História Garotinhas - Capítulo 13


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NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Famí­lia, Mistério, Policial
Avisos: Álcool, Estupro, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 13 - Chaves de cadeia


13

Chaves de cadeia

 

Era um domingo nublado e, apesar de passar das três horas da tarde, Bruna não conseguia ver o sol da janela de seu quarto.

            Ela pegou a sua bolsinha de mão Lacoste, onde estava a chave de seu Up vermelho, segurou a maçaneta da porta e a girou. Estava prestes a sair, quando algo a fez voltar.

            Bruna olhou para o seu reflexo no espelho de sua cabeceira. O vestido bege foi o maior da loja em que o comprara e nem era da cor que queria. Ela escolhera um azul, mas não tinha para o seu tamanho. Chegava a ser uma piada para quem não a conheceu aos treze anos de idade ouvir que ela, Bruna Lavínia, seria uma líder de torcida.

            Desamassando o vestindo, a garota fecha com força a porta do quarto, tendo em plena consciência de que quem a fez engordar fora Murilo. Deveria mandar a conta pela compra da roupa para a mãe dele, já que ele está morto.

            – Sim, irei chamá-la.

            A voz era de sua mãe, Sônia. Vinha do andar de baixo. Quem estaria com ela? Bruna corre para o fim do corredor que dava para a escada que levava à sala de estar.

            – Estou aqui, mãe – Bruna segura o corrimão com força.

            Ao lado da Sra. Lavínia estava uma mulher mais jovem, não aparentava ter mais do que trinta anos de idade. A pele era branca e o rosto praticamente sem maquiagem. O seu porte físico a entregou. Era a nova delegada da cidade. Mara Gisleane.

            – Querida – a dona Sônia estava nervosa. Não parava de esfregar as mãos uma na outra –, a delegada queria trocar umas palavrinhas com você.

            – Comigo? – Bruna tremeu. Se ela estava ali, era porque havia descoberto...

            A mulata desce as escadas, procurando disfarçar a tremedeira nas pernas e não cair.

            – Bruna – levanta-se a jovem mulher, assim que Bruna termina de descer os degraus.

            – Delegada – a garota se senta ao lado da mãe, no sofá, de frente para a poltrona de Mara.

            – Eu não queria começar o meu trabalho assim, mas não posso fazer apenas o que gosto – a oficial bate as mãos nas coxas, como se lamentasse estar ali. – Sua mãe me contou que estava fora da cidade no início do mês, comemorando o novo ano com os familiares de seu falecido pai... Confere?

            – Sim, senhora.

            – Certo... – Mara pega uma pasta e tira de lá uma caderneta e começa a anotar. – Você é uma suspeita, ainda – a delegada a encara. – Você e sua mãe.

            – Como assim? – Sônia endireita a coluna. – Estávamos fora da cidade!

            – Eu sei, mas também tenho conhecimento de que você e seu ex-marido subornaram o antigo delegado responsável pelo caso para livrarem a sua filha da exposição pública. O que mais vocês fariam por ela? Afinal, dona Sônia, a senhora é uma advogada influente na cidade. Não teria contatos no reformatório? Não ajudou a colocar pessoas no comando?

            – A senhora podia muito bem saber, já que diz ter conhecimento de tudo.

            Sônia mantém a pose. Parecia um cão de guarda, impedindo que chegassem perto da cria.

            – É o que veremos... – Mara se recosta na poltrona. Bruna range os dentes. Aquele era o seu lugar preferido na sala, quando planejava assistir filmes no sábado à noite. – Mas vocês não são os únicos a esconderem algo. Nesta cidade, parece que quem tem dinheiro também tem poder. Eu vou acabar com isso, pelo menos na minha área.

            – Tenha um bom trabalho, delegada – Sônia continuava a encarar a oficial, segurando as mãos da filha, que ainda tremiam.

            – Eu sei que ele era um pedófilo, querida – a mulher se vira para Bruna. A sua voz estava mais calma, reconfortante. – Contudo, olhe o que fizeram com ele.

            Mara joga as fotos do corpo de Murilo encontrado no porão de sua antiga casa sob o centro de madeira da sala.

            – Meu Deus, mãe! – Bruna cobre o rosto com as mãos.

            – Fizeram justiça com as próprias mãos. Eu não posso deixar que isso volte a acontecer!

            A delegada voltara a ficar de pé. Ela tinha aumentado o volume da voz, como se falasse em um palanque, fosse um prefeito, ou um governador.

            – Saia da minha casa! – Sônia recolhe as fotos e as anotações. – Você não tem nenhum mandato para nos interrogar. Deixei você entrar em minha casa, porque não temos nada a esconder. Mas não posso deixar você aterrorizar a minha filha. Isto é crime!

            – Mara – Bruna se recompôs –, eu não matei Murilo. Eu não teria coragem – a voz da menina estava firme. – Só não pense que o perdoei pelo que me fez. Eu estou feliz por saber que ele está morto. Ficarei mais feliz ainda quando ele for enterrado pela segunda vez.

            – Bruna, cale a boca! – grita a Sra. Lavínia. – E você – ela se vira para a delegada – saia já da minha casa!

            – Eu quero ver como você vai se sair quando for processada por subornar uma autoridade.

            – Você verá nas audições.

            Sônia a acompanha até a porta. Mara não olha para trás nenhuma vez até sair em sua viatura. Ela queria arrancar uma confissão de uma das duas, o que Bruna quase a deu.

            – Da próxima vez, fique calada!

            Ela vai para a cozinha tomar a sua aspirina, a segunda no dia.

            – Estou saindo – grita Bruna, ainda no sofá. – Já chamei um táxi.

            – Aonde pensa que vai? – a matriarca volta para a sala, correndo.

            – Pegar o meu carro na casa de Tainá e, depois, tomar um sorvete.

            – Tomar um sorvete?

            – Sim, mãe. Tomar um sorvete!

            Sônia não acreditava na filha. Bruna não gostava muito de sorvete.

            – Ai, meu Deus! Minha cabeça vai explodir!

            Biii! Biii!

            – Tchau, mãe – Bruna se levanta do estofado e abre a porta.

            – Esteja em casa antes do anoitecer! – grita Sônia, antes que a menina feche a porta. Ela pega mais um comprimido. Era o terceiro naquele domingo nublado de janeiro.

 

 

 

 

 

 



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