História Forgotten Years - Capítulo 4


Escrita por: ~

Postado
Categorias Naruto
Personagens Ino Yamanaka, Sakura Haruno, Sarada Uchiha, Sasuke Uchiha
Tags Drama, Kibaino, Naruhina, Romance, Sakura Haruno, Sarada Uchiha, Sasuke Uchiha, Sasusaku, Suspense
Exibições 83
Palavras 2.501
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Famí­lia, Festa, Hentai, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 4 - M e n t i r a


 

C a p í t u l o 

3

Mentira

Passado, por Sakura Haruno

 

 

Algo que não entrava em minha cabeça era o fato de Sasuke Uchiha estar sendo gentil. Não que eu conhecesse o seu pior, dizem que pessoas apaixonadas costumam ignorar qualquer defeito que seu amado tenha, mas esse não era exatamente o meu caso. Eu tinha consciência do quão esnobe, prepotente e boçal ele podia ser, e, até onde eu sabia, ele nunca havia sequer notado minha existência.

E de repente lá estava ele, bancando o meu super herói da noite, deixando de lado a personalidade insensível que deixava evidente.

-É sério. — reafirmou sua intenção — Não farei nada com você. — garantiu, erguendo ambas mãos em gesto de rendição — Só achei que talvez não quisesse ficar com essa blusa toda molhada.

E eu realmente não queria.

Dei-me por vencida, e ele pareceu entender, já que prosseguiu o trajeto ao banheiro, que ficava no final do corredor.

Entramos juntos, por mais estranho que me parecesse. Tive que me encostar na parede para não cair, a tontura parecia ter aumentado consideravelmente, e só me restou sentar aos poucos no chão frio do imenso banheiro para tentar me recuperar.

-Está tudo bem? — Uchiha me perguntou, agachando em minha frente.

Enterrei minhas mãos em meu cabelo e respirei fundo. 

-Estou. — respondi após minutos, me controlando para não vomitar.

Ele me encarou não muito convencido, e deu um meio sorriso.

-É o efeito do álcool. — comentou, enquanto afastava uma mecha de cabelo grudada na lateral do meu rosto — Tome um banho, eu vou pegar umas roupas para você.

-Roupas? — perguntei em um sussurro, apreciando o toque dos dedos gélidos em minha pele.

-O Kiba tem uma irmã, vou tentar encontrar algo no quarto dela. — informou naturalmente que pegaria emprestado sem permissão —Tome um banho, eu entrego quando terminar.

Não tive como recusar — embora não tivesse a intenção —, ele agarrou meus antebraços, me puxando junto a si, nos pondo de pé.

Estávamos praticamente abraçados, ele não havia soltado meus braços, e eu não fiz menção de me afastar. Nossos olhares estavam fixos, e eu tentava pensar em algo para dizer, mas qualquer frase que fosse formulada naquele momento, morria em minha garganta. Eu tentava de todas as formas entender aquela situação, o porquê de estarmos tão próximos, de não nos afastarmos, de Sasuke sustentar meu olhar por tanto tempo.

-Eu vou… Tomar banho. — anunciei atrapalhada.

Dei um passo para trás, e ele me soltou. Sem dizer qualquer coisa, deixou o banheiro, batendo a porta. Soltei o ar com força, me apoiando à pia, e dando uma breve verificada no meu reflexo no espelho. Eu não poderia estar pior.

Me despi com desconfiança, verificando todos os possíveis esconderijos de câmeras. Entre os xampus, no gabinete sofisticado da pia, até mesmo nas janelas. Quando me senti segura, retirei minhas roupas íntimas, para então me pôr embaixo dos jatos de água quente. Meu corpo relaxou, e a tontura amenizou conforme o tempo passava.

Aproveitei para refletir sobre o que havia acontecido naquela noite, e minhas suspeitas estavam corretas, definitivamente eu nunca mais compareceria a alguma festa que não fosse os aniversários da minha avó.

Assim que desliguei o chuveiro ouvi uma batida na porta, enrolei meu corpo em uma toalha que havia pego em uma gaveta do gabinete, e fui abrir. Me assustei quando Sasuke enfiou o braço tatuado no vão, me entregando algumas peças de roupas.

-Obrigada. — agradeci, vendo-o fazer um sinal positivo.

