História Fruto Proibido - Capítulo 2


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Daddy Kink, Incesto, Pai X Filha, Romance
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Palavras 6.506
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ecchi, Hentai, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


FINALMENTE postei. Demorei muito por vários motivos, mas o mais relevante para o leitores eu irei deixar explicadinho no final do capítulo. Então, enquanto isso, tenham uma boa leitura <3

Capítulo 2 - O Prólogo Dele


Fruto Proibido

O Prólogo Dele

. . .

Penso que crescer em uma família de cinco pessoas deve ser algo bom. Bem, ao menos é o que dizem por aí. Família grande, amor de sobra, carinho em dobro, já ouvi de algumas pessoas.

Infelizmente esse belo ideal não se aplicava a minha.

O primeiro motivo que fazia a minha família destoar desse consenso era o fato dos meus pais, ao que tudo sempre indicou, não terem nascido para cuidarem de crianças. Nada contra que não tem esse lado mais aflorado, é claro. Entretanto, penso que se essa inabilidade é inerente à pessoa, o certo seria não ter filhos, não é mesmo? Então me pergunto, por que meus mais quiseram ter sua primeira criança e, logo depois, mais duas? Tudo bem que a vinda de gêmeos não estava nos planos, mas acho que eles podiam ter parado no meu irmão mais velho, creio eu.

Mas nós três nascemos, e é isso o que importa no momento. O foco no começo dessa nossa conversa são os meus pais.

Bem, o problema com eles... Não, os vários problemas em relação a forma como nos criaram, era que eles quase não estavam lá para nós. Dois diplomatas extremamente bem sucedidos, meus pais estavam sempre viajando e só voltavam para casa aos finais de semana. Por sempre nos proporcionarem uma vida confortável e cheia de luxos materiais, eles acreditavam cegamente que a falta de carinho da parte deles era uma questão irrelevante. Dessa forma, o que nós tínhamos de calor humano vinha exclusivamente das babás que cuidavam de nós quando não estavam em casa e nossos avós. No entanto, depois de um tempo, quando meu irmão mais velho amadureceu o suficiente — na concepção dos dois, é claro — e eu e minha irmã estávamos um pouco mais crescidos, até isso nos foi tirado. Quando demos por nós mesmos, erámos apenas os três naquela grande casa.

 Talvez isso, podem pensar, tivesse nos aproximado mais como irmãos, fortalecido nosso laço, porém é aí que entra o segundo motivo que torna a criação que nossos pais nos deram “problemática”.

Acostumados a sempre vencerem na vida e amantes do esforço árduo, ambos valorizavam o sucesso acima de tudo — em qualquer área da vida. E para ter certeza que cada um de seus filhos iria trilhar esse mesmo caminho brilhante, os dois incentivavam a competitividade entre nós.

Claro, não era nada cruel ou “injusto”, mas sim algo sutil e indireto.

Mais elogios para aquele que ia melhor na escola, uma lembrancinha de outro país para que o tivesse mantido o quarto mais organizado durante a semana, uma demonstração de carinho mais aberta ao que lia mais livros... E assim por diante.

Parece até algo pequeno para quem assiste a cena de fora, mas para três crianças sedentas por carinho e calor humano da parte dos pais, isso valia mais do que ouro puro.

E assim, aquelas três crianças focavam todos os seus esforços para agradá-los e, quem sabe, receber um pouco de amor.

Entretanto, como em toda competição, sempre havia quem chegasse e primeiro e, inevitavelmente, aquele que ficava em último.

E assim, o gêmeo mais novo, no caso eu, acabava ficando para trás nesse jogo imprudente e deixado de lado naquela família.

As comparações, é claro, não ficavam de fora. Um “incentivo” da parte deles, meus pais acreditavam cegamente.

“Sua irmã é da sua idade e faz isso melhor”

“Se não se comportar bem, nunca será como seu irmão mais velho”

“Assim você não nos deixa orgulhosos, meu filho”

Eu ouvia a tudo isso — e bem mais — e concordava piamente com eles.

Não havia sido o bastante, preciso fazer ainda mais, refletia, reiniciando então meus esforços.

Porque, na minha cabeça infantil e inocente, mesmo que não conseguisse ser o melhor entre meus irmãos, se me esforçasse tanto quanto eles, se não mais, meus pais iriam perceber que eu também era importante, que também tinha o meu valo.

Mas depois de um tempo acabou ficando claro que meu tão almejado reconhecimento nunca chegaria.

No final, não importava se na minha sala eu era o melhor, se eu lia muitos livros ou me comportava bem, sempre minha irmã e meu irmão é que traziam verdadeiramente orgulho a eles. 

Foi assim que a expectativa e devoção foram morrendo em meu coração e deram lugar a frieza e rancor.

Dos meus pais, que não me amavam.

E dos meus irmãos, que sempre se colocavam entre eu e eles.

Isso aconteceu bem no fim da minha adolescência, quando disse aos meus pais que iria fazer biologia na faculdade. Eles odiaram minha escolha, me compararam ao meu irmão em seu curso de direito e depois a minha irmã, que aspirava ser uma grande arquiteta.

