História For The Love Of a Daughter - Capítulo 50


Escrita por: ~

Postado
Categorias Novos Titãs (Teen Titans)
Personagens Mutano, Ravena
Tags Bbrae, Beast Boy, Mutano, Raven, Ravena, Teen Titans
Exibições 193
Palavras 5.773
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Musical (Songfic), Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Álcool, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Nome do capitulo: Finja que me ama.

OIOIOIOI MANAS!!!!!! Me desculpem pelo tamanho desse capitulo, ficou gigante demais!

Espero que gostem.

Capítulo 50 - Act Like You Love Me


Vingança

substantivo feminino

1. ato lesivo, praticado em nome próprio ou alheio, por alguém que foi real ou presumidamente ofendido ou lesado, em represália contra aquele que é ou seria o causador desse dano; desforra, vindita.

2. qualquer coisa que castiga; castigo, pena, punição.

Mutano dirigiu apressado até o mirante de Jump City. Uma fina garoa começava a cair, deixando o asfalto escorregadio. Quando viu Ravena, parou o carro e desceu, batendo a porta com força. A olhou dos pés à cabeça, lutando contra o desejo que sentia. Não podia baixar a guarda.

- Oi – Ravena sussurrou, passando as mãos pela saia curta do vestido vermelho que usava. – Eu não sei muito bem preparar jantares... Românticos. Mas espero que você goste.

Mutano concordou com a cabeça e apenas a olhou, esperando por algum tipo de explicação para aquilo tudo.

- Eu... Preciso te falar uma coisa, Gar.

- Eu também preciso.

- Pode falar primeiro – Ravena sorriu. – Nós temos a noite inteira pela frente...

- Então... – Mutano começou a falar. – Você se lembra da noite em que me deixou? Eu fiquei abandonado, sozinho e com uma criança sob minha responsabilidade...

- O que você quer dizer?

- O que eu estou falando, é que você não sabe de metade do sofrimento que me causou. Não foi a frágil Ravena que precisou segurar o mundo nas costas quando não tinha mais ninguém para pedir ajuda. Não foi a maravilhosa senhorita Roth que passou dias e mais dias tentando descobrir o que tinha feito de errado, perdido numa loucura sem rumo.

- O-O que?

- Isso que nós tivemos durante esses dias... Essa relação louca de tapas e beijos acaba aqui, boneca.

- Você não pode fazer isso! Você não tem noção do que está acontecendo. Garfield... Eu...

- Só é uma pena eu não ter nada para abandonar com você. – Ravena segurou a saia do vestido com força e sentiu algumas lágrimas caindo de seus olhos. – Pode voltar para o seu noivo e seu mundinho perfeito. Espero que tudo desabe na sua cabeça, do mesmo jeito que aconteceu comigo.

- É isso que você está fazendo? Tentando me fazer te odiar?

- Eu realmente não me importo mais com o que você pensa de mim.

- Mas eu amo você e sei que você também me ama.

- Não. Eu odeio você, Rachel – Mutano riu sem vontade. – Ódio é a única coisa que eu sinto por você. – ele deu as costas para Ravena e começou a andar em direção ao carro.

- Garfield, você está quebrando o meu coração.

- Isso se chama vingança, boneca – ele falou, entrando no carro. – Pensei que você soubesse.

- Você não pode fazer isso comigo – ela chorou. – Não pode me deixar sozinha. Não agora!

- Ah, ela está chorando! Desculpa, não consigo ficar com pena. Na verdade, estou me segurando para não gargalhar na sua cara.

Ravena balançou a cabeça negativamente e deu alguns passos para trás. Suas mãos estavam tampando sua boca e parecia que o mundo estava desmoronando em suas costas.

- Garfield... – ela arfou. – Por favor...

- Quer que eu já deixe suas malas arrumadas? – ele perguntou de dentro do carro. – Essa é a última noite que você vai passar na minha casa. – ela soluçou alto, sem conseguir formular uma frase. – Vou entender isso como um sim.

- Não! Você não vai me deixar aqui! VOCÊ NÃO PODE! SERÁ QUE VOCÊ NÃO ENTENDE? Estou disposta a largar tudo por você!

Mutano riu alto e deu de ombros, sem se importar com o desespero dela.

- Precisa de um táxi para voltar para a Torre? – ele abriu o porta-luvas do carro e tirou alguns dólares de dentro do mesmo. – Toma.

- Você não está fa-fazendo isso... – Ravena chorou quando ele estendeu o dinheiro para ela.

