História For The Love Of a Daughter - Capítulo 52


Escrita por: ~

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Categorias Novos Titãs (Teen Titans)
Personagens Mutano, Ravena
Tags Bbrae, Beast Boy, Mutano, Raven, Ravena, Teen Titans
Exibições 271
Palavras 5.203
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Musical (Songfic), Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Álcool, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Nome do capitulo: Aquele que foi embora.

OIOIOI MANAS!!! Desculpa estar postando nesse horário, mas eu passei o dia jogando video-game e vicio é vicio né. Enfim, com esse capitulo, eu posso falar com toda a certeza do mundo que a história tá chegando ao fim. Então, leitores fantasmas, se manifestem por favor. Eu ainda vejo vocês, mesmo depois de todo esse tempo.

Espero que gostem.

Capítulo 52 - The One That Got Away


Nova York estava maravilhosa. As luzes de Natal já iluminavam as ruas e a neve caia, tornando possível o aparecimento de vários bonecos de neve pelos parques. Muitas pessoas já saiam para as compras de fim de ano, e os preparativos para a véspera de Ano Novo já tinham se iniciado.

Ross olhou para Ravena no banco do carona e suspirou. Não tinha escutado sua voz desde o momento em que desembarcaram no aeroporto de Nova York, quando ela se despediu de Emma e simplesmente entrou no carro, esperando para ir embora.

- Amor, você vai para minha casa? – ele perguntou, observando o semáforo.

- Não. – Ravena respondeu seca. – Quero descansar um pouco.

- Posso dormir com você essa noite?

- Ross...

- Tudo bem, já entendi.

Ravena mordeu o lábio inferior e suspirou alto. Estava enjoada e com vontade de chorar. Odiava viagens longas, principalmente quando elas eram realizadas dentro de um avião. Não tinha coisa pior que ficar horas e horas dentro de um espaço tão pequeno. Ela se sentia sufocada, tinha nervoso só de pensar.

A viagem já era cansativa normalmente, mas a situação ficava ainda pior quando se tinha um coração partido envolvido no meio. Ela tirou o iPhone de dentro da bolsa e mandou uma mensagem para Estelar e Eleanor, avisando que já estava em casa. Engoliu o choro e voltou os olhos para o lado de fora da janela do carro, desejando ser qualquer uma daquelas pessoas que aparentavam ser felizes.

Depois de alguns minutos, Ross estacionou o carro em frente a mansão de Ravena e umedeceu os lábios, esperando por algum tipo de iniciativa dela.

- Obrigada – ela sussurrou, tirando o cinto de segurança. Ele deu de ombros e segurou a mão dela. – Te vejo amanhã, ok?

- Vai tirar o dia de folga?

- Não. Quero voltar para a minha empresa logo... Chega de perder tempo atoa.

- Rae, você merece essa folga, e amanhã é sexta-feira.

- Eu sei, mas isso não é motivo para não ir trabalhar, senhor Ford. Além do mais, depois de amanhã tenho a prova final do meu vestido de noiva, quero deixar tudo bem organizado na Fearless para não ter problema.

- Você não vai ter nenhum problema.

- Quem garante?

Ross riu baixinho e segurou o queixo dela, olhando-a nos olhos.

- Senti sua falta – ele confessou, lhe dando um beijo rápido. – Acho que não consigo mais viver longe de você.

- Também senti. – Ravena engoliu em seco antes de sorrir. – Quero me casar logo... Passar o resto da vida ao seu lado... – ela deu um selinho nele e abriu a porta do carro, pronta para descer.

- Você está melhor?

- Estou. Vou pedir comida tailandesa quando entrar... Parece que vou morrer de fome.

- Você continua exagerada, Rae-Rae.

Ravena gelou ao escutar o apelido. Se lembrou de Mutano na mesma hora, e torceu para que seus olhos não ficassem marejados. Ross a olhou, confuso e abriu a boca para perguntar alguma coisa.

- Até amanhã, amor. – ela disse, rapidamente. – Vou tomar um banho, jantar e ligar para a Emma. Quero todos os acionistas da Fearless lá amanhã, incluindo você.

- Por quê?                                                                 

- Quero um desfile de Ano Novo que seja perfeito. Rachel Roth está de volta, e a Devonne também. O mundo precisa saber disso.

