História For The Love Of a Daughter - Capítulo 36


Escrita por: ~

Postado
Categorias Novos Titãs (Teen Titans)
Personagens Mutano, Ravena
Tags Bbrae, Beast Boy, Mutano, Raven, Ravena, Teen Titans
Exibições 381
Palavras 4.902
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Musical (Songfic), Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Álcool, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Nome do capitulo: Não é tarde demais.

Manaaaaassss!!!!!!! A semana acabou, infelizmente! Agora só vou postar depois do dia 25/10, por favor, não me abandonem. Tomara que dê tempo de quem tá atrasado ler tudo bem direitinho, né?!
Ontem me perguntaram nos comentários se a Eleanor sabe que a Ravena tá viva: ela não sabe. Quando estava caindo do telhado, imaginou uma vida '''perfeita''', onde ela conheceria a mãe dela, e todas essas coisas.
Só isso mesmo <3
Até o próximo!

Espero que gostem.

Capítulo 36 - It's Not Too Late


- Você está bem? – Ravena perguntou, puxando Eleanor para um abraço. Depois de lançar o feitiço, saiu correndo do telhado e foi para a praia, na intenção de ajudá-la. – Está tudo bem?

- Sim, eu estou bem – Eleanor respondeu cansada. Ela se jogou na areia de qualquer jeito e respirou fundo. – Pensei que eu fosse morrer... Por um segundo, juro que me vi arrebentada naquela pedra.

- O que você tem na cabeça, menina? Será que você tem noção do que fez? Puta que pariu, você podia ter morrido!

- Rachel... Você está bem? Parece que você vai desmaiar a qualquer momento...

- Eleanor, nunca mais faça isso, você está me entendendo? – ela perguntou com a mão no peito e os olhos marejados. – Eu quase morri do coração! Tem noção do que o seu pai faria comigo se você tivesse se machucado? Nunca mais faça isso! Se eu tivesse te perdido...

Eleanor encarou as próprias mãos, envergonhada e deu de ombros.

- O que vocês duas estão fazendo aqui fora com esse frio? – Cyborg perguntou animado. Ele e os outros Titãs tinham acabado de chegar da missão, e as olhavam curiosos.

- Rachel, você está bem? – Mutano perguntou preocupado. – Está tão branca que parece que viu um fantasma.

- Antes tivesse sido um fantasma – ela sussurrou, sentando-se na areia. Suas pernas estavam bambas e seu coração acelerado. – A Eleanor... Pulou do telhado... – Mutano arregalou os olhos assustado. – Eu pensei que ela fosse morrer – Ravena chorou, deixando os outros chocados. – Pensei que fosse se espatifar naquelas pedras... – ela escondeu o rosto entre as mãos e chorou baixinho.

- VOCÊ FEZ O QUE? – o metamorfo gritou desesperado. Eleanor se encolheu e não respondeu. – POR QUÊ?

- O tio Dick disse que eu só aprenderia a voar na prática, então resolvi tentar.

- PULANDO DO TELHADO?

- Pai... Eu pensei que em uma situação de desespero, meus poderes funcionariam direito...

Mutano passou as mãos pelo cabelo nervoso e balançou a cabeça negativamente.

- Você podia ter morrido – ele sussurrou. – Podia...

- Mas eu não morri, papai. Eu estou bem! Quando estava quase batendo nas pedras, senti alguma coisa me puxando para cima, amortecendo a queda. Não se preocupe. Meus poderes funcionaram.

Ravena suspirou alto e não levantou o olhar para encará-los. Ninguém podia saber que ela tinha usado seus poderes. Ninguém.

- Ainda não sei como a Rachel descobriu que eu estava caindo... – Eleanor falou, olhando para a mulher. – Ela só chegou aqui embaixo correndo desesperada, e...

- Eu escutei seus gritos – Ravena mentiu. – Quando olhei pela janela, você estava despencando.

Os Titãs se entreolharam, desconfiados.

- Els, quando eu disse que você aprenderia a prática... Não foi isso que eu quis dizer. – Asa Noturna a abraçou. – Pelo menos não desse jeito. Vai levar tempo para que você aprenda a voar. É normal.

