História From empty dead. - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Ansiedade, Depressão, Diário, Doença Mental, Relacionamentos, Termino
Exibições 5
Palavras 1.209
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia)
Avisos: Suicídio
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Olá! ~
Isso não é bem um comeback meu, mas uma necessidade de postar alguns textos. Estou com um bloqueio terrível pra escrever qualquer fanfic, então devo demorar a postar novamente.
A capa é provisória. Eu senti uma vontade surreal de postar logo esse conteúdo.
A classificação é +18 pelo final, é obrigatório no SS. Sem mais enrolações, boa leitura.

Capítulo 1 - Capítulo Único


Deixa eu te odiar. Só um pouco. Eu não quero manter isso sozinho. Não quero manter as lembranças, eu quero esquecer tudo e voltar naquele primeiro dia em que nos falamos, apagar toda a conversa e continuar desgostando de você no meu canto. Eu quero desgostar tanto de você que quero te odiar. Odeio a ideia de que você goste de mim. Isso me sufoca. Porque eu te amo tanto e não consigo odiar nenhum pouco e tudo parece tão certo que já posso esperar pelo pior. Eu sei que vai chegar, algum dia. Você vai simplesmente dar as costas e sumir daqui. Vai jogar tudo pro alto e dizer 'Cansei. Se vire.' porque se encaixa contigo fazer isso. Se encaixa contigo ser tão você que me sufoque. Você é tão belo. Como as rosas que eu uso de modelo para desenhos e seus espinhos continuam me sufocando e me prendendo loucamente nisso. Está claro que eu vou morrer. Não quero. Não sei fugir disso. Eu amo demais alguém que não me ama tanto. Não sei. Como vim parar aqui? Como voltar? Como evitar que eu me perca e não ache mais o caminho de volta? Não sei. Não sei mesmo.

Eu só te queria fora da minha vida, não pense em um simples fora. Te queria inimaginando minha existência e eu seria feliz. Acredito que as coisas acontecem de uma forma ou de outra, sim. Porém você foge à regra, você foi um castigo por todos os males que pratiquei nessa vida. E tenho certeza de que Deus estava muito irritado comigo quando deixou que você dirigisse a primeira palavra à mim.

✖✖✖

Olhando o céu como fazia vez ou outra para suprir sua falta. Inclusive, uma das minhas três estrelas favoritas me lembra você. Nunca disse isso. Não quis dizer. É vergonhoso amar alguém a tal ponto. É vergonhoso amar.

A lua está tão chamativa. Sinto-me banhar em sua luz branca. Por um momento pensei que poderia ser você ali, no lugar dela. Porém não seria tão acolhedor, você não era assim. Até hoje pergunto-me o que vi em você. Suas profundas orbes castanhas... sempre preferi azuis; Seu sorriso não alinhado, contornado por lábios tão macios quanto nuvens não era o mais bonito, mas suficientemente agradável. Suas mãos, seu corpo, suas trejeitos, seus surtos.

Você.

Você era o Sol. Agressivo e doloroso com seus raios em forma de palavras, uma luz tão forte que em cegara sem deixar marcas. Quando eu pude perceber, já era Icarus, um homem obcecado de asas derretidas e caídas. Eu já estou morto. Me resta aceitar.

✖✖✖

Cada um no seu canto tanto que estranho. Não sei que horas voltar, que horas falar, que horas sumir, que horas fugir. Sei que me importo. Muito. Infelizmente. Me importo. Me odeio. E sumo. E me odeiam. Eu não entendo. Não me entendem. Acontece que eu preciso ficar sozinho. Sou aquele tipo de pessoa que nasceu pra viver sozinho. Me sinto o único no mundo e isso não é bom. Por mais ignorante que seja, da minha parte. E sinto como se cada trocar de palavras nosso fosse um desperdício do seu tempo, geralmente gasto com pessoas interessantes, com pessoas normais. E me sinto doente. E preciso do meu quarto escuro e do meu fone de ouvido. Tudo meu. Tudo eu. Tudo vazio.

Garanto, é horrível.