- Ah, pode ter certeza que eu estou. Você não vai pegar o dinheiro, Rachel? – ela negou com a cabeça e abraçou o próprio corpo, dando alguns passos para trás. Mutano revirou os olhos e jogou as notas no chão, próximo aos pés dela. – O que tem aí dá para o táxi e sobra... Mas pode ficar com o troco. Considere como um pagamento pelo serviço que você me prestou nas últimas semanas. É claro que eu já vi putas mais baratas, mas... Você trabalhou bem. – ele ligou o carro e piscou um olho para ela, abrindo um sorriso maravilhoso. – Boa noite, Rachel Elizabeth Roth.

Quando ele arrancou com o carro, Ravena caiu de joelhos no chão arenoso do mirante, chorando compulsivamente. Ela escondeu o rosto entre as mãos e deixou as lágrimas caírem sem se preocupar com a maquiagem ou com qualquer outra coisa. A chuva foi aumentando, deixando a neve mais escorregadia. Ela apoiou os braços na neve, ignorando o frio que estava sentindo.

Olhou para a mesa de jantar que tinha preparado para Mutano, sentindo uma imensa raiva por ter sido tão burra. Rapidamente, pegou os pratos e taças e jogou no chão, quebrando-os. A garrafa de vinho caiu, entornando a bebida no vestido que ela usava.

Tudo tinha sido parte de um plano. Do mesmo jeito que ela queria enganá-lo, ele queria vê-la sofrer. E tinha conquistado o objetivo com êxito. Ela estava sofrendo. Estava sentindo seu coração se quebrando em mil pedaços.

Não se sentia daquele jeito há muito tempo. Rachel Roth não tinha o coração quebrado por ninguém. Rachel Roth quebrava corações. Mas, infelizmente, com Ravena era diferente. Tinha tocado na chama e tinha sido queimada. Tinha jogado sal na ferida de Mutano, e a reação dele fora a mais esperada por todos. Menos por ela. Ele estava tão “apaixonado” pela manhã que não parecia ser o mesmo que a dispensou sem pensar duas vezes. Ela estava tão cega que não conseguiu perceber as intenções dele.

Ravena respirou fundo, se levantando do chão e limpando a neve do vestido molhado. Mutano continuava sendo sua história de amor que não deu certo. Não era longa nem emocionante, e ela não queria chorar. Tirou o sapato de salto e começou a descer pela estrada de terra que ligava o mirante a cidade. Precisava pegar um táxi.

“Eleanor cantarolou baixinho, dançando na frente do espelho de seu quarto. Tinha terminado de arrumar seu guarda-roupa e as cortinas estavam para lavar. Mesmo depois de anos ainda não conseguia acreditar que aquele quarto todo colorido tinha sido escuro um dia. Tinha sido de sua mãe.

Ela aumentou o volume da música e pegou uma escova de cabelo para usar como microfone. Acenou para a platéia de bonecas e ursinhos, numa performance digna de premiação.

- O que você está fazendo? – ela escutou Ravena perguntar. Desligou a música e virou-se de uma vez para a porta do quarto, sorrindo sem graça para a mulher.

- Rachel! Há quanto tempo você está aí?

- Uma música ou duas – Ravena deu de ombros, entrando no quarto. – Quero te agradecer pelo piquenique. Foi ótimo.

- Ah, não precisa agradecer. Eu também gostei... Podemos fazer de novo.

- Claro.

A menina esfregou as mãos quando Ravena se sentou na cama, olhando para cada detalhe do quarto.

- O meu pai se desculpou com você? – Eleanor perguntou, deixando a escova de cabelo em cima da penteadeira.

- Aham – Ravena respondeu, indiferente. – Desde que você considere um urso polar verde segurando um buquê de flores como um pedido de desculpa.

- Ele não disse “desculpa”?

- Não. Ele é orgulhoso demais para isso.

- Eu sei, mas ele gosta de você.

- Eu também gosto dele. Ele é um bom... Amigo.

- É... Amigo...

Ravena arqueou uma sobrancelha e encarou Eleanor. Estava óbvio que a menina estava insinuando alguma coisa.

- Ahn... Eleanor... – Ravena começou a falar. – Eu vim aqui para te agradecer, mas também preciso te falar uma coisa.

- O quê?

- Eu preciso te contar uma coisa muito importante. Um segredo.

- Que tipo de segredo? – Eleanor perguntou, confusa.

- Um segredo sobre mim, e consequentemente sobre você.

- Sobre mim? O que é?

- Não posso te falar agora... Tenho que ir para o mirante preparar um jantar para... Alguém. Mas quando eu voltar, venho te contar.

- É alguma coisa séria?

- Não. – Ravena mentiu. – Não se preocupe.

