História Fools - Capítulo 3


Escrita por: ~

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Categorias Voltron: O Defensor Lendário
Personagens Allura, Coran, Hunk, Keith, Lance, Personagens Originais, Pidge Gunderson, Takashi "Shiro" Shirogane
Tags Keith Kogane, Klance, Lance Mcclain, Sheith, Shiro, Voltron
Visualizações 359
Palavras 3.390
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Colegial, Drama (Tragédia), Escolar, Musical (Songfic), Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Pansexualidade, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


eeeeeeita, olha só eu aqui de novo, depois de mais de dois meses! em primeiro lugar, queria pedir desculpas, só tive três meses para fazer, entregar e apresentar o tcc, mas finalmente tudo deu certo e agora estou livre para voltar a escrever! em segundo lugar, agradeço pela paciência de quem esperou pelo próximo capítulo, e também agradeço muuuito por todos os favoritos e pelos comentários! sério, vocês são demais! <3

o capítulo tá lerdinho, mas no final, a coisa engrena e a história finalmente começa! não vejo a hora de postar o próximo, é um dos meus favoritos, haha! boa leitura.

Capítulo 3 - Segredos


Fanfic / Fanfiction Fools - Capítulo 3 - Segredos

[Início do POV do Lance]

Ana Lucía continua me ignorando. Ela sequer olha em minha direção nas aulas que temos juntos, senta com as outras líderes de torcida em outra mesa no refeitório, não responde nenhuma de minhas mensagens... e eu tenho até mesmo um novo par no clube de dança.

Tudo isso me deixa desesperado, mas eu tenho uma arma secreta: Keith. E meu violão novo e incrível. E minhas habilidades mais incríveis ainda, que melhoram a cada aula. Se eu conhecia Ana Lucía bem - e eu conhecia -, ela não resistiria à música que eu estava aprendendo para ela. Por mais que ela pareça um furacão em forma de mulher, ela se derrete toda por essas paradas românticas. Vai dar certo… Yo espero que funcione.

Keith tem sido um carinha legal, e até tenho cumprimentado-o também quando Hunk e eu o encontramos pelos corredores ou nos treinos. Depois de algumas aulas e passarmos algum tempo juntos, até mesmo nosso desempenho em campo melhorou. Nossas jogadas combinadas, que já eram muy buenas, estão ficando ainda melhores com nossa proximidade.

É claro que ele continua sendo um babaca que se acha melhor que os outros, mas talvez eu o ache um pouco menos babaca agora que entendo que esse jeito quieto é como ele é de verdade,e não algo para passar o ar de superioridade que sempre odiei nele. Mas ele tem sido um bom… amigo? Não sei se posso chamá-lo assim, mas ele tem sido um bom professor de violão, e até que não é uma companhia ruim, e compartilha comigo algumas curiosidades nerds bem bacanas, igual quando foi em casa e viu os pôsteres de fotos espaciais pelo meu quarto. Quem diria que alguém como ele pode se interessar pelas mesmas coisas que alguém tão maneiro como eu?

Mis hermanas más jóvenes, Anna y Emma, las gemelas, ficaram apaixonadas por ele quando ele apareceu em casa pela primeira vez, e até mesmo Joaquim, mi hermanito, também o achou incrível. Não sei o que viram nele, mas agora sempre que ele vai lá para as minhas aulas, os três ficam atrás da gente, deixando-o envergonhado com toda a atenção que recebe. Até mesmo mi madre o deixa sem jeito, sempre curiosa em saber mais sobre ele, e sempre convidando-o para que fique para jantar.

Ele fala pouco sobre a família, mesmo quando minha mãe perguntou sobre, fui eu quem respondi mais, falando que ele era irmão do nosso técnico de futebol americano. Mas nunca tive coragem de perguntar se eram meio-irmãos, por causa dos sobrenomes diferentes, e ele também não disse nada sobre isso. Ele não fala nada sobre muitas coisas, preferindo sempre escutar do que falar.

Mas, deixando as esquisitices do esquisitão de lado, estou animado. Na aula de hoje, vamos ver se finalmente consigo tocar a música sem errar, e sem me confundir tanto ao tocar e cantar ao mesmo tempo. Se tudo funcionar… Ana Lucía volverá a ser mi novia muy pronto.

