História Garota do capuz vermelho (Bubbline) - Capítulo 7


Escrita por: ~

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Categorias Hora de Aventura
Personagens Beemo "BMO", Cake, Canelinha, Finn, Fionna, Hudson Abadder, Jake, Lady Íris, Litch, Marceline, Marshall Lee, Mordomo Menta, Princesa Caroço, Princesa De Fogo, Princesa Jujuba, Principe Chiclete, Rainha Gelada, Rei Gelado
Tags Bubbline, Drama, Fiolee, Gunlee, Hentai, Hot, Jake, Lady Iris, Marcenna, Marshall Lee, Yaoi, Yuri
Exibições 195
Palavras 4.468
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Colegial, Comédia, Drama (Tragédia), Ecchi, Luta, Romance e Novela, Universo Alternativo, Violência, Yaoi, Yuri
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Olá meus amores, agradeço muito, mas muito mesmo pelos 80 favoritos, rumo aos 100.
Vou dar uma meta pra nós. Se chegarmos a 100 favoritos até o capítulo 10, poderão escolher o que acontecerá no próximo capítulo, claro que não irá fugir da linha da história. Mas se quiserem um hot de bubbline, haverá :v se quiserem um yaoi, ou que aconteça alguma treta, também haverá, ou seja, vocês que mandam se chegar a 100 ;)
Um capítulo feito com muito carinho para todos vocês, espero que gostem meus amores.
Desejo as boas vindas aos novos leitores o/
Boa leitura a todo.

Capítulo 7 - Comportamento transedente


 

Um flash cor de rosa perturbou a escuridão de meus sonhos. Não consegui pensar em mais nada além daquela garota que me feriu profundamente. Sentia como se ela tivesse aberto uma fenda em meu coração. Não consegui segurar as lágrimas que escorriam, já transformava toda aquela angústia na letra de uma música, cujo a qual teria que cantar no dia seguinte pra poder desabafar comigo mesma.


 

A noite foi tranquila, bem por um momento. Não queria dizer que Íris tinha razão. Minha mente ficou perturbada na madrugada, a consciência pensou. Ela merecia? Sim, mas acho que fui longe demais. Mal sabia o quanto aquele objeto valia para ela, porém simples desculpas não iriam concertá-lo. Talvez devesse mandar arrumar, esperava valer a pena.

Acordei as cinco horas da manhã, meus olhos em lágrimas. Era como se meu coração tivesse sido partido, mas por que me sentia assim? Corri até o banheiro me trancando lá. Aproveitei para jogar água no rosto e me olhar no espelho.

Neguei com a cabeça ao ver meu estado. Será que realmente estava apaixonada? Como podia sentir falta de alguém que mal via, nem conversava. Talvez devesse começar do zero, mas a questão era. Seria perdoada por ter quebrado algo tão sentimental pra ela?

Ouvi uma batida na porta. Limpei a garganta fingindo nem ouvir, sabia quem era.

-Está tudo bem aí Juju?- perguntou.

-Sim, só estou sem sono.- tentei justificar.

-Você mente muito mal.- um flash vinha em minha cabeça, outro alguém já me disse isso. -Conta logo, o que está acontecendo?-

A imagem de um carinhoso beijo surgia na minha mente. Era um daqueles malditos flashbacks que eu movia meus lábios pensando que estava vivendo aquele momento. Todos aqueles sentimentos vinham à tona. Se soubesse que seria a ultima vez que teria a beijado no corredor, não ia parar tão cedo. Ainda me imaginei segurando a mão dela, por que algo tão simples era tão fofo? Podia ser com um garoto também, mas acho que não queria. Quem me conquistou foi ela, mas será que era certo eu ir atrás dela ou ficar na minha? Ela sempre foi tão meiga comigo... mas e a Fionna..

-JUJU ABRE ESSA PORTA.- meus pensamentos foram quebrados com o grito.

