História Fora dos Planos - Capítulo 2


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LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Romance e Novela, Shoujo (Romântico)

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Peço desculpas pela demora tive provas, entrega de trabalhos + minha lentidão. E ainda refiz várias vezes rs. Se ainda ficou algum erro, uma hora vou ver e corrigir já que sempre releio depois (até hoje releio o primeiro capitulo e já modifiquei várias vezes rs Mas nada de relevância).

Capítulo 2 - Spin Off


A luz da manhã já começara a adentrar lentamente pela fresta da janela, atravessando as camadas de cortina e iluminando o cômodo inteiro onde Shouto Todoroki se encontrava dormindo.

Subitamente, mãos suaves começaram a tocá-lo gentilmente e em seguida a voz de sua esposa podia ser ouvida.

“Shouto... Shouto...”, em um tom suave dizia seu nome tentando acordá-lo.

Seus olhos ainda adormecidos se abriram um pouco ao ouvir a voz da morena e se deparando com a visão dela diante dele.

Ela encontrava-se com um joelho apoiado próximo da borda da cama, uma mão na beirada e a outra em cima do ombro dele balançando lentamente seu corpo e com uma expressão animada em sua face.

Certo, era de conhecimento geral que ela sempre foi uma das mais belas heroínas fisicamente e isso era algo que o público masculino sempre louvou, para o desgosto dele.

Mas, mesmo anos de casamento não tornavam a imagem dela ao seu lado quando acordava menos incrível e se tinha algo que pessoas de fora sequer teriam chance de ver seriam as adoráveis expressões que ela fazia, como a que enfeitava seu rosto animado no momento. Era de tirar o fôlego.

“Shouto, vamos-“

E antes que ela pudesse terminar sua frase, ele a trouxe para seu lado na cama aproveitando-se de sua guarda baixa e envolvendo seu braço na sua cintura a puxando para mais perto com os olhos fechados fingindo que ainda estava dormindo numa clara tentativa de adiar o seu despertar.

Momo revirou os olhos em descrença, rindo um pouco e dando um leve tapinha no seu rosto o forçando a encarar a cara dela de “isso-não-funciona”.

“Bem, pelo menos tentei”, pensou ainda meio sonolento.

Ela se moveu um pouco colocando sua cabeça em cima das suas duas mãos enquanto o fitava ainda sorrindo.

“Sabe que dia é hoje?”.

Ele congelou por alguns segundos. Estavam de folga e tinha certeza que não era aniversário de ninguém ou qualquer outra data comemorativa... Ou era?

Pela cara de alegria dela, Shouto começou a ter suas dúvidas.

Rapidamente ele sentou-se esticando seu braço para alcançar o calendário que ficava na cabeceira da cama. Seus dedos percorreram em meio aos vários dias passados riscados, datas com compromissos importantes marcadas e post its de avisos colados organizadamente pela morena.

Ele tinha que admitir que essa mania de organização dela era algo realmente útil. Graças a isso, não demorou muito para achar o que procurava marcado como “Extremamente importante” e circulado de vermelho várias vezes.

“Era sobre isso mesmo que ela estava se referindo...?”, pensou arqueando as sobrancelhas em confusão.

Não parecia ser algo que deixaria alguém feliz daquele jeito, mas era a única coisa que tinha marcada para esse dia então resolveu arriscar.

“Hmm... Dia da visita de pais na escola dos meninos?”, ele perguntou ainda em hesitação.

Em resposta, ela praticamente saltou de tão rápido, sentando-se em cima de seus joelhos e unindo suas mãos diante dele com os olhos brilhando de entusiasmo.

“Sim! Isso mesmo! É hoje!”, disse com uma voz radiante.

Shouto agora estava ainda mais confuso que antes.

“Deixe-me ver... Já coloquei a filmadora na bolsa, mas deveria levar mais alguma coisa?”, Momo disse se levantando da cama e caminhando pelo quarto murmurando frases soltas em profundo pensamento.

“E lá vai ela, de novo sempre pensando demais, fazendo planos e se preparando. Precavida como de costume”.

