História GaaLee - Obsessão - Capítulo 11


Escrita por: ~

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Categorias Naruto
Personagens Gaara do Deserto (Sabaku no Gaara), Naruto Uzumaki, Neji Hyuuga, Rock Lee, Sasuke Uchiha
Tags Gaalee
Exibições 71
Palavras 7.474
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ecchi, Harem, Hentai, Lemon, Luta, Romance e Novela, Violência, Yaoi
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 11 - O Herdeiro...


Hyuuga, uma das famílias mais tradicionais do Japão. Contando com mais de 100 membros, divididos entre clã principal, secundário e terciário. Como em um sistema de castas, onde os dois últimos deveriam obedecer proteger e dar suporte ao primeiro, até o fim dos tempos. Um pacto, em que muitos pereciam e poucos usufruíam da felicidade. Essa era a sina que os subordinados ao clã principal deveriam carregar em seu sangue.

E repetindo o ciclo, era dada a luz ao futuro patriarca dos Hyuuga, o ser encarregado de mostrar o caminho correto para que todos da família o seguissem, e suas ordens nunca seriam contestadas, pois um deus não erra, jamais. O poder máximo dentro daquele mundo fechado, onde o tempo havia parado, e a neve parecia não derreter.

No instante do nascimento duas criaturas emergiram para a vida. Maravilhados com o novo ambiente, suas pequenas almas não se deram conta de que o destino agia mais uma vez. E seguindo as regras da família, ao mais velho seria dado todos os benefícios, enquanto ao outro restava apenas juntar-se à escória.

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Nas cinzas do tempo o destino escreveu, e suas palavras se tornavam realidade, guiando os irmãos, Hiashi e Hizashi, ao longo da vida.

Hiashi, o novo patriarca, mostrou-se adepto as artes do oficio, conquistando logo a simpatia de todos, e mesmo ocupando o maior posto não faltava com respeito a nenhum dos membros do segundo e terceiro clã, ou como costumava chamá-los quando se encontrava seguro em seus aposentos, as escórias.

Sendo o responsável por manter a família viva e em tempos de prosperidade, realizou um feito aguardado há tempos pelos Hyuuga: a criação de uma empresa que levava este nome. Apesar de não parecer grande coisa no inicio, o tempo foi provando que esta havia sido a melhor decisão tomada pelo patriarca, pois além de sustentar todos os membros, trouxe muito prestigio ao nome da família, transformando-a em um símbolo de honestidade, dignidade e até bem-estar, levando em conta o fato de que os produtos oferecidos eram remédios, tanto naturais quanto sintéticos.

Com a boa reputação e o grande crescimento do comércio, Hiashi sentiu-se livre para expandir seu negócio, e calando as más bocas que cochichavam a respeito da má relação que levava com o irmão, deu a ele como presente uma das filiais.

Grande foi seu espanto quando, em uma das reuniões, viu que Hizashi estava se saindo muito bem no trabalho, e grande foi sua vontade de ultrapassá-lo, afinal, ele era o patriarca, e nada nem ninguém poderia ser melhor do que sua pessoa, muito menos seu gêmeo.

Igual a um conto de fadas, a oportunidade perfeita apareceu: a esposa de Hizashi havia morrido durante o parto. O primeiro filho do casal, um garotinho de pele pálida e olhos claros, assim como todo o resto do clã. Neji era seu nome.

Um bebê precisava de muitos cuidados, era natural que seu irmão largasse o trabalho por uns tempos, dando a chance de finalmente superá-lo nos negócios.

No entanto, aquela filial era agora a única coisa que mantinha Hizashi afastado das sombras de seu coração, e Neji lembrava muito a mãe, trazendo inconscientemente mais angústia ao pai. Sendo apenas um recém-nascido, não fazia idéia dos pensamentos perversos formados nos confins da mente do homem por causa de um simples olhar. A vontade que ele tinha era a de matar o garoto e recomeçar a vida do zero, fugindo de todos os fantasmas... E a única hora do dia destinada á árdua tarefa de esquecer-se da cruel realidade era a do trabalho. Impossível no momento.

No mesmo ano Hiashi recebeu a noticia da gravidez de sua mulher, a única pessoa em quem confiava. A primeira reação foi orar a Deus para que não tivesse o mesmo azar de seu irmão, mas o futuro já estava traçado, e quando sua filha, Hinata, completou 3 anos, a morte fez-se presente, encobrindo com seus negros braços a mãe da garota, e apagando de vez a pouca luz que chegava até o patriarca.

A neve que caia sobre a alma de Hiashi ganhou intensidade, soterrando seu coração com a frieza de um rigoroso inverno e machucando-o como uma nevasca. Já não existia saída.

O grande deus dos Hyuuga agora estava no chão, deixando transparecer pela primeira vez o sofrimento... A máscara havia caído, revelando um velho decadente, sem condições de liderar a família, mas principalmente, sozinho. Engolindo um pouco do orgulho, uma de suas características mais marcantes, pediu ajuda ao gêmeo, que vendo a oportunidade de sair do abismo em que havia caído, aceitou sem pestanejar.

Era perfeito, finalmente, depois de longos 4 anos, Hizashi poderia afundar as mágoas nas tarefas, e esquecer a vida deprimente que levava: abandonado a própria sorte, pois não importava o que fizesse, ninguém reconhecia! Mas isso mudaria... Com o poder da empresa em mãos, a prova de que ele merecia ser a mais alta autoridade do clã seria dada... Mostrando assim a grande besteira dita pelas regras da família.

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Preso em um esquife de gelo, era assim que se sentia dentro daquela casa. Uma realidade a parte, onde o amor não estava incluído, assim como o carinho, afeto e atenção... Bem, talvez atenção existisse, mas apenas relacionada às regras da família, para que ninguém as quebrasse.

Este dia tinha algo de diferente, chegando a beirar o macabro... Porque pela primeira vez seu pai o chamou pelo nome.

- "Neji, quero que compareça no salão principal hoje."

Era tão emocionante! O salão principal... Não passava de um quarto com uma mesa e cadeiras, a única coisa realmente importante era que naquela habitação o líder dos Hyuuga falava, mas não era pra jogar conversa fora, e sim para tratar de assuntos importantes. Assim dizia seu pai.