-Desculpe.- Abri a porta vendo a expressão furiosa no rosto da minha amiga.

-Me conta o que está acontecendo AGORA.- bufou

-Tá bom.- Apontei com o rosto para a cama, no qual fui acompanhada até o local.

-Sem suspense, fala logo.- reclamou.

-Resumidamente, me arrependo de ter quebrado o baixo e ainda penso nela. Estou com vontade de beijar ela novamente, mas tenho medo. Tanto dela não me perdoar, quanto pelo fato da Fionna ser quase uma namorada dela. Slá... as vezes acho que as duas combinam sabe?- suspirei olhando para o tapete e sentando na cama.

-Amiga.- Virei meu rosto pra ela. -Para de ser trouxa. A garota tava caidinha por ti, aí feriu o coração dela, vai querer o que? Claro que a Fionna vai se aproveitar pra ficar próxima da tua mulher. Se fosse você ia pedir desculpas logo.- cruzou os braços

-Mas só desculpas não consertam o baixo dela.- olhei pro lado.

-Eu cuido do baixo, você da sua mulher. E olha.. até que shippei vocês duas, mas faça alto, pelo amor de deus. Não aguento mais seu cu doce.- sentou na própria cama.

-Cu doce? Minha mulher? Íris.. pare de gracinhas.- corei deitando com o rosto no travesseiro.

-Pedir desculpas pra ela não machuca.- reclamou.

-Machuca meu orgulho.- minha voz estava abafada pelo travesseiro.

-Como queira. Apenas durma desgraça, to devendo horas de sono e você aí de drama.- Jogou o travesseiro em mim, aonde rimos.

-Boa noite pra você também.- nem terminei de falar e ela já dormia, que rápida!

Já me sentia aliviada, Íris sempre me fazia sentir melhor. Segui então a dica dela, indo dormir, dessa vez consegui ter bons sonhos.

Já pela manhã acordei cedinho, com meu despertador. A loira apenas resmungava virando na cama, me acostumei com todo aquele molejo dela pra levantar. Aproveito pra escovar os dentes e me arrumar, hoje ia passar a manhã na biblioteca e as nove e meia iria pra academia, ficaria lá até o almoço. Só teria aula durante a tarde naquele dia. Finalmente ia terminar de ler aquele livro que peguei, nem li o fim de semana, minha mente estava tão perturbada.

Quando saí do banheiro vi Íris milagrosamente arrumada. Com seu suéter de arco-íris, uma calma jeans e uma bota marrom. Seu longo cabelo estava solto, um perfume doce impregnava o ar, até espirrei.

-Vai ver o Jake?- Perguntei pegando um suéter creme no armário.

Vestia uma calça jeans, uma blusa rosa embaixo e uma sapatilha de igual cor. Prendi meus cabelos em um rabo de cavalo, para que não caíssem no rosto enquanto lia. Ajeitei meu óculos ao rosto, fracas sardinhas eram visíveis em minha pele clara.

-Vou sim, e você vai comigo.- segurou em meu braço.

-Íris, sabe que seu perfume me da..- espirro. -..alergia.. melhor não irmos.- falei meio fanha.

-Pare de drama, vamos logo, ele vai ver o Finn tocar flauta. Vai ter um conserto da escola no final do mês, todos estão ensaiando.- Nem me deixou negar, apenas me puxou e entregou um lenço quando saímos da porta.

Minha ideia de ler foi por água abaixo. Entramos na sala de música, avistamos de cara Jake acenando para ela, estava sentado na arquibancada vendo os alunos treinando ao palco. Mais ao fundo pude ver Fionna e Cake cochichando algo.

Os namorados se cumprimentaram com um beijo para variar. Ouvia o sim da flauta, vendo o garoto loiro no palco, a Íris me contou que era o irmão da Fionna, por isso eram tão parecidos. Lembrei de também ter um irmão mais novo, porém ele morava com o pai, bem longe daqui, mamãe não conseguiu a guarda dele.

