História Fool Me Twice - Capítulo 1


Escrita por: ~

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Categorias Seventeen
Personagens Jeon Wonwoo, Junghan "Jeonghan", Wen Junhui "JUN"
Tags Junhan, Maecheon High School, Maecheon Series, Os Otps São Lindos, Trash Bros, Wonhui
Exibições 107
Palavras 3.661
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Colegial, Comédia, Slash, Universo Alternativo
Avisos: Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Antes de mais vamos começar por dizer que era suposto isto ser uma drabble. Mas aí... né? Pois é. A vida tem destas coisas. Depois o Junhui também não ajuda nada /q

Se já sabem o que é Maecheon Series:
Olá de novo, como estão? Recomendo que leiam primeiro a fic da bro, porque é sobre um momento anterior ao desta fic e provavelmente vão compreender melhor esta se lerem lá primeiro. Está na tag, vejam lá, é bem bonita!

Se ainda não sabem o que é Maecheon Series:
Olá, bem-vindos! MS é um universo relativamente grande (leia-se enorme) com fics de vários grupos, entre estes Seventeen e podem saber (quase) tudo sobre em maecheonseries. tumblr. com (que tenho de escrever assim senão o site não me deixa viver). Talvez seja boa ideia dar uma vista de olhos ao blog antes de ler. E recomendo também que leiam "I Kissed a Boy" antes de ler esta fic porque provavelmente vai fazer mais sentido; todas as fics estão na tag da série ali em cima. Muito obrigada pela atenção!

Boa leitura, pequenos anjos ~♡
(estarei eu habituada a notas iniciais agora?)

Capítulo 1 - Shame on me


Fanfic / Fanfiction Fool Me Twice - Capítulo 1 - Shame on me

Jeonghan era perigoso. Junhui tinha, por experiência própria, a perfeita noção de que Jeonghan era perigoso e fora por isso que, ao ouvir o seu nome ser sorteado para trabalhar com ele num projeto de pares, começou de imediato a tomar as devidas precauções.

Ponto um: Ir trabalhar para a biblioteca da escola. Nada de a casa de Jeonghan e especialmente nada de a sua própria casa porque tinha sido exatamente esse o seu primeiro erro da última vez.

Ponto dois: Preparar-se a nível físico e psicológico para não cair nas armadilhas daquele maldito sorrisinho que todos consideravam irresistível, porque agora ele sabia que a fama de Jeonghan sobre conseguir tudo o que queria não era por acaso.

Ponto três: Focar. No. Projeto.

Observando a situação inteira de uma perspetiva totalmente imparcial, Junhui até achava que tinha feito um bom trabalho com as suas precauções. Pelo menos até Jeonghan perceber o esquema inteiro e decidir atirar-lho à cara. O que aconteceu mais ou menos três minutos depois de os dois se sentarem numa mesa qualquer da biblioteca.

 - Estás com medo de mim? – inquiriu, com um sorrisinho nos lábios, o olhar sobre Junhui e o queixo apoiado numa mão enquanto apoiava o cotovelo na mesa.

 - Por que iria eu ter medo de ti? – o mais novo disfarçou, evitando o contacto visual enquanto pousava em cima da mesa alguns livros que tinha ido buscar.

 - Porque não sabes apreciar a minha colaboração com a tua saída do armário. – Jeonghan argumentou, inclinando a cabeça para completar a pose falsamente doce. Junhui olhou em volta para verificar se a coordenadora da biblioteca não estava por perto.

 - Não há armário algum de onde eu precise de sair, muito obrigado. – resmungou, sentando-se ao lado do outro e abrindo um dos livros.

 - De certeza? – continuou no mesmo tom, com a falsa doçura temperada com o sarcasmo habitual.

 - Só porque eu não ando por aí a esfregar a minha orientação sexual na cara de toda a gente não quer dizer que eu a esteja a esconder. – Junhui continuou, passando os olhos pelo índice do manual e não vendo quando o sorriso do outro aumentou para um risinho abafado.

 - Ficas mais bonito quando estás frustrado. – comentou, dois segundos antes de o chinês endireitar a postura na cadeira por sentir uma mão na sua coxa.

