História Forest fic joshler (PT-BR) - Capítulo 1


Escrita por: ~

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Categorias Twenty One Pilots
Personagens Josh Dun, Personagens Originais, Tyler Joseph
Tags Forest, Josh Dun, Joshler, Twenty One Pilots, Tyler Joseph
Exibições 387
Palavras 8.861
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Fantasia, Romance e Novela
Avisos: Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Suicídio, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 1 - Forest fic


Fanfic / Fanfiction Forest fic joshler (PT-BR) - Capítulo 1 - Forest fic

 

"A chuva," Tyler disse.

Josh balançou a cabeça devagar.

"É tipo..." Tyler parou, procurando a palavra.

"Revigorante," Josh diz.

"Exatamente." Tyler diz, balançando a cabeça.

"Quase como..." Josh franziu a testa, "vermelho? Talvez?"

"A maioria." Diz Tyler. "Com um pouco de laranja."

"Laranja, isso." Josh indica a Tyler. "É isso. Eu continuo esquecendo essa."

"Porém, muitas coisas são laranja." Tyler diz, franzindo a testa.

"Não de onde eu venho." Josh diz sombriamente. "Lá tudo é azul-preto."

Tyler se encolhe. "Eu não consigo nem imaginar."

"Não imagine." Josh diz com firmeza. Ele balança a cabeça. "Nem tente."

Tyler treme um pouco. "Acredite, eu não quero."

Josh acena. "Certo." Ele senta-se direito de repente, esticando a cabeça.

"Minha mãe está vindo?" Tyler pergunta. Josh acena com a cabeça, levantando.

"Não demore, ok?" Josh pede enquanto ele fecha a porta do armário.

"Ok." Tyler responde para o quarto, que agora está vazio.

Há uma leve batida na porta antes de sua mãe por a cabeça para dentro.

"O que está fazendo, Tyler?" Ela pergunta, olhando para dentro.

"Conversando com o Josh." Tyler conta. E ele imediatamente de ter falado qualquer coisa.

"Tyler," sua mãe diz, suspirando. "Josh não é real, lembra? Nós já falamos sobre isso."

"Certo, mãe." Tyler diz, concordando. "Desculpa."

"Tyler, eu..." sua mãe para, incerta. "Não se desculpe, ok? É só que o Josh não existe."

"Ok." Tyler a diz, esperando que ela saia para Josh poder voltar.

Sua mãe o olha, com algo amarelo-azul-vermelho em seus olhos. Ele esquece como outras pessoas chamam isso. Josh saberia.

"Tyler, você tem uma consulta marcada amanhã, lembra?" sua mãe diz. "Com o Dr. Paulson."

Dr. Paulson tem muitos iluminadores, um tabuleiro de xadrez, e um uso liberal de uma gaveta cheia de doces para que Tyler não diga a ninguém sobre a vez que tudo tinha gosto de metal. E sabão. E magenta megulhada em cera de vela.

"Ok." Tyler acenou.

Sua mãe morde o lábio. "Tudo bem, Tyler." Ela diz. "Lembre-se de comer, ok?"

"Ok." A voz de Tyler ecoa, e ela fecha a porta.

Josh abre a porta do armário imediatamente.

"Dr. Paulson." Ele diz em um tom de reprovação.

"Por que você não gosta dele?" Tyler pergunta enquanto ele observa Josh se ajeitar em sua estante de livros.

"Ele parece ser tão..." Josh morde o lábio, procurando as palavras. "Eu diria roxo-verde, mas estou esquecendo algo, não estou?"

"Rosa." Diz Tyler rapidamente.

"Certo, isso." Josh diz. Ele muda a expressão. "Eu não gosto quando você vai lá."

"Você prefere que eu volte para o Dr. Craig?" Tyler sugere.

Josh recua o máximo que consegue estando sentado precariamente em uma estante.

"Não!" ele exclama. "Não, não, nunca!"

"Eu estava brincando." Tyler diz, se esparramando de novo em sua cama.

"Uma brincadeira." Josh murmura, parecendo irritado. "Não brinque com isso, ok?"

"Ok." Tyler diz, lembrando subitamente da conversa com sua mãe. O som de manteiga sendo passada em uma torrada. Suave e roxo-vermelha aceitação.

"Não. É serio." Josh diz, saltando da estante para poder pegar a mão de Tyler. "Não brinque sobre isso. Isso foi... mal."

"Foi." Tyler consente, e Josh coloca seus lábios na mão de Tyler.

"Por favor. Não brinque sobre isso, Tyler." Ele fala baixo.

E Tyler está tão encantado com a forma que a boca de Josh forma seu nome, que ele concorda automaticamente.

...........................

Tyler pode perceber que Dr. Paulson teve um longo dia.

"Tudo certo com sua esposa, doutor?" Tyler pergunta educadamente.

"Tudo certo." Dr. Paulson diz bufando, e senta em sua cadeira. "Chocolate ou pirulito?"

"Pirulito." Tyler escolhe. Ele gosta de chupar da maneira mais obsena possível de vez em quando, apenas para checar com o que o Dr. Paulson se preocupa.

O pirulito é vermelho, com gosto verde-vermelho-amarelo, como cereja. Tyler é atento para passá-lo nos lábios, fazendo-os ficar o mais vermelhos possível.

"Na última sessão debatemos sobre livros." Falou Dr. Paulson, não prestanto atenção no tratamento que Tyler dava ao pirulito. "E dores de cabeça."

"Esses dois provavelmente são sinônimos." Tyler diz.

"Sim, você mencionou isso várias vezes." Dr. Paulson diz, soando cansado.

"E a Bíblia..."

"Possui letras tão pequenas, que você deve estar olhando para um arco-íris" o doutor termina.

"Embora a primeira parte..."

"...da Gênesis é quase toda verde, então você consegue ler." Diz Dr. Paulson. "Minhas anotações são muito boas, lembra?"

"Lembro." Tyler diz, usando o mesmo tom que usa com sua mãe.

Dr. Paulson - que é bastante familiar com os tons de voz de Tyler – suspira.

"Tyler, desculpe não estar me saindo muito bem hoje." Ele diz. Ele inclina para frente, e Tyler se afasta tão rápido, que o pirulito quase desce por sua garganta. "Desculpe, me desculpe." Dr. Paulson diz. Ele tira os óculos para esfregar o rosto. "Me desculpe, Tyler."

Tyler não diz nada. Ele acha que se abrir a boca, apenas 'palavras sem sentido' que apenas Josh parece entender sairiam. Seu coração está batendo rápido, e ele põem a mão sobre seu peito. Dr. Paulson segue seus movimentos e encolhe.

"Me desculpe, Tyler." Ele repete. "Não foi minha intenção te assustar."

"Estou bem." Tyler diz, satisfeito em ouvir palavras 'normais' saírem.

"Você não está, Tyler." Dr. Paulson diz suspirando. "Você não está bem." Ele balança a cabeça de vagar, como se quisesse limpá-la. "Sobre o que quer falar hoje?"

Tyler encolhe os ombros. "Não sei."

"Você anda escrevendo?" Dr. Paulson pergunta.

"Um pouco." Tyler murmurra, mexendo em um fio solto de seus jeans

"Escreveu sobre algo interessante em particular?"

"A casa da árvore." Tyler diz, logo depois desejando não ter dito, pois os olhos de Dr. Paulson ficaram azul-laranja-verde. Interessados, quase famintos.

 

"Que casa na árvore?" Dr. Paulson pergunta, anotando algo em seu caderno.

 

"Nós... Achamos uma casa na árvore no bosque." Tyler murmurra, olhando desconfiadamente para o tapete. Agora sentindo-se estranhamente exposto.

 

"Como era a casa?" o doutor pergunta, ainda olhando para o caderno.

 

"Eu não sei. De madeira." Amarela-roxa. Como giz molhado. O si mais grave de seu piano.

 

"Seus pais sabem sobre a casa na árvore?" Dr. Paulson pergunta.

 

"Isso importa?" Tyler diz, mais na defensiva do que desejava.