Lembro-me muito bem de ter dito a eles que, graças as minhas notas, eu estava indo para a melhor faculdade da cidade — que também estava a cinco melhores do país —, coisa que nem minha irmã tinha conseguido. Mas nada disso foi bom o suficiente para eles. Eles ainda não estavam felizes comigo. Eu ainda não dava orgulho a eles.

Isso foi demais para mim.

Mas o que acontecem comigo naquela conversa não foi o que você pode estar pensando. Eu não explodi, chutei a porta e disse que estava saindo de casa. Que não precisava mais deles.

Não... Em silêncio, simplesmente me levantei da cadeira, pedi desculpas por não fazer o curso que eles desejavam e fui para o meu quarto.

Naquele dia eu rompi o vínculo emocional que tinha com meus pais.

O que não percebi, no entanto, é que sem querer eu também estava matando minha conexão emocional com as outras pessoas e até comigo mesmo.

Já na faculdade, eu passava meus dias envolto em um silencio frio e distante — por vezes invejoso da felicidade alheia que não podia ter na minha própria vida. Não me aproximava de ninguém e não gostava que se aproximassem de mim. Eu não gostava da solidão, mas queria ser deixado sozinho. Confuso, mas era assim que me sentia.

O meu mundo parecia consumido pelo vazio e às vezes sentia como se meu coração estivesse tomado pela apatia, até que um dia conheci Hellena.

Ela era uma moça gentil e paciente, que sorria com facilidade e fazia as pessoas se sentirem bem perto dela. Entretanto, isso ainda não foi suficiente para nos unir. O que realmente aconteceu entre nós dois foi algo um pouco menos feliz.

“Solidão atrai solidão”

Era algo que eu havia lido certa vez em um livro e que naquele momento melhor descrevia nossa situação.

Não sei dizer como fui capaz de perceber isso, mas havia algo em seus gestos e na forma como ela agia quando pensava que ninguém estava olhando que me fizeram sentir que havia algo de pesado sobre seus ombros. E graças a um trabalho em grupo, foi que tive a oportunidade de conversar com ela pela primeira vez e entender melhor o que se passava.

Eu não cheguei lhe fazendo montes e mais montes de perguntas, é claro. Apenas... Me deixei aproximar dela.

Com sua personalidade tranquila e afável, Hellena fazia com que me sentisse confortável em sua presença. Durante e depois das reuniões para fazer o trabalho, falávamos sobre o nosso curso, sobre a vida e ríamos de coisas bobas. E mesmo depois de termos apresentado nosso projeto, continuamos a nos encontrar para passar algum tempo juntos.

Havíamos nos tornado amigos.

Minha primeira amiga depois de tanto tempo.

E eu estava tão feliz.

Foi logo após isso que então chegou o dia que soube o porque de, desde que havia posto meus olhos nela, sempre senti que havia algo sobre seus ombros.

Certa noite em sua casa, Hellena me confidenciou que tinha depressão desde a adolescência e vinha lutando contra ela todo esse tempo. A jovem animada e gentil que ia para faculdade era apenas uma máscara para esconder sua dor e até mesmo tentar enganar a si mesma fingindo que estava tudo bem.

Ela chorou na minha frente enquanto me contava isso, mas também me agradeceu, dizendo que estar comigo a fazia se sentir viva, de um jeito que até então sua depressão nunca havia lhe permitido.

Hellena estava grata por me ter na vida dela, por ter a sorte de ter e conhecido.

Ouvir aquilo me tocou de uma maneira que quase me fez desmoronar ali mesmo.

Só quando ela tocou meu rosto, um pouco assustada, que notei que também estava chorando.

“Eu também, Hellena”, respondi. “Me sinto vivo pela primeira vez”

Era como se aquela criança, que nunca havia sido reconhecida pelos próprios pais tivesse enfim saído da sombra dos irmãos, da solidão, e seguisse seu próprio caminho, livre de suas amarras. Um caminho iluminado e agora na companhia de uma pessoa que realmente se importava com ela.

Para nós dois, aquele havia sido o dia mais feliz de nossas vidas.

O mundo parecia um lugar melhor nela noite.

Infelizmente as coisas boas costumam durar menos do que as ruins e um dia o mundo voltou a ser um lugar confuso e triste.

Um dia em que Hellena havia faltado na faculdade, eu recebi cinco ligações no meu celular durante a aula. Assustado com a insistência, deixei a sala e atendi na sexta, só para descobrir que minha amiga havia sido internada as pressas no hospital.

No mesmo instante pensei o pior.

Mas assim que cheguei ao hospital descobri que estava errado e, sinceramente, não sabia se era realmente pra melhor.

Após vários exames e incontáveis opiniões médicas, foi constatado que Hellena tinha uma doença degenerativa muito grave, cuja as chances de sobrevivência, mesmo com um tratamento imediato, eram bem baixas. Ficamos todos arrasados, mas não queríamos perder as esperanças. Trancando a sua matricula na faculdade, ela concentrou todos os seus esforços duro tratamento que tinha pela frente.

E quanto a mim, junto da família dela, tentei lhe dar todo o apoio possível e sempre mantê-la sorrindo. Eu fazia todas as suas vontades, mesmo que essas fossem simples, e quase nunca a deixava ficar sozinha. Fazê-la feliz e distraí-la de sua doença — das duas —, eram as únicas coisas que importavam.