Isso o lembrava do jantar de anúncio de noivado na casa dele. Fuyumi sempre gostou dela e até fez sua própria cota de ameaças para nunca deixar uma garota como aquela escapar na época em que namoravam então não foi uma surpresa a felicidade estampada na sua cara. Sua mãe também recebeu bem a notícia, já havia sido apresentada a ela formalmente há um tempo e ainda hoje tinham uma ótima relação, até trocavam receitas pelo telefone de vez em quando.

Seus irmãos também pareciam aprovar ela quando finalmente a conheceram na ocasião. Chegaram a elogiá-la, dizendo para ele o quão bela e encantadora era sua noiva e até brincaram com ela falando que “caso se cansasse dele algum dia, ainda haveria outros Todorokis disponíveis no mercado”.

Certo, disso ele não gostou. Nem um pouco.

A surpresa da vez foi a boa aceitação da parte de seu pai, Enji Todoroki. A provável reação negativa dele foi o principal motivo de terem adiado o evento até que Momo finalmente conseguiu convencê-lo a convida-lo. Inclusive, já estava preparado se ele sequer ousasse desrespeitá-la de alguma forma ou fizesse algum escândalo.

Mas para seu espanto, ele permaneceu o jantar inteiro praticamente calado. Só falava quando era solicitado, geralmente quando a Momo perguntava algo para puxar assunto. Até chegou a elogiar a comida dela.

De acordo com Fuyumi, ele deveria ter achado ela profissional e intelectual.

“Deve ser a boa família e peculiaridade dela, na certa”, Shouto se lembra de pensar.

Anos mais tarde, por insistência de Momo que gostaria que seus filhos pudessem desfrutar da presença do avô paterno como a maioria das crianças e a contragosto dele, aceitou dar mais uma chance para seu pai permitindo que os netos ficassem com ele algumas vezes, sob supervisão da Fuyumi, é claro. E por mais surpreendente que seja, Eiji Todoroki se tornou um avô decente.

“Talvez tivesse amolecido um pouco com a velhice”.

Não que isso fosse apagar o ódio que sentia dele, apenas aprendeu a aturar mais a presença dele.

Independente disso, o sucesso daquele jantar e do que veio depois foi tudo graças a Momo. Era algo esperado, esse tipo de situação ela dominava com maestria, boa parte pelo seu jeito precavido de sempre pensar adiante, mas as experiências de socialização adquiridas nas tantas festas que sua família geralmente dava também vinham a calhar.