Com isso, ela saiu de dentro do carro e acenou para o segurança abrir o portão da mansão. Estava um frio de congelar, e sua falta de agasalho parecia uma péssima escolha no momento.

- Boa tarde, senhora Roth. – o segurança disse com um sorriso, aproximando-se dela. A diferença de altura chegava a ser cômica, já que Ravena parecia ser uma criança perto dele. – É bom tê-la de volta.

- Boa tarde, Noah – Ravena encostou uma parte do Ray-Ban escuro nos lábios e piscou para o segurança. Não. Nunca tinha transado com ele, mas o considerava como um amigo próximo em quem ela podia confiar a própria vida. – É bom estar de volta.

Noah pegou as malas que estavam no carro do Ross e acenou para o noivo da patroa, se despedindo. Ravena deu uma boa olhada na fachada de sua casa e suspirou contente. Era realmente bom estar em casa outra vez.

- Devo pedir alguma coisa para a senhora comer?

- Não precisa. Eu mesma vou fazer isso. – ela pegou a bolsa preta de mão que estava junto com as malas e deu de ombros. – Acho que vamos enfrentar uma nevasca em breve, Noah. Não quero que fique muito tempo nessa guarita, sei que você tem família e eles não merecem um pai resfriado por minha causa.

- O que a senhora quer dizer? – Noah perguntou, surpreso com a preocupação da patroa. Arrumou o nó da gravata preta que usava, tentado disfarçar a vergonha. A pele morena dele estava ainda mais bonita com o frio, e seus olhos escuros aqueciam o coração de qualquer um.

- Estou dizendo para você ir para casa. E pode ficar lá até o dia do meu casamento.

- Por quê?

- Digamos que... Durante esse tempo que eu fiquei fora, aprendi a dar valor para coisas mais importantes que o trabalho... Só faça o que eu estou mandando, certo?

Noah concordou com a cabeça ainda meio chocado com a ordem de Ravena. Sempre tinha se dado bem com ela, e sabia que, no fundo, ela era uma boa pessoa. Mas isso nunca tinha sido motivo suficiente para que ela aliviasse para o lado dele. Durante várias ocasiões, fora obrigado a trabalhar, perdendo datas importantes para sua família.

- Ahn... Mas senhora...

- Só faça isso, por favor. Preciso ficar sozinha. Espero que as chaves do carro ainda estejam no balcão da cozinha.

- E-Estão.

- Ótimo – Ravena sorriu, pegando as malas com dificuldade. – Te vejo em 10 dias, Noah.

Ela colocou os óculos e andou com certa dificuldade pelo caminho de pedras que levava até a porta principal da mansão, deixando Noah sozinho no portão. Ele desligou os computadores e fechou a portinha da pequena sala de segurança da casa e foi embora sem pensar duas vezes.

Ravena jogou as malas no chão e procurou pelo chaveiro que continha as chaves da casa, dentro da bolsa. Encontrou as várias chaves e sorriu para o chaveiro que era um Darth Vader em miniatura. Rapidamente, abriu a porta, jogando todas as bolsas no chão de madeira.

- Lar doce lar – ela arfou, acendendo todas as luzes de uma vez. Trancou a porta e jogou-se no sofá, tirando os sapatos de salto. – Max? – chamou pelo cachorro, batendo no estofado do sofá cor de creme. Antes que ela tivesse tempo de chamar de novo, um grande cachorro preto entrou na sala correndo e latindo enquanto abanava o rabo para ela. Max tinha o pelo preto com algumas manchas brancas no peito, pescoço e nas patinhas. Era uma das coisas que Ravena mais amava no mundo. O vira-lata era realmente um de seus melhores amigos... Isso se não fosse o melhor. – Oi, meu amor! Como você está? A Emma e o Ross te alimentaram direitinho?

Max latiu feliz e subiu no sofá, enchendo o rosto da dona de lambidas. Ela riu e o abraçou, fazendo carinho no pelo dele.

