História For The Love Of a Daughter - Capítulo 33


Escrita por: ~

Postado
Categorias Novos Titãs (Teen Titans)
Personagens Mutano, Ravena
Tags Bbrae, Beast Boy, Mutano, Raven, Ravena, Teen Titans
Exibições 265
Palavras 4.240
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Musical (Songfic), Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Álcool, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Nome do capitulo: Eternidade.

Até amanhã, manas

Espero que gostem.

Capítulo 33 - Infinity


Eleanor acordou com o barulho de alguém batendo na porta de seu quarto. Ela olhou a hora no celular e fez uma careta ao perceber que estava completamente atrasada para a escola. Ainda era quarta-feira, mas ela já estava se sentindo exausta.

- Pode entrar – ela falou, saindo da cama e correndo até o guarda-roupa para pegar o uniforme. Mutano entrou no quarto com uma bandeja de café da manhã nas mãos e sorriu para ela. – Ahn... Bom dia, pai.

- Bom dia, meu amor – ele sorriu, sentando-se na cama. – O que você está fazendo?

- Estou atrasada para a escola. Preciso me arrumar depressa para...

- Não precisa. Você pode ficar em casa o resto da semana. Com tudo isso que está acontecendo... Acho que você está bem cansada e assustada.

- Mas pai...        

- Els, suas notas estão ótimas. Não se preocupe. Prefiro que você fique aqui e descanse. Vai ser bom para você colocar sua cabeça no lugar.

A menina deu um sorriso tímido e se sentou ao lado dele, pegando o pedaço de bolo de chocolate que estava na bandeja.

- Você está se sentindo melhor? – Mutano perguntou preocupado.

- Estou. Você dormiu aqui essa noite?

- Fiquei até você dormir... Depois voltei para o meu quarto.

- Obrigada – ela sussurrou, abraçando-o.

- De nada, meu amor. – ele sorriu, devolvendo o abraço.

Eleanor suspirou e deixou o café da manhã de lado, encarando as próprias mãos.

- Pai... Eu sou um monstro?

- Eleanor...

- Eu não consigo me controlar... Eu não sei o que estou fazendo.

- Você não é um monstro, Els. Só está assustada e com medo... Você vai aprender a controlar isso. Eu prometo.

- Mas... De onde esses poderes vieram? Quer dizer... Eu nunca vi ninguém com esse tipo de... Poder. Ou magia. Não sei! – Eleanor falou nervosa. – Então, por que justo eu? Por que eu não posso apenas me transformar em animais assim como você?

Mutano respirou fundo e segurou as mãos dela.

- Porque você é igual à sua mãe.

- Minha mãe? – Eleanor perguntou confusa. – Como assim?

- Esses poderes... Essa energia que sai de você é magia. Eu não sei muita coisa sobre isso, talvez Cyborg possa te explicar melhor... Mas, sim. Você é igual à sua mãe. – ele riu sem vontade. – Eu sabia que um dia você manifestaria algum tipo de poder... Mudar de forma ou magia. E, bom, você ficou com a magia.

- Papai...

- Sua mãe tinha esse mesmo poder. A única diferença está na cor da energia dela. Enquanto a sua é azul celeste, a dela era... Preta.

- Preta? Como magia negra?

Ele assentiu com a cabeça e umedeceu os lábios com a língua. Nunca tinha parado para pensar no dia em que precisaria falar sobre os poderes de Ravena com Eleanor pelo simples motivo de que sempre torcera para que ela não demonstrasse nenhuma habilidade... Especial.

- A minha mãe era uma bruxa? – a menina perguntou com os olhos arregalados.

- Mais ou menos... Ela era... Sim, ela era uma bruxa – Mutano deu de ombros. Não existia palavra melhor para descrever Ravena. – Mas uma bruxa do bem.

Eleanor piscou os olhos algumas vezes, processando todas as informações que tinha acabado de receber. Seu pai nunca tinha falado tanto sobre sua mãe. Nas poucas vezes que falava, ele demonstrava amargura e tristeza. Mas naquele momento, ele estava sendo verdadeiro. Estava esquecendo de todo o mal que ela tinha causado. Estava sendo um verdadeiro pai.