Senti como se meu coração tivesse parado, Marceline estava sentada em um banco, cabisbaixa, o professor conversava com ela. Marshall até estendeu seu baixo para ela, o que fez o tal ganhar um abraço repentino. Um enorme sorriso surgiu aos lábios dela, enquanto tocou o instrumento, parecia com saudade.

-Está afinado, obrigado Marshall, te devolvo quando terminar.- se levantou.

Todos ao palco estavam caracterizados, Finn vestia uma armadura de latão, como se fosse um guerreiro. Marceline estava com aquele capuz vermelho, até a pele dela estava acinzentada com presas enormes. Seu longo cabelo estava solto, os olhos vermelhos eram vibrantes.

-Sabia que o tema da apresentação vai ser a era medieval, aonde tem vampiros, dragões, guerreiros.- Comentou Jake para Íris animado.

-Que lindo querido. Vamos assistir né?-

-Não perderia por nada.- novamente os dois se beijavam, eram tão fofos que chegava a dar nojo de ficar olhando.

-Jake, você toca violino né?- separou o beijo pra perguntar.

-Toco sim, mas não fui convidado. Finn vai fazer o teste hoje pra saber se vai participar ou não. Até agora só a Marceline e o Marshall estão dentro, mas parece que só tem um baixo, parece que ela vai tocar violão, não prestei muita atenção.- ela soltou uma risada segurando a mão do namorado.

O professor pediu para a morena cantar algo, apenas para ver se estava bem afinada, iriam começar o ensaio e decidir quem mais iria se apresentar. Acho que o garoto já estava caracterizado pois queria muito participar.

-Laradadada.- a voz doce de Marceline atraiu minha atenção, como ela tinha uma voz boa pra cantar.

-Vou te enterrar aqui no chão. Laradadada. Vou te enterrar com esta canção.- os olhos dela vieram de encontro aos meus, enquanto corei levemente continuei a encarando.

-Eu vou beber o vermelho.... Do seu lindo rosto rosa... E eu vou....- interrompi ela, não era possível uma “direta” pra mim.

-Que falta de gosto.- Reclamei, depois dessa, acho que nem pediria desculpas.

-Aé? Você não gostou? Ou será que só não gosta de mim?- reclamou com a voz um pouco alterada.

-Vamos Cake.- ouvi um murmúrio de Fionna ao fundo.

Imaginei que ela iria brigar comigo novamente, nos encaramos por um tempo. Parecia que iríamos sair na porrada, porém a morena tornou a tocar.

-Desculpe se não trato como deusa, se é isso que você espera de mim.... Desculpe se não chamo de perfeita, como todos os seus súditos assim... - cruzei os braços. Ela ia continuar aquela música.

-Desculpe se não sou de açúcar, se não sou doce o bastante pra você..- acho que ela já disse isso pra mim uma vez. -Por isso que sempre me evita, sou um incômodo enorme pra você, bem...- talvez nessa situação estamos quites.

-Sou seu problema, sou seu problema.. É como se, gente eu não fosse....Será que sou?..Sou seu problema, bem..-

-Eu não tenho que justificar o que vou fazer.... Eu não tenho que provar nada pra você.- será que ela fala de roubar minhas coisas?

-Desculpe por existir... Na sua lista negra entrei sem resistir..- quanto drama.

-Vamos Íris.- reclamei.

-Espera, tá ficando legal.- disse rápido pra ouvir o resto da música.

-Mas não sou eu quem devo fazer as pazes com você, então..- fazer as pazes? Pera... buguei. -Porque eu quero, porque eu quero.. - ela parou um instante, como se repensasse a letra, chegou até a desafinar. Isso foi estranho, me fez ficar pensativa. -Te enterrar no chão.. E beber seu sangue..- fiquei encarando ela sem entender.