Todavia, seis meses de tratamento se passaram e os resultados não podiam ser piores: o corpo de Hellena não estava respondendo aos medicamentos e sua enfermidade continuava a se agravar.

Diante dos resultados, os pais dela entraram em negação e começaram a procurar desenfreadamente por um tratamento alternativo e outras opiniões médicas. Até descobrirem que em uma cidade a duas horas da nossa havia um hospital considerado referência no tratamento daquela doença cuja porcentagem de sobrevivência era um pouco maior.

Eles se muraram tão rápido, que quase não consegui me despedir. E, embora estivesse feliz pela descoberta, vê-la partir me quebrou por dentro. Um pouco por mim mesmo, porém bem mais pela ideia de vê-la sozinha, em uma cidade desconhecida, enfrentando tanto essa nova doença, quanto sua velha conhecida, a depressão. Não suportando a imagem dela sozinha em um quarto de hospital, me comprometi, independente do quão complicado fosse, ir vê-la aos finais de semana.

Àquela altura, eu já estava no meu último período da faculdade, morando sozinho e trabalhando na minha área de atuação. Então, toda sexta-feira após o serviço, pegava meu carro e ia para lá vê-la, e só deixava seu leito domingo quando começava a escurecer.

Era uma rotina extremamente exaustiva e fazia com que me sentisse preso em um estado permanente de insônia, mas eu não me permitia parar. Não enquanto Hellena não melhorasse ou... O pior acontecesse.

Segui esse dia-a-dia caótico por quatro longos meses, até que algo aconteceu.

Em uma tarde de sábado, enquanto a distraía com um vídeo em meu celular, ela esperou seus pais saírem do quarto para segurar minha mão e me olhar com uma expressão séria.

O que saiu de seus lábios foi um pedido desesperado e melancólico, cujas consequências durariam pelo resto da minha vida e além.

Hellena me pediu para ter um filho com ela.

Veja bem, embora muitos possam não acreditar, especialente devido a toda dedicação que lhe direcionava, nós dois nunca tivemos algum envolvimento romântico. Durante a adolescência e vida adulta eu tive vários casos e ela também, mas nós dois nunca, se quer, trocamos um beijo. Éramos amigos, melhores amigos e um o apoio do outro, e só. Coisa que acabou fazendo esse pedido ser, de várias formas, um pouco estranho para mim.

Mas, sabe, ela tinha motivos para me pedir isso, embora fossem bem tristes.

Por causa de sua depressão, a questão “futuro” sempre foi algo bastante complicado e cercado de inseguranças para Hellena. E após descobrir aquela doença degenerativa, quase contra sua vontade, ela simplesmente havia aberto mão de tudo. Era algo que não havia confidenciado nem a mim, mas desde o começo, quando soubera da gravidade de sua enfermidade, ela já havia desistido.

No entanto, havia uma única coisa que nunca, nem nos piores episódios de depressão, ela havia conseguido desistir, e era ter uma família. Porque na cabeça de Hellena, o conceito de “família” era a forma mais pura e sincera de felicidade que poderia existir e ela queria poder experimentar disso.

Sendo sincero, eu discordava um tanto dela, mas caso estivesse no meu lugar, teia conseguido dizer-lhe que estava errada?

Diante de sua súplica, a única coisa que consegui fazer foi perguntar se seus pais sabiam disso e concordava, além de ter certeza se seu corpo era capaz de suportar um bebê. Hellena me respondeu que já havia contado a todos, inclusive ao médico, que embora não aprovasse a decisão, disse que era possível sim ter um bebê — mas que era para estar ciente de que um aborto espontâneo poderia ocorrer a qualquer instante.

Eu então só pude aceitar.

Sim, foi uma decisão irresponsável e eu já era adulto o suficiente para ser capaz de compreender o que aquilo iria acarretar a longo prazo e tentar convencê-la do contrário. Era minha obrigação.

Mas até hoje não houve um momento que tenha me arrependido dessa minha decisão imprudente.

Nove árduos meses após essa conversa, nós dois estávamos com nossa pequena Mai nos braços.

Ter uma filha foi para a mim a coisa mais assustadora e maravilhosa que já havia experimentado. Mai era tão pequena, tão delicada, tão cheia de esperança... Olhar para ela, embrulhada em suas mantas nos meus braços, fazia toda a dor dos últimos anos, de toda a minha vida, serem tirados do meu coração.

E Hellena... Oh, nunca a vi tão feliz desde que a havia conhecido. Por curtos instante, até parecia que ela estava curada e poderia se levantar a qualquer momento de seu leito e voltar para casa.

Mas, infelizmente, não estava e quatro anos depois de Mai nascer tivemos a certeza disso.

Estávamos esperando que isso acontecesse, especialmente no último ano, mas em momento algum isso tornou as coisas mais fáceis.

Fiquei tão arrasado com sua partida, que nem mesmo consegui comparecer ao seu enterro.

No mês que se seguiu após sua morte, eu senti como se meu corpo e minha mente estivesse dormentes. Era só não pensar no assunto, fingir que nada havia mudado, que tudo iria ficar bem. As lágrimas não vinha e a dor não parecia ser minha.