Afundando os pés o máximo possível na neve, o castanho se dirigia até o tal salão. Incrível que sempre nevava naquele lugar... Parecia com o monstro que cuspia sorvete, seu personagem favorito de um livrinho que tinha em casa, a diferença: sorvete é gostoso, e esse negócio branco tinha um gosto horrível...

Parando em frente à porta onde Hiashi-sama estava, bateu de leve, pedindo permissão para entrar, a qual foi dada.

Já dentro da habitação, o garoto sentiu-se encolher diante do olhar severo do pai... Ajoelhou-se para fazer reverencia ao patriarca, e teria ficado assim o dia todo, só para não ter que encarar Hizashi novamente, no entanto a sorte não estava ao seu lado, e após uma ordem, que não soube dizer de quem, levantou-se.

Algumas palavras foram trocadas entre os gêmeos, mas Neji não escutou nenhuma, estava muito ocupado tentando ver o que era aquilo atrás do patriarca.

- Esta é Hinata – pronunciou Hiashi – A partir de hoje vocês estudaram juntos – deu um passo para o lado, revelando uma garotinha de curtos cabelos azulados, que numa inútil tentativa tentou esconder-se mais uma vez atrás do pai.

Aos olhos de Neji essa cena era no mínimo engraçada, mas sabia que se risse naquele momento provavelmente não teria um dente no outro dia, assim que preferiu guardar silêncio.

- Espero que seu filho esteja apto a realizar os afazeres de um membro do segundo clã... Caso contrário mandarei que outro tenha a tão sublime tarefa de proteger a única herdeira da família – espetou o mais velho.

- Não se preocupe... Apesar da pouca idade ele possui todas as qualidades necessárias...

- Assim espero... – e dando as costas saiu do local, deixando para trás um rastro de confiança e orgulho, afogando o ambiente em um clima pesado. Minutos depois, o suposto professor das crianças apresentou-se, cumprindo seu papel de educador particular dos Hyuuga a tarde inteira.

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Rotina... Fazendo sempre a mesma coisa: acordar, receber o tratamento gélido do pai, ajudá-lo com o que fosse necessário na empresa, estudar, ajudar de novo e ir dormir... Tudo igual... Até mesmo as conversas que tinha com Hinata, a filha de Hiashi, e como tinha descoberto a pouco, sua prima.

Muito chato! A única coisa que amenizava era a hora livre, a primeira após o almoço, onde todos faziam o que queriam, livres das obrigações. Mas também não havia muita diferença... Dedicava esse tempo tão precioso para explorar os arredores, e em uma dessas expedições deparou-se com algo surpreendente: o mundo do lado de fora. Parecia magnífico com todas as cores, brilhos, barulhos... Tinha até gente sorrindo! Felizes. Feliz. Felicidade... O que era isso afinal?

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Um milagre, só podia ser isso... Estavam levando ele e Hinata para fora daquela casa! E o melhor de tudo, a passeio.

Ruas, carros, luzes, pessoas, animais, casas, prédios, lojas e mais lojas... Incrível, simplesmente inesquecível!

E seu coração de garoto apertou quando entraram em uma loja de brinquedos. Estantes repletas de jogos, tocando o teto do estabelecimento... Era como se seu corpo estivesse grudado no chão, não conseguia se mexer, os olhos, abertos até o limite, não decidiam onde focar, pois em cada canto havia algo que chamava atenção, e de repente viu-se repleto de um sentimento pouco conhecido... Talvez fosse a... Felicidade?

- Neji-kun! Olha esse boneco! – exclamou Hinata colocando o brinquedo a menos de 5 centímetros do outro.

- Ah! – assustou-se – S-sim... É legal... – engoliu em seco preparando-se para explorar a loja. Primeira vez que podia ser o que era: uma criança.

- Parece ser muito legal não acha? – indagou a garota apontando uma caixa repleta de miniaturas.

- Sim, parece mesmo – os olhos do castanho brilhavam. Queria aquele brinquedo, precisava daqueles soldadinhos. O sorriso desenhado em seus rostos emanava uma paz que a alma do garoto desejava, mas acima de tudo, queria a companhia deles. Quando pediu a Hiashi levou como resposta um redundante não... "Você precisa se focar nas atividades que realmente valem à pena" – disse o homem, mas então por que quando Hinata pediu os mesmos bonecos ganhou? Ela também tinha obrigações, e como seu pai sempre dizia, ela era a herdeira da família...

E Neji começou a suspeitar que o mundo da garota era muito diferente do seu.

"Diário,

Hoje fui passear e pedi um brinquedo, mas não ganhei... A Hinata-san ganhou, mas ela também tem tarefas pra fazer... Eu queria estar no lugar dela." – era o que dizia no surrado caderno onde o castanho resolvera escrever sobre o que sentia, ou seja, o seu diário. Não podia falar para mais ninguém, não podia confiar em mais ninguém, então a única saída era transformar toda a tristeza e solidão em palavras, confiando-as a um velho caderno e torcer para que este guardasse segredo de seus pensamentos.

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Ao longo de 15 invernos a empresa Hyuuga cresceu e conquistou espaço mundo afora, sendo reconhecida pelas maiores potências internacionais, e atribuiu ao mesmo tempo uma ótima reputação á família.

Um marco de honestidade.

Mas ninguém imaginava as técnicas ilícitas utilizadas pelos farmacêuticos do lugar, que acomodados em seus laboratórios e longe de olhares curiosos, modificavam a fórmula de quase todos os remédios, diminuindo o poder de cura e aumentando o lucro. Tudo feito no abrigo do gélido clã Hyuuga. Uma verdadeira crosta de gelo, e por trás desta barreira descansava o poder supremo da família, Hiashi, um velho doente e que a cada dia sentia a vida escorrer por entre os dedos: estava morrendo.

