História Forsaken - Capítulo 4


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Forsaken, Original, Romance, Serie, Shoujo-ai
Exibições 7
Palavras 5.602
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Fantasia, FemmeSlash, Ficção, Luta, Romance e Novela, Shoujo-Ai, Sobrenatural, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


História completamente original, com algumas cenas baseadas em músicas que estão na playlist do meu celular.

Easter Eggs estão espalhados pela história, adoro fazer isso^^
Encontrou algum? Comente o/

Críticas construtivas, sugestões, indignações, teorias da conspiração são sempre bem vindas.

Divirta-se com a história o/

Capítulo 4 - Sangue Frio


O alarme de emergência foi acionado e começou a soar em uma frequência levemente irritante para Serenity, que ainda andava pelos corredores olhando cada canto e quarto, procurando por outras pessoas que teriam sido presas como estava momentos atrás. Claro que sua fuga não passaria despercebida nos andares acima e não demorou nada até que um batalhão de soldados aparecesse para impedir seu caminho, tomando posições próximos às paredes, onde teriam cobertura e poderiam travar sua passagem. Olhando para a caixa de cigarros que ainda tinha em mãos, contou os bastonetes restantes calculando se durariam até o final de sua fuga e guardou o isqueiro dentro da caixa para então colocá-la em sua cintura. Em sua conta, deveria haver pelo menos dez soldados ali, armados com rifles ou submetralhadoras, fora as pistolas que, com certeza, costumavam levar para usar em caso de emergência, espaços pequenos ou quando a munição da arma maior acabava.
Tudo o que precisava era pegar um par dessas pistolas e alguns pentes de munição para garantir seu sucesso, mas já tinha em mente que não seria simples de conseguir e teria que abater ao menos oito dos dez soldados que estavam ali tentando cercá-la para conseguir armas e munição suficientes para o que tinha planejado. Serenity ficou parada durante algum tempo no meio do corredor enquanto seus olhos amarelos procuravam todas as suas infelizes vítimas daquela noite e uma vantagem que poderia tirar em cima delas.
Estava imersa em sua vistoria quando foi surpreendida por uma voz masculina em tom de comando falando com sua pessoa.
- Cobaia de registro dezessete, aqui é o líder da equipe de contenção. Temos ordens para sua execução imediata caso se recuse a colaborar e seguir nossas ordens e comandos.
Aquela frase arrancou uma gargalhada da ruiva.
- Jura? - Falou em tom de deboche. - Ganho um petisco se eu sentar e der a patinha também?
Os soldados ficaram em silêncio tentando processar o que tinham acabado de ouvir. A fugitiva estava sendo avisada de que poderia ser morta a qualquer momento por eles e a reação dela era simplesmente rir e fazer uma piada como aquela? Talvez estivesse sobre o efeito de drogas ou sua sanidade mental fosse, no mínimo, questionável para não se importar em ser alvejada por tiros de armas semi automáticas. O líder da equipe se fez ouvir mais uma vez.
- Irei repetir uma última vez. Cobaia de registro dezessete, eu e toda a minha equipe temos ordens para sua prisão imediata e realocação em um setor de maior segurança, você deve colaborar conosco e seguir nossas ordens e comandos. Em caso de resistência, tentativa de fuga ou agressão contra a equipe de contenção, temos ordens para fazer sua execução imediata usando de munição letal.
Fez-se silêncio novamente, o que deixou alguns soldados tensos, era óbvio que preferiam evitar um conflito, mesmo estando bem armados e preparados. O silêncio imperou por mais alguns minutos, nesse espaço de tempo Serenity se manteve parada no meio do corredor, com seus olhos amarelos ainda analisando o ambiente e os soldados calados e escondidos contra as paredes, olhando eventualmente para seu alvo, esperando pela resposta. No fundo, tanto o comandante quanto sua equipe esperavam um ataque, resistência, perseguição e até mesmo baixas no time, afinal aquela cobaia já havia dado trabalho com fugas outras vezes e não era qualquer uma que conseguia fugir daquela maneira, principalmente depois de ser atada com cabos de aço industrial em uma sólida parede de concreto. Os minutos pareciam intermináveis para os dois lados e a nenhum dava a entender que pretendia recuar ou colaborar para uma resolução menos pacífica.