- Nunca mais faça isso, menina – Cyborg pediu desesperado. – O que nós faríamos se tivéssemos te perdido?

- Você está bem mesmo? – Estelar perguntou, abraçando-a com força. – Se quiser posso te fazer uma massagem típica do meu planeta, e...

- Não precisa, tia – Eleanor riu e olhou para o pai. – Você está muito bravo?

- Não... Eu só estou... Esquece. – Mutano deu de ombros e a abraçou com força. – Nunca mais faça isso comigo, ok? – Eleanor concordou com a cabeça e chorou. – Eu não suportaria te perder. Você é a minha vida, Eleanor. Por favor... Nunca mais...

- Eu prometo que não vou mais fazer isso, papai.

- Tudo bem... O que vocês acham de irmos tomar um sorvete? – Cyborg perguntou animado para quebrar o momento de tensão.

- Eu adoraria. – Estelar sorriu e pegou a mão de Asa Noturna. – Vamos, amor?

- Claro. – ele sorriu. – Garfield, Rachel... Vocês tem um compromisso no orfanato da cidade ás 13h. Não se atrasem, por favor.

Os dois concordaram com a cabeça, evitando ao máximo se olhar.

- Vai com eles – Mutano sussurrou, soltando Eleanor. Ela concordou e secou as lágrimas. – Te vejo mais tarde.

- Eu te amo, pai.

- Eu também te amo.

Mutano observou Eleanor entrar na Torre e suspirou quando ela sumiu do seu campo de visão. Ele olhou para Ravena e sentou-se ao lado dela, encarando o mar.

- Foi você, não foi? – ele perguntou sem a olhar.

- O quê? – ela devolveu a pergunta, secando as lágrimas.

- Foi você quem a salvou. Eu sei que ela não fez isso sozinha, Rachel.

- Eu não fiz nada. Só a vi caindo e vim correndo para cá.

- Não precisa mentir, Rae – Mutano riu, passando o braço pelo ombro dela. – Se você quer que ela pense que se salvou sozinha, por mim tudo bem. Mas você não me engana.

- Eu não fiz nada, Garfield! – Ravena sibilou. – Pare de inventar teorias porque você está completamente errado!

- Sério? Então por que você está tão desesperada e desconsertada com o quê aconteceu?

- Estou assustada! Assustada como qualquer mãe ficaria!

- Como qualquer mãe?

- Esquece o que eu disse. Esquece o que aconteceu, ok? Ela se salvou sozinha. Não tive nada a ver com isso. Já te disse que não vou usar os meus poderes outra vez. Nunca.

Ravena se levantou e começou a voltar para dentro da Torre.

- Vou me arrumar para ir ao orfanato. – ela avisou com a voz embargada. – Você deveria fazer o mesmo.

Ele suspirou impaciente e voltou sua atenção para o mar.

- É... Parece que ela não é tão insensível como eu imaginei...

 

Algum tempo depois, Mutano entrou no orfanato de Jump City sendo seguido de perto por Ravena.

Ele podia sentir o nervosismo dela de longe e não sabia se era por medo de ser reconhecida pelos funcionários do lugar ou por conta do que tinha acontecido mais cedo. Algumas crianças o cumprimentaram de longe, sem deixar de olhar para a mulher de cabelos roxos.

Ela se mexeu desconfortável e passou as mãos pela calça jeans de cintura alta que usava. Sua blusa era cinza e básica e um cinto fino marrom a prendia dentro da calça, deixando-a mais afofada. E por cima, um casaco preto. A roupa era simples comparada às outras que ele já tinha a visto usar.

- Você nunca vai parar de usar esse par de AllStar? – Mutano sussurrou, olhando para os pés de Ravena. – Ele está tão velho que eu tenho a impressão de que você ficará descalça num piscar de olhos.

- Não enche – ela rebateu impaciente. Seus olhos passaram pelo corpo dele, fazendo-a arquear uma sobrancelha. Ele usava uma calça jeans escura e uma camiseta azul lisa de manga comprida, além de um par também surrado de AllStar. – Parece que você não está podendo falar de mim. – Ravena apontou para os pés dele.