Fechei a porta, e verifiquei as roupas que Sasuke havia selecionado. Uma calça de moletom branca e uma blusa de alças finas marrom. As vesti rapidamente, deixando de lado a calcinha, que havia sido atingida pela bebida de Karui. Recolhi minhas roupas e abri a porta. Sasuke me esperava do lado de fora, terminando de vestir uma camiseta.

-Você quer voltar? — perguntou-me e eu balancei a cabeça negativamente — Eu já imaginava. Veio com aquela sua amiga?

-Sim.

-Eu não a encontrei lá embaixo — murmurou, me analisando cuidadosamente — Quer ficar em um dos quartos enquanto procuro por ela?

Definitivamente muito legal da parte dele. Não recusei, eu não queria voltar para aquela confusão de gente nem sob ameaça. Sasuke me guiou até uma das portas do corredor, indicando um quarto de hóspedes, onde entrei seguida dele.

-Pode ficar aqui, a chave é esta, eu tenho uma reserva. — ergueu o pequeno objeto, que peguei — Eu volto já.

Dito isso, ele se retirou, me deixando sozinha naquele cômodo imenso. Me sentei lentamente sobre a cama, deitando em seguida, observando por longos minutos o teto branco. Meu cérebro fervia em pensamentos aleatórios, todos guiando-se diretamente a Sasuke e sua absoluta gentileza. Eu sabia que não podia ser tão desconfiada, nem lembrava quando alguém havia sido tão legal comigo antes, mas sabe quando uma das suas maiores idealizações acaba se tornando realidade sem qualquer esforço, e você começa a pensar em como aquilo pode ter acontecido tão rapidamente?

Quando dei por mim, já estava rolando na cama, tentando achar sentido naquilo tudo, mas quanto mais procurava, mais me afundava no nada.

Decidida a esquecer aquela história e dormir até Ino voltar, aconcheguei meu corpo no colchão ultra macio, sentindo um leve sono me consumir lentamente, mas que acabou sendo dissipado assim que a porta abriu e Sasuke entrou.

-Eu não consegui encontrá-la. — ele disse, enquanto trancava a porta novamente.

Sentei sobre a cama, ficando preocupada. Se deixar levar por qualquer bonitão que aparecesse em sua frente era algo relativamente fácil para Ino, o que poderia significar perigo. 

-Ah caramba… — murmurei prestes a entrar em pânico.

-Não se preocupe, ela deve estar se divertindo. — tentou me tranquilizar — Ainda não passou da uma da manhã, pode dormir.

Havia se passado tanto tempo em episódios tão pequenos. Eu queria sair a procura de Ino, mas tinha certeza que ela não gostaria de abandonar a sua super primeira festa para me levar para casa.

"Ah, que isso! Aproveita bobona!" — a voz de Ino ecoou em minha mente.

-Está bem. — murmurei por fim — Irei dormir. Obrigada Sasuke.

Ele assentiu, e assim que deitei, presumi que fosse sair novamente do quarto, no entanto, apenas seguiu até uma poltrona no canto, sentando.

-Se importa se eu ficar aqui? — ele perguntou, enquanto relaxava — Não irei fazer nada, apenas dormir. Estou cansado.

Ele pretendia dormir na poltrona, propenso a acordar com o corpo dolorido, para não passar más intenções para mim. Ele havia sido tão legal, que de repente me pareceu injusto.

-Pode dormir ao meu lado — eu disse baixinho — Não tem problema.

Apesar de escuro, eu podia notar seus olhos abertos, me observando sob a penumbra. Pensei que fosse recusar o convite, contudo me surpreendi quando levantou da poltrona, se aproximando vagarosamente da cama. Me afastei do centro, deixando espaço o suficiente para ele. Sasuke sentou na ponta da cama, retirando os sapatos, para então deitar-se, puxando o edredom grosso sobre si.

O clima havia pesado, e eu tentava ignorar o fato de estar na mesma cama com Sasuke Uchiha, algo eu já havia imaginado, embora em outras circunstâncias…

Estávamos a centímetros de distância, eu era capaz de sentir o calor de seu corpo próximo, e reprimi o impulso de me enroscar a ele, o frio estava absurdo, e o edredom parecia não ser o suficiente.

-O que achou da festa? — ele perguntou de repente.

Me remexi, virando meu corpo para tentar vê-lo na escuridão.

-Péssima. — disparei — Quero dizer… A festa deve estar boa, mas eu não tenho muita sorte.