E isso era algo que carecia nele então não tinha tido a mesma confiança de sua esposa na sua vez de lidar com a família dela na época...

~~~

Shouto Todoroki podia ainda estar com a mesma cara indiferente de sempre, mas por dentro tinha suas dúvidas se ele se sairia tão bem assim. Aquele tipo de coisa não estava dentro das suas especialidades, diria até que estava mais para ponto fraco, mas era algo que faria a sua noiva feliz então não tinha como escapar.

Hoje era o dia em que celebrariam com os pais dela o seu noivado.

Isso foi uma sugestão deles após receber a notícia pelo telefone por parte da filha. Disseram que gostaria de ter uma pequena comemoração particular com eles então obviamente Momo aceitou na hora e o convenceu a participar sem possibilidade de recusa.

Na realidade eles já haviam se encontrado algumas vezes, mas nunca tinha parado para conversaram realmente. Por causa do trabalho viviam viajando então era difícil vê-los com frequência e mesmo nas festas que davam ficavam muito ocupados com os convidados e possíveis clientes.

Então para ele era um pouco estranho esse convite do nada, mas novamente socialização não era o ponto forte dele então supôs ser normal.

“Talvez a razão desse pedido repentino fosse a vontade de serem mais presentes na vida da filha”, ele cogitou inicialmente.

Já haviam demonstrado algumas vezes o quanto se sentiam mal com a ausência deles na vida da Momo. Era visível o quanto a amavam, apesar disso. Faziam questão de manterem contato por telefone e às vezes mandavam uma lembrancinha de algum país que visitaram a trabalho.

Mas não era só esse o motivo que o deixou inquieto. Alguns dias antes comentou sobre a ocasião com seu ex-colega de classe e namorado da melhor amiga de sua noiva quando vieram visita-los, Denki Kaminari. Imediatamente, a expressão do loiro empalideceu e as memórias da primeira vez que a família da namorada dele o chamou para se conhecerem melhor e supostamente comemorarem juntos a novidade vieram à tona.

“FOI COMO ENCARAR A PRÓPRIA MORTE!”, gritou em puro horror.

“Juro que pensei que daquela eu não sairia vivo, até vi minha vida inteira passando diante dos meus olhos. Garanto que a aura assassina do pai dela podia ser sentida a quilômetros de distância!”, o pobre jovem falou ainda tremendo só de lembrar.

Aparentemente ele tinha recebido o mesmo tipo de convite dos pais da sua namorada depois de saberem do seu namoro e coincidentemente uns dias antes da data prevista o pai dela ainda chegou a montar uma decoração especial nas paredes da sala de estar supostamente em homenagem a grandes nomes da música que a família admirava e já haviam morrido.

Naturalmente, a Jirou adorou. Mas o Kaminari não.

“Tenho certeza que aquele espaço vazio que sobrou na parede atrás da cadeira onde estava sentado havia sido separado para pendurar uma foto minha com a data da morte”, ele murmurou baixo.

“Mas...”, fez uma grande pausa dramática.

“O pior momento foi quando a Jirou saiu para atender ao telefone e ficou só eu e os pais dela sentados na mesa. É na ausência da filha que as feras mostram suas reais intenções!”.

“Logo em seguida começaram a fazer uma série de perguntas parecendo um interrogatório policial, especialmente o pai dela que parecia querer me matar com os olhos”.

Kaminari depois deu outra pausa meio pensativo antes de prosseguir.

“Bom, com a mãe dela um tempo depois nos entendemos, já o pai foi... mais difícil. Admito que minha relação com o sogrão melhorou com os anos, mas curiosamente vez ou outra vejo ele murmurando coisas estranhas com um olhar vazio tipo: Por que tinha que ser logo o idiota do pikachu humano?”.

Kaminari continuou tagarelando, mas desse ponto em diante ele nem se deu o trabalho de continuar ouvindo.

De qualquer forma, agora que já se encontrava na residência dos Yaoyorozu acompanhado de Momo, isso não importava.

Shouto Todoroki não ligava para o que os outros pensavam ou como agiam em torno dele, o problema é que a Momo ficaria triste se ele e os pais dela não se dessem bem, ainda mais antes do casamento deles.

Ele não podia falhar com ela igual seu pai falhou com sua mãe. Recusava-se a se aproximar um milímetro sequer da infelicidade que Enji Todoroki causou devido às ações dele. Jamais deixaria a Momo infeliz e isso incluía uma possível desavença com os pais dela próximo do seu casamento.

Sejam lá quais forem as intenções dos Yaoyorozus com aquele pedido repentino, ele teria que garantir tudo desse certo no final.

~~~

Inicialmente tudo parecia ir bem já que sua noiva estava conduzindo a conversa perfeitamente então nem precisava falar tanto, o que ele agradecia internamente. Infelizmente sua sorte não durou muito tempo.

 “Hum? Não trouxe chá o suficiente?”, os olhos da morena estreitaram ao notar a leveza do bule de chá quando o segurava.

“Perdão, irei buscar mais imediatamente!”, avisou antes de se levantar rapidamente e se retirar da sala.

Seus olhos então observavam como o Sr. e a Sra. Yaoyorozu acompanhavam de vista atentamente a filha se afastar para em seguida se voltarem para ele.

Ele sabia que se quisessem falar algo para ele a sós, esse seria o momento perfeito que deviam estar aguardando. 

 “Então, Todoroki-san”, o Sr Yaoyorozu tratou de iniciar o diálogo.

“Como deve ter percebido, nunca nos intrometemos nos relacionamentos da nossa filha, sabemos que ela é inteligente e grande o suficiente para tomar suas próprias decisões, sem duvida alguma”.