Às vezes gosto da minha individualidade, sempre a mostro para quem quiser ver. Porém, quando eu lembro de ti e dos poucos mas bons momentos que passamos juntos, me arrependo de ter nascido assim. Não sei mudar. Não sei falar, não sei dizer o que sinto, não sei ser eu. Não sou interessante talvez, não sei cativar. Sei dar tempo. Sei me afastar, sei gritar de dor. E grito constantemente. Grito no vazio por uma ajuda, mas estou sozinho. Estou aqui, como uma chama de vela prestes a se apagar. Choro desesperadamente por um pouco de fogo em um vasto mar de gelo, mas estou tão vazio. Nem mesmo você, com a sua imensidão, me preencheria hoje. Mesmo assim, sinto sua falta. Sinto falta dos teus 'olá' e tuas preocupações.

Talvez seja carência.

Vai passar.

✖✖✖

Já fazem algumas semanas desde que eu tive uma crise e fui parar no hospital, estou doente. Dizem que eu ainda tenho alguns dias. Queria dedica-los à lembranças. Provavelmente não teremos tempo de trocar as últimas palavras. Prometo deixar uma música à você caso tenha remorso pós minha morte. Mesmo rancoroso, ando depressivo. E carente. É difícil admitir, mas o que me resta além disso? Só alguns dias.

Lembra do nosso primeiro encontro? Foi tão difícil fazê-lo acontecer. E foi tão vergonhoso. Eu, tão desastrado. Me pergunto se você se apaixonou naquele dia. Queria te chamar para tomar um sorvete, seria simples e piegas. Como de praxe, da minha parte. Não sei porquê fui parar na tua casa, em teus braços, envolvendo seu pescoço enquanto você me beijava com destreza e tirava minhas roupas. Eu não sei onde tava com a cabeça quando deixei você entrar na minha vida. Meu coração tinha ao menos quatro cadeados e você quebrou todos.... 

Eu devia ter tentado bater a porta do meu eu na sua cara. Você era tão forte e eu apenas fingia ter força. Você soube de cara o quão quebrado eu estava. Não sei se mentiu muito bem ao fingir que se importava comigo ou se realmente se importou. Suas atitudes pós termino me levam a duvidar de você. Entretanto, o início do nosso namoro fora um sonho. Lembro de ter fantasiado milhares de vezes sobre todas as coisas que queria fazer contigo naquela época. Quem sabe até casar. Adotar um filho, ter uma casa, acordar todo dia ao teu lado parecia um presente divido do qual eu não era digno. E todas as vergonhas que passamos juntos, ainda me lembro com um sorriso extenso no rosto e um bobo choro preso na garganta. Não. Não vou chorar por você. Prometi isso. Não sei onde tudo desandou. Acredito que tenha sido culpa minha. Por ser idiota, entende? Pessoas idiotas não sabem se apaixonar sem serem possessivas, extremamente carentes, inseguras, orgulhosas, dramáticas. E eu, sozinho, consegui ser tudo isso. Palmas para mim. A solidão me aguarda no fim do túnel.

✖✖✖

Sinceramente? As vezes é insuportável respirar.

E eu não respiro. E definho aos poucos numa falta de ar baseada em emoções tão fortes que mesmo um furacão não é capaz de afrontar. Talvez eu seja um furacão de sentimentos tão confusos e tão intensos que me torno insuportável a mim mesmo. Não aguento isso. Não aguento ficar sozinho do mundo e ter que ficar sozinho, às vezes longe de mim, por machucar tanto qualquer um. Qualquer eu. Eu me quebro aos poucos. Todo. Dia. Me quebro.

 Invejo os outros pela facilidade que têm com pessoas. Vejo-as felizes sempre progredindo enquanto eu tento correr disso e fugir de mim mas já afundei tanto que a cada movimento acabo indo mais fundo. Tão fundo. Um caminho sem volta. Não me suporto. Já não sei mais quem eu sou, não sei o que estou fazendo. Só quero parar. Sinto tantas dores físicas e fico feliz por senti-las, porque, pelo menos dessa vez, eu sei como tratá-las.


Notas Finais


O autor do diário se suicidou no dia 8 de fevereiro.


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