Eleanor concordou com a cabeça e sorriu quando Ravena a abraçou, beijando o topo de sua cabeça. Ela se aconchegou mais nos braços dela, sentindo um arrepio subir por sua espinha. Sentia uma conexão estranha com ela. Estranha e forte, assim como a que sentia com Mutano.

- Vejo você depois, ok? – Ravena perguntou com os olhos marejados.

- Tá bom... – Eleanor sussurrou. – Bom jantar para você.

- Obrigada, menina. Bom show para você... Gostei da sua dança, espero que me ensine um dia.

- Eu vou adorar fazer isso, senhorita Devonne.”

Ravena entrou na Torre e revirou os olhos ao dar de cara com os Titãs, Tara e Eleanor. Por sorte, Mutano não estava presente. Cyborg desviou os olhos do jogo de tabuleiro que eles jogavam e olhou para ela, franzindo o cenho.

- Rae, você está bem? – ele perguntou com os olhos arregalados.

- Raezinha! – Tara exclamou, correndo para abraçá-la. – Que saudade!

- Você – Ravena arfou. – Você... Voltou.

Estelar, Eleanor, Cyborg e Asa Noturna se entreolharam, tentando entender o motivo das lágrimas de Ravena.

- É claro que eu voltei! Meu casamento é em quatro semanas... Você sabe, preciso olhar os ajustes finais do vestido, as damas de honra, flores e a festa. São tantas coisas! Ainda bem que você teve tempo para arrumar o seu antes de vir para cá. Por falar nisso, como está o noivo?

Ravena concordou com a cabeça e começou a subir as escadas, sem se dar ao trabalho de responder as perguntas de Cyborg e a falação chata de Tara. Estava ainda mais chocada com a presença da “modelo” na Torre. Sentiu os olhos ficando marejados mais uma vez e correu o mais rápido que pôde para o quarto de hóspedes. As coisas estavam começando a fazer sentido: a volta de Tara, a vingança de Mutano.

Ela se jogou na cama e escondeu o rosto nos travesseiros, deixando as lágrimas caírem livremente. Socou o colchão e abafou um grito nos cobertores. Seu mundo estava desabando, mas não deixaria ninguém saber disso.

- Rachel? – Eleanor a chamou, do outro lado da porta. – Você está bem? Por favor... Você estava quase chorando. – Ravena secou as lágrimas e abriu a porta, puxando Eleanor para um abraço. A menina franziu o cenho e retribui ao abraço, sentindo as lágrimas de Ravena molhando sua blusa fina. – Rachel... Eu sinto muito.

Ravena continuou com o rosto escondido no pescoço de Eleanor, soluçando.

- Me desculpa – ela disse, soltando a menina. – Não aconteceu nada. Estou bem.

- Não, você não está.

- Estou sim. Obrigada por se preocupar, mas agora eu preciso ficar sozinha. Vou ligar para o Ross e pedir para ele pegar o primeiro voo para cá. Não fico aqui mais nem um dia.

Eleanor arregalou os olhos e empurrou Ravena para dentro do quarto. Fechou a porta e cruzou os braços, ignorando a diferença de altura entre elas.

- Você não vai embora.

- Eleanor...

- Não! Não é justo! Logo agora que nós estamos nos dando bem? Você não pode fazer isso comigo, Rachel!

Ravena suspirou e se sentou na cama, encarando as próprias mãos.

- Eu sinto muito, menina. Sinto muito mesmo. – ela disse. – Olha... Eu gosto muito de você, de verdade. Você se tornou uma das pessoas mais importantes da minha vida em muito pouco tempo e estou sofrendo por ter que te deixar, Eleanor. Mas é necessário.

- Por favor, não faça isso. O que tem de errado comigo que faz todas as pessoas boas irem embora? – Eleanor soluçou, ignorando as lágrimas. – Ninguém nunca ficou comigo por muito tempo. Nenhuma namorada do meu pai. Só a Tara, mas ela é diferente... Ela quer ter uma família dela. E com você... Eu sinto uma conexão muito forte. Quase familiar. Eu sinto isso! Por favor...

- Eu também sinto, ok?! Mas eu não posso! Não depois do que aconteceu.

- O que aconteceu? Você me disse mais cedo que tinha uma jantar para preparar... Antes do jogo de mímica. O que aconteceu nesse jantar?

- Nada. – Ravena respondeu, mandando uma mensagem para Ross. Ela secou as lágrimas e fechou os olhos com força. – Eu errei outra vez. Do mesmo jeito que sempre erro.

Eleanor se sentou ao lado dela e segurou suas mãos.

- Eu só tenho 13 anos, Rachel – ela sussurrou. – Mas sei que você foi muito magoada. Você está um caco por dentro, mas quer passar a imagem de forte. Não precisa sair correndo para esconder seus sentimentos. Não precisa ir embora, fugir.