“Mas nós dois chegamos a conclusão que deveríamos ter uma conversar com você”.

Sra. Yaoyorozu logo entrou na conversa também.

 “Ah, não viemos aqui te criticar ou intervir em seu relacionamento que fique claro. Imagina! Você parece ser um bom rapaz. E pais ausentes como nós... Não temos nem esse direito”, dizia balançando rapidamente suas mãos diante dela em negação e com o rosto voltando-se para baixo enquanto falava.

“Mas...”, ela parecia hesitar um pouco.

Então o marido dela colocou sua mão esquerda em cima da direita dela e posteriormente a segurando em sinal de apoio para que ela continuasse. Com um aceno de confirmação, ela retomou a fala erguendo mais uma vez a cabeça.

 “Casamento é um compromisso mais sério e difícil de manter. É bem complicado e a Momo... é nossa preciosa e única filha. Ela é também meio ingênua, devo lembrar”, riu um pouco na ultima parte.

Logo em seguida, o olhar de ambos nele se tornou mais sério e ansioso com a chegada da próxima fala.

“Não conseguimos evitar nos preocupar com ela como seus pais e por isso precisamos realmente saber...Você tem realmente certeza que essa é a escolha correta? Não há nenhum arrependimento possível?”.

Shouto piscou um tanto surpreso com aquele tipo de pergunta. Esperava mais que fosse algo sobre sua família ou possíveis “más intenções com sua filha como havia acontecido com o Kaminari. Sendo honesto, realmente pensou que seria o tipo de conversa em que eles se negariam a aceitar que se casasse com a filha deles. Afinal, o não impedimento deles no seu namoro não queria necessariamente dizer que o aceitassem, podiam acreditar que eventualmente terminariam sem nem mesmo precisar da interferência deles.

Inclinando a cabeça em direção ao teto em profundo pensamento, ele ponderou um pouco sobre como responde-los.

“O mais correto é ser sincero e explicar o que o tinha levado a pedir a mão da filha deles em casamento. Eles haviam sido completamente francos com ele, mereciam isso”.

“Eu... preciso da Momo”, murmurou.

Vendo seus olhares curiosos, prosseguiu agora os encarando.

“Eu não tenho certeza de quando ou como exatamente, mas em algum momento a presença de Momo Yaoyorozu se tornou necessária para mim.”

“Quando comecei a desejar passar cada vez mais tempo com ela notei que não só já fazia parte da minha vida, como também gostaria de tê-la por perto no futuro. Se quero estar sempre ao lado dela e o casamento é uma forma para obter isso, então me parece que é a escolha certa”.

Seu tom de voz acabou soando como uma explicação lógica no final. Simples e direto como sempre. Esperava que tivesse sido o suficiente, no entanto pelo silêncio inicial dos Yaoyorozus receava ter cometido algum erro ao manter sua postura de costume.

Ele se perguntava se ainda poderia voltar atrás e consertar seja lá o que havia dito de errado, mas seus pensamentos em pouco tempo foram interrompidos quando percebeu a movimentação dos Yaoyorozus.

Os dois se entreolharam com um sorriso satisfeito em seus lábios pela resposta dada e então voltaram a encará-lo.

“Nesse caso...”, Sra. Yaoyorozu começou.

Ambos inclinaram suas cabeças para baixo em direção a ele e em perfeita sintonia falaram juntos:

“Por favor, cuide da nossa filha”.

Mesmo com o gesto inesperado, imediatamente agradeceu a confiança depositada nele que aquilo representava igualmente se curvando diante deles em sinal de respeito e jurando honrar aquele compromisso.

“Eu prometo que cuidarei bem dela”, disse com toda sinceridade em seu coração.

Segundos depois, Momo finalmente retornou com o bule de chá devidamente reabastecido e completamente alheia ao que havia sido discutido entre seus pais e o seu noivo durante sua ausência.

A celebração particular deles acabou transcorrendo sem problemas e ela nunca ficou sabendo do que havia acontecido naquele dia.