Em breve a morte faria outra visita, roubando a alma apodrecida do homem, afastando-o do trabalho e do dinheiro, mas quando pensava neste assunto, a única coisa que aparecia em sua mente era o que fazer com a empresa. Não podia deixar seu irmão no poder, se o fizesse estaria gritando que a importância da família secundária era maior que a da principal, e isso ele não faria jamais, pois estaria atirando no próprio pé. A única solução seria passar o legado para Hinata, sua filha, uma garota irresponsável, tímida e de pouca personalidade, a pedra no sapato, como costumava chamá-la. No entanto ela era a primeira na linha de sucessão, seria ela ou Neji, o segundo na linhagem... Desta vez não existia escapatória.

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- "Neji-kun, vamos passear pelo jardim hoje depois do almoço?"

- "Claro Hinata-san, estarei te esperando perto daquela árvore – disse apontando para um pedaço de madeira que mais parecia uma assombração."

"O almoço já foi faz tempo... Cadê ela?" – pensava o castanho enquanto olhava para todos os lados, encontrando apenas uma paisagem branca com algumas marcas negras onde deveria estar o chão. Este inverno estava sendo terrível.

Olhou para cima encarando um cenário acinzentado – "Vai nevar..." – o melhor seria ir procurar Hinata antes que o céu desabasse.

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- É do seu conhecimento que a família Hyuuga possui bens de incomparável importância – a voz grave ecoava pelo corredor, tingindo-o de negro, e Neji sentiu-se inundar pela curiosidade e pelo medo. Aproximou-se da porta entreaberta – E também sabe que administrar os negócios é uma jornada longa e árdua – fez uma pausa – Não sabe Hinata?

- S-sim papai... – murmurou a garota.

O castanho escutando aquelas palavras arriscou-se a espiar um pouco mais na pequena fenda, mas o quarto estava escuro, só conseguia distinguir um Hiashi altivo e uma Hinata encolhida no canto. A neve tinha começado a cair.

- Daqui alguns anos já não estarei mais aqui... – suspirou – Portanto você cuidará de todos os afazeres do clã.

- M-mas eu... – não pôde terminar a frase.

- Não quero interrupções! – aumentou o tom de voz fazendo a menina estremecer.

- D-desculpe...

- Desculpas? Uma futura líder como você não deve pedir desculpas... – cuspiu o homem – Deve saber agir bem e honrar a todos!

Só havia uma cor naquele instante: negro. Negras eram as palavras do patriarca, negras eram as reações da garota, negras eram as gotas de suor que desciam pela testa de Neji e negra era a mente do mesmo.

- Escute – sibilou Hiashi – Sua postura tem que mudar... Precisa ter coragem para enfrentar os problemas, cautela com as adversidades, e principalmente – estreitou os olhos – rigidez com os empregados... Inclusive com aquele seu amiguinho – frisou bem a última palavra, deixando escorrer um pouco de veneno em cada sílaba.

- O Neji-kun...? Mas ele não é meu empregado... É meu... Amigo.

- Amigo? – murmurou – Aquela escória é seu amigo? Hah! Não me faça rir! – tomou uma bocada de ar – Ele é apenas um criado, nasceu para nos servir! O lugar dele é aos seus pés, obedecendo cada ordem dada!

A neve caia pesadamente naquele momento, cobrindo cada centímetro do lugar sem piedade, congelando quem estivesse desprotegido e marcando com estacas a pele dos inocentes.

- Hinata... – tentou acalmar-se um pouco – Você é a esperança dessa família... Se fizer um pouco de esforço o mundo estará em suas mãos... – falou com os olhos brilhando.

- Em minhas mãos... – sussurrou Neji o mais baixo possível – Em minhas mãos... - focou a palma estendida, mas por mais que se esforçasse a única coisa que realmente enxergava era a cor negra.

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Branco. Neve. Nada.

Neji apurou a vista, tentando divisar algo além de gelo naquele local. Esfregou os olhos algumas vezes, arrumou o cabelo que insistia em cair no rosto, virou-se em todas as direções possíveis, mas só via o nada.

Subiu em uma das árvores do jardim, tentando assim ampliar o campo de visão. Já no alto, a paisagem havia se tornado ainda mais desoladora... Apenas neve. Parecia até que o inverno nunca acabava! Instalando para sempre um clima pesado e gélido no casa... A casa governada pelo clã principal, a casa de Hinata.

"Então esse é o mundo dela..." - olhou para uma das mãos - "É tão... Triste" – mas mesmo assim, mesmo com toda dor, aflição e infelicidade... Queria aquele mundo, queria todos os benefícios que um membro principal possuía... Mais do que isso, queria estar no lugar de Hinata.

- Neji-kun, o que está fazendo ai em cima? – o som chegou baixo aos ouvidos do garoto, assustando-o de leve.

-... Estava observando Hinata-san... – desceu lentamente da árvore, limpando os poucos gravetos da roupa.

A garota sorriu gentilmente, estendendo a mão no processo – Quer passear pelo jardim comigo?

O castanho encarou o gesto por um curto espaço de tempo.

"Se você fizer um pouco de esforço o mundo estará em suas mãos".

Talvez... Talvez se tocasse a palma da outra poderia finalmente ter o que queria... O mundo em mãos. Será que conseguiria...? Será que era tão fácil assim...?

Levantou o braço lentamente, não acreditando na sorte que estava tendo. E quase tremendo, segurou com toda força a mão da pessoa a sua frente.

No ambiente antes puro e branco uma figura sombria apresentou-se, e em questão de segundos espalhou um pouco do veneno que carregava usando apenas palavras - Hinata venha até aqui imediatamente... – sibilou Hiashi, parado há alguns metros de distância dos dois.

-... M-me desculpe Neji-kun... – murmurou se afastando o mais rápido possível, deixando o outro estático no mesmo lugar – S-sim papai...?

- Precisamos conversar... – disse indo em direção ao salão principal.

- S-sim senhor... – antes de acompanhar o homem virou-se para encontrar um garoto com o punho fechado, olhos vidrados e arregalados, encarando a mão como se fosse um presente divino, e nos lábios frisados a iminência de um sorriso.

Naquele instante o castanho pôde sentir. Cerrou o punho com mais força, saboreando a sensação de vitória, pois não restavam dúvidas: tinha conseguido!

O mundo agora estava em suas mãos.

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Hora do almoço. Todos os empregados reunidos, formando um ambiente melancólico.