Por fim, a ruiva ergueu as mão em sinal de rendição e deu dois passos para trás.
- Tudo bem então… Se quiserem podem me levar. - Falava em um tom decepcionado. - Só cuidado se forem me algemar, da última vez usaram algemas pequenas demais…
Os soldados se entreolharam enquanto tentavam processar tais palavras, só podia ser alguma brincadeira ou truque, ela não se renderia fácil dessa forma quando havia colocado um cômodo abaixo. Os soldados ainda apontavam suas armas para a ruiva, que mantinha seus braços levantados mostrando que estava desarmada e sem intenção de reagir, ela tinha se rendido como o capitão da equipe tinha dito para fazer, mas mesmo assim a desconfiança permanecia.
- Você está se rendendo mesmo?
- Estou com os braços levantados não é? Além disso, estou desarmada, sozinha, em um lugar de pouco mobilidade e vocês estão com a vantagem do local, das armas e do número.
Estava fácil demais, mas o capitão não queria desperdiçar qualquer chance, por menor que fosse.
- Muito bem… Um de meus soldados vai até você e lhe colocará um par de algemas. Qualquer tipo de gracinha da sua parte e nós atiramos, entendeu?
- Tá, tá, tá… Para de enrolar e vem logo fazer o que tem que fazer.
De armas em punho e dedos nos gatilhos, três dos soldados se dirigiram até a ruiva, esperando qualquer tipo de reação ou agressão vinda por parte dela, mas nada aconteceu. Seus braços foram puxados para suas costas e algemas de prata colocadas em seus pulsos e, apesar de toda a tensão que rondava o local, a fugitiva parecia bastante calma.
Quando um dos soldados deu sinal de que a garota estava bem presa, todos os outros saíram de suas coberturas e se dirigiram para o meio do corredor. Ao todo, Serenity conseguiu contar doze, somando aos três que estavam com ela tinha um total de quinze soldados para deter uma única pessoa.
- “Caralho, quinze manés pra lidar comigo?” - Pensou enquanto começava a rir sozinha. - “Não sei se fico feliz ou triste com isso.”
Com o riso aleatório dado por ela, o capitão se aproximou com a arma ainda em punho.
- Qual é a graça?
- Nada, coisa minha.
- Ta achando que minha equipe é formada por palhaços pra ficar rindo igual uma retardada assim do nada?
Serenity começou a rir ainda mais alto depois da frase do capitão.
- Olha, isso nem tinha me passado pela cabeça, mas agora que você falou…
Seu riso não era forçado, ela realmente estava achando graça da situação e do que ele tinha falado. Aquilo irritou profundamente o militar que acabou por dar uma coronhada com o cabo da arma no rosto da ruiva que, apesar de não cair no chão, se calou sentindo o local da pancada doer e um gosto férrico de sangue se apoderar de sua boca.
- Isso aqui não é um circo pra você ficar rindo! - O capitão começou a gritar. - Tá querendo achar graça é?! Então vou te trancar numa sala com vinte dos meus soldados! Vamos ver se continua rindo e achando graça depois disso!
A ruiva suspirou pesadamente, seus olhos amarelos brilhando com ferocidade.
- Deixa eu ver se entendi.... Está me ameaçando com um estupro coletivo?
- E posso fazer muito pior se continuar de gracinha! Vou fazer você entender onde é o seu lugar aqui, seja por bem ou por mal!
- Ah, por bem ou por mal… Acho que vai ter que ser por mal então. - Um rosnado agressivo ecoou pelo corredor, deixando os soldados em alerta. - É uma pena que pensa assim… Eu realmente estava disposta a deixar vocês vivos.
O som de metal arrebentando foi ouvido seguido do grito de um dos soldados que era erguido pelo pescoço por uma única mão da garota e tinha sua traquéia esmagada por ela como se estivesse esfarelando um biscoito. Pegos de surpresa pela ação e cena grotesca que presenciaram, começaram a atirar sem parar, procurando acertar Serenity com o máximo de balas que pudesse, mas não estava sendo fácil. A fugitiva tinha se ajoelhado e usava a perna para aplicar rasteiras em todos os soldados próximos, que iam ao chão em um tombo feio e ficavam alguns segundos sem reação até o cérebro processar o ocorrido. Novos tiros foram ouvidos e, na confusão, alguns acertaram as luzes que começaram a se apagar, deixando o ambiente completamente escuro em pouco tempo.