Ravena umedeceu os lábios com a língua e deu de ombros.

- Vou fazer o que eu faço de melhor, Eleanor. – ela respondeu, melancólica. – E se você quer saber, a melhor maneira de evitar um coração partido é fingir que não se tem um. É isso que eu estou fazendo. Eu não sofro por ninguém.

- Você...

- Ele me deixou tão brava, que eu disse que o amava! – Ravena continuou. – Eu disse olhando dentro dos olhos dele! Mas não foi o suficiente.

- Ele? – Eleanor franziu o cenho.

- Só porque você ama alguém, não significa que deve ficar e atrapalhar sua vida.

Eleanor sacudiu a cabeça, tentando acompanhar o raciocínio rápido de Ravena.

- Mas também não significa que você deve fugir!

- Menina, você não sabe nada sobre a vida. Nada sobre o amor! – Ravena falou, revirando os olhos. – Por favor, me deixa sozinha.

- Não.

- Eleanor...

- Eu não vou sair daqui, Rachel, porque você está precisando de mim agora e é isso que os amigos fazem. – Eleanor retrucou. – Eles se ajudam. Não vou te deixar sozinha, nem adianta pedir.

Ravena sorriu para ela e subiu em cima da cama, descansando a cabeça nos travesseiros confortáveis.

- Quer ver um filme? – ela perguntou, ligando a televisão.

Eleanor tirou o par de tênis que usava e concordou com a cabeça, se deitando ao lado dela. Ravena olhou para ela e deitou a cabeça nas pernas da menina, fechando os olhos ao sentir as mãos dela em seu cabelo.

- Obrigada, Eleanor.

Mais uma vez, Ravena sabia como era querer morrer, como doía sorrir, como era tentar se ajustar e não conseguir. Como era se ferir por fora, tentando matar o que sentia por dentro.

 

Mutano saiu de uma das boates de Jump City e dirigiu para casa. Tinha passado a noite toda bebendo e dançando com mulheres diferentes. Não teve estômago para ficar com nenhuma delas. Nem vontade.

Estacionou o carro na garagem da Torre e foi direto para a cozinha, tomar um copo d'água e comer alguma coisa. Os planos do jantar com Ravena tinham sido destruídos e, assim como ela, ele não tinha comido nada durante todo o resto da noite. Com um suspiro, pegou um copo no armário e encheu de água, tomando tudo de uma vez. Fechou os olhos por alguns segundos até escutar alguém entrando na cozinha.

- O que você fazendo aqui? – Mutano perguntou, olhando com nojo para Ravena. – Ainda não deu um jeito de ir embora?

- Por que você quer saber? – Ravena perguntou, desviando os olhos dos dele. Não queria que ele percebesse os indícios de choro. – Vai me botar para fora pelos cabelos ou vai me expulsar?

- Já expulsei – ele riu alto. – Do jeito que você é já deve ter conseguido um voo para Nova York. Graças a Deus não vou mais precisar olhar para essa sua cara fingida.

- Minha cara fingida? Não fui eu que fingi amar alguém! Se você quer saber, também estou agradecendo por nunca mais ter que olhar para você... Não quero discutir. Olha só a sua situação! Todo suado, aposto que passou a noite bebendo para se esquecer do perdedor que é na vida!

- Você fingiu durante a sua vida toda, boneca.

- O dia já está quase amanhecendo, eu vou dormir. – ela revirou os olhos. – O Ross deve chegar antes de 9h da manhã e eu quero descansar um pouco.

- O Ross? Finalmente vou conhecer o chifrudo de Nova York!

Ravena balançou a cabeça negativamente e bufou.

- Bom, a sua ‘chifruda’ deve estar lá em cima dormindo. Por que você não sobe para ela te dar um banho e acabar com esse fedor de álcool?

- Eu vou subir daqui a pouco, mas não vai ser para tomar banho. – Mutano piscou para ela, lavando o copo que tinha usado.

- Me poupe dos detalhes. – Ravena fez cara de nojo.

- Sabe qual é a diferença entre nós dois, Rachel? Eu sempre ganho no final.

- Você não passa de um super-herói praticamente atoa! Eu sou a bem sucedida aqui, posso fazer o que eu quiser.

- Parece que o jogo virou dessa vez. – ele riu. – Eu quero ver você saindo daqui e olhando para a cara do seu noivo. Quero ver como você vai se virar daqui para frente.