Mas um dia, sozinho em meu apartamento, acabei pousando os olhos em um porta-retratos onde estávamos apenas eu e Mai. Vendo a imagem dela, seu sorriso e olhos brilhantes, cheios de promessas de um futuro feliz, eu senti como se o mundo voltasse a fazer sentido. Ainda doía saber que Hellena havia partido, mas ainda não era o fim. Mai era o meu começo, o da nossa pequena família, e eu não podia ignorá-la mais.

Voltando para o lugar que havia servido de palco para os últimos anos de vida da minha melhor amiga, foi até a casa de seus pais e avós de Mai e pedi para levá-la comigo.

A recusa do meu pedido foi imediata.

Após um grande sermão e ser chamado de egoísta pelo meu um mês ausente, os avós de Mai se recusaram a me entrega-la sob a justificativa de que eu ainda não possuía estrutura suficiente para cariar uma garotinha de quatro anos, que além de tudo, havia acabado de perder a mãe.

Eu queria ter batido o pé e insistido, até ameaçá-los judicialmente, mas parte de mim sabia que aquilo era verdade. Apesar de ter me formado com louvor na universidade e ter um trabalho fixo na minha área, eu ainda não podia dizer que minha vida era capaz de suportar com estabilidade uma segunda pessoa, ainda mais uma que iria requerer tantas necessidades. 

Mesmo a contragosto, recuei, dizendo que eles poderiam ficar cuidando dela enquanto estivesse construindo minha vida. Mas que, assim que percebesse que já estava pronto para lhe dar uma vida confortável, iria levá-la de volta — e, caso necessário, tomaria todas as providências necessárias para assegurar-me disso.

Retomando então a mesma rotina de quando Hellena ainda era viva, eu vinha visitar Mai aos finais de semana após meu trabalho. Ao fim de todos os domingos, quando deixava a casa de seus avós e a via me observar indo embora pela janela, eu prometia a mim mesmo que um dia — e logo — iria buscá-la.

Não se preocupe, minha pequena, papai nunca irá te abandonar.

Cercado pelos meus afazeres profissionais durante a semana e ansioso pelos sábados e domingos que teria para me dedicar totalmente a Mai, eu me aplicava com afinco em alcançar a estabilidade financeira e conforto que desejava oferecer a minha doce filha.

Todavia, o que realmente fez com que me esforçasse até a exaustão e ser chamado de erroneamente ganancioso foi ver como, ao longo dos meses e anos, minha pequena Mai estava perdendo seu brilho de esperança e felicidade. Pouco a pouco ela ia se tornando mais fechada e tão fora de sintonia com o mundo, que nem parecia mais a mesma pessoa.

Como ela continuava sendo risonha e doce, mas bastava chegar a hora de ir embora que a alegria começava a se esvair dela. Até os professores — mesmo de longe eu tentava ser presente de todas as formas que podia — diziam que ela era uma criança distante e silenciosa, sem nenhum amigo ou interesse nas pessoas.

E eu já sabia exatamente o motivo disso.

Havia sido difícil pra os pais de Hellena perderem a única filha que tinham de forma tão triste, a profunda dor deles era compreensível, mas nada justificava projetarem a imagem dela em Mai. Isso a estava matando por dentro lentamente, roubando sua essência e a impedindo de crescer como uma criança feliz e livre para ser ela mesma.

E isso era algo inadmissível.

Eu amava Mai, ela era o que tinha de mais importante nesse mundo, e não deixaria as coisas continuarem assim.

Foi desse jeito que comecei a trabalhar como nunca e me esforçar nos estudos, começando meu mestrado na área em que trabalhava. Muitos me disseram que eu estava cego pela cobiça e houve até aqueles que me aconselharam a ir com calma, pois estava desperdiçando a melhor parte da minha vida na busca exacerbada pelo sucesso. Mas eu não dava ouvidos a essas coisas, apenas Mai me importava.

Espere por mim, minha querida.

O papai não vai te abandonar.

Logo estaremos juntos e será para sempre.

Durante meu mestrado, graças a indicação de um professor, fui chamada para trabalhar em uma importante instituição de pesquisa de genética, ondem além de receber um bom salário, prometia impulsionar minha carreira. Quando juntei dinheiro suficiente, abandonei o apartamento simples que alugava no centro da cidade e passei a procurar algo melhor para poder receber Mai.

Eu não estava atrás de algo luxuoso para impressioná-la, mas queria ao menos um lugar que fosse agradável para ela e lhe passasse uma sensação de conforto e proteção. Um espaçoso apartamento, que tivesse vários cômodos e Mai pudesse escolher um deles para ser seu quarto, e que futuramente poderia decorar do jeito que quisesse e ter orgulhoso trazer as amigas ali. Uma cozinha grande onde ambos pudéssemos preparar juntos nossas refeições e ensiná-la a fazer deliciosas panquecas. Uma sala de estar para colocar um sofá macio e aconchegante, para nas manhãs frias de invernos ou noites chuvosas nos escondêssemos debaixo das cobertas comendo pipoca enquanto víamos a um bom filme. E, com toda certeza, uma carandá que desse para er o mar, porque eu simplesmente o amava e queria poder dividir essa paixão com Mai.