 

Dr. Paulson pisca. "Eu creio que não." Ele diz devagar. "Eu apenas queria saber se tem falado com eles ultimamente."

 

"Você podia ter perguntado isso a eles." Tyler destaca. "Você podia terme perguntado isso."

 

"Tem razão, Tyler. Me desculpe." Dr. Paulson diz, parecendo realmente arrependido. "Você tem falado com seus pais?" Tyler bufa. "Eu imaginei." O doutor se inclina devagar para frente, para que Tyler não se assuste com sua presença. "Acho que você deveria falar com eles, Tyler. Eles se importam muito com você"

 

"Não se importam." Tyler sabe que soa como uma criança, como o cheiro de casca de laranja, mas ele não liga.

 

"Eles se importam, Tyler. E eles ficaram tão, tão tristes quando descobriram o que aconteceu com você."

 

"Eles nunca acreditaram em mim."

 

"Tyler, você não era muito fácil de entender." Dr. Paulson diz gentilmente. "Honestamente, você ainda não é."

 

"Você parece conseguir."

 

"Eu te conheço a um bom tempo já, Tyler."

 

"Meus pais também."

 

"Eles conhecem mesmo?"

 

Tyler permanece em silêncio por um momento. "Não." Ele para. "Eles não me conhecem mesmo."

 

"Tyler, você já pensou em fazer as pazes com seus pais?" Dr. Paulson pergunta.

 

Tyler olha com raiva. "Eles que deviam fazer as pazes comigo."

 

"Eles estão tentando, Tyler, de verdade." O doutor diz. "Acredito que você não notou, mas eles estão tentando consertar."

 

"Bom, eles estão fazendo um belo de um trabalho." Tyler murmurra.

 

Dr. Paulson ignora o comentário. "Eles disseram que têm tentado te levar mais para fora e participar de atividades em família."

 

"Eu odeio multidões." Tyler diz ao doutor. "Eu odeio jogos de tabuleiro. Odeio televisão."

 

"Eles não sabem o que você gosta, Tyler." Dr. Paulson diz. "Mas tenho certeza que ficarão felizes em fazer algo que você goste com você."

 

"Eu..." Tyler para. "Não há nada que eu goste de fazer."

 

Dr. Paulson ficou quieto por um instante. "Você gosta do Josh."

 

Tyler pisca. "O que?" Dr. Paulson nunca tinha voluntariamente tocado no assunto antes.

 

"Não estou dizendo que Josh é real, Tyler." O doutor diz rapidamente. "Mas talvez você poderia tentar contar para alguém da sua família sobre ele."

 

"Por qual motivo, além de entregar minhas ilusões?"

 

"Isso irá de ajudar a se abrir." Dr. Paulson diz, ignorando o sarcasmo. "Você é muito mais fácil de entender quando está falando de algo pelo qual tem paixão."

 

Tyler pensa sobre isso. "Você vai ter que falar para meus pais que é ok eu falar sobre o Josh."

 

Dr. Paulson suspira. "Eu não queria que isso acontecesse quando eu contei para eles sobre o Josh, Tyler. Me desculpa."

 

Tyler dá de ombros. "Tanto faz."

 

Dr. Paulson concorda devagar, anotando algo em seu caderno. "Vou falar com eles."

.................

 "O que você vai falar sobre mim?" Josh pergunta enquanto mexe em uma pequena farpa de madeira na casa da árvore.

Tyler dá de ombros. "Não sei. Há muito o que falar."

 

"Você pode dizer a eles o quão rosa-vermelho-laranja eu sou." Josh diz, abrindo um daqueles sorrisos que faz Tyler derreter. "Como eu sou sexy, como eu soo igual marshmallows derretidos, como meus lábios são a tecla dó maior, como eu consigo..."

 

"Ah, cala a boca." Tyler diz, empurrando-o de brincadeira.

 

Josh ri, o canto de seus olhos enrugando quando ele sorri. Tyler para de olhar antes que Josh o pegue encarando.

 

"Meus pais acham que sou louco." Tyler diz de repente.

 

Josh fica sério imediatamente. "Você não é louco."

 

"Eu sei." Tyler diz. "Mas contar para eles sobre você não vai convencê-los disso."

 

Josh fica em silêncio por um tempo. "O que você vai fazer?"

 

"Falar com eles sobre você mesmo assim." Tyler diz. "Foda-se o que eles pensam."

 

Josh sorri. "Você é muito rosa-vermelho-laranja quando fala assim."

 

Tyler fica envergonhado. "Não sou não."

 

Josh o olha pensativo. "Você é bem bonito."

 

"Bem bonito?" Tyler diz.

 

Josh ri. "Não foi minha melhor escolha de palavras."

 

"Por que falamos assim, mesmo?" Tyler pergunta. "Se usássemos nossas palavras, nada parecido iria acontecer."

 

"Você pediu para eu falar 'normalmente'" Josh diz. "Para praticar."

 

Tyler franze a testa. "Por que eu fiz isso?"

 

Josh dá de ombros. "Algo sobre melhor comunicação."

 

Tyler concorda devagar. "Parece com algo que eu faria. Antes, sabe?"

 

"Bom, sim." Josh diz. "Você era todo..." ele faz alguns movimentos incompreensíveis com a mão, "azul-roxo. Emaranhado."

 

"Misturado." Tyler diz, concordando.

 

"Não exatamente." Josh diz. "Tipo... não consigo lembrar a palavra para isso. Laranja-verde-roxo."

 

"Confuso." Tyler traduz. Josh acena.

 

"É isso. Eu continuo esquecendo essa." Ele diz. "Confuso. Você era confuso. Como a letra M. Como o cheiro de agosto."

 

"Confuso, talvez." Tyler permite. "Mas não sei se perdido."

 

"Você era perdido." Josh diz com certeza.

 

"Talvez." Tyler diz novamente. Ele assiste Josh acender e apagar o isqueiro que ele sempre tem. "Por que você tem isso? Você não fuma."

 

Josh dá de ombos. "Você nunca sabe quando terá que atear fogo em tudo."

 

Tyler junta suas sobrancelhas. "O que? O que você está falando?"

 

Josh dá de ombros de novo. "Você vai entender um dia."

..............................

"Ele pintou o cabelo um dia desses.' Tyler conta a sua mãe.

 

Eles estão sentados nos degraus do lado de fora, vendo o vento soprar as árvores do quintal. Soa como um bom travesseiro na pele de Tyler, e ele sorri.

 

"Que cor?" sua mãe pergunta.

 

"Azul. Azul vibrante." Tyler diz, sorrindo um pouco pra si mesmo. "Era vermelho por um tempo, na verdade."

 

"Isso é legal, Tyler." Sua mãe diz, ainda parecendo meio desconfortável.

 

"Ele tem esses olhos muito castanhos escuros" Tyler diz, preferindo ignorar o desconforto de sua mãe. "Olhos de café. O tipo com café e chocolate quente. Como chama mesmo?"

 

"Mocha." Sua mãe oferece.

 

"Olhos de mocha." Tyler diz, concordando.

 

"Tyler," sua mãe diz, mordendo o lábio, "quem é Josh para você?"

 

"O que você quer dizer?"

 

"Ele é seu amigo?" sua mãe pergunta. "Namorado?"

 

Tyler gagueija um pouco. "O que? Não!"

 

"É que... sabe, tudo bem se você quiser um namorado." Sua mãe diz. "Só para você saber disso."

 

"Ótimo." Tyler diz, ainda com os olhos arregalados. "O que fez você falar isso?"

 

"Você sempre tem esse olhar bobo quando fala sobre ele, Tyler" sua mãe conta.

 

"Tá, e isso fez você automaticamente pensar que sou gay?"

 

"Bem..." sua mãe dá de ombros, "você nunca pareceu muito hétero, Tyler."

 

Tyler pisca os olhos. "Obrigado, mãe."

 

"Não era um insulto!" sua mãe começa a protestar, mas para quando vê Tyler rindo.

 

"Eu sou gay." Tyler a garante quando para de rir. "Eu só nunca esperei que você notasse."

 

"Eu noto ocasionalmente algo sobre você, Tyler." Sua mãe diz.