Para Serenity, aquilo era uma vantagem que não podia deixar escapar, afinal ela queria evitar levar muitos tiros naquele momento já que a verdadeira briga seria bem mais tarde. Ela enxergava no escuro e muito bem, boa parte dos soldados havia caído e derrubado armas e munição, ela não teve problemas em alcançar duas pistolas que tinham se soltado dos coldres. Um a um, os corpos dos soldados iam tombando a medida que a ruiva acertava tiros em suas cabeças ou pescoços. Ela não estava economizando munição naquele momento, precisava chegar aos andares superiores o quanto antes e já tinha perdido muito tempo naquela brincadeira com um pequeno esquadrão. Em meio a escuridão, tudo o que podia ser visto eram o brilho de seus olhos amarelos e o clarão dos projéteis disparados certeiramente em seus alvos. Ela poderia apenas tê-los incapacitado, mas as palavras do líder da equipe tinham sido a sentença para a execução daqueles homens, contudo ela tinha atirado apenas nas pernas e joelho do capitão, deixando ele agonizar um pouco no chão e ficando impedido de andar. Aquela confusão toda durou apenas alguns minutos, mas deixou um rastro de sangue e morte como se tivesse durado horas.
A Loba olhou em volta e começou a checar os corpos, pegando um novo par de pistolas, uma faca de caça e tanta munição quanto fosse possível carregar em seus bolsos e no cinto que tinha tirado de um dos corpos. O líder continuava a agonizar no chão, com suas pernas devastadas, mas ainda bem consciente do que acontecia e do que ela estava fazendo.
- Você… É um monstro.
- Eu sei disso.
- Não vai sair daqui com vida, existem muitos militares de elite prontos pra revidar! São soldados demais até mesmo pra uma única vagabunda como você.
Um sorriso cretino apareceu no rosto da jovem, que se aproximou do soldado ferido e o levantou pelo cabelo até poder encará-lo nos olhos.
- Que coisa fofa, tentando me deixar com medo quando você mal se aguenta de dor. Quer um segredo? - Aproximou-se do ouvido dele. - Eu estou contando com isso. Quanto mais soldados mandarem, melhor vai ser pra minha diversão.
Aquilo o abalou internamente e seus olhos se arregalaram, afinal não esperava por aquela resposta. Ela queria enfrentar mais soldados, na verdade parecia até que ansiava pelo confronto e pelo caos que ele trazia. De alguma forma isso o assustava mais ainda, pois era como se aquela garota estivesse fora de seu juízo perfeito, agindo como um animal selvagem contaminado por raiva.
- Me mata logo…
- Ah não, gracinha, eu não ganho nada por te matar, mas se quiser você pode arregar e dar um tiro na própria boca.
Soltou os cabelos do capitão com violência e o jogou de volta no chão, deixando este chorando e gemendo de dor. Serenity olhou uma última vez para o infeliz e então retomou seu caminho pelo local, finalmente chegando ao elevador de acesso. As pistolas estavam em suas mãos, ela não tinha pego nenhum coldre para guardá-las e tinha ignorado completamente as armas maiores, deixando-as para trás junto com a chacina cometida. Usou o cano de uma das armas que segurava para apertar o botão e chamar o elevador, ficando a bater o pé descalço no chão com impaciência.
- Por que se sujeitou a passar por isso…? - Um sussurro saiu da boca do soldado ferido.
- Ainda tem força pra falar?
- Se é tão forte assim… Se é esse monstro… - Tossiu um pouco de sangue. - Por que demorou tanto para ir embora… Não… Por qual motivo se deixou ser presa?
A ruiva ficou calada e agradeceu por estar de costas para o jovem caído ali, caso contrário ele provavelmente veria seu olhar de tristeza, isso não era algo que ela quisesse responder ou que gostasse de ter em sua mente lhe atormentando.
- Eu não tenho que responder isso…
O elevador não demorou para chegar e estava vazio, algo que ela estranhou muito, pois era de se esperar que mais soldados fossem mandados para impedir sua fuga, mas não era isso o que estava acontecendo, se aquilo era algo bom ou ruim, só saberia isso ao chegar no andar térreo. Apertou o botão do andar para o qual desejava ir e coçou a nuca com o cano de uma das armas rindo sozinha. Ela odiava elevadores, sentia-se sufocada e o leve tranco que a caixa metálica dava em sua partida e chegada causava um desconforto enorme no estômago da ruiva. A subida foi bem tranquila, a jovem esperava que cortassem a força ou os cabos do elevador e este viesse a cair com ela dentro, mas ao que parecia queriam tentar capturá-la viva, o que já não era mais um opção naquele momento. Serenity não ficaria ali nem mais um dia.
- Isso está ficando cada vez melhor.