- Eu não sou um estilista famoso. – ele provocou, deixando-a parada no meio do orfanato enquanto ia conversar com alguns funcionários. – Jane!

- Garfield! – uma mulher loira o cumprimentou. Ela aparentava ter seus 25 anos de idade e tinha olhos azuis tão claros quanto o céu. – Finalmente você voltou!

Mutano riu e a abraçou, tirando-a do chão.

- Eu sou um homem ocupado, você sabe.

- Sei. Nunca vou me esquecer de quando nós saímos e você me deixou plantada na pizzaria porque tinha um vilão atacando a companhia de energia elétrica da cidade!

- Por favor, J – o metamorfo começou a falar. – Não vamos nos lembrar daquele encontro desastroso quando nós podemos nos lembrar de outros. – ele piscou para ela.

- Gar! – Jane riu. Duas de suas colegas de trabalho a olhavam com curiosidade, assim como Ravena. – Desse jeito todo mundo aqui vai pensar que nós temos um caso!

- Nosso segredo está bem guardado. – ele brincou. – Não se preocupem meninas. Eu saí com a Jane algumas vezes porque ela precisava da minha ajuda para se livrar do namorado ciumento. E sim, a Tara sabe de toda essa história.

Ravena revirou os olhos e Jane riu baixinho.

- Por falar na Tara... Como ela está?

- Ótima. Ela foi para Paris fazer um curso sobre moda ou algo do tipo.

- Mande um beijo para ela e fale que eu estou com saudade.

- Pode deixar. – Mutano disse. – Agora vamos falar sério... Onde estão as crianças que ficarão por nossa conta hoje? – ele apontou para si mesmo e para Ravena.

Jane assentiu com a cabeça e pegou uma prancheta com uma de suas colegas.

- Vocês podem ir para o pátio principal – ela informou. – As crianças já estão a caminho.

- São quantas crianças? – Ravena perguntou, chamando a atenção de Jane pela primeira vez.

- 23. São todas as que estão morando aqui no orfanato no momento.

- E a idade?

- Elas têm de 3 a 8 anos. – Jane falou. – Crianças com mais de nove anos ficam com as assistentes sociais em outro lugar... A adoção delas é muito difícil de acontecer porque todo mundo quer crianças pequenas.

A empata concordou com a cabeça e se sentiu triste por um momento.

- Desculpe a minha falta de educação, mas quem é você? – Jane perguntou.

- Rachel Roth – Ravena respondeu. – Trabalho na Fearless.

- Sério? – a loira arregalou os olhos, animada. – Isso é incrível. A doação de roupas que a dona da empresa vai fazer é muito significativa para o orfanato. Nós não temos tantos recursos para comprar roupas boas para todas as crianças... A maioria é usada.

- Entendo. A minha assis... Colega de trabalho já deve estar chegando com as roupas. O nome dela é Emma, se você puder informá-la sobre o lugar onde nós vamos estar... Eu ficaria agradecida.

Jane sorriu e colocou a mão no ombro direito de Ravena.

- Claro, eu aviso.

Mutano pigarreou e elas o encararam.

- Vamos, Rae? – ele perguntou, usando o apelido de propósito.

- Claro, Gar. – ela respondeu, sem tirar os olhos dos dele. – Obrigada Jane.

Ravena andou ao lado de Mutano durante todo o caminho até o pátio principal. Seus olhos prestaram atenção em cada detalhe do orfanato e ela tinha certeza de que guardara a ordem de todos os desenhos infantis colados nas paredes. Algumas crianças definitivamente tinham talento para desenhar, dando vida aos rabiscos.

- Boa tarde! Eu sou Harriet e vou ajudá-los hoje. – uma mulher de cabelos grisalhos e óculos redondos, disse. – Você deve ser a Rachel... E você é o nosso querido Garfield!

- Oi Harriet – ele cumprimentou feliz. – Sim, essa é a Rachel e ela trabalha na Fearless.