-Pare de olhar pra mim, você está me desconcentrando.- virou o rosto negando com a cabeça.

Sem me despedir, deixei o local. Como pode, ela faz todo aquele drama cantando pra mim e ainda eu que tiro a concentração dela. Estava tão estressada, confusa. Por que essa garota me deixava assim. “Não é ela que tem que fazer as pazes comigo?” oras, ela que devia pedir desculpas por me roubar. Ela devia ter pedido, roubar é errado... espera... acho que amar ela também. Suspirei.

Não aguentei tanta intriga, resolvi me distrair com exercícios. Coloquei uma blusa regata colada ao corpo, um short e um tênis, deixei o óculos no quarto. Fui na academia apenas levando uma toalha de rosto sobre os ombros, água tinha lá.

Já comecei andando de bicicleta. Era irritante os olhares em meu corpo. Já fui mais gordinha, mas agora, bem, estava em ótima forma. Graças a isso minha silhueta era linda. Tinha bastante peito, coxa, quadril, bunda, era super bem distribuída. Minhas panturrilhas eram de dar inveja. Modéstia parte, mas achava meu corpo mais bonito que o da Fionna.

Ela era modelo, sempre estava na academia, porém seu corpo tinha maior vantagem apenas na curva do quadril, a bunda dela parecia ser pra dentro, mesmo que se esforçasse malhando pra parecer ter algo. Ao meu ver não era agradável.

Aquela garota nunca falava comigo, sempre fazia exercícios com suas amigas.

Fez algumas horas que eu estava malhando, até que me senti mais calma depois daquilo. Descontei toda aquela raiva nos pesos, levantando e ficando em forma. Me olhei toda suada no espelho, aquela ótima forma que mantinha me deixa muito orgulhosa, até sorri.

Me olhava de costas no espelho quando alguém se aproximou, era Fionna, estava com um sorriso bobo ao rosto. Nos encaramos por alguns segundos, porém ela quebrou o silêncio.

-Jujuba, amiga. Como você é gostosa, nunca tinha reparado sabia?- sorriu de maneira travessa.

-Obrigado..- Levei a mão sobre o busto, tentando escondê-lo, fico sempre envergonhada quando falam do meu corpo. -O que quer?- reclamei em seguida.

-Não se faça de sonsa Juju. Eu te quero, está solteira né?- Me ofereceu uma garrafa de água, parecia bem gelada.

-Err... hein?- peguei a água confusa, estava com calor. Bebi um pouco.

-Vamos dar uma volta gata, muita gente ia desmaiar se nos visse com essas roupas esportivas.- Piscou pra mim me puxando para o vestiário que havia ali perto.

-O que pretende?- Já fui me afastando dela, sem entender o motivo dela vir falar comigo do nada.

-A chata da Marcy não me quer. Queria saber o que ela viu em ti.- a loira me encostou na parede, aproximando seu rosto do meu.

-N-nada.. a-apenas foi um mal entendido.. pode ficar com ela, não temos nada.- corei empurrando ela.

-Mas ela só pensa em ti.. quero que ela pense em mim também. Imagine o quão louca ela ficaria se visse sua melhor amiga com a garota que partiu o coração dela?- tornou a se aproximar de mim, aquela garota tem uma puta força.

-Olha.. não quero saber.. só quero paz.- reclamei tentando empurrar ela.

-Só terá paz quando Marcy ser minha.- sorriu tocando seus lábios aos meus.

Nunca entendi por que ela veio me beijar assim. Iria separar, mas lembrei que poderia provar a mim mesma que aquela pequena atração por Marcy não passava de uma carência por causa do primeiro beijo. Cedi então em retribuir o beijo, talvez assim ela fosse me deixar em paz.

A sensação era diferente, o beijo intenso, não me causou muitas sensações. Nem sabia reagir quando ela entrelaçou nossas línguas, apenas pude acompanhar. Durante alguns segundos só consegui pensar em Marceline, o beijo dela parecia melhor? Acho que não, os lábios da Fionna eram bem mais macis, porém a sensação que a morena passava, aquele sim era ótimo.