Infelizmente seu momento de nostalgia chegou ao fim quando notou uma mão balançando na sua frente e um par de olhos ônix o fitando.

“Hum?”, ele piscou ainda um pouco confuso.

“Parecia bem distraído, tentei chamar sua atenção sem receber resposta alguma de você. Ainda estava dormindo?”, a morena questionou em tom de divertimento enquanto cruzava os braços e arqueava as sobrancelhas em sua direção.

“Algo assim”, respondeu com sua voz calma e meio indiferente de sempre.

Não era uma informação relevante dizer que estava relembrando antigas memórias então não se sentiu no dever de revelar isso. E também, no fundo era uma lembrança que gostaria de guardar para si, a menos que ela viesse interroga-lo mais profundamente sobre isso pretendia manter em segredo mesmo.

“Bem, que seja”, preferiu deixar o assunto para lá e voltar ao que interessava: O seu planejamento. Portanto, ela foi conferir pela enésima vez se a filmadora estava carregada e funcionando corretamente. Estava determinada a não perder um momento sequer daquela ocasião.

O entusiasmo e toda a inquietação da sua esposa com aquele evento era um enigma para ele que claramente não seria capaz de desvendar por conta própria.

“Eu realmente não entendo o motivo de tamanha agitação sua...”, ele admitiu.

Pela a cara que fez aparentava estranhar a fala dele, como se a resposta fosse óbvia. Mas antes que ela pudesse dizer qualquer coisa, o barulho da porta do quarto se abrindo tirou sua atenção.

Duas figuras pequenas e praticamente idênticas adentraram no quarto em completo estado de êxtase de tanta animação.

“Uau, já estão prontos, meninos?!”, Momo disse surpresa com a rapidez com que se arrumaram dando alguns tapinhas na cama deixando as crianças se juntarem a eles.

Após 2 anos de casados finalmente tiveram seus primeiros filhos. Gêmeos, aliás, hoje com 6 anos cada um. O ruivo se chamava Hino e o de cabelo branco Rei, ambos possuíam a mesma cor dos olhos da mãe embora fisicamente sempre diziam que eram cópias dele. Não foi algo completamente planejado na época e ele se lembra do quão assustada Momo estava quando soube da gravidez.

A mulher incrível sentada ao lado dele não acreditava que era capaz de ser uma boa mãe. O que ao longo dos anos se mostrou uma preocupação tola como havia deixado claro quando lhe contou a descoberta.

Bem, eram crianças fáceis de lidar e isso com certeza puxaram da mãe para a sorte deles. Tanto que não tinham problemas no geral com birras, por exemplo, para não irem à escola. Mas hoje curiosamente pareciam ter se levantado antes da hora. Sempre era ele e sua esposa que acordavam e se arrumava primeiro, logo depois iam despertá-los.

Estranhando, deu uma olhada no relógio do quarto averiguando que realmente ainda não era a hora de já estarem de pé.

“Vocês não deviam ainda estar dormindo?”, ele arqueou as sobrancelhas encarando os dois.

E para seu espanto foi recebido com o mesmo olhar descrente com a pergunta que sua esposa havia dado a ele antes da chegada deles. Já estava começando a realmente se incomodar por estar de fora da linha de pensamento da sua família.

“Como poderíamos continuar dormindo no dia que nossos pais visitariam a nossa escola? É emocionante demais!”, as duas crianças pronunciaram ao mesmo tempo com os olhos brilhando de tanta animação.

Com as duas mãos, Momo segurava seu rosto e balançava a cabeça de forma sonhadora concordando com os dois.

“De fato, é um evento e tanto. Mal preguei os olhos de tão ansiosa que estava na noite passada“.

O pequeno de cabelo branco notou que seus pais, que sempre estavam prontos primeiro que eles, ainda estavam em seus trajes de dormir então questionou eles.

“Ué, por que vocês dois ainda não se arrumaram?”, Rei os interrogou.

Com a pergunta feita pelo irmão, o outro gêmeo Hino, também percebeu que estranhamente seus pais ainda não tinham se arrumado e pior, não pareciam nem um pouco preocupados em corrigir isso.