************

Astrid estava quase adormecendo quando ouviu uma agitação no lado de fora de seu suposto quarto, o alarme de alerta foi tocado e sem demora vários soldados corriam pelos corredores com armas em punho enquanto os líderes de cada equipe davam suas ordens. Algo tinha acontecido nos andares inferiores, mas com toda aquela bagunça e agitação, ela não conseguia entender o que era dito. Não estava cansada, mas a monotonia e a rotina do local tinham feito com que se sentisse sonolenta, o que não era mais o caso uma vez que toda aquela agitação lhe deixou em alerta. Teria pedido para que a deixassem sair e ajudar no que quer que fosse, mas tinha que manter seu papel de cativa e apenas observar a cena, embora a adrenalina já começasse a ser injetada em seu corpo.
Foi quando Leon apareceu na porta do local onde ela estava, ofegante e com a pupila dilatada, era possível notar a tensão em sua voz.
- Sua espera valeu a pena. Ela está aqui, quinto andar da contenção inferior e subindo.
- Quinto andar do subsolo? Já mandaram agentes, não é?...
- Mandamos… E o controle vital de todos desapareceu. O único que ainda parece estar vivo é o líder da equipe.
- Tem certeza?
- Sim. Parece que ela não o matou de propósito…
Astrid ficou pensativa por alguns momentos.
- Quantas prisioneiras ainda existem nos outros quatro andares?
- Nenhuma.
- Como assim?
- O subsolo foi construído para conter apenas uma interna que já havia causado problemas com outras fugas. Só ela era mantida lá com um alto nível de segurança, constantemente sedada e acorrentada na parede, mas parece não dá pra segurar ela nem com tudo isso.
Sem que outros soldados notassem, o rapaz passou duas pistolas cromadas pela abertura na porta junto com um coldre negro, deixando as armas caírem no chão. Armas essas que Astrid conhecia muito bem.
- Não espero boa coisa vindo de uma aberração como aquela, mas ao menos posso te deixar uma ajudinha extra. - Um novo alarme soou e tiros foram ouvidos. - Tenho que ir agora, meu time está me esperando… Tome cuidado e não me deixe viúvo antes de nos casarmos.
Ao fim daquelas palavras, o rapaz sumiu no corredor e sua voz foi se distanciando à medida que gritava ordens e seguia para outros locais e corredores. Astrid ficou parada olhando para as armas, queria muito pegá-las e sair dali para resolver o problema ela mesma, mas tinha que se passar por uma interna e usar aquele coldre era como denunciar quem era uma vez que a roupa que usava não ajudava em nada a esconder as pistola e suporte de couro. Então pegou o que Leon tinha lhe deixado e escondeu embaixo do colchão da cama, não era possível que em com toda aquela confusão criada e com todos aqueles soldados, a tal Loba ia querer entrar em seu quarto e fazer uma revista.