- E como ela lidou com isso?

- Ela aprendeu a se controlar desde pequena... E sempre manteve esse controle. – Mutano suspirou. Ele não contaria toda a história de Ravena. Não. Contaria apenas o necessário sobre os poderes dela. – Era muito difícil para ela... Mas ela conseguiu, e você também vai conseguir.

- Eu não vou conseguir sozinha. – Eleanor choramingou.

- E quem disse que você está sozinha? Você tem a mim, tem seus tios... Tem a Rachel.

- A Rachel? Acho que depois do que eu fiz, ela não vai querer saber de mim...

- É aí que você se engana, menina – Ravena falou, entrando no quarto. Mutano e Eleanor a olharam assustados e sem entender o que ela estava fazendo ali. – Eu não queria interromper o momento fofo de vocês, mas escutei o meu nome e resolvi entrar. Desculpa.

- Não tem problema. – Mutano revirou os olhos.

- Quarto legal esse que você tem – ela disse, olhando para seu antigo quarto. Pelo que se lembrava, o cômodo costumava ser muito mais escuro e assustador. No entanto, uma explosão de cores tomava conta do lugar, deixando-a zonza. – É tudo tão... Colorido.

- Era o quarto da minha mãe. – Eleanor sorriu sem graça e Ravena concordou com a cabeça. – Quer se sentar?

- Claro. – ela subiu na cama, ficando do lado esquerdo de Eleanor, enquanto Mutano estava do lado direito. – Então... Como você está?

- Estou bem... – a menina murmurou. – E você? Eu sinto muito por ter te jogado na parede...

- Não tem problema. Eu não me machuquei. Pelo menos vou ter histórias para contar para os meus filhos, certo? – Mutano soltou uma risada nasalada e balançou a cabeça negativamente.

- O que você veio fazer aqui, Rachel? – ele perguntou impaciente. – Falar alguma coisa útil ou só escutar a nossa conversa?

Ravena bufou e ignorou a provocação.

- Eleanor... – ela começou a falar. – Como o seu querido pai acabou de dizer... Eu não pude deixar de escutar a conversa de vocês, e acabei ouvindo uma parte sobre a sua mãe. – Eleanor concordou com a cabeça enquanto escutava atentamente. – Vou confessar que eu não entendo muito sobre poderes e magia – Ravena mentiu. – Mas... Quando eu estava na faculdade, ficava muito nervosa por causa das provas e trabalhos, e acabava me descontrolando e descontando em todo mundo.

Mutano arqueou uma sobrancelha e esperou Ravena terminar de falar.

- Eu estava a ponto de ficar louca quando um amigo me sugeriu a... Meditação. – ela continuou. – A questão é... Se você quiser, eu posso te ensinar a meditar... Aprendi várias técnicas para controlar as emoções... Isso pode te ajudar a ter o controle dos seus poderes.

- Rachel... Isso é incrível – Eleanor exclamou. – Vai ser ótimo! Eu quero! Se não for te atrapalhar, é claro.

- Não vai. O voo da Emma foi adiado para daqui dois dias... Isso significa que nós vamos ter um tempinho a mais.

- Bom... Então parece que você vai ficar aqui por mais uma semana, boneca. – Mutano provocou e Ravena revirou os olhos. – Que maravilha.

- Sim... Infelizmente.

- Pai... Você acha que a meditação pode me ajudar? A minha mãe faria isso?

Ravena engoliu em seco e encarou as próprias mãos.

- Eu tenho certeza que sim, Els. – ele sorriu.

- Quando nós vamos começar, Rachel? – a menina perguntou animada. Um vidro de perfume que estava na penteadeira flutuou por alguns segundos, chamando a atenção deles.

- Imediatamente.

