História Freak Blue Neighbourhood - Capítulo 6


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Categorias Troye Sivan, Years & Years
Personagens Olly Alexander, Personagens Originais, Troye Sivan
Tags Blue Neighbourhood, Olly Alexander, Troye Sivan, Years & Years
Exibições 21
Palavras 2.206
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Lemon, Musical (Songfic), Romance e Novela, Yaoi
Avisos: Álcool, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olá, depois de séculos eu voltei para terminar a história.

Primeiramente peço desculpas pela demora e pelo sumiço e prometo não deixar esse shipp morrer.
Obrigado por ler, pelos mais de 400 views e 31 curtidas.
Para quem está na sua primeira história oficialmente aqui, é uma super motivação.

Vamos a segunda parte!

Capítulo 6 - Ease - Parte II


A cabeça dele estava de leve tocando meu ombro. Seu corpo pendia de lado na poltrona enquanto o ônibus sacudia a passos apressados. Mesmo com o barulho da estrada, ainda podia ouvir sua respiração forte, somada ao hálito mal cuidado de uma noite inteira – estendido pela manhã – que esbofeteava meu rosto. O braço esquerdo que servia como encosto para sua cabeça pesada de sono, agora começava a formigar. Tentava arrumar minha postura sem mexer muito em seu estado. Estávamos há 15 minutos ali, quando ele pegou no sono.

Trocamos de ônibus nesse meio tempo, ainda com ele me ouvindo falar sobre meus dias. Eu dizia algumas fantasias, nada que realmente fosse uma verdade absoluta do que andava fazendo enquanto estava longe deles. Primeiro porque não seria nada agradável choramingar outra vez sobre nunca saber do paradeiro dele e sua gangue, depois de algum encontro. Eu era uma visita comum, sem rotina, que era convidada aqui e ali para se juntar ao grande círculo. Nem mencionei também o fato de querer o garoto algumas vezes enquanto dormia, ou quando me tocava no banho.

Entre uma história e outra, passando por algumas respostas sobre o trabalho de minha mãe, ele cochilou outra vez. E não me senti mal por isso, pelo contrário. Fiquei satisfeito em não precisar mais fingir estar bem por completo. Que no fundo, o que eu queria era perguntar porque ele não me queria por perto.

O ônibus passou numa lombada, e ele arrumou seu corpo mais para frente, escorregando do ombro enquanto eu o segurava em meu peito, apoiando suas costas em meu braço. Meu braço direito lhe cobriu a parte de cima, formando um laço perfeito ao seu redor. Assim, ele não escorregaria outra vez. Seu cabelo tinha um cheiro divertido de suor e shampoo de rosas. Por um bom tempo, mas do que eu consegui lembrar, fiquei sentindo aquele astral e deixando minha mente vagar pela vegetação ao redor que mudava aos poucos para florestas mais espessas, quase como que sem espaçamento entre uma árvore e outra.

O clima esfriou, e mesmo que ainda bem cedo, estava escuro lá fora. Um trovão cortou o céu chamando minha atenção. Quase que imediatamente, a caminho de onde íamos, uma chuva grossa desabou tornando a vista bem escassa. Tão forte era a tempestade, que quase não foi possível visualizar o portal que indicava a entrada do vilarejo.

St. Steels estava coberta por uma áurea fria. A chuva chacoalhava todas as árvores próximas, além de afastar os poucos nativos que poderiam estar pela rua àquela altura da manhã. Aquele cenário não estava nos planos. E mesmo que dormisse bem calmo, Olly parecia ser o culpado daquilo… Culpado por chover num dia que deveria ser de sol. Tão culpado, ainda que dormindo em paz entre meus braços.

- Acorda. Olly? Chegamos. – Tive que lhe balançar um pouco para que saísse de seu sono tão profundo. - Vamos descer! - Ele pestanejou um pouco enquanto esfregava os olhos sem entender.

- O que? Onde estamos?

Só pode ser sacanagem.

Ele me olhou como quem tenta focar em um letreiro que está bem longe do seu campo de visão.

- Ah, isso. Bem vindo a St. Steel. - Bocejou forte. Levantou-se e passou rápido pelo corredor na direção da porta escancarada para a pequena estação onde algumas pessoas preparavam-se pra subir. - Mas que puta chuva, hein? - Sua voz abafada foi ouvida lá da frente.

Joguei a mochila nas costas e segui para a saída. Chovia muito.

Quando o ônibus partiu, ficamos apenas nós dois no centro do vilarejo, cobertos por um telhado pequeno que fazia a chuva encharcar nossas calças.

- Acho que vai demorar, então melhor irmos. - E assim abriu seu casaco, retirou os sapatos e juntou nele, como formando uma trouxa de roupas. Levantou a bainha da calça e aí entendi. - É isso ou esperar passar. E estou com muita fome - Sua segunda garrafa foi à boca outra vez. Passou para mim. - Vai ajudar a esquentar durante a caminhada. - E dei graças aos céus por minha mochila ser impermeável.