-Você discutiu com a Karui?

-Sim. — admiti — Mas foi ela que começou!

Ouvi seu riso baixo, e me senti uma idiota.

-Não dê importância para o que ela diz.

-Não dou.

Ele sorriu, e antes que eu tivesse chance de me preparar, Sasuke esticou sua mão direita até meu rosto, onde afastou novamente uma mecha de cabelo que caía sobre meus olhos.

-A cor dos seus olhos são impressionantes — comentou em voz baixa.

Ele estava me elogiando. Elogiando meus olhos esquisitos, característica herdada do meu pai, que eu não via há anos. Muitos anos.

-Obrigada, mas não acho tão impressionantes assim. — eu disse tentando raciocinar.

Senti a ponta quente de seu indicador traçar uma linha invisível da minha testa à bochecha. Era estranhamente confortável aquele contato breve e íntimo, e mesmo que eu quisesse evitar a qualquer custo me aproximar tanto dele, ali estava eu, aceitando tudo, como se ele já estivesse acostumado a me tocar daquela maneira.

-Sasuke, o que pretende? Qual é o seu verdadeiro objetivo com tudo isso?

Pareci pegá-lo desprevenido, pois vi seu cenho franzir, e seus lábios contraírem em um linha tênue. Eu queria ter contido aquela pergunta, mas a desconfiança foi maior.

-Por que acha que tenho algum objetivo? — rebateu visivelmente ofendido — Eu só quis ajudar você.

-Assim? Tão de repente? — questionei desejando ficar calada — Você nunca sequer olhou para mim, e de repente me convida para uma festa, sendo o cara mais legal do mundo. — vi uma sobrancelha escura arquear, e ofeguei — Desculpa, só acho… Estranho.

A covinha em sua bochecha direita surgia a medida que seu sorriso aumentava. Ele estava achando engraçado?

-Você parece saber bem pouco sobre mim. — deduziu — O que te dizem por aí?

Que você é um babaca, super escroto.

Pensei por alguns instantes, querendo apenas fugir daquela conversa. Sinceramente, nem sabia o porquê de ter iniciado aquele assunto.

-Eu não sou tão ruim, Sakura Haruno.

-Sakura. — corrigi — Só Sakura, por favor.

-Sakura. — proferiu pausadamente — Sabe que na verdade eu sempre te observei?

Me assustei com aquela declaração repentina, e pareci ter sido exagerada, já que Sasuke não conteve uma risada.

-Me observava… — murmurei — Meus olhos ou meu nome devem ser muito estranhos.

Ele balançou a cabeça negativamente.

-Na verdade havia alguns boatos de que você gostava de mim.

Eu não sei descrever o que exatamente havia sentido naquele instante. Era uma mistura de constrangimento, choque e raiva. A raiva seria de quem teve a audácia de dizer aquilo para Sasuke.

-Quem te contou isso? — perguntei abismada.

Meu tom dava a impressão de que era verdade, o que realmente era, mas ele não precisava saber disso.

-Ninguém especial. — respondeu despreocupado — Mas comecei a reparar em você, e percebi que me observa bastante.

Ergui meu tronco, sentando sobre a cama rapidamente, sentia o pulsar do meu coração aumentar gradativamente.

-É verdade? — o ouvi indagar — Você gosta mesmo de mim?

Sentia minhas mãos tremerem, não estava acreditando naquilo. Eu definitivamente não imaginava que as coisas chegariam naquele ponto. Me segurei para não estapear minha própria cara.

-N-Não.

Eu com certeza havia sido bem convincente com aquela gaguejada fenomenal.

-Você não me convenceu. — ele cantarolou, de repente parecendo assustadoramente divertido — Diga a verdade, Sakura.

Senti o seu corpo remexer sobre o colchão, pude vê-lo sentar sobre a cama, e assim que virei a cabeça, sobressaltei assustada. Ele estava muito próximo, tanto que nossas respirações mesclavam, e eu era capaz de enxergar seus olhos com certa nitidez.

-Diga. — Uchiha sussurrou — Você gosta de mim?

Se eu fingisse um desmaio, conseguiria escapar daquela situação? Fechei meus olhos e caí dramaticamente de volta ao colchão, ficando completamente imóvel. Sasuke se remexeu, novamente se movendo, mas não ousei abrir os olhos, provavelmente ele havia acreditado na minha atuação.