 - Jeonghan. – resmungou em surdina, reprimindo o impulso de levar uma mão a tentar afastar a do outro só porque sabia que isso a ia fazer subir pela sua coxa e provavelmente apertar-lhe a carne. Junhui tentava não cometer duas vezes os mesmos erros.

 - Devíamos ter ido para tua casa. – aproximou-se do maior, pousando o queixo no ombro dele.

 - Fora de questão. – Junhui respondeu rapidamente, ouvindo quando o outro abafou um riso.

 - Vês? – Jeonghan atirou, deixando duas palmadinhas na coxa alheia. – Estás com medo que eu tente continuar de onde deixámos da outra vez. – afirmou, com um sorrisinho de canto a adornar-lhe o tom da provocação. O outro suspirou, frustrado.

 - Não é isso. – defendeu, continuando a evitar o contacto visual com o mais velho. – É que na biblioteca temos acesso a muito mais material e–

 - Tens noção que o professor só pediu que fizéssemos um resumo do último capítulo que demos e respondêssemos às perguntas no final dele, não é? – Jeonghan interrompeu, evitando o riso perante toda aquela situação.

 - E o que há de errado em verificar a informação em outras fontes? – resmungou, tentando manter a própria posição. O outro abanou a cabeça num lamento.

 - O que tens a mais de bonito tens a menos de inteligente. – disse, sentando-se corretamente no seu lugar e puxando para si o livro de História com o conteúdo que tinham de resumir.

Então Junhui olhou-o pela primeira vez desde que ali estavam, para lhe lançar um olhar ofendido e argumentar que as suas notas eram boas. Jeonghan deu-lhe um sorrisinho e um beijo rápido nos lábios, fazendo-o resmungar em surdina para que não o beijasse e abafando mais um riso por isso antes de realmente começar o trabalho. O outro revirou os olhos enquanto tentava não ficar com uma expressão amuada, desejando conseguir ficar chateado com o mais velho.

De certa forma, ele suspeitava que era precisamente aquilo que ajudava Jeonghan a conseguir tudo o que queria. Aquela incapacidade que todos tinham de ficar chateados com ele ou de o odiar. Jeonghan não tinha inimigos ou rivais de qualquer tipo, ainda que, normalmente, alguém que fizesse tudo o que ele faz fosse ter uma abundância disso. Pelas contas de Junhui, o outro já se tinha envolvido com quase todo o segundo ano daquele colégio e pelo menos metade do terceiro, mas ninguém o odiava por isso. Quer dizer, havia Jisoo, que dizia odiá-lo, mas todos sabiam que não era realmente assim.

Talvez fosse porque Jeonghan não mentia. Era terrivelmente sarcástico quase o tempo todo e dizia na cara das pessoas coisas que estas muitas vezes não gostavam de ouvir, mas não mentia nem tinha a crueldade de fazer de propósito para magoar realmente os outros, mesmo que muitas vezes ele pudesse. No que tocava às suas relações, ele era na mesma. Não mentia com sentimentos nem promessas sobre o futuro e todos sabiam que no dia seguinte ele poderia estar com outra pessoa, então não existiam corações partidos, por muitos que fossem tocados por ele.

Da última vez, quando Junhui se permitiu ser empurrado até à própria cama, sentindo as mãos de Jeonghan tocar-lhe de forma convincente demais, ele sabia perfeitamente que não significava mais do que todas as outras vezes em que o mais velho o tinha beijado. E Junhui não tinha nenhuma opinião muito forte que o impedisse de deixar quando Jeonghan o beijava ou mesmo levava as mãos até o interior das suas roupas, mas existiam coisas que ele não queria realmente fazer. Não com Jeonghan, pelo menos. O que seria bem mais simples se este não fosse tão persuasivo.

 - Jeonghan! – protestou em surdina, logo que o seu corpo foi virado e empurrado contra a estante, com outro menor a encontrá-lo no segundo seguinte. E o mais velho ordenou-lhe silêncio, num sussurro desnecessário porque não era como se Junhui conseguisse realmente falar com a boca dele contra a sua.