- Vou me sair melhor que você que precisou ir beber para olhar na cara da Tara – ela cuspiu, sentindo os olhos ficando marejados. – Você é um idiota, Garfield Logan. E essas suas atitudes um dia ainda vão afastar todos que se importam com você. Você não é mais o Mutano brincalhão que as pessoas tanto amavam. Você mudou e, infelizmente, foi para pior.

- Não penso assim. Quando você for embora e parar de encher a porra do meu saco, vou voltar a ser o antigo Mutano. Você faz tudo a sua volta desandar. Você é sozinha e triste. Você está triste. Esses olhos vermelhos... Estava chorando? Que pena!

- Cala a boca.

- O quê? Fui sincero demais? Não precisa ficar esperando por um pedido de desculpa porque não vai acontecer. Você é nojenta, Rachel. Eu odeio você.

- Você não precisa me pedir desculpa porque quando perceber o erro que está cometendo, já vou estar bem longe – Ravena falou com a voz embargada. – Eu nunca mais quero ver você. NUNCA MAIS!

- Chora, Rachel – Mutano pediu, aplaudindo. – Eu quero ver você chorar! Quero ver quem é a apaixonada da vez!

- Eu não vou te dar esse prazer. Não de novo.

- Seu feitiço virou contra você outra vez, não foi?

- Que feitiço? Do que você está falando?

- Nada. – ele revirou os olhos. – Enquanto eu estava andando por aí, fiquei pensando... Você acreditou mesmo em tudo que eu disse? Pensei que você fosse bem mais esperta do que isso.

- Não. É tão difícil para você fingir que eu não existo? Bebeu pouco por minha causa, foi?

Mutano deu de ombros e fez uma careta.

- Ah, boneca... Faz anos que eu parei de beber por sua causa. Acho que eu te contei sobre a minha vingança cedo demais... Queria ter visto você largando o seu império só para ficar aqui comigo.

- Você não tem nem noção do que está falando, Garfield. – Ravena disse, olhando-o com pena. – Eu quero saber da minha filha. Posso estar indo embora, mas quero continuar tendo contato com ela.

- Quando você sair dessa Torre, vai estar deixando a minha filha. Mais uma vez. – Mutano bufou, aproximando-se dela. Ravena coçou o nariz ao sentir o cheiro forte de álcool na boca dele.

- Eu não vou ficar longe dela de novo! Ela é minha filha!

- NÃO É! Mãe é quem cuida, e nesse aspecto, até o Cyborg e o Asa Noturna ganham de você. Por favor, Rachel! Você acha que eu sou bobo? Acha que eu não sei das suas intenções aqui? Fazer eu me apaixonar só para ir embora... Eu não vou sofrer dessa vez. Você vai.

- Por Azar! Do que você está falando? – ela perguntou, tentando juntar os pontos. Como ele sabia da ‘Operação Shrek’? Ela nem se lembrava mais disso, afinal, desistira do plano quando percebeu que ainda o amava. – Vamos ver se a Eleanor vai concordar com você quando eu contar que sou a mãe dela.

- Você está me ameaçando, Rachel? – Mutano perguntou, segurando o braço dela com força. – Se você abrir a boca para a Eleanor, eu acabo com você. Nem tenta, ok? Eu não estou brincando.

- Pai? – Eleanor o chamou, parada na porta da cozinha. Ela olhou para Mutano e Ravena, arqueando uma sobrancelha. – O que vocês estão fazendo?

- Na-Nada. – Ravena chorou, puxando o braço da mão de Mutano.

- Estamos conversando. A Rachel me disse que está indo embora em algumas horas...

- Que cheiro é esse? – a menina perguntou, franzindo o cenho. – Pai, você bebeu?

- Um pouco. – Mutano respondeu. – Estava comemorando.

- Comemorando o que?

- Eleanor, vamos subir. – Ravena pediu, secando as lágrimas. – Vou começar a arrumar as minhas malas... Daqui a pouco os outros Titãs vão acordar, e eu quero me despedir deles.

- Rachel, eu nem vi você saindo do quarto – Eleanor comentou. – Dormi no meio do filme... Fiquei preocupada porque você estava tão triste.

- Vocês estavam juntas? – Mutano perguntou, incrédulo.

- A Rae estava muito triste, papai. Precisei ajudá-la.

- Nossa, Rachel... Digna de pena, hein?!

- Por que você está assim? O que você estava comemorando, pai?

- Olha, Garfield. Acho melhor você subir e tomar um banho antes que fale alguma besteira. – Ravena falou, olhando para a tatuagem idêntica a dela, no braço dele.

- Sou grandinho o suficiente para fazer minhas próprias escolhas, boneca. Mas, sim, vou subir.