Depois de alguns minutos, o quarto de Eleanor estava repleto de velas. As cortinas estavam fechadas, e nenhum barulho era escutado. Mutano continuava deitado na cama para vigiar a “aula” de Ravena. Ele não deixaria as duas sozinhas. De jeito nenhum.

- Tudo bem – Ravena falou e chamou Eleanor com a mão. – Vem aqui.

A menina andou até ela e parou em frente ao grande espelho que ficava dependurado em uma das paredes.

- Olhe para esse espelho – a empata disse, apontando para o vidro. – Eu vejo uma forte, confiante e bonita jovem mulher. – ela arqueou uma sobrancelha e riu alto. – Ah, Eleanor! Você está aqui também.

Eleanor encolheu os ombros e abaixou a cabeça.

- Essa é a primeira lição. – Ravena levantou o queixo dela e a olhou com seriedade. – Nunca deixe ninguém rebaixar você. Suas emoções ficam loucas e mais difíceis de serem controladas. – Eleanor assentiu com a cabeça e suspirou. – Eu preciso saber de uma coisa. Quando você se descontrola... Você sente como se uma de suas emoções tomasse a iniciativa no seu lugar?

Mutano olhou a cena com curiosidade e se ajeitou na cama para prestar mais atenção.

- Na-Não. – Eleanor respondeu. – Acho que não.

- Não parece que uma parte de você está se sobressaindo?

- Não.

- Quando você me lançou na parede... O que você sentiu?

- Raiva. Muita raiva.

- Você sentiu como se fosse outra pessoa? – Ravena perguntou.

- Não.

- Ótimo. – ela suspirou aliviada. As emoções de Eleanor, por sorte, não eram divididas como as dela. Menos um problema. Seria um trabalho de anos até todas as emoções estarem juntas em uma só, e Ravena podia falar por experiência própria. Era uma coisa muito difícil de fazer. – Isso facilita as coisas.

Eleanor deu um sorriso amarelo e esfregou as mãos nervosa.

- Nas vezes que você “usou” os seus poderes, no que você pensou, menina?

- Em nada. Eu simplesmente fiquei com raiva e as coisas explodiram.

Ravena concordou com a cabeça e suspirou. O problema com as emoções estava resolvido, mas Eleanor parecia ter certa dificuldade de lidar com a sua raiva.

- Tudo bem... Chega de perguntas por hoje. – ela tentou sorrir e se sentou no chão, cruzando as pernas. – Senta. – Eleanor obedeceu e a olhou curiosa. – Acho que eu já exigi muito de você por hoje... Vamos ir com calma, ok?

- Ok.

- Feche os olhos e esvazie sua mente. Esvazie completamente. – a menina fechou os olhos e respirou fundo, tentando se esquecer das coisas que aconteciam a sua volta. Em vão. O rosto de Damian invadiu sua mente, e a janela do quarto bateu com força, assustando Ravena. – Chega por hoje. Amanhã nós vamos tentar novamente. E você vai me responder mais algumas perguntas. Pode ser?

- Pode – Eleanor sorriu e a abraçou. – Eu estou com medo, Rachel.

- Eu estou aqui, menina – Ravena suspirou e devolveu o abraço. – E não vou te deixar afundar.

Mutano deu um sorriso torto e saiu da cama de Eleanor, levando a bandeja. Estava mais tarde do que eles imaginavam, e o cheiro de almoço já tomava conta da Torre.

- Vamos almoçar, meninas – ele sorriu. – Depois podemos meditar mais um pouco, certo Rachel?

- Claro. Quanto mais meditação, mais tranquilidade você vai ter, menina.

Eleanor concordou com a cabeça e sorriu.

- Obrigada mais uma vez, Rachel.

- Se for para você ficar me agradecendo a cada 5 minutos – Ravena revirou os olhos. – Eu vou mudar de ideia e não vou te ajudar.

- Desculpa. – Eleanor falou envergonhada. – Vou descer para ajudar a tia Kori... Ela fica perdida quando a tia Karen não está aqui para fazer o almoço. Encontro vocês na cozinha?