Quebrou o beijo, procurando as mãos que lhe seguravam a cintura e tentando afastá-las de si. Os dedos de Jeonghan entrelaçaram-se com os seus em resposta, segurando-lhe as mãos ao lado dos corpos enquanto o pressionava de leve contra a secção de história mundial. 

 - Estamos na biblioteca! – Junhui continuou, no mesmo tom, contra a boca que logo voltou a encontrar a sua.

Era difícil não beijar Jeonghan de volta.

Não saberia explicar porquê, se lhe perguntassem, mas teria de existir algum motivo razoável, fosse esse o facto de Jeonghan beijar muito bem ou de Junhui talvez até gostar um pouquinho de o beijar. De qualquer das formas, era bom e por isso ele permitiu-se fazer a vontade ao mais velho por um bocado. Apenas por um bocado, porque alguns beijos não faziam mal a ninguém e porque era sempre isso que acontecia, por mais precauções que Junhui tomasse sobre Jeonghan.

 - Deviam arranjar um quarto. – alguém comentou e, ainda que o tom fosse calmo, a voz conhecida foi o suficiente para Junhui terminar o beijo de imediato, afastando-se tão rapidamente que bateu a cabeça numa das prateleiras da estante.

Silvou, soltando uma das suas mãos da de Jeonghan e levando-a à própria cabeça, massajando o local dorido. O seu olhar procurou o dono da voz que os interrompera e Junhui encontrou-o apenas a meio metro de si, procurando algo pelas prateleiras. Os lábios estavam curvados num sorrisinho aparentemente satisfeito e o mais velho sabia que este era causa da sua pancada na prateleira porque ninguém sorria daquela forma para livros de história. Puxou o ar para dentro dos pulmões, ofendido.

 - Disse-te que devíamos ter ido para tua casa. – Jeonghan disse, em resposta ao comentário, e Junhui arregalou os olhos para ele porque simplesmente não sabia de que outra forma poderia lidar com toda aquela situação.

 - Hyung – Wonwoo chamou, mais próximo que antes, atraindo novamente a sua atenção. – Poderias desviar o teu traseiro fantástico, por favor? – provocou, olhando-o pela primeira vez. E talvez a pancada tivesse deixado Junhui afetado demais porque Jeonghan teve de o puxar, pela mão que ainda segurava a dele, para o fazer afastar-se da estante e deixar o mais novo continuar a procurar algo nela.

 - O professor Jinyoung anda a dar trabalho a toda a gente? – o mais velho perguntou, casual.

 - Assim parece. – Wonwoo respondeu, agarrando depois um livro da estante. – O Jihoon diz que a culpa é do professor de artes. – acrescentou depois, franzindo o sobrolho e voltando a olhar os mais velhos. Quando o seu olhar caiu para as mãos entrelaçadas dos dois, Junhui tentou puxar a dele.

 - Ele provavelmente está certo. – Jeonghan respondeu, não deixando a mão do outro afastar-se da sua. Wonwoo encolheu os ombros.

 - Vou deixar-vos continuar o que estavam a fazer. – atirou depois, tornando a curvar os lábios num sorriso de canto e encontrando o olhar de Junhui com o seu antes de se afastar novamente.

O chinês separou os lábios ao vê-lo afastar-se como se nada fosse, mas as palavras não chegaram a sair porque honestamente ele não saberia o que dizer. O sentimento de indignação estava presente de forma estranha no seu peito, fazendo-o puxar o ar e abrir a boca para protestar, mas que iria ele protestar sobre? Que poderia ele protestar sobre?

Bufou, franziu o sobrolho e sacudiu a mão de Jeonghan que ainda agarrava a sua antes de caminhar de volta para a mesa, de onde não devia ter saído antes, mesmo que o mais velho tivesse insistido consigo para irem devolver os livros às prateleiras pois não precisavam deles. Quando se sentou firmemente na cadeira, o silêncio normal da biblioteca permitiu-lhe ouvir uma gargalhada abafada e Junhui procurou o som para ver Wonwoo encolhido para cima de uma outra mesa ali perto, virando a cara na direção oposta à sua mas claramente a rir de si. Perante aquilo e ao ouvir a coordenadora da biblioteca ordenar silêncio, o chinês optou por disfarçar um ar pacífico, agarrando a sua esferográfica e fingindo concentrar-se nas questões.