Por fim, enquanto buscava pelo nosso novo lar, me peguei pensando no meu futuro e no dela, nas tantas coisas que faríamos juntos e nas experiências por quais passaríamos juntos. Era divertido, assustador e, acima de tudo, prazeroso. Ali eu sentia como se pela primeira vez estivesse em paz comigo mesmo e feliz com a vida que estava levando. Era maravilhoso.

E tudo graças a Mai, meu pequeno raio de sol, meu milagre. Minha razão de viver.

Quando tudo estava pronto, rumei de volta para a casa dos pais de Hellena com a intensão de levá-la dali e nunca mais voltar. No entanto, embora não estivesse exatamente surpreso, eles novamente resistiram em me entregá-la. A diferença era que, dessa vez, ao não terem argumentos plausíveis para negar-me a guarda da minha filha, os dois recorreram a pressão psicológica, tentando fazer com que me sentisse mal em levá-la dali. Chegaram ao ponto de usar a memória de Hellena para conseguir o que queriam.

Havia sido baixo, mas o que realmente me enfureceu foi perceber que, em momento algum, eles citaram o nome de Mai ou se preocuparam com o que era melhor para ela. O egoísmo deles me enojava.

Inexorável, ergui minha voz pela primeira vez ali e disse tudo que vinha me incomodando e todos os momentos que haviam falhado com Mai e sua busca insensata por encontrar uma substituta para a filha falecida. Foi duro, mas eles precisavam ouvir.

Assim que terminei, observei-os com os olhos frios, até que a avó dela suspirou e desistiu de nos manter longes um do outro. Não esperei mais, fui até o quarto de Mai e a peguei nos braços.

Minha estrelinha, minha linda e corajosa princesa, papai voltou para te buscar e agora nós nunca, nunca mais, iremos nos separar.

Ela quase chorou naquele momento.

Levando-a para sua casa, eu já tinha tudo preparado para recebê-la. Por conta do meu trabalho, não poderia ficar ao seu lado tanto quanto queria, mas para não deixá-la sozinha, pedi a minha irmã — de licença maternidade — para ficar com ela até que retornasse, às vezes no nosso apartamento, às vezes no dela. Se fosse outra situação, eu nunca iria fazer algo assim e preferiria morrer a pedir ajuda a alguém da minha família, mas estávamos falando de Mai. Orgulho, rancor, mágoa... Nenhuma dessas coisas importavam.

Todavia, para o meu espanto e surpresa, Mai mostrou-se fortemente empenhada em provar que era madura e independente para ficar sozinha, mesmo com tão pouca idade. Eu realmente não sabia a natureza de sua atitude, mas desconfiava que fosse ela se esforçando para não ser um “peso” para mim e até medo da possiblidade de eu acaba repensando minha decisão de tê-la trazido para viver comigo.

Sua atitude era tocante, mas ao mesmo tempo de doer o coração.

Eu queria dizer a ela para não se preocupar, que tê-la comigo era tudo que desejava, que a felicidade dela era a minha... Mas Mai estava se empenhando tanto, tentando tanto demonstrar que podia ficar sozinha e sem a ajuda da minha irmã, que me senti mal em desconsiderar todo o seu esforço.

Mesmo com o coração na mão, resolvi acatar seus pedidos e passa a deixá-la em casa sozinha. Porém, havia uma condição: ela iria começar a faze aulas de ballet e assim, além de ter algo que a distraísse, seu tempo solitário no apartamento até minha chegada seria menor.

É claro, havia um motivo em especial para ter escolhido essa atividade e era tudo por causa de uma pessoa que acabei conhecendo.

Foi pouco tempo depois de Hellena se mudar da cidade que fui apresentado a Celestia. Ela era sobrinha de uma professora minha do último período do meu curso e estava se mudando sozinha para cidade. Vindo até mim em particular, minha professora pediu-me para lhe apresentar o lugar e lhe fazer um pouco de companhia até que se acostumasse com a vida nova. Inicialmente eu não pretendia aceitar, mas como era uma professora que me tinha em alta estima, acabei dizendo sim.

No começo acreditei que minha “amizade” repentina com Celestia não duraria mais do que algumas semanas, especialmente comigo tão focado em Hellena. Mas, para minha surpresa, acabamos nos dando muito bem. Isso se devia especialmente ao fato do verdadeiro motivo de sua mudança ter sido um grave desentendimento de longa data entre ela e o pai, que deteriorou tanto o relacionamento deles, que Celestia sentiu que não havia outra alternativa, se não a de se afastar por completo dele. E isso, considerando meu histórico, acabou criando entre nós dois um sentimento de companheirismo e solidariedade.

Depois de Hellena, Celestia acabou se tornando minha primeira amizade. Embora às vezes meio excêntrica, ela era uma mulher tranquila, talentosa, gentil e inteligente. Era do tipo que poderia levar uma conversa agradável e interessante por horas a fio, mas também se sentia perfeitamente confortável com o silencio.

Por causa dessa nossa relação, desse sentimento de cumplicidade que foi crescendo entre nós dois ao longo dos anos, eu sentia que poderia confiar sem medo minha pequena Mai a ela.

Dessa maneira então, nossas vidas começaram a entrar nos eixos e adquirir um ritmo mais tranquilo.