Logo a loira separou nossos lábios, estava com um sorriso bobo.

-Caramba, tem um gostinho doce na sua língua!-

Saí de perto dela, soltando um suspiro, preferia me trocar no quarto, então já ia pra lá. Por azar a outra me seguiu.

-Hey Jujuba. Vamos sair, quero te conhecer melhor.- resmungou.

-Não disse que queria a Marcy? Vai atrás dela.- retruquei.

-Só me dá mais um beijo, aí te deixo em paz vai... Nem beijo ela me dá.- sem pedir já puxou meu braço. Encostou na parede roubando um beijo meu.

Virei meu rosto separando o beijo, foi aonde a garota beijou meu pescoço, me fazendo resmungar alto.

-Não..- soou como um gemido, o que fez ela rir e me olhar.

-Jujuba, pare de ser tão inocente. Vamos nos pegar logo, to com muita vontade de bancar a ativa.- o malicioso sorriso dela me incomodou.

-Não quero.- empurrei ela, a garota ria.

-Tola, não se faça de difícil, pra Marcy gostar de você tem que ....- uma voz vinda de trás interrompeu ela.

-Fiquei olhando vocês duas se pegar ,em silêncio. Mas não tolero você falando de mim pelas costas.- Era Marceline, senti um frio na espinha, até um peso tomava minha consciência.

-Não falava mal de você querida, apenas me referi que ela dá pra ti, só assim pra você gostar tanto dela. O cu doce dela deve ser ótimo.- disse irônica caminhando até a morena.

-Por quê beijou ela?- a voz da morena estava alterada.

-Beijo quem eu quiser querida. Espera.. está com ciúmes?- um sorriso tomava os lábios dela, que leva a mão aos ombros da outra, puxando a mesma para si, acho que ia rolar um beijo.

-Ciúmes? C-Claro que não.- por quê o rosto dela corou e os olhos focaram em mim?

Tsc, só sabia que não queria ver aquilo. A loira aproximou o rosto ao dela, roçando seus lábios levemente. Dei as costas ainda olhando elas sobre o ombros, foi quando vi Marcy desviar do beijo, virando seu rosto, ainda focava em mim.

-Marcy.. que foi? Está com ciúmes de mim não é? Quer dizer que me ama querida.- estalava os dedos a fazendo ganhar atenção da outra.

-Então esse era seu plano...- virou o rosto pra mim. -Bonnie, não vai.- estendeu a mão em minha direção, escapando dos braços da loira.

-Que foi?- disse seca e me virei.

-Olha.. sobre o baixo.. sabe.. era muito sentimental pra mim e...- ela foi interrompida.

-Marcy... não inventa apelidos bobos pra Jujuba.. me ame.- Abraçou a morena pelas costas.

-Arghh Fionna, me solta. Pare de dar em cima de mim porra. Quantas vezes tenho que dizer que não te quero.- acho que a voz dela soou muito alta e grossa, notei a loira com os olhos lacrimejados.

-Que grossa Marcy!- as lágrimas escorreram enquanto ela correu.

A morena virou para segui-la mas olhou para trás, diretamente pra mim. Ficou boquiaberta sem saber o que dizer, respirou fundo e tornou a virar pra mim.

-Sei que fiz muita coisa ruim, me desculpe. Acho que quebrar meu baixo foi mancada.- a voz dela era quase inaudível, parecia que ia chorar.

-Desculpa Marcy.- deixei algumas lágrimas escorrerem. -Fui uma vaca contigo. Quebrei seu baixo, mas.. só queria que entendesse como me sentia, estava angustiada, parece que você só queria me enganar.- senti a mão dela em meu ombro, aonde levantei o rosto.