Imitei sua arrumação e em alguns instantes já estava andando sob as pequenas agulhas d’água que caíam do céu. Ao final da rua era possível ver o lago, mas ao passo que íamos, saindo do asfalto e passando para uma estrada de terra cheia de lama, levaríamos bem mais do que os 20 minutos que ele sugeriu.

E tudo é culpa sua!

xx

 

- Parece que apesar disso, tiramos a sorte grande – Olly voltava subindo as escadas em meio a uma grande gargalhada. – Os pais da sua amiga são bem danadinhos, hein? Esconderam o melhor lá embaixo.

Nada fez muito sentido até que ele finalmente entrasse no meu campo de visão. Segurava duas garrafas de um líquido dourado, além de uns copos de whisky que reconhecia por ter em casa – apenas para decoração ou visitas.

- Todos adoram tequila! – Disse enquanto sentava ao meu lado próximo a lareira que não aumentava suas chamas, mesmo que eu tivesse um trabalho danado para cutucar as chamas e arremessar mais alguns pedaços de lenha que por sorte estavam ali desde a última visita da família, creio eu.

A chuva ainda castigava o vilarejo, e a noite já atravessava o céu que já lhe aguardava com as pesadas nuvens escuras.

- Tequilas em copos de whisky, mas não achei menores. Então... – Abriu uma das garrafas e colocou uma dose pra cada. – Vai servir mais do que esse fogo aí para espantar nosso frio.

Não pude deixar de concordar. Brindamos e entornamos.

Deus do céu. Pareceu rasgar meu interior como navalhas. A ânsia de colocar aquele líquido para fora era forte. Como alguém em sã consciência poderia gostar daquilo?

- Seria melhor com limão e sal, mas não temos todos os ingredientes. – Disse sorridente ao observar minha feição.

- Ok, acho que fez bastante falta...

- Não se preocupe, depois da terceira fica melhor. – Terceira? Eu nunca mais colocaria aquilo na minha boca outra vez.

Olly virou-se deitando de costas no chão e observando o teto num sussurro alto. Emprestei para ele algumas peças de roupa extra que trouxe, e um edredom do quarto de hospedes do chalé, onde eu iria ficar. Pelo horário, Isadora já deveria estar lá, mas não deve ter tido tanta sorte com o ônibus, a chuva, ou seu irmão que teve que levar no hospital... No fundo, estava aproveitando aquele momento inesperado com Olly. Mas como sempre, esperava por ele para que algo acontecesse.

Devoramos um Cup Noodles cada, e agora, de barriga cheia, esperavamos a hora passar, e mesmo aguardando que a chuva pudesse dar uma trégua para que amanhã pudessem aproveitar o lago e o sol... Claro, ele e Isa. Olly iria assim que a chuva desse uma trégua, iria procurar a casa de alguém ali por perto que disse conhecer. Sim, ele não ficaria ali... Ficaria?

- Parece que sua amiga não vem. São oito horas e o último ônibus chega aqui as sete, no máximo. – Eu já havia processado essa informação na hora que o relógio badalou.

- É... – Iriamos passar a noite sozinhos naquele lugar, próximos a lareira, numa noite de chuva... Obrigado clichês, isso não poderia ficar pior.

- Vamos brincar de algo? – Ele sentou outra vez, da mesma forma que eu estava. Com as pernas cruzadas a frente. Estávamos os dois ao redor de uma garrafa de tequila, e mais um engradado de cerveja – eu pensei que iria fazer sol... Cerveja, sol, lago..

- Pode ser. – Parecia uma tradição deles beber e jogar com álcool

- Mas nada das brincadeiras que a Claire cria, você parece bem suscetível a fugir dos jogos alcoólicos por nunca ter feito nada de interessante. – Acho que ele não quis ser ofensivo. Esperava isso. – Nesse caso, como seu mestre de cerimônias da noite – Ele riu. – Sugiro brincar de verdade ou desafio... Alcóolico, claro. – Bateu palmas como um apresentador que acabara de apresentar seu novo convidado do Talk Show da noite.

- Ok – Tentei entrar no clima. – Obrigado, obrigado.

- Troye Sivan. – Ele parou para me analisar, enquanto pegava uma das cervejas e recostava-se no sofá as suas costas. – Ou você bebe ou responde. E não pode ser cerveja, evidente, visto que você parece já gostar delas. – Não que eu tivesse experiência com isso, mas com uma dose de tequila e uma cerveja, já sentia o meu limite bem próximo. – Então... Podemos começar? – Eu adorava seu sotaque britânico. Não havia dúvidas daquilo.

- Absolutamente.

- Certo, primeira pergunta. – Fez uma pausa dramática. – Quem é o mais legal do nosso grupo? – Não parecia até então, que eu estava incluso naquele grupo, era mais como um observador. Mas deixei passar. – Responda ou beba, lembrando, claro, que não prometo manter o sigilo das respostas. – Outra risada.