- Você não sabe como foi difícil ficar longe de você durante esse mês. – ela continuou, olhando a neve cair com mais intensidade do lado de fora da casa. – Aconteceu tanta coisa... Conheci uma menina incrível e muito poderosa. – Max a olhou atentamente, prestando atenção na conversa. – O nome dela é Eleanor. – Ravena pegou o iPhone e mostrou a foto que tirara com Mutano e Eleanor no parque de diversão. – Ela é linda, né? Pode ser um pouco chata às vezes, mas é exatamente como eu. Ah, Max... Se você soubesse o tanto de coisa que nós duas temos em comum... Esse homem verde é o pai dela. – apontou para o rosto sorridente de Mutano, sentindo um aperto no coração. – Ele... Ele... – Max latiu, sentindo a tristeza da dona. – Esquece.

Ravena fechou os olhos com força e saiu do sofá, sendo seguida de perto por Max. Pegou o telefone e pediu a comida tailandesa, preparando-se para tomar um longo e demorado banho. Continuou conversando com Max, contando sobre o que tinha acontecido em Jump City, torcendo para que algum tipo de mágica acontecesse com o cachorro e o fizesse dar conselhos.

- E aí... Ele me dispensou – a empata terminou de contar, secando algumas lágrimas que insistiam em cair. Terminou de comer a comida e foi para o quarto. – Mas... Acho que foi até bom, sabe?! Eu não mereço ter uma filha como a Eleanor. Ela merece uma mãe melhor. Uma mãe que não seja medrosa e insegura. E quanto ao Garfield... Ele tem colega, amigos, fãs... E eu só tenho a mim mesma. Foi melhor assim.

Depois de algumas horas, Ravena já tinha dormido. Ao contrário do que ela tinha pensado, o sono veio bem rápido. A cama quentinha e o chá de camomila ajudaram, é claro, mas o mais importante tinha sido a foto de Eleanor na galeria de seu celular. Olhar para o rosto sorridente da menina a acalmava de uma forma incrível, e ela estava feliz por saber que, mesmo sem ela, Eleanor continuava segura. Os sonhos com Trigon já não aconteciam desde que os poderes dela tinham se manifestado, o que significava que tudo estava na mais perfeita harmonia.

Contrariando as próprias expectativas, a empata não tinha chorado e se lamentado pelas atitudes de Mutano. Não. Estava triste e completamente destruída por dentro, mas graças a ele, a pequena parte que ela ainda tinha de seu ‘lado Ravena’ tinha sido escondida de novo. Graças a ele, a estilista mais temida e odiada de Nova York estava de volta.

No dia seguinte, Ravena acordou antes do dia amanhecer. Ficou observando os flocos de neve que caiam por horas e horas, até seu celular despertar indicando que estava na hora de ir para a Fearless. Se apressou para trocar de roupa, colocando uma calça jeans preta de cintura alta que era apertadíssima nas pernas; Uma blusa branca básica com gola ‘bebê’, enfeitada com pequenas pérolas; Vestiu um suéter preto quentinho, com várias listras brancas que formavam quadradinhos. Por cima, colocou um enorme sobretudo branco e calçou botas de cano curto e salto alto. Pegou uma bolsa preta e o inseparável Ray-Ban, dando um beijo em Max antes de entrar no carro e sair de casa.

Quando chegou no prédio da Fearless, soltou um demorado suspiro e entrou em seu elevador particular, ignorando todos os bom-dia que recebera durante o caminho. O boato de que ela estava de volta já estava sendo o assunto dos corredores e mesas de café, bem do jeito que queria.

Ravena escutou o ‘plim’ das portas do elevador e passou os olhos pelo último andar do prédio da empresa, onde ficavam as pessoas responsáveis pelos desfiles, coleções e modelos. Com um sorriso nos lábios preenchidos por um batom roxo escuro, ela andou pelas mesas, lançando olhares assustadores aos funcionários.

- Seu café, agenda do dia e a pasta com os tecidos que você precisa escolher para o desfile de Ano Novo – Emma disse apressada, aparecendo ao lado da chefe e mostrando várias pastas e papéis. – Temos exatamente 29 dias para resolver tudo. Os acionistas chegam na hora do almoço e a Estelar deixou um recado dizendo que está com saudade.

Ao escutar o nome de Estelar, Ravena parou de andar e tirou os óculos escuros, olhando diretamente nos olhos de Emma.

- Como ela conseguiu o telefone da empresa?

- Acho que ela procurou na internet.

- Só ela deixou recado?

- Não. A Eleanor também estava na ligação e falou que está sentindo sua falta. Cyborg e Asa Noturna mandaram um beijo e eu acho que a Abelha não estava em casa.