A pele dela ainda estava um pouco acinzentada, acho que ela tentou tirar a tinta mas não saiu bem. Os olhos estavam na cor verde natural, os cabelos negros bagunçados, como de costume. Devido ao frio ela usava uma jaqueta de couro, embaixo uma blusa vermelha escuro. Uma calça jeans com alguns rasgados na coxa e uma bota vermelha escura, quase no mesmo tom da blusa. A bota ia até quase o joelho.

-Me sinto feliz em saber que entende o que sinto, mas não precisa chorar. O que menos quero é que sofra por minha causa, gosto muito de ti.- nossos olhos se encontraram, conseguia sentir a sinceridade ao olhar dela.

-Estava mesmo com ciúmes dela?- perguntei

-Depois disso tudo ainda acha que estou com ciúmes dela? Claro que era de você sua tola.- o rosto dela corou levemente, assim como o meu, ambas olhamos para o lado.

-Marcy.. me perdoa pelo seu baixo tá?- estava começando a ficar com frio, portanto segurei meus braços esfregando os mesmos.

-Tudo bem... só vai ser difícil contar pro meu pai sobre o machado da família, que transformei em baixo, foi quebrado..- ela coçou a nuca.

-Então?- olhei de canto para ela.

-Então?- nos entreolhamos. -Marcy...-

-Diga.-

-Err.. boa aula.- sorri um pouco sem graça.

-Pra você também.- viramos de costas uma pra outra.

-Obrigado.-

-Quer sair esse fim de semana?- nem olhou pra mim, estava envergonhada

-Pode ser.. hmn.. amigas?- me virei para olhá-la, foi então que a vi já virada pra mim.

-É.. amigas..- estendeu a mão pra mim apertar.

Apertei delicadamente a mão dela, que sorria enquanto me olhava. Porém a morena não soltou minha mão, no final ela me puxou e eu deixei. Estava entre os braços dela, aonde fui erguida, ela segurou minhas pernas, fiquei mais alta que ela dessa vez. Levei minhas mãos ao rosto da mesma, tirando o cabelo do rosto. Nos olhamos com um sorriso, selei meus lábios ao nariz da outra.

-Senti falta de você.- me disse sorridente.

Dessa vez direcionei meus lábios aos dela, tocando-os delicadamente. O lábio cicatrizado dela parecia bem mais macio do que nas vezes anteriores que nos beijamos. Um movimento carinhoso surgia entre os membros tocados, aonde se roçavam graciosamente.

Um arrepio tomava conta do meu corpo, meu coração acelerava. Me sentia desconfortável pelo fato de estar suada e com um pouco de frio, porém o cheiro dela parecia me hipnotizar. Fechei meus olhos apoiando os braços nos ombros dela, entrelaçando os mesmos por trás da cabeça da mencionada.

Por um instante o beijo foi cessado, aonde nos olhamos com o rosto bem perto nem percebi que eu sorria quase tanto quanto ela. Beijá-la parecia me embriagar, era como se estivesse na nuvens, minha mente só tinha a imagem dela. Os sentimentos pareciam explodir na flor da pele, mais que evidente, estava apaixonada, claro que não assumiria isso tão cedo.

Lentamente ela me pôs ao chão, nossos corpos se afastaram. Era como se sentisse falta do calor dela junto ao meu.

-Temos que parar com isso.- comentei com o rosto corado.

-Desde que ninguém saiba, você não corre perigo.- fiquei confusa, mas o sorriso cativante dela me convenceu.

-Nos vemos no intervalo, poderia almoçar conosco.- sugeri.

-Adoraria.- assentiu com a cabeça.

-Tenho que tomar um banho, da próxima vez que me ver estarei cheirosa.- soltei rindo, a garota cheirou seu casaco de couro fazendo careta.

-Eca.. ficou fedendo a Jujuba.-

-Tola, limpa seu casaco.- neguei com a cabeça em desaprovo, ainda rindo.