 

Tyler imediatamente fica sério. Sua mãe suspira, pegando cuidadosamente sua mão.

 

"Me desculpe, Tyler." Ela diz. "Sei que um pedido de desculpas não irá consertar as coisas, não irá mudar, mas eu sinto muito."

 

"Por que..." Tyler engole o seco, "por que você não acreditou em mim?"

 

"Eu..." sua mãe suspira. "Dr. Craig parecia ser tão profissional, Tyler. Ele era supostamente o melhor no que faz. Ele era muito calmo, sempre nos tranquilizando que não havia nenhuma irregularidade." Ela suspira novamente, apertando a mão de Tyler gentilmente. "Eu me arrependo de não ter te ouvido mais que tudo, Tyler."

 

"Não nos arrependemos todos?" Tyler fala baixo. "Não nos arrependemos todos?"

....................................

"Como você se sente?" Josh pergunta um dia.

 

"Quem é você? Dr. Paulson?"

 

Josh vira os olhos. "Sério, Ty." Ele diz, passando-o seu canivete. "Me mostre. Em palavras 'normais'."

 

Tyler encara a faca, quente e pesada em sua mão, como seda em grama fresca.

 

"Me mostre." Josh repete.

 

Tyler bota a lâmina para fora, pressionando no chão de madeira da casa na árvore.

 

"Palavras 'normais'." Ele sussurra para si mesmo, tentando lembrar em uma que descrevesse como se sentia.

 

A-T-E-R-R-O-R-I-Z-A-D-O

 

"Aterrorizado." Josh lê. "Por que?"

 

Tyler dá de ombro, limpando os pedaços de madeira do canivete, fechando-o, e passando para Josh.

 

"Não sei. Sempre estou." Ele diz.

 

"Por que?" Josh repete. "De que?"

 

Tyler continua dando de ombros. "Do que está por vir, eu acho."

 

Josh franze a testa. "Não a nada a temer." Ele diz.

 

"Por que eu estou com medo, então?"

 

Josh sorri daquele jeito simples, e gentil dele. "Laranja-verde-roxo." Ele diz.

 

Tyler suspira, passando seu dedo em cima da madeira.

 

"Eu não sou." Ele murmura. "Não de verdade."

 

"Você é." Josh diz. "Como algodão laranja esticado. Não saber o que está por vir é uma das melhores coisas do mundo."

 

"Aterrorizante." Tyler diz, balançando a cabeça.

 

"Talvez um pouco," Josh permite. "Mas talvez o que está por vir é a melhor coisa que você podia imaginar."

 

"Mas e se não for?"

 

"E se for?"

 

"E se não for?"

 

Josh se aproxima, tirando os dedos de Tyler da madeira.

 

"Mas e se for?" ele susurra.

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"Como estão as coisas entre você e sua mae?" Dr. Paulson pergunta enquanto Tyler põem um pote de manteiga de amendoim em sue bolso.

 

"Boas." Tyler diz.

 

"Boas?" Dr. Paulson repete, levantando as sobrancelhas.

 

"Melhor." Tyler corrige.

 

Dr. Paulson concorda devagar, "Você falou com ela sobre Josh então?"

 

Tyler balança a cabeça. "Ela não pareceu muito feliz."

 

"Como se esperava, Tyler." Dr. Paulson diz, ainda olhando para suas anotações. "Não é muito confortável para uma mulher ouvir seu filho de 17 anos falar sobre seu amigo imaginário."

 

"Que ela acha que é imaginário." Tyler corrige antes de pensar.

 

Dr. Paulson para, finalmente olhando para Tyler.

 

"Tyler," ele diz calmamente. "Josh não..."

 

"Tá, ok. Tanto faz." Tyler diz rápido.

 

O doutor suspira, passando a mão pelo cabelo.

 

"Ele não é real, Tyler." Ele diz devagar. "Me desculpe, mas ele não existe."

 

"Tá bom. Se você diz."

 

Dr. Paulson passa mão no rosto. "Tyler..."

 

"Olha," Tyler diz, se sentindo pronto para uma briga de repente. "Eu sei que você acha que sou louco por isso, mas o Josh é real, ok? Você não vai me convencer do contrário."

 

Dr. Paulson dá uma risadinha seca, "Estou percebendo."

......................................................

"Tudo é azul-preto." Josh diz. "Minha casa, eu quis dizer. É por isso que prefiro aqui."

 

"Você me disse." Tyler diz. "Várias vezes."

 

"Isso não faz com que seja menos verdade." Josh destaca.

 

"Eu sei." Tyler diz. "Só estou querendo dizer que eu ouço sempre que você fala."

 

"Mas eu não quero que você ouça." Josh insiste. "Eu quero que você escute."

 

Tyler franze a testa. "Qual a diferença?"

 

Josh faz um som de frustração. "Algumas pessoas – a maioria filósofos – dizem que as pessoas nunca ouvem umas as outras." Ele diz. "Mas eu não acredito nisso. Eu acho que todo mundo ouve, mas a maioria não escuta."

 

Tyler franze mais a testa. "Ainda não entendo."

 

"É tipo..." Josh muda, pegando a mão de Tyler. "Ok, quando eu digo 'pegue a minha mão', você pensa em segurar as mãos, certo? Não em pegar minha mão para algum lugar com você. A não ser se fossemos em algum lugar de mãos dadas, mas isso é outra história." Ele balança a cabeça para clareá-la. "O que eu quero dizer é, você ouve 'pegue minha mão', mas escuta 'segure a minha mão'.

 

"Ah." Tyler para, pensando. "Entendi." Ele franze a testa. "Eu acho."

 

Josh sorri. "Bom, pelo menos você é sincero."

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"Tyler, seu psiquiatra e eu queremos começar um novo tipo de remédio." Dr. Paulson diz enquanto Tyler se senta.

 

"O que?" Tyler pergunta, pegando um pirulito roxo. "Você não lembra como foi da ultima vez?"

 

"Não antipsicóticos." Dr. Paulson diz. "Aquilo foi um erro, eu sei." Ele suspira, mexendo em seu cabelo. "Foi um erro."

 

"Que tipo de remédio, então?" Tyler pergunta, abrindo o pirulito e colocando em sua boca.

 

"Lorazepam" diz Dr. Paulson. "Ativan"

 

Tyler franze a testa. "Isso não trata ansiedade?" Eu sou ansioso? Ele se pergunta.

 

"Trata insônia." Diz Dr. Paulson. "Honestamente, Tyler, você está começando a parecer um esqueleto. Um que precisa de uma boa noite de sono."

 

Tyler dá de ombros. "Acho que estou bem."

 

Dr. Paulson suspira. "Sua mãe diz que consegue te ouvir falando sozinho as 3 da manhã. Todas as noites."

 

Tyler abre a boca para falar que não é ele falando, mas desiste.

 

"Estou bem." Ele diz em vez disso.

 

"Tyler, eu realmente não acho que está dormindo o suficiente." Dr. Paulson diz calmamente. "Você parece exausto, sempre."

 

"Estou bem."

 

"Tyler, isso é sinceramente o que acho melhor pra você." Dr. Paulson diz de forma gentil.

 

Tyler o encara. "E por que você se importa com o que é melhor para mim?" Ele se aproxima destemido. "Eu não acho que você se importa." Ele diz, colocando a mão no rosto deliberadamente.

 

A expressão de Dr. Paulson muda. "Tyler," ele começa, depois para. "Tyler, eu sinto muito, muito mesmo."

 

Tyler vira os olhos, encostando. "Tanto faz."

 

O doutor suspira, coçando os olhos. "Não há desculpas para isso, mas, Tyler, isso é realmente para seu próprio bem." Ele tira outro pedaço de papel e escreve algo nele. "Eu vou falar com seus pais, e assim que eles aprovarem, vamos começar com o Ativan. Ok, Tyler?"

 

"Tanto faz." Tyler diz novamente.

 

Dr. Paulson suspira de novo, mexendo no anel em seu dedo esquerdo. "Ok. Agora, Tyler, andei pensando..."