[Fim do POV do Lance]

[Início do POV do Keith]

Depois de mais uma tarde de treino de futebol, aqui estou, na casa de Lance, para o que talvez seja sua última aula de violão. Agora estou acostumado, depois de três semanas aparecendo por aqui quase todos os dias, mas fiquei muito nervoso da primeira vez. Eu nunca tinha ido para a casa de muitos amigos antes, e recentemente só costumava ir para a casa de Pidge, ou de Dean, nosso ex-baixista. Eu não sabia o que esperar, ou como seria a família de Lance.

Quando cheguei, descobri que os McClain eram uma grande família. Lance tinha uma irmã mais velha e três irmãos mais novos: duas gêmeas de 13 anos e o mais novo com 5 anos. Micaella, a irmã mais velha, não morava mais lá - vivia em outra cidade por causa da faculdade. O pai de Lance costumava chegar pouco antes da hora do jantar, mas a mãe estava quase sempre em casa, quando não tinha saído para comprar algo para a casa, levar as gêmeas para a casa de alguma amiga ou comprar coisas para os artesanatos que fazia para vender. Era uma mulher muito talentosa, e adorava me mostrar cada nova peça que fazia - e eu não fingia ao elogiá-la, eram realmente de muito bom gosto. Até tinha comprado um dos delicados lustres de cristal para dar de presente para a Sra. Shirogane, ou mãe, como ela queria que eu a chamasse.

Todos me trataram muito bem desde a primeira vez que fui até lá e, por mais que eu ficasse sem jeito com a família grande e barulhenta por não estar acostumado, eu tinha começado a gostar muito daquilo. Confesso que era mais divertido jogar videogame com Lance e seus irmãos enquanto esperava o jantar ficar pronto do que ficar em casa, sozinho, esperando o Sr. e a Sra. Shirogane voltarem do trabalho - e Shiro voltar de sei lá de onde, na maioria das vezes acompanhado de Allura, tenho certeza.

Shiro ficou surpreso quando, no primeiro dia que fui para a casa de Lance, dispensei a carona dele depois do treino. “Você e Lance? Amigos?”, ele disse, com um sorriso confuso. Pois é. Até hoje eu não entendo como passamos tanto tempo junto sendo de mundos tão diferentes, mas até que não era tão ruim. Ensiná-lo era uma boa distração enquanto a nossa banda ainda estava incompleta, e Lance era um aluno muito dedicado. Ele aprendia fácil e sua vontade de melhorar a cada aula era notável.   

Eu queria sorrir com o jeito desajeitado e envergonhado dele enquanto conferia as partituras e arrumava o violão para começar a tocar, mas mantive a expressão vazia de sempre para não deixá-lo ainda mais sem graça. Ele evitou meu olhar até que terminasse de tocar e cantar pela segunda vez seguida. A música era Mi Corazón, de um tal de Alvaro Soler, que pelo jeito era o cantor preferido de Ana Lucía. Eu tinha que admitir que admirava a língua espanhola muito mais depois de ver o jeito como Lance cantava na língua de sua família. Era algo íntimo, e por mais que a música fosse triste… era algo quase provocante. Não sei como o coração de Ana Lucía não ficaria balançado com toda aquela dedicação e vulnerabilidade que ele mostrava ao tocar. Lance estava se preocupando à toa.

- E aí? - ele perguntou, nitidamente nervoso e ansioso por minha resposta - Muito ruim ainda? Melhorei? Depois que você foi embora anteontem, eu não parei mais de treinar sempre que posso e…

- Calma, Lance. - disse, rindo - Está bom. Realmente bom. Acho que você está pronto para Ana Lucía.

- ‘Tá falando sério?

- Sim. Está ótimo. - é claro que ainda tinha um pequeno deslize nas notas aqui e ali, mas alguém como ela não perceberia ou se importaria com isso, seria algo que ele corrigiria com muito mais tempo e prática.

Lance levantou-se rapidamente da cama, passando a mão pelos cabelos e conferindo algo no seu celular.

- E se fôssemos lá agora? São quase sete horas… Ela já deve estar em casa.

Levantei uma sobrancelha.

    - Ir? Nós dois? Na casa de Ana Lucía?

- Keith, você… iria lá comigo? Pode ficar dentro do carro, enquanto eu… Eu te levo pra casa depois.