Visitar Mai aos finais de semana era uma coisa, mas ter ela comigo todos os dias era totalmente diferente. Algo melhor e muito mais incrível.

Erámos tudo o que o outro precisava. Tínhamos apoio, confiança, amor, carinho e proteção um no outro. Mai havia se tornado minha melhor companhia. Mesmo não entendendo boa parte dos meus assuntos, eu me sentia incrivelmente bem conversando com ela. Podia falar do meu dia, sobre o trabalho e até as coisas que me incomodavam que ela ouvia, completamente absorta. Era encantador como seus olhos brilhavam toda vez que dirigia a palavra a ela.

E eu também a ouvia. Sempre. Não em retribuição, mas simplesmente porque queria conhecê-la mais e me aproximar o quanto podia dela. Queria entender mais a fundo sua personalidade, ouvir seus desejos, seus sonhos e compreender a forma como via o mundo.

Mas na medida em que Mai foi crescendo e entrando na adolescência, nossas conversar começaram a se tornar cada vez melhores. Ao passo que ela era capaz de compreender melhor meus assuntos, Mai também me aparecia com mais coisas das quais gostaria de falar comigo. Seus novos interesses, as pessoas que conhecia, as amizades que conquistava, os planos para o futuro que agora começavam a permear sua mente e seus sentimentos mais complexos. Uma coisa sobre Mai era que, ao contrário dos outros adolescentse, que tinham um pouco de receio em falar abertamente com os pais, ela nunca me escondia nada, sentia-se insegura ou hesitava. Até que ela então deixou para trás essa fase de sua vida e, ao completar dezoito anos, ingressou em uma faculdade.

Acho que nunca houve um momento em que fôssemos tão próximos. Falávamos de igual para igual e dividíamos experiências, nossa compreensão era mútua e profunda. E agora ela também começava a pedir conselhos para decidir seu futuro e até mesmo me incluía nele.

Era maravilhoso.

Minha vida ao lado de Mai era maravilhosa.

Mas tudo começou a dar errado quando ela completou seus vinte anos.

Desde o começo, como qualquer pai n mundo, eu achava Mai a melhor filha e pessoa do mundo. Quando criança, embora um pouco fechada, ela era encantadora, pura e amorosa — ao menos comigo. Durante a adolescência Mai pareceu desabrochar, se tornando confiante, comunicativa, linda e muito inteligente. E nas portas da vida adulta, ela para mim havia se tornado uma mulher madura, inteligente e intensa, que prometia se tornar ainda mais maravilhosa nos anos que se seguissem.

O problema disso era que, desde que havia completado seus dezoito anos, sem perceber, eu estava começando a parar de tê-la como filha.

E passar a vê-la como mulher.

Eu realmente não havia percebido, pois achava que tudo isso, todo esse fascínio e ardor que sentia em relação a Mai, vinham do meu amor incondicional como pai. Mas não era.

E foi no dia do seu aniversário de vinte anos que me tornei dolorosamente consciente disso.

Para comemorar a ocasião, havíamos ido jantar no restaurante favorito dela junto com Natasha e Celestia. Mai sorriu o tempo inteiro — o que era raro — e a ocasião transcorreu de forma agradável e divertida. Entretanto, após nos despedirmos das duas e seguirmos para o nosso carro a fim de ir embora, quase meia noite, ela simplesmente parou e disse que queria fazer algo diferente.

Veja bem, fazer planos repentinos era bem a cara de Mai. Já havia acontecido várias vezes dela me ligar no meio do meu trabalho me chamando para ir ao cinema com ela, ou me fazer viajar até outra cidade para assistir um show de uma banda do qual gostávamos e até simplesmente pegar a estrada de madrugada para irmos bem, bem distante até uma área rural só pra vermos melhor as estrelas. Mai era assim mesmo.

Por isso, quando ela me veio com esse pedido, simplesmente joguei as chaves para ela e a deixei pega a direção.

Vesperum é uma cidade costeira e, por causa disso, sempre cultivei um forte amor pelo mar, paixão que acabei passando também para Mai. Seu destino, então, não poderia ser outro. Ela escolheu a parte mais distante da praia, que quase ninguém usava e já não havia tantas casas na região, e parou o carro perto de onde a areia começava. “Quero terminar essa ocasião vendo o sol nascer. Me acompanha?”. Eu apenas sorri para ela, àquela altura, não havia nada que conseguisse negar-lhe.

Com Mai segurando minha mãe, caminhamos juntos pela areia e nos sentamos um pouco antes de onde as ondas chegavam. As primeiras horas passamos conversando, até ela simplesmente tirar os sapatos e dizer que queria sentir o mar sob os pés. Eu a segui e fomos até onde a água chegava aos nossos joelhos.

Nesse ponto, nossa conversa acabou tomando um rumo inesperadamente mais profundo. Mai me contou que, apesar das notas boas, estava um pouco assustada com a faculdade e seu futuro. E também falou como sentia falta das aulas de ballet, que teve que parar para se concentrar melhor nos estudos.

Ao ouvi-la se abrir comigo, sem perceber, segurei sua mão, dizendo que estaria ao seu lado e lhe daria meu total apoio em qualquer decisão que tomasse. E para que não tivesse medo dos tropeços e falhas que poderia acontecer ao longo do caminho, pois em todos eles eu estaria lá para ajudá-la a se levantar novamente.