 

"Pare com isso." Tyler diz, irritado.

 

Dr. Paulson para. "Parar o que?"

 

"Pare de colocar meu nome em toda frase dirigida pra mim." Tyler diz. "Eu sei qual é o meu nome, ok?"

 

"Força do hábito, Ty... força do hábito." Dr. Paulson diz.

 

Tyler dá uma risada seca. "Odeio meu nome."

 

"E por que isso?" dr. Paulson pergunta, escrevendo algo em seu caderno.

 

"É só mais um lembrete que ninguém é único de verdade." Tyler diz. "Ninguém é realmente especial."

 

Dr. Paulson deixa seu caderno na mesa, parecendo intrigado. "Poderia elaborar mais?" ele pede.

 

"Certamente." Tyler diz. "Sabe, tem alguém lá fora chamado Tyler Joseph. Talvez não agora, mas terá. Talvez até dois, dependendo o quanto eu viver." Ele para, mexendo no queixo. "E se existem realmente infinitos universos, existe um número infinito de Tyler Josephs, dizendo exatamente a mesma coisa que estou dizendo, pensando exatamente a mesma coisa que estou falando. Sim, existe um número infinito de mundos onde Tyler Joseph é um encanador que se traveste no seu tempo livre, e nunca considerou outros universos, mas isso também significa que também existem infinitos mundos que são réplicas exatas desse. E se isso for verdade, não razão para ninguém se sentir especial." Tyler fala pensativo. "Você pode argumentar, claro, que não há universos paralelos, mas mesmo assim, ainda vai existir alguém com seu nome em seu passado, presente, ou futuro. E eu li que todos nós temos doppelgängers nesse planeta, mesmo que os dois doppelgängers não vivam ao mesmo tempo." Tyler suspira. "Pra que ser único?"

 

Dr. Paulson o encara. "E é por isso que não gosta do seu nome?"

 

Tyler ri um pouco. "Uma versão mais longa do porque, sim."

 

"É com certeza interessante." Dr. Paulson diz. "Eu definitivamente vou pensar bastante sobre isso mais tarde."

 

"Legal." Tyler diz honestamente. "Acho que todos nós deveríamos pensar nisso pelo menos de vez em quando. Para encher a mente, sabe?"

..................................

"Mãe?" Tyler pergunta, entrando na cozinha.

 

"Tyler?" sua mãe responde, virando para ele com uma expressão levemente surpresa.

 

"Tenho uma coisa para te contar." Ele diz, cautelosamente pegando sua mão, guiando-a para sentar na mesa.

 

"O que?" ela pergunta.

 

"Eu..." estou apaixonado pelo garoto que você acha ser imaginário, o que eu faço? "...é." Tyler coça atrás do percoço. "Hm..."

 

"Sim?" sua mãe diz.

 

"O que tem pro jantar?" sai atropeladamente.

 

Sua mãe pisca surpresa. "Espaguete com almôndegas." Ela diz. "Por que? Você quer jantar com a gente?"

 

E por algum motivo desconhecido, Tyler concorda.

.................................

"Então, deixa eu ver se entendi." Josh começa, "Você tentou comer espaguete com uma colher, chamou seu irmão de 'esfregão de pó lavanda' quando ele tentou te passar a faca, escutou sua irmã falar sobre o torneio de basquete, caiu da cadeira quando seu irmão te chutou debaixo da mesa, assistiu seu pai beber cerveja sem álcool, escutou sua mãe falar sobre o torneiro de basquete da sua irmã, e se debulhou em lágrimas quando seu irmão que te chutou te perguntou porque você não vai à escola."

 

"Isso resume bem." Tyler diz, concordando.

 

Josh levanta sua sobrancelha pra ele. "E por que você foi ao jantar?"

 

"Eu... é..." Tyler passa a mão no cabelo. "Bom, eu ia perguntar algo pra minha mãe, mas, é... acabei perguntando o que tinha pra jantar."

 

Josh levanta ainda mais a sobrancelha. "O que você ia perguntar a ela?"

 

Tyler sente seu rosto corar mais ainda. "Nada." Ele diz rápido demais.

 

A sobrancelha de Josh se levanta tanto, que poderia sumir no começo de seu cabelo azul vibrante. Antes que Tyler percebesse, ele está se aproximando e abaixando a sobrancelha de Josh.

 

Eles se encaram por um momento, para logo depois caírem no riso.

 

Eles terminam com suas testas imprensadas uma na outra, com os dedos entrelaçados; e ambos ainda estão rindo quando Tyler olha para os lábios macios, dó maior de Josh. Seria tão fácil se apenas...

 

"Tyler?"

 

Tyler muda o foco, olhando novamente para os olhos mocha de Josh. Suas testas ainda imprensadas.

 

"Posso..." Antes que Tyler pudesse pensar, ele está indo oh-tão-suavemente em direção ao encontro de seus lábios. É breve, mas Tyler ainda pode sentir aqueles lábios perfeitos, dó maior indiferentes nos dele, quando ele se afasta.

 

"Uou." Josh diz, parecendo surpreso.

 

"Uou." Tyler diz, enquanto levanta. "Ai cara, me desculpa, Eu- eu vou..." Ele praticamente escorre da escada.

 

"Não, espera, Tyler..." Josh chama, mas Tyler não olha para trás.

..............................................

"Você parece desanimado hoje." A mãe de Tyler comenta, enquanto ele coloca leite na tijela de cereal.

 

Tyler dá de ombros. "Eu tô bem."

 

Ela franze a testa. "Você nem saiu hoje."

 

Tyler dá de ombros de novo. "Não tô afim."

 

"Você se importa se eu te acompanhar?" sua mãe pergunta, se referindo a cadeira a sua frente. Ele balança a cabeça. "Obrigada."

 

Eles permanecem em silêncio por um tempo.

 

"Eu não sabia que você gostava desse tipo de cereal." Sua mãe comenta.

 

"Hm?" Tyler diz, levantando a cabeça. "Ah, sim. É o favorito do..." Ele para no meio quando olha para os cereais marrons flutuando. "...Josh."

 

Antes que ele possa conter, Tyler de repente está se debulhando em lágrimas sobre sua tijela de Reese's Puffs.

 

"Tyler," sua mãe diz, soando preocupada. "Ei, o que houve?"

 

"Desculpa, desculpa." Tyler diz sobre pequenos soluços. "Eu... eu não sei, eu-" Um soluço o corta.

 

"Shh..." sua mãe diz, repentinamente se ajoelhando ao lado de sua cadeira, com a mão em seus ombros. "Ei, está tudo bem."

 

Tyler envolve os braços nela, afundando a cabeça em seu pescoço. Ele é abruptamente bombardeado por memória de quando ele se agarrava nela depois de um de seus pesadelos intermináveis quando menor.

 

Tyler dá uma pequena risadinha entre um soluço, imaginando se ele vai precisar voltar a abraçar sua mãe depois de pesadelos.

 

"Está tudo bem." A mãe de Tyler diz gentilmente, com mão em suas costas. "Querido, está tudo bem."

 

"Mãe?" Ele sussurra em seu pescoço.

 

"Sim, Tyler?" ela responde.

 

"Eu estou apaixonado pelo Josh." Ele diz, sua voz trêmula no "apaixonado".

 

"Ah." A mãe de Tyler o abraça ainda mais forte. "Ah, Tyler."

 

"E eu sei..." Tyler pausa para respirar fundo. "Eu sei que você pensa que ele não é real, e todo mundo tem tanta certeza sobre isso, que as vezes eu penso que ele possa não ser. E para onde isso me levaria?" Ele está começando a tremer agora. "Preso em um amor por um fantasma, é isso."

 

"Ah, querido." Sua mãe diz com gentileza. "Eu sinto muito."

 

A posição que eles se encontram não é muito confortável, e a mãe de Tyler os ajuda a levantar e seguirem para o sofá devagar. Tyler imediatamente se enrola, apoiando a cabeça novamente no ombro de sua mãe.

 

"Eu estraguei tudo." Tyler diz novamente. "Estraguei de verdade."