************

Suas suspeitas se concretizaram quando a porta do transporte vertical se abriu no andar que deveria ser o térreo e uma saraivada de tiros fez sua recepção. Ela se encostou na parede perto dos controles e destravou as duas armas que tinha em mãos. Tinha se arrependido amargamente de não pegar uma das metralhadoras de suas primeiras vítimas, mas agora era tarde para lamentar isso. Algo como um rosnado saiu de sua garganta enquanto os tiros ainda eram disparados, mas logo o ataque foi cessado e tudo ficou em silêncio.
- Vão se foder seus filhos da puta!  - Gritou com irritação. - Custa, ao menos, me deixar sair dessa porra?! É sério! Elevadores me deixam enjoada!
O silêncio permaneceu por mais um minuto até um cilíndro voou para dentro do local onde Serenity se escondia e seus olhos amarelos se arregalaram ao ver a bomba de gás que tinha sido arremessada. Mais do que depressa, ela deu um passo para o lado e chutou o objeto para o corredor, mas pagou caro por aquele ato. Novos tiros foram dados e lhe pegaram em cheio no tronco, a dor era agoniante e o cheiro de seu sangue era bem desagradável de ser sentido, mas talvez o pior fosse ela ter caído naquele truque da velha granada de fumaça. Apesar da dor, nenhum som saiu de sua boca, apenas sua respiração ficou mais pesada e irregular, seus músculos se contorceram de forma bruta e ela caiu de joelhos no chão do elevador tremendo, ainda segurando as duas pistolas em suas mão e com a cabeça baixa, suas pernas fraquejaram devido a espasmos causados pela sobrecarga em seu sistema nervoso.
- “Por que toda vez tem que ser assim…?” - Naquele momento apenas sua mente estava em condições de uso. - “A Jack vai me matar… De novo…”
Após algum  tempo sem novos tiros serem disparados e sem ela se mexer, dois soldados se aproximaram e um deles lhe empurrou com o cabo da arma jogando-a no chão, aparentemente tentava checar se ainda estava viva ou em condições de ser presa novamente. Apesar de toda aquela confusão, a ruiva era a cobaia perfeita e precisavam dela viva, caso contrário teria que explicar o motivo de toda uma pesquisa ser praticamente jogada no lixo de uma hora para a outra. Os seus soldados agora a erguiam pelos braços e arrastavam seu corpo alvejado para fora do elevador, formando um rastro de sangue escuro pelo caminho e sacudindo um pouco a ruiva, como que testando se ela estava mesmo desacordada ou tinha sido morta.
Passos firmes puderam ser ouvidos vindo pelo corredor e logo um jovem com farda negra e o símbolo de capitão bordado no peito se aproximou e abaixou até que seu rosto ficasse na altura da ruiva, seus olhos de cor âmbar a examinavam de cima a baixo e o cabelo curto castanho estava jogado para trás, mas alguns fios se espalhavam aleatórios.
- Alvo neutralizado com sucesso, capitão Leon! - Um dos soldados próximos disse ao bater continência.
- Quantos soldados atiraram nela?
- Dez soldados, senhor.
- Quais as armas usadas?
- Os novos rifles de assalto que foram enviados para cá no começo da semana.
- Usaram munição letal?
- Sim senhor, mas foi evitado atirar na cabeça do alvo.
O capitão ficou pensativo por um tempo, então levou a mão até o queixo da garota e o ergueu, de forma que pudesse ver claramente seu rosto.