Jeonghan sentou-se calmamente ao seu lado um momento depois, olhando-o com um sorrisinho nos lábios antes de o ajudar a terminar de responder às questões, e Junhui tentou focar-se de verdade na tarefa. No entanto, o seu olhar insistia em procurar o sítio onde sabia que Wonwoo estava com alguns colegas – entre eles Minghao e Mingyu, a quem a coordenadora tinha de pedir silêncio a cada cinco minutos – e desviar-se de lá logo depois, quando o mais novo o olhava de volta ou simplesmente abria um sorriso grande, como se soubesse que estava a ser observado. Então, para recuperar a sua atenção, Jeonghan prendia-lhe uma orelha entre os dentes ou beijava-lhe o pescoço, mantendo-se sempre próximo o suficiente para fazer qualquer uma das coisas. E Junhui tinha quase a certeza de que aquilo se tratava de uma provocação, mas não saberia dizer realmente para quem era dirigida. Sabia que o mais velho era perspicaz, então possivelmente a provocação não era apenas para si. No entanto, esta parecia não surtir o mínimo efeito na real vítima, que se limitava a sorrir e mesmo abafar risos perante a cena.

Quando sugeriu a Jeonghan que fossem ao Mon Cafe depois de terminarem o trabalho, Junhui provavelmente não estava a usar toda a sua capacidade mental para o assunto. Mas perante todos os erros que tinha cometido naquela tarde, esse nem era o maior.

O maior foi quando, perante o café cheio, Junhui optou por levar as bebidas e caminhar até sua casa. Com Jeonghan.

 - Como é que sabes se alguém está mesmo interessado em ti? – e esta era a cereja em cima do seu erro catastrófico.

 - Se tiver o meu pénis na boca considero que está mesmo interessado. – Jeonghan respondeu, calmo. O mais novo demorou a processar a informação, abanando depois a cabeça para afastar a ideia.

 - Sem que precise de te fazer um oral. – esclareceu a seguir. O outro abafou um riso em volta da palhinha do seu macchiato gelado mas não respondeu, voltando a beber. – Tipo, imagina que é alguém que gosta de brincar de provocar os outros e provoca-te também mas não sabes se é a sério ou só a brincar e – parou-se a si próprio antes de falar demais, ocupando a boca ao beber mais do seu batido de morango.

 - Alguém como Jeon Wonwoo do primeiro ano? – inquiriu, sugestivo. Junhui engasgou-se em resposta. – Ele é amigo do Minghao, não existe tipo uma regra mundial que te proíbe de o querer comer? – divagou depois, claramente a gostar da situação. – E não sei, porque não tenho irmãos, mas não é estranho quereres comer alguém da idade do teu irmão mais novo?

 - Ele é mais velho que o meu irmão. – o maior defendeu, indignado e antes de conseguir impedir-se. – E eu não quero comê-lo. – acrescentou depois, virando novamente a sua atenção para o batido de morango.

 - Não? – Jeonghan atirou, discretamente sarcástico. –  É uma pena, ele beija muito bem. – acrescentou depois, num falso lamento. Junhui olhou-o de imediato.

 - O Wonwoo? – subiu o tom, novamente indignado.

 - Não, o Minghao. – respondeu, aparentemente calmo. O maior parou no mesmo segundo, sério, e Jeonghan deu mais dois passos antes de se virar para o olhar, rindo. – Claro que é o Wonwoo, não é dele que estávamos a falar? – troçou, enquanto Junhui voltava a caminhar. – Se bem que o Minghao–

 - Se pensares em tocar no meu irmão com qualquer parte do teu corpo, espero que estejas preparado para ficar sem ela. – interrompeu, inclinando-se para Jeonghan e apontando-lhe um dedo em ameaça, afastando-o rapidamente quando o mais velho tentou morder-lho. – Estou a falar a sério, Jeonghan. – resmungou a seguir.

 - Vou manter isso em mente. – respondeu, claramente divertido.

Então os dois continuaram a caminhar juntos, ainda sem que Junhui percebesse realmente que estava a anular a primeira das suas precauções. A sua mente estava ocupada com um outro assunto.