O sorriso que Mai me deu naquele dia foi belo e triste ao mesmo tempo, cujo significado exato até hoje não sei. Parecia uma mistura de felicidade genuína, mas também cheia de melancolia.

“Obrigada”, foi o que ela me disse, apertando minha mão.

 E, antes que eu me desse conta, Mai se jogou sobre mim e derrubou nós dois na água. Aquele clima sério e profundo havia sumido completamente em meio as suas risadas. Eu também não me aguentei, começando a rir junto dela.

Voltando a ficar de pé, Mai pediu desculpas e disse que não resistiu em fazer essa brincadeirinha. Respondi que tudo bem e também me ergui. Mas, enquanto ela colocava uma das mechas molhadas atrás da orelha, eu a peguei no colo de surpresa e corri em direção as ondas. Gargalhando, ela se agarrou em mim, enquanto o mar nos cobria e afundávamos juntas na água.

Quando finalmente conseguimos parar, estávamos ensopados e ofegantes, mas com um largo sorriso no rosto.

Já não sendo tão mais jovem, fui o primeiro a ceder, indo até a areia e me jogando sobre ela com os braços abertos. Mai me seguiu, sentando ao meu lado e me encarando com um sorriso enigmático e olhos tomados por sentimentos que não fui capaz de compreender.

“O que foi?”, perguntei curioso.

“Nada, só estou feliz de ter você comigo”, me respondeu.

Me sentando, fitei seus olhos, me perdendo naquele azul profundo. Eu sentia que estávamos próximos, muito próximos.

Foi naquele instante, naquele assustador, mas sublime, momento que pensei, com o coração a mil, como queria tê-la só para mim. Em como desejava ter aqueles lábios sob os meus e sentir a textura de sua pele macia.

Oh, eu a queria tanto. E por completo.

Queria que Mai fosse minha e eu dela. Que nos tornássemos um só. Um do outro e de mais ninguém.

A lua jogava seu brilho sobre nós dois e Mai estava maravilhosa aos meus olhos. Faltando terrivelmente pouco para que consumasse minha paixão juntando nossos lábios, eu me afastei, olhando perdido para o céu limpo.

Dali até o nascer do sol fiquei praticamente em silencio, tomado por pensamentos conflitantes e desesperados. Quando a luz dourada cobriu as ondas do mar, fomos embora para asa, cada um indo dormir em seu quarto. Ou, ao menos, era assim que Mai provavelmente devia estar pensando, pois a verdade era que eu não consegui adormecer. Minha mente estava tomado pelo choque, terror e confusão, mas também, contra a minha vontade, uma paixão enlouquecedora.

Aquilo não podia estar acontecendo... Eu, um homem de quarenta e cinco anos apaixonado pela própria filha, de vinte.

Isso era inconcebível.

Eu devia ter nojo de mim mesmo.

No entanto, por mais que tentasse matar esses sentimentos pecaminosos, eles parecia se voltar para mim com cada vez mais força. Quando dava por mim, estava pensando em Mai de formas que não deva, desejando-a de maneiras que um pai não devia. E tudo ficou ainda pior quando ela apareceu com um namorado, esse que era o primeiro homem que já a vi demonstra um interesse romântico.

Além do obvio ciúme, era como se isso tivesse aberto para mim uma porta por onde, até então, eu apenas espiava pela fresta, mas que agora me mostrava tudo que havia no quarto. O fato desse homem ter a minha idade não ajudou em nada.

Depois disso, me peguei constatando com uma satisfação inadequada que, se ela havia se interessado por um homem mais velho, da minha idade, isso significava que também podia sentir atração por mim. E ainda vieram pensamentos piores, como me questionar até onde os dois já haviam chegado e... Como ela era na cama. Não quão doces deviam ser seus gemidos e no quão maravilhoso devia ser pode ver seu rosto enquanto a encha de prazer.

Meus pensamentos estavam tão fora de controle e me causando tamanho assombro, que não vi outra escolha se não encontrar alguém que pudesse sobrepor de alguma forma esses sentimentos, uma vez que me afastar dela não era uma opção, já que isso iria machuca-la e que, definitivamente, não queria fazer isso.

Foi assim que decidi sair em busca de uma parceira que talvez fosse capaz de mudar o que havia dentro do meu coração.

Até então, depois que trouxe Mai para minha casa e nossa rotina se estabilizou, tive inúmeros casos com outras mulheres. Eu não queria uma namorada — ao menos não agora, era o que pensava —, nem uma esposa, por isso sempre investia em moças que, igualmente, não estavam interessadas em algo sério. Ocasionalmente, no entanto, acontecia de uma ou outra se apegar a mim e querer aprofundar nossos laços. Eu até tentava corresponder aos seus sentimentos, mas suas expectativas em relação a mim acabavam sempre se frustrando e a “relação” tinha um fim prematuro. Não sei dizer o que há de errado comigo, mas sempre tive dificuldade em me conectar emocionalmente as pessoas, o que provavelmente deteriorava esses pseudo-relacionamentos. Geralmente era um processo demorado e nem sempre deseja por mim, então os sentimentos que essas mulheres tinham por mim acabavam se extinguindo devido a falta de reciprocidade. É, ao menos, o que eu acho.