Eleanor segurou a mão de Ravena e apertou com força, tentando passar a ideia de que ficaria tudo bem. Mutano revirou os olhos e balançou a cabeça negativamente. Ele deu uma última olhada na ex-namorada e saiu da cozinha sem falar mais nada.

Depois de algumas horas, o dia amanheceu completamente, e o metamorfo saiu de dentro da banheira de hidromassagem. Não quis dormir na cama com Tara. Não teve coragem.

- Gar? – Tara o chamou, sonolenta. – Onde você estava?

- Estava tomando banho – ele respondeu, escondendo o resto da história. – Não quis te acordar, amor.

- Eu tentei te esperar ontem à noite, mas estava cansada da viagem... Está tudo bem?

- Tudo está perfeitamente bem. Eu amo você, sabia?

Tara se sentou na cama e sorriu para o noivo. Os olhos dela percorreram o corpo dele, que estava apenas com uma toalha de banho enrolada na cintura. Mutano arqueou uma sobrancelha e subiu em cima da cama, beijando a noiva com vontade.

- Eu senti sua falta – ele murmurou entre os beijos que dava no pescoço e colo dela. Puxou a blusa fina de pijama que ela usava e passou a língua pelos seios dela. – Senti falta de cada pedacinho seu.

- Garfield... – Tara arfou, jogando a cabeça para trás. Segurou o cabelo dele, olhando-o nos olhos antes de beijá-lo novamente. Ela tateou o corpo dele até encontrar a toalha de banho, e joga-la entre os pés dos dois. – O que aconteceu com você? Está tão animado...

- Nada. – Mutano mentiu, lembrando-se de Ravena. Sacudiu a cabeça, torcendo para sua mente clarear. Em vão. Sabia que estava perdido. Estava completamente ferrado porque entre pecados e virtudes, ele cometia o maior erro de todos: amar profundamente uma traidora. Traidora de tudo, de todos. – Eu só preciso de você.

 

Eleanor saiu do quarto de hóspedes na ponta dos pés. Ravena finalmente tinha conseguido dormir, e a julgar pelo horário, Ross já tinha chegado na Torre. Fechou a porta com delicadeza e se virou para descer, dando de cara com Damian.

- Da-Damian? – ela perguntou com a mão no peito. – O que você está fazendo aqui? Pensei que tivesse falado para você não aparecer aqui nunca mais.

- Eleanor – Damian sorriu. – Eu sei, mas quando soube que você estava melhor, pedi para vim te ver.

- Eu não tenho nada para falar com você. O noivo da Rachel já deve estar lá embaixo e eu preciso avisá-lo de que ela vai se atrasar por alguns minutos.

- Ele já chegou mesmo... Está conversando com o Dick e a Kori. Ninguém está entendendo nada. Por que ela está indo embora?

- Eu não sei... – Eleanor falou, triste. – E isso não é problema seu, Wayne.

Damian bufou quando Eleanor passou por ele, na intenção de sair dali o mais rápido possível. Ele segurou o braço dela e pigarreou, nervoso.

- Eu não estou mais proibido de te ver – ele confessou. – Seu pai me deixou te visitar e... Eu meio que senti saudade.

- Você conversou com o meu pai? Espera! Ele deixou você conversar comigo? Deixa de ser mentiroso! Não quero ter que controlar o seu cérebro fraco outra vez.

- Você duvida? Pode perguntar para ele, se quiser. Você não tem que usar seus poderes comigo porque eu só quero conversar. Fiquei tão preocupado quando você estava em coma.

- Ficou preocupado ou se sentindo culpado? Você não me engana, Damian. Não confio em nada que você fala, sabe por quê? Porque você foi um péssimo amigo e agora quem não quer mais a sua amizade sou eu. Por favor, vai embora.

Damian suspirou e segurou as mãos dela.

- É claro que eu fico preocupado porque me importo com você. Eleanor, por favor, eu prometi para mim mesmo que se você melhorasse, te contaria toda a verdade. Por favor.

- Você tem 5 minutos.

- Vou começar pela história da Lud Summers, ok?!

Eleanor encarou as próprias mãos e deu de ombros.

- Não sei se quero saber disso.

- Na noite da festa, eu não queria ter feito aquela palhaçada com você. – Damian falou. – Mas foi o único jeito de te ajudar.

- Me ajudar?

- Sim. Os garotos da minha sala iam pregar uma peça em você e na Perrie. Iam deixar vocês sem roupa, e estavam até fazendo apostas em cima disso. Eu te contei toda a verdade quando você estava em coma...

- Eu não me lembro. – Eleanor sussurrou. – Você sabia disso o tempo todo e ainda me chamou para ir na festa?

- NÃO! Só fiquei sabendo disso na hora da festa, e quando eu vi, vocês duas já estavam lá procurando por mim. Eu fiquei desesperado.