- Ah! Estamos muito agradecidos pela doação de roupas... As crianças ficarão realizadas!

- Eu fico feliz por poder ajudar. – Ravena respondeu, olhando para as crianças.

Harriet sorriu e umedeceu os lábios com a língua.

- Vocês vão querer trabalhar juntos ou separados?

- Separados. – os dois disseram ao mesmo tempo.

A mulher olhou para os dois e deu um sorriso divertido.

- Vou deixá-los juntos... – ela avisou. – Temos 22 crianças hoje. A pequena Noah foi adotada ontem por um casal de Boston, não é ótimo? – os dois concordaram com a cabeça. – Podem começar. Temos tinta para pintura facial, giz de cera, lápis de cor e muitos livros de contos de fada.

- Ahn... Tudo bem... – Mutano falou, passando a mão pelo cabelo. – Obrigado Harriet.

Ravena observou a mulher se afastar e voltou sua atenção para as crianças. Todas os olhavam com curiosidade, até mesmo as mais pequeninas.

- Eu sou o tio Gar e essa é a tia Rae – o metamorfo disse sorrindo. – O que vocês querem fazer hoje?

As vinte e duas crianças começaram a falar juntas, levantando tintas, papéis e mostrando os lápis de cor.

- Acho melhor nós dividirmos esses pirralhos em grupos. – Ravena sugeriu impaciente. Suas pernas ainda estavam bambas e ela só queria voltar para Torre. – Você fica com as de 3 a 5 anos e eu com as de 6 a 8. Pode ser?

- Pode – Mutano concordou. – Mas eles não são pirralhos, Rachel. São crianças e eu vou ficar de olho em você. É bom tratá-los direito porque hoje eu não estou para brincadeiras.

Após algum tempo cuidando do seu grupo de crianças, Mutano as entregou para Ravena e foi tomar um café. A animação das crianças parecia ser infinita e ele já estava ficando cansado. Encostou-se na parede do pátio e observou-a cuidando das crianças.

Ela estava com uma menininha de no máximo seis anos no colo e as outras formavam uma roda ao seu redor, ouvindo com atenção a história que ela contava. Sua voz era o único barulho no pátio e nenhuma criança parecia estar entediada ou incomodada com a calmaria.

- Há muito tempo atrás, em uma galáxia muito, muito distante, vivia um jovem menino chamado Luke Skywalker – Ravena começou a contar. – Ele morava com seus tios em um planeta quente e pobre chamado Tatooine. Um dia, o tio de Luke comprou dois droids para ajudá-lo em seu trabalho e pediu para o sobrinho limpá-los e programá-los... – as crianças a olhavam com os olhos brilhando e não piscavam por um segundo sequer. – Luke descobriu que os droids pertenciam a uma princesa que estava em apuros! Disposto a salvar a princesa Leia, ele saiu em uma aventura com os dois droids, Obi-Wan Kenobi e mais tarde, Han Solo e Chewbacca, os pilotos da Millennium Falcon, a melhor nave espacial de todas!

Mutano abriu um sorriso torto ao perceber a empolgação de Ravena para contar a história tão conhecida por ele. O tempo podia ter passado, mas o amor dela por Star Wars continuava o mesmo.

Ele sentiu um calor confortável no peito quando se lembrou de que ela tinha assistido aos filmes pela primeira vez com ele.

- Então, Darth Vader lutou com Luke Skywalker de uma forma épica. O barulho dos sabres de luz ecoava pela nave e eles sabiam que só um seria o vencedor. – Ravena continuou contando. – Quando Luke já estava encurralado, Darth Vader lhe disse uma coisa que mudaria sua vida para sempre!

- O que ele disse, tia Rae? – um menininho perguntou curioso.

- Você quer saber o que ele disse, Thomas? – ela perguntou com uma sobrancelha arqueada. O menininho assentiu com a cabeça. – Ele disse “eu sou seu pai”! – ela fez uma voz grossa e imitou o vilão.

As crianças assumiram uma expressão chocada e Mutano riu com a reação delas.