No centro do local uma mesa portava as comidas do dia e os restos dos dias anteriores.

Uma a uma, com o prato em mãos, as pessoas se aproximavam para servirem o que as sustentariam durante a tarde toda. O cheiro de comida estragada reinava no recinto, causando repugnância em alguns, mas quase não sendo notado. Muitos já haviam se acostumado, chegando a agradecer por terem algo que enchesse a barriga.

Em uma das mesas um garoto de cabelos castanhos apenas encarava o que chamava de gororoba – "Aposto que a Hinata não tem que passar por isso..." – afastou o prato, levantando-se lentamente e indo em direção ao jardim.

O manto de neve continuava espesso, marcando as pegadas do rapaz onde quer que ele fosse.

Os pés iam sem direção, batendo de vez em quando nas pedras escondidas do terreno, afundando em pequenos buracos e até escorregando de leve.

Quando deu por si estava no lugar onde esperava Hinata para iniciar os costumeiros passeios pelo jardim. No trajeto falavam de tudo e nada ao mesmo tempo, pura conversa jogada fora.

- Hinata-san – chamou o garoto vendo a prima se aproximar – Quer andar por ai?

-... – a Hyuuga não disse nada, cerrou os punhos e suspirou – Neji-san... – começou, encarando o outro com olhos lacrimosos – E-eu não... – parou, não conseguia falar, não podia! Aquelas palavras emperradas na garganta eram muito cruéis, e ferir seu único amigo era uma tortura... Mas tinha que ir adiante, se não o fizesse seu pai a mataria, começando com o olhar assassino em seu rosto camuflado por uma das janelas, observando atentamente cada gesto dos sucessores. Tomou coragem – Eu não quero mais passar tempo com você – recitou as palavras ensinadas por Hiashi – Eu sou a esperança dessa família... – engoliu em seco, reprimindo as lágrimas que insistiam em sair – O mundo está em minhas mãos – dizendo isso se afastou o máximo possível, deixando para trás um Neji estático, assustado e rancoroso – "Me desculpe...".

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Correu para o quarto, empurrando todos no caminho, não se importaria de derrubar alguém, na verdade seria até engraçado, afinal, naquela família só havia almas podres.

Chutou a porta, causando um barulho que ecoou ao longo do corredor. Agarrou todos os livros que pôde, jogando e pisando em cada um. Estava cansado de ser manipulado por aqueles hipócritas.

Preso por 16 anos naquela gaiola de gelo, ignorado, encostado em um canto qualquer, tratado como lixo. Mas essa situação estava pra mudar! A única barreira que retinha seu ódio pelo clã principal era a garota de cabelos azulados.

"Eu sou a esperança dessa família...".

- Hahaha... Não, você não é – murmurou Neji pegando um velho caderno, foliando as páginas e parando em uma folha limpa – Faca, preciso de uma faca... – procurou pelos cantos um objeto afiado, encontrando um caco de vidro -... Isso é uma promessa, não vou cair enquanto não a realizar... – espetou o dedo, observando o sangue aparecer, e usando desse liquido escreveu uma frase no surrado diário:

"O futuro sou eu."

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A empresa Hyuuga, conhecida por sua honestidade e serviços de ótima qualidade, isso aos olhos de quem estava fora, pois dentro, nas entranhas daquele negócio as falcatruas corriam livremente. Remédios alterados, pesquisas ilegais, pactos entre gente da pior qualidade... Um verdadeiro show de horrores. Tudo feito sob a guarda sigilosa do clã principal. Mas sendo apenas humanos, e Hizashi ainda dividindo a presidência da corporação, era óbvio que o segredo vazaria, parando nas mãos do jovem rancoroso e sedento por vingança: Neji.

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- Senhor Yakushi preciso que me ajude – disse com toda confiança.

- Por favor, me chame de Kabuto... – o homem de cabelos esbranquiçados ajeitou os óculos e encarou o jovem a sua frente – Muita coragem sua vir me procurar... Hyuuga Neji... – sorriu fracamente – Sabe que meus serviços não são de graça, e se bem me lembro sua família tem o velho costume de educar em casa...

- Realmente não tenho dinheiro, mas... – foi interrompido.

- Como soube de mim? Já faz tempo que trabalhei pra sua família...

- Como deve saber, sou filho de Hizashi, portanto... – não conseguiu novamente terminar a frase, já estava ficando irritado com isso.

- Ah... – exclamou, arrumando os óculos mais uma vez – Fico lisonjeado que esteja perdendo seu precioso tempo vindo até este escritório... Mas o que um jovem tão importante como você quer de um advogado tão ignóbil como eu?

- Simples... – estreitou os olhos – Quero que me ajude a mover um processo contra a empresa Hyuuga.

-... Você é ambicioso garoto... – levantou-se, andando até uma janela para observar os flocos de neve.

- Vai me ajudar?

-...

- Não tenho como pagar por enquanto, mas...

- Não se preocupe com isso... Minha recompensa será bem maior que algumas notas verdes... Vou te ajudar garoto – mexeu em uma das gavetas da única cômoda do local pegando de lá uma máquina fotográfica – Aqui, registre tudo o que achar suspeito e traga para mim...

- Vai mesmo me ajudar...? – perguntou incrédulo.

- Ande logo, seu tempo livre está acabando não?

-... – pegou o objeto escondendo-o dentro do casaco -... Obrigado Kabuto-sama...

- Eu que agradeço... E lembre-se: quanto mais provas juntar, mais fácil será ganhar a causa...

- Sim, boa tarde – retirou-se, escondendo o sorriso macabro desenhado nos lábios.

-... Finalmente um pouco de diversão... - o homem continuou encarando a porta do escritório, ladeando a cabeça e escondendo os olhos com o reflexo dos óculos.

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O plano? Derrubar os Hyuuga, clã por clã, tirando o que tinham de mais precioso... Na verdade seu interesse estava voltado apenas para a linhagem principal, ambicionando vê-los caídos, aos seus pés, clamando por misericórdia... Coisa que não existia em sua alma.