- O que eu e a Perrie fizemos para esses meninos? Por que eles não gostam de mim?

- Porque eles não te conhecem. E preferem ficar com inveja por seu pai ser um super-herói. – Damian respondeu, sentindo-se péssimo por ver Eleanor quase chorando. – Olha, eu sei que te magoei, mas por favor... Me desculpa.

- Por que eles não gostam de mim? – a menina perguntou outra vez. – Por que você está fingindo que se importa? Eu não acredito em você. MENTIROSO! Aposto que isso é outra brincadeira dos seus amiguinhos!

- É por isso que eu não queria te contar! Não queria te ver triste. Logan, por que eu mentiria para você? Eu nunca brincaria com coisas assim.

- PARA DE MENTIR, DAMIAN! Eles te pediram para fazer isso? Você está gravando a minha reação? – ela chorou.

- Claro que não! Acredita em mim, Eleanor. Nós não conversávamos direito até um mês atrás porque eu sempre gostei de você. – Damian corou. – Eu nunca soube como agir quando você estava por perto... E aí quando nós nos aproximamos para descobrir quem era a sua mãe... Eu estraguei tudo.

- Não gosta não! Eu... Você só está confuso. Vai embora, por favor. Não quero conversar mais. Eu ainda não acredito em você. As atitudes dos outros não justificam os seus erros!

- Eu gosto sim! E sei que você também gosta de mim! – aproximou-se dela, segurando suas mãos. – Eu sei que as atitudes dos outros não justificam os meus erros, e é por isso que estou aqui te pedindo desculpa.

Eleanor deu alguns passos para trás e bateu as costas na parede. Damian não recuou. Ele se aproximou ainda mais, sentindo a respiração dela batendo em sua boca. Ele colou a testa na dela e sorriu, segurando sua cintura com força. A menina arregalou os olhos, fazendo-o rir baixinho antes de juntar os lábios aos dela.

Damian a pressionou contra a parede e sorriu quando sentiu os dedos dela sendo embrenhados em seu cabelo, permitindo que o beijo se aprofundasse. Eleanor o puxou para mais perto, não conseguindo ter um raciocínio lógico. Tudo o que sabia era que aquilo estava acontecendo, e ela estava gostando. Puxou com certa força o lábio inferior dele, empurrando-o logo em seguida. Damian abriu um pouco os olhos, sorrindo para ela.

- Seu idiota! – ela xingou, empurrando-o. – Quem você pensa que é para fazer isso?

- Eleanor... Calma... Pensei que não tivesse problema e...

Eleanor revirou os olhos e o beijou novamente, com mais vontade e confiança dessa vez. Damian era o primeiro menino que ela tinha beijado na vida, e isso ainda a deixava um pouco nervosa. Aos poucos, ele se recuperou do susto e retribuiu o beijo.

- Ahn... Sem querer ser estraga prazeres, mas... Acho melhor vocês tomarem um pouco de cuidado. – eles escutaram a voz de Ravena e separaram-se depressa. Ela  mantinha um sorriso satisfeito no rosto e uma sobrancelha arqueada. As malas estavam ao lado dela, e ela segurava um colar com um pequeno pingente vermelho. – Sério, se fosse o Garfield no meu lugar...

- Rachel! – Eleanor corou, saindo de perto de Damian. – Pensei que você estivesse dormindo.

- Acordei quando você saiu do quarto, menina. E escutei os gritos de vocês. – ela olhou para Damian e deu um sorriso triste. – Oi, Damian.

- Por que você está indo embora? – ele perguntou, sério.

- Porque não tenho mais nada para fazer aqui.

- Pensei que...

- Sinto muito, Damian. Eu tenho uma vida fora daqui e não posso ignorar isso. – Ravena falou. Sua voz estava baixa e era visível a tristeza dela. – Não queria atrapalhar vocês. Podem continuar, já estou de saída.

Ela sorriu para os dois e saiu pelo corredor, carregando as malas. Damian e Eleanor se entreolharam e correram para ajudá-la. Estavam tão envergonhados que não sabiam o que fazer.

Na sala, os Titãs e Tara estavam sentados, conversando com Ross e Emma. Eles pararam de falar quando viram Ravena descendo as escadas. Ela passou os olhos pelo cômodo, vendo Mutano encolhido perto da porta de saída.

- Rae! – Ross levantou-se, indo até ela. Ravena o abraçou com tanta força, que ele soltou um gemido baixo. – Senti tanta saudade.

- Eu também. – ela respondeu, segurando para não chorar. – Vamos embora?

