História Forever. - Capítulo 16


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Categorias David Luiz
Personagens David Luiz, Personagens Originais
Tags David Luiz, Fanfic, London, Londres, Personagens Originais, Psg, Romance, Tragedia
Exibições 43
Palavras 5.271
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção, Romance e Novela
Avisos: Heterossexualidade
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


QUEM É VIVO SEMPRE APARECE, NÃO É MESMO?

I'm back!!!
Primeiramente, FORA TEMER, segundo: mil desculpas pelo sumiço, mas tá tenso a rotina da faculdade.
Aí vão algumas observações para esse novo capítulo:

1. A primeira parte do capítulo mostra o ponto de vista da Rose, ao ver sua melhor amiga na beira da morte.
2. Não teremos ponto de vista focado no David, pois o foco principal do capítulo é a recuperação de Lizzie.

Boa leitura! ♥

Capítulo 16 - Uma nova chance.


Fanfic / Fanfiction Forever. - Capítulo 16 - Uma nova chance.

 

O amor não prende, liberta! Ame porque isso faz bem a você, não por esperar algo em troca. Criar expectativas demais pode gerar decepções. Quem ama de verdade, sem apego, sem cobranças, conquista o carinho verdadeiro das pessoas.” 

Chico Xavier.

 

*

(Rose’s point of view)

 

— Onde está minha filha? Eu só preciso dessa informação, moça…

Acordei ouvindo a voz familiar e desesperada de tia Margareth. Me levantei correndo do banco no qual acabei adormecendo e respirei fundo antes de dar o primeiro passo em direção a ela e tio Adrian.

— Tia Marga? - perguntei enquanto me aproximava.

— Ah, Rose, querida. Então, onde ela está?

— Ela está bem? - Tio Adrian perguntou antes que eu respondesse à pergunta de tia Marga.

— Como foi que isso aconteceu?

— Por que não nos deu todas as informações ao telefone? - Tio Adrian disparou e eu senti minha cabeça girar com tantas perguntas.

— Olha, eu sei que é difícil para vocês mas por favor, tentem manter a calma. Eu preciso conversar com vocês…

— Conversar? - o tom na voz de tia Marga parecia realmente preocupado.

— Sim, conversar, explicar o estado de saúde da Lizzie…

— Você já conversou com o médico? - Tio Adrian perguntou.

— Sim, já conversei e preciso passar para vocês dois todas as informações que me foram passadas. Mas, que tal irmos para um lugar mais reservado? - perguntei, forçando um sorriso.

O casal se entreolhou e depois de alguns segundos, tia Margareth respondeu:

— Está certo.

Indiquei o caminho, mostrando uma escada que nos levaria para o andar subterrâneo do hospital, onde tinha uma lanchonete. Seria um bom lugar para conversarmos a sós, pois estava vazio, já que era madrugada. Fui seguida pelos dois até a lanchonete, e lá chegando, escolhi uma mesa afastada do balcão, pois não queria interrupções.

Eu sei que precisava contar tudo o que estava acontecendo, que eles tinham o direito de saber o real estado da filha, mas eu não conseguia pensar em uma forma de contar que a única filha do casal estava correndo risco de sofrer graves sequelas. Isso, se sobrevivesse, é claro.

O olhar de tia Margareth era desesperador. Só de olhar para sua face eu já conseguia sentir a dor que ela estava sentindo naquele exato momento.

Ela se sentou de frente para mim, e tio Adrian à direita dela. Senti as mãos geladas e trêmulas de tia Margareth agarrarem às minhas antes de movimentar seus lábios:

— Por favor, não nos esconda nada.

Respirei fundo. Olhei para o teto, esperando que um milagre acontecesse, que eu abrisse os olhos e tudo isso fosse apenas um pesadelo ou até mesmo uma intervenção divina. Quando percebi que tudo isso era a realidade e tínhamos que ser fortes para encará-la e vencê-la, eu comecei:

— Nunca passou pela minha cabeça esconder algo de vocês. Vocês dois são a família dela, e de certa forma, a minha também. Eu não conseguiria conviver com o fato de esconder algo tão terrível de vocês, mas confesso que pensei em mil formas de fugir desse momento, para não ter que ser eu a contar para vocês sobre o estado de saúde da nossa Lizzie, principalmente pelos meus conhecimentos na enfermagem e…

Fui interrompida pela voz de tio Adrian, quase imperceptível:

— Por favor, fale logo!