- Só eles? – Ravena perguntou, querendo saber se Mutano tinha falado alguma coisa.

- Só.

- Ótimo. Quero que os tecidos do desfile sejam escolhidos até o meio-dia. Ligue para aquele restaurante chique da 5ª Avenida e peça o almoço para os acionistas. Confirme todos os meus compromissos até o dia do meu casamento e avise para a loja de vestidos de noiva que a prova de amanhã está de pé. As quero aqui na Fearless ás 17h30, sem falta.

Emma concordou com a cabeça e entregou o copo de café para Ravena, segurando as outras coisas com dificuldade.

- Mais alguma coisa, Rae? – ela perguntou, preocupada ao ver a expressão da chefe.

- Não. Só estou feliz por estar em casa novamente.

- Também estou feliz por você estar aqui.

- O que está te incomodando, Mitchell? – Ravena perguntou, franzindo o cenho.

- Ahn... Depois da reunião com os acionistas... Posso conversar com você?

- Você não está fazendo isso agora?

- Em particular. Conversar com você em particular.

- Claro, mas agora quero você na sua mesa, fazendo o que eu mandei.

- Tudo bem. Eu... Ahn...

- RÁPIDO!

Com o grito de Ravena, alguns funcionários voltaram sua atenção para as duas, fazendo Emma corar. Ravena riu enquanto revirava os olhos e passou o dedo indicador pela mesa de um dos funcionários, fazendo uma careta para a poeira em seu dedo.

- Eu saio por um mês e vocês deixam isso aqui virar uma zona – ela falou, calmamente. – Aposto que já estão se preparando para o Natal, a julgar por esses enfeites horrorosos que vocês colocaram aqui. Sinto muito dizer isso mas os dias de folga que vocês tiveram nesse último mês acabou. Eu voltei e estou pior do que nunca.

Vários funcionários engoliram em seco, incluindo Emma. Ravena abriu um sorriso sinistro com a reação deles e entrou em sua sala, ficando lá até a hora da reunião com os acionistas.

O tempo passava mais rápido quando ela não parava para pensar em Mutano e Eleanor. Por sorte, quase não teve folga para pensar graças as mil coisas que precisava resolver antes do dia acabar.

Os acionistas chegaram e Emma os levou para a sala de reunião, chamando a chefe logo em seguida. Eles ficaram satisfeitos de saber que a alma da empresa estavam de volta e então começaram a tratar de assuntos importantes e finanças.

- Desculpem o atraso. – Ross arfou, entrando na sala apressado. – Fiquei preso no trânsito, mas trouxe um vinho para tomarmos enquanto almoçamos.

- Senhor Ford – Ravena arqueou uma sobrancelha, olhando para o noivo. Ele se sentou em uma das cadeiras e sorriu para os outros. – Como eu estava dizendo, as vendas da Fearless cresceram um total de 34,07% enquanto eu estava fora. Alguém pode me dizer quem foi o encarregado por isso?

Ninguém respondeu. Os acionistas se mexeram desconfortáveis, sem saber o que fazer.

- Ahn... Senhora Roth – Emma a chamou, levantando a mão. – Fui eu.

- Você?

- Bem... Sim. Eu tive ajuda é claro.

- Como você fez isso? – Ravena perguntou, curiosa.

- Tornei os preços um pouco mais acessíveis depois do Dia de Ação de Graças.

- Você fez o que?

- Olha, nós sabemos que as roupas que você desenha possuem um grande valor e peso no comércio, e eu acho que isso está certo porque você desenha muito bem e trabalha duro com as coleções. – Emma explicou. – Mas... Percebi que as pessoas que não têm tantas condições também ficam maravilhadas com as peças da Fearless, e por isso dei a ideia de abaixarmos o preço até o final do ano.

Ravena se levantou da sua cadeira de presidente e andou até Emma com uma cara de poucos amigos.

- Você desvalorizou as minhas peças.

- O quê? É claro que não!

- Bom, foi isso que eu entendi.

Emma engoliu em seco e encarou as próprias mãos.

- Quem concordou com isso? – Ravena perguntou olhando para os acionistas. Um a um, eles levantaram as mãos. – Até você, Ross?

- Rae... – Ross deu de ombros. – São peças da coleção passada, já estão fora de moda como você sempre diz. Que mal tem fazer uma caridade ás vezes? É como um milagre de Natal.