 

"Tyler," sua mãe diz com cuidado "você já considerou que isso possa ser uma coisa boa?"

 

"O que?" Tyler diz, parecendo confuso.

 

"Não é saudável depender- de alguém como você faz." Sua mãe diz gentilmente. "Talvez não seja melhor dar um tempo do Josh?"

 

"Um tempo?" Tyler diz, tão perplexo que parou de chorar.

 

"Um tempo, Tyler." Ela diz. "Por enquanto. Achar um novo hobby, ou algo parecido."

 

"O Josh não é um hobby, mãe." Tyler diz, indignado com sua sugestão. "Ele é uma pessoa. A pessoa com quem eu preciso fazer as pazes." Ele diz, se levantando rapidamente.

 

"Tyler, espera..."

 

Mas Tyler já está saindo pela porta de trás, correndo para dentro da floresta para achar Josh.

Tyler pode ouvir Josh cantarolando sem perceber ao se aproximar da casa na árvore. Ele sobe a escada cautelosamente, botando sua cabeça para dentro.

 

Josh está sentado lá, acendendo e apagando o isqueiro, como se em transe.

 

"Ei," Tyler diz, e Josh quase deixa o isqueiro cair pela surpresa.

 

"Oi," ele diz, colocando o isqueiro no bolso. "Entra."

 

Tyler sobe hesitante. "Então, eu queria pedir descul-"

 

Ele é interrompido quando Josh de repente vai em sua direção, e pressiona seus lábios dó maior nos dele.

 

O beijo dura mais que o último, e nessa vez ambos correspondem. A boca de Josh é quente e doce, e Tyler pode sentir seu próprio coração bater loucamente.

 

As mãos macias, azul-como-o-céu de Josh o alcançam. Uma enrola seu pescoço, a outra segura seu queixo. As mãos de Tyler hesitantemente o alcançam também, agarrando os ombros de Josh.

 

Eles finalmente se afastam, e Tyler abre os olhos devagar para encontrar os de Josh ainda fechados, parecendo absolutamente satisfeito.

 

Eles apenas permanecem sentados por um tempo, recuperando o fôlego.

 

"Por que você fugiu?" Josh pergunta, quebrando o silêncio.

 

"Por que você não me beijou de volta?" Tyler responde.

 

Há um outro momento de silêncio.

 

"Eu gosto de você." Josh diz de repente. Sua voz parecendo um pouco diferente. Como a chuva caindo. "Eu gosto muito de você."

 

"Eu gosto muito de você também." Tyler diz, e Josh sorri para ele, seus dentes como de um tigre rugindo aparecendo pelos lábios dó maior.

 

"Bom." Ele sussurra, e o beija de novo.

...............

"Ah" Tyler suspira na boca de Josh. "Josh."

 

"Está bom?" Josh murmura enquanto roda seus dedos. Tyler uiva.

 

"Como- como-" Tyler joga sua cabeça para trás, batendo no chão de madeira da casa na árvore. "Eu posso sentir- ahh..."

 

Josh engole seu gemido, pressionando os lábios dó maior perfeitos nos dele. Tyler geme novamente, levantando seu quadril.

 

"Josh," ele arfa.

 

"Tyler," Josh diz, quente e grave em sua garganta, mel e canção de pássaros; e escuro; e laranja doce.

 

Tyler é uma mistura de suspiros e gemidos, enquanto Josh move seus dedos gentilmente dentro dele. Ele consegue sentir o gosto de algo, como metal, mas não exatamente. Ele está tão desesperado por algo, mas não sabe o que.

 

"Por favor" Tyler geme, sem ao menos ter certeza do que ele está pedindo. Os dedos de Josh pressionam, e o gosto de não-metal é tão imenso, que escapa um soluço.

 

"Ei" Josh diz, parando. Ele segura o rosto de Tyler com suas mãos macias, azul-como-céu. "Tudo bem?"

 

"Aham." Tyler diz trêmulo. "Aham, eu tô bem."

 

Josh deposita gentilmente um beijo em sua testa. "Me avisa for demais, ok?"

 

"Ok." Tyler murmura. Ele se pressiona contra os dedos de Josh, e Josh sorri todo dó maior-doce. "Vamos." Tyler diz, sua garganta seca de repende, "Você pode- ah."

 

Josh volta a mover seus dedos devagar. Tyler não tem certeza do que ele está fazendo exatamente, mas é bom.

 

Ele pode sentir algo em suas veias, quente e desesperado, e vermelho-preto seda. Ele geme, apertando nos dedos de Josh.

 

"Tão bom." Tyler solta um grunhido. "Tão, tão... como- ah, metal não, mas quase. E seda, e- ahh..."

 

"Shh.." Josh diz suavemente. "Eu sei."

 

Josh tira os dedos devagar. Tyler franze a testa em reprovação com a perda.

 

"O que?" ele começa a perguntar, mas Josh de repente está mudando o quadril de Tyler, e pressionando algo quente e duro contra ele. "Ah."

 

"Ok?" Josh murmura, olhando para ele com seus grandes olhos mocha.

 

"Sim." Tyler diz, com certeza absoluta. "Sim."

 

Josh entra gentilmente, mordendo seu lábio dó maior com seus dentes de tigre rugindo.

 

Os olhos de Tyler viram enquanto ele é preenchido devagar. Arde, mas é como creme para café, como plumas de pássaro vermelhas. E está tudo bem.

 

"Ok?" Josh geme.

 

"Aham," Tyler confirma, fechando os olhos. O gosto de não-metal em sua boca crescendo novamente, e ele suspira enquanto Josh mexe seu quadril devagar. "Oh! Oh, ahh..."

 

Josh o beija de novo, e Tyler o beija de volta o máximo que pode.

 

"Tão, tão, ahh," Josh geme contra a boca de Tyler. "Você é tão, ah, ah..." Tyler o beija, engolindo seus gemidos.

 

Josh está começando a mover seu quadril em movimentos devagares e constantes, e Tyler percebe estar movendo seus próprios quadris em encontro. Josh está atingindo algo dentro de Tyler todas as vezes, e Tyler não consegue controlar seus gemidos baixos e constantes.

 

"Me diz", Josh diz em um grunhido. "Me diz se for demais."

 

"Está." Tyler murmura. "Continue."

 

Josh ri suavemente, surpreso, mas obedece.

 

Tyler passa as mãos pelo cabelo macio, azul de Josh, puxando gentilmente. Josh geme, com os dedos segurando os ombros de Tyler, e Tyler enrola suas pernas na cintura de Josh. Seus quadris mexendo, e geme quando Josh começa a atingir aquele lugar dentro dele com mais força.

 

"Vamos," Josh geme no ouvido de Tyler. "Posso... ?"

 

Tyler nem sabe o que Josh está pedindo, mas pressiona o quadril ainda mais contra o de Josh, apertando, e com um uivo, os movimentos de Josh perdem o ritmo, e retomam.

 

"...você está bem?" Tyler pergunta.

 

Josh está muito ofegante, quando ele alcança e envolve sua mão no- wow.

 

"Eu estou ótimo." Ele diz, começando a mover sua mão.

 

"Ahh.." é a resposta de Tyler.

 

Ele alcança, envolvendo seus braços nas costas de Josh, agarrando-o desesperadamente. O gosto de não-metal é mais intenso que nunca, e ele afunda seus dentes na clavícula de Josh com um grunhido.

 

"Meu deus," ele suspira "Meu deus."

 

Tyler sente a seda em suas veias, o gosto de não-metal em sua boca, e ele começa a ouvir um murmuro, um sol sustenido perfeito.

 

Ele geme, alto em sua garganta, e Josh o beija no queixo, indo para o pescoço.

 

"Vamos," Josh murmura. "Quase lá."

 

Tyler nem sabe sobre o que Josh está falando, onde ele está perto de estar, mas ele está misturado e sobrecarregado demais para perguntar.

 

Josh gira sua mão, esfregando seu dedão sobre a parte de cima, e o gosto não-metal de repente se torna tão intenso, tão intenso, que ele soluça com força contra a pele de Josh.

