História Fragmented Soul - Capítulo 4


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção, Suspense, Violência
Avisos: Estupro, Linguagem Imprópria, Mutilação, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 4 - 04. I did not expect less than a hallucination


Minha mãe começa a falar, e vejo em seu olhar - mesmo através de uma televisão - que ela odeia ter que se expor assim sobre o assunto em frente a imprensa. Seus olhos verdes parecem mais claros do que são diante das câmeras e luzes, e seu rosto mais cansado. Olheiras pequenas aparecem em baixo de seus olhos e sua voz sai carregada de cansaço.

— Bom, Josh Laker  está em julgamento mas nada ainda comprova que realmente foi ele. Nenhuma prova concreta aponta que foi ele, portanto ele está sob julgamento. Meu ponto de vista, é que Josh não matou Rosie Linden — Essa confissão me choca um pouco, assim como meu pai e meu irmão que estão encarando a televisão.

Meu pai coça seu queixo e cruza os braços olhando para a televisão e chego à conclusão que: Minha mãe não disse a ele que ela chegou a essa opinião. Ele parece curioso, apesar de tudo.

— Bom, penso eu que o sujeito que cometeu esse terrível ato contra Rosie tem uma certa capacidade atlética nos atos dos crimes. O que me deixa quase certa que seja um rapaz jovem. De todas as pistas e provas que temos, Josh Laker parece ser inocente.

— Ela não pode fazer isso — meu pai resmunga agora andando de um lado para o outro, e meu irmão o encara antes de me olhar — parece ser inocente. Ela não pode determinar esse tipo de coisa! Kristen só pode estar perdendo o juízo.

Desvio meu olhar de Theo para a televisão e vejo minha mãe concordar com algo que alguém diz antes de abrir a boca para falar mais alguma coisa.

— Há uma progressão. Ele entende o trabalho da polícia e ele conhece a criminologia. Acho que ele é jovem, inteligente...muito. Pelas marcas no ato acredito eu que foi alguém que ja tenha feito isso e tenha um significado único para essa pessoa.

Meu irmão desliga a televisão quando Hayden chega rindo com Nolan. Seu rosto está vermelho e seu cabelo preso, Nolan está de tênis e deduzo que eles estavam correndo. Meu pai bagunça o cabelo dela, a deixando bem puta da vida e em seguida ele manda ela ir cuidar de Fawkess.

— Ele está solto — Theodoro diz se levantando do sofá e em seguida cruza os braços nos olhando — E acho um absurdo nossa mãe achar que ele é inocente. Ele é doente.

— Isso é....inacreditável e perturbador. Pensem bem, caso não seja ele, o verdadeiro cara está solto. Estamos correndo em círculos atrás de alguém que não....

— Foi ele — Theo me corta quando abro a boca para responder Nolan e bufo.

O que me deixa mais intrigada é que a sociedade ensina: "Não seja estuprada" ao invés de ensinar o certo: "Não estupre"

Hoje em dia existem muitos grupos de apoio que tentam lidar com o estupro, mas acaba que no final de tudo, eles tentam ensinar as mulheres como se defenderem, enquanto tudo o que precisa ser feito é ensinar aos homens a não estuprarem. Ensinar que mulheres não são bonecas, são serem humanos e não são de posse deles.

— • —

— Acham estava grávida? — Meus olhos ficam arregalados com a confissão que Callie faz e Ronnie me olha confusa — Calma, todos sabiam disso, menos eu?

— E isso importa, América? — Callie pergunta após revirar os olhos e dou de ombros negando. Agora não importa mesmo — Acredito que Josh não tenha matado ela, isso eu tenho quase certeza, mas....onde ele estava quando tudo isso aconteceu?

— Ele estava em New York.

O que mais me apavora agora é o que Nolan disse lá em casa: E se estivermos correndo em círculos atrás de uma pessoa que não tem nada a ver? Que não é culpada?