Lance não precisou pedir “por favor” ou implorar. Estava claro que ele não via a hora de mostrar para ela o que ele estava preparando há semanas, e estava mais claro ainda que ele não estava pronto para fazer isso sozinho.

- Cara, não vai ser estranho? E se vocês se acertarem e demorar pra caramba?

- Eu não posso demorar. Está quase na hora da janta, e se minha mãe souber que me atrasei por causa de Ana Lucía… Você sabe.

Sim, eu sabia como a mãe de Lance se sentia sobre Ana Lucía. Ela sempre deixava bem claro o quanto estava feliz do filho não estar mais com ela, e que esperava que dessa vez ela o deixasse em paz para sempre. Eu não queria me meter, mas morria de curiosidade para saber por que todas as pessoas próximas de Lance pareciam comemorar o fato dos dois terem terminado.

Pelo que eu tinha entendido, Ana Lucía tinha terminado com ele depois de Lance deixar escapar que queria ir para faculdades diferentes das que ela tinha escolhido, o que ela entendeu como uma verdadeira afronta, algo sobre ele não querer que ela fizesse parte de seu futuro. Eu chamo isso de egocentrismo exagerado, puro egoísmo e cretinice.

Mas Lance chama de amor.

Tampei o rosto com as mãos e suspirei fundo. Eu tinha ido até aquele ponto para ajudá-lo a reconquistá-la, não é mesmo? Ele parecia desesperado, eu não podia abandoná-lo agora.

- ‘Tá, eu vou com você. Mas se demorar, vou embora com seu carro e te largo com sua preciosa Ana Lucía.

---

Depois que convenci Lance a trocar de roupa para algo mais digno de uma serenata, ele disse para sua mãe que me levaria para casa, omitindo que antes iríamos até a casa de Ana Lucía, e saímos. Lance ficou quieto durante todo o trajeto, o que era algo extremamente incomum, sinal de que ele estava muito nervoso, do jeito que ficava antes de um jogo difícil de futebol. Ele estava concentrado, mirando a vitória.

Ele respirou fundo três vezes agarrado ao seu violão antes de sair do carro, depois de estacionar na frente da casa que eu supus ser a dela. Por mais que eu tivesse concordado com tudo aquilo, eu não concordava com o relacionamento esquisito dos dois, e na verdade, não queria que eles voltassem. Hunk, a família de Lance e até mesmo a garçonete do Pop’s tinham me confidenciado não gostar de Ana Lucía, e que achavam que Lance ficaria muito melhor sem ela. Mesmo sem conhecê-la, eu comecei a concordar com eles depois de saber o motivo da “grande briga”.

Irritado com esses pensamentos, virei de costas para a casa de Ana Lucía, apoiando minhas costas na janela do carona e esticando minhas pernas sobre o banco do motorista, e liguei o rádio do carro depois de ouvir ele tocando a campainha para não escutar Lance cantando para ela. Ela não merecia nada daquilo, pelo contrário. Ele merecia que ela aparecesse, depois de um grande esforço para fazer uma surpresa para ele, pedindo desculpas. Lance podia ser um bobão, mas ele era um cara legal. E Ana Lucía era só uma garota mimada, acostumada a ser tratada como uma rainha, uma única prioridade, e nada menos.

Perdi as contas de quantas músicas eu já tinha escutando, mudando de estação sempre que as músicas começavam a ficar desagradáveis demais para meu gosto, quando meu celular começou a tocar. Meu estômago deu aquele aperto ridículo que sempre dava quando vi o nome de Shiro na tela, atendendo logo.

- Alô? Keith? - ele respondeu, a voz um pouco mais séria do que o normal - Ainda está na casa de Lance? Precisa de carona pra vir pra casa? O pai e a mãe já chegaram, estão preocupados com você.

- Estou bem. - respondi, abaixando o volume do rádio, feliz em escutar a voz dele - Lance vai me levar pra casa.

- Ah, tudo bem… - Shiro ficou em silêncio, e eu também, pois sabia que ele anda tinha algo a dizer - Escuta, Keith… Temos convidados hoje. Allura veio para jantar. Achei melhor te contar.

Continuei em silêncio, em parte por não saber o que responder, em parte porque me sentia que, se abrisse a boca para falar algo, passaria mal no carro de Lance. Depois de um longo tempo sem nenhum dos dois dizer nada, Shiro deu um longo suspiro.