- Eu não faço caridades. Muito menos milagres. De qualquer forma, o que está feito está feito, mas assim que o ano que vem começar quero que os preços voltem ao normal, estamos entendidos? E Emma – Ravena a chamou. – Se você quer fazer caridade, crie a sua própria empresa.

Emma abriu a boca para responder, mas Ravena foi mais rápida e saiu da sala sem dizer mais nada. Odiava quando faziam as coisas sem consultá-la. Mesmo que admirasse e aprovasse a ideia de Emma, nunca admitiria por puro orgulho.

- Rachel – Emma a chamou, correndo pelo corredor. – Será que nós podemos conversar agora?

- Estou morrendo de dor de cabeça, Mitchell. – Ravena fechou os olhos. – O que você quer? Parabéns pela iniciativa?

- Por favor.

- Você tem 5 minutos.

As duas entraram na sala de Ravena e se sentaram nas poltronas coloridas que tinha ali. Emma esfregou as mãos, nervosa e encarou a chefe.

- Quero voltar para Jump City. – ela disse, rapidamente.

- Quer o que?

- Quero voltar para Jump City.

- E por que diabos você quer isso, Emma? – Ravena perguntou, incrédula. – Não tem nada daquela cidade que me faça te deixar voltar para lá.

- Eu não quero mais ficar aqui em Nova York, Rachel.

- Por quê? Você ama essa cidade.

- Eu sei. Mas amo ainda mais a educação que os meus pais me deram, e não vou aguentar ficar aqui sabendo que fiz uma coisa horrível.

- O que você fez? Matou alguém? Gravou uma sextape?

- NÃO! – Emma gritou, engolindo o choro. – Por favor, Rachel.

Ravena suspirou e massageou as têmporas, pensando no que fazer.

- Sinto muito, Emma. Você não vai voltar.

- Se você não me deixar voltar para cuidar da filial de lá, vou pedir demissão.

- Por Azar! Que desespero é esse? Por que você quer jogar tudo para o alto nessa altura do campeonato? Estou pensando em te promover e você me vem com essa história!

- Rachel...

- Qual é o motivo, Emma?

- Eu...

- Qual é o motivo?

- Eu estou apaixonada! – Emma confessou. – Perdidamente apaixonada, mas não posso. É errado.

- É alguém que eu conheço? Alguém de Jump City?

- Sim.

- Não posso deixar você largar a sua carreira por causa de um homem, Emma. Minha resposta é não. – Ravena disse, séria.

Emma revirou os olhos e se levantou, começando a sair da sala da chefe.

- SERÁ QUE VOCÊ NÃO ENTENDE? EU NÃO POSSO MAIS FICAR AQUI! FIZ COISAS HORRIVEIS, FALEI DEMAIS E NÃO VOU CONSEGUIR LIDAR COM ISSO AQUI EM NOVA YORK.

- A resposta continua sendo não.

- ÓTIMO! – Emma gritou, chamando a atenção dos outros funcionários. – ENTÃO EU ME DEMITO!

- Emma...

- ME DEIXA EM PAZ!

Ravena bufou quando Emma saiu da sala, nervosa. Todos os funcionários a encararam.

- Quer saber, Mitchell?! Já que você quer jogar a sua vida no lixo por causa de um homem, espero que ele tenha pelo menos uma moto! – ela falou, alto o suficiente para que a assistente ouvisse. Voltou para dentro da sala e sentou-se no sofá, escondendo o rosto entre as mãos. Não suportaria ver Emma cometendo os mesmos erros que ela por medo.

Ravena apoiou o rosto em uma das mãos e olhou a neve caindo do lado de fora do prédio. O pensamento que ela tinha evitado durante todo o dia, tomou conta de sua mente.

Mutano.

Engoliu em seco e sentiu os olhos ficarem marejados ao se lembrar de toda a vida que eles passaram juntos. Se lembrou do primeiro encontro deles, quando ele a beijou dentro de um Mustang velho. No aniversário de 18 anos dela, fizeram tatuagens iguais. Na época parecia ser uma boa ideia e fazia sentido. Hoje, não passava de um lembrete que ela queria esquecer.