— Está certo… Não mentirei para vocês, a situação da Lizzie é complicada.

Senti as mãos de tia Margareth, que ainda estavam envolvendo as minhas, ficarem mais frias e trêmulas.

— Ela está no quarto ou…? - Perguntou tio Adrian, sem coragem de concluir a pergunta.

— Não, tio. Ela está na UTI.

Tio Adrian, que até então estava mantendo sua pose de “homem da família” para dar forças para tia Margareth, não aguentou e se desmanchou em lágrimas.

Dei um longo suspiro antes de continuar:

— Ela teve uma ruptura no baço seguida de uma hemorragia interna, que os médicos já estão tentando controlar. O médico não disse nada sobre, mas baseado na minha experiência como enfermeira, se não conseguirem controlar essa hemorragia, é provável que ela tenha que passar por uma cirurgia de emergência para controlar o fluxo sanguíneo.

— Ah Deus, tenha misericórdia da minha menina… - Tia Margareth choramingava, olhando para o teto, como se estivesse realmente falando com os céus.

— Mas não foi só isso…

— Não? - O casal perguntou em uma só voz.

— Bem… ela também fraturou 3 costelas e… bom…

— Rose… ande, fale logo! - Tio Adrian estava quase gritando.

— Ela teve uma fratura na cervical e os médicos ainda não podem determinar se a fratura lesionou ou não a medula espinhal.

— O que isso significa, exatamente? - Tia Margareth perguntou, os olhos já estavam arregalados.

— Isso significa que, até que ela saia do coma induzido, não saberemos se ela terá sequelas…

— Sequelas? Que tipo de sequelas? - Tia Adrian perguntou.

— Por favor, não me diga que… - as mãos trêmulas de tia Margareth estavam se soltando das minhas.

— Sim, existe um risco de que Lizzie fique paralítica.

Os dois não conseguiram falar nada, apenas se abraçaram e se entregaram à dor daquele momento. Não aguentei ficar ali por muito tempo e me levantei, subi correndo as escadas para voltar pra recepção do hospital e chorar sozinha. Não conseguia ser forte nem por mim mesma, agora teria que ser forte por eles dois.

“Ou talvez, por três…” pensei, assim que reconheci a voz desesperada de Isaac, que estava debruçado na recepção, implorando para que a recepcionista informasse o leito de Lizzie.

— Por favor, senhor, já lhe disse que não posso liberar essa informação até que o médico autorize.

— Isaac? - chamei pelo nome dele, me aproximando.

— Ah, Rose! Graças a Deus! Como ela está? Você não me retornou então eu deduzi que o pior tinha acontecido…

— Você não está nada bem, céus, Isaac! - Eu disse, colocando minhas mãos em seu rosto e observando seu olho inchado de tanto chorar.

— Foi tudo minha culpa! - ele disse, me abraçando e debruçando seu rosto em meu ombro.

— Ei, claro que não foi. Vamos sair daqui, vamos conversar em um lugar mais calmo, certo? - disse e imediatamente segurei a mão dele e o conduzi até a parte de fora do hospital.

— Se eu não tivesse a convidado pro jogo, nada disso aconteceria. Foi tudo minha culpa, Rose. - ele disse, assim que chegamos na parte externa do hospital.

— Olha a besteira que você está falando, Isaac! Pelo amor de Deus! Você por acaso estava dirigindo a droga do carro que atropelou a Lizzie?

— Não…

— Então não foi sua culpa. Entenda isso!

— É só que… é só que… eu não consigo imaginar a hipótese de perdê-la.

— Você realmente gosta dela, não gosta? - perguntei, sentindo um sorriso verdadeiro brotar em meus lábios.

— Até demais, Rose. Até demais…

— Você não irá perdê-la, Isaac!

— Então por quê eu sinto que mais cedo ou mais tarde ela escapará de mim?

— Porque você não confia em si mesmo, porque você é um homem de pouca fé.