Quer dizer, os dois gêmeos haviam se organizado mais cedo que o normal deles, mas não antes do horário de sempre dos seus pais.

Pela animação de agora a pouco de sua mãe, não parecia que eles haviam desistido dos planos e seus pais eram do tipo que sempre cumpriam suas promessas. A possibilidade de terem acordado tarde também não devia ser possível. Conhecendo a mãe deles, tão prevenida e pontual, isso nunca aconteceria. O dia em que Momo Todoroki se atrasasse para algum compromisso seria o fim do mundo, ou no mínimo uma dimensão alternativa.

Pela janela o dia estava bom demais para ser o fim do mundo. É, a teoria da dimensão alternativa parecia a resposta mais plausível no momento.

Diante das expressões confusas de seus dois filhos, Momo tratou de esclarecer tudo.

“Mesmo sendo dia de visitação, ainda terão a primeira aula. Os pais só entram para assistir a partir da segunda. Então nós só iríamos para a escola de vocês mais tarde. Ainda temos tempo de sobra”.

Os pequenos suspiraram aliviados, mas ao mesmo tempo levemente decepcionados internamente. Afinal, seus planos de apresentar seus pais para todos os seus colegas haviam sido adiados por um tempo.

Com uma mão em sua boca e o braço esquerdo abaixo do cotovelo do direito, a expressão de Momo mudou como se estivesse lembrando de algo.

“Parando para pensar, é hoje que abre aquela nova loja de chá importados do lado da cafeteria perto da escola dos meninos que estava doida para visitar. Talvez tenha aquele chá da Inglaterra que sua mãe adorou, Shouto“, murmurou pensativa.

Os garotos arregalaram os olhos na menção da cafeteria próxima de onde estudavam.

“É a cafeteria daqueles bolos deliciosos?”, os dois falaram em uma só voz.

“Sim! É aquela que vocês amam. Eu e o pai de vocês poderíamos ir depois de fazer uma visita à loja dos chás e ficar por lá até dar a hora de ir ao colégio. Aí aproveitaríamos para comprar alguns doces para viajem.”

A ideia realmente parecia agradá-la. Já havia comentado o quanto queria ir nessa tal loja antes e sendo um dos motivos presentear a mãe dele era algo genuinamente gentil da parte dela. De bônus ainda agradaria seus filhos com os doces preferidos deles de outro estabelecimento próximo.

Essa era uma das coisas que ele mais admirava na sua esposa, tanto como pessoa quanto heroína, ela sempre pensava nos outros primeiro.

“Então... O que acha, Shouto?”.

Vendo o olhar cheio de expectativas dos três agora em sua direção sabia que a resposta final cabia a ele. Não era um pedido impossível e francamente com três contra um não dá para dizer “não”, nem se ele quisesse seria capaz disso. Por fim, deu seu veredicto.

“Não vejo por que não. Temos tempo ainda e estamos de folga mesmo”, anunciou com a cara impassível de costume, mas as mãos afagando a cabeça das crianças em um gesto de carinho.

Os gêmeos vibraram de felicidade, abraçando rapidamente o pai em agradecimento e depois batendo as palmas das mãos entre eles e a mãe em comemoração dando pequenos gritos de satisfação.

“Hoje vai ser um dia incrível de certeza”, Rei expressou sem tirar o sorriso do rosto acompanhado de seu irmão, Hino, em igual estado de euforia.

“Sim! Imagina a cara do pessoal quando verem que o Shouto e a Creati estão na nossa escola e que são os nossos pais? Eles vão pirar! Mal posso esperar para apresenta-los a nossa turma inteira! ”.

Momo também se juntou a comemoração deles com os punhos levantados em sinal de determinação.

“Eu prometo dar o meu melhor para passar uma boa impressão para seus colegas e o professor responsável. Tentarei ao máximo corresponder às expectativas de todos! Também não perderei nenhum momento, definitivamente vou registrar tudo com a filmadora!”