E a pessoa certa está solta bem entre nós?

— Preciso ir — olho para o relógio, e em seguida para as garotas que me olham implorando que não — Levar Hayden para o balé e pegar Fawkess no banho. Amanhã a gente se vê novamente e mandem mensagem quando chegarem.

Elas me abraçam com força, e Ronnie me impede de pagar a conta dizendo que ela ainda vai pedir mais alguma coisa, sendo que é mentira, ela só quer pagar tudo sozinha.

Hayden: Estou pensando em ficar para fazer à aula de dança, você vem?

"Você vai dançar?"

Hayden: Sim! Eu quero tentar. Um grupo masculino vai dançar e eu quero ver.

"Ah, entendi agora. Você quer ver o grupo masculino ou alguém que está nesse grupo masculino?"

Hayden: Vá a merda, América.

Hayden me faz ficar rindo como uma idiota no meio da rua, e quase tropeço quando vejo que entrei na pior rua do bairro. Deus me livre imaginar que aqui....

Um grito de socorro ecoa bem perto, e olho para trás com medo. Muito medo. O silêncio me deixa mais apavorada ainda, pelo simples motivo que eu ouvi e não sei da onde veio.

 

Meu celular cai no chão quando ouço passos. A luz do poste mais próxima acaba de queimar, e só consigo ver minha sombra bem fraca na parede por conta do poste do outro lado da rua. Os ratos que passam entre as sacolas de lixo no chão me assustam, e corro até o final do beco quase desesperada. Machuco meu braço em um ferro enferrujados no canto da parede antes de virar a esquina, e sinto meu coração parar.

Um carro quase me atropela e coloco a mão em meu coração quando o mesmo para ao meu lado ainda com os faróis ligados.

Me afasto com medo e tento regularizar minha respiração enquanto encaro o carro parado a minha frente. Tampo o rosto com as mãos por conta da luz em meus olhos. E forço a visão quando a porta é aberta.

— Entre no carro.

O tom masculino não é familiar e sinto um frio na barriga quando vejo meu celular caído no chão novamente. Ele pisa em meu celular me assustando, e em seguida o arremessa para longe.

Ele entra na frente da luz me mostrando seu rosto e em seguida da um passo para frente.

— Posso cuidar do ferimento, caso queira.

Conheço ele.

Mexo minhas pernas lentamente quando ele abre a boca novamente. Sua expressão é séria e fico levemente apavorada por mesmo que eu já tenha visto ele o mesmo é uma estranho.

— Você é o novo vizinho do Nolan. Justin, certo?

— Coloque o cinto.

— Voce estragou o meu celular — Digo seria, ignorando o que ele diz e em seguida me seguro na porta quando ele acelera — Meu...

— Ele era só mais uma evidência em uma cena de crime — Franzo o cenho e ele olha para a frente da delegacia — Uma garota foi estuprada hoje à tarde. Coloque o cinto!

— Uma g-garo....como você sabe disso?

— Eu tenho algo chamado televisão ou celular, conhece? No caso, celular você não tem mais, mas a televisão duvido muito.

— Exatamente, meu celular! O que eu vou fazer agora? Aquele aparelho era muito bom.

Ele me olha de rabo de olho e em seguida entra em uma rua mais escura, saindo dali e pegando a avenida. Agora consigo vê-lo melhor. O mesmo está de calça jeans, blusa preta de mangas e....cheiroso. Parece ter saído agora do banho. Seu cabelo está arrumado, bem penteado e ele parece relaxado contra o banco da sua....Bugatti.

— Quem é você?

— Justin, vizinho do Nolan.

— Não, digo...sim, eu sei, mas...o que fazia....ali?

— Eu fui até a padaria comprar algo para comer e encontrei você e suas amigas sentadas e rindo escandalosamente lá, quando sai você não estava e então vi uma louca correndo.