— Ou talvez porque eu seja o único realista por aqui…

— Você tá querendo insinuar o quê? Que eu sou uma sonhadora por acreditar que minha amiga vai reagir? Que ela vai sair dessa e um dia estaremos juntas em nosso apartamento rindo de toda essa confusão? Eu tenho fé, Isaac. E é isso que me faz evoluir. E é pela falta de fé em seu coração, que você sempre viverá com esse tormento dentro de si, que vai te fazer achar que sempre perderá as pessoas.

— Eu não consigo, Rose… Não consigo.

— Mas precisa conseguir. Precisa acreditar nela. Tenha fé, homem! Eu conheço bem demais a Lizzie pra acreditar que ela deixará que a vida dela escape de suas mãos dessa maneira. Ela é turrona, tinhosa demais para isso. Ela vai voltar para todos nós, está me ouvindo? - disse, enquanto segurava os dois braços de Isaac, balançando, em uma tentativa de fazê-lo acreditar que tudo ficará bem.

— O que te faz ter tanta certeza?

— Eu já te disse mil vezes, a fé. A fé é a asa que um ser humano precisa para voar. Olha, eu estou com tanto medo de perdê-la quanto você. Não consigo imaginar um mundo sem Lizzie. Mas a diferença entre nós dois é que eu procuro pensar positivo, ser otimista quanto ao futuro, já você não consegue ver nada além do que está a sua frente.

— Eu só a quero de volta, Rose… Só isso.

— E você a terá. Tudo ficará bem, você vai ver…

— Ah, aí está você… Rose, precisamos entrar, o médico quer conversar conosco… Olá, Isaac! - fomos interrompidos por tio Adrian.

— Claro, claro, já estamos indo. Vá na nossa frente e assegure-se que tia Marga esteja bem e calma para receber as notícias.

— Está certo. - disse, antes de entrar novamente no hospital.

— Escuta, Isaac, vamos entrar naquele hospital mais fortes e confiantes na recuperação de Lizzie do que nunca, está certo?

— Vou tentar…

— Você precisa conseguir. Não por mim, nem por você, mas por ela.

Ele não me respondeu, apenas olhou para baixo, respirou fundo, limpou as lágrimas de seus olhos e andou em direção à entrada do hospital.

Eu o segui até a recepção, onde ele parou e ficou esperando por mim, para que eu o guiasse até o médico.

Ao entrar no corredor dos leitos da UTI, me deparei com tio Adrian segurando tia Margareth, enquanto a mesma só conseguia chorar. Meu coração disparou, tentei evitar pensar no pior, mas foi inevitável. Não consegui nem mesmo olhar para Isaac, apenas segui andando em direção ao casal e ao médico.

— O que houve? - perguntei, com a voz trêmula.

— Vamos ter que operar sua amiga, ela não está respondendo aos remédios e precisamos cessar a hemorragia antes que algo pior aconteça.

— Eu já desconfiava que isso seria necessário… - assumi.

— Então você deve saber que estamos fazendo tudo que está em nosso alcance para salvar sua amiga.

— Eu sei que estão, doutor.

— Preciso ir. Assim que sairmos do centro cirúrgico eu informo vocês. - ele disse e em seguida, desapareceu, após entrar em uma porta gigante branca e nos deixar sozinhos.

— Tia Marga… - eu disse, a abraçando assim que ela se soltou dos braços do marido.

— Estou com tanto medo. Não posso perdê-la. Não posso!

— Isso não acontecerá, está fora de cogitação!

— Eu não posso perder minha filha. Eu demorei tempo demais para conseguir realizar o sonho de ser mão, Deus não pode tirá-la de mim dessa maneira.

— Poder ele pode, tia. Afinal, Ele é Deus. Ele dá a vida, mas também a toma. É o único que tem esse poder. Mas não acredito que essa seja a intenção dele. Acho que isso tudo é apenas uma fase, um capítulo do livro da vida de Elizabeth.

— Que assim seja, querida.

— E assim será, tia! Confie!

 

(***)

 

— Olha, eu tô sabendo que você é meu mentor e apesar de o nosso papo estar muito bom eu realmente preciso voltar para casa, para o meu trabalho, minha família, amigos…

— Blá blá blá… Mais alguém na sua listinha? - Rafael debochou.

— Olha só, eu só quero voltar pra minha vida, está certo?

— E você vai voltar. Pode ficar sossegada.

— Mas vai demorar muito?

— Em vez de responder sua pergunta, vou fazer outra. Você tem noção de que se tivesse feito tudo o que combinou antes de encarnar, nada disso seria necessário?