- Keith? Quer que eu a leve para a casa dela?  Desculpe, eu não deveria tê-la convidado antes de falar com você…

- Não. Tudo bem. - foi o máximo que consegui me esforçar em dizer sem minha voz ficar distorcida demais pela garganta apertada.

- Tem certeza? - o tom de voz de Shiro já tinha mudado de sério para preocupado.

- Absoluta. - respondi, quase sem perceber que a porta do motorista tinha aberto, e que um sorridente Lance entrava no carro, empurrando minhas pernas para que pudesse sentar.

Percebi que o sorriso de Lance foi sse desfazendo ao olhar para mim. Eu não devia estar com a melhor das caras.

- Escuta, preciso desligar. Até depois - respondi, terminando a ligação antes de escutar a resposta de Shiro.

Me ajeitei no banco enquanto guardava meu celular no bolso, fingindo um sorriso na direção de Lance para disfarçar como me sentia.

- Cara, você ‘tá bem? - Lance perguntou, com o cenho franzido para mim - Aconteceu alguma coisa?

- Tudo ótimo. E aí, o que aconteceu lá? Deu tudo certo? - perguntei, fingindo um repentino interesse no que tinha acontecido fora daquele carro.

- Você não viu?! - a distração funcionou e o sorriso voltou ao rosto de Lance enquanto ele guardava o violão no banco traseiro - Cara, ela adorou! Ela chorou! E me beijou. E disse umas coisas bonitas.

- Então vocês voltaram?

- É claro. Quem em sua sã consciência resistiria a mim, Keith? - Lance começou a dar partida no carro, e eu deixei escapar uma risada de zombaria.

- Consigo pensar em alguns nomes, Lance.

- Ah, cala a boca, você só ‘tá com inveja.

- Claro. - eu disse, revirando os olhos enquanto ele manobrava o carro.

- Pronto pra ir pra casa? - Lance olhou para mim de soslaio, parecendo não acreditar quando eu disse que estava bem.

Fiz que sim com a cabeça, e peguei meu celular para mandar uma mensagem. O velho Lance estava de volta agora que tinha conseguido a vitória que tanto queria, e ele foi tagarelando sobre cada detalhe do que tinha acontecido. Eu tentava ouvir, mas não conseguia me concentrar no que ele dizia totalmente.

Chegamos na casa dos Shirogane mais rápido do que eu queria. Lance estacionou e me despedi dele, tirando o cinto e abrindo a porta do carro.

- Espera. - ele disse, me segurando pelo braço e me puxando para dentro do carro de novo - Escuta… obrigado. Eu ter conseguido fazer isso foi incrível. Você é incrível.

Senti meu rosto corar um pouco com o elogio inesperado e com nossa proximidade. Lance também pareceu perceber e me soltou, sorrindo.

- Gracias a ti, estoy con mi chica de nuevo. Te vejo amanhã no treino?

- É, nos vemos depois. Fico feliz por você, Lance. - menti, apenas porque não sabia o que falar.

Desci do carro e fiquei esperando até que Lance fosse embora, acenando para mim. Esperei até que o carro dele virasse a rua, e peguei meu celular para avisar Pidge, a quem eu tinha mandado uma mensagem antes perguntando se ela estava livre, que já estava à caminho da casa dela, virando as costas para a casa dos Shirogane.

Nem fodendo eu entraria naquela casa essa noite. Só de pensar em Allura ali, com Shiro… Eu não precisava ver a cena para que aquilo me fizesse mal. Eu já estava enjoado o suficiente, e só queria ir para bem longe dali.

---

Quase uma semana já se passou desde que Lance e Ana Lucía voltaram, mas todos ainda comentam sobre isso cada vez que eles passam juntos para cima e para baixo, como se nunca tivessem se separado.

Mesmo depois de ter cumprido seu objetivo, Lance quis continuar com as aulas, que agora acontecem com menos frequência, já que agora ele tem que dividir a maior parte de seu tempo com sua namorada. Ele ainda me cumprimenta, mas ela não perde nem um segundo sequer olhando em minha direção. E eu agradeço por isso. Não conseguiria fingir que a aturo.

Lance parece feliz, mas a Sra. McClain não ficou nada satisfeita quando soube que os dois fizeram as pazes. “Esa chica es pura maldad, Keith”, ela me disse, da última vez em que fui lá. “Você vai ver. Logo ela vai cansar dele de novo e ele vai voltar com o rabo entre as pernas, como sempre”, continuou ela, mexendo a panela com mais força do que o necessário, deixando escapar um pouco de sua raiva.