— Não sou louca — murmurro e vejo em seus lábios um mini sorriso — ainda assim, não....merda, minha...pode me deixar em qualquer lugar, eu preciso...

Ele para o carro na esquina de uma rua e abre o porta luvas pegando uma pequena maleta. O mesmo me olha antes de puxar meu braço e em seguida mordo meus lábios reprimindo o gritinho de dor ao sentir ele começar a limpar o corte.

— Por que está me ajudando?

— Porque uma hora você terá que me ajudar — diz e encaro seus olhos nos meus — Favores e favores. Amanhã te dou um celular novo.

Ele destrava a porta e vejo a academia de dança do outro lado da rua. Abro a boca para perguntar, mas desisto no segundo que vejo Hayden passar pela porta com uma cara de brava.

Olho para trás e o carro já não está mais lá.

— Entra de uma vez, América — Ela abre a porta e em seguida olha meu braço — O que você fez?

— Machuquei no portão da casa de Ronnie.

— Certo. É ele — aponta para um loiro, mais velho que ela. Parece ter uns 17 anos ou menos, não sei — Nao abra a boca.

— Ok. Ele é gatinho.

— É, eu sei que é — Ela se senta na frente e os garotos parecem nota-la. Ele parece nota-la.

Em seguida, eu também.

Ele me analisa antes de desistir de me encarar e sorrir para seus amigos. Os garotos começam se aquecendo, e Hayden parece animada com suas amigas sentadas no chão.

— Atende a sua amiga! Droga, vocês não estavam juntas agora? — Minha irmã joga seu celular em meu colo e em seguida olho Verônica B no visor.

— Onde está o caralho do seu celular? — distancio o celular da minha orelha e em seguida me levanto indo para o fundo da sala — Nao sei para que tem essa merda. Você demora meio século para responder e não preciso nem dizer que você nunca atende.

— Na verdade, Verônica, eu não tenho mais. Eu....perdi ele.

— Ah não! Vou conversar com você como agora, América? Sua anta!

— Amanhã eu vejo se minha mãe deixa eu comprar outro, eu tenho um dinheiro guardado e eu não fui para o acampamento com Hayden, lembra? Deixei o dinheiro para algo depois.

— Toma vergonha, já deveria ter ido lá comprar — reviro os olhos e a ouço bufar — meu celular esta quase descarregando, a gente se vê na casa do Joseph?

— Vou ver. Até mais.

— • —

— Presta atenção, William! É o meu trabalho, eu precisava deixar claro o nosso ponto de vista aberto para o público. Isso é muito mais do que você imagina.

— Todas as pistas apontam para Josh Laker, e agora você....Onde você estava com a cabeça Kristen? E se ele for mesmo? A promotoria vai te meter um processo.

— Will, por favor — Minha mãe se aproxima do meu pai com cautela, e ele apenas a encara. Eu acho bonito ver os dois trocando carinhos, ou palavras bonitas. Por mais que o trabalho dos dois seja difícil e eles se mostram com poses tão duronas, eu amo quando eles estão apenas Kristen e William, meu pais.

O que as vezes é sufocador, porque na maior parte das vezes eles não são. Tanta coisa acontece comigo e eles não percebem por simplesmente terem coisas maiores e mais importantes para cuidar. Meu ataque de pânico? Eles não sabem, nem meu irmão, que uma vez percebeu algo estranho mas não se importou ao ponto de vir falar comigo, apenas perguntou se eu estava me sentindo bem e acabou o assunto.

É difícil. Muito difícil.

— O assassino é cuidadoso — Minha mãe diz se sentando na mesa ao lado do seu marido emburrado, e em seguida ela abre uma pasta — Esses cortes estavam abertos, e ela estava limpa. O que me diz que além do estrangulamento e tudo mais, ele deixou os pulsos abertos para ela também morrer sangrando.

— E por que não ele?