— E você tem noção de que eu não entendo a metade das coisas que você diz?

— Sim, disso eu tenho noção. Até porque, se você entendesse as coisas que eu te digo, não teria feito tanta burrada até agora…

— E a maior burrada da minha vida, segundo você, é ter um caso com o Isaac?

— Na verdade, essa é a segunda maior burrada. A primeira é você não se fixar em nenhum lugar do mundo.

— Mas isso faz parte do meu trabalho, meu ganha pão.

— Ah, por favor, Elizabeth! Você é uma jornalista. Tá pra existir uma profissão mais ampla do que essa. Você pode trabalhar em várias áreas, mas precisou escolher a área mais perigosa, só para dificultar ainda mais as coisas para mim.

— Eu amo o que faço, para sua informação. Meu trabalho é maravilhoso. Você só diz isso porque tem inveja, já que não é você que roda o mundo inteiro fotografando.

— Caso você não lembre, eu como seu mentor, sou designado a te acompanhar por onde você for. Isso inclui os lugares aterrorizantes. E claro, eu realmente tenho muita inveja de um trabalho no qual é necessário viajar para a Síria a fim de conseguir fotografias de uma desgraça como um bombardeio para vender pra um jornal qualquer.

— Eu vendo notícias, eu mostro a realidade para o público. E não vou deixar um mentorzinho qualquer zoar a minha profissão!

— Mentorzinho qualquer? Depois de tudo que eu fiz para te proteger, é assim que você resolve me chamar? - ele colocou a mão no coração, fingindo um drama.

— Se você realmente faz de tudo para me proteger, por quê permitiu esse acidente?

— Desígnios maiores, desculpe.

— Ah claro, desígnios maiores. E que desígnios misteriosos seriam esses? Será que você pode me explicar ou vai me deixar ainda mais confusa do que eu já estou?

— Já que você não cumpriu nada do combinado antes de sua encarnação, os superiores resolveram tomar algumas medidas drásticas para que você voltasse para o seu verdadeiro caminho e cumprisse sua missão.

— Quê? Missão? Ah, lá vem você de novo com essa historinha pra boi dormir…

— Se você prefere pensar assim, é um direito seu. Mas não pode fugir do seu verdadeiro destino.

— E qual é o meu verdadeiro destino, segundo você?

— Não só segundo a mim, mas segundo a todos os espíritos de luz designados para te ajudar nessa jornada, segundo a você mesma antes de retornar à terra.

— Por que eu tenho tanta dificuldade em acreditar no que você diz?

— Porque a condição humana é limitada demais.

— Ah, tá certo. Então, segundo o que você acaba de me dizer, eu tô em coma induzido porque os espíritos superiores resolveram que eu precisava sofrer um acidente para voltar a trilhar o caminho correto? - perguntei, bastante sarcástica.

— Exatamente! Até que você não é tão lesada quando quer…

— Olha aqui…

— O que você precisa entender é que, caso não conclua sua missão nessa encarnação, você ainda terá que retornar várias vezes, e eu se fosse você, não iria querer isso…

— E para concluir essa missão eu preciso fazer o quê?

— Encontrar uma pessoa.

— Parece ser mais fácil do que eu imaginei.

— Ah não, não será nada fácil, tenha certeza disso.

— E por quê não?

— Porque existem espíritos endurecidos e não evoluídos que farão de tudo para que você não consiga concluir sua missão.

— Minha missão de encontrar uma pessoa? Ah, por favor… Por que alguém iria querer impedir isso?

— Para que vocês dois não vivessem o grande amor que lhes foi destinado há muito tempo…

— Amor? Quê?

— Isso mesmo. Há muito tempo atrás, vocês foram destinados um ao outro. Mas nunca conseguiam ficar juntos. Isso se repetiu por diversas encarnações, até que na última, vocês foram arrancados um do outro de forma brutal, e precisam resgatar isso.

Ao ouvir essas palavras, não consegui me conter e soltei uma gargalhada.

— O que foi? - Rafael perguntou, claramente confuso.

— Você está querendo me dizer que euzinha fui destinada a alguém? Por favor, não queira que eu entenda isso, é demais para mim. Eu não acredito no amor.