 

"Está tudo bem." Josh geme. "Só deixe ir. Deixe."

 

Tyler deixa ir.

 

Ele está caindo, afundando, e ele pode se sentir tremendo. O não-metal de sua boca finalmente sai como um gemido mais alto do que ele imaginava que poderia fazer. Ele solta seus braços, um deles batendo a parede de madeira, e ele sente todos seus músculos contraírem e descontraírem.

 

O sol sustenido fica mais e mais alto, até que ele finalmente grita, gemendo. Josh está murmurando suavemente, palavras doce-nuvem enquando Tyler finalmente se acalma.

 

"Ah.." Tyler diz, assim que se recompõe.

 

"Oi," Josh diz contra o pescoço de Tyler.

 

"Oi," Tyler diz, ouvindo ainda um zumbido. "Isso foi- isso foi..." Pela primeira vez, algo que Tyler não pode descrever.

 

"É." Josh diz, beijando ele puramente. "Eu sei."

 

"Eu sei," Tyler diz, para imediatamente depois desejar que pudesse colocar as palavras de volta a sua boca, porque os olhos mocha de Josh se tornam sombrios.

 

"O que..." Josh diz suavemente, os lábios dó maior mostrando seus dentes de tigre-rugindo. "...você disse?"

 

"Desculpa, Josh." Tyler diz imediatamente.

 

Josh exala de um jeito que Tyler só poderia descrever como vermelho-verde-laranja, como um riacho sobre um conjunto de diamantes pontiagudos. Perfeitamente perigoso.

 

"Me desculpa." Tyler repete.

 

"Você não-" Josh respira fundo. "Você não consegue entender, ok?"

 

"Eu..."

 

"Você não tem ideia de como é," Josh rosna, "se sentir aterrorizado de ir para casa. Não tem ideia de como é ter medo de seus próprios pais." Ele levanta, tentando andar de um lado para o outro no espaço apertado da casa da árvore. "Você não tem ideia de como é ter que se esconder sempre que seu pai fica bêbado demais e destrói tudo que vê pela frente, e sua mãe está drogada demais para se importar. Você não tem ideia do que é usar seu corpo para proteger suas irmãs, seu irmão mais novo. Você não sabe o medo que corre seu corpo quando seu pai tira o cinto porque ele está puto e precisa de algo para descontar. Você não tem ideia do que é ser chicoteado o mais forte possível que um homem velho bêbado de licor barato pode bater. E deixa eu te contar uma coisa, Tyler." Ele para de andar e olha Tyler nos olhos. "Isso. Dói."

 

Tyler engole com força. "Eu- Eu sinto muito-"

 

"Sente muito, sente muito." Josh desdenha. "Todo mundo sente muito."

 

Ele volta a andar de um lado para o outro. "Tudo é azul-preto." Ele repete. Ele para, franzindo a testa. "Para mim." Ele termina.

..................................................

"O que há de errado, Tyler?" a mãe de Tyler pergunta.

 

"Ahn?" Tyler diz, olhando para cima.

 

"Você está sentado aí o dia inteiro." Ela diz, sentando ao seu lado no sofá. "Aconteceu algo de errado?"

 

"Bem," Tyler diz. Ele tenta se controlar, mas as palavras saem de repente. "Eu e o Josh transamos, ok? E desde então ele tem estado muito temperamental, e eu não sei o que fazer. E ontem nós brigamos porque eu concordei com ele quando ele disse que tudo é azul-preto, e ele ficou com raiva porque eu não sei como é. E ele tem razão, eu não sou como é tudo ser azul-preto. Mas ele continuou gritando, e gritando, e mãe, ele sofre tanto em casa e eu quero ajudá-lo, mas eu não consigo e isso dói."

 

"Você- você fez sexo com o Josh?"

 

Tyler olha pra cima e vê o rosto de sua mãe completamente pálido.

 

"Sim..." ele diz devagar. "Foi o que eu disse, certo?"

 

"Tyler," sua mãe diz como urgência, apertando sua mão tão forte a ponto de doer. "Doeu?"

 

Tyler sente seu rosto mudar para uma expressão vagamente de choque e de desgosto. "O quê?"

 

"Quando você fez sexo com o Josh, doeu?" Sua mãe diz. "Ele te machucou?"

 

Tyler franze a testa. "Bom... um pouco. Mas eu não senti mais depois." Ele pensa mais sobre a situação. "Doeu para sentar no dia seguinte." Ele diz com sinceridade.

 

Sua mãe parece horrorizada. "Ah, Tyler." Ela sussurra, o abraçando. "Eu sinto muito."

 

"O quê?" Tyler diz, confuso. Por quê ela sente muito? Sexo não é algo bom? Pareceu bom.

 

"Está tudo bem." A mãe de Tyler diz, o balançando gentilmente. "Está tudo bem. Você está seguro aqui."

 

Tyler permanece sentado lá, absolutamente perplexo. Ele não devia de ter gostado?

 

Sua mãe passa a mão por seu cabelo. "Você está bem. Ninguém vai te machucar. Não mais."

A mãe de Tyler não o tirou de vista, desde que ele a contou que transou com Josh.

 

Ele espera que Josh entenda porque ele não saiu para conversar ainda.

 

Sua mãe saiu de seu lado apenas para fazer ligações e falar com seu pai.

 

"Eu vou dar um oi para seus irmãos, ok?" Sua mãe diz, quando eles escutam a porta da garagem abrir. "Eu já volto."

 

Tyler balança a cabeça devagar.

 

Ele consegue ouvir sua mãe cumprimentando seu irmão e sua irmã, quando tem uma batida na janela da sala. Ele olha para fora e vê Josh parado lá, acenando cautelosamente.

 

Tyler corre para a janela, abrindo-a.

 

"Oi." Ele diz com cuidado.

 

"Vem." Josh diz, apontando para a floresta atrás deles.

 

Tyler morde o lábio. "Minha mãe vai surtar se ela voltar e eu não estiver aqui." Ele diz.

 

Josh suspira. "Por favor?" ele diz. "Me desculpa, Tyler. Eu não queria gritar. Por favor. Desculpa."

 

Tyler suspira, olhando para fora. "Tá bom." Ele murmura, subindo para fora da janela.

 

"Oi," Josh diz suavemente, pegando sua mão com cuidado. "A gente pode conversar?"

 

"Ok." Tyler diz, e eles andam, de mãos dadas, dentro da floresta.

 

"Desculpa por ter estourado com você daquele jeito." Josh se desculpa quando eles estão seguros escondidos atrás das árvores.

 

"Sinto muito por dizer que eu entendia." Tyler diz. "Eu não entendo. Eu não sei o que eu estava pensando."

 

Josh sorri, com os lábios dó maior um pouco tristes. "Todo mundo sente muito." Ele sussurra, e Tyler se aproxima e o beija.

 

Os olhos de Josh estão fechados quando eles se separam, e ele parece calmo.

 

"Cante." Ele diz, com os olhos ainda fechados.

 

"O que?" Tyler diz, confuso.

 

"Cante." Josh repete.

 

"O que você quer que eu cante?" Tyler diz, desconcertado.

 

Josh dá de ombros, "Alguma coisa que todo mundo conheça."

 

"Hm..." Tyler para. Por algum motivo, a única coisa que ele consegue pensar é "Brilha, brilha, estrelinha."

 

Josh finalmente abre os olhos quando Tyler termina. "Obrigado." Ele diz.

 

"De nada." Tyler diz.

 

Eles andam mais a fundo na floresta, com as mãos ainda juntas.

 

"Você já percebeu," Josh começa, olhando para cima e olhando para o céu que estava escurecendo. "...que quando você aperta seus olhos juntos, tudo muda?"

 

"Aham," Tyler diz. "mas não drasticamente. Só o suficiente para ser angustiante."

 

"Aham." Josh estala os dedos. "Como aquele- aquele cara. Dos rostos cobertos. Com o nome Vermelho-agosto-L."

 

"Hm..." Tyler diz, pensando. "É... René Magritte?"

 

"Sim, ele." Josh diz. "Nada é exatamente como deveria ser."