 - Como é que sabes que ele beija muito bem? – perguntou, mesmo que a resposta fosse óbvia e soubesse que Jeonghan iria dar-lhe o tom sarcástico por isso.

 - Da mesma forma que sei que ficas excitado com beijos atrás da orelha. – o tom não desiludiu e Junhui suspirou frustrado sem saber realmente se era pela resposta ou pela sua situação.

 - Foste tu que o beijaste ou foi ele que te beijou? – continuou, dizendo a si próprio que era apenas curiosidade e ignorando o riso abafado que ouviu.

 - As duas coisas. – Jeonghan respondeu, de volta ao seu tom casual. Junhui franziu o sobrolho e sugou pela palhinha mais um pouco do seu batido, para disfarçar a expressão.

 - Quando? – inquiriu antes de conseguir impedir-se, entre um gole e outro de batido e com a voz abafada pelo canudinho de onde não afastou a boca.

 - Não sei ao certo, um dia qualquer em que fomos treinar e ficámos sozinhos na piscina. – revelou, lembrando Junhui de como os dois tinham de ser relativamente próximos pois pertenciam ao clube de natação. – É uma situação propícia a essas coisas, não? Duas pessoas, ainda por cima atraentes, sozinhas numa piscina e só de calções de banho – divagou, apenas para provocar mais o outro, sendo interrompido pelo som alto que Junhui fez ao terminar o batido no seu copo.

Não perguntou mais nada, mantendo a boca ocupada com a ponta do canudinho mesmo que o seu copo já estivesse vazio, e isso não era realmente uma boa ideia porque a sua mente conseguia ser bastante gráfica às vezes. Imaginar Wonwoo com Jeonghan juntos e praticamente nus não contribuiu absolutamente nada para diminuir a sua frustração ou ajudar a compreender o mais novo.

Jeonghan rodeou-lhe a cintura com um braço para o fazer parar de andar, obrigou-o a virar noventa graus para a sua direita e Junhui fingiu que não estava tão distraído que quase passara a entrada do prédio onde vivia.

 - Ciúme realmente cega as pessoas. – o mais velho comentou, enquanto entrava atrás do outro para o prédio.

 - Ninguém aqui está com ciúme! – protestou de imediato, indignado. – Estava só a pensar numa coisa e distraí-me. – acrescentou a seguir, enquanto entrava no elevador e continuava a ser acompanhado por Jeonghan.

 - Sim, na minha coisa com o Wonwoo. – atirou, rindo e terminando também a sua bebida. – Ou seria na minha coisa no Wonwoo? – espicaçou depois, fingindo um ar pensativo.

Junhui puxou lentamente o ar para os pulmões e prendeu-o lá, engolindo em seco antes de o soltar de novo e saindo do elevador ainda antes de as portas abrirem totalmente. O mais velho seguiu-o, abafando um riso mudo enquanto o observava errar o código do apartamento e bufar em frustração para a porta, e aproximou-se só depois para inserir ele o código correto. O chinês sequer questionou, entrando no apartamento e continuando em auto piloto até à cozinha.

Quando deixou o copo vazio dentro do frigorífico e se virou para encarar Jeonghan, o mais velho teve de dar o seu melhor para não rir dele outra vez.

 - Vocês – Junhui começou, não conseguindo sequer avançar para além da primeira palavra.

 - Não acho que devas perguntar esse tipo de coisa sobre o amigo do teu irmão que não queres comer. – espicaçou novamente, ao que o outro bufou frustrado mais uma vez e saiu da divisão.

Jeonghan abafou um riso. Colocou no lixo tanto o seu copo vazio quando o que Junhui deixara no frigorífico momentos antes e seguiu então em busca do mais novo, encontrando-o sentado na própria cama. Ambas as mãos apoiadas na borda do colchão e o cenho franzido; a mochila no chão.

 - Esta é uma das formas em que nunca pensei que fosse ver-te. – o mais velho comentou, de braços cruzados e encostado à ombreira da porta. – A outra é de quatro. – acrescentou depois, conseguindo um olhar frustrado em resposta e abafando outro riso.

 - Agora não é o momento, Jeonghan. – repreendeu, vendo o menor aproximar-se. Sentiu-o sentar-se ao seu lado na borda da cama grande.