— Não acredita agora, mas voltará a acreditar. E eu não quero que você entenda tudo isso agora, porque eu realmente sei que é muita informação. Eu só preciso que você entenda que você tem alguém que zela por ti no mundo espiritual, que estou sempre do seu lado, te ajudando a encontrar e trilhar o caminho correto. E, acima de tudo, me preocupo com você. Não é atoa que me escolheram para ser seu mentor espiritual, Elizabeth. Eu te ajudei a estudar no plano espiritual, para que você pudesse voltar para a terra e resgatar suas pendências.

Não pude conter um sorriso sincero ao escutar suas palavras. Apesar de todas as provocações e sarcasmo, eu realmente acreditava que ele se importava sim comigo, e de forma inexplicável, eu sentia uma empatia muito grande por ele. Resolvi abraçá-lo, o que o deixou muito surpreso.

Ainda me envolvendo em seu abraço caloroso e amoroso, ele me disse:

— Está quase na hora de voltar, preciso que você saiba que quando voltar, seu destino mudará por completo, e essa é a intenção dos superiores com o seu acidente.

— Está quase na hora de voltar? Mas já? - perguntei, me soltando de seu abraço.

— Sim, passou rápido, não é? - ele disse, sorrindo.

— Passou. Sabe… obrigada.

— Pelo quê? - ele perguntou, confuso.

— Por ser essa coisa toda aí pra mim. Mentor, anjo, sei lá. Quer dizer, mais especificamente, obrigada por me proteger.

Ele sorriu, depositou um beijo em minha testa e disse:

— Essa é minha obrigação. Só quero a sua felicidade, Elizabeth.

— Eu sei que sim… Obrigada por isso.

— Já que sabe, não se esqueça de tudo que eu te disse, está bem? Lembre-se que você está destinada a alguém e não pude fugir do seu destino.

— Irei me lembrar.

— O nosso tempo está acabando, você tem alguma pergunta?

— O nome dele… da pessoa. Qual é?

Rafael esboçou um sorriso bem sacana, se aproximou ainda mais de mim e disse:

— Hora de voltar! - após essas palavras, ele me empurrou e eu simplesmente caí dentro de um clarão.

Quando abri os olhos, estava em um quarto de hospital, com um colar cervical e vários fios pelo meu corpo.

Imediatamente, fui cercada por vários enfermeiros e logo um homem segurando uma prancheta apareceu.

— Você sabe quem você é?

— Eliza… - minha voz estava falhando, minha cabeça girava e eu não conseguia completar a palavra.

— Elizabeth, certo?

Balancei a cabeça, confirmando.

— Como está se sentindo?

— Dói…

— O quê exatamente está doendo?

— Pes…co…ço.

— O pescoço?

Balancei a cabeça novamente, confirmando.

— E aqui, dói? - ele disse, beliscando minha perna.

Não consegui responder, apenas soltei uma espécie de gemido, mas ele pareceu entender e se satisfez com o resultado.

— Bem-vinda de volta, Elizabeth. Agora descanse, você precisará de muita energia para uma boa recuperação. - ele disse e, em seguida, fez algumas anotações na prancheta e então se retirou.

Antes que eu pudesse pensar em qualquer coisa, me senti demasiadamente cansada e então, o sono me consumiu.

Quando acordei, estava em um lugar diferente. Mais especificamente, um quarto diferente. Eu estava sem os fios e não tinha mais o barulhinho irritante das batidas do meu coração sendo monitoradas. Olhei para meu braço, só estava no soro. O colar cervical ainda estava me incomodando, e eu sentia meu tronco doer a cada respiração. Era como se estivessem dando várias facadas em minhas costas.

— Onde eu tô? - perguntei, confusa e sonolenta.

— Filha? - percebi que minha mãe estava dormindo em uma poltrona do meu lado esquerdo.

— O que aconteceu?

— Você nos deu um susto e tanto!

— Eu tô com tanta dor…

— Eu sei querida, devem ser as costelas se regenerando?

— Como assim?

— Você fraturou 3 costelas, passou por uma cirurgia para conter uma hemorragia interna que foi causada por uma ruptura no baço e além disso, quase nos matou de susto com a possibilidade de ficar paralítica por conta da fratura na cervical.

— Eu… fraturei a cervical?