-Vou mesmo, desinfectar isso. Bonnie.. passe seu creminho, adoro ele.- piscou dando as costas.

Apenas fiquei corada a olhando partir. Fui até meu quarto, pegando minhas coisas pra tomar banho. Demorei um bom tempo no chuveiro, a água estava tão quente e o banho me fez ficar pensativa sobre o que havia ocorrido recentemente. Já limpa e cheirosa, passei o creme que ela tanto gostava, confesso estar ansiosa para vê-la no almoço, nem acredito que fizemos as pazes.

Vesti novamente meu suéter, uma calça jeans, uma blusa rosa e dessa vez um tênis da mesma cor que a blusa. Penteei meu cabelo molhado e coloquei o óculos, com certeza Íris estaria no refeitório. Caminhei até o local, meus pensamentos estavam certos, minha amiga estava com seu namorado já comendo. Resolvi não incomodar.

Sentei em uma mesa mais afastada esperando que minha companhia não demorasse. Aproveitei para me servir pegando um prato com batata frita, arroz, feijão, farofa e uma carne mal passada. Pra sobremesa, peguei um musse de chocolate, sempre comia um doce depois do almoço. Até trouxe um copo de suco natural de laranja. Ao voltar pra mesa vi Marceline já servida, estava sentada me esperando, então sentei na mesma mesa que ela.

-Bonnie, você veio.- sorriu animada, o prato dela tinha batatas fritas, uns sacos de catchup, e algumas fatias de pizza junto.

-Bem saudável.- zoei sentando em frente a ela, nem mencionei, mas peguei um pouco de salada, alface, tomate de cebola.

-Claro, tem que manter a forma.- zoou pegando um pedaço de pizza e mordendo.

-Não engorda de ruim, pelo jeito.- ri pegando o garfo levando uma batata a boca.

A morena pegou catchup passou na pizza e tornou a mordê-la. Apenas fiquei observando enquanto comia. Sem dúvida os modos dela não eram dos melhores, parecia faminta. Estava pensando se ela tomava café da manhã, como não sentia fome muito cedo nem comia nada, apenas a partir do almoço. Cuidava muito com minha alimentação, apesar de exagerar nos doces.

-A fome é tanta que deixou os modos de lado.- limpei minha boca com o guardanapo vendo ela rir.

-Exatamente. Já comi educadamente em restaurante, mas pra que tanta formalidade? Estou faminta, não deu pra esperar.- também limpou a boca no guardanapo, já terminou de comer.

-E eu pensando que era esfomeada.- zoei terminando de comer também, ambas comemos rápido.

-Não mais que eu.- caiu na risada. -Temos que apostar um dia quem come mais.-

-Não sei não, acho que vai perder.- caçoei, por mais que cuidasse, também era comilona, minha parte favorita era doce, por isso comia rápido.

-Hmn... musse.- pegou meu pote de musse com um sorriso.

-Devolve.- franzi a testa, aonde percebi ela rir. Ficava furiosa quando comiam meu doce.

-Deixa eu comer um pouco.- Abriu o potinho pegando minha colher pra colocar dentro.

-É meu musse.- resmunguei um tanto alto, pareci muito nervosa.

Ao ver a garota com uma enorme colher do meu musse, me preparei para avançar nela. Fui surpreendida com a colher vindo em minha direção, corei de imediato.

-O que está fazendo?- perguntei sem graça.

-Tratando você oras. Não fica brava por causa do seu musse, confia em mim.- o sorriso dela era cativante.

-Pare com isso.- olhei pro lado. -Vão pensar besteira de nós.- reclamei.

-Relaxa, faço isso direto com a Fionna, quem me conhece nem vai ligar, cansaram de nos shippar a toa, nunca tive nada com ela.- manteve a colher esticada, tratei de autorizar a mesma adentrar em meus lábios, saboreando o doce pudim.