- Quer um babador? – ele escutou alguém perguntar. Seus olhos pararam na mulher baixinha de cabelos castanhos e olhos cor de mel que estava parada ao seu lado. Ela usava um vestido preto que batia um pouco acima de seus joelhos e saltos da mesma cor. – Que foi? Eu não estou brincando, tem mesmo um pouco de baba escorrendo pelo canto da sua boca.

- Quem é você? – Mutano perguntou, saindo do transe.

- Emma Mitchell. Assistente da Rachel.

- Você é a Emma?

- Até onde eu sei, sim. – ela brincou. – Estava esperando por uma alguém com uma verruga cabeluda ou algo do tipo?

- Estava esperando por uma pessoa... Mais alta.

- Olha aqui, você é verde e nem por isso eu estou jogando na sua cara.

Mutano levantou as mãos como se pedisse desculpa e voltou sua atenção para Ravena.

- Já estou vendo que você vai babar outra vez. – Emma debochou.

- Eu não estava babando.

- Estava quase lá, mas não tem problema. Eu te entendo.

- Entende? – ele perguntou confuso.

- Claro – ela respondeu. – Nós estamos falando de Rachel Roth! É impossível olhar para essa mulher sem ficar admirado. Ela é linda! – Emma percebeu que ele a olhava de um jeito engraçado e riu baixinho. – E não. Eu não sou lésbica. Só estou falando o que meus olhos enxergam. E eu sei que você concorda comigo.

O metamorfo deu de ombros e riu junto com ela.

- Então – Emma voltou a falar. – Aposto que ela está contando a história de Star Wars...

- Exatamente.

- Ela deixou a parte em que o Vader corta a mão do Luke de fora?

- Graças a Deus, sim. – ele suspirou. – Não queremos crianças traumatizadas aqui.

Emma deu de ombros e encostou-se na parede, imitando Mutano.

- Eu não gosto de Star Wars. – ela falou. – Já assisti algumas vezes e não consegui ser fisgada pela história.

Mutano franziu o cenho para ela e soltou uma risada nasalada.

- Já vi que você é um grande fã – Emma adivinhou. – Não se preocupe, não vou falar mal dessa obra-prima do cinema...

- Obrigado – ele riu. – Não me responsabilizo pelos meus atos quando alguém fala mal de Star Wars.

- Quantos anos você tem mesmo? – ela brincou.

- Tenho 30 e você?

- Pergunta errada, verdinho.

- Qual é...

- Tenho 26.

Ele concordou com a cabeça e sorriu para a menininha no colo de Ravena.

- Ela é incrível com crianças, não é? – Emma perguntou.

- Você é paga para puxar o saco dela ou alguma coisa assim?

- Já vi que você não gosta dela...

Mutano riu e balançou a cabeça negativamente antes de olhar para os próprios pés.

- Ou, você gosta e ela não te dá bola.

- Como é?

- E a segunda opção é a correta! – ela comemorou. – Ponto para mim.

- Ela não é boa com crianças – ele revirou os olhos.

- É sim. Meus sobrinhos são apaixonados por ela. E eles têm 6 e 8 anos. – ela disse. – São crianças!

- Acho que nós não estamos falando da mesma pessoa.

- Claro que estamos! – Emma exclamou. – A Rachei já tomou conta deles para mim umas três vezes. Ela não gosta muito da ideia, mas sempre aceita ficar com eles...

Mutano bufou e deu de ombros.

- Eu sou tão mal educada! Qual seu nome?

- Garfield. – ele respondeu. – Garfield Logan.

Emma sorriu para ele e estendeu a mão esquerda.

- Por que você está aqui hoje, Garfield Logan?

- Pelo mesmo motivo que a sua chefe – o metamorfo deu de ombros. – Essas crianças são mais carentes do que parecem... Elas merecem um pouco de atenção.

- Uou. – Emma suspirou. – Você gosta de crianças?

- Adoro – ele respondeu e sorriu para ela. – Tenho uma filha de 13 anos.

- 13 anos? Você está brincando! Mas você é tão novo...

- Eu tinha quase 18 quando ela nasceu...