— Sim. Sua sorte é que a fratura não chegou a lesionar a medula espinhal. Ou seja, você quase nos matou de susto.

— Meu… Deus!

— Você se lembra do que aconteceu?

— Para ser bem sincera, está tudo confuso na minha mente. Eu me lembro de falar com o Isaac no telefone e depois, um clarão…

— Você foi atropelada, filha.

— Jesus! Quanto tempo estive inconsciente?

— Uma semana.

— Meu Deus, e vocês avisaram a agência? O que será de mim?

— Filha, olha seu estado, acho que não é o momento apropriado para se preocupar com o trabalho, não acha?

— Mãe, meu trabalho é a minha vida.

— Não querida, não é. Sua vida é bem mais valiosa e você quase a perdeu. Por favor, trate de se concentrar apenas na sua recuperação.

— Mas mãe, eu tinha que ter ido para a Índia no último sábado…

— Querida, precisamos ter uma conversa séria sobre a sua profissão, mas não acho que seja o momento apropriado.

— Mãe, meu acidente não teve nada a ver com minha profissão. Você é que tem uma implicância surreal com o que eu faço.

— Não vamos discutir isso agora, está certo?

Não respondi, apenas me contive em balançar a cabeça, em sinal positivo, deixando claro que eu havia entendi e desistido, por ora, de falar sobre minha profissão.

 

15 dias depois…

 

— Animada para voltar à sua rotina? - o doutor me perguntou, assim que retirou o colar cervical de meu pescoço.

— Tô mais animada em arrancar esse colar maldito que foi o responsável pelo meu tormento durante todo esse tempo…

— É, mas graças a ele, você voltará a andar.

— Mas ainda terei que fazer sessões de fisioterapia, então dá no mesmo.

— Elizabeth, Elizabeth, vê se toma jeito, menina. Seja cuidadosa e siga todas as minhas instruções.

— Pode ficar tranquilo, doutor. Não quero voltar nesse hospital nem tão cedo.

Ele soltou uma gargalhada anasalada, se afastou de mim, assinou os papéis da alta e me entregou.

— Curta sua liberdade, com moderação, é claro.

Sorri de volta, peguei os papéis que continham a minha liberação e sai em disparado daquela sala. Não aguentava mais estar naquele ambiente. Precisava tomar um banho de sol, estava me sentindo mais pálida que o normal.

Assim que saí do hospital, entrei no carro de Rose.

— E aí, como está a minha paciente preferida? - ela perguntou, assim que eu adentrei no carro.

— Pelo amor de Deus, nem me chame de paciente. Estou bem, ficarei ainda melhor quando estiver bem longe desse hospital.

— É claro que eu te chamarei de paciente porque é exatamente isso que você é, ou você acha que eu não vou cuidar de você em casa?

— É um saco dividir o apartamento com uma enfermeira.

— Eu também te amo, Liz!

— Senti sua falta, sua chata.

— Você nem imagina o medo que eu tive de te perder.

— Ah, que bonitinha…

— Eu ficava imaginando “caramba, se a Lizzie morrer, com quem eu vou dividir o apartamento? Não vou ter grana o suficiente para pagar tudo sozinha…”

— Ridícula! - eu disse, a empurrando e soltando uma gargalhada.

— Brincadeira, eu fiquei desesperada. Mas sabia que você reagiria.

— Ah é? E sabia como?

— Simples, não existe ser humano mais teimoso do que você nesse mundo. Sabia que você teimaria até voltar para nós.

— Ahhhh! Eu te amo tanto! - eu disse e em seguida a abracei. - Mas agora liga esse carro e me tira daqui, por favor. Não aguento mais olhar para esse hospital.

— Você é quem manda! Lá vamos nós… - ela disse, enquanto girava a chave na ignição.

No caminho para casa, contei sobre a experiência de ficar internada pela primeira vez. O quão ruim e desconfortável é usar um colar cervical e como era horrível a comida do hospital. E ela me contou sobre tudo que aconteceu desde o acidente, sobre o medo dos médicos de que eu não voltasse a andar e até mesmo sobre o desespero de Isaac.

Mesmo tentando sorrir e conversar alegremente, a única coisa que eu queria era chegar em casa, dormir e só então colocar a conversa em dia com todos. Eu precisava de um descanso. Mesmo tendo ficado todo esse tempo no hospital, ainda assim eu me sentia cansada.

