História Fonte de Felicidade - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Lendas Urbanas
Personagens Personagens Originais
Tags Capítulo Único, Depressão, Lendas Urbanas
Exibições 31
Palavras 1.333
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Suspense, Terror e Horror, Violência
Avisos: Canibalismo, Mutilação, Suicídio, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir culturas, crenças, tradições ou costumes.

Notas da Autora


Uma one-shot curtinha com um misto de suspense e terror, tive essa ideia e achei genial pra uma história aqui no Spirit.

Capítulo 1 - Capítulo Único


Sarah (Narradora)

Era o quinto mês em que permaneci deitada na cama daquele quarto. Olhei para o relógio, eram noves horas da manhã, e hoje, faltei aula pela quinta vez. Minha situação não é das melhores, e para completar minha situação, eu estava ouvindo vozes.

— Por que tu choraste tanto, Sarah? Me dê tua mão, saia daqui um pouco, divirta-se sem ele... — Uma voz com um tom debochador disse em meu ouvido, referindo o "ele" ao meu namorado, que descobri que me traíra naquela semana, e que logo depois terminei o namoro.

— Vai embora. — Disse ainda soluçando em cima da minha cama, até sentir meu rosto sendo tocado, e quando ergui minha cabeça para ver o dono da voz, tive mais certeza ainda que era fruto da minha insanidade quando vi que era apenas um fantoche. 

Um fantoche fantasiado de mágico, com duas cartolas na cabeça e me entregando um arranjo de pequenos lírios brancos, minhas flores preferidas, mas ainda não me alegrei, e minha opinião sobre preferir que ele fosse embora não mudou em nada. 

— Sai daqui. — Numa segunda tentativa, falhei miseravelmente, pois o fantoche não saiu do meu quarto, eu queria ficar sozinha.

— Tens a certeza de que quer que eu saia? Quero ajudar-te sabe, mas estás dificultando meu trabalho como o Sr Feliz... 

— Sr Feliz... — Balbuciei. Aquele fantoche me dava maus pressentimentos, e por algum motivo, não gostava de sua presença em meu quarto.

— Senhor Feliz! O que ajuda pessoas com depressão, Sarah. E você foi a sorteada! Sou sua nova fonte de felicidade, e uma coisa alerto-te : Não desistirei fácil! — Ele agora me entregou as flores, com um enorme sorriso no rosto ao ver-me pegando-as, mas ainda não acreditava nele ou em nenhuma fonte de felicidade.

----------

Meu dia inteiro resumia-se em Sr Feliz tentando fazer com o que eu saísse de casa, e como esperado, nada deu certo. Nem para ele tentando alegrar-me, e nem para mim, tentando expulsá-lo de casa. Ele abriu a porta da sala de casa, deixando a claridade, que há dias não entrava, clarear uma boa parte da casa. 

— Está um lindo dia lá fora, se quiser, posso acompanhar-te para um passeio. — Ele, terminando de dizer isso, aspirou o ar de forma intensa, sentindo a brisa do vento, e estendendo a mão para mim. — Venha, Sarah! 

Relutantemente, dei a mão para ele. Na rua enquanto caminhávamos, me senti envergonhada, e ele percebeu isso.

— Não se preocupe, eles não podem ver-me, Sarah, Só quem eu acompanho é que é capaz de ver-me, da mesma forma que só tu escuta-me, mas eles ainda podem escutar-te, menos eu. — Isso que ele disse me tranquilizara. Além de depressiva, diriam que eu era louca ou algo parecido? 

------

Eu e Sr Feliz terminamos o passeio. Fomos ao parque, andamos em alguns brinquedos, tomamos sorvete, e até cheguei a sorrir quando cheguei em casa.

Agora eu não queria que ele fosse embora como quase todo mundo que disse que ficariam ao meu lado, mas agora, eu estava confiando cada vez mais em Sr Feliz. 

Quando fui dormir, não tive insonia. 

— Não vá embora, Sr Feliz. — Eu disse, antes de apagar o abajur do meu lado. Quando apaguei-o, ele respondeu algo que me tranquilizara, novamente.

— Não iriei, Sarah. 

E caí no sono, vendo Sr Feliz adormecer ao meu lado.

-------

Quando acordei, ainda sonolenta, revirei o quarto com os olhos procurando o Sr Feliz. Ele não estava ali, mas quando levantei-me, me deparei com algo que me chocou.

Sr Feliz jogado no chão, sem um braço, com um cutelo em sua mão. Ele não sangrava, e parecia tranquilo ao invés de demonstrar dor. Ele sorriu para mim e pegou seu braço no chão, logo em seguida caminhando na minha direção.