Assim que senti o colchão afundar aos lados de minha cabeça, e meu corpo ser coberto por um calor instantâneo, abri meus olhos com urgência, e me assustei ao ver Sasuke sobre mim.

Sobre mim.

-O que você…

Minha voz cessou, só se ouvindo um curto e baixo murmúrio da frase interrompida pelos lábios de Sasuke.

Ele estava me beijando. 

Meu corpo estava paralisado, meus olhos pareciam que iam saltar das órbitas de tão arregalados, enquanto Uchiha sugava levemente meu lábio inferior trêmulo.

Percebendo o meu choque, ele se afastou alguns centímetros, me encarando em silêncio. Sua mão esquerda se moveu, adentrando meu cabelo, onde senti as pontas de seus dedos emaranharem em um leve aperto. Abaixou o rosto, a ponta de seu nariz encostou levemente no meu, enquanto sua respiração quente e tranquila vinha contra meu rosto, trazendo junto o cheiro leve de álcool.

Era isso! Ele só podia estar embriagado.

-Está com medo? — quis saber, sua voz soava num sussurro.

Balancei a cabeça negativamente, tentando raciocinar. Seus dedos apertaram meu cabelo com um pouco mais de força, me fazendo grunhir, e seu rosto se aproximou mais.

-Então me beije. — pediu.

Se antes eu sentia borboletas voarem, naquela situação um dinossauro dançava Jazz no meu estômago.

Meu corpo todo tremia — não por medo, eu já havia beijado outros garotos, embora a adrenalina não tivesse chegado perto da que eu sentia no momento. Minhas mãos avançaram receosas até a nuca dele, onde senti os fios sedosos entre meus dedos. Quando seus lábios capturaram os meus imediatamente o retribui, muito embora eu acreditasse que aquilo estava mesmo acontecendo. O cheiro dele era incrivelmente bom, bem como o calor de seu corpo, que me aquecia. Seu beijo era lento, de modo que me fazia apreciar cada movimento que fazia sobre os meus, embora não estivéssemos sincronizados a princípio — culpa do meu nervosismo —, agora eu acompanhava seus movimentos perfeitamente.

Eu era incapaz de pensar sobre qualquer coisa naquele momento, até mesmo a preocupação de Ino havia desaparecido momentaneamente. Meu cérebro parecia ter desligado, se programando para aquele momento, que eu havia idealizado há anos. No entanto, algo fez com que a sirene de emergência soasse em meu subconsciente: a alça da minha blusa sendo afastada do meu ombro pelos dedos ágeis de Sasuke.

Imediatamente agarrei os ombros largos, empurrando com gentileza, até que ele recuasse. O Uchiha me fitou seriamente, aparentemente sem entender minha reação.

-O que foi? — inquiriu afastando o rosto do meu.

Era evidente sua intenção sexual, e eu não sabia se estava preparada para aquele momento. Eu não tinha medo, contanto que fosse ele, mas o fato que me incomodava no momento era justamente por ser o nosso primeiro beijo.

Sasuke ainda esperava por respostas, enquanto eu pensava sobre tudo o que acontecia.

E se fosse a minha primeira e última oportunidade? Se depois daquela noite ele nem mais olhasse em minha direção? Eu queria acreditar firmemente em um futuro, mas talvez aquele objetivo só pertencia a mim, não a ele.

-Acha que depois disso vou te deixar? — ele perguntou, quase como se ouvisse meus pensamentos — Sakura, isso não é nada comparado ao que sinto por você.

Aquelas palavras haviam me pegado de surpresa. Então ele sentia algo por mim? O sentimento era recíproco? Senti uma leve tontura. Seria um sonho?

Antes que eu pudesse proferir uma palavra sequer, seus lábios estalaram em meu pescoço, tão rápido quanto eu podia pensar, causando um arrepio gostoso.

-Isso não será nada ao que construiremos. — garantiu, sua voz soava firme, ao mesmo tempo em que era serena — Eu…

Ao se interromper, voltou a olhar em meus olhos, eu tive a sensação de que algo maior viria a seguir, e eu estava certa.

A maior mentira que eu havia ouvido em meus 16 anos.

-Eu te amo.


Notas Finais


Desculpem a demora, minha vida está de cabeça pra baixo, espero que essa fase passe logo. Coisas bem tristes aconteceram, é meio complicado seguir tão firme quando sempre tem algo te empurrando para baixo.


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...