 

Tyler concorda devagar, piscando e olhando para a floresta. Tudo tem uma escuridão ligeiramente sombria. Ligeiramente. Ele sente um arrepio, olhando novamente para Josh, que- que não é exatamente como ele deveria parecer.

 

"Você não é exatemente o que você deveria ser." Tyler diz sem pensar.

 

Josh parece sério, e Tyler acha que ele vai gritar novamente, mas Josh apenas aperta a mão de Tyler.

 

"Não tem problema." Ele sussurra. "Desde que você lembre de mim."

 

Tyler aperta de volta.

 

Eles andam bastante em silêncio, todo verde-laranja. Tyler consegue sentir o gosto.

 

"E se isso não for real?"

 

Josh franze a testa. "De que jeito?"

 

"De um jeito que tudo esteja na minha cabeça." Tyler explica.

 

"Bem, é claro que tudo está na sua cabeça." Josh diz, gesticulando. "Mas isso não que dizer que não seja real."

 

Tyler suspira. "Sim, mas e se isso tudo-" Ele aponta para em volta deles. "estiver apenas na minha cabeça?"

 

Josh dá de ombros. "Então iria continuar sendo real, não iria? Se você consegue ver, você consegue sentir, por que não seria real?"

 

"Eu- eu não sei." Tyler diz, franzindo a testa. "Talvez porque não é real para mais ninguém."

 

"E dai?"

 

"E aí, que talvez você não seja real."

 

Josh congela, olhando para Tyler. "O que?"

 

Josh está balançando a cabeça. "Não, não diga isso."

 

"Todo mundo me diz que você não é," Tyler diz, "Meu terapeuta, meu psicólogo, meus pais-"

 

"Não escute eles." Josh diz com firmeza, encarando os olhos de Tyler. "Não escute. Você pode me ver, certo? Me ouvir?" Ele aperta a mão de Tyler. "Me sentir?"

 

"Alucinações?" Tyler sugere.

 

"Uma que te beija?" Josh pergunta.

 

Tyler larga a mão de Josh para por as suas em sua cabeça.

 

"Tyler, eu sou real." Josh diz rapidamente. "Você está me ouvindo?"

 

"Me deixe pensar!" Tyler grita de volta.

 

"Eu disse para você lembrar de mim!" Josh rosna. "Você pensou nisso sozinho? Eu sou mesmo só sua imaginação?"

 

"Cala a boca!" Tyler grita, com as mãos tampando os ouvidos. "Cala a boca, cala a boca, cala a boca!"

 

"Me escuta!"

 

"Você não é real!"

 

"Eu sou sim!"

 

"Você não é real!"

 

"Eu sou! Tyler, escuta-"

 

"Não é real, não é real, não é real-"

 

Então Josh lhe dá um tapa no rosto.

 

Ambos congelam.

 

"Você- você realmente-"

 

"Tyler," Josh arfa. "Tyler, me desculpa, eu não quis-"

 

"Sai de perto de mim."

 

"Ah, Tyler, me-"

 

"Me deixa em paz!" Tyler grita. "Saia de perto de mim!"

 

"Tyler, por favor, me desculpa!"

 

"Fique longe!" ele grita, correndo para casa.

 

"Tyler!"

 

Tyler grita, lágrimas correndo pelo seu rosto. Ele corre até a luz de sua casa, bate na porta, e seu irmão abre.

 

"Tyler! A mamãe esteve tão-"

 

Tyler passa por ele, soluçando enquanto entra em seu quarto. Ele se joga em sua cama, não se importando em trancar a porta.

 

Ele vai para debaixo dos cobertores, se enrola, e dorme.

.......................................

Tyler acorda com sua mãe deitada na cama ao seu lado, fazendo carinho em suas costas.

 

"Ei." Ela diz suavemente enquanto ele senta, coçando os olhos.

 

"Oi." Ele diz, sentindo-se vazio.

 

"Quer falar sobre isso?" sua mãe pergunta gentilmente.

 

Tyler começa a sacudir a cabeça, mas diz, "Josh bateu em mim."

 

Os olhos de sua mãe ficam arregalados. "Ele o quê?"

 

"Foi minha culpa." Tyler diz, passando mão pelo cabelo. "Eu continuei gritando que não era real, que ele não era real, e ele estava chorando, mas eu não parei e ele me bateu."

 

Sua mãe o encara, parecendo horrorizada.

 

"Ele bateu em você." Ela diz devagar.

 

Tyler coça os olhos, concordando. Ele é de repente abraçado com força.

 

"Mãe?" Ele diz incerto enquanto sente ela tremer como se estivesse chorando.

 

"Tyler," ela diz suavemente. "Ah, Tyler. Eu sinto muito."

 

"Por que... porque você está... ?" Tyler começa, mas não termina, hesitantemente com as mãos nas costas dela.

 

"Meu menino," ela sussurra, o abraçando ao ponto que era difícil de respirar.

 

"Mãe?"

 

Tyler olha para cima e vê seu irmão mais novo espiando o quarto.

 

"Hm, eu não queria atrapalhar, mas o papai está no telefone." Seu irmão diz, segurando o telefone.

 

Relutantemente, a mãe de Tyler o solta e pega o telefone. Parecendo mais aliviado, seu irmão sai imediatamente.

 

"Chris?" sua mãe diz, segurando o telefone na orelha. Ela escuta por um tempo. "Não, ele acabou de acordar." Ela para novamente. "Sim, eu fiz- não, te conto mais tarde." Outra pausa. "Aham, ele está. Te vejo daqui a pouco." Ela desliga, deixando o telefone na cômoda de Tyler.

 

A mãe de Tyler senta novamente ao seu lado.

 

"Você está com fome?"

 

Tyler balança a cabeça. "Que horas são?"

 

Sua mãe olha o seu relógio. "3:50"

 

"Da tarde, ou-"

 

"Da manhã." Ela diz.

 

Tyler franze a testa. "O que o papai está fazendo fora? O que meu irmão está fazendo acordado?"

 

"Seu pai saiu para pegar umas coisas." Sua mãe diz. "E todos seus irmãos não conseguiram dormir."

 

"É minha culpa, com certeza." Tyler diz, soando perfeitamente indiferente.

 

Sua mãe aperta sua mão. "É minha culpa, se for de alguém." Ela admite. "Eu ando um pouco caótica."

 

"Ah." Tyler diz, sem ter certeza do que mais falar.

 

"Vamos ver o Dr. Paulson mais tarde, ok?" ela diz.

 

"Por que?"

 

"Todos nós precisamos conversar juntos." Ela diz.

 

"Sobre o que?"

 

Ela dá de ombros. "Sobre tudo que tem acontecido."

 

Tyler suspira. "O sexo." Ele diz, e sua mãe hesita.

 

"Sim, Tyler." Ela diz. "Isso faz parte."

 

Tyler concorda devagar, deitando novamente. Ele enterra sua cabeça no travesseiro, e finge que Josh nunca bateu nele.

...............

"Eu não entendo porque estamos dando tanta importância para isso." Tyler diz.

 

"Por que você acha que não deveríamos?" Dr. Paulson diz.

 

Tyler dá de ombros. "É só sexo." Ele diz. "Muitos jovens fazem isso."

 

"A maioria dos jovens fazem porque eles gostam." A mãe de Tyler diz gentilmente.

 

"Mas eu gostei, mãe." Tyler diz, franzindo a testa. "Eu gostei."

 

Sua mãe o encara. "Você- você gostou?"

 

"Gostei." Ele diz. "Por quê? Eu não deveria?"

 

"Bem, não, eu- eu quis dizer..."

 

"O quê?" Tyler exige.

 

"Nós não esperávamos que você fosse um dia gostar de sexo." Dr. Paulson diz. "Não depois do que aconteceu com o Dr. Craig."

 

Tyler congela.

 

"Mas o Dr. Craig..." ele para, engolindo o seco. "Ele só- ele só me batia. Certo?"

 

"Ah, Deus." Sua mãe diz, levando a cabeça as mãos. "Ah, Tyler."

 

"Mamãe?" Tyler diz suavemente. Com muito, muito medo de repente.