Quando chegamos em casa, olhei para a porta do que eu costumo chamar de “lar doce lar” e suspirei. Finalmente poderia descansar. Rose fez um sinal para que fosse eu que abrisse a porta. E então…

— SURPRESA! - várias vozes gritaram ao mesmo tempo, fazendo com que tudo ao meu redor girasse eu perdesse o equilíbrio. Sorte que Rose estava logo atrás de mim, e me segurou. Logo, Isaac apareceu e segurou em minha cintura, para que eu pudesse me locomover sem esforços.

Aparentemente, meu descanso ficaria para depois.

Tentei sorrir e fingir que eu estava surpresa de um lado positivo com tudo aquilo. Vários rostos conhecidos estavam na sala da minha casa; meus pais, alguns vizinhos, Isaac e até mesmo o pai do Isaac, Joseph Williams, mais conhecido como “Joe” que, por algum motivo, me causava arrepios.

— Como você se sente, querida? - minha mãe se aproximou de mim, apontando para o sofá, indicando para que eu me sentasse.

— Estou bem mamãe, não precisa se preocupar.

— Fico feliz pela sua recuperação, Elizabeth! - Joe se aproximou de mim, estendendo a mão. Eu a apertei e tentei ser o mais afável possível.

— Muito Obrigada. - foi o máximo que consegui dizer.

— Estou de saída, não vou poder ficar para aproveitar a festinha surpresa, mas espero que se divirta e volte a sua rotina o mais breve possível. Com licença. - ele disse e em seguida, se despediu de todos. Sua saída causou-me certo alívio.

— Eu não sei porquê mas eu não consigo ir com a cara desse homem. Ele me soa falso… - minha mãe exclamou.

— Ele também me causa uma sensação estranha…

— Tão diferente do filho, nem parecem ser da mesma família, ter o mesmo sangue… - minha mãe disse, encarando Isaac, sorrindo.

Eu a conhecia bem demais, ela não estava elogiando Isaac atoa, ela entraria naquele assunto. E eu não estava nem um pouco disposta a conversar sobre relacionamentos com minha mãe, não agora, depois de ter saído do hospital.

— Mamãe, agora não, por favor…

— Calma filha, só estava comentando…

— Eu te conheço, dona Marga.

— Eu só quero que um dia você viva um amor tão lindo quanto o meu e de seu pai.

— Tá certo mãe, mas no momento meu foco é não esquecer de tomar os analgésicos na hora correta.

— Sobre o que estão falando? - Isaac perguntou, sorrindo, enquanto se aproximava.

Falando no diabo…” pensei.

— Nada demais, estávamos conversando sobre o quão encantador você é. Um ótimo menino… Gostaria de ter um genro assim.

— MAMÃE! - eu gritei e pude notar que Isaac abaixou a cabeça, não podendo segurar uma risada.

— Bem, acho que vou deixar vocês a sós… - ela disse, se retirando.

— Me desculpe por isso, Isaac. Ela é terrível…

— Imagina. Eu também gostaria de tê-la como sogra…

— Isaac!

— Me desculpe, apenas pensei alto. Como você está?

— Com você eu sinto que posso ser sincera. Estou exausta!

— Eu imaginei que essa festa de boas vindas não seria uma boa ideia e que você precisaria de um tempo para se recompor, mas não adianta nada tentar convencer sua mãe, acho que você sabe disso…

— Então é ideia dela?

— Sim. Mas não a culpe. Ela só queria te fazer feliz.

— Eu sei… de certa forma é bom saber que todas essas pessoas se preocupam comigo.

— Você é muito querida por todos nós, Lizzie. Me admira que você não tenha noção disso.

— É que na maioria das vezes eu nunca estou presente nas reuniões de amigos e família por conta do trabalho, então eu nunca imaginei que fosse tão importante.

— Mas você é. Senti tanto medo, Lizzie. - Ele disse, se sentando do meu lado.

— Medo de que?

— De te perder. Não conseguia imaginar um mundo sem você.

— Ah, Isaac… - eu sorri.

— Nunca mais nos dê um susto desses novamente, está me ouvindo?

— Tentarei ser mais cautelosa, prometo.

Ele passou alguns segundos me encarando até que percebeu o quão constrangida eu estava e resolveu mudar de assunto:

— E o trabalho, já falou com o pessoal da agência?

