

— As borboletas são simples insetos.

— Mas você disse que…

— Que as almas vagantes! Bem, as almas vagantes são uns dos poucos que existem, pois são puras e completamente bondosas… Elas sempre vivem em busca da pessoa ou coisa que mais amam e vivem seguindo aquilo. — Digo vendo outra “Borboleta” passar.— Normalmente, conseguimos ver os espíritos destes fascinantes seres ao entrarmos em contato físico. Sinceramente, as almas vagantes são belas e misteriosas.

— Oh! Será que eu vou me tornar uma borboleta, digo, alma vagante?

— Espero que sim. — Sussurro passando os meus dedos sobre os seus cabelos e arrumando estes. — Espero que sim…

 

 

Chou sempre foi amigável e contente e por tal motivo era sempre amada por todos, já eu, eu não sou de ficar rindo e sorrindo. Muitos tinham inveja de nós duas, mas o que posso fazer?

Estava comendo uma outra fatia de pizza enquanto encarava a garota tagarelar sobre o dia com os colegas. Sou tirada dos meus pensamentos com um cutucão da amiga de Chou.

 

— E como andam vocês duas?

— Bem, com as pernas… Não temos problemas motores para nos impossibilitar de uma locomoção boa.

— Oh! — A garota diz e logo ri voltando a investir na pergunta, no entanto de outra maneira. — Como vai o relacionamento entre vocês?

 

Surpreendo-me com a pergunta.

Na verdade debaixo dos panos, sempre fomos inocentes quanto ao que fazíamos, assim nunca tomamos algo maior.

 

— Bem, eu acho? — Sussurro pensativa.

— Já faz quanto tempo que estão juntas?

 

Ignoro tal pergunta mastigando o queijo de minha pizza e olhando para Chou. As luzes brincavam levemente com suas madeixas rosadas deixando-as em um tom pêssego. Os olhos dela brilhavam em vários tons enquanto ria livremente dos comentários bobos que escutava. Como não poderia amar um ser tão doce quanto esse? Era um diamante bruto, intocado, mas com a aparência de ser conhecido universalmente. Tomo o meu vinho apreciando as melodias do ambiente e nunca deixando de ama-la silenciosamente. Em algum momento os nossos orbes se encontram, foi como se uma estrela cadente passasse por cada um dos seus orbes coloridos. Ficamos presas fisicamente e espiritualmente por curtos segundos, mas para nós foram longos séculos. Naquela mesma noite trocamos mais que simples carícias, compartilhamos os nossos sentimentos mais ocultos, trocamos o calor corporal e os nossos desejos.

Sorrio arrumando os cabelos da garota e tocando levemente em sua pele lisa e macia.

 

— Chou… — Chamo, mas esta já estava dormindo. — Boa noite!

 

 

Passamos o inverno, primavera, verão e outono juntas aproveitando cada segundo como se fosse o último.

Seguro um buquê de flores amareladas enquanto voltava para casa. Um sorriso acendia em meu rosto pensando no quanto ela gostaria do pequeno presente. Subo os degraus e dou um “oi” ao Bob que pouco dava bola para mim. — Gato desprezível é por isso que não gosto de você!

Meu coração palpita enquanto eu abria a porta de madeira e adentrava silenciosamente na casa.

 

— Chou…! — Grito sentindo Bob se esfregar nas minhas pernas. — Sai gato oportunista.

 

Escuto um miado em resposta e o mesmo desiste de me tentar com o seus “afagos”. Gato besta não sei como deixei me levar e lhe adotar. Caminho pela casa que parecia mais deserta que nunca. Eu ando até o quarto vendo a menina dormindo sobre nossa cama, sorrio e deposito o buquê sobre o criado-mudo. Foi um dia corrido aposto que ela acabou cedendo ao sono. Solto uma risada baixa e vou até a cozinha preparar algo para comermos.

 

— Bob… Venha comer… — Resmungo vendo-o saltar da borda da janela com o rabo empinado. — Oras seu aproveitador…

— Discutindo com o Bob novamente? — Zomba a recém-chegada com um blusão e os cabelos desgrenhados. — Você não tem jeito mesmo.

— A culpa é minha agora?

— Foi você quem adotou.

— Foi você quem implorou.

— Você me levou ao pet-shop.

­­— Mas você quem queria ir para lá!

 

Sorrio em vitória e sinto ela rir baixinho apreciando a minha provável abobada cara vitoriosa enquanto colocava a comida na mesa.

 

— Viu as flores?

— Sim! Elas são lindas! — Sussurra me abraçando levemente e depois pegando o gato nos braços. — Olha como eu sou fofinho, mamãe! Olha! — Brinca movendo as patas.

— É um preguiçoso. Lembro de ter dito que a alma deste gato ser de um humano preguiçoso e guloso, além de folgado… — Bufo.

— Oh! Me perdoa, mamãe, por eu ser um folgado… Não farei mais isso…

— Não é assim que funciona. Almas não podem simplesmente “mudar” elas estão presas em um corpo e logo tem de enfrentar a natureza do corpo.

— Sua sabedoria quanto ao lado espiritual é muito complexa para um mero mortal como eu. — Brinca.

— De qualquer forma, tenho preferência pelo meu lupino branco.

— Um lobo?

— Sim! São os animais mais selvagens que apenas líderes de talento conseguem ter.

 

Um fio de orgulho passa pelo meu corpo ao lembrar do quanto era magnifico aquele animal feroz e totalmente selvagem. Passei décadas tentando obter ele, mas eram fúteis as minhas tentativas, dava raiva.

Olho para a menina com um gato nos braços e acaricio os pelos castanhos-escuros do animal recebendo um ronronar em resposta. Talvez, um dia, eu me acostume com isso tudo.


Notas Finais


Bom, acho que eu gosto muito de falar "bem" e "bom"!
Sabemos agora um pouco do passado da garota e muito sobre o relacionamento amoroso que tem com Chou, mas será que realmente isso durará para sempre? Apenas lembrem-se que tudo isso é apenas o começo do estória, ainda há muito por vir... Principalmente as perguntas sem respostas que estão buscando serem desvendadas. Continua?


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