História Garotinhas - Capítulo 12


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NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Famí­lia, Mistério, Policial
Avisos: Álcool, Estupro, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 12 - Uma proposta irrecusável


12

Uma proposta irrecusável

 

Clara se senta em um banquinho na praça, em frente à igreja matriz de Catolé do Rocha. Ela olhou para o seu relógio rolex. 12h01. Onde estaria Kilmer? Ele disse que estaria ali, quando fosse liberado, na hora do almoço. Clara escora suas costas no assento, iria esperar mais um pouco. Afinal, só se passara um minuto da hora marcada.

            Um sininho toca por perto. A baixinha reconheceu aquele som. Ela se virou para a direita para poder ver Kilmer atravessar a pista e chegar à pracinha. Ele usava uma camisa Dudalina. Deveria ser uma imitação – não teria condições de comprar uma legítima.

            – Oi – ele se senta ao lado da garota.            

             Nas mãos, segurava uma sacola com duas marmitas descartáveis. Clara sentiu o cheirinho de canela do bolo de chocolate da cafeteria.

            – Me diga uma coisa – ela pega uma das marmitas, mesmo sem saber se era para ela o doce –: você os roubou?

            Kilmer não levanta o rosto, envergonhado.

            Clara ficou o analisando. O seu coração se apertou um pouco. Estava sendo má com o garoto que lhe trouxera bolo. Se fosse qualquer outro menino no mundo, até mesmo Lucas, não se incomodaria com o modo de como conseguiram a sobremesa, porque ela sabe que eles têm dinheiro.

            – Estou brincando – ela coloca a embalagem no colo. Esperaria por Kilmer para começarem a comer.

            – Espero que não me dedure – Kilmer ergue a cabeça.

            – Espero que tenha algo a me oferecer.

            – Claro que tenho – ele chega mais perto da morena. – Sabe, um dia, tive tudo o que queria.

            Clara olha para a camisa dele. Ela parecia como as das vitrines do shopping, verdadeiras.

            – Até que o meu pai quebrou – continuou ele. – Desde então, tenho que trabalhar meio turno para manter o valor da mesada e estudar em um colégio público. Você estuda no João Agripino Filho, não é?

            A menina assente.

            – Eu também já estudei lá.

            – Então... – ela tosse, limpando a garganta. – Qual a parte que me interessa?

            – Eu já ia chegar nesse ponto – Kilmer olha para a cafeteria. – Quando vim procurar emprego, eles me pediram uma foto, não um currículo. Ao contrário dos outros funcionários, eu tinha dinheiro para cuidar da aparência. Eles me ofereceram uma vaga como garçom nos eventos em que são contratados os serviços. Só que eu não trabalho...

            – Quer dizer que você usa a sua aparência para fingir ser um convidado? – Clara conseguia entender. Era como somar dois mais dois.

            – Eles sempre mandam dois ou três funcionários a mais, caso haja um imprevisto. Eu faço amizade com alguém da equipe e não saio sozinho, tenho um cúmplice!

            – Como a sua namorada...

            – Ela não é minha namorada – Kilmer ri. – Ela era apenas uma amiga. Ontem, foi seu último dia.

            – O que aconteceu com ela? Foi pega?

             – Não. Foi para a faculdade.

            Clara olha para a fatia de bolo em seu colo, ainda não tinha tirado nenhum pedaço.

            – Preciso de uma nova cúmplice.

            Kilmer a encara.

            – Você acha que eu preciso arranjar um emprego de garçonete para entrar em festas?

            Ela o lança um olhar que queria dizer com todas as letras, se fosse escrito, Ainda sou rica.

            – Você pode estar em várias festas, mas nunca vai estar em todas. A Gold&Sweets é o buffet mais requisitado pelas festas daqui. Deixe eu ver qual será o próximo evento...

            Kilmer pega o celular do bolso de sua calça Calvin Klein. Logo em sua tela de bloqueio tinha lembretes para o fim de semana.

            – A próxima festa será um café da manhã para Rafaela Lúcio...

            – Rafaela Lúcio? – Clara puxa o telefone das mãos do menino sem se importar em ser mal-educada.

            Estava escrito em um bloco de notas. Café às 09h00 no jardim de inverno, 18 de janeiro. Aniversariante: Rafaela Lúcio.

            – Se você correr, ainda dá tempo de preencher a vaga de Letícia. Eles vão te querer na equipe para festas, tenho certeza – diz Kilmer, tirando, com cautela, o celular das mãos da menina.

            – Essa vaga vai ser minha.

            Clara sorri para o garoto. Ele tinha mesmo classe, até ao sentar. Nem mesmo ela conseguiu desmascará-lo na festa de Tainá.

            – Seremos uma boa dupla – disse a menina.

            Ela abaixa a cabeça. O bolo parecia mais delicioso ainda. O que Rafaela escondia, seja o que for, Clara Andrade descobriria.

            Um sino toca. Desta vez não foi o da Gold&Sweets. Foi o da igreja.

            – Para que isso? – Clara se vira para ver as portas de madeira da catedral se abrirem. Ela sabia que o sino só tocava quando missas, ou celebrações fossem começar e quando alguém católico e que pagasse o dízimo... morria.

            – Vai começar o velório de Murilo. Vamos sair daqui. Este lugar vai ficar lotado e a imprensa vai cair em cima.

            Kilmer a puxa pelo braço. Clara não se incomodou com o toque dele, como aconteceu com Lucas.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



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