-É incrível a expressão que faz comendo doce. É como se estivesse conquistando um sonho de infância.- aquele sorriso torto dela me deixou sem graça, novamente peguei mais um pouco do pudim com os lábios, sério que ela ia me tratar?

-Não precisa fazer isso.- Peguei a colher da mão dela. -Mesmo assim agradeço.- acho que ela deixou, pois estava me olhando com um sorriso. Comi meu doce rápido, antes que ela pedisse um pouco.

-Sabe que não ia pedir. Nunca fui chegada a doces..- aproximou o rosto de meu ouvido, tirando os cabelos longos da frente. -Apenas gosto do seu doce.. aquele de seus lábios.- corei de imediato, dei um tapinha na mão dela, pra fazer ela soltar meu cabelo.

-Pare com isso. Sua voz tem uma potência.- reclamei com a boca cheia de pudim.

-O que quis dizer com isso?-

-Que gosto dela.- Me levantei tocando a colher no nariz dela, acho que sujou de pudim.

Com certeza ela me olhou partir, apenas ouvi um “nos vemos por aí”, porém não fui seguida. Era divertido a forma com que nós duas conversamos, parecíamos amigas, mesmo que minha estranha atração por ela fosse evidente, a essa altura já imaginava que ela também se sentia atraída por mim.

O dia prosseguiu calmo, não nos encontrávamos na aula. Estava começando a achar que não iria me acostumar se ficasse muito tempo sem ver ela. Senti meu celular vibrar olhando a mensagem.

“Estou tentando me decidir o que é mais doce, seu beijo, perfume ou sua voz, pode me ajudar?”

Não evitei de rir com aquilo. Então pela primeira vez respondi a mensagem dela.

“Estranho no wpp que mando em anexo.”

Lembro de ter recebido várias mensagens dela no Whats app me chamando, acho que ela ficou curiosa.

 

Marceline: Bonnie, o que vai me mandar em anexo?

Eu: Uma coisa (enviei a foto de um gatinho cheio de purpurina)
Acho que isso é mais doce.

Marceline: Tá falando sério? Nem se compara, isso parece um unicórnio e você.. parece uma bala kkkkkkk. (várias carinhas rindo)

Eu: Não vi graça. (carinha séria)

Marceline: Desculpa Bonnie. (anexo de um morceguinho fofo dentro de uma caneca)

Eu: Mas que merda é essa?

Marceline: Um morceguinho ué

Eu: Sei, mas o que ele faz na caneca?

Marceline: Ué, pergunta pra ele.

Eu: Nossa Marcy, como você é engraçada. (carinha séria)

Marceline: Nossa Bonnie, como você é sem graça. (coração)

Eu: Olha, tenho que estudar, amanhã nos vemos tá?

Marceline: Sem dúvida. De manhã vou ter educação física, podia fazer essa aula também. Adoraria te ver na quadra.

Eu: Tá, pode ser. Vou estudar, tenho prova amanhã. Beijos.

Marceline: Até.

 

Soltei meu celular agora voltando a atenção para o livro.

-Está sorridente, o que houve?- Íris percebeu minha expressão, nem eu mesma havia notado que estava sorrindo.

Aquele final de tarde aproveitei para estudar, mas claro que contei tudo o que aconteceu pra minha amiga. Detalhe por detalhe. Acho que ela também estava feliz, e parecia não se importar com minha colisão interna, será mesmo que aquela paixão boba só crescia? Eu fiquei amiga dela com intuito de que essa sensação passe, estava com um pouco de receio disso.


Notas Finais


Pra quem não conhece, o link da música que a Marcy canta.
https://www.youtube.com/watch?v=KIk4xGt5Y34
Quem diria que a Fionna virou nosso "anjo". Se não fosse ela talvez as meninas não tivessem feito as pazes.
Agradeço por lerem, adoraria ouvir a opinião de vocês sobre a história ~~<3
Ajudem a divulgar, rumo aos 100 favoritos <3


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