- Eu sei que você não morreu e tão pouco está desmaiada. Simples tiros não iam matar um monstro como você.
Serenity riu e leve, deixando um pouco de sangue lhe vazar pelo canto da boca enquanto seus olhos ainda ficavam fechados.
- Já é a terceira vez que me chamam assim em menos de uma hora… Essa falta de criatividade de vocês é deprimente...
- Fazendo gracinha mesmo nesse estado… Provavelmente deve estar com alguma lesão cerebral na parte do bom-senso.
- Ah não, relaxa. Não é lesão nenhuma, sou eu que estou pouco me fodendo pro que acontece comigo.
- Devia tomar cuidado com esse seu jeito e com o que diz, você não é imortal.
- E nem vocês…
A jovem abriu os olhos, mostrando um ferocidade irracional em suas íris que agora estavam vermelhas e exibindo os caninos afiados a todos que conseguiam ver seu rosto. Firmou-se em pé e puxou os dois braços de forma tão violenta que os soldados que a seguravam foram ao chão. Gritos e tiros foram dados, mas dessa vez ela usava os dois infelizes como escudo para evitar mais balas em seu tronco, sua mão segurou firme uma das pistolas e, apesar da situação frenética, ela atirava com calma e paciência, com cada bala atingindo precisamente a cabeça ou o pescoço dos outros militares que tombavam um por um, mortos ou agonizando.
Leon não esperava aquela reação e muito menos que a ruiva fosse ter aquela força no estado deplorável que estava. Ele foi um dos que ergueu a mão e atirou, mas acabou acertando seus próprios subordinados que eram usados de escudo e alvejados no lugar da fugitiva. Cerrou os dentes com raiva ao ver seus companheiros sendo derrubados com aquela facilidade e retirou sua própria pistola do coldre, mirando com precisão a cabeça daquela que causava tantos problemas.
O gatilho foi puxado pelo rapaz, a bala acertou o alvo bem na têmpora, mas algo deu errado, muito errado.
Um barulho metálico pode ser ouvido, como se uma chapa de ferro tivesse sido atingida pela bala e Serenity não caiu morta como ele esperava, embora o sangue escorresse pela lateral de sua cabeça e logo seus olhos vermelhos viraram-se para o capitão, que estava confuso com o que tinha acontecido.
Um rosnado ameaçador e gutural escapou pela garganta da garota que se virou encarando os poucos soldados sobreviventes e seu capitão, tomando uma postura mais ofensiva numa clara intenção de atacá-los. Leon estava desnorteado, como iria enfrentar aquela garota se nem um tiro na cabeça era capaz de colocá-la abaixo? A maioria de seus soldados estava morta ou morreria em poucos segundos e os restantes pareciam mais desorientados do que ele, contudo não restava tempo para pensar, não com a clara ameaça vinda daquela garota.
- Recuem! - Sua voz saiu alta o bastante para todos ouvirem. - Não podemos fazer nada contra essa aberração por enquanto! Recuem para a sala de comando agora!
Em resposta a ordem, todos os sobreviventes se viraram e correram para o final do corredor, seguindo as ordens de Leon, que corria entre os últimos do grupo, com os dentes cerrados de raiva e um sentimento de derrota crescendo dentro de si. Leon sempre foi um mau perdedor e todos sabiam disso.
- “Espero que tenha mais sorte do que eu, Astrid…”