 

Sua mãe balança a cabeça, apoiando seu rosto no ombro do pai de Tyler.

 

"Tyler, Dr. Craig-" Ele para, respirando fundo. "Dr. Craig..." Ele balança a cabeça, olhando para Dr. Paulson.

 

"Tyler," Dr Paulson diz, sua expressão normalmente calma parecendo agora preocupada. "Dr. Craig batia em você, sim. Mas, ah..." Ele passa a mão pelo seu cabelo ralo. "Ele também te machucava. Sexualmente."

 

Tyler se ajeita.

 

"Ele me- ele me estuprava." Ele diz monotamente.

 

"Te molestava, sim." Dr. Paulson diz suavemente, com os olhos cheios de tristeza.

 

"E eu não lembrava?" Tyler pergunta.

 

"Foi uma trauma muito grande para uma criança tão nova, Tyler." Dr. Paulson diz. "Não é estranho que você tenha reprimido essas memórias."

 

"Mas ninguém nunca me contou?" Tyler questiona.

 

"Nós não vimos necessidade em te magoar." Dr. Paulson explica. "Isso só iria te machucar."

 

"Nós sentimos tanto, Tyler." Sua mãe interrompe com lágrimas. "Tanto."

 

"E é aí que Josh entra." Dr. Paulson diz. "Você começou a falar sobre ele não muito depois que Dr. Craig se tornou seu terapeuta.

 

"E?" Tyler pergunta.

 

"Tyler," Dr. Paulson diz suavemente. "Josh é um mecanismo de enfrentamento. Ele não é real."

 

"Não." Tyler tenta dizer, mas as coisas estão começando a fazer sentido. "Ah. Ah não."

 

"Sinto muito." Dr. Paulson diz, parecendo sincero.

 

"Mas... mas nós..." Nos beijamos. Nos tocamos. Fizemos amor. Era real.

 

Era mesmo?

 

Tyler apoia a cabeça nas mãos. Ninguém nunca viu Josh. Ninguém pode provar que ele existe.

 

Merda. Tyler nem sabe o sobrenome de Josh.

 

Ah, meu Deus.

 

"Tyler" sua mãe diz. "Você quer algo? Você precisa de algo?"

 

Tyler balança a cabeça devagar, arranhando o joelho com as unhas.

 

"Não, não." Ele diz, fechando seus olhos com força. "Não."

 

"Tyler." Alguém diz. Ele não sabe quem é, porque tudo está começando a desfocar em seus ouvidos.

 

"A comida está envenenada." Ele sussurra antes de apagar.

............................................

Tyler acorda em seu quarto, sua mãe dormindo na cadeira ao lado de sua cama, segurando sua mão de um jeito quase doloroso.

Ele olha para fora da janela, para o sol, e aperta os olhos.

"Lembre de mim." Ele sussurra.

Sua mãe se mexe ao seu lado, abrindo os olhos.

"Oi, querido." Ela murmura.

"Oi." Ele diz, ainda olhando para a janela.

"Como você se sente?" sua mãe pergunta.

"Cansado." Ele diz. "Eu posso, é... beber um pouco de água?"

"Claro." Ela diz. "Eu já volto. Não saia daí, ok?"

"Ok." Ele diz, ainda olhando para o sol.

"Ei. Olhe para mim."

Tyler relutantemente muda o foco, olhando para sua mãe.

"Não vá a lugar algum." Ela ordena.

"Ok." Ele repete, e ela o abraça antes de ir.

Assim que ela fecha a porta, Tyler está abrindo a janela e escalando para fora, como Josh sempre fazia. Ele corre para dentro da floresta, sua pele muito apertada para seu corpo de repente.

Sujo. Sujo sujo sujo. O tipo de sujeira que Tyler pode sentir em sua alma, onde ele não pode esfregar violentamente com sabão.

Seus pés estão molhados com água azul-preta, e ele olha em volta e vê tudo se tornando azul-preto. Ele quer gritar por Josh, para dizê-lo que ele entende agora. Ele entende, mas Josh se foi e ele nunca irá voltar e Tyler sente como se seus pulmões fossem explodir.

"Me desculpa!" Ele grita. "Agora eu entendo! Eu juro!"

Mas tudo está ficando cada vez mais azul e cada vez mais preto, e Tyler pode sentir o frio em seus ossos. Está penetrando em seus olhos, e ele os fecha o máximo que pode, mas continua vazando para dentro. Ele sente arrepios, ele está tremendo, e ele está tão, tão sujo.

Tyler começa a perceber aos poucos que ele está suplicando para Josh volta, voltar para ele, mas Josh nunca voltará, porque ele não é real. E Tyler é a porra de um idiota louco, abandonado com a porra da sua mente louca, e ele é tão tão sujo. Ele é arqueroso, e ele nunca vai ser amado.

"Por favor!" ele grita agressivamente, como se as palavras estivessem sendo rejeitadas para fora dele. "Ah, por favor!"

As palavras ecoam pela floresta, pulando de árvore em árvore, e Tyler pode sentir a palavra afundar dentro dele, revestindo seus ossos, fazendo-os vibrarem. "Porfavorporfavorporfavor."

"Onde você está?!" Ele grita. "Eu preciso de você! Eu preciso de você pra caralho, ah, por favor!"

Suas mãos estão em sua cabeça, puxando seu cabelo, arranhando sua pele. Suas unhas estão rasgando a pele macia de seu rosto, e ele acha que essa dor é a mais real que ele já sentiu. Ele arranha desesperadamente seus rosto, seu pescoço, seus braços. Dói, dói muito, e ele está soluçando, mas ele está rindo, porque não é a melhor coisa do mundo?

"Eu sou real!" Tyler grita. Ele aponta para o céu, acusando. "Eu sou real! Porque você não é?!" Ele cai no chão gelado. "Por que- você- não- é- real?!" Ele demanda, batendo sua cabeça no chão a cada palavra.

Tyler se silencia de repente quando ele percebe que está caído na frente da casa da árvore. A casa na árvore deles. Ele fecha os olhos e deixa as memórias passarem em sua frente. Beijando, tocando, sussurrando canções de dormir que nem eram reais.

Nunca foi real.

Com um choro estrangulado de agonia, Tyler se levanta do chão. Ele escala a árvore e entra na casa.

Está escuro, silencioso. O ar é pesado, e Tyler não diz nada. Ele senta, e vê as lágrimas caírem no A-T-E-R-R-O-R-I-Z-A-D-O arranhado no chão de madeira.

O isqueiro de Josh está caído no lado do sapato de Tyler, e ele o pega devagar, acendendo-o. A chama brilha na escuridão, e Tyler se vê acendendo a chama na parede.

Ele segura lá, assistindo a madeira crescer escura enquanto queima. Por um tempo, nada acontece, mas Tyler de repente vê a madeira pegar fogo. Ele apaga o isqueiro e assiste, paralisado, a chama crescer e crescer, subindo para o teto.

Tyler deita para cima e assiste enquanto o fogo engole o telhado devagar. A casa da árvore começa a ser preenchida por fumaça.

Algo dentro dele está o puxando, insistindo que ele precisa sair, sair antes que ele se sufoque ou queime. Ele ignora. Ele não liga mais.

Tyler dorme antes que tudo a sua volta queime.

Ele não liga.

-

"Como você se sente?"

A-T-E-R-R-O-R-I-Z-A-D-O

-

O funeral foi uma cerimônia silenciosa e pequena.

A mãe chorando suavemente, o pai intencionalmente em silêncio, e os irmãos estão cuidadosamente de luto pelo irmão que eles nunca realmente conheceram.

O médico também está lá, passando mão pela marca em seu dedo esquerdo, e inspirando e expirando.

O padre conduzindo a cerimônia pergunta de alguém gostaria de dizer algumas palavras.

Um garoto com cabelo azul vibrante e olhos mocha (e lábios dó maior e mãos azul-como-o-céu e dentes como de tigres rudindo) levanta.

 

 

 


Notas Finais


e aí? todo mundo vivo? acho que não jfdkjdsf


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