- Já estamos descendo – Mutano riu e viu a filha sair do quarto correndo. – Às vezes você é tão má, Rachel.

- Talvez. Mas eu sou rica e bonita, então isso não importa. – ela deu de ombros e Mutano bufou. – Além do mais, ela precisa da minha maldade. Aposto que você não quer ver a sua filha sendo insegura pelo resto da vida, e se chamando de monstro.

- Ela não é insegura.

- Ela é. E isso só piora as coisas.

- Você era insegura!

- Eu sei. Por isso me descontrolava fácil. Sempre ficava preocupada com o que os outros pensariam de mim, e ainda tinha toda aquela coisa de não demonstrar ou sentir.

Mutano arqueou uma sobrancelha e suspirou.

- Por favor. Só não a transforme em uma pessoa fria como você.

- Uou – Ravena arfou. – Se eu conseguisse me importar com o que você fala... Eu estaria chorando agora.

- Só para você saber... – Mutano a puxou pela cintura e colou a testa na dela. – Eu adoro quando você finge que não se importa. – ele lhe deu um selinho rápido e saiu do quarto antes que ela pudesse falar alguma coisa.

- Idiota.

“Cyborg, Robin e Mutano tinham os olhos vidrados na TV. Estava passando outra maratona de filmes de terror e eles agiam como se nunca tivessem os assistido antes.

- Caras... – Mutano arfou quando o último filme acabou. – Nós precisamos de outra maratona desse tipo.

- Concordo – Robin riu. – Podemos ligar para a locadora e pedir mais alguns filmes.

- ISSO! – Cyborg gritou. – Estamos fazendo a nossa própria noite dos garotos.

Naquele momento, Ravena desceu as escadas e começou a procurar alguma coisa no armário da cozinha. Ela e Mutano tinham passado a tarde juntos e o resultado não tinha sido dos melhores. Sem querer, ela explodiu as janelas do quarto dele, quando ele ‘exagerou’ nas caricias.

- Vocês viram a caixinha do meu chá de lichia? – ela perguntou nervosa.

- Era uma caixinha laranja? – Robin perguntou.

- Exatamente.

- Eu joguei fora... Pensei que estivesse vazia.

- Você fez o quê?

- Não fiz por mal, Ravena – o líder tentou se desculpar. – Amanhã eu compro outra para você. Não se preocupe.

Ela respirou fundo e deu as costas para os três, pegando a caixa que continha o chá de limão.

- Rae... – Mutano a chamou preocupado. Ele sabia que ela se sentia péssima quando seus poderes ficavam fora de controle. – Você está bem?

- Aham.

- Quer assistir alguns filmes com a gente? – Cyborg perguntou, ciente do que tinha acontecido. – Podemos deixar a noite dos garotos para outro dia.

- Não.

Os três Titãs se entreolharam e Mutano suspirou derrotado.

- Qual é, Rae Rae – ele sorriu, abraçando-a por trás e dando um beijo em seu pescoço. – Só um filme... Por fa...

- Eu disse NÃO! – Ravena gritou, fazendo as luzes piscarem. – Droga...

- Ravena, não tem problema – o metamorfo tentou falar. – Nós estamos acostumados com os seus poderes.

- Garfield tem razão – Robin disse. – Um filme vai fazer bem para você. Vai ser bom para esfriar a cabeça e...

- NÃO! – o controle remoto que estava na mão de Cyborg se despedaçou e a luz da Torre foi embora. – Me... Me deixem em paz.

Com isso, a empata voltou correndo para o quarto, deixando os três meninos assustados e completamente perdidos.

- Eu vou falar com ela. – Mutano disse, começando a subir a escada.

- Não – Cyborg o interrompeu. – Deixa comigo. Ela está muito nervosa por ter explodido as janelas do seu quarto hoje mais cedo... É melhor você ficar aqui com o Robin. – o metamorfo concordou com a cabeça e viu o amigo subindo as escadas. – Ravena? Posso entrar? – ele perguntou, batendo na porta.