Os soldados haviam fugido, não havia mais necessidade de mostrar uma pose tão ofensiva. Quando os perdeu de vista, deixou um pesado suspiro sair de sua boca e desabou no chão levemente trêmula, rindo com dificuldade enquanto sua mão alcançava um dos corpos, retirando dele o aparelho de comunicação e o colocando preso ao próprio pescoço com a escuta no ouvido. Ajeitou da maneira mais confortável que pode e abriu o canal de comunicação, ouvindo um certo barulho de estática antes do sinal se estabilizar e uma voz masculina em tom médio começar a falar.
- Canil Vira-Lata Feliz, qual é o seu problema animal?
- Uma raposa que não faz uma piada que preste.
- Oi, pulguenta! Tá um mês atrasada, sabia?
- Cada vez uma gracinha diferente, não é, Foxy? Se bem me lembro, na vez passada foi uma funerária, uma floricultura e um sexshop.
- Eu tenho que me divertir de vez em quando não é? Você mata pessoas e eu fico passando trotes no telefone.
- Isso não é um telefone, é uma frequência privada usada pelos militares.
- É uma linha de comunicação, dá no mesmo! - Uma risadinha pode ser ouvida do outro lado. - Já posso mandar o Cross e o resto do grupo?
- Pode e pede pra ele me trazer uma troca de roupa.
- Ui! Uma troca de roupa, é? O que você andou aprontando ai?
- Nossa…Sério… Como você é idiota. - Apesar do que falou, riu de canto com o que foi dito. - Vou levar esse dispositivo até um terminal, consegue invadir o sistema por ele?
- E você ainda duvida? Vai ser mais fácil do que colocar camisinha. Mantém o canal aberto e me dá um retorno quando estiver em um terminal de acesso.
- Te chamo daqui a pouco.
A ruiva soltou o botão que mantinha a função de fala aberta e puxou um dos corpos para perto de si com a respiração um pouco ofegante e baixa. Suas presas afiadas cravaram-se no pescoço do corpo recém morto, fazendo alguns goles de sangue verterem para dentro de sua boca e escorrerem por sua garganta. Apesar do tempo que tinha passado, o sangue ainda estava levemente fresco e um pouco quente e como não havia mais ninguém para ver seu estado, Serenity se entregou a loucura que estava presa em seu interior desde que sentiu cheiro de sangue no andar debaixo e atacou cada um dos corpos caídos ali, secando suas veias e artérias enquanto seu próprio corpo se regenerava lentamente, usando aquele líquido vermelho para fazer os reparos nos seus próprios tecidos e órgãos. Um por um, os corpos perdiam todo o líquido rubro e eram empilhados próximos da parede, ela não parou para contar exatamente quantos litros já tinha ingerido, mas parecia que ao menos 20 mortos já tinham passado por suas presas. Seu corpo já estava recuperado, embora sua sede de sangue apenas aumentasse, o que poderia se tornar um grande problema para ela caso perdesse o controle e deixasse sua vontade dominar. Apesar de ajudar em sua recuperação, nem de longe aquele tipo de sangue era o ideal para seu consumo e exigia que ela bebesse grandes quantidades sem realmente saciar sua ânsia, além de recuperar os danos sofridos em velocidade e escala reduzidas.
Com a camisa toda furada de balas, a parte de baixo rasgada e sem muita escolha do que vestir, Serenity retirou a calça em melhor estado de um dos soldados mortos, a camisa de outro e ainda pegou um colete kevlar, ao menos agora as balas fariam um estrago um pouco menor em seu corpo se recebesse uma nova onda de disparos. Ainda vasculhando os infelizes que haviam sucumbido ao seu ataque, recarregou as pistolas que tinha usado e abasteceu seu cinto com mais munição, granadas de fumaça e um pequeno computador de mão que, infelizmente, estava travado com padrão de impressão digital.
Novamente apertou o botão de comunicação chamando por Foxy, talvez não fosse preciso achar um terminal.
- Fala, vira-lata. - Um leve tilintar de louça pode ser ouvido. - Precisa do que agora?
- Tá comendo no computador de novo?
- Estou, é sorvete de creme com chocolate derretido. O Orpheu fez pra mim.
- Ele vai acabar te estragando, cada vez é um mimo diferente.
- Acho que já me estragou. - Uma risada abafada foi ouvida. - E ai? Tá com algum terminal ao alcance?
- Na verdade nem sai do lugar ainda… Precisei comer.
- Eu já falei que acho repulsivo esse seu hábito?
- Quem te ouve falando assim até pensa que eu tenho escolha…
- É, eu sei. Mesmo assim me vira o estômago só de imaginar. Bom, se não achou um terminal, como eu vou entrar no sistema?
- Achei um daqueles aparelhinhos chatos que o Cross sempre quebra, aqueles computadorzinhos de mão que dá pra levar pra todo canto. Consegue entrar na rede por ele? Facilitaria muito pra mim.
- Eu não tenho certeza, mas posso tentar. Encaixa o comunicador no aparelho, você vai ver um suporte pra isso bem na lateral ou na parte debaixo.
A ruiva girou o aparelho todo e encontrou uma pequena entrada que parecia ser compatível com a saída do pequeno rádio e conectou os dois como foi dito.
- Pronto, agora faz tua mágica aí.
- Não é mágica nenhuma, eu que sou foda mesmo.