- Essa é fácil. Claire!

- Sério? – Fingiu ressentimento.

- Certeza.

- Ok. – Voltou à posição de antes mais próximo da garrafa. – Pelas regras que acabei de criar – Encheu outra dose em seu copo. – Se você responder, eu bebo. – E o fez rapidamente. Balançou a cabeça para se livrar do ardor, mas logo estava me encarando. Afastou o edredom de si, parecia bem mais quente agora em meu jeans que ficava apertado nele. – Próxima pergunta... E quem você menos gosta?

Merda.

- Ahn, acho que não deve ter alguém assim que eu não goste.

- Por favor, sem meio termo. Deve ter alguém que lhe incomoda de alguma forma, afinal somos um grupo bem diverso.

Não queria ter que dizer aquilo, mas se eu beber, vai deixar um ar bem pesado sobre aquilo e ele vai querer saber de alguma forma. Melhor responder. – Sim, acho que por não ter tanta afinidade assim – Na verdade não tinha afinidade com eles, mas ok. – Eu escolho o Ian.

- Ian? Por quê? Eu até gosto dele. Bem... Interessante. – Claro que você gosta, vocês devem ter fodido bastante. – Ok, eu bebo outra vez. Enquanto isso, você pode me responder o que faz com que você ache o Ian menos interessante de todos nós?

Não. Ou eu poderia mentir.

- Faz tempo que não bebo. Acho que vou aproveitar essa pra beber também. – Coloquei o sorriso mais descontraído que consegui e estendi meu copo para que ele preenchesse o conteúdo.

Viramos os copos. A cada nova dose eu odiava mais beber. Mas era algo tão social de fazer que já estava quase acostumado, apesar de a cada nova dose, a queimação aumentar.

- Nossa, isso é ruim.

- Segunda dose, espere passar da terceira. – Eu não me via bebendo aquilo outra vez, mas continuava fazendo. – Próxima pergunta. Troye, você gosta de mim?

Quase engasguei. Naquele mesmo instante eu tomava um pouco de cerveja para deixar a tensão pra lá, ficar mais a vontade. A pergunta me pegou de cheio, mas não parecia ter malicia.

- Gostar? Claro. Você, Claire e os meninos são bem legais.

- Não nesse sentido, Sivan. Digo além de amizade. – O que era aquilo?

Silêncio.

- Não sei responder isso, acho. – Sorri meio nervoso.

Ele preencheu outra dose e aguardou até que eu bebesse.

- Próxima. Você quer me beijar agora? – E enquanto eu depositava o copo no chão, e sofria mais com as perguntas do que com a bebida em si, não podia distinguir uma resposta em minha cabeça. Eu queria sim beijar ele. Mas como a gente sabe que quer beijar outro garoto? Como podemos saber que sentimos atração por algo que não é o natural? Eu queria lhe beijar, mas não apenas como um beijo vago. Queria poder ficar a vontade. Mas agora estava tudo tão confuso.

Outra dose. Bebi sem dizer nada. Ele me observava.

- Outra. – E agora chegou mais perto para perguntar. – Você quer transar comigo? Quer que eu faça com você o que você vem imaginando todo esse tempo?

- Como... – Ele sabia? – Eu... – Estava bem perdido e ria envergonhado.

Ele pôs mais uma dose e eu bebi sem responder. Aquela era a quinta? Sexta? Estava quente demais ali ou era apenas impressão minha? Tossi forte ao beber.

- Não vai ter mais graça se você não responder. – Ele mantinha o mesmo tom de apresentação de antes, como se não tivesse sugerido que a gente fizesse sexo.

- É que você fez umas perguntas muito complicadas... Pessoais.

- Pessoais? Explique.

- Digo, pessoais... de você... de você aqui. – Cala a boca.

Outra vez ele estava com aquele olhar que analisava cada pedaço do meu corpo e, possivelmente, da minha alma. Tentei não encará-lo por muito tempo, e ainda segurar minha barriga que ardia em brasa, junto com minha cabeça que rodopiou por algum tempo.

- Não quis constranger. – Claro que quis, ele era especialista naquilo, mesmo que no fim deixasse aquele ar sonso de quem não fez por mal.

- Tudo bem. – Menti. – Outra dose? Me acompanhe nessa. – Meu rosto estava dormente e possivelmente estava bêbado. Não sabia ao certo se estava mesmo, afinal nunca havia estado assim. Tudo estava bem confuso e as palavras saiam sem muita ordem ou sentido. Era assim que era estar bêbado? Acho que gostei.

Não consegui entender em que parte daquela conversa minha mente apagou, mas de certo modo eu estava bem à vontade agora.

  


Notas Finais


Quanto mais você quer alguém longe, mas a pessoa aparece. Como lidar?
Mais ações no lago em breve!


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