A vingança perfeita: desmascarar o patriarca, o deus calunioso, vil e podre... E junto a ele os outros membros. Puxar o tapete vermelho, afundá-los na lama, jogar na cara os erros cometidos durante tantos anos... E acima de tudo, ter o destino de todos em mãos.

Mas isso não bastava... Precisava reafirmar sua presença e demonstrar de vez que o nome Neji merecia respeito, e nada melhor do que administrar os negócios da família mesmo não sendo o herdeiro... Mas isso não representava problema, afinal, Hyuuga Neji era o futuro.

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Por 2 anos provas das ilegalidades cometidas no mundo fechado da família foram coletadas, sendo confirmadas por Kabuto, antigo advogado da empresa.

O castanho não deixava o mínimo detalhe escapar, registrando todos na câmera e incrementando-os com longas anotações. Ao fim de cada mês juntava os papéis e levava para Yakushi, verificando o andamento do processo quando tinha oportunidade, e de acordo com o advogado existiam cláusulas de sobra para derrubar a corporação, mas os planos do castanho excediam isso... Estava tudo planejado, cada passo, cada reação... Havia imaginado quaisquer atos que pai e tio poderiam fazer... E para cada um tinha feito uma solução de igual tamanho. Nada poderia dar errado. Ou quase nada...

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- Me dei o trabalho de enviar a papelada para uma juíza... – o homem suspirou pesadamente em sua cadeira.

- E ela já deu alguma resposta? – perguntou o jovem de olhos claros.

Kabuto mostrou um papel – Mandato de prisão até novo julgamento... – fechou os olhos – Sabe que isso vai dar um grande tumulto, não?

- É a intenção – sorriu – É pra quando essa intimação?

- Deve ser cumprida o mais breve possível... – respondeu relendo o documento.

- Ótimo, se os policiais estiverem dispostos, hoje seria um dia perfeito – aumentou a curvatura nos lábios; estava feliz.

-... Acredito que sim... Se me der licença preciso fazer algumas ligações... – retirou-se da sala, deixando Neji trancado em pensamentos.

Finalmente! O dia de glória havia chegado! A máscara cairia revelando todos os podres daquelas escórias... Apertou a mão, sentindo o mundo dos Hyuuga ser esmagado por seus dedos.

- Muito bem Hyuuga Neji... Os policiais estão vindo até aqui para nos acompanhar... – Kabuto entreabriu a porta, revelando a noticia mais esperada pelo outro.

- Obrigado Yakushi.

- Eu que agradeço...

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Na sala de reuniões se encontravam as pessoas mais importantes da empresa, e como penetra uma garota de cabelos azulados, sentada em um canto, ouvindo as discussões chatas que levavam como tema os negócios.

Palavras soltas que apenas passavam pela menina, fazendo sua cabeça tombar de leve para frente, tornando visível a vontade de dormir.

Já haviam passado 3 horas desde o início da reunião e nenhum dos presentes apresentava sinais de fadiga ou algo do tipo. Pareciam múmias falantes.

Hinata arrumava o cabelo de um modo que os olhos não pudessem ser vistos, soltou um suspiro. Estava cansada disso... Todo dia ouvir a mesma ladainha: como cuidar da corporação, como levar adiante os bens da família, como se portar e uma infinidade de coisas mais... Queria estar lá fora... Andando pelo jardim com Neji... Por mais que não o visse a tempos...

- O que é isso?! – a exclamação ecoou pelo local, acompanhada pelo barulho de portas sendo abertas e a entrada de várias pessoas – O que está acontecendo?!

- Somos policiais e temos dois mandatos de prisão preventiva – anunciou calmamente um dos homens, estendendo um envelope branco e encaixando-o no campo de visão de todos.

- Policia? – Hiashi levantou-se – Exijo explicações... AGORA! – elevando o tom de voz ao máximo calou os murmúrios da sala, inundando-a num mar de silêncio.

- Como o senhor pode ver, temos dois mandatos de pri... – foi interrompido.

- É claro que estou vendo, não sou cego! Pra quem são? – a calma do patriarca já havia morrido.

- Hiashi e Hizashi Hyuuga... – disse após um breve instante – Preciso que os dois nos acompanhem.

- Não... Deve estar acontecendo algum engano aqui... – o gêmeo mais novo pronunciou-se, e tremendo um pouco se aproximou dos policiais.

- Desculpe senhor, não há engano algum... Os dois devem vir conosco imediatamente.

- Este é meu estabelecimento! Ordeno uma explicação do por que dessa calunia! – gritou Hiashi, lutando contra a vontade de expulsar os homens a força da sala.

- Permita-me senhor... – uma nova figura apareceu. Fios brancos, roupas formais e um olhar indecifrável – Meu nome é Kabuto Yakushi...

- VOCÊ! – não se conteve, um lápis passou voando entre as várias cabeças, acertando em cheio a parede; tinha errado.

- Não se precipite Hiashi-sama... – arrumou os óculos – Já não trabalho mais aqui... Meus serviços agora são exclusivamente para o jovem Neji...

Na porta, parado, jazia um garoto de cabelos castanhos. No rosto uma expressão vazia e nos olhos um brilho doentio... As mãos apertadas, os lábios ressecados... Um verdadeiro fantasma.

- Antes que o senhor cause mais alvoroço... – virou na direção do Hyuuga mais velho – Vou explicar... – aproximando-se da mesa colocou em cima da mesma uma maleta. Retirou um maço de papéis enquanto encarava Neji, pedindo permissão, a qual foi dada – Muito bem... Aqui temos um processo de mais de 2 anos contra a sua empresa.

- C-como?!

- Ainda é cedo para gaguejar... – sorriu de leve – Observem... Todos os tópicos foram comprovados, e antes que alguém sugira que isso seja apenas um trote, este processo passou pela mão de muitas figuras importantes na área de julgamento penal... E nenhum... Absolutamente nenhum discordou com as palavras escritas ai... – finalizou folheando o arquivo, deixando todos boquiabertos.

- Impossível! Como puderam julgar sem a testemunha de alguém aqui de dentro?

- Mas nós tivemos... E uma muito ilustre... Hyuuga Neji, que além de suas palavras, entrevistou muitos outros empregados.