- O que você quer? – Ravena perguntou quando abriu a porta. – Eu quero ficar sozinha.

- Não quer não. – ele riu, entrando no quarto. – O que está acontecendo?

- Nada.

- Eu te conheço, irmãzinha. E o Gar me contou o que aconteceu no quarto dele.

- Co-Como é? Ele te contou... Tudo?

- Não. Só contou que as janelas explodiram... Não falou o motivo, mas eu tenho minhas teorias.

Ravena sentiu suas bochechas corando e escondeu o rosto entre as mãos.

- Que vergonha. – ela murmurou.

- Não precisa ficar com vergonha. – Cyborg gargalhou. – Todo mundo faz isso. Mas...

- Cyborg! Tudo bem. Não precisa entrar nesse assunto.

- Então... Vai me contar o que aconteceu?

- Nenhuma novidade. – Ravena suspirou. – É só que... Eu gosto do Garfield. Gosto muito. E... Ele me faz perder o controle. Quando estou com ele, parece que o resto do mundo não tem importância, e eu me entrego para valer.

- Rae... Você está apaixonada. – o mais velho segurou as mãos dela. – Isso é ótimo.

- Não! Isso não pode acontecer. Durante toda a minha vida, eu fui treinada para não ter sentimentos... E agora estou colocando tudo a perder. Eu sou um monstro! Filha de um demônio, e não mereço nada disso que o Gar me dá. Eu sou um monstro, Cyborg!

- Ravena, você tem 17 anos. Essa é a coisa mais normal do mundo. Você o ama, e ele te ama de volta. Você está longe de ser um monstro.

- Nunca vou me perdoar se eu machucá-lo. Se eu perder o controle mais uma vez e acabar fazendo uma besteira. Como eu pude ser capaz de violar a única regra que impus a meu próprio coração?

- Você...

- Garfield me afetou, e não importa o que eu faça... Não consigo afastá-lo.

- Quando se apaixona por alguém, não sei se... Não sei se pode afastá-lo. – Cyborg suspirou.

- O que eu vou fazer, Cyborg? – ela chorou. – Ele merece alguém melhor que eu. Merece alguém que não seja um monstro. Que possa retribuir sem medo todo o amor dele...

- Maninha – ele segurou o rosto dela com as duas mãos. – Ninguém nessa Torre é perfeito. Estelar é uma princesa alienígena, Robin é paranoico, eu sou metade robô e o Mutano é verde... Você não é um monstro. E não estou falando isso só porque sou como seu irmão mais velho. Não. Estou falando isso porque é verdade. – Ravena suspirou. – Eu sei melhor do que qualquer um, que o que você e o Gar sentem... É de verdade. Você é o melhor para ele, Ravena. Só você.”

Estelar subiu as escadas correndo e quase caiu quando deu de cara com Mutano e Ravena descendo lado a lado.

- Amigos! – ela arfou e os dois a olharam sem entender. – Eu já estava indo chamar vocês para o almoço.

- E nós já estamos indo almoçar. – Ravena deu de ombros.

- Então... Vocês dois estavam sozinhos no quarto da Els?

- Nós estávamos conversando, Kori. – Mutano disse seco. – Só isso.

- Entendo... – a alienígena sorriu. – Tenho certeza que vocês têm muito assunto para colocar em dia. Por que não saem para jantar ou tomar um café?

Ravena e Mutano se entreolharam confusos.

- O que você está fazendo? – a empata perguntou impaciente. – Nós não vamos sair.

- A única coisa que nos “une” – Mutano fez aspas no ar. – É essa confusão com os poderes da Eleanor.

- Sim, eu sei... Mas se vocês tiverem um tempo a sós, vão poder ter mais privacidade.

- Quem precisa de privacidade? – Cyborg perguntou, subindo as escadas. – Dick me pediu para buscar vocês já que a Kori estava demorando... Mas quem precisa de privacidade?

- Kori acha que eu e a Rachel devemos sair para... Para o que mesmo? – Mutano perguntou confuso.