- Isso é incrível! E a mãe dela? Você é casado ou...?

Mutano encarou as próprias mãos e suspirou.

- Ah! Me desculpe! – Emma pediu. – Eu não queria ser indelicada...

- Não tem problema – ele riu. – Ela foi embora no dia em que a Eleanor nasceu e morreu um ano depois. Já superei. – seus olhos pararam em Ravena bem na hora em que ela estava rindo para uma das crianças. Ele sentiu seu coração acelerando e desviou o olhar. – E você? Já tem filhos ou quer ter?

Emma abriu a boca para falar alguma coisa quando percebeu Ravena parada na sua frente com cara de poucos amigos.

- Estou atrapalhando alguma coisa? – ela perguntou impaciente.

- Rachel! – a assistente exclamou e a abraçou com força. – Eu senti tanto sua falta, chefinha.

- Estou vendo. – ela respondeu sem tirar os olhos de Mutano. Ele voltou seu olhar para os próprios pés e tentou não prestar atenção nela. – Você trouxe as roupas?

- Sim! Já entreguei tudo na recepção do orfanato. A funcionária me disse que eles entregarão para as crianças amanhã, depois que separarem por tamanho e idade.

- Você parece um robô falando assim – Mutano brincou, batendo levemente o ombro no braço de Emma. Ravena franziu o cenho e o olhou incrédula. – Ela é só a sua chefe, não a sua dona.

- Isso não é problema seu. – a empata ralhou. – Não se meta.

O metamorfo revirou os olhos e ignorou a provocação de Ravena.

- Então... – Emma se mexeu desconfortável. Ela se sentia no meio de um campo de guerra e não queria ser obrigada a escolher um lado. – Agora que eu já entreguei as roupas, vou voltar para o hotel e ligar para Nova York... Saber como estão as coisas na empresa.

- Faça isso. – Ravena disse. – Quero as estatísticas de vendas no meu e-mail até às 20h.

- Claro. – a assistente deu um sorriso para os dois e começou a ir embora. – Vou fazer isso.

- Espera Emma – Mutano pediu. – Nós também já estamos de saída. Podemos te dar uma carona.

- Não podemos não.

- Podemos sim e vamos dar. Estamos no meu carro, boneca.

Ravena bufou e saiu do pátio como um furacão, deixando Mutano com um sorriso divertido no rosto e Emma completamente assustada.

- O que foi isso? – ela perguntou, acompanhando Mutano pelo orfanato.

- Isso o que?

- Essa provocação e você a chamando de ‘boneca’.

- Não se preocupe com isso, Em – ele riu. – Você vai se acostumar com o tempo.

Emma deu de ombros e continuou andando até o carro dele. Ravena já estava sentada no banco do carona, de braços cruzados e com seu inseparável Ray-Ban.

Eles foram em silêncio por metade do caminho até o Plaza Hotel, mas Mutano foi o primeiro a perder a paciência e falar alguma coisa.

- Você devia ir jantar com a gente na Torre, Emma. – ele sugeriu, olhando-a pelo espelho do carro.

- A tal torre cheia de super-heróis? – ela perguntou animada. – As recepcionistas do orfanato me falaram sobre ela...

- Exatamente.

- Eu adoraria!

Ravena revirou os olhos e encarou a janela ao seu lado.

- Você pode ir hoje – Mutano falou animado.

- Não, ela não pode. – Ravena se intrometeu. – Ela precisa trabalhar.

- Qual é, boneca. Ela chegou hoje na cidade! Dá um tempo.

- Eu posso fazer os relatórios amanhã, Rae – Emma sugeriu. – Se você não se importar é claro.

Mutano parou o carro em frente ao Plaza Hotel e virou-se para olhar Emma.

- Ela não se importa – ele disse. – Você prefere pegar um táxi ou quer que eu te busque?

- Eu pego um táxi – ela respondeu, percebendo a impaciência da chefe.

- Ótimo! Vejo você na Torre às 19h.

- Combinado.