— Sarah, no porquinho onde tu guardas o dinheiro não possui nada, gastamos tudo ontem, então eu preparei seu café da manhã! — Ele estendeu o seu braço amputado para mim. Suei frio, ele era a minha única fonte de felicidade nessa semana em que ficou aqui em casa, e iria morrer. 

— Tu enlouquecestes, Sr Feliz? — Ele parecia não preocupar-se com a minha pergunta, e, aquele cotoco que antes era seu braço, cresceu novamente em alguns minutos, enquanto ele ainda dava-me seu braço para mim.

— Eu não comerei ist...  — Não deu nem tempo de terminar de falar, ele apertou minhas bochechas fazendo com o que eu abrisse minha boca num biquinho, enquanto enfiou um pedaço de seu braço na minha boca.

Estava pensando em dar-lhe um belo soco em seu rosto, mas o seu braço tinha um delicioso gosto doce e açucarado, um sabor diferente de tudo que comi na minha vida. Era delicioso.

— Viu! Pode comer o quanto quiser de mim, Sarah. Não precisa preocupar-lhe com nada.

— Mas...

— Tu não tens o dinheiro para comprar nada! É melhor que eu mesmo seja seu alimento! 

— Mas se eu te devorar aos poucos tu irá morrer!  — Assim que exclamei, ele riu. 

— Os Mágicos do Além não morrem, Sarah.

— Mágicos do Além?

— Somos... "Pessoas" que morreram após cometer suicídio por causa da depressão, e para evitar que mais pessoas morram por causa disso, este é o vosso trabalho. Por isso que estou aqui, para consolar-te e evitar o cruel destino que tivemos.

— Então existem outros como você?

— Sim. 

— E eu me tornaria mais uma? 

— É. — Ainda tentava compreender o que ele falava. Parecia mentira, como em filmes de ficção com personagens alegres e felizes, tentando alegrar os outros. Mas era a realidade, e sentia que cada palavra que saiu da boca do Sr Feliz era verdade.

--------------------

Sr Feliz esses dias me ignorara, quase não falando nada, até em nossos passeios, já que ele aprendeu a tirar dinheiro de sua cartola, e podíamos ir a qualquer lugar naqueles dias. 

Eu estava segurando sua mão. Parecia uma criança por causa de sua altura, ele caminhava cabisbaixo, enquanto olhava para um cartaz na rua. 

Era de um homem idoso que era procurado naquela semana que havia desaparecido.

— Lembra-se dele, Sarah?

— Não, Feliz. — Enquanto voltávamos para casa, eu respondi-lhe. Não lembrava de nenhum homem velho como o do cartaz.

-----

Eu estava com fome. Era o segundo mês em que convivia com o Sr Feliz, que apelidei mentalmente de Sr tristonho por causa do comportamento dele nesses dias, eu estava com muita fome, a saliva saía de minha boca com intensidade, quando chamei-lhe pela décima quarta vez, e ele parecia não me ouvir.

Fui até o quarto, e lá estava ele deitado na cama, dormindo. Eu peguei o mesmo cutelo na cozinha em que ele cortara seu braço para demonstrar-lhe sua imortalidade naquele dia, e carreguei seu pequeno corpo até a mesa. Tirei tudo de cima dela, e comecei a cortar-lhe. Pedaço por pedaço do Sr Feliz eu engolia com uma insanidade imensa. 

Ele acordava aos poucos.

— Sarah! Para! Isso dói! — Ele mentira. Ele podia se regenerar, porém, estava apenas fazendo birra, e ignorei-lhe, quando a campainha tocou. 

Quando fui abrir, vi dois policiais e minha mãe. Lisa estava ali, chorando impiedosamente, quando chorando, disse :

— Seu monstro!  — Ela chamara-me de monstro, e eu não entendi a razão. Então ela apontou para a mesa, fazendo com o que eu visse a triste verdade por trás de minha única fonte de felicidade.

Meu pai, um homem velho, jogado em cima da mesa, o mesmo homem desaparecido do cartaz que eu não reconheci.

-----

Eu recebi pena de morte por causa de meu crime. Meu pai, tentando alegrar-me quando descobriu que terminei o namoro após descobrir que era traída, visitara minha casa, na esperança de me alegrar. Eu surtei e lhe esfaqueei alguns dias depois que ele me visitou. Eu, já sem escolha nenhuma e com fome, devorei seu cadáver aos poucos, mas um dia, com tanta fome, quase lhe devorei por inteiro. 

Sr Feliz não passava de uma mera ilusão.

E, com esse pensamento, colocaram a corda em meu pescoço, enquanto a multidão na minha frente, desejava que eu me encontrasse com o Diabo nas profundezas do inferno.


Notas Finais


E aí?


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...