- Bastardo! – Hiashi avançou na direção do outro, sendo impedido pelos policiais – Você! Sua escória, o que quer fazer?

- Não é óbvio? Ele quer derrubar vocês – respondeu Kabuto calmamente – E sinto dizer, ele conseguiu.

- Mas... Não há como acabar com isso...? Sem a queda da empresa, claro... – falou Hizashi, esperançado, com o coração preste a sair pela garganta.

- Certamente. Basta o autor retirar a queixa para que o processo seja arquivado, já que por falta de provas isso não aconteceria nunca – soltou uma breve gargalhada.

- Desfaça essa loucura se ainda quiser permanecer com o sobrenome desta família! – o patriarca, já solto pelos policiais, andou vagarosamente pela sala, parando a centímetros de Hinata que tremia sem descanso.

-... – Neji observou o homem. Era apenas um velho patético, lutando para que a neve não congelasse o resto de sua pobre alma... Pena que o destino já estava selado – Nunca.

Um breve instante de silêncio seguido por um grito afogado e exclamações de assombro. Pois ali, em frente ao público, o maior espetáculo Hyuuga era apresentado: Hiashi, com uma arma de fogo em mãos, apontava diretamente para a cabeça de sua filha que relutava, tentando escapar de suas garras mortíferas. De repente o ambiente tornou-se gélido.

- Retire se não quiser vê-la morta! – ameaçou, apertando com mais força o objeto contra a garota.

As lágrimas escorriam e da garganta uma palavra escapou – N-neji... – Hinata sabia que sua única esperança era o primo, o fantasma parado em frente à porta.

Os policiais entraram em formação, esperando o pior. Enquanto tentavam convencer o outro a se entregar, Kabuto se afastava aos poucos, os olhos brilhantes, encarando o tumulto com certa devoção -... Precisamos sair... – sussurrou, empurrando o castanho para fora da sala.

- P-por favor Neji-kun...!

Parou, não podia deixar Hinata pagar por seus atos! Mas ela também tinha virado as costas... Ela também havia atirado uma pedra! Acertando em cheio o coração... Formando um grande buraco, esvaziando o garoto de qualquer sentimento bom... Algum castigo ela merecia, com certeza!

- Neji-kun!

"Quer passear pelo jardim comigo?"

- Contarei até 3! Se esse bastardo não responder vou atirar!

De repente a respiração tornou-se difícil, o ar parecia mais rarefeito... Lábios, mãos, o corpo todo tremia... Sentiu a neve desabar de uma só vez.

- 1!

O que fazer? O sonho de consumo e a pessoa que tornara seus dias infantis alegres... Uma balança desigual onde o ganhador era visível.

- 2!

No entanto... Ainda restava um pouco de bondade... Bem ínfima, mas inegavelmente presente.

Em uma mão o destino de Hinata, na outra o destino da família... Era tão...

- 3!

Triste.

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O sangue escorria pelo chão, tingindo a roupa do patriarca de vermelho.

A cena, grotesca até certo ponto, fez todos se calarem, não devido à morte da garota, mas sim pelo medo de serem a próxima presa.

Os policiais vendo uma oportunidade tentaram desarmá-lo, sendo rapidamente afastados pelo grande deus Hyuuga, ou o esquife de gelo encostado num canto da sala.

O trabalho de uma vida despedaçado por um moleque! Não podia ser verdade... Sabia que a corporação possuía muitos inimigos, alguns até com certo renome, e havia derrubado todos, um a um com suas próprias estratégias... E agora estava caindo justo nas garras de alguém que julgou nunca ser capaz de se rebelar...

Abaixou a cabeça encarando o fruto de seu ódio: o buraco na testa de Hinata.

Alçou novamente o revólver, sentindo a raiva viajar por cada célula de seu ser. Já não importava se a empresa caísse ou se fosse condenado a apodrecer numa prisão pela eternidade, levaria o sobrinho junto, mas se certificaria que este não tivesse tanta sorte assim... Queria justiça.

Toda esperança concentrada no objeto metálico e frio, uma bala... Sua única chance de lavar a honra estava de pé há alguns metros de distância. Só apertar o gatilho.

Fechou os olhos, perdendo a noção de tempo e espaço que foram preenchidas pela alta dose de adrenalina. Era como morrer e renascer em frações de segundos, acreditando que o futuro tornara-se de novo uma folha em branco... Mas estava redondamente enganado.

Escutou algo pesado tombar. Prendeu a respiração e mirou o local.

Agoniando no chão encontrava-se Hizashi, e o patriarca soube naquele instante que todos os sonhos morriam junto a ele.

Aproveitando os últimos minutos neste mundo o homem rastejou-se até Neji, segurando o tornozelo do mesmo.

Ao menos uma vez demonstraria que o amava, e dar a vida em troca da do filho não era nada em comparação aos maus-tratos que tinha submetido-o... O mínimo que podia fazer: morrer em nome do castanho.

-... F-filho... – tentou sorrir, mas já era tarde demais para isso; o tempo havia esgotado.

Atônito, Hiashi soltou a arma, e apertou Hinata contra si. Numa inútil tentativa de alcançar o irmão levantou-se, dando brecha para os policiais que aproveitaram e o prenderam.

O sonho de uma vida destruído e o de outra realizado.

Naquele dia 3 pessoas morreram: Hinata, Hizashi e Neji.

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

- Vim retirar as queixas.

A mulher o encarou por longos segundos. Analisando roupas, rosto e expressão. Estava mesmo decidido – E por que acha que posso te ajudar?

- Você fez o pré-julgamento, está sob sua responsabilidade – estreitou os olhos – E eu, como autor do processo, tenho direito de removê-lo.

- Sim, é verdade... – suspirou.

- Então, se tiver a bondade, arquive.

- Mas você esquece que ele já foi julgado. Portanto é quase impossível...

- Uma juíza tão importante como a senhora tem poder para tal feito... – abriu um dos bolsos do casaco, retirando um maço de dinheiro – Escutei pela cidade certas contas suas que vale ressaltar, são muito grandes até mesmo para o salário de um cargo tão alto como o seu.

- Está tentando me subornar...?

- Oh não... Estou apenas propondo uma troca de favores... – sorriu – Então, o que me diz... Tsunade?