Uma lágrima solitária escorreu pela bochecha esquerda dela quando seus pensamentos vagaram para uma das muitas noites que eles passaram no telhado da Torre, conversando sobre o futuro, como se tivessem noção de alguma coisa. Mesmo com todos esses momentos, ela nunca tinha planejado que o perderia um dia. Que o perderia duas vezes.

Ravena era como a Princesa Leia, e Mutano era o seu Han Solo. Nunca um sem o outro, mesmo com todas as brigas e confusões diárias. Eles tinham um pacto. Durante os últimos doze anos, quando a saudade dele era demais, ela colocava os DVD’s de Star Wars para rodar. Mesmo que não prestasse atenção no filme, aquilo aquecia seu coração que virara gelo há muito tempo. Suspirou. Sabia que seria questão de tempo até que ele removesse a tatuagem do antebraço, esquecendo-se de uma parte da adolescência.

No fim, todo o dinheiro que ela conseguira não era o suficiente para comprar uma máquina do tempo. Não podia substituir Mutano, nem mesmo com todos os anéis e joias que ela tinha. Deveria ter dito o que ele significava para ela porque agora, ela pagava o preço.

Talvez, em uma outra vida ela seria a garota dele. Eles manteriam todas as promessas e seriam os dois contra o mundo. Em outra vida, ela o faria ficar para não ter que dizer que ele era aquele que foi embora.

Ravena secou o rosto e piscou algumas vezes para que nenhuma lágrima caísse mais. Olhou a hora no celular e viu que havia passado mais tempo do que ela tinha imaginado. Ótimo. Tinha passado o dia chorando por causa de Mutano mais uma vez.

Saiu da sala e percebeu que todos os funcionários já tinham ido embora. Todos menos um. Ela podia escutar a voz alta de Emma com pouca clareza, mas sabia que a assistente estava brigando com alguém. De repente, tudo ficou no mais absoluto silêncio. Andou devagar até a sacada daquele andar e congelou com a cena que viu. Beliscou o próprio braço, torcendo para ser apenas um pesadelo.

Ross tinha uma das mãos na cintura fina de Emma enquanto a outra segurava a nuca dela, colando suas bocas. Emma, por sua vez, parecia hesitante em segurar o pescoço dele para aprofundar o beijo, mas o fez sem mais delongas.

- Que porra é essa? – Ravena perguntou com a voz falha. Pela milésima vez naquele dia, seus olhos se encheram de lágrimas. – O QUE VOCÊS ESTÃO FAZENDO?

Emma e Ross se separaram e olharam assustados para Ravena. Emma tampou a boca com as mãos e Ross arregalou os olhos.

- Rachel... – ela arfou. – Eu...

- Cala a boca. Depois eu falo com você, Mitchell. O que isso significa, Ross? – Ravena chorou.

- Rae – Ross disse, tentando segurar as mãos dela. Em vão. – Eu posso expli... Não. Não posso. Sinto muito, Rachel.

- Sente muito? SENTE MUITO? É TUDO QUE VOCÊ TEM PARA ME DIZER? QUE SENTE MUITO?

- Nós combinamos de te contar, mas não era para ser desse jeito. A Emma me disse que tinha pedido demissão e...

- AGORA EU ENTENDO O MOTIVO DELA QUERER VOLTAR PARA JUMP CITY! ESTÁ SE SENTINDO CULPADA!

Emma encarou o chão, chorando.

- Rachel – Ross falou novamente. – Olha...

- Você está demitida, Mitchell – Ravena falou, calmamente. – Mas pode ter certeza que nessa cidade você não arruma mais emprego. Vou fazer a sua caveira para todos os empresários dessa porra de cidade. VOCÊ ME TRAIU!

- Rachel, ela precisa do emprego. Por favor... Se você não a demitir, nós resolvemos isso e tudo volta a ser como antes.

- Nada vai ser como antes, Ross. Sabe por quê?

Ele negou com a cabeça, desconfiado.

- Porque eu também te trai.

- O-O quê?

- Chumbo trocado não dói, não é mesmo?

- Eu... Eu vou embora. – Emma chorou.

- Não vai não. – Ravena disse, secando as lágrimas. – Você vai ficar. Pode ficar com esse emprego de merda. – ela olhou para Ross e suspirou. – Preciso de você no momento. Eu aceito o seu trato. Nosso casamento ainda vai acontecer.