 

Emma entrou na Torre e olhou admirada para o lugar. Se parecia ser grandioso por fora, por dentro com certeza era maior do que ela tinha imaginado. Ela sorriu sem graça ao perceber que cinco super-heróis, uma menina de treze anos e Ravena a olhavam.

- Ahn... Oi – ela passou a mão pela saia longa de estampa colorida que usava. Sua blusa era preta e um pouco curta.

- Emma! – Mutano exclamou, abraçando-a com força. Ravena assistiu a cena com desdém e revirou os olhos. – Que bom que você veio! – a assistente sorriu e concordou com a cabeça. – Esses são Dick, Kori, Karen, Victor e Eleanor.

Ela cumprimentou cada um dos Titãs com um beijo no rosto e um abraço, apresentando-se mais uma vez.

- Então, você é a famosa Eleanor – ela brincou, passando a mão pelos cabelos da menina. – Seu pai parece ser louco por você e olha que eu só conversei com ele por alguns minutos!

- Ah – Eleanor sorriu envergonhada, olhando para o pai. Ele tinha a abraçado tanto quando voltou do orfanato, e até Ravena tinha passado em seu quarto para saber se ela estava mesmo bem. – É um prazer te conhecer...

- Agora que as apresentações já terminaram nós podemos ir comer? – Ravena perguntou impaciente e Emma soltou Eleanor.

- Claro... – Estelar disse sem graça. – Vamos lá, o jantar já está pronto.

Emma os seguiu até a cozinha e sentou-se entre Estelar e Abelha, que tinha acabado de chegar de viagem, enquanto Mutano e Ravena estavam sentados lado a lado na sua frente. Cyborg e Asa Noturna estavam perto das namoradas, junto com Eleanor.

- Você trabalha com a Rachel, certo? – Asa Noturna perguntou enquanto comia um pedaço da lasanha de queijo que Abelha tinha feito. – Como vocês se conheceram?

- Eu fui até a Fearless para tentar conseguir uma vaga de modelo – Emma contou, limpando a boca com o guardanapo. – Mas por causa do meu tamanho... Eu não consegui – ela riu. – A Rae estava precisando de uma assistente e eu me ofereci para ajudar.

- Você não parece ser tão pequena. – Cyborg disse rindo.

- Só porque eu estou de salto hoje, Victor. Normalmente, eu sou apenas 4 ou 5 centímetros maior que a Eleanor.

Mutano arregalou os olhos e soltou os talheres no prato, assustando Ravena.

- Mentira! – ele exclamou. – Você não pode ser tão pequena assim!

- Eu sou!

- Eu não acredito!

- Vai querer medir para conferir, Garfield? – Ravena perguntou irônica. – Daqui a pouco você vai querer pegá-la no colo só para que ela fique mais alta.

O metamorfo deu um sorriso divertido e arqueou uma sobrancelha, sem tirar os olhos de Ravena.

- Sabe Rachel... – ele falou, levantando-se da cadeira e indo até Emma. – Eu nunca pensei que você fosse capaz de dar uma ideia tão boa quanto essa.

- Como é? – ela perguntou incrédula.

- Vamos lá, Em – ele estendeu a mão para a assistente e deu um sorriso de tirar o fôlego. – Levante-se, por favor. – Emma negou com a cabeça e arregalou os olhos. Olhou para Ravena e estremeceu com o olhar que ela lhe lançava.

- Que isso, Garfield – ela riu sem graça. – Deixa de ser bobo, eu não vou levantar.

Mutano revirou os olhos e a puxou para fora da cadeira. Antes que ela pudesse fazer qualquer coisa, ele já tinha passado o braço por suas pernas, tirando-a do chão. Ele segurou as costas dela com firmeza, segurando-a no colo como se fossem recém-casados.

- Obrigado por essa ideia, boneca – ele piscou para Ravena e a viu revirar os olhos. Ela fechou as mãos com força e voltou sua atenção para a comida no prato. – Agora você está mesmo mais alta, Em. – ele brincou e Emma corou furiosamente.