A loira remexeu-se na cadeira. Tinha de admitir, devia para metade da cidade e por enquanto não tinha como pagar...

- Realmente... Os Hyuuga são muito espertos... – pegou as notas, contando-as rapidamente – Certo garotinho, você conseguiu... Até amanhã ninguém saberá que algum dia houve um processo contra a empresa da sua família...

- Minha empresa você quer dizer... – levantou-se – Como único herdeiro vivo e levando em conta minha maioridade... Eu sou o novo patriarca – disse com um enorme sorriso – Agora preciso ir... Obrigado pela hospitalidade... – fez uma breve reverência, para assim sair da sala.

-... Um homem por fora e um garoto por dentro... – negou com a cabeça encarando as notas valiosas.

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Da janela podia ver o grande carro branco estacionando ao lado da casa sede. Dois indivíduos uniformizados desceram, sendo recepcionados imediatamente por um escasso grupo de pessoas, todas com íris e pele claras.

De dentro da casa, alguns minutos depois, saíram três pessoas. Uma fortemente segurada pelas outras, evitando uma possível fuga.

Do lugar em que estava podia ouvir os gritos grotescos. Extrema vergonha para quem um dia ousou se auto-intitular de deus da família Hyuuga... Mas Neji sabia, sempre soube... Este posto era somente seu, e Hiashi agora pagava pelos pecados cometidos.

- Com licença senhor... – a moça entreabriu a porta, pedindo permissão para entrar – Vim avisar que Hiashi-sama já foi levado para o hospício, assim como o senhor mandou...

- Ótimo... – observou satisfeito o carro sair das terras que agora lhe pertenciam – Só uma coisa... Eu sou o patriarca por direito, portanto quero que chamem somente a mim de "sama"... Comunique a todos.

- Sim Neji-sama...

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

Inverno.

O chão totalmente branco.

Na televisão passava um documentário chato sobre animais polares... Há tempos não era transmitido algo sobre os Hyuuga... De vez em quando um ou outro comentário relembrando a morte trágica do gêmeo mais novo e a filha do ex-presidente. Horrível desastre, que Deus os tenha...

Riu ao lembrar-se do quão fácil havia sido enganar aqueles repórteres... Mostrar os destroços de um carro e os restos mortais de um alguém qualquer. Claro que não deixou exames de DNA ou coisas do tipo serem feitas... O país inteiro acreditava no incidente, e Neji era oficialmente o único herdeiro da família.

Quando foi tomar posse dos bens fez questão da presença de redes televisivas para que ninguém ousasse por seu direito à prova...

Aparentemente perfeito: a vingança feita, o mundo em suas mãos!... Mas então por que nevava tanto?

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"P-por favor Neji-kun...!"

Terceira vez em uma noite... Não conseguia dormir! Não podia! Era fechar os olhos para ver o sangue escorrendo pelo chão como uma serpente, a mesma que se enrolava sem dó em sua mente e o asfixiava todos os dias...

Quando a hora de adormecer se aproximava sentia o corpo tremer inconscientemente, prevendo a sessão de pesadelos que teria.

Sempre a mesma coisa: Hinata morrendo...

Queria ter um sono livre disso! Poder acordar sem temer o escuro... Mas era impossível.

Seria a chamada "dor na consciência"...?

~~~~~~~~~~~~~~~~~~

- Neji-sama, o senhor está com olheiras muito profundas... Precisa descansar bem para poder conduzir os negócios... – murmurou a camareira enquanto dobrava as cobertas, observando o castanho encostado próximo à janela.

-... Não se preocupe... – continuou absorto nos flocos de neve que se despedaçavam no vidro.

-... – a mulher continuou com seus afazeres, deixando o outro absorto em pensamentos – Neji-sama, o senhor tem uma reunião marcada para daqui exatamente 5 minutos... – comentou com a mão na maçaneta prestes a deixar o cômodo.

-Certo...

Sabia que seu estado não era dos melhores, mas até a serviçal tinha notado! Hora de fazer alguma coisa... Mas não podia descansar, nem ao menos fechar as pálpebras... Pois sabia que no mundo dos sonhos, ou melhor, pesadelos, a morte viria assombrá-lo... A morte da prima e do pai...

"... F-filho..."

~~~~~~~~~~~~~~~~~~

- Fizeram o que?! – gritou batendo a mão na mesa, surpreendendo os demais.

- Veja bem Neji-sama... – começou um dos executivos pegando um lencinho para secar o suor que descia pela testa – O senhor não parece muito bem, e os exames médicos não indicaram nada de anormal... – engoliu em seco.

- S-sim! – exclamou outro homem – E como sua saúde corpórea está bem, nós achamos que talvez a mental não esteja...

- Está me chamando de louco? – o tom de voz era baixo e perigoso.

- N-não! C-claro que não! O senhor é perfeitamente normal! – fez uma exagerada reverência, temendo pela perda de seu emprego.

- Neji-sama, é apenas uma consulta no psicólogo... – arriscou um velho – Dê uma chance... – terminou com as mãos juntas em sinal de súplica, sendo acompanhado por todos os presentes.

Bufou, na realidade era até engraçado ver aqueles homens rabugentos suando tanto – Muito bem.

- Oh! Muito obrigada Neji-sama! – clamaram com grande grau de alivio na voz.

Psicólogo... Talvez ajudasse...

~~~~~~~~~~~~~~~~~~

Um ano indo à mes

ma clínica, vendo a mesma pessoa, ouvindo a mesma ladainha... Muito chato, rotina total...

- Neji-sama, precisamos conversar... – o médico sentou-se pesadamente.

- É a única coisa que fazemos... – procurou uma posição cômoda no já tão conhecido divã.

-... – engoliu em seco – Acho que já notou, mas nosso tratamento não anda surtindo muito efeito...

"Só agora percebeu...?" – pensou sorrindo por dentro.

- E admito que seus problemas ultrapassam minha área... – buscou em uma das gavetas por uma caderneta -... Penso que está na hora do senhor procurar um psiquiatra... – o olhar do outro o assustou – N-não entenda mal... Ele apenas te ajudaria mais a superar o problema... Com meu acompanhamento, claro...

- O senhor tem razão, um profissional com mais competência talvez possa me ajudar... – o médico sentiu-se incomodado pelo comentário – Pode marcar uma consulta.

- Não gostaria de escolher quem o atenderá?

- Não tenho tempo pra isso... Espero que ao menos nisso você seja útil... – e saiu da sala, deixando o homem estático.

Não agüentava mais aquelas consultas, se é que podia chamá-las assim... Pura perca de tempo! Não se sentia melhor, nem deixara de ter pesadelos...

Pra dizer a verdade andava muito irritado ultimamente... Descontava em qualquer um, até um simples olhar o aborrecia. Precisava de algo que trouxesse felicidade, nem que por um curto período de tempo... Nem que fosse por meio de um remédio...