- Para poderem conversar melhor. – Estelar sorriu.

- Se vocês quiserem, posso colocar uma mesa no telhado para vocês – Cyborg sugeriu. – E fazer o jantar.

- Não. – Ravena riu nervosa. – Nós dois não vamos sair.

- Não sei por que você está tão nervosa, boneca – Mutano provocou. – Nós só vamos conversar.

Estelar bateu palminhas e Cyborg arqueou uma sobrancelha.

- Tá bom. – a empata concordou. – Mas vocês dois – ela apontou para Estelar e Cyborg. – Vão arrumar tudo. E não vai ser um encontro!

Depois de algumas horas, Ravena já tinha deixado Eleanor mais familiarizada com a meditação. Estava claro que a raiva e ansiedade dela seriam um problema.

- Chega por hoje, menina.

- Você acha que eu estou aprendendo rápido? – Eleanor perguntou.

- Está. Você é bem empenhada... Vai dar um jeito nisso rapidinho.

A menina sorriu e se levantou do chão, limpando a calça jeans.

- Rachel... Como você sabe tanto sobre essa coisa toda de controlar as emoções?

- Aprendi na aula de meditação – Ravena mentiu. – A professora era uma hippie tranquila, e fez questão de ensinar tudo o que sabia.

- Ah... – Eleanor franziu o cenho, achando a história um pouco estranha. – Bom... Eu vou ao shopping com os meus tios, então...

- Pode ir se arrumar. Eu vou meditar mais um pouco... Tem tanto tempo que eu não faço isso. Vou tirar o atraso.

- Tudo bem. Boa noite, Rachel.

Ravena fechou os olhos e perdeu a noção do tempo. Ela voltou para a realidade quando Mutano a cutucou de leve nas costelas, chamando sua atenção.

- Você quer me matar do coração? – ela perguntou, respirando fundo. O perfume dele tomou conta do ar, deixando-a com vontade de afundar o rosto no pescoço dele. – Oh Azar... Você está tão arrumado. – Mutano deu de ombros e colocou as mãos nos bolsos da calça jeans que usava. A camisa social preta que ele havia escolhido contrastava com sua pele, deixando-o ainda mais bonito.

- Eu não estou tão arrumado assim. – ele sorriu.

- Eu nem tomei banho! – Ravena exclamou, levantando o braço e cheirando a axila. – Não vou sair desse jeito.

- Nós só vamos até o telhado. Não tem problema. – ele passou os olhos pela roupa dela, e segurou para não rir. Ela usava uma calça de moletom cinza e uma blusa enorme com o desenho do Pikachu. – Eu adoro Pokémon, e essa noite, eu escolho você.

- Se você continuar com essas piadas, vai jantar sozinho.

Mutano riu e pegou a mão dela, subindo para o telhado. Cyborg e Estelar tinham deixado tudo pronto. Desde a decoração á luz de velas, até a comida.

- A Kori exagerou um pouco. – ele riu sem graça. – Mas o Cyb fez a comida.

- Um pouco? Ela perdeu o juízo, isso sim!

Ravena se sentou e observou enquanto Mutano se sentava do lado oposto da mesa. Ele sorriu nervoso e deu de ombros, servindo a comida e o vinho.

- Então... Rachel. Por que você resolveu ficar?

- Eu não sei. Acho que não custa nada ajudar. Em poucos dias, a Eleanor vai estar conseguindo controlar os poderes.

- Você vai mesmo voltar para Nova York?

- Vou. – ela tomou um gole de vinho e fez careta. – Acho que isso está meio estragado...

- O que? – Mutano riu e provou a bebida. – Eca! Cyborg deve ter deixado aqui o dia todo. O sol não estava forte, mas pelo jeito foi o suficiente para estragar.

- Pelo menos ainda temos água, certo?

Mutano concordou com a cabeça e riu baixinho.

- Já se acostumou com o frio? – ele perguntou.

- Já... O frio em Nova York costuma ser pior do que aqui.

- Por que você ama tanto Nova York?