Enquanto tivesse Mai ao meu lado, me esperando ansiosa em casa para passarmos o rosto do dia juntos, não preciso de mais enguem. Com ela nunca estarei só, era o que eu sempre pensava e ainda penso.

Infelizmente, devido as circunstâncias extremas em que me encontrava, percebi que já era mais do que hora de deixar meus dogmas para trás e investir com sinceridade na companhia de uma mulher.

Minha primeira tentativa, entretanto, não teve bons resultados e acabei terminando com minha parceira. Porém, eu não podia desistir e continuei procurando.

Até encontrar Evangelique.

Embora não atuássemos no mesmo setor, ela também era pesquisadora na empresa onde trabalhava. Eu já havia visto-a por aí um par de vezes, mas sua presença não chamara minha atenção. Porém, em uma festa de aniversário de um superior meu — a qual Mai não pode ir — acabamos dividindo uma garrafa de vinho acompanhada de uma boa conversa, que então resultou em um encontro na semana seguinte.

Desde o começo Evangelique sempre se mostrou uma mulher inteligente, forte e independente. Nossas conversas eram particularmente interessantes e nossas personalidades, mesmo que diferentes, não costumavam entrar em atrito. Mas, sendo sincero, eu não conseguia sentir por ela algum tipo de atração ou interesse. Eu a respeitava e admirava, mas não havia nada mais que me fizesse querer realmente aprofundar nossos laços. Entretanto, havia algo nela que me fez sentir que era a parceira perfeita para mim.

Evangelique não sentia tanta necessidade de afeto.

Saíamos aos finais de semana, talvez um jantar, talvez um jantar em um restaurante de seu interesse, conversávamos sobre o trabalho, dividíamos experiências e conselhos, íamos embora e nos despedíamos com um beijo às portas do prédio onde ela morava. Às vezes eu ia até seu apartamento, tínhamos relações e, se fosse embora algumas horas depois de terminar, ela estava perfeitamente bem com isso. Obviamente, não era sempre assim. Havia momentos que Evangelique demandava um pouco mais de atenção na parte afetiva do relacionamento e também demonstrava estar disposta a demonstrar seu lado carinhoso, mas isso era mais exceção do que regra. Então, de forma inesperada, nosso relacionamento conseguia funcionar bem. Intenso ou não, do jeito que eu gostaria ou não, era algo irrelevante. O que importava era me manter longe de Mai, mesmo que no fundo só me parecesse uma solução paliativa. Mas, ao menos se durasse até o dia em que minha filha decidisse seguir um caminho que já não fosse mais ao meu lado, já estava ótimo para mim.

Então, meu caro leitor, é esse o relato do meu grande pecado. A semente que, estúpido e inconsequente, acabei plantando e a agora olho como um idiota para a árvore que surgiu dela. Seus frutos são maravilhosos e eu me sinto ávido para descobrir seu sabor, mas a verdade é que, dentro dessa casca brilhante e atraente, esconde-se nada mais do que um amargo veneno.

Obrigada por me escutar.

Daniel.

 

 

 

 

 


Notas Finais


Então, basicamente enquanto revisava essa segunda parte, me ocorreu uma ideia muito boa para a trama, mas para poder aplicá-la, eu teria que mudar algo na situação do pai da Mai, ou seja, tive que reescrever o prólogo todo. Na verdade, só o começo, mas já que estava com a mão na massa, pensei que poderia aproveitar e dar uma revisada geral e mais atenta no capítulo. E QUE BOM QUE EU FIZ. Sério, arrumei, corri e mudei tanta, tanta coisa. Foi maravilhoso. Só que demorou, porque... Bem, são 6 mil palavras. Mas aí, quando terminei tudo, pensei "se foi tão bom fazer essa revisão nesse aqui, então vou ter só a ganhar se fizer o mesmo com o prólogo que já havia postado". E lá vai eu revisar O Prólogo Dela do começo ao fim. E como eu queria atualizar a fanfic já com tudo arrumadinho, eu só me permitir postar esse capítulo quando terminasse a revisão, que foi ontem. Então, cá estou eu :)

Agora sobre o capítulo em si, queria deixar algumas coisas claras: haverá sim divergência de acontecimentos, mesmo que o momento narrado seja o mesmo tanto para a Mai, quanto para o Dan. O que acontece é que cada um tem a sua interpretação dos fatos e ressalta aquilo que lhe chamou mais atenção no próprio ponto de vista. Sem falar que em alguns acontecimentos, a Mai era bem nova e, como ela disse, não pode de fato confirmar a veracidade dos fatos. Sendo assim, tenham em mente isso quando se sentirem meio confusos em relação ao passado dos dois.

Bem, então é isso. Gostei muito desse prólogo e espero que achem o mesmo. Agora vem o primeiro capítulo, ou seja, o momento que o plot começa a progredir. Como já falei, 6 mil palavras foi um episódio a parte desses dois prólogos. Os capítulos em si, ao menos no começo, terão tamanhos mais modestos.
Por isso, não se preocupem e apenas desfrutem ;)


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