Serenity revirou os olhos com essa última frase, ela convivia com o garoto há anos, mas ainda sim se surpreendia o quanto ele conseguia ser egocêntrico e narcisista em algumas ocasiões. Enquanto aguardava a resposta, ia andando calmamente pelos corredores e olhando em todas as portas que tinha pelo caminho, devia ser tarde da noite naquele momento já que, ao que parecia, todos os quartos estavam ocupados com garotas que se encontravam encolhidas e assustadas em algum dos cantos e não era para menos depois de todo aquele barulho, tiroteio e gritos. A ruiva olhou as trancas, não pareciam ser controladas de forma remota, era preciso um cartão de acesso específico que apenas os pesquisadores do local possuíam. Pelo que Leona tinha lhe contado, aquela medida era pra evitar que ocorressem problemas como abusos por parte dos guardas já que aquele lugar era um centro de pesquisas exclusivamente voltado para cobaias femininas.
- É, deu certo. Coloca seu polegar na tela do aparelho, ele vai reconhecer sua digital e te dar acesso a todos os arquivos que estiverem nele.
A ruiva fez como foi lhe dito e pressionou levemente o polegar no touchscreen do pequeno aparelho, que fez um rápido escaneamento de sua digital e logo lhe deu acesso todos os dados armazenados no sistema e também os mapas do complexo.
- Foi rápido, Foxy.
- Aqui é profissa, tá ligada!
- Para de falar assim, você tem voz fofinha demais pra conseguir botar alguma banca, ainda mais pra cima de mim.
- Ah, sua chata!... Pelo menos eu tento, né. Agora vai lá fazer sua mágica. O Cross e os outros vão chegar em meia hora mais ou menos, você tem esse tempo pra fazer o inferno nesse centro antes do plano ser colocado em prática.
- Entendi. Obrigada, raposinho, quando eu voltar te recompenso com um pote de sorvete.
- Eu vou cobrar!
Uma última risada foi dada por ambas as partes quando o canal de comunicação foi desligado. Serenity olhou novamente para as portas pelas quais tinha passado, ela não teria tempo nem paciência para procurar um dos malditos cartões de acesso e se condenava mentalmente por não ter pego o de Leona ou a da segurança nocauteada com o bloco de concreto. Com calma e paciência, recarregou as pistolas que tinha e parou ao lado de uma das portas trancadas, pelo que pode contar haviam quatro jovem ali dentro, mas nenhuma conhecida por sua pessoa.
- Não precisam ter medo de mim, eu não sou como aqueles que ficam fazendo coisas com vocês. Vou tirar todas daqui em segurança, mas preciso que não surtem nem saiam correndo como desesperadas ou se descabelem. Primeiro vou dar um jeito em todas as trancas do corredor, fiquem aí dentro até eu voltar e dizer que é seguro.
Sua voz ecoou alto o bastante para que todas pudessem ouvir nas outras celas, claro que o fato de estar em um corredor deserto também ajudava a propagar sua mensagem, que foi recebida com muita atenção e curiosidade por uma certa jovem de cabelos negros e olhos azuis que estava na última cela daquele lugar.
Serenity deu um passo para trás e acertou dois tiros na trava eletrônica da porta, que emitiu algumas faíscas antes de realmente parar de funcionar e abriu uma pequena fresta da porta, por onde a ruiva colocou suas duas mãos e puxou com a mesma força que tinha usado para se soltar dos cabos. Uma porta já estava aberta, mas nenhuma das garotas saiu ou mostrou essa intenção, mostrando que todas tinham entendido o recado e iriam esperar seu sinal. Uma à uma, a Loba atirava de duas a três vezes na fechadura eletrônica para depois arrombar a porta na força bruta e abrir caminho para as garotas que estavam presas. Ao chegar na última cela, repetiu o que vinha fazendo, atirando na fechadura e puxando a pesada porta metálica com força até abri-la totalmente, sua testa e pescoço estavam suados devido ao esforço que tinha feito até então e seus cabelos ruivos caiam por sobre os olhos amarelos, mas mesmo assim eles encontraram as duas safiras no olhar da jovem presa naquele quarto quando a porta de metal foi jogada para o lado de forma bruta.
Uma única garota estava ali e não parecia amedrontada ou coisa do tipo, na verdade era mais para o contrário. Estava bem cuidada para uma interna se fosse comparada com as outras, tanto o corpo alvo e esguio quanto o cabelo longo e negro pareciam muito bem tratados, estava parada a poucos mais de dois metros da porta com uma postura elegante e uma expressão serena no rosto como se nada pudesse abalar sua paz interior, mas foram os olhos daquela a sua frente que chamaram sua atenção, com uma coloração azul tão bela e diferente que fez Serenity ficar muda e sem reação por alguns minutos, apenas deixando seu olhar sobre aquela figura exótica e parecia que o mesmo acontecia com ela, pois a jovem a olhava de volta medindo-a de cima a baixo, como se estivesse analisando cada detalhe de sua pessoa e o estado lamentável no qual se encontrava naquele momento.
E ela mesma admitia que não estava nada apresentável ou nas melhores condições, mas era isso o que normalmente acontecia quando era alvejada com rifles de assalto.


Notas Finais


Muito obrigada por ler até aqui ♥

Espero que continue acompanhando a história o/

Se gostou ou tem alguma teoria do que vai acontecer no próximo capítulo, pode deixar ai embaixo, vou adorar saber.


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