- Aquela cidade é a minha vida – ela suspirou. – Foi como amor á primeira vista.

- Eleanor é apaixonada por Londres... Quero levá-la para viajar na minha lua de mel, já que vamos para Londres.

- Na sua lua de mel? Mas... Não vai ser meio estranho?

- A Tara também acha isso – ele deu de ombros. – Mas eu não me importo. Foi uma promessa que eu fiz a ela quando ainda era pequena.

- Que você nunca viajaria sem ela?

- Que eu nunca a deixaria para trás.

Ravena sorriu sem graça e olhou para o céu.

- Quantas noites levam para contar as estrelas? – ela perguntou curiosa.

- É o tempo que demorará para consertar o meu coração.

- Como?

- Ah, Ravena – Mutano lamentou. Estava na hora de encenar. – Eu estava lá para você. Tudo que eu sempre quis foi a verdade. – Ravena encarou as próprias mãos envergonhada. Seu coração estava disparado, e ela sabia que não conseguiria fingir. – Quantas noites você desejou que alguém ficasse ao seu lado? Deitada, acordada, esperando que esse alguém, no meu caso você, estivesse bem.

- Eu...

- Eu nunca contei as minhas noites, sabia? Desde que você foi embora... Se eu tentasse contar, iria parecer uma eternidade.

Mutano fechou os olhos com força e torceu para que ela falasse alguma coisa.

- Quer saber de uma coisa? – Ravena perguntou rapidamente. – Eu tive tanto medo de você não gostar mais de mim por conta do meu descontrole e do meu jeito... Assustador, que acho que tentei deixar de gostar de você antes.

Ela encarou as próprias mãos e soltou um suspiro pesado. Não iria encarnar um personagem naquela noite. Não. Estava cansada disso.

- Eu nunca deixaria de gostar de você por causa dos seus poderes... Ou do seu jeito, Rae. Eu era completamente apaixonado pelo seu jeito.

Devagar, ele colocou um pedaço de lasanha no prato dela e tentou sorrir.

- Cyborg fez waffles também... Você quer? – ele perguntou e a viu concordar com a cabeça.

- Mal cuidado, nós temos waffles. – ela brincou, levando um pedaço a boca. A lasanha ficaria para depois. – Pimenta! – ela arfou, abanando a boca. – Muita pimenta!

- O que? Não tem pimenta nisso aí.

- Tem sim! – a empata tomou sua taça de água em menos de um segundo e fechou os olhos.

- Acho que esse jantar não está dando certo. Não sei o que aconteceu... O Cyb é ótimo na cozinha.

- Não tem problema, Garfield. – ela riu.

- Tenta comer a lasanha. – Mutano sugeriu e Ravena comeu um pedaço da tal lasanha. Ela arregalou os olhos e tossiu, assustada. – O que? Tem pimenta também?

- Presunto! Tem presunto! – ela cuspiu no prato e tomou a água da taça de Mutano.

- Droga! Você é alérgica! – ele levantou da cadeira e foi até ela, preocupado. – Você está bem?

- Sim. Cuspi tudo antes de engolir.

- Droga... – ele sentou no chão, cansado. – Sinto muito por isso, Rachel.

- Tá tudo bem... Não tem problema. Nós já tivemos encontros péssimos antes.

- Decidiu chamar de encontro? – Mutano provocou, puxando-a para o chão e a abraçando.

Ravena revirou os olhos e riu baixinho.

- Posso ser sincera com você, Logan?

- Ahn... Claro.

- Talvez não tenha te superado 100% - ela corou, tentando não se importar com o fato de que estava sendo realmente sincera. Mutano engoliu em seco e se sentiu mal por ter fingido na maior parte do jantar. – E talvez tenha uma parte de mim que nunca vai te superar.


Notas Finais


"Eu estou aqui e não vou te deixar afundar." é da fic Alvura Púrpura, todos os créditos a autora.
"Como pude violar a única regra que impus ao meu próprio coração?" é da fic Biology, todos os créditos a autora.

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