História For You. - Capítulo 14


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Tags Katcheerr, Originais, Original, Poesia, Poesias, Textos
Visualizações 4
Palavras 690
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Fluffy, Poesias, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Yuri
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Mutilação, Pansexualidade, Self Inserction
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Boa leitura :)

Capítulo 14 - I'm used to it.


Sabe, eu uso essa frase constantemente. Em várias áreas da minha vida. Há três dias, tive que fazer um exame para meu coração. É bem pesado e dolorido, usam anestesia geral e eles inserem um cateter em mim. Estou acostumada quando se trata de hospitais, eu praticamente nasci lá dentro, com meu problema congênito. Estou acostumada com as picadas de agulhas, os cortes, as dores do pós operatório, estou até acostumada com as cirurgias, afinal, eu já fiz três. Mas eu estou mentindo, como eu minto toda vez que uso essa frase. Eu não estou acostumada! Não estou, e não deveria estar. Eu choro toda vez que preciso ir pra lá. Toda vez que lembro que preciso fazer qualquer exame que use anestesia. Toda vez que lembro que ainda preciso fazer mais uma cirurgia. Eu tenho medo. Tenho medo não só de morrer — pra ser sincera esse é o menor dos meus medos —, tenho medo das dores que eu sei que eu vou sentir. Tenho medo, porque lembro de tudo. Lembro que passei mais de um ano internada no hospital da última vez, e eu odeio hospitais. Odeio! Odeio ver pessoas doentes como eu, odeio ver pessoas á beira da morte, odeio ficar á beira da morte. Odeio ter uma relação tão forte com o mundo espiritual que, toda vez que eu faço algo um pouco arriscado pra minha saúde, tenho uma visão ou algo do tipo. Odeio fazer amizades no hospital, ter alta, e uns três meses depois descobrir que essa pessoa que era minha colega de quarto enquanto estava internada, morreu. Por uma coisa idiota. Por uma coisa bem menos pesada e mortal do que o que eu tenho.

Também uso essa frase quando sou substituída. Quando perco um amigo. Quando terminam comigo. Acho que é por isso que eu escolho deixar as pessoas antes de me deixarem, sabe? Porque eu sei que isso vai acontecer eventualmente, então, citando Brendon Urie: “é melhor abandonar do que ser substituído”, e eu não sei realmente se o fato de eu abandonar as pessoas faz alguma diferença pra elas. Acho que não, porque eu estou acostumada a ser a amiga que não faz tanta diferença, a que as pessoas deixam de lado. Não consigo nem contar nos dedos quantas vezes fui para festas com amigos e fiquei lá, parada, como se eu não existisse e como se eles não reconhecessem a minha existência. É engraçado. As pessoas acham que isso não machuca.

Estou acostumada com o fato de me usarem, tirarem tudo o que querem de mim, e jogarem fora. Nunca me identifiquei tanto com uma música como me identifiquei com Liability, da Lorde — na verdade, Melodrama me faz lembrar muito do meu último relacionamento, e esse garoto realmente me fez sentir como ela canta em Liability —, porque, foi engraçado... nós começamos a namorar e eu acho que ele só queria ter certeza que não estava perdendo nada namorando comigo. Ele fez tudo o que podia comigo, fez me apaixonar e tirou tudo o que podia de mim para depois terminar. Típico. Estou acostumada.

Se eu estivesse realmente acostumada, eu teria um coração de gelo. Se eu estivesse realmente acostumada, eu não choraria toda vez que eu lembrasse. Eu não sei se quero me acostumar. Realmente não sei se quero ter um coração de gelo. Digo que quero, porque sou muito trouxa quando se trata de relacionamentos (românticos ou não), mas acho que eu seria uma pessoa totalmente diferente se eu não sentisse com tanta intensidade. E eu não acho que gostaria dessa pessoa. Eu posso dizer, quando estou machucada, que queria ser igual essas garotas e garotos que só ficam com as pessoas e não criam vínculos e laços emocionais, mas, apesar das dores que eu sinto, apesar de todas as decepções e dos corações partidos, isso me faz crescer como pessoa mais do que qualquer outra coisa. Eu vou continuar sendo trouxa. Vou continuar dizendo “estou acostumada” quando, na verdade, estou morrendo por dentro e eu tenho 100% de certeza que serei mais feliz do que as pessoas que não sentem nada. Sentir tudo é uma bênção. 


Notas Finais


Bem, não era exatamente o final que eu planejava para o texto, tbh, isso foi meio que improvisado, mas gostei bastante, de qualquer forma...


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