Cyborg pigarreou chamando a atenção de Mutano e olhou para Ravena pelo canto do olho. Emma se mexeu desconfortável e o metamorfo a colocou no chão novamente, sorrindo sem graça ao perceber a ‘ceninha’ que tinha feito.

- Você se dá bem com a Rae, Emma? – Estelar perguntou, tentando acabar com o clima estranho entre eles. Mutano já estava de volta em seu lugar e Ravena estava tão tensa que, se ela ainda tivesse seus poderes, a Torre já teria sido destruída.

- Sim – Emma sorriu agradecida pela mudança de assunto. – Nós duas somos do Texas... Então, acho que isso ajudou muito.

- Texas? – Mutano perguntou confuso. – Você não nos disse que era do Texas, Rae.

- Eu sempre quis conhecer o estado. – Eleanor se pronunciou pela primeira vez. – Usar botas e chapéu.

- Escutar música country... – Ravena completou. A menina abriu um sorriso e concordou com a cabeça. – É ótimo.

- Não sei se vocês sabem, mas – Emma começou a falar. – A Rachel é uma viciada em música country.

- Não brinca. – Abelha riu.

Ravena deu de ombros e sorriu envergonhada. Mutano soltou uma risada nasalada ao se lembrar dela escutando Taylor Swift.

- É um bom estilo musical. – ela deu de ombros.

- Aposto que a nossa querida Rachel te escraviza, Em. – Mutano riu.

- Ah, até que não... Eu só preciso saber onde estão as chaves do carro, senha do e-mail, quais são os melhores restaurantes da cidade, número do ginecologista...

- Emma – Ravena a interrompeu. – Já chega.

Os Titãs riram e continuaram conversando com a assistente de Rachel Roth.

No fim do jantar, Estelar pediu para que ela ficasse mais um pouco para conversarem mais sobre a vida em Nova York. Ravena tentava esconder ao máximo seu incômodo com a presença de Emma. Mutano estava fazendo de tudo para agradar a moça e isso a matava por dentro. Tudo que eles estavam vivendo não significava nada? Pelo jeito, não.

- Eu amei jantar com vocês hoje – Emma disse, abrindo a porta para sair da Torre. – Vocês são incríveis e, mais uma vez, obrigada pelo convite, Gar.

- Não tem de que, Em – ele sorriu e a abraçou. – Todo mundo aqui gostou de você.

- Você precisa voltar mais vezes! – Eleanor pediu. – Quero ouvir mais histórias sobre a Fearless...

- É claro... – ela abraçou a menina. – Eu e Rachel temos muitas histórias sobre aquela empresa, não é chefinha?

- Claro. – Ravena respondeu seca.

Emma deu de ombros e terminou de despedir-se dos Titãs. Já estava acostumada com o comportamento da chefe e não se importava mais com as grosserias dela.

Mutano fechou a porta quando Emma saiu e percebeu que todos já tinham ido dormir.

- Pensei que ela não fosse sair daqui hoje. – Ravena provocou.

- Ainda não foi dormir, boneca? – ele perguntou, revirando os olhos.

- Você está dando em cima dela.

- Isso não é da sua conta.

- É claro que é! – ela quase gritou. – Ela é minha assistente e você... Você é só mais um que quer levá-la para cama e depois sumir!

Ele soltou uma gargalhada debochada e aproximou-se de Ravena.

- Eu não sou você, Ravena. E você sabe que eu não sou esse tipo de cara. Acho que alguém teve experiências negativas em Nova York... – ele riu.

- Não?

- Não! – ele afirmou. – Eu estou noivo, boneca. Mas não vou mentir para você... A Emma é bem atraente. Você não acha?

Ravena bufou e revirou os olhos.

- Você não engana ninguém. – ela sussurrou. – Eu te conheço Garfield. Sei o que cada passo seu significa.

- É mesmo? – ele perguntou irônico.

- Sim – ela respondeu. – E quer saber de uma coisa? Deve ser triste viver numa mentira.

- Você deve saber disso melhor do que eu.


Notas Finais


"Deve ser triste viver numa mentira" "Você deve saber disso melhor do que eu" é da fic Holy Fool, todos os créditos a autora.

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