— Ainda não, devo aparecer por lá amanhã, só para saber como estão as coisas sem mim.

— Pretende voltar em breve?

— Bem, acho que ainda não tenho gás o suficiente para viajar para o Paquistão, mas se me mandarem para um local aqui na Inglaterra ou em algum país próximo, quem sabe?

— Você não tem jeito né?

— O quê? - perguntei, rindo.

— Nem assim você deixa de ser workaholic!

— O trabalho é a única coisa que me faz sentir viva!

— Eu entendo, em partes. No fim de semana estarei voltando para Paris.

— Mas já?

— Agora que você está bem, preciso voltar para o meu trabalho.

— Você ficou durante todo esse tempo afastado?

— Claro! Ou você acha que eu teria cabeça para ficar distante sendo que uma das pessoas mais importantes em minha vida estava na beira da morte?

— Obrigada, Isaac. Por ser sempre tão… atencioso.

— É que eu…eu…bem, eu… - ele começou a gaguejar e eu, com minha esperteza, já sabia o que ele estava tentando dizer e comecei a me desesperar. Ele não podia me amar. Não. Isso não era permitido, não estava nos meus planos.

— Ei Lizzie, vamos cortar o bolo? - meu pai gritou.

Grande Adrian, sempre me salvando dos problemas.” pensei.

— Temos um bolo? - perguntei, me levantando e andando em direção a ele, deixando Isaac sentado no sofá.

— Claro que temos. Afinal, é seu segundo aniversário, o dia em que você nasceu de novo. Precisamos comemorar. - meu pai respondeu.

— Está certo então, vamos comer bolo… - eu disse, com um tom divertido em minha voz.

Comemos bolo, conversamos, rimos bastante e Isaac não tentou dizer que me amava novamente, o que me deu certo alívio.

Assim que os convidados foram embora, eu me despedi de Rose e fui direto para meu quarto. Tomei uma ducha bem demorada e então caí na cama. Dormi feito uma pedra e só acordei meio-dia. Rose já não estava mais em casa, e então eu resolvi comer alguma coisa e ir até a agência, para saber como ficaram as coisas na minha ausência e quando eu poderia retornar ao trabalho.

Ainda estava com um pouco de receio de andar sozinha, então liguei para a cooperativa e pedi um táxi. Assim que chegamos no prédio em que a agência se localizava, eu senti uma saudade enorme do meu trabalho e da sensação de estar em viajando de um lugar para o outro.

Entrei no prédio e peguei o elevador até o 13º andar, o qual pertencia a agência Magnum, para a qual eu trabalhava.

Quando saí do elevador, não pude deixar de reparar os olhares assustados que me seguiam.

Isso é normal, Elizabeth, afinal, você quase morreu em um acidente de trânsito.” pensei, tentando controlar meus nervos.

— Olá, Kate! Como estão as coisas? - cumprimentei a secretária, que parecia tão assustada quanto os outros ao me ver.

— Lizzie? Você já está bem?

— Claro que estou. Bem, recuperada e já pronta para novas aventuras. O que temos de novo?

— O RH não te comunicou?

— RH? - já comecei a ficar gelada – O que o RH deveria me comunicar, Kate? - perguntei, tentando manter minha voz em um tom calmo.

— A senhora foi dispensada.

— Eu fui o quê?

— Eu sinto muito. Já dei baixa na sua matrícula. A senhora não trabalha mais para a agência.

— Como assim eu não trabalho mais para a agência? Só porque eu sofri um acidente e quase morri? Isso é um absurdo.

— Já até contrataram uma nova fotojornalista para te substituir, ela está na missão da Índia.

— O quê? Eles não podem fazer isso comigo. Eu tenho meus direitos, como trabalhadora. Eu estava doente, eles não podem me dispensar por conta disso.

— Eu sinto muito, Lizzie.

— Isso não vai ficar assim. Não vai, pode ter certeza. Eu vou destruir essa agência! - Disse, sentindo meu rosto queimar, antes de sair dali.

Que ótimo. Além de quase morrer em um acidente, agora, além de tudo, eu estava desempregada. Perdi a coisa que eu mais amava, meu trabalho.

Minha vida realmente estava de cabeça para baixo. 



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