- Claro. – ele falou, pegando as malas com Eleanor e Damian. Cumprimentou os dois e sorriu. – O que aconteceu? Fiquei preocupado quando você me ligou chorando ontem...

- Não aconteceu nada, amor. Só chorei porque estava com saudade de você.

Emma encarou as próprias mãos e engoliu o choro ao escutar Mutano bufar. Infelizmente, ela também teria que voltar para Nova York. Mas a pior parte, era saber que tinha traído a própria chefe ao contar sobre o ‘plano’ dela.

Ravena abraçou cada um dos Titãs e agradeceu pela hospitalidade. Cyborg e Asa Noturna tentavam disfarçar a tristeza que sentiam por ver a ‘irmã’ mais nova indo embora mais uma vez. Estelar não fez o mesmo. Ela escondeu o rosto da dobra do pescoço de Ravena e chorou alto, pedindo para manter contato com a amiga.

- Tchau, Tara. – Ravena disse, abraçando-a rapidamente.

- Tchau, Raezinha.

Ross segurou a mão da noiva e suspirou, piscando para ela.

- Vamos?

- Vamos. – ela respondeu, pegando a bolsa preta que usava. – Eleanor... Eu tenho uma coisa para você.

Mutano franziu o cenho e se aproximou da rodinha formada ao redor de Ravena e Eleanor.

- Para mim? – a menina perguntou, lembrando-se rapidamente que Ravena queria lhe contar alguma coisa. – O que é?

- Aqui – Ravena respondeu, levantando o colar de ouro com o pingente vermelho. – É um chakra. – ela apontou para o pingente. – O meu chakra.

Os Titãs se entreolharam, nervosos.

- E o que é isso? – Eleanor perguntou, segurando a corrente de ouro branco.

- É um jeito de melhorar o controle em relação aos seus poderes. Ele é usado na testa, mas fica feio demais. – ela riu, lembrando-se de quando era mais nova. Estelar sorriu, triste. – Por isso o coloquei em um colar.

- Era seu?

- Era. Me ajudava a controlar minhas emoções. Além da meditação, é claro.

- Mas você não tem poderes, Rachel.

- Todos nós temos poderes. – Ravena brincou, piscando para ela. Eleanor sorriu e levantou o cabelo para que ela abotoasse o colar. – Pronto.

A menina olhou para chakra e chorou, abraçando Ravena.

- Eu vou sentir sua falta.

- Eu também vou sentir sua falta, menina. Estou muito orgulhosa de você. Se sua mãe estivesse aqui... Ela estaria muito, muito feliz por ter uma filha como você.

- Eu amo você, Rachel.

- Eu também amo você. – Ravena chorou, afastando-se de Eleanor. – Eu ainda tenho a nossa foto no parque. Nunca vou me esquecer de você. Eu prometo.

Eleanor concordou com a cabeça e abraçou Estelar. Damian segurou a mão da amiga e abriu um sorriso fraco para ela.

- Agora nós podemos ir, amor. – Ravena segurou a mão de Ross. Virou-se para sair da sala e deu de cara com Mutano. Os olhos dele estavam vermelhos e marejados. Se encararam por alguns segundos, antes dela passar por ele sem se despedir.

Emma e Ross se despediram de todos e foram atrás de Ravena. Ela deu um último tchau para os Titãs e fechou a porta, indo embora mais uma vez.

Asa Noturna e Cyborg foram levar Damian em casa enquanto Estelar e Tara foram para o shopping, distrair a cabeça de Eleanor. Mutano subiu para o quarto e se jogou na cama, soltando um grito.

Jogou algumas almofadas nas paredes do quarto, se sentindo a pior pessoa do mundo. Quando falou para Ravena ir embora, não teve noção de que doeria tanto. Deveria ter aproveitado a última noite que tivera com ela, ficando deitado na cama, sem fazer nada apenas aproveitando a presença um do outro. Já não importava mais se era certo ou errado. Eles tinham conseguido fazer aquela relação maluca ter sentido. Tinham superado uma parte do passado, e agora, ela o superaria sozinha. Não tinha vontade de continuar. Não tinha vontade de estar com Tara ou qualquer outra mulher. Ravena tinha sido a mentira mais verdadeira da vida dele, e ele sabia que deveria ter fingido que a amava por mais uma noite.

No fim das contas, tinha ganhado a aposta. Ela tinha se apaixonado e ele quebrou seu coração em mil pedaços. Ganhou a aposta, mas perdeu a única coisa que um dia o fez feliz.


Notas Finais


"Entre pecados e virtudes, cometia o maior erro de todos: amar profundamente uma traidora. Traidora de tudo, de todos." é da fic Holy Fool, todos os créditos a autora.

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