— Josh não deixaria tantas pistas para ele. Sua namorada estava indo para sua casa, com muitas pessoas sabendo disso. Ele não iria matar-la sabendo que outras pessoas desconfiariam dele, isso é tolice nossa achar que ele realmente faria isso.

— E onde ele estava?

— Ele não estava. As mensagens foram enviadas do celular dele, mas ele não estava. Registros nos cartões que ele estava em New York na noite, com primos do Canadá. São testemunhas vivas. Câmeras, registros de compra, e tudo mais. Ele só está sendo mantido em julgamento por ter sido em seu apartamento e talvez saiba disso.

— Então desconfiam que ele sabia do que ia acontecer.

— Talvez, ou talvez não. O primo mais novo, o que não quis se identificar, disse que Josh estava feliz porque ele e Rosie iriam fazer uma viagem no final do mês, o que é verdade, as passagens estavam pagas. Como! Me responde, como um rapaz que amava a namorada, estava feliz por ela, matou ela ou foi cúmplice de seu assassinato?

— Algumas pessoas são ruins de berço.

— Ah por favor, William! Seja sensato e sincero, não faz o menor sentido.

Claro que faz! Quantos namorados matam suas namoradas por motivos fúteis e na maior parte das vezes finge que não foi eled ou fogem?

Desço as escadas devagar chamando atenção dos dois para mim. Meu pai sorri, esticando sua mão para que eu segure e minha mãe me dá um beijo na testa quando me abaixo para abraçar meu pai ao seu lado. Ela fecha a pasta quando percebe meus olhos vasculhando algo, e em seguida Hayden também desce as escadas.

— O que acham de uma pizza? — Ela sugere rápido e minha mãe olha para sua pia toda limpa e seu fogão fechado — Eu sei que você não quer cozinhar.

— Ok. Duas pizzas, vocês sabem onde o irmão de vocês se meteu?

— Bom, não e....mãe, pai, preciso falar com vocês sobre algo. Hoje perdi meu celular voltando da padaria para ir até o studio de dança.

— Eu falei que uma hora ela iria cobrar — meu pai diz rindo e em seguindo rouba um beijo da minha mãe que está com a cara emburrada — Depois eu vou até seu quarto e a gente resolve, querida. Enquanto a pizza não chega, irei tomar um banho.

— E você vá cuidar do Fawkess — Hayden aponta para mim e reviro os olhos abrindo a porta da área.

Meu cachorro pula de felicidade quando me vê, e derruba até sua vasilha de comida vazia no chão. Antes de me sentar pego água para ele, e em seguida comida. Seus biscoitinhos estão acabando e aproveito e pego os últimos para dar de mimo para o mesmo.

A luz do farol me faz perceber que alguém está na minha rua, e solto Fawkess para ele andar. Abro o portão e vejo um carro do vizinho entrando, ok, nada demais.

Encolho meus braços com o frio, e Fawkess corre pela rua como ele sempre faz, e espero o olhando no canto da calçada. O filho do vizinho me encara de sua varanda e levanta sua mão me cumprimentando.

Nesse exato momento eu tenho certeza absoluta que tem alguém me observando. Fawkess está voltando e os passos da pessoa também estão chegando mais perto.

Meu coração acelera quando penso em olhar para trás e meus olhos enchem de lágrimas quando vejo meu cachorro ainda longe e a rua toda quieta. Os passos ficam mais altos e tampo minha boca quando vejo meu irmão tocando meu ombro.

— Voce definitivamente é louca. O que faz essa hora com um short desse tamanho nesse frio?

Meu coração parece que vai sair por meus lábios, e abraço meu irmão que está com cheiro de cigarro. Ele me abraça de volta, passando as mãos em minhas costas me esquentando e em seguida me soltando para brincar com Fawkess que já voltou.

Eles correm até o portão e entram juntos competindo corrida até a garagem. Olho para todos os lados e sinto minhas pernas travarem: tem alguém bem ali. Sua sombra está no asfalto.



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