~~~~~~~~~~~~

- Muito prazer, meu nome é Rock Lee! – disse o moreno alegremente, abrindo um magnífico sorriso.

Não soube o que era nem se realmente era alguma coisa... Assemelhava-se a um vazio no estômago, como... Borboletas.

O cabelo extremamente negro e brilhante, igual aos olhos. A pele que cintilava sob a luz do sol... Sentiu as bochechas enrubescerem sutilmente.

Quem sabe não precisaria de nenhum tipo de remédio, apenas...

- Hyuuga Neji...

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

Passou os dedos pela capa desgastada, sentindo as lembranças viajarem através da circulação sanguínea... Nostalgia.

O diário, tão velho e sujo, conservava as palavras que tinha escrito durante muitos anos... Permitindo uma viajem ao passado, que sinceramente, não traziam nenhum tipo de sentimento. Indiferença apenas.

Os erros da infância, os planos malévolos, o mundo fechado... Nada disso importava mais, igual ao diário eram só lembranças, parte do passado triste e negro.

Mas não queria mais isso... Chega de sofrer!

Segurou o acabado caderno dando uma última vistoria nas folhas, para logo em seguida colocá-lo em seu devido lugar: o lixo. Junto com todos os acontecimentos e principalmente, junto a sua infância...

Porque o presente não era negro, mas sim colorido, e no meio de tantas cores a que mais se sobressaia era a verde.

~~~~~~~~~~~~~~

22:30 dizia o relógio.

Encarou novamente o cardápio. Já estava ficando nervoso...

Olhou ao redor tentando enxergar alguém com cabelos brancos, mas nada... Só um casal de velinhos rindo enquanto passavam pela calçada.

Suspirou. O restaurante enchia a cada minuto, e as íris castanhas estavam atentas a qualquer semblante conhecido, mas nada de novo...

23:10.

Sacudiu o relógio para ver se a bateria tinha pifado, no entanto o aparelho estava funcionando perfeitamente, o que não estava funcionando era o jantar que tinha marcado com Kakashi. Só marcado, já que o mesmo não viera até agora!

"Ok Iruka... Só mais meia hora e vou embora!" – cruzou os braços fazendo um minúsculo bico.

~~~~~~~~~~~~~~~~

A rua estava movimentada... E isso era irritante.

Caminhava lentamente pela calçada, o vento frio batendo na pálida face, as mechas vermelhas dançando ao compasso do mesmo.

Parou enquanto todas as pessoas passavam apresadas por algum motivo qualquer. Sentiu-se como um fantasma... Não era visto nem notado por ninguém. Como se não existisse.

Mas enfim, não queria a atenção de nenhum daqueles desconhecidos, que continuassem na caminhada sem-graça e monótona de suas vidas... Igual à sua.

Desviou de um grupo barulhento de mulheres, indo parar numa rua meio escura, suja e até um pouco aterrorizante. Mas o importante é que quase não havia humanos por ali... Na realidade só tinha um monstro de cabelos vermelhos.

~~~~~~~~~~~~~~~~

"Quase meia noite e me ligam pra ir pegar relatórios..." – o castanho dirigia através da cidade passando por diversos panoramas, dos mais bucólicos aos mais deprimentes...

Justo quando decidiu esquecer os fantasmas do passado teve que sair de casa, seu esconderijo... Muito azar.

Virou em uma rua deserta para cortar caminho – "Quanto mais cedo pegar essa papelada melhor!".

Levou um susto e diminuiu a velocidade.

Ao lado do carro passava uma pessoa muito conhecida, uma que inconscientemente, ou não, queria destruir o sonho de ter Lee ao seu lado. Para sempre.

"Sabaku no Gaara..." – encostou o veiculo e olhou pelo retrovisor o ruivo se afastar em direção a um parque.

Excelente, um lugar vazio e mal iluminado... Não era possível que ouvissem algo proveniente dali, e seria até engraçado se encontrassem o corpo de um certo monstro ensangüentado no chão. Riu ante a possibilidade. Ao menos daria um pouco mais de ação àquele bairro... Mas não, não sujaria as mãos com um lixo como ele, e além do mais a fama de assassino não lhe convinha em nada, afinal, precisava ter um histórico limpo para poder ficar com Lee... Seu doce moreno...

Apresou-se a sair do carro.

Chance perfeita de fazer o Sabaku entender de uma vez por todas que Lee nunca se interessaria por uma anomalia como ele...

Seguiu os passos do outro.

Muita sorte.

s2s2s2s2s2s2s2s2s2

LEIA A DESCRIÇÃO!! É MUITO IMPORTANTE!!


Notas Finais


Nossa que cansaço! xD Me desculpem novamente pelo sumiço milenar T.T Não acontecerá de novo =D E espero que o capitulo tenha ficado bom e a altura de quem esperou tanto tempo... Pra quem leu desde já um obrigado! – e uma desculpa também... - Mas eu estava pensando em um especial (não é hentai) eu pensei em voces me mandarem perguntas:

Fulanodetal.

Num sei o que
Num sei o que
Num sei o que
Num sei o que
Num sei o que.

Eu pensei nisso para o proximo cáp,e voces tem mandar perguntas com maior quantidade ou a mesma quantidade que eu coloquei (sim,gosto de responder)

Obrigado pela atenção >3<

Fique com Rikudou e com hentais,mangais e yaoi ao vivo!!Thau!....e desculpa de novo.


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