 

Tara cantarolou baixinho enquanto mexia no guarda-roupa de Mutano, procurando pela camisa favorita dele. Ela esvaziou quase o armário inteiro, bufando ao perceber que não encontraria nada. Quando estava prestes a colocar tudo no lugar, esbarrou em uma caixa de sapato, derrubando-a no chão. Franziu o cenho quando viu vários papéis esparramados pelo chão.

- Mas que... – ela se ajoelhou e pegou os papéis, vendo do que se tratava. Boa parte era resumida em documentos oficiais dos Titãs, enquanto a outra tinha fotos de quando o metamorfo era mais novo. Em todas elas, Ravena estava com ele. Ela revirou os olhos. – Patético.

Começou a colocar tudo na caixa quando uma foto chamou a atenção dela.

Na foto, Ravena estava mais cheinha do que o normal e tinha uma grande barriga de... Grávida. Tara gelou. Observou as fotos com mais atenção e percebeu que a diferença de uma para outra era de um mês, como um álbum de gravidez. Mas desde quando Ravena tinha estado grávida?

Tara arregalou os olhos, juntando todos os pontinhos da história. Não era possível. Pegou os documentos e os leu rapidamente até encontrar um que confirmou todas as suas teorias.

“Nome: Ravena.

Sexo: Feminino.

Espécie: Meio-Demônio.

Idade: 18 anos.

Nascimento: 22/02/1986

Filiação: Arella (Informações Insuficientes) – Mãe. // Trigon – Pai.

Estado Civil: Solteira.

Situação atual: Desaparecida.”

“Nome: Eleanor Catherine Logan.

Sexo: Feminino.

Espécie: Humana (Podem ocorrer alterações).

Idade: 5 meses.

Nascimento: 18/11/2003.

Filiação: Ravena (Informações Insuficientes) – Mãe. // Garfield Mark Logan – Pai.”

Tara soltou os papéis, sentindo uma imensa raiva tomar conta de seu peito. Ravena era a mãe desaparecida de Eleanor. Ravena. Era. A. Mãe. Desaparecida. De. Eleanor.

Rapidamente, saiu do chão e abriu a porta do quarto de Mutano com força. Antes de sair, quebrou vários itens colecionáveis que ele tinha, e fez questão de deixar o teste e exame de gravidez que tinha feito em Paris em cima do travesseiro dele. Sim, estava grávida. Grávida de um mês. Toda a surpresa que tinha preparado para contar ao futuro papai a noticia tinha sido arruinada. Mais uma vez, sua vida estava sendo arruinada por Ravena.

Ela saiu do quarto, olhando para os lados. Estava nervosa.

- Tara? – Eleanor a chamou. – Tá tudo bem?

Tara deu um sorriso maléfico, aproveitando que estava de costas para Eleanor.

- Ora, ora, ora – ela riu. – Se não é a pequena demônia.

- De-Demônia?

- A sua mãe destruiu a minha vida uma vez, mas dessa vez, eu vou fazer pior com ela.

- A minha mãe? – Eleanor perguntou, assustada. – Do que você está falando? Você está bêbada?

- NÃO! NUNCA ME SENTI TÃO SÓBRIA EM TODA A MINHA VIDA!

Eleanor se encolheu, dando alguns passos para trás.

- Como eu pude ser tão estúpida? Como fui tão burra? – Tara perguntou para si mesma. Estava tão na cara. A história mal contada de crise de identidade, a mudança de nome... Tudo tão óbvio. – Pelo menos você foi burra comigo. Eu devia ter te mandado para um colégio interno quando tive chance!

- Ta-Tara...

- A RAVENA É A SUA MÃE!

- Eu sei... Mas...

- NÃO! COMO VOCÊ PODE SER TÃO SONGA MONGA? ELA FICOU AQUI DURANTE UM MÊS E VOCÊ NÃO PERCEBEU! VOCÊ É BURRA, ELEANOR! BURRA! TODO MUNDO CONSEGUIU TE ENGANAR! OTÁRIA!

- DO QUE VOCÊ ESTÁ FALANDO? O QUE VOCÊ SABE SOBRE A MINHA MÃE?

- A SUA MÃE É A RACHEL! SIM! A MULHER QUE PASSOU UM MÊS AQUI! ELA É A SUA MÃE! ELA É A RAVENA!