 - Sabes que só sou assim contigo porque somos bons amigos. – declarou, com o tom mais doce que Junhui lhe conhecia.

 - Somos? – atirou de imediato, apenas ligeiramente mais calmo que antes.

 - Claro. – Jeonghan acariciou-lhe os cabelos. – Por que outro motivo iria eu evitar comer o teu irmão? – continuou. O maior puxou o ar e olhou-o com indignação, suspirando frustrado e desviando o olhar ao vê-lo rir.

Não respondeu, deixando-se ficar a sentir as carícias nos seus cabelos e no contorno da sua orelha. Aquilo acalmava-o e o mais velho provavelmente sabia disso.

 - Por que é que eu te deixei entrar? – perguntou-lhe, confuso, ao ficar calmo o suficiente para notar os próprios erros.

 - Na verdade, fui eu quem te abriu a porta. – Jeonghan respondeu, no tom doce que nunca significava boas notícias para o chinês. Viu-o franzir o sobrolho.

 - Como é que tu sabes o código? – murmurou.

 - Tenho boa memória. – justificou. Junhui não respondeu e ele deixou-se ficar em silêncio por um momento. – Queres saber o que fiz com o Wonwoo na piscina? – perguntou depois, provocando. O duelo mental do mais novo foi óbvio para si.

 - Não. – respondeu, soando provavelmente mais contrariado do que desejara.

 - Tens a certeza? – continuou, pousando o queixo num ombro do maior e vendo-o franzir o sobrolho para o nada. – Ele também tem um ponto fraco. – acrescentou. Junhui fechou os olhos e suspirou em derrota.

 - Diz-me. – pediu então, ao que Jeonghan riu.

Empurrou-o um pouco para trás, colocando-se no colo dele, e cruzou a sua respiração com a dele. Levou as mãos às roupas dele, puxando-lhas para cima até lhe deixar o tronco nu e jogando-as na cama enquanto recebia um olhar ligeiramente assustado. Então inclinou-se para o pescoço dele e deixou-lhe um beijo na pele, logo acima do contorno da clavícula, seguido de outro um pouco mais acima.

 - Se o beijares ali ele vai fazer uns sons que deves gostar de ouvir. – segredou-lhe ao aproximar-se da orelha. Junhui reprimiu a vontade de negar a última parte mesmo que provavelmente fosse verdade. – Mas cuidado com as mãos, ele tem muitas cócegas. – continuou, voltando a afastar-se o suficiente para olhar o maior. – Infelizmente só trocámos uns beijos, então não posso ajudar-te mais. – lamentou, curvando depois os lábios num sorrisinho. – Não vais agradecer-me? – perguntou a seguir, vendo o outro desviar o olhar como se não fosse nada com ele. – Junhui.

 - Okay, okay! – protestou logo depois, tornando a olhar Jeonghan e agarrando as mãos que ameaçaram atacar-lhe o tronco nu. – Obrigado. – murmurou, desviando novamente o olhar.

Quando o mais velho esticou os lábios num biquinho, Junhui meio suspirou e meio riu em derrota, abanando a cabeça. Jeonghan sorriu-lhe de volta contra a boca quando lhe tocou os lábios com os seus e arrastou-o para um beijo longo ainda com um leve sabor a café. Então saiu-lhe do colo, surpreendendo-o.

 - Sobre ele estar interessado em ti – começou, enquanto ajeitava as roupas. – Ele disse que tens um traseiro fantástico e tu nem sequer tens um para começar, então ele tem de estar interessado de alguma forma. – argumentou, notando perfeitamente a expressão ofendida formar-se em Junhui. – Então tenta, que tens a perder? – incentivou, deixando-lhe mais um beijo nos lábios antes de agarrar as suas coisas e se afastar. – Na pior das hipóteses ele só apostou com o Mingyu que te comia. – acrescentou ao sair.

E a frustração voltou a aterrar em Junhui com toda a força porque aquela era uma hipótese que ainda não tinha considerado e soava totalmente credível. Jeonghan não só se tinha aproveitado da situação como ainda o deixava pior do que estava antes. Tinha sido enganado. De novo. 

 



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