Agora eu estava sozinho no vestiário. O treino do dia já tinha acabado há algum tempo, mas eu tinha me oferecido para ficar e guardar tudo, dizendo que encontraria Pidge na escola mais tarde, usando todas as desculpas que eu podia para evitar ficar mais perto de Shiro do que o necessário, rejeitando a carona dele para casa.

Eu sabia que não era culpa dele, e sabia que ele estava triste com tudo o que estava acontecendo e se sentia culpado… mas eu precisava de um tempo sozinho. Eu gostava dele. Ele sabia. Ele gostava de Allura. Eu sabia. Ele era meu novo irmão. Nada podia acontecer. Eu sabia disso também. Mas não tornava as coisas mais fáceis.

Terminei de organizar tudo e me sentei de costas para meu armário, sem vontade nenhuma de voltar para casa, e sem ter para onde ir. Pidge tinha compromissos, Lance tinha ido embora para se arrumar para algum encontro que teria com Ana Lucía, e eu estava sozinho.

Ou pelo menos achei que estava, até começar a escutar vozes e risadinhas abafadas. Instintivamente, fiquei ainda mais em silêncio e parado, tentando descobrir quem estava invadindo o vestiário numa hora daquelas.

- Isso é maluquice! E se alguém entrar aqui e nos ver? - uma voz feminina muito familiar perguntou, e pela manha irritante da voz, não demorei muito para perceber que era Ana Lucía.

Revirei os olhos. Não acredito que Lance era um garoto tão bobo para marcar um encontro às escondidas no vestiário.

- Calma, gata. Não tem mais ninguém aqui uma hora dessas. Eu vi o treinador indo embora.

Congelei. A voz do rapaz não era a de Lance. Era de Neil, um dos jogadores do time, e um dos “grandes” amigos de Lance, que vivem cercando-o pela escola. Escutei um baque, e tive certeza, pelos barulhos de beijo que se seguiram, que ele tinha encostado-a contra um dos armários na fileira da frente de onde eu estava escondido.

- Neil, para… A gente não pode… Eu acabei de voltar com o Lance… - Eu a ouvia dizer entre os beijos, com um tom de voz muito mais provocativo do que realmente culpado.

- E desde quando a gente se importou com isso? Você não está com saudades de mim? Que tal a gente sair daqui e ir passar um tempo juntos lá em casa, hein?

- Eu não posso. Vou sair com o Lance mais tarde.

- Dá um jeito de dispensar esse idiota cedo e me liga quando estiver sozinha. Vou te buscar depois, ok?

A conversa não se desenvolveu muito mais que isso durante o tempo que fiquei escondido, sem acreditar no que ouvia, e que justo eu tinha que estar ali, na hora errada, para presenciar aquela cena bizarra. Fiquei por lá ainda um bom tempo depois que eles saíram, para ter certeza de que não encontraria nenhum dos dois no meu caminho quando fosse embora.

Eu não sabia o que fazer com toda essa informação. Ana Lucía não estava só traindo Lance ali, como parecia ser um costume de longa data. Eles tinham acabado de voltar. Por que voltar com ele quando ela claramente não queria estar com Lance?

Eu não sabia o que pensar. Eu não sabia se devia ou não contar para Lance. Fiquei tão aturdido que fui andando para casa, mesmo sob a fraca chuva que começava a cair, tentando me decidir sobre o que eu faria.

Nada fazia sentido. Lance tinha acabado de recuperar Ana Lucia. Seria justo eu contar para ele o que tinha acabado de ouvir e estragar tudo?

Será que eu tinha esse direito?

Eu odiava segredos. Eu nunca sabia quando era certo guardá-los, ou quando deveria contá-los. A pior parte é que agora eu também fazia parte desse segredo, e o que quer que eu resolvesse fazer com ele, causaria grandes consequências.

Agora eu só tinha que decidir qual consequência seria menos pior para todos ao meu redor, e para mim.

[FIm do POV do Keith]


Notas Finais


e aí, o que acharam? D: o que será que o Keith vai fazer com esse babado fortíssimo?
se ainda tiver gente lendo depois de todo esse tempo que sumi, posto o próximo capítulo em breve, haha!
bjos.


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