Eleanor abriu a boca, chocada.

- O-O quê? Não. Ela não é minha mãe. O nome dela é Rachel, não Ravena.

- AI MEU DEUS! VOCÊ CONTINUA SENDO BURRA! AS PESSOAS PODEM MUDAR DE NOME, ELEANOR. PRINCIPALMENTE AS QUE QUEREM ESQUECER O PASSADO! A RACHEL É A RAVENA. ELA É A SUA MÃE!

Eleanor balançou a cabeça negativamente e correu para o próprio quarto, chorando. Tara só podia estar ficando louca. Rachel não era Ravena. Rachel não era a mãe dela.

Se jogou na cama e encarou o teto, deixando as lágrimas caindo livremente.

“- Ah! – a menina exclamou. – Essa foi a moça que me trouxe, pai. – ela disse, andando até Mutano e o abraçando. Ravena arregalou ainda mais os olhos. 

- Pa-pai? – ela perguntou assustada.  

- Sim! – a menina respondeu. – Ele é o meu pai, senhora Roth. A propósito, meu nome é Eleanor.  

Mutano se levantou da cadeira e colocou Eleanor atrás de suas costas de forma protetora. 

- Eleanor? – Ravena perguntou com os olhos marejados. Ela olhava para Mutano e para a menina, guardando cada semelhança entre eles. Aquela menina era a sua filha. 

- Sim. – Eleanor respondeu feliz. – Eleanor Catherine Logan.  

Ravena agarrou a bancada atrás dela com força e respirou fundo.  

Não. 

Ela não colocaria tudo a perder. 

- Eu acho que nós teremos que remarcar essa entrevista. – ela disse. – Liguem para Emma, ela vai agendar tudo com vocês. Eu... Eu preciso ir.”

Eleanor fechou os olhos com força, reprimindo um grito. Não queria acreditar nos indícios que estavam tão visíveis agora.

“- Eu gostei do seu chapéu. – Eleanor se pronunciou mais uma vez, passando os olhos pela empata. – Espera aí. – ela arregalou os olhos. – Você tem uma tatuagem igual a do meu pai?

Ravena abriu os olhos assustada e colocou a mão em cima da tatuagem que ficava em seu antibraço esquerdo. Pelo visto, a tatuagem não passaria despercebida para sempre.

- Claro que não.

- Tem sim! – a menina exclamou. – Eu tenho certeza. – ela chegou mais perto de Ravena e puxou a mão dela. - And we know it's never simple, never easy. Never a clean break, no one here to save me. You're the only thing I know like the back of my hand.* - Eleanor leu chocada. – Por que vocês tem a mesma tatuagem?

- Não pira, menina! – Ravena exclamou, levantando-se da espreguiçadeira e escondendo a tatuagem mais uma vez.”

Eleanor chorou alto, se sentindo a pessoa mais burra do mundo. Mais estúpida.

“- Vem tirar foto, Ravena. – o metamorfo riu, esquecendo-se de que estava ao lado de Eleanor. A menina desmanchou o sorriso que estava em seu rosto e o olhou com os olhos arregalados. Ele sentiu seu corpo todo gelando, e Ravena engoliu em seco, assustada.

- Pai, o que foi que você disse?”

A lâmpada do quarto explodiu, assustando Eleanor. Ela secou as lágrimas, fazendo a janela bater com força.

“A menina olhou para chakra e chorou, abraçando Ravena.

- Eu vou sentir sua falta.

- Eu também vou sentir sua falta, menina. Estou muito orgulhosa de você. Se sua mãe estivesse aqui... Ela estaria muito, muito feliz por ter uma filha como você.

- Eu amo você, Rachel.

- Eu também amo você. – Ravena chorou, afastando-se de Eleanor. – Eu ainda tenho a nossa foto no parque. Nunca vou me esquecer de você. Eu prometo.”

Eleanor se sentou na cama, encarando o quarto escuro. Respirou fundo para controlar seus poderes e se acalmar um pouco. Escutou a voz de Mutano no corredor, perguntando por ela.

Não seria mais a menina estúpida que tinha sido feita de palhaça por todo mundo. Não. Tudo passou a fazer sentido: Ravena era Rachel. Rachel era Ravena. E no final dessa equação, finalmente sabia quem era sua mãe.


Notas Finais


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