Tanto alarde por algo assim podia ser meio bobo, mas tinha que admitir interiormente que era adorável ao mesmo tempo. Tinha sorte de ter dois filhos que se orgulhavam de seus pais e uma esposa que amava tanto a família a ponto de um mero dia de visitação à escola das crianças se tornar um grande acontecimento.

“Mas antes...”, os olhos da Momo se estreitaram fitando a bagunça visível que era o cabelo dos filhos.

“Aposto que não pentearam o cabelo ainda e, se brincar, esqueceram também de escovar os dentes, não foi?”.

Os dois se entreolharam colocando as mãos na cabeça e constatando que sua mãe havia acertado em cheio. Deviam estar tão animados que acabaram pulando algumas etapas da preparação deles sem perceber.

Murmurando algumas desculpas, eles voltaram para o quarto deles com intuito de consertar o erro deles.

Vendo que os dois já haviam partido, os olhos de Momo se voltaram para o seu marido, se acercando dele na cama. Shouto por sua vez, prontamente deu espaço para a aproximação dela que lentamente entrelaçou seus braços no pescoço dele enquanto as mãos dele institivamente foram para sua cintura.

Com o rosto descansando em seu ombro, ela pronunciou calmamente em seu ouvido:

“Obrigada”.

Ele não fazia ideia do que ela estava falando. Não se lembrava de ter feito algo digno de agradecimento da parte dela.

“Pelo quê?”, perguntou.

Tirando o rosto de seu ombro e o afastando um pouco dele, ela o respondeu:

“Por atender os nossos desejos bobos. Sei o quanto foi difícil tirar o dia de folga hoje com tanto trabalho da sua missão atual só para ir comigo no colégio dos meninos. E ainda aceitou minha ideia besta de passar naquela loja quando devia ter te deixado descansar. Eu valorizo isso então obrigada, novamente.”

Eram belas palavras, mas ele realmente achava que não era merecedor delas. Não foi nada demais.

“Como havia dito tempos atrás: Não é como se estivesse sozinha nessa. Somos eu e você. Francamente falando, isso não é grande coisa. Você provavelmente é até melhor do que eu nesses tipos de eventos, minha presença em si não muda muita coisa.”, ele confessou.

Ela riu da sua sinceridade, já devia esperar algo assim vindo dele.

“Talvez eu seja. Mas...”, iniciou voltando a aproximar seu rosto dele, o encarando com a cabeça levemente inclinada para um dos lados e com um sorriso formando em seus lábios altamente hipnotizantes.

“...com você, eu me sinto imbatível”.

A distância no meio deles agora era mínima, era possível até mesmo sentir a respiração dela próxima a ele. Mas antes que pudesse fechar o pouco espaço que restava entre eles capturando seus lábios em um beijo, a morena se levantou da cama comentando que ia adiantar o café da manhã deles para a total decepção dele que não conseguiu conter um gemido de frustação.  

Percebendo o desapontamento dele, não conseguiu evitar uma risada. Ela parecia ter achado graça da situação.

“Não fica assim, Shouto. Afinal, sempre haverá outras oportunidades, não é mesmo?”.

Ele assentiu ainda meio decepcionado com o atraso de seus planos e observando ela sair do quarto cantarolando, um sorriso discreto começou a ser formar em sua face.

É, definitivamente se casar com essa mulher não tinha sido um erro. Era a melhor escolha que já fez e ele nunca se arrependeria disso, nem por um segundo.


Notas Finais


Os gêmeos usados na história são criação da incrível artista Akeemi (Chilena inclusive, ou seja, pertinho do Brasil <3). Só peguei emprestado, mas meu sonho de consumo é que eles se tornem canons no mangá rs
O tumblr dela: http://akeemi-life.tumblr.com/ e deviantart: https://akeemi-chan.deviantart.com/
Ainda não foi revelado os nomes dos irmãos do Shouto, só tiveram uma aparição de fundo e preferi não criar nomes então só mencionei eles. Válido dizer que além do uso do primeiro nome representar alto do grau de proximidade no Japão, no caso do Shouto também é o nome de herói dele (Já demorei a entender algumas piadas com isso até e como usei ele como nome de herói na historia uma vez achei melhor ressaltar rs)


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